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Meio Ambiente

Voçoroca

Voçoroca

 

VOÇOROCAS: PROCESSOS DE FORMAÇÃO, PREVENÇÃO E MEDIDAS CORRETIVAS

INTRODUÇÃO

A retirada da vegetação de uma área deixa-a exposta à erosão, causada pela queda das gotículas de água, provenientes principalmente das chuvas, o que acaba acarretando em um movimento de massa no solo. “O processo responsável pela desagregação do solo, após a retirada da camada vegetal em sua superfície, é o impacto das gotículas da água da chuva [...], com isso os sedimentos são transportados de um local para outro” (GUERRA, 2001).

Após um longo período chuvoso, esses impactos da água com o solo acabam gerando um fluxo de sedimentos que podem originar ravinas, e processo for contínuo e provocar um incessante aprofundamento do solo, pode-se chegar ao nível de uma voçoroca. Ainda segundo GUERRA (2001), voçoroca pode ser compreendida como “escavação ou rasgão de solo ou rocha decomposta, ocasionado pela erosão do lençol do escoamento superficial”.

Erosões do tipo voçorocas podem chegar a vários metros de comprimento e de profundidade, devido ao fluxo de água que é possibilitado em seu interior, causando uma grande movimentação de partículas.

Algumas voçorocas podem chegar até mesmo ao nível do lençol freático do local onde ocorrem. Sobre isso, FERREIRA (2007), afirma que, “as voçorocas são consideradas um dos piores problemas ambientais em áreas de rochas cristalinas nas regiões tropicais de montanha onde são freqüentes e podem alcançar grandes dimensões”.

O objetivo desse trabalho é discutir a formação, bem como propor algumas medidas preventivas e também algumas soluções para conter o avanço das voçorocas, observadas na bibliografia utilizada, já que o voçorocamento gera grandes impactos no ambiente em que se desenvolve, principalmente quando se desenvolve em ambientes urbanos, como mostra a figura abaixo:

Voçoroca
Voçoroca em ambiente urbano

A aplicação dos métodos propostos neste e em outros trabalhos, devem ser aplicados somente depois de realizado um profundo estudo da área atingida, levando-se em consideração vários aspectos da região, como tipo de solo, o relevo do entorno, se há populações sendo atingidas, sejam elas pertencentes à fauna ou à flora, a viabilidade ou não de uma intervenção, a periodicidade e quantidade de precipitação na região, dentre outros fatores.

PROCESSOS DE FORMAÇÃO, MEDIDAS PREVENTIVAS E CORRETIVAS PARA O CONTROLE DAS VOÇOROCAS

Nesta parte do trabalho serão apresentados alguns dos processos de formação das voçorocas, para descobrir como se forma e como se desenvolvem; algumas medidas de prevenção, para saber o que se pode fazer para evitar que uma voçoroca comece a se formar em um determinado local; e também medidas corretivas, algumas medidas para mitigar o aparecimento das voçorocas caso elas sejam um problema para o ambiente em que se formam.

PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE VOÇOROCAS

Para Ab’Saber (1968), o processo de formação das voçorocas esta associado a paisagens de onde foi retirada a sua cobertura vegetal. Nestas paisagens, a água de escoamento superficial ao percolar linearmente no solo, e atingir o lençol freático, compromete a estabilidade da área e gera a formação de voçorocas.

As “voçorocas podem ser o resultado de erosão superficial, erosão subsuperficial e movimentos de massa” (BACELLAR, 2006).

De acordo com PEREIRA, entre outros, (sem data), segundo sua classificação, “as voçorocas podem ser classificadas conforme seu grau de desenvolvimento em: ativa, inativa e paleovoçoroca”, seguindo seu raciocínio “o grau de atividade pode ser definido pelo grau de suavização de suas bordas e pela presença de vegetação” (PEREIRA et al., sem data), voçorocas com níveis baixos de vegetação e com encostas mais íngremes são classificadas como ativas.

Segundo BACELLAR (2006), o processo de desenvolvimento se dá nos diferentes seguimentos das encostas das voçorocas, onde atuam diferentes processos de erosão, ocorrendo pequenos deslizamentos rotacionais, o que acabará gerando um fluxo de movimento de massa, mesmo após o período chuvoso.

Ainda segundo BACELLAR (2006), existem fatores que atuam na intensidade da erosão: a erosividade do agente (potencial de erosão da água), e a erodibilidade do solo (representa a suscetibilidade erosão do solo).

As imagens abaixo mostram a evolução de um quadro de voçorocamento, observado no município de Uberlândia-MG, nas proximidades da Fazenda do Glória:

VoçorocaVoçoroca na Fazenda do Glória – 7 de novembro de 2005

Voçoroca
Voçoroca na Fazenda do Glória – 20 de julho de 2007

Observando as imagens acima, podemos notar a evolução da voçoroca presente na imagem, que sofreu um grande aprofundamento no período de novembro de 2005 a julho de 2007. Esse fenômeno pode ser observado em um grande número de voçorocas existentes. Caso não sejam feitas intervenções pelo homem, o processo possivelmente não será contido, já que as voçorocas aparecem preferencialmente em regiões onde ocorrem chuvas periódicas, o principal fator que contribui para o surgimento e o desenvolvimento do fenômeno de voçorocamento.

Existem alguns fatores condicionantes ao surgimento das voçorocas, definindo uma maior propensão ao surgimento e desenvolvimento do voçorocamento em algumas regiões.

Dentre os fatores existentes para esse condicionamento, alguns que são destacados por BACELLAR (2006), dentre os quais:

Fatores antrópicos, como queimadas, desmatamento e manejo inadequado de plantações

Fatores geológicos passivos e ativos

Fatores pedológicos

Fatores climáticos ativos e passivos

Fatores geomorfológicos.

PREVENÇÃO

Existem locais onde o aparecimento das voçorocas tem uma maior probabilidade de ocorrer. Locais onde “a declividade é alta, a superfície do solo foi degradada, há concentração de enxurradas da bacia, ou por influência do escoamento da água” (PEREIRA et al., sem data), são mais propensos ao voçorocamento, por isso exigem uma atenção especial e o emprego de técnicas para a prevenção da ocorrência da erosão que provocará o surgimento de uma voçoroca.

Ainda segundo PEREIRA, entre outros, (sem data), existem medidas a serem tomadas a fim de evitar ou diminuir o risco do aparecimento de voçorocas, dentre as quais:

Interceptação da área de enxurrada acima da área de voçorocas

Retenção da área enxurrada na área de drenagem

Eliminação das grotas e voçorocas

Revegetação da área

Construção de estruturas para deter a velocidade das águas

Completa exclusão do gado

Controle de sedimentação das grotas e voçorocas ativas

Isolamento da área

Planejamento da Bacia

Manejo na vegetação nativa e exótica introduzida na área.

MEDIDAS CORRETIVAS

Segundo a EMBRAPA (2006), a correção de áreas de voçorocamento podem se dar a fim de “controlar a erosão na área a montante ou cabeceira da encosta, retenção de sedimentos na parte interna da voçoroca, revegetação das áreas de captação (cabeceira) e interna da voçoroca com espécies vegetais que consigam se desenvolver adequadamente nesses locais.”

Para ser realizada uma eficaz recuperação de áreas onde ocorrem voçorocas, ainda segundo a EMBRAPA (2006) é necessário que se isole a área, realizar uma análise química e textural do solo do local para se conhecer sua fertilidade e textura, para a obtenção de dados importantes para aplicação de insumos necessários ao desenvolvimento das plantas a serem cultivadas no local e também para ter uma melhor dimensão das práticas para controle da erosão. Podem ainda serem construídas estruturas físicas a fim de evitar o aumento da erosão que está sendo causada, diminuindo a perda e movimentação de sedimentos.

Muitos são os custos para a recuperação de áreas degradadas pelas voçorocas, como a mão-de-obra utilizada, insumos, custo das mudas e transporte das mesmas, etc. O custo de recuperação de uma área como essa vai depender principalmente do tamanho (comprimento, largura e profundidade) da voçoroca que se queira recuperar, avaliando assim se é viável economicamente uma intervenção na área voçorocada.

Podem também serem realizadas obras de drenagem e terraceamento para controle do escoamento superficial, e controle das águas subterrâneas (BACELLAR, 2006).

Abaixo segue uma imagem de uma voçoroca recuperada.

É notável a recuperação que se pode observar pela imagem, principalmente no tocante a revegetação do local, tanto nas bordas quanto no centro da voçoroca foram feitos plantios com vegetação, trazendo um excelente resultado para o trabalho de recuperação realizado:

Voçoroca
Figura 4 – Voçoroca recuperada

MATERIAIS E MÉTODOS

Para a realização desse trabalho foi realizada uma revisão de literatura, já que este tema é recorrente em vários estudos realizados nas mais diversas regiões do território brasileiro. Muitos autores realizam estudos de acompanhamento de voçorocas, o que nos permitiu selecionar alguns trabalhos que realmente atingiriam o nosso objetivo, já que não tínhamos condições de realizar um acompanhamento pessoal de campo da evolução de uma voçoroca.

Outro fator importante para o trabalho foram as fotos e imagens de satélites, que estão sendo cada vez mais utilizadas para estudos nas áreas que envolvem o meio ambiente, permitindo um controle, mesmo que a distância, do fenômeno estudado, além de permitir também um controle temporal do fenômeno, permitindo, por exemplo, observar a expansão de uma voçoroca, como observado nas figuras 1 e 2 deste trabalho. As fotos e imagens de satélites utilizadas neste e em outros trabalhos ajudam na compreensão dos problemas causados pelo voçorocamento do solo, bem como analisar o aumento do tamanho das voçorocas observadas nas fotos e imagens.

A observação do fenômeno que está ocorrendo na cidade de Viçosa-MG (que é recente, por isso não permitiu uma observação a nível temporal), com ida ao local de ocorrência e também o acompanhamento das notícias divulgadas nos jornais regionais, proporcionou um entendimento mais amplo da problemática que envolve o voçorocamento em ambientes urbanos.

No caso da voçoroca que está se desenvolvendo nesse local, é importante observar que ela está presente em uma via de circulação, que está sendo deteriorada, por onde passa um importante de fluxo de pessoas e de veículos em direção ao hospital próximo ao local e ao centro da cidade.

