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Cólera

Cólera

A cólera é uma infecção intestinal aguda causada pelo Vibrio cholerae, que é uma bactéria capaz de produzir uma enterotoxina que causa diarréia. Apenas dois sorogrupos (existem cerca de 190) dessa bactéria são produtores da enterotoxina, o V. cholerae O1 (biotipos "clássico" e "El Tor") e o V. cholerae O139.

O Vibrio cholerae é transmitido principalmente através da ingestão de água ou de alimentos contaminados.

Na maioria das vezes, a infecção é assintomática (mais de 90% das pessoas) ou produz diarréia de pequena intensidade. Em algumas pessoas (menos de 10% dos infectados) pode ocorrer diarréia aquosa profusa de instalação súbita, potencialmente fatal, com evolução rápida (horas) para desidratação grave e diminuição acentuada da pressão sangüínea.

Transmissão

O V. cholerae penetra no organismo humano por ingestão de água ou de alimentos contaminados (transmissão fecal-oral). Se conseguir vencer a acidez do estômago, alcança o intestino delgado onde o meio é alcalino, multiplica-se intensamente, principalmente em duodeno e jejuno, e produz a enterotoxina que pode causar diarréia.

Uma pessoa infectada elimina o V. cholerae nas fezes por, em média, 7 a 14 dias. A água e os alimentos podem ser contaminados, principalmente, por fezes de pessoas infectadas, com ou sem sintomas.

A propagação direta de uma pessoa para outra é pouco importante, uma vez que é necessária uma grande quantidade de bactérias para produzir infecção (acima de 1000/ml em alimentos e de 100000/ml na água).

Em alimentos, a bactéria pode sobreviver por até cinco dias na temperatura ambiente (15 a 40 °C), ou por até dez dias entre 5 e 10 °C. É resistente ao congelamento, embora a sua multiplicação fique mais lenta.

Riscos

A cólera é uma doença de transmissão fecal-oral. São fatores essenciais para a disseminação da doença condições deficientes de saneamento, particularmente a falta de água tratada. A taxa de ataque da cólera, mesmo em grandes epidemias, raramente excede a 2% da população.

A cólera ocasionou seis pandemias entre 1817 e 1923. A atual, a sétima, começou na Indonésia em 1961, causada pelo biótipo El Tor. Disseminou-se por outros países na Ásia, Oriente Médio, África (70% dos casos notificados no mundo) e Europa, chegando à América do Sul em 1991, através de cidades litorâneas do Peru.

Em 1992, surgiu na Índia um novo sorogrupo produtor de enterotoxina, o V. cholerae O139, que rapidamente atingiu o Paquistão, Bangladesh e China. No Brasil, a introdução da cólera (causada pelo El Tor) ocorreu através da Região Amazônica, no Alto Solimões e, atualmente, são registrados casos em todas as Regiões do país.

O risco para viajantes depende do roteiro e das condições de estadia. A cólera é endêmica em vários países e episodicamente ocorrem surtos onde a infra-estrutura de saneamento básico é inadequada ou inexistente. O risco de transmissão da cólera é variável entre países e, dentro de um país pode haver diferenças de risco entre regiões e, até mesmo, entre diferentes bairros de uma cidade.

A cólera pode ocorrer em uma cidade que tenha água tratada e esgotos, porém em geral afeta principalmente os habitantes de comunidades carentes, onde o saneamento básico é inadequado. O risco de aquisição da cólera para quem fica em bairros com saneamento básico adequado é relativamente menor e, basicamente, está mais relacionado aos alimentos, uma vez que podem estar contaminados na origem e o seu preparo exige higiene adequada.

Quando a localidade inteira não possui infra-estrutura adequada, além dos alimentos, existe a possibilidade de contaminação da água para consumo, que deve ser tratada pelo próprio viajante.

A permanência a longo prazo (residência) em uma área sem saneamento básico, com água não tratada, proveniente diretamente de poços ou fontes como rios ou lagos é uma situação de risco permanente. Nessa circunstância, deve ser desenvolvida uma infra-estrutura domiciliar mínima utilizável a longo prazo, envolvendo o tratamento da água com a cloração de fontes ou reservatórios.

O V. cholerae não resiste a temperaturas acima de 80 °C. Portanto, os alimentos mais seguros são os preparados na hora, por fervura, e servidos ainda quentes.

Os de maior risco são os mal cozidos ou crus, como as saladas, os frutos do mar, os preparados com ovos (como maionese caseira), os molhos, as sobremesas tipo mousse, bebidas não engarrafadas industrialmente, leite não pasteurizado, sucos, sorvetes e gelo. Os legumes são facilmente contaminados e difíceis de serem lavados adequadamente.

Em crianças de até seis meses, que se alimentam exclusivamente de leite materno, o risco é pequeno, observados os cuidados de higiene durante a amamentação.

Medidas de proteção individual

O Cives recomenda ao viajante que se dirige para uma área onde exista transmissão de cólera, que observe as medidas de proteção para evitar doenças transmitidas através da ingestão de água e alimentos. O consumo de água tratada e o preparo adequado dos alimentos são medidas altamente eficazes.

A seleção de alimentos seguros é crucial. Em geral, a aparência, o cheiro e o sabor dos alimentos não ficam alterados pela contaminação com o Vibrio cholerae (e outros agentes infecciosos). O viajante deve alimentar-se em locais que tenham condições adequadas ao preparo higiênico de alimentos. A alimentação na rua com vendedores ambulantes constitui um risco elevado.

Os alimentos devem ser bem cozidos e servidos logo após a preparação, para evitar nova contaminação com a bactéria. Os alimentos preparados com antecedência devem ser novamente aquecidos, imediatamente antes do consumo e servidos ainda quentes ("saindo fumaça").

Os filtros portáteis disponíveis não são capazes de reter o Vibrio cholerae. Água mineral gaseificada e outras bebidas engarrafadas industrialmente, como refrigerantes, cervejas e vinhos são geralmente seguras. Café e chá bebidos ainda quentes não constituem risco. Não deve ser utilizado gelo em bebidas, a não ser que tenha sido preparado com água tratada (clorada ou fervida).

O tratamento da água a ser utilizada como bebida ou no preparo de alimentos pode ser feita com hipoclorito de sódio a 2 – 2,5% (água sanitária) ou cloro em comprimidos.

Deve-se ter cuidado na aquisição de preparações contendo cloro. Existem algumas que, além do hipoclorito de sódio, contém outras substâncias que as tornam impróprias para o tratamento da água. Os comprimidos podem conter diversas concentrações de cloro, e alguns são indicados para o tratamento de volumes de até 100 litros de água.

As instruções dos fabricantes devem sempre ser cuidadosamente lidas, e o prazo de validade observado (o da água sanitária é de seis meses). Em geral, nos conta-gotas de 1 ml, esse volume corresponde a 20 gotas. É prudente, no entanto que a proporção 1 ml = 20 gotas seja sempre verificada em cada novo conta-gotas utilizado.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o tratamento com 6 mg de cloro para cada litro de água. Quando se utiliza um conta-gotas de 1 ml = 20 gotas, 5 gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% contém 6 mg de cloro. O tratamento com comprimidos deve ser feito de acordo com as instruções dos fabricantes, observando-se cuidadosamente as recomendações em relação à concentração adequada para diferentes volumes e finalidades de utilização da água.

O cloro (hipoclorito de sódio ou comprimidos) deve ser adicionado à água no mínimo 30 minutos antes da sua utilização como bebida ou para o preparo de alimentos. Em recipientes fechados, a água tratada com cloro pode ser utilizada até por 24 horas. A fervura da água antes do consumo, durante pelo menos um minuto, é uma alternativa segura ao tratamento com cloro e deve ser a preferida quando a água estiver turva.

Para desinfecção de frutas e verduras deve ser utilizado 2 ml (40 gotas) de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água, ou comprimidos de cloro na concentração indicada pelo fabricante. As frutas e verduras devem ser mantidas imersas por 30 minutos na água clorada. Em seguida devem ser lavados com água tratada com a concentração de cloro adequada à sua utilização como bebida.

A exigência da vacinação contra a cólera como condição obrigatória para a concessão de vistos de entrada foi retirada do Regulamento Sanitário Internacional em 1973. Os últimos países, segundo a Organização Mundial da Saúde, deixaram de exigir o certificado de vacinação contra a cólera em 1993.

O Cives não recomenda a vacinação rotineira contra a cólera. As vacinas injetáveis apresentam eficácia inferior a 50%, curta duração de imunidade (cerca de 3 meses) e não reduzem a incidência de infecções assintomáticas. As vacinas orais contra a cólera (existem duas) têm eficácia em torno de 85% e produzem imunidade por cerca de 3 anos.

Embora os resultados iniciais sejam promissores para aplicação individual, nenhuma dessas vacinas é recomendada para viajantes de forma indiscriminada. Quando o risco de infecção é muito elevado, a utilização da vacinas orais, como medida complementar, deve ser considerada para pessoas com diminuição da secreção ácida do estômago (hipocloridria ou acloridria), em gastrectomizados ou indivíduos com atividade de alto risco (como trabalho em campos de refugiados, em áreas endêmicas). No Brasil, as vacinas (injetável ou oral) contra a cólera não estão disponíveis na Rede Pública.

Recomendações para áreas com risco de transmissão

O Vibrio cholerae é comumente encontrado como parte da microbiota em ambientes aquáticos, em água salobra e estuários, razão pela qual os frutos do mar podem ser fonte importante de infecção. Em locais onde existe saneamento básico adequado, a ocorrência de casos é apenas episódica.

A cólera dissemina-se por água e alimentos contaminados. Um aumento súbito do número de casos é, em geral, causado por contaminação da água com fezes.

A forma mais efetiva de impedir a instalação da cólera em uma localidade é a existência de infra-estrutura de saneamento básico adequada. Devem ser implementadas melhorias do sistema de armazenamento e distribuição de água tratada e a construção de redes de esgoto. A população deve, continuamente. receber informações sobre a forma de transmissão da doença e como preveni-la e ter acesso fácil a serviços de diagnóstico e tratamento.

Medidas como fechamento de fronteiras, restrição da circulação de pessoas e mercadorias, quarentena, vacinação e o uso em massa de antibióticos profiláticos são ineficazes para evitar a disseminação da cólera. Além de serem tecnicamente inadequadas, desviam inutilmente recursos humanos e financeiros.

O Cives recomenda às pessoas que vão estabelecer residência em uma área onde ocorre transmissão de cólera, na qual não exista saneamento básico adequado que:

em caso de utilização de água de poços ou coletada diretamente de rios ou lagoas,
estabelecer (com supervisão técnica especializada) uma infra-estrutura domiciliar mínima que
permita o tratamento (cloração) da água utilizada para consumo e preparo de alimentos.

observem rigorosamente os cuidados de preparação higiênica de alimentos, incluindo o tratamento com água clorada, em concentração adequada à desinfecção.

Manifestações

Após um período de incubação de algumas horas a 5 dias, a maioria dos casos de cólera, apresenta-se como uma diarréia leve ou moderada, indistinguível das diarréias comuns. Podem ocorrer vômitos, porém dor abdominal e febre são incomuns.

Em algumas pessoas (menos de 10%), a cólera pode evoluir de forma mais grave, com início súbito de uma diarréia aquosa profusa, geralmente sem muco, pus ou sangue e, com freqüência, acompanhada de vômitos.

Poder ocorre perda rápida de líquidos (até 1 a 2 litros por hora) e eletrólitos, levando a desidratação acentuada. Em razão disso, há sede intensa, perda de peso, prostração, diminuição do turgor da pele e os olhos ficam encovados.

Há desequilíbrio hidroeletrolítico, o que pode ocasionar cãibras musculares e, em crianças, a hipoglicemia pode levar a convulsões e redução do nível de consciência. Sem tratamento adequado ocorre diminuição da pressão sangüínea, funcionamento inadequado dos rins, diminuição do volume urinário até a anúria total, coma e evolução para a morte em três a quatro horas.

Raramente, pode haver concomitância de febre alta (cólera "tifóide") e a perda de líquidos pode não ser evidente (cólera "seca"), uma vez que a desidratação pode se dar por retenção de líquidos no intestino.

O óbito pode acontecer em até 50% das formas graves não tratadas, número que cai para menos de 2% com hidratação adequada.

A confirmação do diagnóstico de cólera é feita através de isolamento do V. cholerae em cultivo, feito geralmente a partir das fezes. A confirmação não tem importância para o tratamento da pessoa doente, mas é fundamental para a adoção de medidas que reduzam o risco de ocorrência de uma epidemia.

É também importante, por motivos semelhantes, se a pessoa doente é proveniente de uma área onde não era antes registrada a ocorrência da doença. Além disso, o isolamento de amostras da bactéria torna possível o conhecimento da sua susceptibilidade aos antimicrobianos. O envio do material para confirmação do diagnóstico deverá ser feito através das Unidades de Atendimento.

Tratamento

O tratamento da cólera consiste basicamente em reidratação. A desidratação pode ser danosa em qualquer idade, mas é particularmente perigosa em crianças pequenas e idosos.

Nos casos leves e moderados, o médico pode recomendar que o tratamento seja feito em casa, com a solução de reidratação oral.

Os viajantes devem evitar a desidratação decorrente da diarréia (de qualquer causa) ingerindo bastante líquidos, preferentemente uma solução reidratatante contendo eletrólitos (sais) e glicose, em concentrações adequadas.

O Cives recomenda ao viajante que se dirige a uma área de transmissão de cólera, levar envelopes de sais para preparo de solução de reidratação oral, na proporção de oito para cada pessoa. Existem diversas fórmulas contendo esses sais, facilmente encontradas em farmácias, mas as que contém a composição recomendada pela OMS devem ser preferidas:

Sais para Reidratação Oral:

Composição Recomendada – OMS

Cloreto de sódio 3,5g

Citrato trissódico, diidratado 2,9g

Cloreto de potássio 1,5g

Glicose 20,0g

Em caso de diarréia, a solução de reidratação oral deve ser preparada imediatamente antes do consumo. Para preparo da solução, o conteúdo de um envelope deve ser dissolvido em um litro de água fervida, após o resfriamento. A solução não pode ser fervida depois de preparada, mas pode ser conservada em geladeira por até 24 horas.

Pode ser ingerida de acordo com a aceitação, com freqüência e volume proporcionais à intensidade da diarréia. Deve ser alternada com outros líquidos (água, chá, sopa).

A alimentação deve ser reiniciada após 3 a 4 horas de aceitação adequada da reidratação oral. Nos lactentes, o aleitamento materno deve ser mantido.

Nas diarréias mais acentuadas, um Serviço de Saúde deve ser procurado o mais rápido possível os casos graves devem ser hospitalizados para hidratação venosa até a melhora das condições clínicas da pessoa e, tão logo quanto possível, a reidratação oral deve ser feita simultaneamente.

Os medicamentos antidiarreicos, do mesmo modo que em todas as outras diarréias de causa infecciosa, estão contra-indicados no tratamento da cólera.

Esses medicamentos diminuem os movimentos intestinais (peristaltimo), facilitando a multiplicação do V. cholerae. Como resultado, ocorre piora ou aumento na duração da diarréia. Do mesmo modo, não devem ser utilizados adstringentes (caolin-pectina, carvão), uma vez que podem perpetuar a perda de eletrólitos (sódio e potássio) pelas fezes.

Em crianças, devem ser evitados medicamentos contra vômitos, uma vez que podem ocasionar intoxicação, com diminuição do nível de consciência e movimentos involuntários, dificultando a ingestão da solução oral de reidratação. Além disso, essa medicação é geralmente desnecessária, uma vez que os vômitos tendem a cessar com o início da reidratação.

Na maioria dos casos, mesmo nas formas graves, a recuperação é completa e rápida, apenas com a reidratação. Nas formas graves, os antibióticos quando iniciados nas primeiras 24 horas de doença, podem diminuir a duração da diarréia e, com isto, as perdas de líquido e eletrólitos, o que facilita a terapêutica.

Nos casos sem gravidade, o uso de antibióticos não é justificável, uma vez que não trazem qualquer benefício comprovado na evolução da doença ou interferência na sua disseminação. Além disso, o uso indiscriminado de antibióticos aumenta o risco do surgimento de resistência no V. cholerae (e em outras bactérias intestinais), o que pode dificultar o tratamento das formas graves.

