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Nomenclatura dos Ácidos

Nomenclatura dos Ácidos

 

NOX Elemento

Nome do Ácido

-1, -2

Elemento + ÍDRICO

+1

HIPO + Elemento + OSO

+3, +4

Elemento + OSO

+h, +6

Elemento + ICO

+7

PER – Elemento + ICO

Tabela – Nomenclatura dos ácidos Exceções:

B e C, quando ligados a: O2 = OSO

                                      O3 = ICO

Nomenclatura dos Ácidos

Uso de alguns ácidos importantes:

Nomenclatura dos Ácidos

HCl   – Ácido estomacal

HF    – Ácido usado por vidraceiros

HCN  – Ácido presente nas câmaras de gás

HClO  - Água sanitária (clorofina)

H2CO3 - Bebidas gasosas

H2S  - Ovos podres

CH3COOH  – Vinagre

Fórmula

Nome

Fórmula

Nome

HAlO2 Ácido Alumínico HIO4 Ácido Periódico
H3BO3 Ácido Bórico H2MnO4 Ácido Mangânico
HBrO2 Ácido Bromoso HMnO4 Ácido Permangânico
H2CO3 Acído Carbônico HNO2 Ácido Nitroso
HCN Ácido Cianídrico HNO3 Ácido Nítrico
HClO Ácido Hipocloroso H2PO2 Ácido Metafosfórico
HCl Ácido Clorídrico H3PO4 Ácido (Orto)fosfórico
HCrO4 Ácido Crômico H4P2O7 Ácido Pirofosfórico
H2CrO7 Àcido Dicrômico H2S Ácido Sulfídrico
HF Ácido Fluorídrico H2SO3 Ácido Sulfuroso
HFO3 Ácido Fluórico H2SO4 Ácido Sulfúrico
HI Ácido Iodídrico H2ZnO2 Ácido Zíncico

Tabela – Principais Ácidos

Nomenclatura dos Hidróxidos

Hidróxido de Elemento + Valência

Alguns Hidróxidos importantes:

Nomenclatura dos Ácidos

Nomenclatura dos Ácidos

Nomenclatura dos Sais

(Ânion + Terminação) de Cátion + Valência


Quando o ácido formado pelo Ãnion terminar em

A terminação do Ânio será

ÍDRICO

ETO

OSO

ITO

ICO

ATO

Nomenclatura dos Ácidos

Classificação e nomenclatura de ácidos, bases e sais

1. Nomenclatura: o início

“Água fagedênica”, “pó de Algarotti”, “sal de Alembroth”, “vitríolo azul”, “colcotar”, “litargírio”, “galena”, “óleo de tártaro por desfalecimento”, “óleo de tártaro pelo sino”, “óleo de vitríolo”, “manteiga de antimônio”, “manteiga de arsênico” “branco de Troyes” e “flôres de zinco”. Esse era o modo como os alquimistas da Idade Média, considerados por muitos os precursores dos químicos, denominavam as substâncias. No entanto, esses nomes estranhos e complicados não nos dizem nada, não é mesmo? Eles nada revelam sobre a classe e os componentes de cada substância.

Antoine Laurent Lavoisier, um químico francês do século XVIII, considerado o maior cientista da história da Química, foi um dos primeiros a chamar a atenção para o problema da nomenclatura. Em 1789, Lavoisier, em colaboração com Louis B. Guyton de Morveau e Antoine F. Fourcroy, publicou o livro que é considerado o marco da Química moderna, Traité Elémentaire de Chêmie (“Tratado Elementar de Química”), no qual propôs uma nomenclatura química sistemática e racional.

Sobre a nomenclatura usada pelos alquimistas, Lavoisier afirmou:

"É necessário grande hábito e muita memória para nos lembrarmos das substâncias que os nomes exprimem e, sobretudo para reconhecer a que gênero de combinações pertencem".

(A.L. Lavoisier, Traité Elémentaire de Chêmie).

A nova nomenclatura estabeleceu nomes que expressavam a natureza química ou a composição da substância. “Litargírio”, “branco de Troyes” e “vitríolo azul”, por exemplo, passaram a se chamar, respectivamente, “óxido de chumbo”, “carbonato de cálcio” e “sulfato de cobre”.