Este é apenas um problema causado, específico deste local, mas vários outros podem ser detectados, como o da Figura 1 deste trabalho, que ocorre na cidade de Maringá-PR, onde a voçoroca está atingindo um bairro residencial são observadas várias residências, oferecendo perigo para a população que está estabelecida naquele local, sendo necessária uma rápida intervenção naquele local.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Grandes impactos ambientais podem ser ocasionados pelo voçorocamento de uma área, dentre os quais destaca BACELLAR (2006):

Eliminação de terras férteis

Destruição de estradas e outras obras de engenharia

Proporciona situação de risco ao homem

Assoreamento de rios e reservatórios

Recobrimento de solos férteis nas planícies de inundação

Destruição de habitats

Rebaixamento do lençol freático no entorno, com secagem de nascentes, deterioração de pastagens e culturas agrícolas e redução da produção de cisternas

Dificulta o acesso a determinadas áreas.

É inevitável que as voçorocas venham a causar grandes danos, não só ambientais e econômicos, mas também sociais, como no caso de se desenvolverem em centros urbanos. Mas existem medidas capazes de mitigar o problema, dentre as quais o turismo que é possível de se realizar para a visitação de voçorocas, já que em alguns casos apresentam uma estética bem interessante para um certo tipo de público, como os geólogos, geógrafos, geomorfólogos, observadores da natureza, dentre outros.

A perda de sedimentos devido à precipitação é a principal causa para o surgimento e o conseqüente crescimento de uma voçoroca, quanto maior o volume de chuvas em uma área, maior a sua propensão ao surgimento desse tipo de erosão. Outro fator hidrológico importante é a taxa de infiltração do solo, regiões onde essa taxa é baixa são mais propensas ao escoamento superficial, causando assim um deslocamento de um grande volume de sedimentos, e conseqüentemente a ação do voçorocamento.

A revegetação de uma voçoroca contribui eficazmente para a diminuição da perda de sedimentos e movimentos de massa. É necessário que se plante uma vegetação alta (plantio de árvores) e também uma vegetação baixa (plantio de gramíneas), observando sempre a vegetação nativa do local e procurando utilizar estas espécies para a revegetação da área.

O terraceamento de uma grande voçoroca pode não ser muito viável, principalmente para pessoas de pequeno poder aquisitivo, já que é um processo complicado e com custos muito elevados. Se a voçoroca for de pequeno porte, pode ser usado o terraceamento, já que resolveria o problema se toda a área da voçoroca fosse “tampada”.

CONCLUSÕES

São evidentes os vários problemas que podem ser gerados pelo voçorocamento de uma área, tanto no âmbito natural quanto no social, principalmente caso venha a se desenvolver em ambientes urbanos, e até mesmo do ponto de vista econômico. Várias alternativas já existem para se prevenir, conter o avanço ou recuperar uma área voçorocada.

Existem hoje projetos que visam explorar o potencial turístico de uma voçoroca ou de uma região em que existem várias delas, já que a beleza morfológica desse tipo de erosão chama a atenção tanto de pesquisadores como de curiosos ou apreciadores da natureza.

Este tema é recorrente em vários trabalhos de pesquisa científica, já que existem voçorocas das mais diversas proporções e estão presentes em praticamente todo o território brasileiro, que contém características que propiciam o surgimento e desenvolvimento desse tipo de erosão, principalmente por ser característico de um clima tropical e possuir planaltos bem acidentados, além de uma grande e devastadora intervenção do homem na natureza.

Este trabalho está longe de esgotar as possibilidades de recuperação de uma área voçorocada, permitindo, porém, que se tenha uma idéia do problema e algumas medidas que podem ser tomadas para evitar o aparecimento da voçoroca e que ela se torne um problema, além de citar algumas utilizações que existem para essa área caso não haja um interesse em recuperá-la.

Parte da bibliografia utilizada refere-se ao estudo de voçorocas em determinadas regiões do Brasil, existindo variações nas características dessas regiões quanto ao potencial de aparecimento da voçoroca, deixando claro que para se tomar medidas de controle é preciso antes a realização de um estudo sobre as características físicas, biológicas e antrópicas da região afetada.

Rafael Said Bhering Cardoso

Lucas Valente Pires

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AB’SABER, A. N. As boçorocas de Franca. Revista da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Franca, 1(2): 5-27, Franca.
ALVES, R. R.; CAMPOS, E. H.; SERATO, D. S.; SILVA, J. F. Monitoramento dos Processos Erosivos e da Dinâmica Hidrológica e de Sedimento de uma Voçoroca: estudo de caso na Fazenda do Glória na zona rural de Uberlândia-MG. In: VII SINAGEO e II Encontro Latino-Americano de Geomorfologia, 2008, Belo Horizonte – MG. Dinâmica e Diversidade de Paisagens. Belo Horizonte – MG, 2008.
BACELLAR, L. A. P. Processos de Formação de Voçorocas e Medidas Preventivas e Corretivas. Viçosa, 2006. 30 slides.
EMBRAPA SOLOS. Relatório técnico e plano de monitoramento do Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas. Rio de Janeiro, 2002.
FERREIRA, R. R. M.; FERREIRA, V. M.; TAVARES FILHO, J. ; RALISCH, R. Origem e evolução de voçorocas em Cambissolos na bacia do alto Rio Grande, Minas Gerais. In: XXXI Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, 2007, Gramado-RS. Anais, 2007.
LOPES, S.L; GUERRA, A; J.T. Monitoramento de voçorocas por satélites GPS em áreas de areia quartzosa podzolizada: Praia Mole, Florianópolis-SC. In. VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão, Goiânia-GO, 2001. V. 1, N. 1, p. 106.
PEREIRA, H.; ESMERO, J.; SALES, K. Processos de Formação de Voçorocas e Medidas Preventivas e Corretivas. Campina Grande, sem data. 21slides.

Fonte: www.geo.ufv.br

Voçoroca

 

VOÇOROCAS: PROCESSOS DE FORMAÇÃO, PREVENÇÃO E MEDIDAS CORRETIVAS

INTRODUÇÃO

A retirada da vegetação de uma área deixa-a exposta à erosão, causada pela queda das gotículas de água, provenientes principalmente das chuvas, o que acaba acarretando em um movimento de massa no solo. “O processo responsável pela desagregação do solo, após a retirada da camada vegetal em sua superfície, é o impacto das gotículas da água da chuva [...], com isso os sedimentos são transportados de um local para outro” (GUERRA, 2001).

Após um longo período chuvoso, esses impactos da água com o solo acabam gerando um fluxo de sedimentos que podem originar ravinas, e processo for contínuo e provocar um incessante aprofundamento do solo, pode-se chegar ao nível de uma voçoroca. Ainda segundo GUERRA (2001), voçoroca pode ser compreendida como “escavação ou rasgão de solo ou rocha decomposta, ocasionado pela erosão do lençol do escoamento superficial”.

Erosões do tipo voçorocas podem chegar a vários metros de comprimento e de profundidade, devido ao fluxo de água que é possibilitado em seu interior, causando uma grande movimentação de partículas.

Algumas voçorocas podem chegar até mesmo ao nível do lençol freático do local onde ocorrem. Sobre isso, FERREIRA (2007), afirma que, “as voçorocas são consideradas um dos piores problemas ambientais em áreas de rochas cristalinas nas regiões tropicais de montanha onde são freqüentes e podem alcançar grandes dimensões”.

O objetivo desse trabalho é discutir a formação, bem como propor algumas medidas preventivas e também algumas soluções para conter o avanço das voçorocas, observadas na bibliografia utilizada, já que o voçorocamento gera grandes impactos no ambiente em que se desenvolve, principalmente quando se desenvolve em ambientes urbanos, como mostra a figura abaixo:

Voçoroca
Voçoroca em ambiente urbano

A aplicação dos métodos propostos neste e em outros trabalhos, devem ser aplicados somente depois de realizado um profundo estudo da área atingida, levando-se em consideração vários aspectos da região, como tipo de solo, o relevo do entorno, se há populações sendo atingidas, sejam elas pertencentes à fauna ou à flora, a viabilidade ou não de uma intervenção, a periodicidade e quantidade de precipitação na região, dentre outros fatores.

PROCESSOS DE FORMAÇÃO, MEDIDAS PREVENTIVAS E CORRETIVAS PARA O CONTROLE DAS VOÇOROCAS

Nesta parte do trabalho serão apresentados alguns dos processos de formação das voçorocas, para descobrir como se forma e como se desenvolvem; algumas medidas de prevenção, para saber o que se pode fazer para evitar que uma voçoroca comece a se formar em um determinado local; e também medidas corretivas, algumas medidas para mitigar o aparecimento das voçorocas caso elas sejam um problema para o ambiente em que se formam.

PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE VOÇOROCAS

Para Ab’Saber (1968), o processo de formação das voçorocas esta associado a paisagens de onde foi retirada a sua cobertura vegetal. Nestas paisagens, a água de escoamento superficial ao percolar linearmente no solo, e atingir o lençol freático, compromete a estabilidade da área e gera a formação de voçorocas.

As “voçorocas podem ser o resultado de erosão superficial, erosão subsuperficial e movimentos de massa” (BACELLAR, 2006).

De acordo com PEREIRA, entre outros, (sem data), segundo sua classificação, “as voçorocas podem ser classificadas conforme seu grau de desenvolvimento em: ativa, inativa e paleovoçoroca”, seguindo seu raciocínio “o grau de atividade pode ser definido pelo grau de suavização de suas bordas e pela presença de vegetação” (PEREIRA et al., sem data), voçorocas com níveis baixos de vegetação e com encostas mais íngremes são classificadas como ativas.

Segundo BACELLAR (2006), o processo de desenvolvimento se dá nos diferentes seguimentos das encostas das voçorocas, onde atuam diferentes processos de erosão, ocorrendo pequenos deslizamentos rotacionais, o que acabará gerando um fluxo de movimento de massa, mesmo após o período chuvoso.

Ainda segundo BACELLAR (2006), existem fatores que atuam na intensidade da erosão: a erosividade do agente (potencial de erosão da água), e a erodibilidade do solo (representa a suscetibilidade erosão do solo).

As imagens abaixo mostram a evolução de um quadro de voçorocamento, observado no município de Uberlândia-MG, nas proximidades da Fazenda do Glória:

VoçorocaVoçoroca na Fazenda do Glória – 7 de novembro de 2005

Voçoroca
Voçoroca na Fazenda do Glória – 20 de julho de 2007

Observando as imagens acima, podemos notar a evolução da voçoroca presente na imagem, que sofreu um grande aprofundamento no período de novembro de 2005 a julho de 2007. Esse fenômeno pode ser observado em um grande número de voçorocas existentes. Caso não sejam feitas intervenções pelo homem, o processo possivelmente não será contido, já que as voçorocas aparecem preferencialmente em regiões onde ocorrem chuvas periódicas, o principal fator que contribui para o surgimento e o desenvolvimento do fenômeno de voçorocamento.

Existem alguns fatores condicionantes ao surgimento das voçorocas, definindo uma maior propensão ao surgimento e desenvolvimento do voçorocamento em algumas regiões.