Fonte: www.cives.ufrj.br

Cólera

A cólera é uma infecção intestinal aguda causada pelo Vibrio cholerae, que é uma bactéria capaz de produzir uma enterotoxina que causa diarréia. Apenas dois sorogrupos (existem cerca de 190) dessa bactéria são produtores da enterotoxina, o V. cholerae O1 (biotipos "clássico" e "El Tor") e o V. cholerae O139.

O Vibrio cholerae é transmitido principalmente através da ingestão de água ou de alimentos contaminados.

Na maioria das vezes, a infecção é assintomática (mais de 90% das pessoas) ou produz diarréia de pequena intensidade. Em algumas pessoas (menos de 10% dos infectados) pode ocorrer diarréia aquosa profusa de instalação súbita, potencialmente fatal, com evolução rápida (horas) para desidratação grave e diminuição acentuada da pressão sangüínea.

Transmissão

O V. cholerae penetra no organismo humano por ingestão de água ou de alimentos contaminados (transmissão fecal-oral). Se conseguir vencer a acidez do estômago, alcança o intestino delgado onde o meio é alcalino, multiplica-se intensamente, principalmente em duodeno e jejuno, e produz a enterotoxina que pode causar diarréia.

Uma pessoa infectada elimina o V. cholerae nas fezes por, em média, 7 a 14 dias. A água e os alimentos podem ser contaminados, principalmente, por fezes de pessoas infectadas, com ou sem sintomas.

A propagação direta de uma pessoa para outra é pouco importante, uma vez que é necessária uma grande quantidade de bactérias para produzir infecção (acima de 1000/ml em alimentos e de 100000/ml na água).

Em alimentos, a bactéria pode sobreviver por até cinco dias na temperatura ambiente (15 a 40 °C), ou por até dez dias entre 5 e 10 °C. É resistente ao congelamento, embora a sua multiplicação fique mais lenta.

Riscos

A cólera é uma doença de transmissão fecal-oral. São fatores essenciais para a disseminação da doença condições deficientes de saneamento, particularmente a falta de água tratada. A taxa de ataque da cólera, mesmo em grandes epidemias, raramente excede a 2% da população.

A cólera ocasionou seis pandemias entre 1817 e 1923. A atual, a sétima, começou na Indonésia em 1961, causada pelo biótipo El Tor. Disseminou-se por outros países na Ásia, Oriente Médio, África (70% dos casos notificados no mundo) e Europa, chegando à América do Sul em 1991, através de cidades litorâneas do Peru.

Em 1992, surgiu na Índia um novo sorogrupo produtor de enterotoxina, o V. cholerae O139, que rapidamente atingiu o Paquistão, Bangladesh e China. No Brasil, a introdução da cólera (causada pelo El Tor) ocorreu através da Região Amazônica, no Alto Solimões e, atualmente, são registrados casos em todas as Regiões do país.

O risco para viajantes depende do roteiro e das condições de estadia. A cólera é endêmica em vários países e episodicamente ocorrem surtos onde a infra-estrutura de saneamento básico é inadequada ou inexistente. O risco de transmissão da cólera é variável entre países e, dentro de um país pode haver diferenças de risco entre regiões e, até mesmo, entre diferentes bairros de uma cidade.

A cólera pode ocorrer em uma cidade que tenha água tratada e esgotos, porém em geral afeta principalmente os habitantes de comunidades carentes, onde o saneamento básico é inadequado. O risco de aquisição da cólera para quem fica em bairros com saneamento básico adequado é relativamente menor e, basicamente, está mais relacionado aos alimentos, uma vez que podem estar contaminados na origem e o seu preparo exige higiene adequada.

Quando a localidade inteira não possui infra-estrutura adequada, além dos alimentos, existe a possibilidade de contaminação da água para consumo, que deve ser tratada pelo próprio viajante.

A permanência a longo prazo (residência) em uma área sem saneamento básico, com água não tratada, proveniente diretamente de poços ou fontes como rios ou lagos é uma situação de risco permanente. Nessa circunstância, deve ser desenvolvida uma infra-estrutura domiciliar mínima utilizável a longo prazo, envolvendo o tratamento da água com a cloração de fontes ou reservatórios.

O V. cholerae não resiste a temperaturas acima de 80 °C. Portanto, os alimentos mais seguros são os preparados na hora, por fervura, e servidos ainda quentes.

Os de maior risco são os mal cozidos ou crus, como as saladas, os frutos do mar, os preparados com ovos (como maionese caseira), os molhos, as sobremesas tipo mousse, bebidas não engarrafadas industrialmente, leite não pasteurizado, sucos, sorvetes e gelo. Os legumes são facilmente contaminados e difíceis de serem lavados adequadamente.

Em crianças de até seis meses, que se alimentam exclusivamente de leite materno, o risco é pequeno, observados os cuidados de higiene durante a amamentação.

Medidas de proteção individual

O Cives recomenda ao viajante que se dirige para uma área onde exista transmissão de cólera, que observe as medidas de proteção para evitar doenças transmitidas através da ingestão de água e alimentos. O consumo de água tratada e o preparo adequado dos alimentos são medidas altamente eficazes.

A seleção de alimentos seguros é crucial. Em geral, a aparência, o cheiro e o sabor dos alimentos não ficam alterados pela contaminação com o Vibrio cholerae (e outros agentes infecciosos). O viajante deve alimentar-se em locais que tenham condições adequadas ao preparo higiênico de alimentos. A alimentação na rua com vendedores ambulantes constitui um risco elevado.

Os alimentos devem ser bem cozidos e servidos logo após a preparação, para evitar nova contaminação com a bactéria. Os alimentos preparados com antecedência devem ser novamente aquecidos, imediatamente antes do consumo e servidos ainda quentes ("saindo fumaça").

Os filtros portáteis disponíveis não são capazes de reter o Vibrio cholerae. Água mineral gaseificada e outras bebidas engarrafadas industrialmente, como refrigerantes, cervejas e vinhos são geralmente seguras. Café e chá bebidos ainda quentes não constituem risco. Não deve ser utilizado gelo em bebidas, a não ser que tenha sido preparado com água tratada (clorada ou fervida).

O tratamento da água a ser utilizada como bebida ou no preparo de alimentos pode ser feita com hipoclorito de sódio a 2 – 2,5% (água sanitária) ou cloro em comprimidos.

Deve-se ter cuidado na aquisição de preparações contendo cloro. Existem algumas que, além do hipoclorito de sódio, contém outras substâncias que as tornam impróprias para o tratamento da água. Os comprimidos podem conter diversas concentrações de cloro, e alguns são indicados para o tratamento de volumes de até 100 litros de água.

As instruções dos fabricantes devem sempre ser cuidadosamente lidas, e o prazo de validade observado (o da água sanitária é de seis meses). Em geral, nos conta-gotas de 1 ml, esse volume corresponde a 20 gotas. É prudente, no entanto que a proporção 1 ml = 20 gotas seja sempre verificada em cada novo conta-gotas utilizado.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o tratamento com 6 mg de cloro para cada litro de água. Quando se utiliza um conta-gotas de 1 ml = 20 gotas, 5 gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% contém 6 mg de cloro. O tratamento com comprimidos deve ser feito de acordo com as instruções dos fabricantes, observando-se cuidadosamente as recomendações em relação à concentração adequada para diferentes volumes e finalidades de utilização da água.

O cloro (hipoclorito de sódio ou comprimidos) deve ser adicionado à água no mínimo 30 minutos antes da sua utilização como bebida ou para o preparo de alimentos. Em recipientes fechados, a água tratada com cloro pode ser utilizada até por 24 horas. A fervura da água antes do consumo, durante pelo menos um minuto, é uma alternativa segura ao tratamento com cloro e deve ser a preferida quando a água estiver turva.

Para desinfecção de frutas e verduras deve ser utilizado 2 ml (40 gotas) de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água, ou comprimidos de cloro na concentração indicada pelo fabricante. As frutas e verduras devem ser mantidas imersas por 30 minutos na água clorada. Em seguida devem ser lavados com água tratada com a concentração de cloro adequada à sua utilização como bebida.

A exigência da vacinação contra a cólera como condição obrigatória para a concessão de vistos de entrada foi retirada do Regulamento Sanitário Internacional em 1973. Os últimos países, segundo a Organização Mundial da Saúde, deixaram de exigir o certificado de vacinação contra a cólera em 1993.

O Cives não recomenda a vacinação rotineira contra a cólera. As vacinas injetáveis apresentam eficácia inferior a 50%, curta duração de imunidade (cerca de 3 meses) e não reduzem a incidência de infecções assintomáticas. As vacinas orais contra a cólera (existem duas) têm eficácia em torno de 85% e produzem imunidade por cerca de 3 anos.

Embora os resultados iniciais sejam promissores para aplicação individual, nenhuma dessas vacinas é recomendada para viajantes de forma indiscriminada. Quando o risco de infecção é muito elevado, a utilização da vacinas orais, como medida complementar, deve ser considerada para pessoas com diminuição da secreção ácida do estômago (hipocloridria ou acloridria), em gastrectomizados ou indivíduos com atividade de alto risco (como trabalho em campos de refugiados, em áreas endêmicas). No Brasil, as vacinas (injetável ou oral) contra a cólera não estão disponíveis na Rede Pública.

Recomendações para áreas com risco de transmissão

O Vibrio cholerae é comumente encontrado como parte da microbiota em ambientes aquáticos, em água salobra e estuários, razão pela qual os frutos do mar podem ser fonte importante de infecção. Em locais onde existe saneamento básico adequado, a ocorrência de casos é apenas episódica.

A cólera dissemina-se por água e alimentos contaminados. Um aumento súbito do número de casos é, em geral, causado por contaminação da água com fezes.

A forma mais efetiva de impedir a instalação da cólera em uma localidade é a existência de infra-estrutura de saneamento básico adequada. Devem ser implementadas melhorias do sistema de armazenamento e distribuição de água tratada e a construção de redes de esgoto. A população deve, continuamente. receber informações sobre a forma de transmissão da doença e como preveni-la e ter acesso fácil a serviços de diagnóstico e tratamento.

Medidas como fechamento de fronteiras, restrição da circulação de pessoas e mercadorias, quarentena, vacinação e o uso em massa de antibióticos profiláticos são ineficazes para evitar a disseminação da cólera. Além de serem tecnicamente inadequadas, desviam inutilmente recursos humanos e financeiros.

O Cives recomenda às pessoas que vão estabelecer residência em uma área onde ocorre transmissão de cólera, na qual não exista saneamento básico adequado que:

em caso de utilização de água de poços ou coletada diretamente de rios ou lagoas,
estabelecer (com supervisão técnica especializada) uma infra-estrutura domiciliar mínima que
permita o tratamento (cloração) da água utilizada para consumo e preparo de alimentos.

observem rigorosamente os cuidados de preparação higiênica de alimentos, incluindo o tratamento com água clorada, em concentração adequada à desinfecção.

Manifestações

Após um período de incubação de algumas horas a 5 dias, a maioria dos casos de cólera, apresenta-se como uma diarréia leve ou moderada, indistinguível das diarréias comuns. Podem ocorrer vômitos, porém dor abdominal e febre são incomuns.

Em algumas pessoas (menos de 10%), a cólera pode evoluir de forma mais grave, com início súbito de uma diarréia aquosa profusa, geralmente sem muco, pus ou sangue e, com freqüência, acompanhada de vômitos.

Poder ocorre perda rápida de líquidos (até 1 a 2 litros por hora) e eletrólitos, levando a desidratação acentuada. Em razão disso, há sede intensa, perda de peso, prostração, diminuição do turgor da pele e os olhos ficam encovados.

Há desequilíbrio hidroeletrolítico, o que pode ocasionar cãibras musculares e, em crianças, a hipoglicemia pode levar a convulsões e redução do nível de consciência. Sem tratamento adequado ocorre diminuição da pressão sangüínea, funcionamento inadequado dos rins, diminuição do volume urinário até a anúria total, coma e evolução para a morte em três a quatro horas.

Raramente, pode haver concomitância de febre alta (cólera "tifóide") e a perda de líquidos pode não ser evidente (cólera "seca"), uma vez que a desidratação pode se dar por retenção de líquidos no intestino.

O óbito pode acontecer em até 50% das formas graves não tratadas, número que cai para menos de 2% com hidratação adequada.

A confirmação do diagnóstico de cólera é feita através de isolamento do V. cholerae em cultivo, feito geralmente a partir das fezes. A confirmação não tem importância para o tratamento da pessoa doente, mas é fundamental para a adoção de medidas que reduzam o risco de ocorrência de uma epidemia.

É também importante, por motivos semelhantes, se a pessoa doente é proveniente de uma área onde não era antes registrada a ocorrência da doença. Além disso, o isolamento de amostras da bactéria torna possível o conhecimento da sua susceptibilidade aos antimicrobianos. O envio do material para confirmação do diagnóstico deverá ser feito através das Unidades de Atendimento.

Tratamento

O tratamento da cólera consiste basicamente em reidratação. A desidratação pode ser danosa em qualquer idade, mas é particularmente perigosa em crianças pequenas e idosos.

Nos casos leves e moderados, o médico pode recomendar que o tratamento seja feito em casa, com a solução de reidratação oral.

Os viajantes devem evitar a desidratação decorrente da diarréia (de qualquer causa) ingerindo bastante líquidos, preferentemente uma solução reidratatante contendo eletrólitos (sais) e glicose, em concentrações adequadas.

O Cives recomenda ao viajante que se dirige a uma área de transmissão de cólera, levar envelopes de sais para preparo de solução de reidratação oral, na proporção de oito para cada pessoa. Existem diversas fórmulas contendo esses sais, facilmente encontradas em farmácias, mas as que contém a composição recomendada pela OMS devem ser preferidas:

Sais para Reidratação Oral:

Composição Recomendada – OMS

Cloreto de sódio 3,5g

Citrato trissódico, diidratado 2,9g

Cloreto de potássio 1,5g

Glicose 20,0g

Em caso de diarréia, a solução de reidratação oral deve ser preparada imediatamente antes do consumo. Para preparo da solução, o conteúdo de um envelope deve ser dissolvido em um litro de água fervida, após o resfriamento. A solução não pode ser fervida depois de preparada, mas pode ser conservada em geladeira por até 24 horas.

Pode ser ingerida de acordo com a aceitação, com freqüência e volume proporcionais à intensidade da diarréia. Deve ser alternada com outros líquidos (água, chá, sopa).

A alimentação deve ser reiniciada após 3 a 4 horas de aceitação adequada da reidratação oral. Nos lactentes, o aleitamento materno deve ser mantido.

Nas diarréias mais acentuadas, um Serviço de Saúde deve ser procurado o mais rápido possível os casos graves devem ser hospitalizados para hidratação venosa até a melhora das condições clínicas da pessoa e, tão logo quanto possível, a reidratação oral deve ser feita simultaneamente.

Os medicamentos antidiarreicos, do mesmo modo que em todas as outras diarréias de causa infecciosa, estão contra-indicados no tratamento da cólera.

Esses medicamentos diminuem os movimentos intestinais (peristaltimo), facilitando a multiplicação do V. cholerae. Como resultado, ocorre piora ou aumento na duração da diarréia. Do mesmo modo, não devem ser utilizados adstringentes (caolin-pectina, carvão), uma vez que podem perpetuar a perda de eletrólitos (sódio e potássio) pelas fezes.

Em crianças, devem ser evitados medicamentos contra vômitos, uma vez que podem ocasionar intoxicação, com diminuição do nível de consciência e movimentos involuntários, dificultando a ingestão da solução oral de reidratação. Além disso, essa medicação é geralmente desnecessária, uma vez que os vômitos tendem a cessar com o início da reidratação.

Na maioria dos casos, mesmo nas formas graves, a recuperação é completa e rápida, apenas com a reidratação. Nas formas graves, os antibióticos quando iniciados nas primeiras 24 horas de doença, podem diminuir a duração da diarréia e, com isto, as perdas de líquido e eletrólitos, o que facilita a terapêutica.

Nos casos sem gravidade, o uso de antibióticos não é justificável, uma vez que não trazem qualquer benefício comprovado na evolução da doença ou interferência na sua disseminação. Além disso, o uso indiscriminado de antibióticos aumenta o risco do surgimento de resistência no V. cholerae (e em outras bactérias intestinais), o que pode dificultar o tratamento das formas graves.