Observe que os novos nomes trazem informações valiosas sobre a composição desses compostos:

1. O primeiro possui chumbo em sua estrutura, o segundo cálcio e o terceiro cobre

2. O óxido de chumbo contém, além do chumbo, oxigênio

3. O carbonato de cálcio contém, além do cálcio, carbono e oxigênio

4. O sulfato de cobre contém, além do cobre, enxofre.

E não é só isso! A nova nomenclatura nos ajuda ainda a classificar os compostos, ou seja, a partir dos novos nomes podemos identificar diferenças e semelhanças entre eles.

Vamos explicar melhor: acima temos um exemplo de óxido, um de carbonato e um de sulfato. “Flores de zinco”, que passou a chamar “óxido de zinco”, é um outro exemplo de óxido. Muito fácil concluir isso pelo seu novo nome, mas não é possível dizer o mesmo sobre o nome antigo! Perceberam a importância da nova nomenclatura? Com certeza, a elaboração de uma nomenclatura sistemática foi uma das maiores contribuições de Lavoisier à Química. Mas as mudanças não podiam parar por aí. Mesmo com a nova nomenclatura, os cientistas continuavam usando os símbolos da alquimia para identificar os elementos, que, assim como os nomes, só confundiam a todos. E é claro que isso também precisava ser mudado.

Essa mudança veio no início do século XIX, com o trabalho do cientista sueco Jöns Jacob Berzelius.

Berzelius completou a reforma na nomenclatura química iniciada por Lavoisier, substituindo os símbolos químicos usados pelos alquimistas (que além de confusos, variavam muito de país para país) por letras (Tabela 1). Cada elemento químico passou então a ter como símbolo a primeira letra de seu nome em latim. Quando dois elementos começavam pela mesma letra, usava-se a primeira e a segunda letra do nome para identificá-los, ou a primeira e alguma outra letra do nome.

Disse Berzelius:

“Os sinais químicos devem ser letras, para maior facilidade de anotação. Portanto, tomou-se como símbolo químico a letra inicial do nome latino (ou comum) de cada elemento químico” (J. Berzelius, 1814).

Tabela 1: Símbolos químicos usados pelos alquimistas e pela Química moderna

 

Nomenclatura dos Ácidos

É importante salientar que a simbologia proposta por Berzelius, em 1918, é usada nos dias de hoje praticamente sem alterações. Já a nomenclatura química, utilizada atualmente, é regulamentada pela IUPAC (sigla para o nome em inglês da União Internacional de Química Pura e Aplicada), que estabelece regras que são seguidas por toda a comunidade química.

2. Por que classificar?

Bem, com tudo isso, fica clara a importância da nomenclatura e da simbologia, não é mesmo? Então, vamos falar agora da importância de classificar as substâncias. Isso vai ser fácil, basta pensar no que seria dos estudantes, dos professores e dos cientistas sem a Tabela Periódica, que classifica mais de 100 elementos, levando em consideração suas propriedades químicas e físicas. Seria como chegar a uma biblioteca e não encontrar os livros organizados por assunto, autor e título. Nessas condições, achar um livro seria uma tarefa quase impossível! Na verdade, nós não nos damos conta do quanto classificamos em nosso dia-a-dia. Classificar significa ordenar e dispor em classes e está relacionado com as necessidades da utilização da informação. O homem, em todas as suas atividades diárias, naturalmente classifica e, desse modo, tenta organizar o conhecimento. Quanto maior o número de informações, maior é a necessidade de organizá-las.

As substâncias químicas são classificadas como inorgânicas e orgânicas. As inorgânicas são aquelas que não possuem cadeias carbônicas, e as orgânicas são as que possuem. As substâncias inorgânicas são divididas em quatro grupos, chamados de “funções inorgânicas”.

São eles: ácidos, bases, sais e óxidos.

As substâncias orgânicas são dividas em hidrocarbonetos, funções halogenadas, funções oxigenadas e funções nitrogenadas e, do mesmo modo, os grupos são denominados “funções orgânicas” (Figura 1).