Dentre os fatores existentes para esse condicionamento, alguns que são destacados por BACELLAR (2006), dentre os quais:

Fatores antrópicos, como queimadas, desmatamento e manejo inadequado de plantações

Fatores geológicos passivos e ativos

Fatores pedológicos

Fatores climáticos ativos e passivos

Fatores geomorfológicos.

PREVENÇÃO

Existem locais onde o aparecimento das voçorocas tem uma maior probabilidade de ocorrer. Locais onde “a declividade é alta, a superfície do solo foi degradada, há concentração de enxurradas da bacia, ou por influência do escoamento da água” (PEREIRA et al., sem data), são mais propensos ao voçorocamento, por isso exigem uma atenção especial e o emprego de técnicas para a prevenção da ocorrência da erosão que provocará o surgimento de uma voçoroca.

Ainda segundo PEREIRA, entre outros, (sem data), existem medidas a serem tomadas a fim de evitar ou diminuir o risco do aparecimento de voçorocas, dentre as quais:

Interceptação da área de enxurrada acima da área de voçorocas

Retenção da área enxurrada na área de drenagem

Eliminação das grotas e voçorocas

Revegetação da área

Construção de estruturas para deter a velocidade das águas

Completa exclusão do gado

Controle de sedimentação das grotas e voçorocas ativas

Isolamento da área

Planejamento da Bacia

Manejo na vegetação nativa e exótica introduzida na área.

MEDIDAS CORRETIVAS

Segundo a EMBRAPA (2006), a correção de áreas de voçorocamento podem se dar a fim de “controlar a erosão na área a montante ou cabeceira da encosta, retenção de sedimentos na parte interna da voçoroca, revegetação das áreas de captação (cabeceira) e interna da voçoroca com espécies vegetais que consigam se desenvolver adequadamente nesses locais.”

Para ser realizada uma eficaz recuperação de áreas onde ocorrem voçorocas, ainda segundo a EMBRAPA (2006) é necessário que se isole a área, realizar uma análise química e textural do solo do local para se conhecer sua fertilidade e textura, para a obtenção de dados importantes para aplicação de insumos necessários ao desenvolvimento das plantas a serem cultivadas no local e também para ter uma melhor dimensão das práticas para controle da erosão. Podem ainda serem construídas estruturas físicas a fim de evitar o aumento da erosão que está sendo causada, diminuindo a perda e movimentação de sedimentos.

Muitos são os custos para a recuperação de áreas degradadas pelas voçorocas, como a mão-de-obra utilizada, insumos, custo das mudas e transporte das mesmas, etc. O custo de recuperação de uma área como essa vai depender principalmente do tamanho (comprimento, largura e profundidade) da voçoroca que se queira recuperar, avaliando assim se é viável economicamente uma intervenção na área voçorocada.

Podem também serem realizadas obras de drenagem e terraceamento para controle do escoamento superficial, e controle das águas subterrâneas (BACELLAR, 2006).

Abaixo segue uma imagem de uma voçoroca recuperada.

É notável a recuperação que se pode observar pela imagem, principalmente no tocante a revegetação do local, tanto nas bordas quanto no centro da voçoroca foram feitos plantios com vegetação, trazendo um excelente resultado para o trabalho de recuperação realizado:

Voçoroca
Figura 4 – Voçoroca recuperada

MATERIAIS E MÉTODOS

Para a realização desse trabalho foi realizada uma revisão de literatura, já que este tema é recorrente em vários estudos realizados nas mais diversas regiões do território brasileiro. Muitos autores realizam estudos de acompanhamento de voçorocas, o que nos permitiu selecionar alguns trabalhos que realmente atingiriam o nosso objetivo, já que não tínhamos condições de realizar um acompanhamento pessoal de campo da evolução de uma voçoroca.

Outro fator importante para o trabalho foram as fotos e imagens de satélites, que estão sendo cada vez mais utilizadas para estudos nas áreas que envolvem o meio ambiente, permitindo um controle, mesmo que a distância, do fenômeno estudado, além de permitir também um controle temporal do fenômeno, permitindo, por exemplo, observar a expansão de uma voçoroca, como observado nas figuras 1 e 2 deste trabalho. As fotos e imagens de satélites utilizadas neste e em outros trabalhos ajudam na compreensão dos problemas causados pelo voçorocamento do solo, bem como analisar o aumento do tamanho das voçorocas observadas nas fotos e imagens.

A observação do fenômeno que está ocorrendo na cidade de Viçosa-MG (que é recente, por isso não permitiu uma observação a nível temporal), com ida ao local de ocorrência e também o acompanhamento das notícias divulgadas nos jornais regionais, proporcionou um entendimento mais amplo da problemática que envolve o voçorocamento em ambientes urbanos.

No caso da voçoroca que está se desenvolvendo nesse local, é importante observar que ela está presente em uma via de circulação, que está sendo deteriorada, por onde passa um importante de fluxo de pessoas e de veículos em direção ao hospital próximo ao local e ao centro da cidade.

Este é apenas um problema causado, específico deste local, mas vários outros podem ser detectados, como o da Figura 1 deste trabalho, que ocorre na cidade de Maringá-PR, onde a voçoroca está atingindo um bairro residencial são observadas várias residências, oferecendo perigo para a população que está estabelecida naquele local, sendo necessária uma rápida intervenção naquele local.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Grandes impactos ambientais podem ser ocasionados pelo voçorocamento de uma área, dentre os quais destaca BACELLAR (2006):

Eliminação de terras férteis

Destruição de estradas e outras obras de engenharia

Proporciona situação de risco ao homem

Assoreamento de rios e reservatórios

Recobrimento de solos férteis nas planícies de inundação

Destruição de habitats

Rebaixamento do lençol freático no entorno, com secagem de nascentes, deterioração de pastagens e culturas agrícolas e redução da produção de cisternas

Dificulta o acesso a determinadas áreas.

É inevitável que as voçorocas venham a causar grandes danos, não só ambientais e econômicos, mas também sociais, como no caso de se desenvolverem em centros urbanos. Mas existem medidas capazes de mitigar o problema, dentre as quais o turismo que é possível de se realizar para a visitação de voçorocas, já que em alguns casos apresentam uma estética bem interessante para um certo tipo de público, como os geólogos, geógrafos, geomorfólogos, observadores da natureza, dentre outros.

A perda de sedimentos devido à precipitação é a principal causa para o surgimento e o conseqüente crescimento de uma voçoroca, quanto maior o volume de chuvas em uma área, maior a sua propensão ao surgimento desse tipo de erosão. Outro fator hidrológico importante é a taxa de infiltração do solo, regiões onde essa taxa é baixa são mais propensas ao escoamento superficial, causando assim um deslocamento de um grande volume de sedimentos, e conseqüentemente a ação do voçorocamento.

A revegetação de uma voçoroca contribui eficazmente para a diminuição da perda de sedimentos e movimentos de massa. É necessário que se plante uma vegetação alta (plantio de árvores) e também uma vegetação baixa (plantio de gramíneas), observando sempre a vegetação nativa do local e procurando utilizar estas espécies para a revegetação da área.

O terraceamento de uma grande voçoroca pode não ser muito viável, principalmente para pessoas de pequeno poder aquisitivo, já que é um processo complicado e com custos muito elevados. Se a voçoroca for de pequeno porte, pode ser usado o terraceamento, já que resolveria o problema se toda a área da voçoroca fosse “tampada”.

CONCLUSÕES

São evidentes os vários problemas que podem ser gerados pelo voçorocamento de uma área, tanto no âmbito natural quanto no social, principalmente caso venha a se desenvolver em ambientes urbanos, e até mesmo do ponto de vista econômico. Várias alternativas já existem para se prevenir, conter o avanço ou recuperar uma área voçorocada.

Existem hoje projetos que visam explorar o potencial turístico de uma voçoroca ou de uma região em que existem várias delas, já que a beleza morfológica desse tipo de erosão chama a atenção tanto de pesquisadores como de curiosos ou apreciadores da natureza.

Este tema é recorrente em vários trabalhos de pesquisa científica, já que existem voçorocas das mais diversas proporções e estão presentes em praticamente todo o território brasileiro, que contém características que propiciam o surgimento e desenvolvimento desse tipo de erosão, principalmente por ser característico de um clima tropical e possuir planaltos bem acidentados, além de uma grande e devastadora intervenção do homem na natureza.

Este trabalho está longe de esgotar as possibilidades de recuperação de uma área voçorocada, permitindo, porém, que se tenha uma idéia do problema e algumas medidas que podem ser tomadas para evitar o aparecimento da voçoroca e que ela se torne um problema, além de citar algumas utilizações que existem para essa área caso não haja um interesse em recuperá-la.

Parte da bibliografia utilizada refere-se ao estudo de voçorocas em determinadas regiões do Brasil, existindo variações nas características dessas regiões quanto ao potencial de aparecimento da voçoroca, deixando claro que para se tomar medidas de controle é preciso antes a realização de um estudo sobre as características físicas, biológicas e antrópicas da região afetada.

Rafael Said Bhering Cardoso

Lucas Valente Pires

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AB’SABER, A. N. As boçorocas de Franca. Revista da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Franca, 1(2): 5-27, Franca.
ALVES, R. R.; CAMPOS, E. H.; SERATO, D. S.; SILVA, J. F. Monitoramento dos Processos Erosivos e da Dinâmica Hidrológica e de Sedimento de uma Voçoroca: estudo de caso na Fazenda do Glória na zona rural de Uberlândia-MG. In: VII SINAGEO e II Encontro Latino-Americano de Geomorfologia, 2008, Belo Horizonte – MG. Dinâmica e Diversidade de Paisagens. Belo Horizonte – MG, 2008.
BACELLAR, L. A. P. Processos de Formação de Voçorocas e Medidas Preventivas e Corretivas. Viçosa, 2006. 30 slides.
EMBRAPA SOLOS. Relatório técnico e plano de monitoramento do Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas. Rio de Janeiro, 2002.
FERREIRA, R. R. M.; FERREIRA, V. M.; TAVARES FILHO, J. ; RALISCH, R. Origem e evolução de voçorocas em Cambissolos na bacia do alto Rio Grande, Minas Gerais. In: XXXI Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, 2007, Gramado-RS. Anais, 2007.
LOPES, S.L; GUERRA, A; J.T. Monitoramento de voçorocas por satélites GPS em áreas de areia quartzosa podzolizada: Praia Mole, Florianópolis-SC. In. VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão, Goiânia-GO, 2001. V. 1, N. 1, p. 106.
PEREIRA, H.; ESMERO, J.; SALES, K. Processos de Formação de Voçorocas e Medidas Preventivas e Corretivas. Campina Grande, sem data. 21slides.

