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História do brasil

História da Moeda

História da Moeda

  Muito cedo, na história da humanidade, surgiu a necessidade de um instrumento monetário que servisse como intermediário nas trocas, como medida e reserva de valor. Segundo diferentes épocas e regiões esse instrumetno teve diversos suportes materiais: plumas, conchas, grãos de cacau, ouro ou prata. Suas funções também se diversificaram: a moeda permitiu contar, pagar e poupar, mas também expressar o preço dos bens e o valor dos serviços, além de saldas dívidas. Finalmente, terminou por traduzir o grau de confiança que se depositiva na organização social da comunidade. Mas a moeda, se resolve alguns problemas, também cria outros. Gera seus próprios paradoxos. Instaura um espaço social homogêneo e coerente – o mercado – mas cria dentro desse espaço desigualdades, ou seja, uma hierarquia econômica. Definea riqueza e, de forma indissociável, a pobreza. Converte-se em atributo do poder, mas também num meio para impugná-lo. Estabelece as fronteiras de um território monetário, para abri-lo imediatamente aos mercados internacionais… Vilipendiada pelos moralistas, rejeitada pelos utopistas, às vezes ignorada até pelos economistas, a moeda está, porém, onipresente em nossa realidade cotidiana. Ao facilitar o intercâmbio e liberar a economia, ela contribuiu para alguns decisivios avanços da civilização. Nosso propósito é expor algumas das grandes etapas que demarcaram seu passado, a fim de que se compreenda com maior clareza sua função no presente. Fonte: www.abic.com.br

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Necessidade de Trocas

Devido à especialização da produção, os homens utilizavam o escambo, já que não possuíam ou não produziam a variedade de bens que atendessem as suas necessidades. Esse processo exigia que as partes desejassem exatamente o que a outra parte poderia oferecer e ainda que os seus valores fossem equivalentes. Em função dessa necessidade, originou-se a utilização de um instrumento facilitador de trocas, de valor padronizado, a moeda. Inicialmente, foram utilizados objetos, que por possuírem valor intrínseco, tornaram-se aceitos na obtenção de bens por todos da comunidade. A escolha desses instrumentos monetários se dava em decorrência da sua utilidade e /ou escassez, como também em função da divisibilidade, homogeneidade e facilidade de manuseio e transporte. Fases da moeda Atualmente, a moeda é definida como “um bem instrumental que facilita as trocas e permite a medida ou comparação de valores” . O seu desenvolvimento passou pelas seguintes fases: História da Moeda História da Moeda Moeda-Mercadoria Consistia na utilização de bens, tais como o sal, o gado, as conchas dentre outros, por vários povos para a obtenção de outras mercadorias. História da Moeda Moeda Metálica Nesse período, os metais mais utilizados foram o ouro e a prata, embora inicialmente, tenha sido usado o ferro, o bronze e o cobre abandonados por não possuírem estabilidade de valor como os primeiros (ouro e prata). Passos (2003, p. 450) afirma que “os metais foram as mercadorias cujas características mais se aproximam das características que se exigem dos instrumentos monetários”, no entanto, possuíam os inconvenientes da dificuldade de transporte e do risco dos assaltos. História da Moeda Moeda-papel Foi a solução criada para reduzir as dificuldades de comercialização por meio da moeda metálica. Consistia na utilização de certificados de depósito nas praticas comerciais. Esses certificados eram emitidos pelas casas de custódia e possuíam a garantia de conversão em ouro a qualquer momento. História da Moeda Papel-moeda A partir de meados do século XIX, o Estado assumiu a emissão e o controle da moeda nacional. Atualmente, o Papel-moeda ou Moeda Fiduciária (baseada na confiança da sociedade) “é constituída por moedas metálicas e notas que circulam livremente no país” . Ela não possui lastro metálico e é inconversível em ouro, cabendo ao Estado a responsabilidade de garantir o seu valor por meio da quantidade de moeda liberada. História da Moeda Moeda Escritural Também conhecida como moeda bancária, surgiu pelo desenvolvimento do sistema bancário. Ela é representada pelos depósitos à vista e a curto prazo nos bancos, movimentados por cheques e ordens de pagamentos. O quadro 01 mostra a variedade de bens e os povos que os utilizaram como moeda ao longo da História Importância da moeda no desenvolvimento das nações No exercício simultâneo das suas funções, a moeda é instrumento de troca, medida e reserva de valor e padrão de pagamento. Logo, a relevância histórica da moeda ocorre por meio da sua grande utilidade e facilidade de adaptação às necessidades humanas de adquirir bens e utilizar serviços. Portanto, a moeda representou um papel ativo no que tange ao desenvolvimento da economia das nações e das suas instituições bancárias. CONCLUSÃO
Observou-se que a necessidade de adquirir outros bens e as dificuldades do escambo direto, provocaram o desenvolvimento da moeda – instrumento que facilitou substancialmente as práticas comerciais. A utilização da moeda passou por varias fases, apresentando para cada momento histórico, uma alternativa para atender a demanda de facilitar o processo de troca de mercadorias ou bens. Percebeu-se ainda, que essas necessidades – de adquirir outros bens possibilitaram que a moeda exercesse suas funções, contribuindo assim, para o desenvolvimento comercial, para a criação das instituições bancárias e para o crescimento econômico e social de cada nação. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PASSOS, Carlos Roberto Martins; NOGAMI, Otto. Princípios de Economia. São Paulo: Pioneira Thonsom Learning, 2003.
RATTI, Bruno. Comércio Internacional e Câmbio. 10 ed., São Paulo: Aduaneiras, 2001.
VICECONTI, Paulo Eduardo Vilchez; NEVES, Silvério das. Introdução à Economia. 5 ed., São Paulo: Fase Editora, 2002. Fonte: www.professormedeiros.com