Fonte: www.cives.ufrj.br

Cólera

Alimentos bem tratados, água limpa e boa higiene pessoal evitam a contaminação por uma doença que pode matar

O que é

Uma doença trasmissível, que atinge o intestino e é causada por um bacilo chamado vibrião colérico (vibro cholerae). O microrganismo depende do homem para se reproduzir.

A mortalidade da doença

50% Em casos graves quando a doença não é tratada 2% Com tratamento indicado depois dos primeiros sintomas

Onde se esconde o bacilo

O vibrião colérico se esconde em água doce, do rio, por duas

O vibrião colérico se esconde em água doce, do rio, por duas semanas , no mínimo.

Na água do mar, o bacilo permanece vivo durante um ano.

Na água do mar, o bacilo permanece vivo durante um ano.

Em superfície de frutas, legumes e verduras cruas e em alimentos congelados, vive por duas semanas.

Em superfície de frutas, legumes e verduras cruas e em alimentos congelados, vive por duas semanas.

A doença

Cólera - Figura Ilustrativa

A

O vibrião colérico entra no organismo pela boca

B

No estômago, os bacilos podem ser destruídos pelo ácido gástrico.No entanto, se estiverem em grande número pedem passar por esse obstáculo

C

Os vibriões que conseguem sobreviver se instalam no intestino delgado. O meio alcalino (não ácido) do órgão favorece a proliferação do bacilo.

Desde a entrada do bacilo no organismo até o surgimento dos primeiros sintomas, passam-se de poucas horas à cinco dias.

D

O vibrião colérico libera uma toxina que rompe o equilíbrio de sódio nas células da mucosa do intestino e provoca a perda de água. O doente passa a perder uma grande quantidade de líquidos corporais com diarréias severas.(quadro 1)

Quadro 1

Célula do Intestino

Os sintomas

diarréia intensa

câimbras musculares

desidratação

vômitos

cólicas intestinais

queda de temperatura

Tratamento

Deve ser feito no posto de saúde ou hospital mais próximo da casa do doente .O tratamento requer hidratação. O soro pode ser ministrado via oral ou endovenosa dependendo da gravidade do avanço da doença. Se tratada a tempo a doença desaparece em curto prazo.

No entanto, se o tratamento demorar a ser iniciado podem surgir complicações como :insuficiência renal aguda, hipotensão e colapso cardíaco

Prevenção

Cozinhe bem os alimentos – eles devem ser comidos imediatamente Cuidado com a higiene ao guardar alimentos cozidos

Lave as mãos com água e sabão antes de preparar alimentos, antes de se alimentar, depois de usar sanitário e de trocar fraldas de criança.

Mantenha limpa toda a superfície da cozinha e as vasilhas e pratos nos quais você come ou guarda a comida

Em caso de epidemia, evite consumir pescados, mariscos, verduras, hortaliças cruas e frutas com casca

Para tratar a água em casa coloque duas gotas de água sanitária a 2,5% em um litro de água . Espere meia hora até usar o líquido

Alimentos crus (frutas e verduras) devem ser lavados e colocados de molho por meia hora em água tratada Se a água bebida não for tratada ferva-a por cinco minutos antes de ingeri-la.

O leite deve ser sempre fervido

Lave a caixa d’água de sua casa pelo menos de seis em seis meses

Vacina

Tem efeito limitado , protegendo por um período de três a seis meses cerca de 50% dos vacinados .

Não é recomendada como medida de prevenção à saúde.

Fonte: www.santalucia.com.br

Cólera

Originária da Ásia, mais precisamente da Índia e de Bangladesh, a cólera se espalhou para outros continentes a partir de 1817.

Chegou ao Brasil no ano de 1885, invadindo os estados do Amazonas, Bahia, Pará e Rio de Janeiro.

Em 1893 a doença chegou a São Paulo, alastrando-se tanto na capital quanto no interior do estado. No entanto, no final do século XIX, o governo brasileiro declarava a doença erradicava de todo o país.

Cerca de um século depois, em abril de 1991, a cólera chegou novamente ao Brasil. Vindo o Peru, fez sua primeira vítima na cidade de Tabatinga, Amazonas.

A cólera é uma doença infecciosa que ataca o intestino dos seres humanos.

A bactéria que a provoca foi descoberta por Robert Koch em 1884 e, posteriormente, recebeu o nome de Vibrio cholerae. Ao infectar o intestino humano, essa bactéria faz com que o organismo elimine uma grande quantidade de água e sais minerais, acarretando séria desidratação.

A bactéria da cólera pode fica incubada de um a quatro dias.

Quando a doença se manifesta, apresenta os seguintes sintomas: náuseas e vômitos

cólicas abdominais

diarréia abundante, esbranquiçada como água de arroz, determinando a perda de até um litro de água por hora

cãibras

A cólera é transmitida principalmente pela água e por alimentos contaminados.

Quanto o vibrião é ingerido, instala-se no intestino do homem. Esta bactéria libera uma substância tóxica, que altera o funcionamento normal das células intestinais. Surgem, então, a diarréia e o vômito.

Os casos de cólera podem ser fatais, se o diagnóstico não for rápido e o doente não receber tratamento correto. O tratamento deve ser feito com acompanhamento médico, usando-se antibióticos para combater a infecção e medicamentos para combater a diarréia e prevenir a desidratação.

A prevenção da cólera pode ser feita através de vacina e principalmente através de medidas de higiene e saneamento básico.

A vacinação é de responsabilidade do governo. No caso da cólera, não há garantia de que todas as pessoas vacinadas fiquem imunes à doença. Estima-se que a vacina existente tenha um grau de eficácia inferior a 50%.

As medidas de saneamento básico também dependem do governo, mas cada um de nós deve fazer a sua parte. Cabe ao governo desenvolver campanhas alertando e conscientizando a população de que, com cuidados especiais e boa vontade, pode-se evitar uma epidemia da cólera.

As principais precauções são

Beber somente água filtrada ou fervidalavar as mãos com sabão antes das refeições e ao deixar o sanitáriolavar muito bem em água corrente as frutas, os legumes e as verduras antes de comê-losevitar comer alimentos crus, principalmente verduras e peixesnão deixar moscas e outros insetos pousar nos alimentos

Fonte: www.portalbrasil.net

Cólera

Alimentos bem tratados, água limpa e boa higiene pessoal evitam a contaminação por uma doença que pode matar

O que é

Uma doença trasmissível, que atinge o intestino e é causada por um bacilo chamado vibrião colérico (vibro cholerae). O microrganismo depende do homem para se reproduzir.

A mortalidade da doença

50% Em casos graves quando a doença não é tratada
2% Com tratamento indicado depois dos primeiros sintomas

Onde se esconde o bacilo

Cólera

O vibrião colérico se esconde em água doce, do rio, por duas semanas , no mínimo.

Cólera

Na água do mar, o bacilo permanece vivo durante um ano.

Cólera

Em superfície de frutas, legumes e verduras cruas e em alimentos congelados, vive por duas semanas.

A doença

Cólera

A

O vibrião colérico entra no organismo pela boca

B

No estômago, os bacilos podem ser destruídos pelo ácido gástrico.No entanto, se estiverem em grande número pedem passar por esse obstáculo

C

Os vibriões que conseguem sobreviver se instalam no intestino delgado. O meio alcalino (não ácido) do órgão favorece a proliferação do bacilo.

Desde a entrada do bacilo no organismo até o surgimento dos primeiros sintomas, passam-se de poucas horas à cinco dias.

D

O vibrião colérico libera uma toxina que rompe o equilíbrio de sódio nas células da mucosa do intestino e provoca a perda de água. O doente passa a perder uma grande quantidade de líquidos corporais com diarréias severas.(quadro 1)

Quadro 1

Cólera

Os sintomas

diarréia intensa

câimbras musculares

desidratação

vômitos

cólicas intestinais

queda de temperatura

Tratamento

Deve ser feito no posto de saúde ou hospital mais próximo da casa do doente .O tratamento requer hidratação. O soro pode ser ministrado via oral ou endovenosa dependendo da gravidade do avanço da doença. Se tratada a tempo a doença desaparece em curto prazo.

No entanto, se o tratamento demorar a ser iniciado podem surgir complicações como :insuficiência renal aguda, hipotensão e colapso cardíaco.

Prevenção

Cozinhe bem os alimentos – eles devem ser comidos imediatamente

Cuidado com a higiene ao guardar alimentos cozidos

Lave as mãos com água e sabão antes de preparar alimentos, antes de se alimentar, depois de usar sanitário e de trocar fraldas de criança.

Mantenha limpa toda a superfície da cozinha e as vasilhas e pratos nos quais você come ou guarda a comida

Em caso de epidemia, evite consumir pescados, mariscos, verduras, hortaliças cruas e frutas com casca

Para tratar a água em casa coloque duas gotas de água sanitária a 2,5% em um litro de água . Espere meia hora até usar o líquido

Alimentos crus (frutas e verduras) devem ser lavados e colocados de molho por meia hora em água tratada

Se a água bebida não for tratada ferva-a por cinco minutos antes de ingeri-la.

O leite deve ser sempre fervido

Lave a caixa d’água de sua casa pelo menos de seis em seis meses

Vacina

Tem efeito limitado , protegendo por um período de três a seis meses cerca de 50% dos vacinados .

Não é recomendada como medida de prevenção à saúde.

Fonte: www.santalucia.com.br

Cólera

Originária da Ásia, mais precisamente da Índia e de Bangladesh, a cólera se espalhou para outros continentes a partir de 1817.

Chegou ao Brasil no ano de 1885, invadindo os estados do Amazonas, Bahia, Pará e Rio de Janeiro.

Em 1893 a doença chegou a São Paulo, alastrando-se tanto na capital quanto no interior do estado. No entanto, no final do século XIX, o governo brasileiro declarava a doença erradicava de todo o país.

Cerca de um século depois, em abril de 1991, a cólera chegou novamente ao Brasil. Vindo o Peru, fez sua primeira vítima na cidade de Tabatinga, Amazonas.

A cólera é uma doença infecciosa que ataca o intestino dos seres humanos.

A bactéria que a provoca foi descoberta por Robert Koch em 1884 e, posteriormente, recebeu o nome de Vibrio cholerae. Ao infectar o intestino humano, essa bactéria faz com que o organismo elimine uma grande quantidade de água e sais minerais, acarretando séria desidratação.

A bactéria da cólera pode fica incubada de um a quatro dias.

Quando a doença se manifesta, apresenta os seguintes sintomas:

Náuseas e vômitos

Cólicas abdominais

Diarréia abundante, esbranquiçada como água de arroz, determinando a perda de até um litro de água por hora

Cãibras

A cólera é transmitida principalmente pela água e por alimentos contaminados.

Quanto o vibrião é ingerido, instala-se no intestino do homem. Esta bactéria libera uma substância tóxica, que altera o funcionamento normal das células intestinais. Surgem, então, a diarréia e o vômito.

Os casos de cólera podem ser fatais, se o diagnóstico não for rápido e o doente não receber tratamento correto. O tratamento deve ser feito com acompanhamento médico, usando-se antibióticos para combater a infecção e medicamentos para combater a diarréia e prevenir a desidratação.

A prevenção da cólera pode ser feita através de vacina e principalmente através de medidas de higiene e saneamento básico.

A vacinação é de responsabilidade do governo. No caso da cólera, não há garantia de que todas as pessoas vacinadas fiquem imunes à doença. Estima-se que a vacina existente tenha um grau de eficácia inferior a 50%.

As medidas de saneamento básico também dependem do governo, mas cada um de nós deve fazer a sua parte. Cabe ao governo desenvolver campanhas alertando e conscientizando a população de que, com cuidados especiais e boa vontade, pode-se evitar uma epidemia da cólera.

As principais precauções são

Beber somente água filtrada ou fervida

Lavar as mãos com sabão antes das refeições e ao deixar o sanitário

Lavar muito bem em água corrente as frutas, os legumes e as verduras antes de comê-los

Evitar comer alimentos crus, principalmente verduras e peixes

Não deixar moscas e outros insetos pousar nos alimentos

Fonte: www.portalbrasil.net

Cólera

Aspectos Epidemiológicos da Cólera

Até 1991, o Brasil era uma área indene para cólera. A epidemia que atingiu o País, a partir daquela data, faz parte da progressão da sétima pandemia iniciada em 1961, com um foco epidêmico em Sulawesi, ex-Célebes (Indonésia), que se espalhou por países da Ásia, Oriente Médio, África e regiões da Europa, com eventuais achados nos Estados Unidos desde a década de 1970. O biotipo El Tor, isolado por Gotschlich, em 1906, de peregrinos provenientes de Meca, examinados na estação de quarentena de El Tor, no Egito, é o responsável pela atual pandemia de cólera.

Essa pandemia atingiu o continente sul-americano pelo litoral do Peru, em janeiro de 1991, estendendo-se, logo em seguida, por todo aquele país, para o Brasil, e atingindo finalmente 14 países da América do Sul. A introdução da cólera em nosso país aconteceu pela selva amazônica, no Alto Solimões.

A partir daí, alastrou-se progressivamente pela região Norte, seguindo o curso do Rio Solimões/Amazonas e seus afluentes, principal via de deslocamento de pessoas na região, e no ano seguinte para as regiões Nordeste e Sudeste através dos principais eixos rodoviários.

A chegada da cólera em áreas indenes e com precárias condições de vida, teve quase sempre características explosivas. Desde então, observou-se a alternância de períodos de silêncio epidemiológico e de recrudescimento da epidemia.

Atualmente o comportamento da cólera sugere um padrão endêmico, definido pela ocorrência regular de casos e flutuações cíclicas de maior ou menor gravidade, na dependência de condições locais que favoreçam a circulação do Vibrio cholerae.

Agente Etiológico

Vibrio cholerae O, grupo1, biotipo clássico ou El Tor e sorotipos Inaba, Ogawa ou Hikojima e Vibrio cholerae O 139, também conhecido como Bengal. Trata-se de um bacilo gram-negativo com flagelo polar, aeróbio ou anaeróbio facultativo.

Até pouco tempo, acreditava-se que entre todos os sorogrupos conhecidos, apenas o O1 era patogênico, mas, em março de 1993, foi identificado como responsável por uma epidemia no sul da Ásia o Vibrio cholerae O 139.

Sorogrupos não O1 do Vibrio cholerae já foram identificados em todo mundo, sabendo-se que os mesmos podem ocasionar patologias extra-intestinais, diarréias com desidratação severa semelhante à cólera. Até aquele momento, no entanto, esses sorogrupos só estavam associados a casos isolados ou surtos muito limitados.

O Vibrio cholerae O 139 foi o primeiro Vibrio cholerae não O1 identificado como responsável por grande epidemia com considerável mortalidade.

As enterotoxinas elaboradas são similares para o grupo e ocasionam quadros clínicos muito semelhantes. A resistência do biotipo El Tor é maior, o que lhe dá condições de sobreviver por mais tempo no meio ambiente, crescer melhor e mais rápido em meios de cultura, além de lhe conferir menor suscetibilidade aos agentes químicos e maior tendência à endemização.

Reservatório

O reservatório é o homem. Após 1970, vários estudos têm sugerido a possibilidade de existirem reservatórios ambientais, como plantas aquáticas e frutos do mar.

Nos Estados Unidos, Itália e Austrália, alguns surtos isolados foram relacionados ao consumo de frutos do mar crus ou mal cozidos, sugerindo a existência de reservatórios ambientais.

Modo de Transmissão

A transmissão ocorre, principalmente, através da ingestão de água contaminada por fezes e/ou vômitos de doente ou portador.

Os alimentos e utensílios podem ser contaminados pela água, pelo manuseio ou por moscas.

A elevada ocorrência de assintomáticos em relação aos doentes torna importante seu papel na cadeia de transmissão da doença.

A propagação de pessoa a pessoa, por contato direto, é uma via de transmissão menos importante, tendo sido relatados, na África, alguns surtos em crianças internadas por outras patologias e geralmente desnutridas. Em relação ao inóculo, alguns autores demonstraram a necessidade de 103 em alimentos, e maior do que 106 na água, para produzir infecção.

Período de Incubação: de algumas horas a 5 dias. Na maioria dos casos, 2 a 3 dias.

Período de Transmissibilidade

Perdura enquanto há eliminação do vibrião nas fezes, o que ocorre, geralmente, até poucos dias após a cura.

O período aceito como padrão é de 20 dias. Vale lembrar a existência de portadores crônicos que eliminam o vibrião de forma intermitente por meses e até anos.