Fonte: www.geo.ufv.br

Voçoroca

 

IDENTIFICAÇÃO DE AGENTES CAUSADORES E MONITORAMENTO DE VOÇOROCAS EM CHUVISCA, RS

1. INTRODUÇÃO

As formas de erosão hídrica são determinadas conforme o grau de desagregação e transporte de partículas do solo, tendo nas voçorocas o estado avançado de erosão hídrica. Entre as conseqüências negativas à população e ao ambiente relacionadas ao voçorocamento do solo, encontram-se a perda de área utilizável e dificuldades de trânsito nas propriedades rurais, assoreamento de mananciais hídricos, e morte de animais devido a acidentes. Trata-se de um passivo ambiental cuja recuperação é difícil, na maioria das vezes associada a custos elevados e longo prazo.

As chuvas diferem quanto à capacidade de provocar erosão.

Quanto maior sua intensidade, maior o diâmetro médio da gota e maior a energia erosiva (Denardin, 2005). O processo de erosão hídrica pode ser separado em três etapas: desagregação, transporte e deposição. Inicialmente ocorre a desagregação de solo pelo impacto da gota da chuva ou pelo escorrimento superficial da água. As partículas desagregadas ainda serão transportadas pelas enxurradas, com a posterior sedimentação do material em suspensão num ponto de cota mais baixa no terreno.

Com respeito às causas, este tipo de degradação do solo pode ser resultado de ações antrópicas ou natural. Atividades agropecuárias, como, desmatamento para agricultura, superpastoreio e manejo inadequado do solo que leve à compactação ou à diminuição da cobertura vegetal do mesmo podem ser relacionadas com o problema. A urbanização também pode ser responsável pelo surgimento de voçorocas.

Atividades como as que geram áreas de empréstimo e de aterro, e a construção de estradas mal alocadas ou que deságuam quantidade de água superior que os solos sejam capazes de suportar, são as mais freqüentes. Já dentre os fatores naturais, pode-se citar a configuração topográfica do terreno, textura do solo, composição do solo, cobertura vegetal natural, regimes hidrográficos e pluviométricos fortes. Na prática qualquer evento que diminua ou elimine a cobertura protetora da vegetação natural ou que danifique a estrutura do solo pode contribuir para o início e/ou a aceleração de processos erosivos (Araujo, 2007).

No município de Chuvisca, RS, voçorocas ocorrem, prejudicando as atividades agro-pastoris, bem como, danificando e dificultando a manutenção de estradas não pavimentadas. O presente estudo tem como objetivo, caracterizar e monitorar uma dessas voçorocas do município, além de propor estratégias de controle para este estágio de erosão.

2- MATERIAL E MÉTODOS

A compilação bibliográfica compreendeu a revisão de publicações, tais como, livros, periódicos científicos, sites e como, por exemplo, da Embrapa e Emater, dados de solo, geologia e relevo que posteriormente foram checados em campo.

A área de estudo (Fig. 1) constitui-se num dos casos avançados de erosão por voçorocamento já identificados no município de Chuvisca. Está localizada na comunidade de São Braz Alto, a 10 km da sede do município, numa altitude de 211m e nas coordenadas UTM de 0406284 N e 6604394 E.

Voçoroca

Voçoroca
Figuras 1. Voçoroca na localidade de São Braz Alto, Chuvisca-RS

Trata-se de uma voçoroca com cerca de 150m de comprimento, 10 a 25m de largura e profundidades que atingem 6m em alguns pontos, ocorrendo paralela a uma estrada de acesso à localidade.

No presente estudo foram realizadas observações de campo visando à caracterização inicial da área. Para identificar os diferentes processos de erosão hídrica envolvidos na dinâmica da voçoroca usou-se o registro fotográfico de feições erosivas. Estas feições foram comparadas às descritas por Guerra (2005).

O resgate histórico da gênese e da dinâmica do processo erosivo se baseou em entrevistas com os proprietários da área, técnicos da Emater e equipe de estradas da Prefeitura Municipal. Também foram feitos levantamentos preliminares da geologia, solos e vegetação locais, e coleta de material para análise posterior, como base para a recuperação ambiental.

2. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A erosão por ravinas e voçorocas é causada por vários mecanismos que atuam em diferentes escalas temporais e espaciais (Guerra et al., 2005). Segundo Coelho (1998) citado por Guerra, todos derivam de rotas tomadas pelos fluxos de água, que podem ocorrer na superfície ou em subsuperfície.

Como a observação da ação de mecanismo específicos em campo é relativamente rara, segundo Guerra et al. (2005), a identificação de feições erosivas assume importância na etapa de cadastramento de voçorocas e ravinas e pode, conforme os recursos financeiros disponíveis, tornar mais preciso o dimensionamento de eventuais medidas corretivas a serem implementadas.

Seguindo a classificação de Guerra et al. (2005), foram encontradas algumas feições erosivas na área durante o trabalho de campo, tais como: pedestais ou “demoiselles”, filetes subverticais, cone de areia, sulcos, ravinas, alcovas de regressão e fendas e dutos, também chamados de “pipes”.

Voçoroca

Voçoroca

Voçoroca

Voçoroca

Voçoroca

Voçoroca
Figuras 2. Feições erosivas registradas na área em julho de 2008.

(A) pedestais ou “demoiselles;
(b), sulco;
(c) alcova de regressão;
(d) cone de areia;
(e) duto;
(f) filetes subverticais

Com a entrevista dos proprietários, foi possível realizar uma pequeno levantamento histórico da voçoroca e da região. A área de ocorrência da voçoroca era uma antiga lavoura de produção de fumo, que chegou ao seu estágio final de degradação pelo manejo inadequado do solo. A lavoura foi abandonada a cerca de 20 anos e hoje parte dela e da estrada em volta foram tomadas pela erosão. Como alternativa dos proprietários, abandonou-se a lavoura e a estrada avançou alguns metros do outro lado, também dos mesmos. Porém, o que se pode observar na análise de campo é que a erosão continua avançando principalmente sobre a estrada, que se constitui numa área de risco a população, uma vez que já ocorreram casos de acidentes com veículos.

Alguns casos de voçorocas no município de Chuvisca podem estar sendo agravados ou até mesmo gerados pela falta de planejamento na construção das estradas, já que não é realizada uma dissipação correta da água. Segundo Daee (1989) a formação de voçorocas pode ocorrer pela falta de planejamento e gerenciamento das águas da chuva como, construção de estradas, cercas, infra-estruturas, com ordenamento da enxurrada em um único ponto sem estratégia de dissipação de energia, entre outros. O lado da lavoura apresenta paredes mais firmes, com feições mais maduras cobertas por musgos e liquens, indicando maior estabilidade. Esta estabilidade possivelmente está relacionado à presença de vegetação na área acima, um capoeirão com cobertura vegetal composta por vassouras, araçazeiros, capororocas e solo em lento processo de recuperação.

Chuvisca pertence a uma região característica de afloramentos de rochas, com relevo predominantemente ondulado a forte ondulado, denominada conforme a classificação das regiões fisiográficas do Rio grande do Sul como, Serra do Sudeste.

Na Serra do Sudeste segundo Denardin (2005), há predomínio de rochas de natureza granítica, o que pode ser constatado durante as coletas de amostras no campo. Granitos são rochas muito resistentes e de difícil intemperização, que originam solos de textura grosseira e com elevado percentual de cascalho. Durante a coleta de amostras no campo identificou-se um solo classificado como Argilossolo Vermelho – amarelo, típico da região da Serra do Sudeste. Segundo este autor, são solos característicos de regiões de relevo suave, com uma seqüência de horizontes A, B,e C, moderadamente profundos, porém ao predominar a cor amarela, conferem alta suscetibilidade à erosão hídrica. O solo da área indica ser muito cultivado, pelo preparo convencional e intenso processo erosivo, com horizonte A não ultrapassando 20cm de espessura, o que lhe confere um alto grau de suscetibilidade à formação de enxurradas.

Segundo pesquisas realizadas pela Embrapa (2006) no controle de voçorocas no meio rural, a ação do homem contribui para a aceleração dos processos erosivos quando este retira a cobertura vegetal original do solo e realiza práticas que promovem sua degradação como, aração, gradagem, redução da matéria orgânica, entre outras; tais práticas expõem o solo ao impacto das gotas da chuva, devido à baixa cobertura do mesmo. Isso pode ocorrer também com superpastejo, práticas de queimada, entre outras atividades; ou seja, a ausência de práticas de conservação do solo. A prática de conservação do solo consiste em mantê-lo coberto com plantas e com resíduos culturais, com terraços, cordões de contorno e cultivo em nível. A cobertura do solo evita o impacto da gota da chuva sobre o mesmo e impede a ocorrência do processo de erosão.

3 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Foi possível estabelecer que a formação de voçorocas esta relacionada principalmente com a evolução do processo erosivo em locais que apresentam suscetibilidade a esses fenômenos. Estas suscetibilidades são dadas por meios naturais como características de relevo (na maioria das vezes encostas), erodibilidade pelo fluxo das chuvas, propriedade dos solos e cobertura vegetal. O fato de umas áreas erodirem mais que outras pode estar relacionado com a ação conjunta de tais fatores, pois a atuação individual destes processos naturais, associada às atividades antrópicas, tem sido a causa mais comum na aceleração dos processos erosivos dentre eles o da voçoroca. Na voçoroca de Chuvisca, a erosão acelerada pela ação da agricultura na área, e conseqüente perda de vegetação nos horizontes superficiais, aliados a falta de controle no fluxo de água superficial, podem ser considerados os fatores aceleradores da voçoroca em estudo.

DUMMER, Juliana

ARNDT, Artur L.

BORGES, Cátia

KOESTER, Edinei

FERNANDES, Flavia F

4 – REFERÊNCIAL BIBLIOGRÁFICO

ARAUJO, Gustavo H. de S. et al. Gestão Ambiental de Áreas Degradadas. RJ: Bertrand Brasil, 2007.
DAEE- Departamento de Águas e Energia Elétrica. Controle de erosão: bases conceituais e técnicas; diretrizes para o planejamento urbano e regional; orientações para o controle de voçorocas urbanas. São Paulo: DAEE/IPT, 1989. 92 p.
DENARDIN, José et al. Manejo de enxurrada em sistemas plantio direto. PA: Fórum Estadual de Solo e Água, 2005. 88p
EMBRAPA Agrobiologia. Recuperação de Voçorocas em Áreas Rurais. Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: http://www.cnpab.embrapa.br/publicacoes/sistemasdeproducao/vocoroca/recuperaca o.htm Acesso em 17 març. 2008
GUERRA, A. J. T. Erosão e Conservação dos Solos – Aplicações, Temas e Conceitos. RJ: Bertrand Brasil, 2005.
GUERRA, A. J.T.; CUNHA, S. B. Geomorfologia: uma atualização de base e conceitos. RJ: Bertrand Brasil, 2007.