Nomenclatura dos Ácidos
Figura 1: Classificação das substâncias químicas

As substâncias pertencentes a cada um dos grupos mostrados na Figura 1, possuem propriedades químicas em comum. O que confere às propriedades as substâncias participantes de uma mesma função é sua capacidade de reagir. Substâncias que reagem da mesma forma, quando colocadas em uma mesma situação, geralmente pertencem à mesma função.

No momento, vamos nos concentrar em três das funções inorgânicas: ácidos, bases e sais. Vejamos cada uma delas separadamente.

3. Os ácidos

Segundo o conceito de Arrhenius, ácidos são substâncias que, em solução aquosa, aumentam a concentração de íons hidrogênio, H+(aq), na água. O ácido clorídrico, HCl, por exemplo, à temperatura ambiente, é um gás. Quando dissolvido em água, o HCl forma íons H+(aq) e Cl-(aq) (Equação 1). Mas, como será que isso ocorre?

Na molécula de HCl, os átomos de hidrogênio e de cloro estão unidos por uma ligação covalente (H– Cl). Em solução aquosa, a ligação covalente é rompida, com a consequente formação de íons H+(aq) e Cl- (aq). Esse processo é chamado de ionização. Como a ionização do HCl leva à formação de íons H+(aq), ele é um ácido, segundo o conceito de Arrhenius.

A fórmula HCl nos diz que esse ácido é formado por um átomo de hidrogênio e um de cloro. Logo, não há oxigênios em sua estrutura. Por isso, o HCl é classificado como hidrácido. Portanto, hidrácido é qualquer ácido que não possui átomos de oxigênio em sua estrutura.

O nome ácido clorídrico é a combinação da palavra ácido, seguida do nome do elemento (nesse caso, o cloro), mais o sufixo ídrico.

Os nomes de todos os hidrácidos são obtidos desta mesma forma:

ácido + [nome do elemento] + ídrico

A Tabela 2 apresenta outros exemplos de hidrácidos e sua respectiva nomenclatura.

Tabela 2: Estrutura e nomenclatura de alguns hidrácidos

Nomenclatura dos Ácidos

Agora você já sabe que toda vez que encontrar um ácido cujo nome termine com o sufixo ídrico, tratarse- á de um ácido que não possui átomos de oxigênio em sua estrutura e que, portanto, é classificado como hidráxido.

E o ácido sulfúrico, H2SO4? Como ele é classificado? Como seu nome pode ser obtido? Olhando apenas para o nome ‘ácido sulfúrico’ já sabemos que não se trata de um hidrácido, pois, nesse caso, o sufixo é ico e não ídrico. Olhando agora apenas a fórmula, H2SO4, vemos que há quatro átomos de oxigênio na estrutura, e chegamos à mesma conclusão anterior, ou seja, que não se trata de um hidráxido.

O ácido sulfúrico, assim como todos os outros ácidos que possuem átomos de oxigênio em sua estrutura, são classificados como oxiácidos.

A Tabela 3 traz outros exemplos de oxiácidos e seus respectivos nomes:

Tabela 3: Estrutura e nomenclatura de alguns oxiácidos

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Olhando atentamente a Tabela 3, percebemos que nem todos os oxiácidos têm o nome terminado em ico, como é o caso do ácido sulfúrico. Alguns nomes terminam com o sufixo oso. O que será que isso quer dizer? À primeira vista, parece que tem a ver com o número de átomos de oxigênios na estrutura.

Vejamos:

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E como ficaria, então, a nomenclatura dos seguintes ácidos: HClO4, HClO3, HClO2 e HClO? Apenas os sufixos ico e oso não são suficientes para diferenciar esses quatro ácidos, não é mesmo? O que fazer?

Uma forma comum de nomear os compostos químicos é por meio da atribuição de diferentes sufixos e prefixos. Veja, então, na Tabela 4, como ficam os nomes desses quatro oxiácidos.

Tabela 4: Estrutura e nomenclatura de oxiácidos contendo átomos de cloro

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Observa-se novamente que a diferença entre os quatro ácidos listados na Tabela 4 é o número de átomos de oxigênio. Mas não é só isso. Os diferentes sufixos e prefixos indicam o estado de oxidação (também chamado de número de oxidação) do átomo central do ácido. Vamos rever todos os exemplos anteriores na Tabela 5, voltando nossa atenção para os estados de oxidação dos elementos centrais de cada ácido.