Suscetibilidade e Resistência

A suscetibilidade é variável e aumenta com fatores que diminuem a acidez gástrica (acloridria, gastrectomia, uso de alcalinizantes e outros).

A infecção produz aumento de anticorpos e confere imunidade por tempo limitado – ao redor de 6 meses.

Em áreas endêmicas, as repetidas infecções tendem a incrementar a resposta IgA secretora e produzir constantes estímulos à resposta imunológica, que é capaz de manter a imunidade local de longa duração. Esse mecanismo pode explicar a resistência demonstrada pelos adultos naquelas áreas.

Distribuição, Morbidade, Mortalidade e Letalidade

O número de casos é maior no período da seca, quando a baixa do volume de água nos reservatórios e mananciais proporciona a maior concentração de vibriões.

Em algumas áreas, o conjunto de condições sócio-econômicas ou ambientais favorecem a instalação e rápida disseminação do Vibrio cholerae.

Nessas condições figuram entre outros: deficiência do abastecimento de água tratada, destino inadequado dos dejetos, alta densidade populacional, carências de habitação, higiene, alimentação, educação, etc.

Nas áreas epidêmicas, o grupo etário mais atingido é o de maiores de 15 anos.

Nas áreas endêmicas a faixa mais jovem é a mais atingida.

O sexo masculino é o mais atingido, por sua maior exposição à contaminação.

Os indicadores de morbidade, mortalidade e letalidade são diferenciados de acordo com as condições sócio-econômicas, densidade populacional, meios de transporte, acesso aos serviços de saúde e outras áreas de risco.

Desde a sua introdução no país, os coeficientes de incidência de cólera aumentaram progressivamente até 1993.

A partir de então, observou-se uma sensível diminuição dos mesmos que se fez mais importante em 1996, sugerindo a tendência de endemização da doença.

O coeficiente de letalidade em casos graves de cólera pode atingir 50% quando não há tratamento adequado. Porém, quando este é instituído correta e precocemente, este número cai para menos de 2%.

No Brasil, de 1991 a 1994, o coeficiente de letalidade oscilou em torno de 1.3%, apresentando maiores percentuais desde então. Este aumento observado, no entanto, não parece estar ligado a uma deterioração do atendimento ao paciente, mas a uma subnotificação importante de casos. A precisão e a confiabilidade destes indicadores depende fundamentalmente da sensibilidade, agilidade e organização da Vigilância Epidemiológica.

No caso específico da cólera, a experiência internacional tem demonstrado que sua introdução em um país dificilmente pode ser evitada.

Entretanto, sua disseminação pode ser controlada quando a infra-estrutura de saneamento básico é adequada e existe um sistema de vigilância epidemiológica das diarréias e de monitorização ambiental que permitam sua detecção precoce. Como não é esse o caso do Brasil, não se pode pensar na erradicação da doença a curto e médio prazo.

Assim, o objetivo das medidas de controle da cólera são:

Diminuir a incidência

Diminuir a letalidade

Impedir ou dificultar a propagação da doença

Para se atingir esses objetivos, faz-se necessário que a vigilância epidemiológica atue de forma conjunta e coordenada com a vigilância sanitária, saneamento, educação em saúde, assistência ao paciente e outras áreas afins, orientando as equipes de trabalho para a utilização da metodologia epidemiológica na adoção e aplicação das medidas pertinentes.

Desde antes da ocorrência do primeiro caso, a Vigilância Epidemiológica deve estar atenta para o comportamento das diarréias na comunidade – quando e onde estão ocorrendo os casos, se estão aumentando em relação a períodos anteriores e qual a faixa etária mais atingida.

Uma elevação do número de diarréias num determinado local e período, numa faixa etária de maiores de 15 anos, é sugestivo de um surto de cólera. Também é importante a realização da monitorização do meio ambiente para a detecção precoce da circulação do Vibrio cholerae numa comunidade.

Esse procedimento consiste na coleta periódica do material do meio ambiente e a realização de exame laboratorial. É ainda importante a definição de áreas de maior risco para a entrada e disseminação do vibrião.

Para isso chamam atenção localidades ao longo de eixos rodoviários, ferroviários, rios, áreas portuárias; bem como populações assentadas abaixo de pontos de despejos de esgotamento sanitário ou às margens de coleções hídricas que recebem esgotos; com ausência, deficiência ou intermitência de água, etc.

A definição de áreas de risco é importante para priorizar o desenvolvimento das ações de controle. Estas áreas devem ser redefinidas na medida em que novas áreas de circulação sejam estabelecidas.

O uso da vigilância epidemiológica de forma correta e coordenada no nível local do sistema, proporciona as informações necessárias para que se otimize a utilização dos recursos necessários para prevenção e controle da doença.

Notificação

A cólera é uma doença de notificação compulsória ao Ministério da Saúde (Lei nº 6.259 de 30/10/75) e à Organização Mundial de Saúde (Regulamento Sanitário Internacional).

Tipo de Dados

Número de casos e óbitos suspeitos de cólera

Dados relativos aos casos confirmados: faixa etária, procedência, data dos primeiros sintomas, município de atendimento, tipo de atendimento, uso de antibiótico, critério de confirmação e evolução. Estes dados são obtidos a partir da ficha de investigação epidemiológica.

Fontes de Informação de Casos e Óbitos

Unidades de saúde, principalmente unidades de tratamento de diarréia (UTD’s), unidades de tratamento de cólera (UTC’s) e emergências

Laboratórios públicos e privados

Cartórios (declarações de óbitos)

Serviços de controle sanitário de portos, aeroportos, fronteiras e rodoviários

Outros

Outros Tipos de Informação

Pesquisa sistemática do V. cholerae nos sistemas de esgoto, medida esta indicada principalmente na fase de alerta quando deve ser realizada a monitorização dos efluentes

Monitorização dos mananciais

Vigilância da qualidade da água de abastecimento público

Vigilância da qualidade de alimentos

Fluxo

A notificação deverá ter o fluxo estabelecido desde o nível municipal até os níveis estadual e nacional, de forma a ser ágil e eficiente. É importante ressaltar que, na evidência de uma epidemia no país, mesmo que não ocorram casos suspeitos e/ou confirmados, deve ser enviada a notificação negativa semanal.

Investigação Epidemiológica

O passo seguinte à notificação do caso suspeito é a investigação epidemiológica, que deve ocorrer o mais rápido possível e visa responder às seguintes perguntas:

Quem foi afetado?

Quando? Onde?

De que maneira foi contaminado?

A investigação de todos os casos suspeitos e confirmados só é necessária em áreas silenciosas ou por ocasião do início da epidemia.

Com a progressão do processo epidêmico e o aumento do número de casos, a investigação epidemiológica completa deve ser feita na medida em que os limites operacionais o permitam, sendo imprescindível, contudo, a coleta dos dados clínicos e epidemiológicos para caracterização do caso.

O tempo decorrido entre a notificação e a investigação deve ser medido para se avaliar a agilidade do Sistema de Vigilância Epidemiológica.

Roteiro de Investigação Epidemiológica de Casos no Nível Local: a investigação acompanha-se do preenchimento da ficha epidemiológica dos casos nas unidades de saúde ou por ocasião da visita domiciliar. Para facilitar o trabalho do investigador, um roteiro simples e objetivo é apresentado a seguir:

Caracterizar clinicamente o caso:

Evolução dos sintomas

Características da diarréia e vômito

Grau de desidratação (Quadro 3)

Estimativa do volume de líquido perdido

Deverá ser observado se já foi iniciada a reidratação oral com líquidos habitualmente disponíveis no domicílio do paciente (chás, cozimento de farinha de arroz, água de côco, e outras mezinhas) ou com sais de reidratação oral (SRO).

Verificar, quando indicado, se já foi coletado e encaminhado material para diagnóstico. Caso contrário, realizar a coleta, que pode ser feita de quatro formas diferentes: swab retal, preferencialmente; "swab" fecal; fezes in natura e papel de filtro (Quadro 2). Preencher a ficha de laboratório, registrando com atenção se houve uso de antibiótico prévio à coleta.

Verificar se as medidas terapêuticas estão adequadas ao caso clínico (antibiótico só para casos graves, contra-indicação de antieméticos e antidiarréicos), conforme a padronização (Quadro 1).

Verificar se a notificação do caso/óbito foi feita.

Determinar a fonte de infecção por ocasião da introdução da epidemia em área indene ou em área de circulação com casos autóctones esporádicos:

Reconstituindo as atividades do paciente nos 10 dias que precederam o início dos sintomas: história de deslocamentos (dentro da própria área de ocorrência, rural ou urbana; de área urbana para rural e vice-versa; de um município para outro; de um estado para outro; de um país para outro); tempo de permanência; alimentos consumidos

Investigando história de contato com caso compatível com cólera

Procedendo à verificação das fontes de abastecimento de água, dos procedimentos de disposição dos dejetos e destino do lixo

Verificando as condições de preparo e utilização de alimentos, bem como sua procedência

Proceder a coleta de material da(s) provável(eis) fonte(s) de infecção, identificando, se possível, a provável fonte de contaminação.

Determinar a extensão do problema levantando os casos de diarréia no local de ocorrência e nas áreas de provável procedência através de busca ativa.

Diagnóstico Clínico-Epidemiológico

É o critério utilizado na avaliação de um caso suspeito no qual são correlacionadas variáveis clínicas e epidemiológicas capazes de definir o diagnóstico sem investigação laboratorial.

Deve ser utilizado frente a pacientes com diarréia aquosa, aguda, em maiores de 5 anos, em áreas onde há evidência de circulação do Vibrio cholerae, ou seja, onde o vibrião foi isolado em 5 ou mais amostras humanas ou ambientais.

O uso do critério clínico-epidemiológico possibilita maior agilidade ao processo de diagnóstico, aumenta a sensibilidade do sistema de detecção de casos, diminui os custos operacionais do laboratório, liberando-o para o desempenho de outras atividades.

Em áreas onde há evidência de circulação do V.cholerae, não se faz necessária a coleta de material para exame de laboratório de todos os casos suspeitos.

Esses exames são feitos por amostragem (de acordo com a situação epidemiológica local). Nessa situação, a função do laboratório é a monitorização da circulação do vibrião, avaliação da resistência aos antibióticos e detecção da introdução de novos sorotipos em casos autóctones ou importados.

Definição de Caso

Suspeito

Em áreas sem evidência de circulação do V.cholerae patogênico (sorogrupos O1 e O139):

Qualquer indivíduo, independente de faixa etária, proveniente de áreas onde estejam ocorrendo casos de cólera, que apresente diarréia aquosa aguda até o décimo dia de sua chegada (tempo correspondente a 2 vezes o período máximo de incubação de cólera, a fim de garantir maior segurança da vigilância);

Os comunicantes domiciliares de caso suspeito, de acordo com o item anterior, que apresentem diarréia;

Qualquer indivíduo com diarréia, independente de faixa etária, que cohabite com pessoas que retornaram de áreas endêmicas ou epidêmicas, há menos de 30 dias (tempo correspondente ao período de transmissibilidade do portador somado ao dobro do período de incubação da doença); e

Todo indivíduo com mais de 10 anos de idade, que apresente diarréia súbita, líquida e abundante.

A presença de desidratação rápida, acidose e colapso circulatório reforça a suspeita. Em locais onde a sensibilidade e a capacidade operacional do Sistema de Vigilância Epidemiológica permitam, esse limite deverá ser modificado para maiores de 05 anos (especificamente áreas de risco ainda sem casos).

Em áreas com evidência de circulação do V.cholerae patogênico (onde o V.cholerae O1 já foi isolado em pelo menos 5 amostras de casos autóctones ou no meio ambiente):

Qualquer indivíduo que apresente diarréia aguda, independente de faixa etária.

Confirmado por Laboratório:

Qualquer indivíduo com diarréia, que apresente isolamento de Vibrio cholerae nas fezes ou vômitos.

Confirmado pelo Critério Clínico-Epidemiológico:

Esse critério de confirmação correlaciona variáveis clínicas e epidemiológicas. Nessa situação, um exame laboratorial com resultado negativo para cólera não descarta o caso, a menos que tenha sido identificado outro agente etiológico.

Em áreas sem evidência de circulação do Vibrio cholerae

Qualquer indivíduo, com 5 ou mais anos de idade, proveniente de área com circulação de Vibrio cholerae, que apresente diarréia aquosa aguda até o décimo dia de sua chegada. Esse caso será considerado caso importado para a região onde foi atendido desde que tenha sido afastado laboratorialmente outra etiologia e será considerado autóctone para a região da qual procedeu.

Em áreas com circulação do Vibrio cholerae

Qualquer indivíduo, com 5 ou mais anos de idade, que apresente diarréia aguda, desde que não haja diagnóstico clínico e/ou laboratorial de outra etiologia; e

Menores de 5 anos de idade que apresentem diarréia aguda e história de contato com caso de cólera, num prazo de dez dias, desde que não haja diagnóstico clínico e/ou laboratorial de outra patologia.

Observação

No caso de paciente adulto proveniente de área de circulação do Vibrio cholerae, um exame laboratorial com resultado negativo para Vibrio cholerae, sem isolamento de outro agente etiológico, não descarta o caso, pois deve-se levar em consideração a intermitência na eliminação do vibrião e a possibilidade de ocorrer coleta e/ou transporte inadequado da amostra.

Importado

É o caso em que se pode identificar que a infecção ocorreu em área diferente daquela onde foi diagnosticado ou tratado, ou onde teve a sua evolução.

Do ponto de vista da vigilância epidemiológica, o caso importado somente merece ser especificado como tal em áreas de risco silenciosa ou de baixa incidência, pela pouca probabilidade de se contrair a doença nesse local, ou por se tratar de caso índice, que exige uma investigação especial para a adoção das medidas de controle.

Nessa situação particular, muda o fluxo da notificação e essa deve ser feita para o local de procedência, acompanhada de ficha de investigação epidemiológica já iniciada, para ser completada no que se refere à(s) fonte(s) de infecção(ões) e de outras informações epidemiológicas relevantes.

Descartado:

Serão considerados descartados todos os casos que não se enquadrem nas definições de casos confirmados.

Portador: indivíduos que, sem enfermidade clínica ou com enfermidade sub-clínica, eliminam o vibrião por determinado período. São de particular importância para a vigilância epidemiológica porque, muitas vezes, são os responsáveis pela introdução da epidemia em área indene e pela manutenção da endemia.

Busca Ativa de Casos

É a maneira de se tomar conhecimento de casos suspeitos que não foram detectados e/ou notificados pelas unidades de saúde. A busca ativa deve ser realizada nos domicílios (contatos), na comunidade, nos serviços de saúde, farmácias, etc.

Busca Ativa em Áreas Silenciosas

A inexistência de casos numa determinada área nem sempre significa que a doença não esteja ocorrendo. A falta de conhecimento sobre a doença, a ocorrência de oligossintomáticos e o difícil acesso da população aos serviços de saúde contribuem para a existência de áreas silenciosas. Nesse sentido, em áreas de risco, deve ser feita a busca ativa com a finalidade da detecção precoce dos casos e tomada das medidas cabíveis.

Monitorização do Meio Ambiente

Uma maneira de se tomar conhecimento da circulação do Vibrio cholerae em uma área, antes mesmo de serem detectados os casos clínicos, é através da monitorização do meio ambiente.

Essa atividade reveste-se de grande importância em áreas indenes, sobretudo naquelas consideradas de risco para a cólera, com vistas à detecção precoce da circulação do vibrião (Quadro 4).

Análise dos Dados

Os dados deverão ser analisados de modo a permitir o acompanhamento da tendência da doença.

Essa análise compreende os seguintes aspectos principais:

Distribuição semanal dos casos e óbitos, por procedência

Distribuição dos casos e óbitos por faixa etária e sexo

Coeficientes de incidência e mortalidade

Taxas de letalidade

Distribuição dos casos segundo a evolução

Distribuição dos casos segundo o critério de confirmação

Distribuição dos casos segundo o tipo de atendimento, etc

Fonte: www.saude.pr.gov.br

Cólera

O que é?

Doença diarréica infecciosa aguda causada pela enterotoxina do Vibrio cholerae O1 e O139.

Qual o microrganismo envolvido?

O Vibrio cholerae O1, biotipo clássico ou El Tor e sorotipos Inaba, Ogawa ou Hikojima e Vibrio cholerae O 139, também conhecido como Bengal. Trata-se de um bacilo gram-negativo com flagelo polar, aeróbio ou anaeróbio facultativo.