Fonte: www.ufpel.edu.br

Voçoroca

 

A voçoroca ou boçoroca é uma ferida aberta num terreno, seja ele horizontal ou não; ou um talude de um morro.

Vamos entender, primeiro, como ela aparece para, depois, mostrar as conseqüências por ela existir.

Basicamente, há duas formas de se começar uma voçoroca; a primeira é pelo corte de um talude (a parte lateral de um morro) para a construção de uma estrada ou utilização de espaço, ou para se aproveitar o material em aterros (chamados empréstimos) em outros locais, ou ainda para possibilitar uma mineração.

Evidente é que, o corte de um terreno carrega consigo toda a vegetação e a terra fértil nele existente. Supondo que não se faça uma recuperação rápida na parte cortada, ela ficará exposta ao impacto direto da chuva e, também, s correntezas das chuvas passando por cima dela. Começa, então, a acontecer o fenômeno denominado erosão, que é o transporte do material terroso pelas águas.

A outra forma de acontecer uma voçoroca é pelo desmatamento. Os vegetais, não importando seus tamanhos, têm raízes que funcionam com "presilhas" do solo; as árvores agem como "guarda-chuvas" do solo, e a vegetação em geral age como um redutor de velocidade das águas que correm no solo.

No desmatamento, as "presilhas" ficam frágeis; sem a árvore, desaparece o "guarda-chuvas", possibilitando o impacto direto que "machuca" o terreno; já, sem a vegetação, principalmente a rasteira, a velocidade das águas fica aumentada sobre o terreno, possibilitando alastrar a "ferida" da terra. Em outras palavras, vai havendo o arraste de material terroso e, com o tempo, a "ferida" do solo vai aumentando em profundidade e largura.

Agora, vamos explicar as conseqüências

A primeira delas, que começa na voçoroca e se estende até os caminhos próximos para onde estiverem indo às águas, é a promoção da infertilidade na região da voçoroca e depois dela, pois haverá um cobrimento das camadas férteis adiante (desertificação ou aridez), visto que quase todos os terrenos têm uma camada de solo fértil por cima. No caso, essa camada, quando arrastada, promoverá, de imediato, a infertilidade.

No campo, onde se retira a vegetação para dar lugar às pastagens, volta e meia a natureza se vinga pelo alagamento das próprias áreas de pastagens, visto que os rios principais, de tão assoreados, isto é, preenchidos com o material terroso para eles carregados, começam a procurar caminhos preferenciais para o escoamento das águas que seus leitos primitivos não conseguem mais transportar. Além disso, o alagamento irá destruir as árvores restantes pelo afogamento de suas bases acima do solo.

Outra conseqüência é que, os rios naturais passam a ter seus leitos (suas calhas) assoreadas, soterrando toda a flora e fauna situadas nessas calhas, e que são os alimentos dos animais que dependem do fundo. O soterramento dos vegetais e de pequenos animais de fundo faz com que esses morram e essa matéria orgânica morta comece a dar origem a reações bioquímicas que irão prejudicar a qualidade das águas, como um todo.

O outro efeito é que, esse material terroso, no caso das zonas urbanas, vai também sendo levado para o leito dos rios e canais (assoreamento) e para as galerias de águas pluviais.

Nas cidades, tanto o enchimento das calhas dos rios e canais, quanto o enchimento dos bueiros e tubulações de água pluviais, dificultarão o livre escoamento das águas de chuva e, com isso, ficará facilitado o processo das enchentes urbanas.

Aqui mesmo em Volta Redonda temos exemplos de voçorocas que contribuem muito para as enchentes da Vila Santa Cecília, através de galerias e bueiros componentes do sistema dos rios Brandão e Cachoeirinha; tais voçorocas estão na região da Cobrapi e Rua 60 e contribuem, também, para o assoreamento dos lagos próximos, inclusive o do zôo.

Com tudo que foi falado, fica claro que cuidados preventivos devem ser tomados quando se pretende alterar a natureza dos terrenos, pois os custos para acertar as conseqüências serão bastante altos.

Gil Portugal

Fonte: www.gpca.com.br

Voçoroca

Formação de voçorocas

Sulcos, ravinas e voçorocas – isto é formação de grandes buracos de erosão causados pela chuva e intempéries, em solos onde a vegetação é escassa e não mais protege o solo, que fica cascalhento e suscetível de carregamento por enxurradas – estão presentes em praticamente todo o Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil e geralmente estão associados ao uso do solo, ao substrato geológico, ao tipo de solo, às características climáticas, hidrológicas e ao relevo.

O desenvolvimento das ravinas e voçorocas descrito na literatura brasileira é geralmente atribuído a mudanças ambientais induzidas pelas atividades humanas.

A grande maioria de trabalhos na literatura sobre as ravinas e voçorocas mostra que sua ocorrência está associada a formações sedimentares arenosas, mas há também exemplos de voçorocas em solos provenientes de rochas cristalinas. Segundo alguns trabalhos, a geologia das regiões do embasamento cristalino, com suas abruptas variações laterais, influi intensamente na propagação do voçorocamento.

Contatos geológicos, diques ou até mesmo bandas internas à rocha de composição diferente são suficientes para acelerar, impedir ou desviar a propagação de uma voçoroca.

No Estado de São Paulo, os trabalhos desenvolvidos pelo DAEE e pelo IPT mostram que a predominância de erosões lineares está associada aos arenitos com cimentação carbonática, pertencentes às formações Marília e Adamantina do Grupo Bauru. As formações areníticas Caiuá, Santo Anastácio, Piramboia e Botucatu apresentam menores concentrações de ocorrências erosivas por unidade de área.

A influência do relevo no desenvolvimento de ravinas e voçorocas no Estado de São Paulo é enfatizada por vários estudiosos, que as relacionam especialmente à forma e à declividade das vertentes. Em estudos realizados verificou-se a ocorrência de ravinas e voçorocas nas proximidades de Casa Branca e nas Folhas de Piracicaba, Rio Claro, São Pedro e Itirapina, e que 95% dessas erosões se desenvolveram em encostas convexas. Conclusão semelhante foi observada em voçorocas da cidade de Franca e na região de Casa Branca.

Já em estudos realizados na bacia do Rio Maracujá (MG) e na alta bacia do Rio Araguaia (GO/MT), mostraram-se que grande parte das voçorocas se desenvolve nos setores côncavos das cabeceiras de drenagem, com formas anfiteátricas (concavidades ou “hollows”). Estas formas propiciam a convergência natural das águas superficiais e subsuperficiais, favorecendo os movimentos de massa e o desenvolvimento de voçorocas.

As voçorocas atuais, que são mais freqüentes nas concavidades do relevo, muitas vezes representam feições erosivas antigas, numa prova de que a erosão é recorrente e que tende a avançar pelas mesmas rotas já seguidas anteriormente, certamente devido ao condicionamento hídrico subsuperficial. Tal fato foi comprovado em estudos que constataram que uma das voçorocas estudadas segue a trajetória de um antigo canal erosivo.

Voçoroca
Curva de nível cortada pela voçoroca

Chama-se, também, a atenção para voçorocas com crescimento não concordante com o gradiente topográfico local, que conduziu ao estudo da hidrologia subterrânea, dada a impossibilidade dos fluxos superficiais explicarem esta propagação anômala. Dados de levantamento geofísico por eletrorresistividade sugerem que o crescimento desta voçoroca se deu em direção a uma zona subsuperficial com grande afluxo de água subterrânea. Levantamentos de campo demonstraram que estes afluxos de água acontecem ao longo de estruturas geológicas, principalmente fraturas e falhas.

Quanto à influência da cobertura pedológica no desenvolvimento de ravinas e voçorocas, observa-se concordância no que se refere a maior suscetibilidade dos solos de textura arenosa e média. Apesar de mais restrita, há possibilidades de desenvolvimento de ravinas e voçorocas em solos argilosos como os Latossolos Vermelho Escuro observados na região de Casa Branca.

Neste caso, o desenvolvimento de voçorocas deve-se principalmente à presença de um horizonte C altamente erodível, proveniente da alteração de arenitos feldspáticos com intercalações de argilitos e siltitos pertencentes à Formação Aquidauana, que facilita o aprofundamento erosivo e a interceptação do lençol freático, desenvolvendo fenômenos de piping (processos de erosão interna no solo).

Conclusão semelhante é manifestada com relação ao desenvolvimento de voçorocas em terrenos cristalinos constituídos por granitóides da região de Cachoeira do Campo, Minas Gerais, que considera como principal condicionante a existência de um horizonte C de textura arenosa pouco coerente e extremamente erodível.

Voçoroca
Ravina inicial cortada pela voçoroca Granada

Fonte: www.agencia.cnptia.embrapa.br

Voçoroca

 

Recuperação de Voçorocas em Áreas Rurais

A erosão hídrica é umas das principais formas de degradação do solo, acarretando prejuízos de ordem econômica, ambiental e social. Segundo Bahia (1992), o Brasil perde anualmente cerca de 600 milhões de toneladas de solo devido a erosão. Além do prejuízo na reposição dos nutrientes perdidos, outro grande problema decorrente é o assoreamento de corpos de água.

O assoreamento afeta não só o abastecimento de água potável à população rural e urbana, como as atividades agrícolas e industriais, e também, a produção de energia elétrica, tendo em vista que mais de 95 % da energia produzida no país provém de hidrelétricas (ANEEL, 2002).

Existem diferentes formas de erosão hídrica de acordo com o seu grau de carreamento de partículas e incisão no solo. Quando a perda de solo pela erosão se dá em camadas relativamente finas e homogêneas, às vezes até imperceptível, é chamada de erosão laminar.

À medida que a água se concentra em determinados pontos devido s depressões no relevo do terreno, pode formar os sulcos, e podendo chegar a um estágio mais avançado que são as chamadas voçorocas (Braun, 1961). Existem outros termos utilizados como boçorocas, grotas, esbarrancados ou esbarrancamentos, dependendo da região, para denominar as “crateras” formadas no terreno (Figura abaixo).

Voçoroca

Voçoroca
Áreas afetadas por voçorocas no município de Pinheiral-RJ

Dentre as formas de erosão, esta é a que causa conseqüências mais graves à população em termos de perda de área utilizável, assoreamento de rios, riachos e lagoas, e até morte de animais devido a acidentes.

As causas com que a erosão pode chegar a esse estágio avançado são naturais, mas a ação do homem pode acelerar bastante o processo.