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Tabela 5: Estrutura, nomenclatura, átomo central e número de oxidação do átomo central de alguns oxiácidos

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Por que a Tabela 5 lista quatro exemplos de ácidos quando o átomo central é o cloro, e apenas dois exemplos quando o átomo central é o nitrogênio ou o enxofre? Isso deve ter alguma explicação, não é mesmo? O que ocorre é que nem todos os elementos possuem tantos estados de oxidação possíveis quanto o cloro. O nitrogênio e o enxofre, por exemplo, formam apenas dois oxiácidos.

Observando esses exemplos, fica fácil perceber que o sufixo ico é usado para os estados de oxidação mais elevados, enquanto que o sufixo oso é usado para os mais baixos. No caso de um número maior de estados de oxidação possível, usa-se o prefixo per para o maior deles e o prefixo hipo para o menor, como foi o caso do cloro.

A Tabela 5 nos dá uma outra informação importante. Vocês devem ter percebido que em todos os exemplos de oxiácidos listados, o número de oxidação do átomo central é positivo. Isso ocorre para todos os oxiácidos. Nos hidrácidos, ao contrário, o número de oxidação do átomo central é negativo. No HCl, por exemplo, o número de oxidação do cloro é -1.

A nomenclatura dos oxiácidos pode, então, ser resumida do seguinte modo:

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Vimos que os ácidos são classificados como hidrácidos ou oxiácidos. Eles podem também ser classificados como fortes e fracos. Quanto maior for a capacidade de um ácido de ionizar-se em solução aquosa, maior será a quantidade de íons H+ produzidos e mais forte será o ácido. Portanto, a quantidade de moléculas que ionizam, produzindo íons H+ determina a força dos ácidos.

Vamos, então, falar um pouquinho sobre as bases.

4. As bases

Segundo o conceito de Arrhenius, bases são substâncias que, em solução aquosa, aumentam a concentração de íons hidróxidos, OH-(aq), na água. O hidróxido de sódio, NaOH, é um sólido iônico.

Nele, a ligação não é entre átomos, mas entre os íons Na+ e OH-. Ao contrário das moléculas de HCl, que sofrem ionização em solução aquosa, os íons do NaOH se dissociam.

Observe o esquema abaixo:

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A Figura 2 ilustra a dissociação dos íons Na+ e OH- em solução aquosa

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Figura 2: Desenho esquemático dos íons Na+ e OH- no estado sólido e em solução aquosa

Como o OH- é um dos íons liberados na dissociação do NaOH, esse composto é uma base segundo o conceito de Arrhenius.

O nome hidróxido de sódio é a combinação das palavras ‘hidróxido de’, seguidas pelo nome do cátion, nesse caso, o sódio. Veja outros exemplos na Tabela 6.

Tabela 6: Estrutura e nomenclatura de algumas bases

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Mas será que todas as bases podem ser nomeadas dessa mesma maneira? Que nome você daria para o Fe(OH)2? Hidróxido de ferro? Poderia ser, mas o ferro também pode formar o Fe(OH)3. Dois compostos químicos diferentes não podem ter o mesmo nome, portanto é preciso diferenciar o Fe(OH)2 do Fe(OH)3. Nos exemplos listados na Tabela 6 não há esse problema, pois o potássio e o lítio são metais alcalinos e, nesse caso, o único número de oxidação possível é +1. O magnésio e o cálcio são metais alcalinos terrosos e sempre vão apresentar número de oxidação +2. O ferro, por outro lado, pode apresentar número de oxidação +2 ou +3.

Há duas maneiras de nomear o Fe(OH)2 e o Fe(OH)3. A primeira delas consiste em colocar o número de oxidação do metal em algarismo romano. Desse modo, esses compostos seriam chamados de hidróxido de ferro(II) e hidróxido de ferro(III). Outra possibilidade é usar os sufixos oso e ico. Assim, teríamos, hidróxido ferroso e hidróxido férrico.