Quais os sinais e sintomas?

Diarréia e vômito são as manifestações clínicas mais freqüentes. Os principais sinais e sintomas são variados e vão desde infecções inaparentes até casos graves.

As fezes podem se apresentar com aspecto água amarela-esverdeada, sem pus, muco ou sangue.

Em alguns casos pode haver, de início, a presença de muco.

As fezes podem apresentar um aspecto típico de “água de arroz”. 

A diarréia na maioria dos casos é abundante e incontrolável, onde o doente poderá apresentar inúmeras evacuações diárias que pode levar a um estado de desidratação grave e choque.

Como se transmite?

A transmissão ocorre, principalmente, pela ingestão de água contaminada por fezes ou vômitos de doente ou portador. Ocorre ainda pela ingestão de alimentos contaminados por mãos de manipuladores dos produtos, bem como pelas moscas, além do consumo de gelo fabricado com água contaminada.

A propagação de pessoa a pessoa, por contato direto, também pode ocorrer.

Como tratar?

O diagnóstico e o tratamento precoce dos casos de cólera são fatores fundamentais para a recuperação do paciente, além de contribuir para a diminuição de casos e contaminação do meio ambiente.

O tratamento se fundamenta na hidratação do paciente mas, lembre-se, somente um médico poderá indicar a melhor terapêutica para o paciente colérico.

Como se prevenir?

Para evitar a ocorrência dessas doenças é necessário que esteja sempre atento a segurança e qualidade do que você ingere ou oferece às crianças. 

Siga as seguintes sugestões, que são de aplicação geral, tanto para os alimentos comprados de vendedores de rua em postos fixos ou ambulantes, como também para os hotéis ou restaurantes bem conceituados:

Lembre de lavar as mãos com água e sabão antes de comer

De preferência, consuma água mineral engarrafada ou outras bebidas industrializadas. Caso contrário tente ferver ou tratar a água. Para isso, filtre a água e depois coloque 2 gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% em 1 litro de água e aguarde por 30 minutos antes de consumir. Em algumas farmácias e supermercados há outros produtos para tratamento da água

Tenha certeza que tanto o gelo quanto os sucos foram preparados com água mineral ou tratada

Prefira restaurantes e lanchonetes que tenham sido indicados por agências de viagens, guias, recepcionistas dos hotéis ou por alguém do local.

Evite comer alimentos de ambulantes

Dicas:

Pratos quentes: devem estar bem cozidos e/ou bem passados e quentes no momento do consumo. Não coma alimentos que ficaram em temperatura ambiente por mais de 2 horas

Saladas e sobremesas: devem estar frias no momento do consumo

Evite consumir leite cru e seus derivados não industrializados, bem como carnes cruas e mal passadas (de animais exóticos ou não)

Tenha cuidado antes de ingerir peixes e frutos do mar que podem causar alergias e em alguns casos, sintomas neurológicos

Não se esqueça de lavar e/ou descascar as frutas e verduras

É interessante levar nos passeio seu próprio alimento e que, de preferência, sejam alimentos prontos e industrializados e que podem ficar fora da geladeira e não estragam com o calor.

Doença infecciosa intestinal aguda, causada pela enterotoxina do Vibrio cholerae

Cólera

Pode se apresentar de forma grave, com diarreia aquosa e profusa, com ou sem vômitos, dor abdominal e cãibras.

Esse quadro, quando não tratado prontamente, pode evoluir para desidratação, acidose e colapso circulatório, com choque hipovolêmico e insuficiência renal.

Entretanto, frequentemente, a infecção é assintomática ou oligossintomática, com diarreia leve.

A acloridria gástrica agrava o quadro clínico da doença.

A infecção produz aumento de anticorpos e confere imunidade por tempo limitado (em torno de 6 meses).

 

Etiologia e sinonímia

Doença infecciosa intestinal aguda, causada pela enterotoxina do Vibrio cholerae, com manifestações clínicas variadas, podendo se apresentar de forma grave, com diarréia aquosa e profusa, com ou sem vômitos, dor abdominal e câimbras.

Esse quadro, quando não tratado prontamente, pode evoluir para desidratação, acidose, colapso circulatório, com choque hipovolêmico e insuficiência renal.

Freqüentemente, a infecção é assintomática ou oligossintomática, com diarréia leve.

A acloridria gástrica agrava o quadro clínico da doença.

História natural da doença

O agente etiológico da cólera, o Vibrio cholerae O1 ou O139, bacilo gram negativo, com flagelo polar, aeróbio ou anaeróbio facultativo foi isolado por Koch no Egito e na Índia em 1884, inicialmente denominado de Kommabazilus (bacilo em forma de vírgula). O biotipo O1 (clássico) foi descrito por Koch e o El Tor, foi isolado por Gotschlich em 1906, de peregrinos procedentes de Meca, examinados na estação de quarentena de El Tor, no Egito.

Ambos os biotipos são indistinguíveis bioquímica e antigenicamente; de igual forma, enquadram-se na espécie Vibrio cholerae e integram o sorogrupo O1, que apresenta três sorotipos denominados Ogawa, Inaba e Hikojima.

O biótipo El Tor somente foi associado a episódios graves da doença e aceito como agente etiológico em 1961, exatamente no início da 7ª pandemia.

Características gerais da sua distribuição no Brasil e no Mundo

Até 1991, o Brasil era uma área indene para cólera.

A epidemia que atingiu o País, a partir daquele ano, faz parte da progressão da sétima pandemia iniciada em 1961, com um foco epidêmico em Sulawesi, ex-Célebes (Indonésia), que se espalhou por países da Ásia, Oriente Médio, África e regiões da Europa, com eventuais achados nos Estados Unidos desde a década de 1970.

Essa pandemia atingiu o continente sul-americano pelo litoral do Peru, em janeiro de 1991, estendendo-se, logo em seguida, por todo aquele país, e para o Brasil, e atingindo 14 países da América do Sul.

A introdução da cólera, no Brasil, ocorreu em 1991, pela Selva Amazônica, no Alto Solimões, se alastrando progressivamente pela região Norte, seguindo o curso do Rio Solimões/Amazonas e seus afluentes.

Neste mesmo ano, a região Nordeste também foi atingida apresentando em 1992 características explosivas, principalmente nas áreas indenes e com situação precária de saneamento e qualidade de vida.

O comportamento da cólera no Brasil sugere um padrão endêmico, na dependência de condições locais que favoreçam a circulação do Vibrio cholerae (figura 1).

A vulnerabilidade à doença também pode ser constatada em áreas mais desenvolvidas do País, principalmente nos bolsões de pobreza existentes nas periferias dos centros urbanos.

Cólera

 

Fonte: portal.saude.gov.br

Cólera

A cólera é uma doença infecciosa aguda, transmissível e perigosa, pois caracteriza-se por uma infecção intestinal grave, podendo levar à morte em decorrência da desidratação.

A bactéria causadora é o vibrião colérico ou Víbrio cholerae, em forma de vírgula, móvel, que se desenvolve no intestino humano e produz a toxina responsável pela doença.

O agente etiológico da cólera é encontrado nas fezes das pessoas infectadas, doentes ou não. O homem, único reservatório do vibrião, chega a eliminar 10 milhões de bactérias por grama de fezes. O contágio é direto, pela água e pelos alimentos contaminados.

As moscas e outros insetos podem funcionar como vetores mecânicos, transportando o vibrião para a água e para os alimentos.

Sintomatologia

O período de incubação é de 6 a 10 horas até 2 a 3 dias. Após a incubação, aparece subitamente a diarréia, acompanhada de dor de cabeça, cãibras musculares (na panturrilha), dores abdominais, vômitos e desidratação.

A evolução da doença é provocada, também, pelo estado de desnutrição do indivíduo. A duração dos sintomas é de 3 a 4 dias, em média. Caso o doente não seja tratado com urgência, a morte acontece num prazo de 14 a 48 horas.

Profilaxia

A prevenção da cólera é feitas por medidas básicas de higiene:

Lavar as mãos com água e sabão sempre que se preparar qualquer alimento, antes das refeições, após o uso do sanitário, após trocar fraldas, e após chegar da rua

Desinfetar, com água sanitária, pias, lavatórios e vasos sanitários

Usar sacos de lixo nas lixeiras e mantê-las tampadas

Frutas, verduras e legumes devem ser bem lavados e deixados de molho, por meia hora, em um litro de água com uma colher de sopa de hipoclorito de sódio (água sanitária)

As carnes vermelhas devem ter controle sanitário

Tais recomendações são muito úteis para não correr o risco de contrair a doença.

Tratamento

O tratamento é simples e deve ser realizado o mais próximo do local onde o sintoma se iniciou. A cólera requer pronto-atendimento médico. Os antibióticos, sempre sob orientação médica, podem ser usados por via oral ou venosa.

É importante que a hidratação se inicie o mais rápido possível. O soro por via oral deve ser dado enquanto se providencia o atendimento médico.

São muito importantes as campanhas educativas de higiene pessoal entre as populações mais carentes.

Importante: as temperaturas baixas (geladeira) NÃO matam o vibrião; ele se conserva bem no gelo.

Todo medicamento deve ser apenas consumido sob orientação médica.

Fonte: www.fisgal.com

Cólera

Causada pelo vibrião colérico (Vibrio cholerae), uma bactéria em forma de vírgula ou bastonete que se multiplica rapidamente no intestino humano eliminando potente toxina que provoca diarréia intensa), a doença (de origem indonésia) é transmitida através da ingestão de água ou alimentos contaminados.

Cólera

Vibrio cholerae

O tratamento imediato é o soro fisiológico ou soro caseiro para repor a água e os sais minerais: uma pitada de sal, meia xícara de açúcar e meio litro de água tratada.

No hospital, a doença é curada com doses de antibióticos.

A higiene e o tratamento da água e do esgoto são as principais formas de prevenção.

A vacina existente é de baixa eficácia (50% de imunização) e de efeito retardado (de 3 a 6 meses após a aplicação).

Fonte: www.fiocruz.br

Cólera

A cólera é uma infecção do intestino delgado causada pela bactéria Vibrio cholerae.

As bactérias da cólera produzem uma toxina que faz com que o intestino delgado segregue quantidades imensas de um líquido rico em sais e minerais.

Como as bactérias são sensíveis ao ácido clorídrico do estômago, as pessoas com deficiência de ácido são mais susceptíveis a esta doença.

Aqueles que vivem em zonas onde a cólera é frequente (endémica) desenvolvem gradualmente uma imunidade natural.

A cólera transmite-se ingerindo água, mariscos ou outros alimentos contaminados pelos excrementos de pessoas infectadas.

A cólera aparece habitualmente em zonas da Ásia, Médio Oriente, África e América Latina. Nestas áreas, os surtos de doença verificam-se nos meses de calor e a incidência maior é entre as crianças. Noutras zonas, as epidemias podem ocorrer em qualquer época do ano e a doença pode afectar qualquer idade.

Outras espécies do género bacteriano Vibrio também podem infectar os humanos.

A diarreia que provocam costuma ser muito menos grave do que a da cólera.

Sintomas e diagnóstico

Os sintomas, que começam de um a três dias após a infecção pela bactéria, oscilam entre um episódio de diarreia ligeira e sem complicações e uma doença grave, potencialmente mortal. Alguns doentes afectados não apresentam sintomas.

Em geral, a doença começa com uma diarreia súbita, indolor e aquosa, além de vómitos. Nos casos graves chega a perder-se quase um litro de líquido por hora, mas usualmente a quantidade é muito menor. Nessas situações graves, a grande diminuição de água e sal provoca uma desidratação acentuada, com sede intensa, cãibras musculares, debilidade e uma produção mínima de urina.

A grave perda de líquidos nos tecidos faz com que os olhos se encovem e a pele dos dedos se enrugue de forma extrema. Se a infecção não receber tratamento, os graves desequilíbrios no volume sanguíneo e a maior concentração de sais podem conduzir a insuficiência renal, choque e coma.

Os sintomas costumam desaparecer em 3 a 6 dias. Os indivíduos afectados libertam-se, geralmente, do microrganismo em duas semanas, mas alguns convertem-se em portadores permanentes.

O diagnóstico de cólera confirma-se isolando as bactérias a partir de amostras de líquido provenientes do recto ou de matéria fecal fresca. Uma vez que a bactéria Vibrio cholerae não cresce nos meios de cultura rotineiros para as fezes, deve requerer-se uma cultura especial para os microrganismos do género Vibrio.

Prevenção e tratamento

A purificação dos abastecimentos de água e a correcta eliminação dos excrementos humanos revelam-se essenciais para controlar a cólera.

Outras precauções incluem a utilização de água fervida e a abstenção de legumes crus ou peixe e mariscos mal cozinhados.

A vacina contra a cólera só fornece uma protecção parcial e, por consequência, não é recomendada.

O tratamento imediato com o antibiótico tetraciclina pode ajudar a prevenir a doença entre aqueles que partilham a sua casa com alguém com cólera.

A rápida recomposição dos fluidos corporais, sais e minerais perdidos é uma parcela fundamental do tratamento.

Os doentes gravemente desidratados que não puderem beber recebem os líquidos por via endovenosa. Em caso de epidemia, as pessoas recebem eventualmente os líquidos através de um tubo inserido pelo nariz até chegar ao estômago. Uma vez corrigida a desidratação, o objectivo central do tratamento é restituir a exacta quantidade de líquido perdido em virtude da diarreia e dos vómitos.

Podem ingerir-se alimentos sólidos desde que os vómitos tenham cessado e o apetite voltado.

O tratamento precoce com tetraciclina ou outro antibiótico elimina as bactérias e costuma parar a diarreia em 48 horas.

Mais de 50 % das pessoas que sofrem de cólera grave e não recebem tratamento morrem. No entanto, isso só ocorre em menos de 1 % dos doentes que recebem uma restituição rápida e adequada de líquidos.

Fonte: www.manualmerck.net

Cólera

O que é?

Doença diarreica altamente contagiosa que se manifesta por uma diarréia aquosa tipo  " arroz de arroz" e vómitos podendo provocar uma desidratação e a morte em poucas horas.

Quais os sinais e sintomas?

Se tiver viajado para uma área afectada por cólera e apresentar os sinais e sintomas abaixo procure o serviço de saúde e informe as áreas ao médico.

Diarréia e vómito são as manifestações clínicas mais frequentes.

Os principais sinais e sintomas são variados que vão desde infecções inaparentes até casos graves, com diarréia abundante e incontrolável que pode levar a um estado de desidratação grave e choque.

Na forma leve (mais de 90% dos casos), o quadro costuma iniciar de maneira insidiosa, com diarréia discreta, sem distinção das diarreias comuns.

Também pode apresentar vómitos. Em crianças, pode acompanhar-se de febre.

No início, em alguns casos, pode haver a presença de muco. Nas formas mais graves, menos frequentes (menos de 10% do total), o início é súbito, com diarréia aquosa, abundante e incoercível, com inúmeras dejecções diárias.

Nos casos graves, devido ao desequilíbrio hidroeletrolítico e metabólico, outras manifestações clínicas podem ocorrer: sede, rápida perda de peso, perda do turgor da pele, principalmente nas mãos ("mãos de lavadeira"), prostração, olhos fundos com olhar parado e vago, voz sumidiça e cãibras. O pulso torna-se rápido e débil, surge hipotensão e a ausculta cardíaca revela bulhas abafadas. Há cianose e esfriamento de extremidades, colapso periférico, anúria e coma.

Como se transmite?

Principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes ou vómitos de doente ou portador.

Os alimentos e utensílios podem ser contaminados pela água, pelo manuseio ou por moscas. Peixes, crustáceos e bivalves, marinhos ou dulcícolas, provenientes de águas contaminadas, comidas cruas ou mal cozidos, têm sido responsabilizados por epidemias e surtos isolados.

Também pode ocorrer a propagação pessoa a pessoa, por contacto directo.

A contaminação de mananciais e reservatórios com menor volume de água, e/ou do lençol freático, e a intermitência de distribuição de água na rede de abastecimento, possibilita a passagem de águas contaminadas para dentro das tubulações, sendo responsáveis por epidemias explosivas com ocorrência de grande número de casos.

Como tratar?

A terapêutica se fundamenta na reposição rápida e completa de água e dos electrólitos perdidos pelas fezes e vómitos.

Os líquidos deverão ser ministrados por via oral ou parenteral, conforme o estado do paciente.