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Evolução da Moeda

ESCAMBO

Escambo(troca de mercadorias) A necessidade das trocas, na economia é decorrência da evolução dos costumes sociais, onde o individuo deixa de ser auto-suficiente na produção dos bens de que necessita para sua sobrevivência. O pecuarista, por exemplo, necessita trocar a carne que produz por alimentos, roupas, móveis e outros bens e serviços que atendam a suas necessidades ou a seus desejos de consumo. Como nos primórdios da civilização não existia o dinheiro como o conhecemos atualmente, a maneira de se obter um bem ou serviço de que se necessitava era por meio de troca direta, também conhecida por Escambo. Acontecia mais ou menos assim: necessitando de um bem que não produzia, o indivíduo A procurava trocar seus excedentes com o indivíduo B, produtor do bem de que necessitava. Essas trocas diretas apresentavam inconvenientes: nem sempre a mercadoria disponível para troca pelo indivíduo A era necessária ao indivíduo B. Este necessitava da mercadoria produzida pelo individuo C, e assim por diante. Assim, as trocas esbarravam na dificuldade de se encontrar um contraparte que tivesse exatamente a necessidade oposta, ou seja, a troca só se efetivaria se houvesse Coincidência de Desejos. Em um sistema como esse, o pecuarista levaria metade de seu tempo produzindo carne e a outra metade procurando alguém com quem pudesse fazer uma troca apropriada. Além disso, como equacionar o volume de comércio? Como se percebe, trocas dessa natureza em economias complexas como as atuais jamais prosperariam. Nestas, não só os bens de consumo, mas os recursos econômicos também são vendidos e comprados com dinheiro, a exemplo do trabalhador que fornece seu trabalho em troca de dinheiro e, com esse, adquire os bens de que necessita. História da Moeda
Moeda Mercadoria   Dada as dificuldades para realizar trocas diretas, a sociedade encontrou uma forma que contornasse o problema: a utilização de uma mercadoria como moeda. Surgiu, assim, a mercadoria com funções de dinheiro, reconhecida como Moeda-Mercadoria. Em uma economia que comercializa bens num sistema de mercado, a definição de uma mercadoria para servir de intermediária nas trocas facilita, sobremaneira, o desenvolvimento das transações. Dependendo da região e do momento histórico, várias mercadorias desempenharam o papel moeda: arroz, tecidos, trigo, peixe, gado, sal, etc… A propósito, a palavra pecuniário, em português, deriva de pecus que, em latim, quer dizer gado. Outra palavra que teve origem em um moedamercadoria é a palavra salário, derivada de sal.