Portanto, podemos resumir a nomenclatura das bases do seguinte modo:

1. Se o cátion apresentar apenas um número de oxidação:

hidróxido de + [nome do cátion]

2. Se o cátion apresentar mais de um número de oxidação:

hidróxido de + [nome do cátion] + número de oxidação do metal em algarismos romanos

ou

hidróxido de + [nome do cátion] + oso

hidróxido de + [nome do cátion] + ico

As bases, assim como os ácidos, podem ainda ser classificadas como fortes e fracas. Bases fortes são aquelas que se dissolvem mais facilmente em água, gerando uma maior quantidade de íons OHdissociados.

Há, no entanto, uma exceção. O hidróxido de amônio, Nh2OH, embora seja muito solúvel em água, é uma base fraca.

Vamos, então, passar para os sais.

5. Os sais

A maioria das pessoas quando ouve a palavra sal pensa no sal de cozinha. Mas, se você disser a palavra sal para um químico, ele provavelmente irá lhe perguntar de que sal você está falando. Pois o sal de cozinha (cloreto de sódio, NaCl) é apenas um exemplo dessa enorme classe de substâncias.

Sais são compostos iônicos que, em solução aquosa, se dissociam, formando pelo menos um cátion diferente do hidrogênio, H+(aq), e um ânion diferente da hidroxila, OH-(aq), e do oxigênio, O2-(aq). Os sais podem ser obtidos através de reações de neutralização entre um ácido e uma base. A reação entre o ácido clorídrico, HCl, e o hidróxido de sódio, NaOH, por exemplo, forma o sal cloreto de sódio, NaCl, e a água (Equação 3).

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(Equação 3)

O NaCl é formado pelo cátion Na+, vindo da base NaOH, e pelo ânion Cl-, vindo do ácido HCl. Isso irá acontecer em todos os casos, ou seja, o ácido sempre irá formar o ânion do sal e a base, o cátion.

E quanto ao nome cloreto de sódio? Como ele é formado? Como dito anteriormente, o ânion cloreto, Cl-, é derivado do ácido clorídrico, que é um hidrácido. Toda vez que o ânion for formado a partir de um hidrácido terá o sufixo eto. A Tabela 7 mostra alguns exemplos.

Tabela 7: Estrutura e nomenclatura de alguns hidrácidos e seus ânions correspondentes

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Vamos agora examinar um outro exemplo de sal, o sulfato de sódio, Na2SO4. Esse sal pode ser obtido através da reação entre o hidróxido de sódio, NaOH, e o ácido sulfúrico, H2SO4(Equação 4).

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(Equação 3)

O Na2SO4 é formado pelo cátion Na+, vindo da base NaOH, e pelo ânion SO4 2-, vindo do ácido H2SO4. O H2SO4 é um oxiácido cujo nome termina com o sufixo ico. Por isso, o nome do ânion SO4 2- é formado pelo sufixo ato (sulfato). Generalizando, quando o nome do oxiácido terminar com o sufixo ico, o nome de seu ânion correspondente será formado pelo sufixo ato.

Mas, nós sabemos que nem todos os oxiácidos têm o nome terminado com o sufixo ico. Alguns terminam pelo sufixo oso. Nesse caso, o nome do ânion correspondente terá o sufixo ito.

Para que tudo isso fique mais claro, vamos examinar os exemplos da Tabela 8.

Tabela 8: Estrutura e nomenclatura de alguns oxiácidos e de seus ânions correspondentes e alguns exemplos de sais

Nomenclatura dos Ácidos

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O nome dos sais é, portanto formado pelo nome do ânion seguido do nome do cátion:

[nome do ânion] + de + [nome do cátion]

O nome do ânion pode ser obtido segundo as regras que estão resumidas na Tabela 9.

Tabela 9: Regra geral para obtenção dos nomes dos ânions

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6. Considerações finais

Esperamos que esse texto tenha deixado clara a importância da nomenclatura e da classificação para a Química e para a ciência. As regras apresentadas visam facilitar o reconhecimento das funções inorgânicas ácido, base e sais.

Letícia R.Teixeira

Fonte: web.ccead.puc-rio.br

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No caso dos ácidos dá-se o nome de acordo com o ânion correspondente, substituindo-se a terminação desses ânions por outra específica para ácidos.

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As fórmulas dos ácidos mais conhecidos estão apresentadas abaixo com os ânions correspondentes.