Formas leves e moderadas: hidratação oral com soro de rehidratação oral (SRO).

Formas graves: hidratação venosa + antibioticoterapia.

O paciente suspeito, ou com cólera confirmada, deverá obrigatoriamente iniciar seu tratamento no local onde receber o primeiro atendimento.

O início do tratamento depende dos resultados de exames laboratoriais.

Como se previne?

As principais medidas de controlo da cólera são:

Lavar as mãos antes de manipular os alimentos, antes de comer e depois de ir ao banheiro

Beber somente água potável ou, se não dispõe desta, ferver durante 5 minutos ou desinfectar a água com 2 gotas de lixívia em cada litro de água em toda a água para o consumo

Cozer bem os alimentos. No caso de comida preparada com antecedência aquecer muito bem antes de comer.

Desinfectar os alimentos que se comem crus (frutas e legumes) mergulhando-os em 1 litro de água com 10 gotas de lixívia durante 30 minutos

Depois docozimento, protegê-los contra a contaminação

Destino e tratamento adequado dos dejetos humanos

Destino adequado do lixo

O que fazer?

Perante um caso de diarréia e vómitos, não fique em casa! Vá imediatamente ao hospital ou ao serviço de saúde mais próximo.

Beba frequentemente muita água ou quaisquer outros líquidos.

Não se esqueça que a luta contra a cólera depende da higiene pessoal e do ambiente limpo.

Fonte: www.minsaude.gov.cv

Cólera

Cólera. Doença negligenciada

A vida agitada nos grandes centros urbanos, a falta de exercícios físicos, o estresse, a poluição, a alimentação rápida e rica em gordura e açúcar e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e tabaco estão causando diversas doenças nos brasileiros.

Advindos destes problemas, são mais comuns, nos grandes centros urbanos, doenças como o câncer, o diabetes e doenças do coração.

Enquanto isso, na zona rural e nas periferias das grandes cidades, aumentam os casos de doenças infecciosas e parasitárias, em função das péssimas condições de higiene.

A falta de água tratada e o deficiente sistema de esgoto nas regiões norte e nordeste do Brasil tem sido a causa de várias doenças, como, por exemplo: cólera, malária, diarréia e hanseníase.

A cólera é uma doença típica de regiões que sofrem problemas de abastecimento de água tratada. A sujeira e os esgotos a céu aberto ajudam no aumento de casos da doença. A região nordeste do Brasil é a que mais sofre com este problema.

Água limpa e tratada, tratamento de esgoto e condições ambientais adequadas dificultam a proliferação da doença. A higiene e a medicina têm ampliado a habilidade da terra nos climas cálidos, já pelo tratamento das chamadas moléstias tropicais, já pela resistência do calor, com o ar condicionado.

É o que diz Raimundo Lopes em Antropogeografia1:

“Há, certamente, moléstias dos climas quentes; isto depende tanto da temperatura e da depressão orgânica, como da alimentação e da proliferação dos insetos intermediários; assim, a malária, com o seu terrível hematozoário a empobrecer o sangue, tanto se tem transmitido em regiões equatoriais, como nas do Mediterrâneo, nas baixadas da costa italiana (maremmas) e a ela se atribui a morte da bela Monna Lisa, a “Gioconda”.

A transmissão do gérmen pode variar com os continentes e regiões como no caso do tremendo mosquito gambiense, transmissor também do impaludismo, que na África veio implantar-se no nordeste brasileiro, devido justamente à rapidez da moderna navegação e talvez aos aviões; a letalidade, devida, sobretudo à sua larva adaptada às águas sujas, ao contrário da do transmissor americano, torna esse impaludismo rebelde a prescrições de higiene e tratamento: a sua disseminação, se chegar às regiões úmidas do Brasil, invadirá a América neotropical”.

As epidemias aprecem independer mais ou menos dos climas, ligando-se mais às condições de transmissão em áreas onde à massa carente e a pobreza das populações, propiciam a sua instalação.

Assim é que a China Setentrional, tem sido centro de dispersão junto com a Índia de males como: a peste bubônica, e o cóleramorbo; a primeira se tem propagado pelos continentes e só tem sido evitada pelas precauções contra a entrada dos doentes e dos ratos nos países que têm organizado a sua profilaxia.

O beribéri tem sido atribuído à deficiência alimentar, pela ingestão do arroz descorticado, na Ásia Oriental e no Brasil em nossas regiões; como provaram os estudos em 19192, essa polinevrite deve ter uma causa específica.

Assim como há moléstias tropicais, também há endemias de dispersão mais ampla ou mais própria dos climas frios. A lepra tanto se tem propagado nos climas cálidos, como na Europa medieval, atingindo, mesmo, em tempos modernos, a fria Noruega com o grande Hansen; é verdade que se tem atribuído a predisposição a esse mal à alimentação, sobretudo à de peixes; a presença, porém, do bacilo e o estudo nosológico parecem evidenciar a sua dependência da intensidade do contágio social e doméstico.

O que se propões neste trabalho, é uma reflexão sobre as condições de higiene pública a que estar sujeita a Baixada Maranhense. Os riscos de um ataque da Cólera é muito grande, embora a doença não seja endêmica na região, mais pode ser transplantada via malhas rodoviárias, principalmente pela rodovia MA.013.

Histórico

A denominação Cólera remonta aos primeiros séculos da humanidade e sempre esteve relacionada à Índia. Na história das grandes navegações associava-se a lugares considerados exóticos, sendo, na época, chamada de doença que "provocava vômitos, sede de água, estômago ressecado, cãibras, olhos turvos…" A partir do século XIX, começou a se disseminar para áreas até então não atingidas, chegando, em especial, à Europa. Sua forma de transmissão é tão importante e se dissipa com tanta facilidade que já existiram sete pandemias (pandemia é a epidemia simultânea da doença em muitos países e continentes).

A propagação da Cólera em nível mundial deve-se principalmente ao fato de que seu agente desenvolve na maioria das vezes casos leves ou assintomáticos, não permitindo assim a identificação dos verdadeiros portadores, que continuam transmitindo a doença. Além disso, o grande deslocamento das pessoas por turismo ou comércio em transportes cada vez mais rápidos aumenta a veiculação da Cólera. O baixo nível sócio-econômico e condições precárias de saneamento básico em áreas extensas e, em particular a falta de água potável, podem também explicar a sua alta propagação.

Historicamente, a cólera provavelmente originou-se no vale do rio Ganges, Índia. As epidemias surgiam invariavelmente durante os festivais hindus realizados no rio, em que grande número de pessoas banhavam-se em más condições de higiene. O vibrião vive naturalmente na água e infectava os banhistas que depois o transmitiam por toda a Índia nas suas comunidades de origem. Algumas epidemias também surgiram devido a peregrinos nos países vizinhos com aderentes da reli-
gião hindu, como Indonésia, Birmânia e China.

Esta enfermidade, foi descrita pela primeira vez no século XVI pelo português Garcia da Orta, trabalhando na sua propriedade, Bombaim, no Estado da Índia Português.

Entretanto, em 1817, com o estabelecimento do Raj britânico na Índia, e particularmente na região de Calcutá, espalhou-se a cólera pela primeira vez para fora da região da Índia e paises vizinhos. Ela foi transportada por militares ingleses nos seus navios para uma série de portos e a sua disseminação chegou à Europa e Médio Oriente, onde até então era desconhecida. Em 1833 chegou aos EUA e México, tornando-se uma doença global.

Numa das primeiras epidemias no Cairo, a cólera matou 13% da população.

Estabelecendo-se em Meca e Medina, locais onde as peregrinações religiosas muçulmanas do Hajj, permitiam concentrações suficientes de seres humanos para se dar a cadeia de transmissão da epidemia, assim como nas cidades grandes da Europa.

Na Arábia foi endêmica até ao século XX, matando inúmeros peregrinos, temdo sido aí que surgiu o agora disseminado serovar eltor. A disseminação pelos peregrinos, vindos de todo o mundo muçulmano de Marrocos até às Indonésia, foi importante na sua globalização assim como os navios comerciais europeus.

Durante o século XIX, surgiram abruptamente várias epidemias nas cidades europeias, matando milhares de seres humanos em Londres, Paris, Lisboa e outras grandes cidades. Uma dessas epidemias em Londres, como a de 1854, levou ao estabelecimento das primeiras medidas de saúde pública, após constatação que em poços contaminados estavam na origem da doença, pelo médico inglês John Snow, pois foi o mesmo John Snow, quem descobriu a relação entre água suja e cólera em 1854. Mais tarde a bactéria Vibrio cholerae foi identificada pelo célebre microbiologista Robert Koch em 1883.

A trajetória histórica da Cólera no Brasil, se inicia-se pelo Norte, precisamente em Belém do Pará, onde recentemente este tema ganhou destaques na mídia e uma edição memorável de grande repercussão no mundo acadêmico, realizada pela pesquisadora Jane Felipe Beltrão3. Nesta edição a autora emerge com a história de uma tragédia, a que estavam submetidos os pobres nos séculos XIX e XX.

“A cólera, até o início do século XIX, circunscrevia-se à Ásia, considerada o lar da enfermidade e, como tal, vista com curiosidade pelos europeus. Ao ser registrada a primeira pandemia4 de cólera (1817-1823), a Europa tomou conhecimento da doença graças ao quadro desolador da Rússia: a chegada da cólera àquele país fez os europeus suspeitarem da queda das suas cidadelas5. A confirmação se deu com a chegada da segunda pandemia (1829-1851): na Rússia, de 1829 a 1832, a cólera ceifou a vida de 290 mil pessoas (McGrew, 1965)6, alastrando-se pela Polônia em razão da guerra entre os dois países.

A movimentação das tropas produziu vítimas da cólera na França, que perdeu 13 mil pessoas nessa epidemia (Delaporte, 1986)7. Não se deve esquecer que as revoluções liberais varriam a Europa (1830 e 1848), e onde a revolta se fazia presente a cólera grassava, exacerbando tensões e comprometendo das condições de vida (Evans, 1988)8. Na Alemanha, Hamburgo sofreu os rigores da epidemia, e as numerosas vítimas acionaram o alarme que logo se transformou em terror com a chegada da epidemia à Inglaterra, em 1831 (Durey, 1979)9. Logo a Europa estava tomada pelo flagelo, e já em 1832 registravam-se casos na América: Peru, Chile, México e Estados Unidos (Rosenberg, 1962)10”. (…)

“Em maio de 1855, durante a terceira pandemia, apareceu em Belém do Grão-Pará uma doença de caráter maligno, importada pela galera portuguesa Deffensor. A embarcação atracou no porto da cidade no dia 14 daquele mês trazendo colonos procedentes da cidade do Porto, região do Douro, em Portugal, cujas imediações eram assoladas pela doença. Era o início da saga brasileira. Do Pará a epidemia atingiu a Bahia em junho de 1855 e em julho chegou ao Rio de Janeiro, capital do Império, para desespero da corte (Cooper, 1986)11. Houve ocorrências, também, em Pernambuco e no Ceará (1861-1862).

Na época o controle da epidemia era impossível, pois se desconhecia a forma de propagação da doença. Foi no decorrer da pandemia que John Snow demonstrou que a cólera tinha discordo veiculação hídrica – contraía-se a enfermidade bebendo água contaminada por fezes de pessoas doentes. As observações foram feitas por Snow (1990)12 na Londres oitocentista, mas na época seus resultados não foram conhecidos pela medicina”. (Beltrão, 2007.)

A quarta pandemia (1863-1875) foi considerada catastrófica, pois em alguns lugares a mortalidade assumiu índices alarmantes. A Índia contou 360 mil mortos, e na Europa eles chegaram a 450 mil. A epidemia chegou ao Brasil no final dos anos 60, atingindo em 1867 o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso, onde fez tantas vítimas quanto a Guerra do Paraguai, cujas baixas chegaram a cem homens por dia. Os registros indicam que quatro mil pessoas adoeceram e mil foram os mortos. Cenas trágicas aconteceram no Sul, uma das quais se tornaria bastante conhecida graças à narrativa do Visconde de Taunay13 em A retirada da Laguna.

Ao final do século, em 1894, há registro de acometidos pela cólera em São Paulo, durante a quinta pandemia (1881-1896). Durante a sexta pandemia (1899-1923) o continente americano não foi devastado.

Durante a sétima pandemia a cólera volta a atingir o Brasil, em 1991. Ela teve início em 1961, a partir de um foco endêmico na Indonésia, e o fluxo migratório espalhou a enfermidade pela Ásia, alcançou a Europa Oriental, passando à Península Ibérica e avançando pelo norte da África. Desde a década de 1960 a difusão da cólera era extensa, mas a forma epidêmica não se havia manifestado na América Latina até janeiro de 1991, quando eclodiu no Peru.

Daí para a chegada ao Brasil foi uma questão de meses, pois em abril os primeiros casos foram registrados no Acre. Em Belém, a epidemia chegava em 14 de novembro de 1991, quando o primeiro paciente foi internado no Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB).

Em todas as pandemias que se seguiram, o Brasil apresentou casos atingindo a população da Região Norte até o Rio Grande do Sul. Atualmente nos encontramos na sétima pandemia iniciada em 1961 e, introduzida na América Latina no início da década de 90 pelo Peru, sendo transportada até o Brasil, pelo Rio Solimões, no Amazonas. Os primeiros casos foram nas cidades de Benjamin Constant e Tabatinga, ambos na fronteira com Colômbia e Peru, em decorrência da grande pressão de transmissão procedente de Letícia, na Colômbia, e de Iquitos, no Peru, notificados no Amazonas.

Em 1992, o Estado do Rio de Janeiro registra o primeiro caso da doença. No ano de 1993 foram notificados 268 casos caracterizando a presença de uma epidemia no Estado, que se prolongou até o ano de 1994 com 78 casos. Embora desde este período não tenham sido registrados mais casos da doença no Rio de Janeiro, a Cólera continua endêmica em alguns estados da Região Nordeste.

É uma pena dizer, mas, o Brasil continua a conviver com males que deveriam ter sido riscado do mapa há muito tempo. A cólera e outras doenças infecto-contagiosas e parasitárias nos Estados do Norte e Nordeste, mostram que o país ainda não consegue eliminar males típicos do Terceiro Mundo. Esses são os principais problemas que as regiões Norte e Nordeste enfrentam neste início de século.

Na verdade, essas doenças somam-se a outras tantas como meningite, leptospirose etc., que freqüentam principalmente as estatísticas da Região Norte e Nordeste. São doenças de quem está na beira do processo social, decorrente da falta de saneamento básico e higiene pessoal.

A epidemia alastrou-se progressivamente pela Região Norte, seguindo o curso do Rio Solimões/Amazonas e seus afluentes, principais vias de deslocamento de pessoas da região. No final de 1991, a epidemia atingiu a Região Nordeste, com os primeiros casos detectados no município de São Luís, no estado do Maranhão.

Se observarmos atenciosamente o mapa do Estado do Maranhão, logicamente, notaremos que ele tem uma extensa e diversificada malha rodoviária. Entretanto, a MA.013, rodovia estadual que parte do Município de Vitória do Mearim em direção a Belém do Pará, passando por Viana, (cidade maltratada higienicamente) serve de corredor perigoso, para disseminação da cólera, meningite e outras doenças alocadas nos estados fronteiriços, (Pará, Tocantins e Piauí) onde surtos de diversas doenças vem acontecendo alarmantemente.

Em fevereiro de 1992, a cólera foi detectada no sertão da Paraíba e, logo em seguida, no agreste de Pernambuco. Até o final de 1992, todos os estados do Nor-
deste foram atingidos, tendo sido registrado ainda um caso autóctone no Rio de Janeiro e um no Espírito Santo.

Em 1993, observou-se o avanço da doença para as Regiões Sudeste e Sul, tendo sido registrados casos em Minas Gerais (57), Espírito Santo (100), Rio de Janeiro (267), São Paulo (11) e Paraná (6). Naquele ano foram notificados 60.340 casos.

Em 1994, a cólera continuou em franca expansão, com registro de 51.324 casos, sendo 49.276 na Região Nordeste, destacando-se, por apresentarem os maiores coeficientes de incidência, os estados do Ceará, da Paraíba, de Pernambuco, da Bahia, do Rio Grande do Norte e de Alagoas. Esse aumento de casos ocorreu entre os meses de janeiro (coeficiente de incidência de 38,71 por 100.000 habitantes) e maio (coeficiente de incidência de 10,06 por 100.000 habitantes). Em junho, tal coeficiente foi de 4,89 por 100.000 habitantes. O número de casos continuou diminuindo, chegando ao mês de dezembro com coeficiente de 0,27 por 100.000 habitantes.