A moeda-mercadoria resolveu o problema da dificuldade de se realizarem trocas diretas. Os bens passaram a ser referenciados nesse tipo de moeda e assim as trocas podiam ser efetuadas de forma mais fácil. No entanto, tendo resolvido um problema, três outros estavam para ser resolvidos: as mercadorias que serviam de moeda eram em geral perecíveis, apresentavam problemas de divisibilidade, como no escambo, e traziam, ainda problemas com a estocagem. A criatividade e a experimentação humanas deveriam ser exercitadas como forma de superar esses problemas. MOEDA METÁLICA História da Moeda As necessidades e a criatividade humanas fizeram com que surgisse uma solução que resolvesse a questão da coincidência de desejos, verificada nas trocas diretas, além do problema da perecibilidade e da divisibilidade. É introduzida, então, a moeda metálica como intermediária das trocas. MOEDA-PAPEL História da Moeda
Cédula Francesa de 25 Sols (1792) A moeda de ouro, utilizada em grande escala como intermediação de trocas, trazia dois grandes problemas para os indivíduos: o custo do transporte, dado seu volume, e o risco de assaltos. O risco de assalto foi determinante na decisão de se manterem as moedas em casas de custódia (os ouvires), em troca de certificados de depósito. Progressivamente, esses certificados passaram a ser usados como moeda. O endosso dava a seus titulares o direito de retirar o ouro junto às casas de custódia. Dessa forma, surgia a Moeda-Papel, cuja característica é ser integralmente lastreada em metal precioso. Em outras palavras, o detentor do certificado podia, a qualquer momento, dirigir-se a casa de custódia e sacar o equivalente no metal que lhe servia de lastro. Essa ação de resgatar o papel em metal é conhecida como conversibilidade. PAPEL-MOEDA OU MOEDA FIDUCIÁRIA A experiência de custódia e da conversibilidade levou a percepção de que a reconversão dos recibos de custódia (moeda-papel) em metais preciosos não era solicitada por todos os seus detentores ao mesmo tempo. Além disso, novos depósitos eram sempre realizados. Assim, os custodiantes começaram, paulatinamente, a emitir certificados não lastreados. A confiança dos comerciantes e da comunidade nos fiéis e honrados custodiantes dos metais preciosos ensejou a criação do papel-moeda (ou moeda fiduciária). Junto com o papel-moeda nascia, também, a atividade bancária. A emissão de certificados em montantes superiores ao estoque de metal precioso permitia que seus emissores realizassem operações lucrativas, como a aquisição de títulos e ações ou, ainda, a concessão de empréstimos que rendiam juros. Quando se adotou essa prática, os recibos passaram a ser fracionariamente conversíveis, situação que evoluiu com o tempo, chegando aos dias atuais, em que a moeda é de emissão privativa do Estado, onde não há conversibilidade. Moeda Escritural História da Moeda
Moeda Escritural
A medida que a sociedade evolui, a forma de convivência e os relacionamentos comerciais vão-se modificando. Além do papel-moeda de emissão privativa do Estado, por meio de bancos centrais, há o que chamamos de moeda bancária ou moeda escritural. Os bancos comerciais podem criar moeda, assim como os ourives faziam quando emitiam mais certificados do que o ouro que mantinham em depósito. Nos bancos, somente uma parte do total de depósitos é utilizada ao mesmo tempo. Em qualquer momento existem pessoas depositando e outras retirando, de tal forma que, balanceando essas operações, somente uma parcela do todo é movimentada. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, o depósito é que é moeda, pois é uma promessas de pagar quando lhe for requerido. O cheque, por sua vez, é apenas o mecanismo de conversão do depósito em moeda manual, ou seja, nada mais é do que uma ordem de transferência de fundos. Como só uma parcela de depósitos é requerida em espécie, pois grande parte retorna aos bancos em forma de novos depósitos, o banco pode fazer promessas de pagar acima do que dispõe e, dessa forma, criar moeda em meio de pagamento, apesar de não poder emitir a moeda que esteja em curso no país (função privativa do Banco Central). Esta questão de moeda escritural, principalmente com relação à capacidade que os bancos apresentam de multiplicá-la, será retomada adiante no tópico. “Criação / Destruição de Moeda”. Moeda virtual História da Moeda A evolução das formas de moeda está vinculada