Note que o número de hidrogênios corresponde à carga de ânions:

Terminação do íon

Terminação do ácido

eto

ídrico

ito

oso

ato

ico

 

Fórmula

Nome do ânion

 Ácido

 Nome do ácido

fluoreto

ácido fluorídrico 

cloreto

ácido clorídrico

brometo

ácido bromídrico 

iodeto

ácido iodídrico 

hipoclorito

ácido hipocloroso

clorito

ácido cloroso 

 clorato

ácido clórico 

perclorato

ácido perclórico 

hipobromito

ácido hipobromoso

 bromato

 ácido brômico 

hipoiodito

ácido hipoiodoso 

 iodato

ácido iódico 

periodato

ácido periódico

nitrito

ácido nitroso 

nitrato

ácido nítrico 

 hipofosito

ácido hipofosforoso

fosfito

ácido fosforoso 

fosfato

ácido fosfórico

metafosfato

ácido metafosfórico 

pirofosfato

ácido pirofosfórico 

sulfeto

ácido sulfídrico 

sulfito

ácido sulforoso 

sulfato

ácido sulfúrico 

tiosulfato

ácido tiosulfúrico 

cianeto

ácido cianídrico 

carbonato

ácido carbônico

permanganato

ácido permangânico 

dicromato

ácido dicrômico

F –

HF

Cl –

HCI

Br –

HBr

I –

Hl

ClO –

HClO

ClO2–

 HClO2

ClO3–

 HClO3

ClO4–

  HClO4

BrO –

HBrO

BrO3–

HBrO3

IO –

HIO

IO3–

 HIO3

IO4–

HIO4

NO2-

HNO2

NO3–

HNO3

H2PO2–

h2PO2

HPO3 2 –

h2PO3

PO4 3 –

h2PO4

PO3–

 HPO3

P2O7 4 –

H4P2O7

S 2 –

H2S

SO3 2 –

H2SO3

SO4 2 –

H2SO4

S2O32 –

H2S2O3

CN –

HCN

CO3 2 –

H2CO3

MnO4 –

HMnO4

Cr2O7 2 –

H2Cr2O7

Fonte: www.klickeducacao.com.br

Nomenclatura dos Ácidos

Classificação e nomenclatura de ácidos, bases e sais

1. Nomenclatura: o início

“Água fagedênica”, “pó de Algarotti”, “sal de Alembroth”, “vitríolo azul”, “colcotar”, “litargírio”, “galena”, “óleo de tártaro por desfalecimento”, “óleo de tártaro pelo sino”, “óleo de vitríolo”, “manteiga de antimônio”, “manteiga de arsênico” “branco de Troyes” e “flôres de zinco”. Esse era o modo como os alquimistas da Idade Média, considerados por muitos os precursores dos químicos, denominavam as substâncias. No entanto, esses nomes estranhos e complicados não nos dizem nada, não é mesmo? Eles nada revelam sobre a classe e os componentes de cada substância.

Antoine Laurent Lavoisier, um químico francês do século XVIII, considerado o maior cientista da história da Química, foi um dos primeiros a chamar a atenção para o problema da nomenclatura. Em 1789, Lavoisier, em colaboração com Louis B. Guyton de Morveau e Antoine F. Fourcroy, publicou o livro que é considerado o marco da Química moderna, Traité Elémentaire de Chêmie (“Tratado Elementar de Química”), no qual propôs uma nomenclatura química sistemática e racional.

Sobre a nomenclatura usada pelos alquimistas, Lavoisier afirmou:

"É necessário grande hábito e muita memória para nos lembrarmos das substâncias que os nomes exprimem e, sobretudo para reconhecer a que gênero de combinações pertencem".

(A.L. Lavoisier, Traité Elémentaire de Chêmie).

A nova nomenclatura estabeleceu nomes que expressavam a natureza química ou a composição da substância. “Litargírio”, “branco de Troyes” e “vitríolo azul”, por exemplo, passaram a se chamar, respectivamente, “óxido de chumbo”, “carbonato de cálcio” e “sulfato de cobre”.