Após uma importante diminuição do número de casos de cólera no País a partir de 1995, observou-se em 1999 um recrudescimento da epidemia, tendência que não se confirmou no ano de 2000, com o registro de 733 casos, todos procedentes da Região Nordeste, em sua grande maioria dos estados de Pernambuco e Alagoas. Com exceção dos casos diagnosticados em surtos localizados nos estados de Minas Gerais e Paraná, todos os casos diagnosticados em 1999, 2000 e 2001 ocorreram na Região Nordeste.

Em 2001, foram confirmados no Brasil sete casos de cólera, todos na Região Nordeste.

Em 2002 e 2003, embora não tenha sido confirmado nenhum caso de cólera no País, o vibrio cholerae O1 foi isolado de amostras ambientais coletadas em municípios dos estados de Alagoas e Pernambuco. Além disso, houve identificação do vibrio cholerae O1 Inaba em uma amostra clínica do estado de Alagoas, com toxigenicidade negativa.

Em 2004 e 2005, a cólera recrudesceu no País, com a confirmação de 21 casos e 5 casos autóctones. Todos os casos eram procedentes do estado de Pernambuco.

Em 2006 foi detectado no Distrito Federal um caso importado cólera procedente de Angola, sem haver transmissão autóctone.

Desde então, não tem havido ocorrência de casos de cólera no país.

Epidemiologia

A cólera é uma doença de notificação obrigatória às autoridades sanitárias.

A cólera é uma doença que existe em todos os países em que medidas de saúde pública não são eficazes para a eliminar. Ela já existiu na Europa mas com os altos níveis de saúde pública dos países europeus, foi já eliminada no início do século XX, com exceção de pequeno número de casos.

A região da América do Sul é hoje a mais freqüentemente afetada por epidemias de cólera, juntamente com a Índia. Neste último país, as grandes concentrações pouco higiênicas de multidões durante os rituais religiosos hindus no rio Ganges, são todos os anos ocasião para nova epidemia do vibrião. Também existe de forma endêmica na África e outras regiões tropicais da Ásia.

Os seres humanos e os seus dejetos são a única fonte de infecção. Só quando água ou comida suja com fezes humanas é ingerida podem suficientes quantidades de bactérias ser ingeridas para causar a doença. As crianças, que têm a tendência de pôr tudo na boca, são mais atingidas. As pessoas infectadas eliminam nas suas fezes quantidades extremamente altas de bactérias, sendo os portadores (individuos que possuem o víbrio no intestino mas que não desenvolvem a doença) muito raros. Há alguns casos raríssimos em que indivíduos contraíram a doença após comerem ostras contaminadas.

Existem vários serovars ou estirpes de vibrião da cólera. O eltor tem uma virulência menor e tem se tornado importante desde o seu surgimento em 1961, na Arábia.

A cólera é uma doença causada pelo vibrião colérico (Vibrio cholerae), uma bactéria em forma de vírgula ou bastonete que se multiplica rapidamente no intestino humano produzindo uma potente toxina que provoca diarréia intensa. Ela afeta apenas os seres humanos e a sua transmissão é diretamente dos dejetos fecais de doentes por ingestão oral, principalmente em água contaminada.

O vibrião da cólera é Gram-negativo e tem a forma de uma vírgula com cerca de 1-2 micrómetros. Possui flagelo locomotor terminal. Estes víbrios, tal como todos os outros, vivem naturalmente nas águas dos oceanos, mas aí o seu número é tão pequeno que não causam infecções. O víbrio é ingerido com água suja e multiplica-se localmente no intestino delgado proximal. Causa diarréia aquosa intensa devido aos efeitos da sua poderosa enterotoxina. Esta toxina tem duas porções A e B (toxina AB). A porção B é especifica para receptores presentes na membrana do enterócito, causando a sua endocitose (englobamento e internalização pela célula). O vibrião não é invasivo e permanece no lúmen do intestino durante toda a progressão da doença.

Conceito

Uma doença diarréica aguda que pode determinar a perda de vários litros de água e sais minerais em poucas horas, trazendo como conseqüência uma grave desidratação, podendo levar à morte caso as perdas não sejam prontamente restabelecidas.

O fator que transforma uma estirpe de vibrião não virulenta numa altamente perigosa parece ser a infecção da bactéria por um fago (espécie de vírus que infecta bactérias). Esse fago, o CTX-fí, contém os genes da toxina (ctxA e ctxB) que os injeta quando da sua infecção à bactéria.

O cólera é uma infecção intestinal aguda causada pelo Vibrio cholerae, que é uma bactéria capaz de produzir uma enterotoxina que causa diarréia. Apenas dois sorogrupos (existem cerca de 190) dessa bactéria são produtores da enterotoxina, o V. cholerae O1 (biotipos "clássico" e "El Tor") e o V. cholerae O139.

O Vibrio cholerae é transmitido principalmente através da ingestão de água ou de alimentos contaminados. Na maioria das vezes, a infecção é assintomática (mais de 90% das pessoas) ou produz diarréia de pequena intensidade. Em algumas pessoas (menos de 10% dos infectados) pode ocorrer diarréia aquosa profusa de instalação súbita, potencialmente fatal, com evolução rápida (horas) para desidratação grave e diminuição acentuada da pressão sangüínea.

Agente causador

Uma bactéria denominada Vibrio cholerae que sobrevive bem no ambiente marinho com temperaturas entre 10º e 32º C, em áreas costeiras. Tende a contaminar ostras e mexilhões e é de difícil sobrevivência em alto mar. Seu tempo de sobrevivência é de 10 a 13 dias em temperatura ambiente e de 60 dias em água do mar.

Na água doce permanece 19 dias e em forma de gelo de quatro a cinco semanas.

Modo de transmissão

A transmissão se dá pela ingestão de água ou gelo contaminados com fezes ou vômitos de doentes, assim como pelas fezes das pessoas portadoras do vibrião, mas que não apresentam sintomas (assintomáticos). Dá-se também pela ingestão de alimentos que entrem em contato com água contaminada, por mãos contaminadas de doentes ou portadores e de quem manipula os produtos alimentares.

As moscas podem ser vetores importantes da doença. Os peixes, frutos do mar e animais de água doce, crus ou mal cozidos são responsáveis por surtos isolados em vários países. A transmissão pessoa a pessoa também é importante, em especial nas áreas onde há escassez de água.

A cólera é transmitida através da ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes humanas. São necessários em média 100 milhões de víbrios (e no mínimo um milhão) ingeridos para se estabelecer a infecção, uma vez que não são resistentes à acidez gástrica e morrem em grandes números na passagem pelo estômago.

Progressão e sintomas

A incubação é de cerca de cinco dias. Após esse período começa abruptamente a diarréia aquosa e serosa, como água de arroz.

As perdas de água podem atingir os 20 litros por dia, com desidratação intensa e risco de morte, particularmente em crianças. Como são perdidos na diarréia sais assim como água, beber água doce ajuda mas não é tão eficaz como beber água com um pouco de sal.

Todos os sintomas resultam da perda de água e eletrólitos:

Diarréia volumosa e aquosa,tipo água de arroz, sempre sem sangue ou muco (se contiver estes elementos trata-se de disenteria).
Dores abdominais tipo cólica.

Náuseas e vômitos.

Hipotensão com risco de choque hipovolémico (perda de volume sanguineo) fatal, é a principal causa de morte na cólera.

Taquicardia: aceleração do coração para responder às necessidades dos tecidos, com menos volume sangüíneo.

Anúria: diminuição da micção, devido à perda de liquido.

Hipotermia: a água é um bom isolante térmico e a sua perda leva a maiores flutuações perigosas da temperatura corporal.

O risco de morte é de 50% se não tratada, sendo muito mais alto em crianças pequenas. A morte é particularmente impressionante: o doente fica por vezes completamente mirrado pela desidratação, enquanto a pele fica cheia de coágulos verde-azulados devido à ruptura dos capilares cutâneos.

Período de incubação

É o tempo transcorrido entre a contaminação e o aparecimento dos sintomas, que varia de algumas horas a cinco dias. Enquanto houver eliminação do vibrião nas fezes pode haver transmissão da doença e este período é, normalmente, de 20 dias. Lembramos que os indivíduos assintomáticos também liberam vibrião nas suas fezes sendo potencialmente transmissores da Cólera.

Aspectos clínicos

A diarréia e vômitos são as manifestações mais freqüentes. Nos casos graves, o início é súbito com diarréia aquosa, com inúmeras evacuações diárias. As fezes têm aparência amarelo-esverdeada, sem pus, muco ou sangue. Às vezes pode ter odor de peixe e aspecto típico de água de arroz. Nos casos graves a diarréia e os vômitos acarretam uma rápida desidratação, com manifestações de sede, perda de peso intensa, prostração, olhos fundos com olhar parado e vago, voz sumidiça e cãibras.

Diagnóstico da doença

O diagnóstico laboratorial da cólera consiste no isolamento e na identificação da bactéria (vibrião) em amostras de fezes coletadas de doentes ou portadores assintomáticos. O êxito no isolamento depende de uma coleta adequada, antes da administração de antibióticos ao paciente.

Tratamento

As formas leves e moderadas da doença devem ser tratadas com terapia de reidratação oral e a abordagem segue igual a das diarréias agudas em geral. Nas formas graves deve ser instituída a hidratação venosa e a antibioticoterapia.

O tratamento imediato é o soro fisiológico ou soro caseiro para repor a água e os sais minerais: uma pitada de sal, meia xícara de açúcar e meio litro de água tratada. No hospital, é administrado de emergência por via intravenosa solução salina. A causa é adicionalmente eliminada com doses de antibiótico.

Medidas de prevenção

A) Coletivas:

Garantir boa qualidade de água para consumo humano.

Oferecer um sistema de esgoto sanitário adequado.

Onde não existir esgotamento sanitário, enterrar as fezes longe das fontes de água, poços e mananciais.

Manter rigorosa coleta de lixo.

Manter recipientes tampados e afastados dos locais de abastecimento de água

Evitar o acúmulo de lixo, pois isso facilita a presença e proliferação de vetores (moscas, ratos, baratas etc.).

B) Individuais:

Incentivo ao aleitamento materno.

Manter higiene pessoal e lavar as mãos constantemente.

Cozinhar bem os alimentos e consumi-los imediatamente.

Armazenar cuidadosamente os alimentos cozidos.

Evitar o contato entre alimentos crus e cozidos.

Manter limpas todas as superfícies da cozinha.

Manter os alimentos fora do alcance de insetos, roedores e outros animais.

Pedro Mendengo Filho

Notas e Fontes bibliográficas

1. LOPES, Raimundo ago.-set. 1933 ‘Antropogeografia’. Revista Nacional de Educação, 2(11/12), pp. 17-23.

2.Trabalhos da escola de Clementino Fraga; investigação de Sálvio Mendonça e Arlindo de Assis (teses inaugurais) e Miguel Couto In Lições de clínica médica.

3BELTRÃO, Jane Felipe. Memórias da cólera no Pará (1855 e 1991): tragédias se repetem? História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v.14, suplemento, p.145-167, dez. 2007.

4.Denomina-se epidemia toda elevação acentuada do número de casos de qualquer agravo à saúde, além do esperado dentro dos níveis endêmicos, circunscrito a um determinado local. Quando muitos episódios epidêmicos ocorrem simultaneamente em diversos países de vários continentes, costuma-se falar em pandemia.

5.As cidades do século XIX pareciam cidadelas fortificadas pelo fato de aplicarem regulamentos sanitários vigorosos, que obrigavam os navios suspeitos de estarem contaminados com invisíveis miasmas e/ou tendo a bordo portadores de ‘peste’ (designação genérica dada a diversas epidemias) a permanecer em quarentena, longe dos portos, gerando ‘cordões de isolamento’ supostamente.

6.MCGREW, Roderick E. Russia and the cholera 1823-1832. Madison and Milwaukee: The University of Wisconsin Press. 1965. Apud BELTRÃO, Jane Felipe. Memórias da cólera no Pará (1855 e 1991) ob. cit.

7.DELAPORTE, Francois. Disease and Civilization: The Cholera in Paris, 1832. Cambridge: M.I.T. Press, 1986. Apud BELTRÃO, Jane Felipe. Memórias da cólera no Pará (1855 e 1991). Idem, idem.

8.EVANS, Richard J. Death in Hamburg: society and politics in cholera years 1830-1910. London: Penguin Books. 1987. Idem, idem.

9.DUREY, Michael The return of the plague: British society and the cholera 1831-2. Dublin: Gill and Macmillan. 1979 Idem, idem.

10.ROSENBERG, Charles E. The cholera years: the United States in 1832, 1849, and 1866. Chicago: The University of Chicago Press. 1962. Idem, idem.

11.COOPER, Donald B. The new ‘black death’: cholera in Brazil, 1855-1856. Social Science History, v.10, n.4, 1986, p. 467-488. Idem, idem.

12.SNOW, John. Sobre a maneira de transmissão do cólera. Hucitec; Rio de Janeiro: Abrasco. 1. ed., 1854. São Paulo, 1990. Idem, idem.

13.TAUNAY, Alfredo D’Escragnolle Taunay, Visconde de. A retirada da Laguna – episódio da Guerra do Paraguai. 10ª. Ed. São Paulo: Companhia Melhoramentos de S. Paulo, [1935?].

14.http://www.cives.ufrj.br/informacao/colera/coliv.html.

Fonte: www.aldeiamaracu.org.br

Cólera

A cólera é uma doença infecciosa aguda, transmissível e perigosa, pois caracteriza-se por uma infecção intestinal grave, podendo levar à morte em decorrência da desidratação.

A bactéria causadora é o vibrião colérico ou Víbrio cholerae, em forma de vírgula, móvel, que se desenvolve no intestino humano e produz a toxina responsável pela doença.

Cólera

O agente etiológico da cólera é encontrado nas fezes das pessoas infectadas, doentes ou não.

O homem, único reservatório do vibrião, chega a eliminar 10 milhões de bactérias por grama de fezes. O contágio é direto, pela água e pelos alimentos contaminados.

As moscas e outros insetos podem funcionar como vetores mecânicos, transportando o vibrião para a água e para os alimentos.

Sintomatologia

O período de incubação é de 6 a 10 horas até 2 a 3 dias. Após a incubação, aparece subitamente a diarréia, acompanhada de dor de cabeça, cãibras musculares (na panturrilha), dores abdominais, vômitos e desidratação. A evolução da doença é provocada, também, pelo estado de desnutrição do indivíduo. A duração dos sintomas é de 3 a 4 dias, em média. Caso o doente não seja tratado com urgência, a morte acontece num prazo de 14 a 48 horas.

Profilaxia

A prevenção da cólera é feitas por medidas básicas de higiene:

Lavar as mãos com água e sabão sempre que se preparar qualquer alimento, antes das refeições, após o uso do sanitário, após trocar fraldas, e após chegar da rua

Desinfetar, com água sanitária, pias, lavatórios e vasos sanitários

Usar sacos de lixo nas lixeiras e mantê-las tampadas

Frutas, verduras e legumes devem ser bem lavados e deixados de molho, por meia hora, em um litro de água com uma colher de sopa de hipoclorito de sódio (água sanitária)

As carnes vermelhas devem ter controle sanitário.

Tais recomendações são muito úteis para não correr o risco de contrair a doença.

Tratamento

O tratamento é simples e deve ser realizado o mais próximo do local onde o sintoma se iniciou. A cólera requer pronto-atendimento médico. Os antibióticos, sempre sob orientação médica, podem ser usados por via oral ou venosa.

É importante que a hidratação se inicie o mais rápido possível. O soro por via oral deve ser dado enquanto se providencia o atendimento médico.

São muito importantes as campanhas educativas de higiene pessoal entre as populações mais carentes.

Importante: as temperaturas baixas (geladeira) NÃO matam o vibrião; ele se conserva bem no gelo.

Fonte: www.grupoescolar.com

Cólera

Origem da cólera

Originária da Ásia, mais precisamente da Índia e de Bangladesh, a cólera se espalhou para outros continentes a partir de 1817.