Fatores como o relevo acidentado, chuvas concentradas em poucos meses do ano, características do solo, como: textura, consistência friável, baixo teor de matéria orgânica e pequena estabilidade de agregados, tendem a aumentar a susceptibilidade do solo à erosão.

Em relação ao relevo, sua influência está relacionada com as características de declividade (quando acentuada), comprimento de rampa longo e a forma da encosta, que favorecem maior velocidade, volume e concentração da enxurrada.

Quanto às chuvas, a erosão pode ser maior ou menor em função da sua duração, intensidade, distribuição e tamanho de gotas (Wischmeier & Smith, 1958). Em regiões onde sua distribuição é concentrada em poucos meses do ano, a quantidade de eventos de grande intensidade geralmente é maior, e conseqüentemente, mais alto é o índice de erosividade e os danos causados (Bertoni & Lombardi Neto, 1993).

A respeito das características do solo, aqueles que quando úmidos se desfazem com facilidade, são facilmente desagregados e transportados pelas chuvas, e isso está relacionado com maiores teores de silte e areia fina (Wischmeier et al., 1971). Solos de textura mais grosseira, como areia grossa e cascalho, podem ser também susceptíveis por não apresentarem agregação entre suas partículas (Venturim & Bahia, 1998).

A agregação do solo (união de partículas formando pequenos torrões) é uma propriedade importante sobretudo por estar relacionada à porosidade. Quanto maior o volume de poros grandes do solo, maior a infiltração de água das chuvas, e menor o escoamento superficial. A matéria orgânica influencia bastante a agregação, conferindo maior estabilidade aos agregados através da cimentação das partículas, e com isso, proporciona maior resistência à ação das gotas das chuvas e das enxurradas resultando em menor desestruturação e carreamento de solo (Verhaegen, 1984).

Vieira, citado por Fendrich et al. (1988), descreve características de solos que apresentam suscetibilidade à formação de voçorocas: solos arenosos, ácidos, poucos coesivos, Horizonte A com cor vermelho intenso, com areia muito fina, siltosa e com pouca argila, predominando nos horizontes subjacentes, areias mais claras levemente rosadas ou amarelas com tendência a cor branca.

O tipo de rocha da qual o solo foi formado, ou seja, o material de origem, pode também influenciar na formação de voçorocas. Um exemplo disso são os solos formados em rochas do embasamento cristalino, em que os horizontes superficiais, sobretudo o B, são mais resistentes à erosão. No entanto, saprolitos, a camada ou horizonte C, com características da rocha matriz, podem apresentar alta erodibilidade, e conseqüentemente, formar voçorocas quando essa camada é exposta aos agentes erosivos (Resende e Parzanese, citados por Morais et al., 2004).

A ação do homem no sentido de acelerar o processo erosivo ocorre quando este retira a cobertura vegetal original do solo e realiza práticas que promovem sua desagregação como, aração, gradagem, calagem, adubação, redução da matéria orgânica, etc., e o expõe ao impacto das gotas das chuvas, devido a baixa cobertura do solo, que pode ocorrer também com o superpastejo, queimadas, etc.; com ausência de práticas de conservação do solo. Tudo isso associado condições de relevo acidentado, em certos casos locais considerados como de preservação permanente, acarreta o aumento do escoamento superficial da água das chuvas, e dependendo das características do solo, o processo erosivo pode evoluir ao longo do tempo formando as voçorocas.

A redução da taxa de infiltração de água pode estar relacionada, em alguns tipos de solos, como os Argissolos, às características pedogenéticas de acúmulo de argila no horizonte B (Bt), o que pode contribuir para evolução dos processos erosivos e formação de voçorocas. O uso e o manejo destes solos é de fundamental importância para evitar a formação de voçorocas.

No entanto, a formação de voçorocas pode ocorrer também pela falta de planejamento e gerenciamento das águas das chuvas como, construção de estradas, cercas, infra-estruturas, com ordenamento da enxurrada em um único ponto sem estratégia de dissipação de energia, etc., (DAEE, 1989).

Todavia, esse não é o único processo de formação de voçorocas. Outro processo erosivo existente é o escoamento sub-superficial que forma fluxos concentrados na forma de túneis ou dutos, chamado de piping, que podem provocar o colapso da superfície situada acima destes (Guerra, 2003), podendo formar voçorocas em curto espaço de tempo.

No Brasil as áreas localizadas no Noroeste do Paraná, Planalto Central, Oeste Paulista, Campanha Gaúcha, Triângulo Mineiro e Médio Vale do Paraíba do Sul, são as mais críticas quanto à incidência de processos erosivos, e correspondem também, as áreas que têm sido mais estudadas devido a grande relevância em termos de perda de solo e redução da produtividade (Botelho & Guerra, 2003).

Em relação ao Médio Vale do Paraíba do Sul, estima-se que mais de 1 milhão de hectares estão nos níveis de vulnerabilidade à erosão alta a muito alta. Esses processos erosivos vêm causando o assoreamento de forma acelerada, do rio Paraíba do Sul e reservatórios do sistema Light-Cedae (CEIVAP, 2002). De todos os municípios da região, Pinheiral é um dos que mais se destaca com aproximadamente 88% de suas terras nessas categorias de severidade à degradação. Pinheiral situa-se entre os municípios de Volta Redonda e Barra do Piraí.

Neste trecho da Bacia do Paraíba do Sul, foi registrada a segunda maior produção de sedimentos, com cerca de 5,89 t ha-1 ano-1 e parte deste total, 680.800 t ano-1, está sendo transferido para o Sistema Light-Guandu, que recebe 2/3 da água do rio Paraíba do Sul para geração de energia e água potável. Deve-se ressaltar que o rio Paraíba do Sul, juntamente com o rio Guandu, são os principais responsáveis pelo abastecimento de água para mais de 9 milhões de pessoas no Grande Rio (CEIVAP, 2002).

Para quantificar o problema, uma voçoroca de tamanho médio em Pinheiral, apresenta cerca de 1000 m2 de área, e profundidade média de 10 m, o que resulta em 10.000 m3 de volume. Isso equivale ao longo do desenvolvimento da voçoroca, a 2.000 caminhões de aterro, e que têm os rios e riachos como destino final. Em um trecho de 70 km da linha férrea da MRS Logística entre Barra Mansa e Japerí-RJ, foram contadas mais de 160 voçorocas voltadas para o rio Paraíba do Sul. Isso dá uma dimensão do problema na região.

Como visto até aqui, a formação de voçorocas está relacionada principalmente com a evolução do processo erosivo em locais que apresentam suscetibilidade a esses fenômenos, e apresenta uma forte relação com o uso do solo. Nos locais em que o processo de voçorocamento já se encontra iniciado, o que resta é tentar contê-lo da maneira mais eficiente e econômica possível, evitando assim, estragos ainda maiores.

A recuperação de voçorocas não é uma tarefa fácil e barata, principalmente se for pensar em correção de taludes com máquinas pesadas onde o custo da hora trabalhada é elevado. Entretanto, é possível estancar a evolução de voçorocas, reduzir a perda de solo e melhorar a paisagem, de forma eficiente e a custos relativamente baixos, fazendo uso somente de mão-de-obra familiar e materiais alternativos, com poucos insumos externos propriedade rural.

Fonte: www.cnpab.embrapa.br

Voçoroca

Processos de Formação de Voçorocas e Medidas Preventivas e Corretivas

Voçoroca

1- Conceitos Básicos

Erosão (lato sensu) engloba tanto os processos de erosão stricto sensu como os movimentos de massa

2 – Agentes de Erosão

Voçoroca

3 – Erosão Hídrica Continental

3.1 – Classificação quanto à forma de erosão

3.1.1 – Erosão Laminar

Voçoroca

Erosão laminar em encosta com pastos degradados da região de Vargem das Flores, MG (Paulo, 2004).

3.1.2 – Erosão em Canais: a erosão ocorre em canais.

Há três tipos: sulco, ravina e voçoroca.

Voçoroca

 

Erosão em sulcos

Voçoroca

Voçoroca

Voçoroca
Voçorocas, em Madagascar (Skinner & Porter, 1995)

4 – Voçorocas

As voçorocas recebem diversas denominações:

a) Brasil: boçoroca, grota.

b) Exterior: gully; arroyo; lavaka; benggang; donga

As voçorocas podem ser classificadas conforme seu grau de desenvolvimento em: ativa, inativa e paleovoçoroca.

O grau de atividade pode ser definido pelo grau de suavização de suas bordas e pela presença de vegetação.

Voçoroca

Além da suavização, a ocupação por vegetação também é uma evidência de estabilização, como se pode ver na foto aérea da região de Cachoeira do Campo (NEPUT, 2004).

Voçoroca

 

5 – Processos de Erosão

5.1 – Superficiais

Em suspensão, rolamento, arraste e saltos

Salpicamento (splash erosion)

Voçoroca
Exemplo de erosão por salpicamento

5.2 – Subsuperficiais:

Erosão por percolação (carreamento)

Quando flui pelos poros, a água exerce uma força de percolação (Fp) sobre os grãos:

Fp = Pa *g * i

Voçoroca

Se Fp for maior que as forças que resistem à movimentação dos grãos ocorrerá erosão por percolação.

Este processo de erosão é comum em solos finos não coesivos (areias finas e siltes)

Esquema para ilustrar o crescimento da área de captação de água com a evolução da erosão susbsuperficial (modificado de Terzaghi & Peck, 1967)

Erosão por piping

Voçoroca

Ocorre quando a tensão exercida pela água em movimento numa descontinuidade é suficiente para destacar partículas de solo.

Comum em solos coesivos, sobretudo quando dispersíveis.

Voçoroca
Exemplo de piping (Hunt, 1990)

Voçoroca
Piping em solos do Arizona

Voçoroca
Exemplo de piping em solos litólicos do Parque do Itacolomi, Ouro Preto

Voçoroca
Exemplo de piping em sedimentos de praia

Com o crescimento do diâmetro do piping, ocorre instabilização da cabeceira da erosão por escorregamento.

Voçoroca

Voçoroca

 

5.3 – Movimentos de Massa: são movimentos coletivos de solos e/ou rochas. Nas voçorocas são comuns os: escorregamentos, fluxos (corridas) e quedas.

Voçoroca
Escorregamento rotacional

Voçoroca
Fluxo

6 – Gênese e Evolução de Voçorocas

Voçorocas podem ser o resultado de erosão superficial, erosão subsuperficial e de movimentos de massa.

Processos primários (genéticos) podem desencadear processos secundários (evolutivos), dificultando o entendimento das causas que levaram à erosão.

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Exemplo: Voçorocas que surgiram no município de Ceilândia (Mendonça et al., 1993).