Observe que os novos nomes trazem informações valiosas sobre a composição desses compostos:

1. O primeiro possui chumbo em sua estrutura, o segundo cálcio e o terceiro cobre

2. O óxido de chumbo contém, além do chumbo, oxigênio

3. O carbonato de cálcio contém, além do cálcio, carbono e oxigênio

4. O sulfato de cobre contém, além do cobre, enxofre.

E não é só isso! A nova nomenclatura nos ajuda ainda a classificar os compostos, ou seja, a partir dos novos nomes podemos identificar diferenças e semelhanças entre eles.

Vamos explicar melhor: acima temos um exemplo de óxido, um de carbonato e um de sulfato. “Flores de zinco”, que passou a chamar “óxido de zinco”, é um outro exemplo de óxido. Muito fácil concluir isso pelo seu novo nome, mas não é possível dizer o mesmo sobre o nome antigo! Perceberam a importância da nova nomenclatura? Com certeza, a elaboração de uma nomenclatura sistemática foi uma das maiores contribuições de Lavoisier à Química. Mas as mudanças não podiam parar por aí. Mesmo com a nova nomenclatura, os cientistas continuavam usando os símbolos da alquimia para identificar os elementos, que, assim como os nomes, só confundiam a todos. E é claro que isso também precisava ser mudado.

Essa mudança veio no início do século XIX, com o trabalho do cientista sueco Jöns Jacob Berzelius.

Berzelius completou a reforma na nomenclatura química iniciada por Lavoisier, substituindo os símbolos químicos usados pelos alquimistas (que além de confusos, variavam muito de país para país) por letras (Tabela 1). Cada elemento químico passou então a ter como símbolo a primeira letra de seu nome em latim. Quando dois elementos começavam pela mesma letra, usava-se a primeira e a segunda letra do nome para identificá-los, ou a primeira e alguma outra letra do nome.

Disse Berzelius:

“Os sinais químicos devem ser letras, para maior facilidade de anotação. Portanto, tomou-se como símbolo químico a letra inicial do nome latino (ou comum) de cada elemento químico” (J. Berzelius, 1814).

Tabela 1: Símbolos químicos usados pelos alquimistas e pela Química moderna

 

Nomenclatura dos Ácidos

É importante salientar que a simbologia proposta por Berzelius, em 1918, é usada nos dias de hoje praticamente sem alterações. Já a nomenclatura química, utilizada atualmente, é regulamentada pela IUPAC (sigla para o nome em inglês da União Internacional de Química Pura e Aplicada), que estabelece regras que são seguidas por toda a comunidade química.

2. Por que classificar?

Bem, com tudo isso, fica clara a importância da nomenclatura e da simbologia, não é mesmo? Então, vamos falar agora da importância de classificar as substâncias. Isso vai ser fácil, basta pensar no que seria dos estudantes, dos professores e dos cientistas sem a Tabela Periódica, que classifica mais de 100 elementos, levando em consideração suas propriedades químicas e físicas. Seria como chegar a uma biblioteca e não encontrar os livros organizados por assunto, autor e título. Nessas condições, achar um livro seria uma tarefa quase impossível! Na verdade, nós não nos damos conta do quanto classificamos em nosso dia-a-dia. Classificar significa ordenar e dispor em classes e está relacionado com as necessidades da utilização da informação. O homem, em todas as suas atividades diárias, naturalmente classifica e, desse modo, tenta organizar o conhecimento. Quanto maior o número de informações, maior é a necessidade de organizá-las.

As substâncias químicas são classificadas como inorgânicas e orgânicas. As inorgânicas são aquelas que não possuem cadeias carbônicas, e as orgânicas são as que possuem. As substâncias inorgânicas são divididas em quatro grupos, chamados de “funções inorgânicas”.

São eles: ácidos, bases, sais e óxidos.

As substâncias orgânicas são dividas em hidrocarbonetos, funções halogenadas, funções oxigenadas e funções nitrogenadas e, do mesmo modo, os grupos são denominados “funções orgânicas” (Figura 1).

Nomenclatura dos Ácidos
Figura 1: Classificação das substâncias químicas

As substâncias pertencentes a cada um dos grupos mostrados na Figura 1, possuem propriedades químicas em comum. O que confere às propriedades as substâncias participantes de uma mesma função é sua capacidade de reagir. Substâncias que reagem da mesma forma, quando colocadas em uma mesma situação, geralmente pertencem à mesma função.