Chegou ao Brasil no ano de 1885 invadindo os estados do Amazonas, da Bahia, do Pará e do Rio de Janeiro. Só em 1893 que a doença chegou em São Paulo alastrando-se tanto na capital como no interior do estado. No entanto, no final do século XIX, o governo brasileiro declarava a erradicação da doença em todo país.

Cerca de um século depois em abril de 1991, a cólera chegou novamente ao Brasil. Vinda do Peru fez sua primeira vítima na cidade de Tabatinga, do estado do Amazonas.

Definição da cólera

A cólera, também chamada de cólera-morbo, é uma doença infecciosa que ataca o intestino do homem.

A bactéria que provoca a cólera foi descoberta por Robert Koch, em 1884. Por ter a forma de bastonetes encurvado, recebeu o nome de Kommabazilus (bacilo em forma de vírgula ) posteriormente chamado de Víbrio cholerae.

Ao infestar o intestino do homem, essa bactéria faz com que seu organismo elimine uma grande quantidade de água e sais minerais, acarretando séria desidratação.

Os sintomas da cólera

A cólera pode ficar incubada de um a quatro dias.

Quando se manifesta, apresenta os seguintes sintomas:

Náuseas e vômitos

Cólicas abdominais

Diarréia abundante, esbranquecida como água de arroz, determinando até a perda de um litro de água por hora

Cãibras.

A transmissão da cólera

A cólera é transmitida principalmente pela água, por alimentos mal cozidos, mariscos e peixes contaminados.
Quando o vibrião é engolido e vence a acidez do estômago, instala-se no intestino do homem. Esta bactéria libera uma substância tóxica, que provoca uma mudança na função das células intestinais. Ao invés de elas absorverem líquidos e sais minerais, provocam a eliminação de grande quantidade de líquido através de vômitos e diarréia.

O Tratamento da cólera

Como todas as doenças infecciosas, a cólera pode ter dois tipos de tratamentos: o curativo e o profilático.

O tratamento curativo só pode ser feito por um médico, com antibióticos para combater a infecção e medicamentos para combater a diarréia e prevenir a desidratação.

O tratamento profilático pode ser orientado por um médico, mas poderá ser feito por qualquer pessoa, com o objetivo de evitar a doença.

A prevenção da cólera e feita através de vacina e principalmente através de medidas de higiene e saneamento básico.

A vacinação é de responsabilidade do governo. Geralmente é feita numa campanha previamente marcada, que envolve um grande número de pessoas . A vacinação atinge uma grande parcela da população, embora não haja a garanti de que todas as pessoas vacinadas fiquem imunes as doenças. Acontece que a vacina existente tem eficácia de apenas 50% .

A prevenção da cólera através de medidas de saneamento básico e higiene depende do gorveno, mas também de cada um de nós. Cabe ao governo desenvolve campanhas alertando e conscientizando a população de que, com cuidados especiais e boa vontade , pode-se evitar a epidemia da cólera.

O que devemos fazer ?

Beber somente água filtradas ou fervida.

Lavar as mãos antes da refeição e depois de deixar o vaso sanitário.

Dar descarga no vaso sanitário, jogando nele o papel higiênico sanitário. Quando não se pode jogar o papel higiênico no vaso, por causa da rede de esgoto , deve-se queimá-lo.

Lavar em água corrente as frutas, os legumes e as verduras, antes de comê-los.

Evitar comer alimentos crus, principalmente folhas e peixes.

Não deixar moscas e outro insetos pousarem nos alimentos.

Manter poços, reservatórios e fontes permanentemente limpos, não deixando que os animais se aproximem dos locais onde se busca água para beber.

Queimar o lixo quando possível caso contrário queimar os dejetos.

Fonte: underpop.free.fr

Cólera

A Cólera (ou cólera asiática) é uma doença causada pelo vibrião colérico (Vibrio cholerae), uma bactéria em forma de vírgula ou bastonete que se multiplica rapidamente no intestino humano produzindo potente toxina que provoca diarréia intensa.

Ela afeta apenas os seres humanos e a sua transmissão é diretamente dos dejetos fecais de doentes por ingestão oral, principalmente em água contaminada.

Cólera

Vibrio cholerae: A bactéria que causa cólera (ao microscópio eletrônico)

 

Vibrio cholerae

O vibrião da cólera é Gram-negativo e tem a forma de uma vírgula com cerca de 1-2 micrómetros. Possui flagelo locomotor terminal. Estes víbrios, tal como todos os outros, vivem naturalmente na água dos oceanos, mas aí o seu número é tão pequeno que não causam infecções.

O víbrio é ingerido com água suja e multiplica-se localmente no intestino delgado proximal. Causa diarréia aquosa intensa devido aos efeitos da sua poderosa enterotoxina. Esta toxina tem duas porções A e B (toxina AB). A porção B é especifica para receptores presentes na membrana do enterócito, causando a sua endocitose (englobamento e internalização pela célula).

A porção A, é a toxina propriamente dita, ligando-se à enzima adenilato ciclase e provocando súbida abrupta dos níveis de AMPc intracelulares.

O AMPc é um mediador que se liga à proteína cinase A, que por sua vez activa outras proteínas que afetam os canais de cloro, provocando a secreção de cloro, sódio e água associada descontrolada pela célula no lúmen intestinal. O vibrião não é invasivo e permanece no lúmen do intestino durante toda a progressão da doença.

O fator que transforma uma estirpe de vibrião não virulenta numa altamente perigosa parece ser a infecção da bactéria por um fago (espécie de vírus que infecta bactérias). Esse fago, o CTX-fí, contém os genes da toxina (ctxA e ctxB) que os injeta quando da sua infecção à bactéria.

A cólera é uma infecção intestinal aguda causada pelo Vibrio cholerae, que é uma bactéria capaz de produzir uma enterotoxina que causa diarréia. Apenas dois sorogrupos (existem cerca de 190) dessa bactéria são produtores da enterotoxina, o V. cholerae O1 (biotipos "clássico" e "El Tor") e o V. cholerae O139.

O Vibrio cholerae é transmitido principalmente através da ingestão de água ou de alimentos contaminados.

Na maioria das vezes, a infecção é assintomática (mais de 90% das pessoas) ou produz diarréia de pequena intensidade. Em algumas pessoas (menos de 10% dos infectados) pode ocorrer diarréia aquosa profusa de instalação súbita, potencialmente fatal, com evolução rápida (horas) para desidratação grave e diminuição acentuada da pressão sangüínea.

Transmissão

A cólera é transmitida através da ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes humanas. São necessários em média 100 milhões de víbrios (e no mínimo um milhão) ingeridos para se estabelecer a infecção, uma vez que não são resistentes à acidez gástrica e morrem em grandes números na passagem pelo estômago.

Sintomas

Cólera

As abluções rituais com água do Rio Ganges são importantes na geração de epidemias da Cólera na India

A incubação é de cerca de cinco dias. Após esse período começa abruptamente a diarréia aquosa e serosa, tipo água de arroz.

As perdas de água podem atingir os 20 litros por dia, com desidratação intensa e risco de morte, particularmente em crianças. Como são perdidos na diarréia sais assim como água, beber água doce ajuda mas não é tão eficaz como beber água com um pouco de sal.

Todos os sintomas resultam da perda de água e eletrólitos:

Diarréia volumosa e aquosa, sempre sem sangue ou muco (se contiver estes elementos trata-se de disenteria).

Dores abdominais tipo cólica.

Náuseas e vômitos.

Hipotensão com risco de choque hipovolémico (perda de volume sanguineo) fatal, é a principal causa de morte na cólera.

Taquicardia: aceleração do coração para responder às necessidades dos tecidos, com menos volume sangüíneo.

Anúria: diminuição da micção, devido à perda de liquido.

Hipotermia: a água é um bom isolante térmico e a sua perda leva a maiores flutuações perigosas da temperatura corporal.

O risco de morte é de 50% se não tratada, sendo muito mais alto em crianças pequenas. A morte é particularmente impressionante: o doente fica por vezes completamente mirrado pela desidratação, enquanto a pele fica cheia de coágulos verde-azulados devido à ruptura dos capilares cutâneos, sendo que isso é muito importante para as crianças e adultos..

Epidemiologia

A cólera é uma doença de notificação obrigatória às autoridades sanitárias.

A cólera é uma doença que existe em todos os países em que medidas de saúde pública não são eficazes para a eliminar. Ela já existiu na Europa mas com os altos níveis de saúde pública dos países europeus, foi já eliminada no início do século XX, com exceção de pequeno número de casos.

A região da América do Sul é hoje a mais freqüentemente afetada por epidemias de cólera, juntamente com a Índia. Neste último país, as grandes concentrações pouco higiênicas de multidões durante os rituais religiosos hindus no rio Ganges, são todos os anos ocasião para nova epidemia do vibrião.

Também existe de forma endêmica na África e outras regiões tropicais da Ásia.

Os seres humanos e os seus dejetos são a única fonte de infecção. Só quando água ou comida suja com fezes humanas é ingerida podem suficientes quantidades de bactérias ser ingeridas para causar a doença. As crianças, que têm a tendência de pôr tudo na boca, são mais atingidas.

As pessoas infectadas eliminam nas suas fezes quantidades extremamente altas de bactérias, sendo os portadores (individuos que possuem o víbrio no intestino mas que não desenvolvem a doença) muito raros. Há alguns casos raríssimos em que indivíduos contraíram a doença após comerem ostras contaminadas.

Existem vários serovars ou estirpes de vibrião da cólera. O eltor tem uma virulência menor e tem se tornado importante desde o seu surgimento em 1961, na Arábia.

Diagnóstico

O diagnóstico é por cultura em meio especializado alcalino de amostras fecais. A identificação é por microscopia e bioquimica.

Tratamento

O tratamento imediato é o soro fisiológico ou soro caseiro para repor a água e os sais minerais: uma pitada de sal, meia xícara de açúcar e meio litro de água tratada. No hospital, é administrado de emergência por via intravenosa solução salina. A causa é adicionalmente eliminada com doses de antibiótico (a doxiciclina).

Medicamentos antidiarreicos não são indicados, já que facilitam a multiplicação da bactéria por diminuírem o peristaltismo intestinal.

Efeitos genéticos nas populações

Os indivíduos com a doença genética ou status de portador do gene da fibrose cística, são parcialmente resistentes aos efeitos da cólera. Nas regiões mais afetadas desde tempos imemoriais (Índia), a freqüência deste gene é muito superior ao de outras regiões.

Fonte: pt.wikipedia.org

Cólera

Alimentos bem tratados, água limpa e boa higiene pessoal evitam a contaminação por uma doença que pode matar

O que é

Uma doença trasmissível, que atinge o intestino e é causada por um bacilo chamado vibrião colérico (vibro cholerae). O microrganismo depende do homem para se reproduzir.

A mortalidade da doença

50% Em casos graves quando a doença não é tratada 2% Com tratamento indicado depois dos primeiros sintomas

Onde se esconde o bacilo

O vibrião colérico se esconde em água doce, do rio, por duas

O vibrião colérico se esconde em água doce, do rio, por duas semanas , no mínimo.

Na água do mar, o bacilo permanece vivo durante um ano.

Na água do mar, o bacilo permanece vivo durante um ano.

Em superfície de frutas, legumes e verduras cruas e em alimentos congelados, vive por duas semanas.

Em superfície de frutas, legumes e verduras cruas e em alimentos congelados, vive por duas semanas.

A doença

Cólera - Figura Ilustrativa

A

O vibrião colérico entra no organismo pela boca

B

No estômago, os bacilos podem ser destruídos pelo ácido gástrico.No entanto, se estiverem em grande número pedem passar por esse obstáculo

C

Os vibriões que conseguem sobreviver se instalam no intestino delgado. O meio alcalino (não ácido) do órgão favorece a proliferação do bacilo.

Desde a entrada do bacilo no organismo até o surgimento dos primeiros sintomas, passam-se de poucas horas à cinco dias.

D

O vibrião colérico libera uma toxina que rompe o equilíbrio de sódio nas células da mucosa do intestino e provoca a perda de água. O doente passa a perder uma grande quantidade de líquidos corporais com diarréias severas.(quadro 1)

Quadro 1

Célula do Intestino

Os sintomas

diarréia intensa

câimbras musculares

desidratação

vômitos

cólicas intestinais

queda de temperatura

Tratamento

Deve ser feito no posto de saúde ou hospital mais próximo da casa do doente .O tratamento requer hidratação. O soro pode ser ministrado via oral ou endovenosa dependendo da gravidade do avanço da doença. Se tratada a tempo a doença desaparece em curto prazo.

No entanto, se o tratamento demorar a ser iniciado podem surgir complicações como :insuficiência renal aguda, hipotensão e colapso cardíaco

Prevenção

Cozinhe bem os alimentos – eles devem ser comidos imediatamente Cuidado com a higiene ao guardar alimentos cozidos

Lave as mãos com água e sabão antes de preparar alimentos, antes de se alimentar, depois de usar sanitário e de trocar fraldas de criança.

Mantenha limpa toda a superfície da cozinha e as vasilhas e pratos nos quais você come ou guarda a comida

Em caso de epidemia, evite consumir pescados, mariscos, verduras, hortaliças cruas e frutas com casca

Para tratar a água em casa coloque duas gotas de água sanitária a 2,5% em um litro de água . Espere meia hora até usar o líquido

Alimentos crus (frutas e verduras) devem ser lavados e colocados de molho por meia hora em água tratada Se a água bebida não for tratada ferva-a por cinco minutos antes de ingeri-la.

O leite deve ser sempre fervido

Lave a caixa d’água de sua casa pelo menos de seis em seis meses

Vacina

Tem efeito limitado , protegendo por um período de três a seis meses cerca de 50% dos vacinados .

Não é recomendada como medida de prevenção à saúde.

Fonte: www.santalucia.com.br

Cólera

Originária da Ásia, mais precisamente da Índia e de Bangladesh, a cólera se espalhou para outros continentes a partir de 1817.

Chegou ao Brasil no ano de 1885, invadindo os estados do Amazonas, Bahia, Pará e Rio de Janeiro.

Em 1893 a doença chegou a São Paulo, alastrando-se tanto na capital quanto no interior do estado. No entanto, no final do século XIX, o governo brasileiro declarava a doença erradicava de todo o país.

Cerca de um século depois, em abril de 1991, a cólera chegou novamente ao Brasil. Vindo o Peru, fez sua primeira vítima na cidade de Tabatinga, Amazonas.

A cólera é uma doença infecciosa que ataca o intestino dos seres humanos.

A bactéria que a provoca foi descoberta por Robert Koch em 1884 e, posteriormente, recebeu o nome de Vibrio cholerae. Ao infectar o intestino humano, essa bactéria faz com que o organismo elimine uma grande quantidade de água e sais minerais, acarretando séria desidratação.

A bactéria da cólera pode fica incubada de um a quatro dias.

Quando a doença se manifesta, apresenta os seguintes sintomas: náuseas e vômitos

cólicas abdominais

diarréia abundante, esbranquiçada como água de arroz, determinando a perda de até um litro de água por hora

cãibras

A cólera é transmitida principalmente pela água e por alimentos contaminados.

Quanto o vibrião é ingerido, instala-se no intestino do homem. Esta bactéria libera uma substância tóxica, que altera o funcionamento normal das células intestinais. Surgem, então, a diarréia e o vômito.

Os casos de cólera podem ser fatais, se o diagnóstico não for rápido e o doente não receber tratamento correto. O tratamento deve ser feito com acompanhamento médico, usando-se antibióticos para combater a infecção e medicamentos para combater a diarréia e prevenir a desidratação.

A prevenção da cólera pode ser feita através de vacina e principalmente através de medidas de higiene e saneamento básico.

A vacinação é de responsabilidade do governo. No caso da cólera, não há garantia de que todas as pessoas vacinadas fiquem imunes à doença. Estima-se que a vacina existente tenha um grau de eficácia inferior a 50%.

As medidas de saneamento básico também dependem do governo, mas cada um de nós deve fazer a sua parte. Cabe ao governo desenvolver campanhas alertando e conscientizando a população de que, com cuidados especiais e boa vontade, pode-se evitar uma epidemia da cólera.

As principais precauções são

Beber somente água filtrada ou fervidalavar as mãos com sabão antes das refeições e ao deixar o sanitáriolavar muito bem em água corrente as frutas, os legumes e as verduras antes de comê-losevitar comer alimentos crus, principalmente verduras e peixesnão deixar moscas e outros insetos pousar nos alimentos

Fonte: www.portalbrasil.net




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