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Cavidades de até 5 m de diâmetro surgiram em perfis de latossolos com 15 m. de espessura (Mendonça et al., 1993)

Feições semelhantes ocorrem no Parque Nacional de Brasília, onde se observam dolinas associadas a canais de erosão (Mendonça et al., 1993):

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O avanço de voçorocas pode se dar preferencialmente por movimentos de massa, como na região do Complexo Bação (MG), em área com rochas gnáissicas.

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Complexo Bação. A encosta das voçorocas pode ser subdivida em 5 segmentos com diferentes processos de erosão.

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Em cada segmento atuam determinados processos de erosão.

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Na base do segmento D ocorrem pequenos escorregamentos rotacionais. Com a deformação pósmovimento, estes escorregamentos se transformar em fluxos.

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Estes fluxos ocorrem mesmo após o término das chuvas.

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Exemplos de fluxo (f) de solo (horizonte C) no sopé de talude de voçoroca do Complexo Bação

Ensaios com modelos reduzidos (Morais, 2003) mostraram que a erosão por piping e por carreamento não ocorrem nos solos das voçorocas desta região.

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Porém, escorregamentos rotacionais ocorrem quando o solo apresenta condições de fluxo paralelo à encosta.

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Escorregamentos podem ocorrer em porções de talude com baixa inclinação sob condições de fluxo paralelo

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A remoção da base pode ativar escorregamentos maiores, que envolvem todo o talude

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7 – Intensidade dos Processos Erosivos

A intensidade da erosão depende da:

Erosividade do agente: potencial de erosão da água

Erodibilidade do solo: representa suscetibilidade à erosão do solo

O que é mais importante na erosividade, a intensidade de chuva ou a a quantidade de chuva acumulada?

Depende, se a erosão é governada por:

Processos superficiais: intensidade da chuva

Processos subsuperficiais: chuva acumulada

Erodibilidade dos solos: Os mais erodíveis são aqueles de textura fina não coesivos, como siltes e areias.

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Erodibilidade dos solos: os solos de textura siltosa ou arenosa são mais erodíveis.

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Perfil típico de solos em áreas de granito ou gnaisse:

A espessura dos horizontes superficiais pode ser muito variável.

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Voçorocas da região do Complexo Bação

Atenção: horizontes superficiais de solos tropicais com freqüência encontram-se agregados.

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Exemplo de solos da região do Complexo Bação.
O horizonte B encontra-se fortemente agregado

Estruturas Fundamentais dos argilominerais:

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Tetraedos de sílica

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Octaedros de alumínio

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Argilominerais 1:1

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Argilominerais 2:1

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Alteração por hidrólise dos perfis de intemperismo (Pedro & Melfi, 1977)

CLASSIFICAÇÃO

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Ensaio de estabilidade de agregados (EMBRAPA, 1997). A amostra 8 é de horizonte B e as outras de horizonte C de região de rochas gnáissicas.

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Aparelho para realização do ensaio de furo de agulha (Morais, 2003)

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Coleta de amostra

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Esquema do aparelho

Ensaios com o aparelho de “pin-hole” permitem avaliar a suscetibilidade à erosão por piping e por carreamento.

Em áreas de rochas gnáissicas, o horizonte B é muito menos erodível por piping que o horizonte C (saprolito) (Morais, 2003).

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Horizonte B

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Horizonte C

9 – Impactos ambientais decorrentes das voçorocas

Eliminação de terras férteis

Destruição de estradas e outras obras de engenharia

Proporciona situação de risco ao homem

Assoreamento de rios e reservatórios

Recobrimento de solos férteis nas planícies de inundação

Destruição de habitats

Rebaixamento do lençol freático no entorno, com secagem de nascentes, deterioração de pastagens e culturas agrícolas e redução da produção de cisternas

Dificulta o acesso a determinadas áreas.

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A drenagem proveniente de áreas com voçorocas (seta vermelha) carrega muito mais sedimentos que drenagem preservada (seta preta)

Voçoroca
Residências em situação de risco no interior de voçorocas.
Bacia de Vargem as Flores, MG (Paulo, 2004)

Voçorocas podem rebaixar o lençol freático nas vizinhanças, levando até a secagem de nascentes.

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Bacias com voçorocas apresentam maior fluxo de chuva e menor fluxo de base que bacias preservadas (Costa, 2005)

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Por outro lado, áreas com voçorocas tem sido exploradas para ecoturismo em São Paulo e Minas Gerais.

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10 – Perda de Solos devido a voçorocas

É muito maior que na erosão por processos superficiais.

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Processo de Captura Fluvial: um rio de um vale mais baixo pode capturar um rio de um vale adjacente mais alto (Schumm, 1977 in Summerfield, 1997). A captura altera as condições de energia do rio, podendo levar ao incremento das taxas de erosão à montante.

Voçoroca

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Rio capturado por erosão subterrânea (Coelho Netto, 1999).
A captura pode recrudescer os processos de erosão

As taxas de avanço de voçorocas podem ser medidas no campo por topografia ou por fotografias aéreas multitemporais.

Neste exemplo, observa-se a taxa de avanço na bacia de Vargem das Flores (Paulo, 2004)

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Estimativa da perda de solos por voçorocas na bacia de Vargem das Flores (Paulo, 2004)

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Previsão da perda potencial de solos por voçorocas (no caso de mal uso da terra) na bacia de Vargem das Flores (Paulo, 2004).

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11- Fatores Condicionantes do Voçorocamento

11.1 – Fatores antrópicos:

Desmatamento e queimadas

Manejo inadequado de plantações

Estradas, arruamento, caminhos e trilhas

Pastoreio excessivo

Valas de divisa

Na região de Vargem das Flores, MG, o número de voçorocas não cresceu com a expansão urbana (Paulo, 2004)

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11.2 – Fatores Geológicos Passivos:

Rocha condiciona a erodibilidade dos solos.

As voçorocas são comuns em áreas com:

a) rochas granitognáissicas

b) sedimentos/rochas sedimentares de textura arenosa/siltosa

Voçoroca

 

Fotografia aérea da região de Cachoeira do Campo, Ouro Preto. Notar que as voçorocas são mais comuns em áreas de gnaisses (g) do Complexo Bação que em áreas de xistos (x)

Fatores Geológicos Ativos:

Descontinuidades geológicas podem direcionar os fluxos subsuperficiais de água

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Voçorocas da região do Complexo Bação. A direção de evolução das voçorocas é claramente condicionada por descontinuidades geológicas

11.3 – Fatores Pedológicos:

Os solos controlam a erosão laminar e a erosão em sulcos e ravinas. Estas formas de erosão são comuns em áreas com argissolos e solos dispersíveis.

Porém, não existe correlação comprovada entre os solos e a incidência de voçorocas.

11.4 – Fatores Climáticos:

O clima pode atuar de forma passiva e ativa:

a) Forma passiva: climas quentes e úmidos levam a formação de manto de intemperismo espesso, o que é favorável para as voçorocas

b) Forma ativa: climas secos com chuvas intensas favorecem a erosão por processos superficiais.

11.5 – Fatores Geomorfológicos:

Comprimento e declividade da encosta comprovadamente favorecem os processos de erosão superficial, mas não os de erosão subsuperficial.

As voçorocas são freqüentes em áreas de relevo baixo a moderado. Em áreas de relevo íngreme, normalmente o solo é muito delgado e só ocorrem ravinas e sulcos.

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Ocorrência de voçorocas conforme a declividade na região de Vargem das Flores, MG (Paulo, 2004)

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Na bacia do Maracujá, no Complexo Bação, as voçorocas (em vermelho) são comuns nas regiões de relevo mais plano (em claro, no mapa da direita)

Voçoroca

Voçoroca

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Níveis de base artificiais. Bacia de Vargem das Flores, MG (Paulo, 2004)

Fatores Geomorfológicos: Muitas vezes, a forma das encostas é mais importante que a declividade

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Formas possíveis de encostas (Ruhe (1975). As formas côncavascôncavas tendem a concentrar mais água superficial e subsuperficial (encostas coletoras).

Fatores Geomorfológicos: As encostas com formas côncavascôncavas são também designadas concavidades anfiteátricas ou hollows.

Voçorocas tendem a ocorrer com mais freqüência nos hollows

Voçoroca

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Voçoroca

Exemplo de hollow na região do Complexo Bação. Estes hollows representam muitas vezes paleovoçorocas

Voçoroca

Voçoroca se desenvolvendo em área de paleovoçoroca (hollow) na região do Complexo Bação. Isto prova que a voçoroca é um fenômeno natural e recorrente em determinadas paisagens

Voçoroca

Voçoroca se desenvolvendo em hollow em região da bacia do rio Paraíba do Sul, em Bananal, SP

12 – Métodos de Contenção de Voçorocas

12.1 – Controle do escoamento superficial:

Obras de drenagem

Terraçeamento

Voçoroca
Exemplo de terraços (andenes) pré-colombianos nos Andes

Voçoroca

Voçoroca
Exemplo de terraços précolombianos nos Andes

12.2 – Controle das águas subterrâneas

Construção de drenos no sopé dos taludes

Detalhe de projeto de contenção de voçoroca urbana por meios de retaludamento, drenos de pé, aterro e controle do canal de drenagem com solo-cimento ensacado (Prandini et al., 1974).

Voçoroca

Luis de A. P. Bacellar

Fonte: www.ufv.br

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A voçoroca, boçoroca ou ravina é um fenômeno geológico que consiste na formação de grandes buracos de erosão, causados pela chuva e intempéries, em solos onde a vegetação é escassa e não mais protege o solo, que fica cascalhento e suscetível de carregamento por enxurradas. Pobre, seco, e quimicamente morto, nada fecunda.

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Ravina ou barranco é uma depressão no solo produzida por um escoamento de grande quantidade de água por uma encosta. E voçoroca é um pedaço de rocha que se desprende de uma maior.

Ambos são causados pelo intemperismo físico da ação pluvial e são considerados ações erosivas. Os sedimentos decorrentes dessas ações climáticas são deslocados para as partes mais baixas e ali depositados.

Formam-se assim os colúvios e depósitos de encosta, caracterizando o processo de sedimentação.

A voçoroca pode ser prevenida com a plantação de árvores na beira dos buracos, que agem como guarda-chuva do solo contra a chuva e vento, além de evitar que o fluxo da água leve consigo terra e sedimentos, que são retidos por suas raízes.

É um fenômeno prejudicial pois destrói terras cultiváveis e colabora para o assoreamento de rios e entupimento de redes de esgoto, que ficam entulhadas por detritos do solo, facilitando o processo das enchentes urbanas.