ao aspecto intrínseco de que novas formas são adotadas por tornarem mais fáceis, as transações entre os agentes econômicos. Desde seu surgimento até as modalidades hoje existentes, as transformações da moeda estiveram vinculadas ao aspecto da redução dos custos de transação. A moeda na forma digital (mecanismos de pagamento por via eletrônica) implica redução significativa nos custos de transação. Seu surgimento e desenvolvimento, no entanto, está mais ligado ao fato de que são vislumbradas as oportunidades de negócios com o oferecimento de serviços financeiros por meio de cartões, Internet, etc. Essas novas formas de dinheiro eletrônico ganharam impulso com a criação da Internet, que permite a realização de compras via computador, debitando-se os respectivos custos em cartões de crédito ou diretamente na conta bancária do usuário. Com o desenvolvimento dos meios de comunicação e da transferência eletrônica de dados, há ainda campo aberto para a criatividade humana encontrar novas formas de intermediar as trocas de aquisição de bens e serviços. O que podemos perceber também é que a dificuldade de averiguar exatamente onde uma transação ocorre dificultará, ainda mais, a ação dos governos, tanto em definir políticas e fiscalizar essa nova forma de moeda, como em tributar as transações dessa forma originadas. Funções da moeda A moeda surgiu da necessidade de os indivíduos trocarem seus excedentes por outros bens de que necessitavam, principalmente na medida em que as economias foram se especializando. Seu uso generalizado gerou consenso a respeito das funções que deve exercer. São elas: Intermediária de trocas É a função por excelência da moeda. Qualquer sociedade com grande nível de especialização do trabalho e volume significativo de trocas seria inviável sem a existência da moeda. Unidade de conta ou medida de valor A moeda serve para comparar o valor de mercadorias diversas (os diversos bens e serviços são expressos em quantidade de moeda, por meio dos preços). Além disso a moeda resolve o problema de se somar coisas distintas. Reserva de valor Um indivíduo que recebe moeda por alguma transação que tenha realizado, ou até mesmo, como prêmio, não precisa gastá-la imediatamente. Pode guardá-la para uso posterior. Isto significa que ela serve como reserva de valor. Para que em cumpra seu papel, é necessário que tenha valor estável, de forma que quem a possua tenha idéia precisa do quanto pode obter em troca. Se a economia estiver num processo inflacionário, o valor da moeda vai-se deteriorando, fazendo com que esta função não se cumpra. Padrão de pagamentos diferidos Esta função resulta da capacidade da moeda em facilitar a distribuição de pagamentos ao longo do tempo. Os pagamentos feitos aos fatores de produção por exemplo, fator trabalho, são exemplos de diferimento. As operações de crédito e financiamento, que dão sustentação a maior parte das grandes transações econômicas, são também exemplos de compromissos diferidos, cuja liquidação é contratada e se dá sob a interveniência da moeda. Moedas no mundo Afeganistão = afegani
África do Sul = rand
Alemanha = marco
Arábia Saudita = riyal
Argentina = peso/
Austrália = dólar australiano
Áustria = schilling
Bélgica = franco belga
Bolívia = peso boliviano
Brasil = real
Bulgária = lev
Camarões = franco CFA
Canadá = dólar canadense
Chile = peso chileno
China = yuan
Colômbia = peso colombiano
Congo = franco CFA
Coréia do Sul = won
Cuba = peso cubano
Dinamarca = coroa
Egito = libra
Equador = sucre
Eslováquia = coroa eslovaca
Espanha = peseta
Estados Unidos = US dólar
Filipinas = peso filipino
Finlândia = markka
França = franco francês
Guana = cedi
Grã Bretanha = libra esterlina
Grécia = drachma
Guatemala = quetzal
Holanda = guilder
Hong-Kong = dólar Hong-Kong
Hungria = florim
Índia = rupia indiana
Indonésia = rupia indonésia
Irã = rial
Iraque = dinar iraquiano
Itália = lira
Iugoslávia = dinar iugoslavo
Japão = yen
Jordânia = dinar jordaniano
Kênia = shilling keniano
Kuwait = dinar kuwaitiano
Líbano = libra libanesa
Lituânia = litas
Malásia = ringgit
México = peso mexicano
Nicarágua = córdoba
Noruega = coroa
Paraguai = guarani
Peru = sol nuevo
Polônia = zloty
Portugal = escudo
Romênia = leu
Rússia = rublo
Suécia = coroa sueca
Suiça = franco suiço
Tailândia = baht
Turquia = lira turca
Uruguai = peso uruguaio
Venezuela = bolivar
Zaire = zaire Fonte: www.fisgall.com