No momento, vamos nos concentrar em três das funções inorgânicas: ácidos, bases e sais. Vejamos cada uma delas separadamente.

3. Os ácidos

Segundo o conceito de Arrhenius, ácidos são substâncias que, em solução aquosa, aumentam a concentração de íons hidrogênio, H+(aq), na água. O ácido clorídrico, HCl, por exemplo, à temperatura ambiente, é um gás. Quando dissolvido em água, o HCl forma íons H+(aq) e Cl-(aq) (Equação 1). Mas, como será que isso ocorre?

Na molécula de HCl, os átomos de hidrogênio e de cloro estão unidos por uma ligação covalente (H– Cl). Em solução aquosa, a ligação covalente é rompida, com a consequente formação de íons H+(aq) e Cl- (aq). Esse processo é chamado de ionização. Como a ionização do HCl leva à formação de íons H+(aq), ele é um ácido, segundo o conceito de Arrhenius.

A fórmula HCl nos diz que esse ácido é formado por um átomo de hidrogênio e um de cloro. Logo, não há oxigênios em sua estrutura. Por isso, o HCl é classificado como hidrácido. Portanto, hidrácido é qualquer ácido que não possui átomos de oxigênio em sua estrutura.

O nome ácido clorídrico é a combinação da palavra ácido, seguida do nome do elemento (nesse caso, o cloro), mais o sufixo ídrico.

Os nomes de todos os hidrácidos são obtidos desta mesma forma:

ácido + [nome do elemento] + ídrico

A Tabela 2 apresenta outros exemplos de hidrácidos e sua respectiva nomenclatura.

Tabela 2: Estrutura e nomenclatura de alguns hidrácidos

Nomenclatura dos Ácidos

Agora você já sabe que toda vez que encontrar um ácido cujo nome termine com o sufixo ídrico, tratarse- á de um ácido que não possui átomos de oxigênio em sua estrutura e que, portanto, é classificado como hidráxido.

E o ácido sulfúrico, H2SO4? Como ele é classificado? Como seu nome pode ser obtido? Olhando apenas para o nome ‘ácido sulfúrico’ já sabemos que não se trata de um hidrácido, pois, nesse caso, o sufixo é ico e não ídrico. Olhando agora apenas a fórmula, H2SO4, vemos que há quatro átomos de oxigênio na estrutura, e chegamos à mesma conclusão anterior, ou seja, que não se trata de um hidráxido.

O ácido sulfúrico, assim como todos os outros ácidos que possuem átomos de oxigênio em sua estrutura, são classificados como oxiácidos.

A Tabela 3 traz outros exemplos de oxiácidos e seus respectivos nomes:

Tabela 3: Estrutura e nomenclatura de alguns oxiácidos

Nomenclatura dos Ácidos

Olhando atentamente a Tabela 3, percebemos que nem todos os oxiácidos têm o nome terminado em ico, como é o caso do ácido sulfúrico. Alguns nomes terminam com o sufixo oso. O que será que isso quer dizer? À primeira vista, parece que tem a ver com o número de átomos de oxigênios na estrutura.

Vejamos:

Nomenclatura dos Ácidos

E como ficaria, então, a nomenclatura dos seguintes ácidos: HClO4, HClO3, HClO2 e HClO? Apenas os sufixos ico e oso não são suficientes para diferenciar esses quatro ácidos, não é mesmo? O que fazer?

Uma forma comum de nomear os compostos químicos é por meio da atribuição de diferentes sufixos e prefixos. Veja, então, na Tabela 4, como ficam os nomes desses quatro oxiácidos.

Tabela 4: Estrutura e nomenclatura de oxiácidos contendo átomos de cloro

Nomenclatura dos Ácidos

Observa-se novamente que a diferença entre os quatro ácidos listados na Tabela 4 é o número de átomos de oxigênio. Mas não é só isso. Os diferentes sufixos e prefixos indicam o estado de oxidação (também chamado de número de oxidação) do átomo central do ácido. Vamos rever todos os exemplos anteriores na Tabela 5, voltando nossa atenção para os estados de oxidação dos elementos centrais de cada ácido.

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