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Fonte: pt.wikipedia.org

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IDENTIFICAÇÃO DE AGENTES CAUSADORES E MONITORAMENTO DE VOÇOROCAS EM CHUVISCA, RS

1. INTRODUÇÃO

As formas de erosão hídrica são determinadas conforme o grau de desagregação e transporte de partículas do solo, tendo nas voçorocas o estado avançado de erosão hídrica. Entre as conseqüências negativas à população e ao ambiente relacionadas ao voçorocamento do solo, encontram-se a perda de área utilizável e dificuldades de trânsito nas propriedades rurais, assoreamento de mananciais hídricos, e morte de animais devido a acidentes. Trata-se de um passivo ambiental cuja recuperação é difícil, na maioria das vezes associada a custos elevados e longo prazo.

As chuvas diferem quanto à capacidade de provocar erosão.

Quanto maior sua intensidade, maior o diâmetro médio da gota e maior a energia erosiva (Denardin, 2005). O processo de erosão hídrica pode ser separado em três etapas: desagregação, transporte e deposição. Inicialmente ocorre a desagregação de solo pelo impacto da gota da chuva ou pelo escorrimento superficial da água. As partículas desagregadas ainda serão transportadas pelas enxurradas, com a posterior sedimentação do material em suspensão num ponto de cota mais baixa no terreno.

Com respeito às causas, este tipo de degradação do solo pode ser resultado de ações antrópicas ou natural. Atividades agropecuárias, como, desmatamento para agricultura, superpastoreio e manejo inadequado do solo que leve à compactação ou à diminuição da cobertura vegetal do mesmo podem ser relacionadas com o problema. A urbanização também pode ser responsável pelo surgimento de voçorocas.

Atividades como as que geram áreas de empréstimo e de aterro, e a construção de estradas mal alocadas ou que deságuam quantidade de água superior que os solos sejam capazes de suportar, são as mais freqüentes. Já dentre os fatores naturais, pode-se citar a configuração topográfica do terreno, textura do solo, composição do solo, cobertura vegetal natural, regimes hidrográficos e pluviométricos fortes. Na prática qualquer evento que diminua ou elimine a cobertura protetora da vegetação natural ou que danifique a estrutura do solo pode contribuir para o início e/ou a aceleração de processos erosivos (Araujo, 2007).

No município de Chuvisca, RS, voçorocas ocorrem, prejudicando as atividades agro-pastoris, bem como, danificando e dificultando a manutenção de estradas não pavimentadas. O presente estudo tem como objetivo, caracterizar e monitorar uma dessas voçorocas do município, além de propor estratégias de controle para este estágio de erosão.

2- MATERIAL E MÉTODOS

A compilação bibliográfica compreendeu a revisão de publicações, tais como, livros, periódicos científicos, sites e como, por exemplo, da Embrapa e Emater, dados de solo, geologia e relevo que posteriormente foram checados em campo.

A área de estudo (Fig. 1) constitui-se num dos casos avançados de erosão por voçorocamento já identificados no município de Chuvisca. Está localizada na comunidade de São Braz Alto, a 10 km da sede do município, numa altitude de 211m e nas coordenadas UTM de 0406284 N e 6604394 E.

Voçoroca

Voçoroca
Figuras 1. Voçoroca na localidade de São Braz Alto, Chuvisca-RS

Trata-se de uma voçoroca com cerca de 150m de comprimento, 10 a 25m de largura e profundidades que atingem 6m em alguns pontos, ocorrendo paralela a uma estrada de acesso à localidade.

No presente estudo foram realizadas observações de campo visando à caracterização inicial da área. Para identificar os diferentes processos de erosão hídrica envolvidos na dinâmica da voçoroca usou-se o registro fotográfico de feições erosivas. Estas feições foram comparadas às descritas por Guerra (2005).

O resgate histórico da gênese e da dinâmica do processo erosivo se baseou em entrevistas com os proprietários da área, técnicos da Emater e equipe de estradas da Prefeitura Municipal. Também foram feitos levantamentos preliminares da geologia, solos e vegetação locais, e coleta de material para análise posterior, como base para a recuperação ambiental.

2. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A erosão por ravinas e voçorocas é causada por vários mecanismos que atuam em diferentes escalas temporais e espaciais (Guerra et al., 2005). Segundo Coelho (1998) citado por Guerra, todos derivam de rotas tomadas pelos fluxos de água, que podem ocorrer na superfície ou em subsuperfície.

Como a observação da ação de mecanismo específicos em campo é relativamente rara, segundo Guerra et al. (2005), a identificação de feições erosivas assume importância na etapa de cadastramento de voçorocas e ravinas e pode, conforme os recursos financeiros disponíveis, tornar mais preciso o dimensionamento de eventuais medidas corretivas a serem implementadas.

Seguindo a classificação de Guerra et al. (2005), foram encontradas algumas feições erosivas na área durante o trabalho de campo, tais como: pedestais ou “demoiselles”, filetes subverticais, cone de areia, sulcos, ravinas, alcovas de regressão e fendas e dutos, também chamados de “pipes”.

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Figuras 2. Feições erosivas registradas na área em julho de 2008.

(A) pedestais ou “demoiselles;
(b), sulco;
(c) alcova de regressão;
(d) cone de areia;
(e) duto;
(f) filetes subverticais

Com a entrevista dos proprietários, foi possível realizar uma pequeno levantamento histórico da voçoroca e da região. A área de ocorrência da voçoroca era uma antiga lavoura de produção de fumo, que chegou ao seu estágio final de degradação pelo manejo inadequado do solo. A lavoura foi abandonada a cerca de 20 anos e hoje parte dela e da estrada em volta foram tomadas pela erosão. Como alternativa dos proprietários, abandonou-se a lavoura e a estrada avançou alguns metros do outro lado, também dos mesmos. Porém, o que se pode observar na análise de campo é que a erosão continua avançando principalmente sobre a estrada, que se constitui numa área de risco a população, uma vez que já ocorreram casos de acidentes com veículos.

Alguns casos de voçorocas no município de Chuvisca podem estar sendo agravados ou até mesmo gerados pela falta de planejamento na construção das estradas, já que não é realizada uma dissipação correta da água. Segundo Daee (1989) a formação de voçorocas pode ocorrer pela falta de planejamento e gerenciamento das águas da chuva como, construção de estradas, cercas, infra-estruturas, com ordenamento da enxurrada em um único ponto sem estratégia de dissipação de energia, entre outros. O lado da lavoura apresenta paredes mais firmes, com feições mais maduras cobertas por musgos e liquens, indicando maior estabilidade. Esta estabilidade possivelmente está relacionado à presença de vegetação na área acima, um capoeirão com cobertura vegetal composta por vassouras, araçazeiros, capororocas e solo em lento processo de recuperação.

Chuvisca pertence a uma região característica de afloramentos de rochas, com relevo predominantemente ondulado a forte ondulado, denominada conforme a classificação das regiões fisiográficas do Rio grande do Sul como, Serra do Sudeste.

Na Serra do Sudeste segundo Denardin (2005), há predomínio de rochas de natureza granítica, o que pode ser constatado durante as coletas de amostras no campo. Granitos são rochas muito resistentes e de difícil intemperização, que originam solos de textura grosseira e com elevado percentual de cascalho. Durante a coleta de amostras no campo identificou-se um solo classificado como Argilossolo Vermelho – amarelo, típico da região da Serra do Sudeste. Segundo este autor, são solos característicos de regiões de relevo suave, com uma seqüência de horizontes A, B,e C, moderadamente profundos, porém ao predominar a cor amarela, conferem alta suscetibilidade à erosão hídrica. O solo da área indica ser muito cultivado, pelo preparo convencional e intenso processo erosivo, com horizonte A não ultrapassando 20cm de espessura, o que lhe confere um alto grau de suscetibilidade à formação de enxurradas.

Segundo pesquisas realizadas pela Embrapa (2006) no controle de voçorocas no meio rural, a ação do homem contribui para a aceleração dos processos erosivos quando este retira a cobertura vegetal original do solo e realiza práticas que promovem sua degradação como, aração, gradagem, redução da matéria orgânica, entre outras; tais práticas expõem o solo ao impacto das gotas da chuva, devido à baixa cobertura do mesmo. Isso pode ocorrer também com superpastejo, práticas de queimada, entre outras atividades; ou seja, a ausência de práticas de conservação do solo. A prática de conservação do solo consiste em mantê-lo coberto com plantas e com resíduos culturais, com terraços, cordões de contorno e cultivo em nível. A cobertura do solo evita o impacto da gota da chuva sobre o mesmo e impede a ocorrência do processo de erosão.

3 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Foi possível estabelecer que a formação de voçorocas esta relacionada principalmente com a evolução do processo erosivo em locais que apresentam suscetibilidade a esses fenômenos. Estas suscetibilidades são dadas por meios naturais como características de relevo (na maioria das vezes encostas), erodibilidade pelo fluxo das chuvas, propriedade dos solos e cobertura vegetal. O fato de umas áreas erodirem mais que outras pode estar relacionado com a ação conjunta de tais fatores, pois a atuação individual destes processos naturais, associada às atividades antrópicas, tem sido a causa mais comum na aceleração dos processos erosivos dentre eles o da voçoroca. Na voçoroca de Chuvisca, a erosão acelerada pela ação da agricultura na área, e conseqüente perda de vegetação nos horizontes superficiais, aliados a falta de controle no fluxo de água superficial, podem ser considerados os fatores aceleradores da voçoroca em estudo.

DUMMER, Juliana

ARNDT, Artur L.

BORGES, Cátia

KOESTER, Edinei

FERNANDES, Flavia F

4 – REFERÊNCIAL BIBLIOGRÁFICO

ARAUJO, Gustavo H. de S. et al. Gestão Ambiental de Áreas Degradadas. RJ: Bertrand Brasil, 2007.
DAEE- Departamento de Águas e Energia Elétrica. Controle de erosão: bases conceituais e técnicas; diretrizes para o planejamento urbano e regional; orientações para o controle de voçorocas urbanas. São Paulo: DAEE/IPT, 1989. 92 p.
DENARDIN, José et al. Manejo de enxurrada em sistemas plantio direto. PA: Fórum Estadual de Solo e Água, 2005. 88p
EMBRAPA Agrobiologia. Recuperação de Voçorocas em Áreas Rurais. Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: http://www.cnpab.embrapa.br/publicacoes/sistemasdeproducao/vocoroca/recuperaca o.htm Acesso em 17 març. 2008
GUERRA, A. J. T. Erosão e Conservação dos Solos – Aplicações, Temas e Conceitos. RJ: Bertrand Brasil, 2005.
GUERRA, A. J.T.; CUNHA, S. B. Geomorfologia: uma atualização de base e conceitos. RJ: Bertrand Brasil, 2007.

Fonte: www.ufpel.edu.br




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