História da Moeda

  1- ETIMOLOGIA Etimologicamente, o termo se atribui ao latim moneta, " moeda ", o lugar onde se cunhavam moedas em Roma, o templo Juno Moneta. 2- CONCEITO Unidade representativa de valor aceita como instrumento de troca numa comunidade. A moeda corrente e a que circula legalmente num país. Moedas fortes são as que tem curso internacional, como instrumento de troca e reservas de valor. 3- FUNÇÕES DA MOEDA Graças a moeda, pode o indivíduo generalizar seu poder de compra e obter da sociedade aquilo que sua moeda lhe da direito, sob a forma que melhor lhe convém. Classificando uma transação comercial em duas fases, uma de venda e outra de compra, a moeda facilita ambas as partes. Resumindo, e mais fácil ao vendedor de uma colheita achar quem lhe queira comprar parte dela do quem queira troca-la por outros produtos. 4- ORIGEM E HISTORIA ATE O SÉCULO XV: AS TROCAS E AS MOEDAS ANTES DA INTRODUÇÃO DOS METAIS: Hoje em dia, a moeda parece ser uma coisa banal. Mas sua descoberta representou um notável avanço na historia da humanidade. Antes do surgimento da moeda, todos viviam a procura de novos instrumentos de troca capazes de medir o valor dos bens. Entre os inúmeros meios de troca já testados antes da criação da moeda, os animais têm lugar de destaque. Na Grécia, no século VIII a.C., faziam-se as contas tomando o boi como parâmetro: uma mulher valia de vinte a quarenta cabeças de gado; um homem, cem. Servindo como meio de pagamento, o sal circulava em vários países (dai vem o termo salário), como exemplo a Libéria, onde trezentos torrões compravam um escravo. Entre as versões primitivas de moeda, as conchas foram , sem duvida, as mais difundidas. Especialmente os cauris (espécie de búzio), que nos séculos XVII e XVIII virou a moeda internacional; metade do mundo entesourava e comprava cauris. A INTRODUÇÃO DE CÁLCULOS CONSTANTES Fixados na Babilônia e na Assíria por volta do quinto milênio a.C. , os Sumérios tiveram um importante papel na historia da moeda, ao criarem um calculo baseado em valores de referência constantes. Graças a esse povo, ainda, o ouro e a prata tornaram-se unidades de medida de preço. Esses metais, porem, não circulavam, permanecendo nos templos. Ou seja, os Sumérios inventaram o dinheiro, mas não a moeda. DAS PRIMEIRAS MOEDAS DE METAL NA CHINA ATE AS MOEDAS METÁLICAS DA ÁFRICA CHINA Foi na China do período Chou (1122-256 a.C.) que nasceram as moedas de bronze com formas variadas: peixe, chave ou faca (Tao), machado (Pu), concha e a mais famosa o Bu, que tinha a forma de uma enxada. As formas das moedas vinham das mercadorias e objetos que possuíam valor de troca. Nessas peças encontravam-se gravados o nome da autoridade emitente e o seu valor. No final desta dinastia, surgiu o ouro monetário (Yuanjin). Este tinha a forma de um pequeno lingote com o sinete imperial. Também nessa época surgiram as moedas redondas de bronze, com um furo quadrado no centro. O PAPEL-MOEDA CHINÊS Os primeiros registros da utilização do papel como moeda remontam do ano 89. As matrizes para a impressão eram confeccionadas em tabuleiros de madeira ou de bambu, sobre as quais era aplicada uma pasta especial, feita de polpa vegetal amolecida e batida. A madeira recebia tinta e os desenhos e textos gravados eram passados para o papel. Essa invenção permaneceu escondida durante séculos; sua importância pode ser exemplificada pelo fato de os chineses terem erguido um templo em homenagem ao inventor dessa técnica. A partir do ano 610 missionários cristãos espalharam a novidade em outras terras. Mas foi o comerciante veneziano Marco Polo que mais se encantou com a técnica de fabricação do papel-moeda chinês, que publicou no seu livro Le Livre de Marco Polo, entre suas experiências na China, onde ficou dezessete anos. ÁFRICA As manilhas ( ou moedas-argolas), feitas na sua maioria de cobre, eram empregadas como meio de troca na Africa-Ocidental, que hoje compreende a Nigéria, Gana Benin e Togo. Seus valorem eram proporcionais a quantidade de metal que continham, podendo pesar entre 2700 e 200 g. Suas formas eram variadas também: ferradura, semicircular, anel, bracelete ou corda retorcida. Um manual português do século XV traz o valor comercial das manilhas: com oito delas comprava-se um escravo. Ao lado do valor monetário essas pecas tinham também clara função de ornamentação, alguns exemplares são totalmente decorados, o que elevava muito seu valor artístico. MOEDAS DA GRÉCIA ANTIGA As primeiras moedas gregas começaram a serem cunhadas a partir do século VII a.C. Com figuras de animais verdadeiros, plantas e objetos úteis ao homem. As moedas primitivas mais famosas eram a coruja, o pegasus e a tartaruga. As tartarugas foram as primeiras moedas a serem cunhadas na Grécia, seus exemplares mais antigos são de 625 a.C. e durante um século foram elas que ditavam as leis nas trocas comerciais. Essas moedas representavam Egina, florescente empório comercial do Peloponeso e eram mais valiosas que as corujas, valiam o dobro: 2 dracmas (dracma – unidade da moeda de prata). Os potros vinham em segundo lugar na ordem de valor monetário, era cunhado em
Corinto, importante centro comercial no istmo de mesmo nome, trazendo a impressão de um Pegaso (mítico cavalo alado). Podiam ser dracmas ou estateres
(o estater era a unidade da moeda de ouro). Já as corujas, que eram cunhadas em Atenas, sendo as menos valiosas entre as três moedas mais importantes, valiam uma dracma ou um estatere. Mas anos depois, foram descobertas várias jazidas de prata perto de Atenas, e começou a ascensão desta cidade e conseqüentemente das corujas. Por volta do ano 525 a.C. , Atenas cunhou uma moeda esplêndida no valor de 4 dracmas, a tetradracma. Estas moedas estão entre as mais fascinantes da Antigüidade e por quase dois séculos não sofreram modificações. Após a vitória da batalha de Salamina, contra os persas ( 480 a.C.), os atenienses cunharam uma moeda no valor de dez dracmas, o decadracma. Aos poucos, todas as cidades gregas começaram a cunhar moedas com efígies divinas. De simples instrumentos de troca, as moedas transformaram-se em obras de arte. Pelo bom gosto, pelo requinte da cunhagem, pelo relevo acentuado por figuras em perfeita harmonia com a espessura do metal, as moedas gregas são únicas. Aos poucos, todas as cidades gregas começaram a cunhar moedas com efígies divinas. De simples instrumentos de troca, as moedas transformaram-se em obras de arte. Pelo bom gosto, pelo requinte da cunhagem, pelo relevo acentuado por figuras em perfeita harmonia com a espessura do metal, as moedas gregas são únicas. MAGNA GRÉCIA Magna Grécia e a região do sul da Península Itálica e parte da Ilha de Sicília, que ficou ocupada pelos gregos ate a sua tomada pelo Império Romano. As moedas consideradas mais bonitas do mundo são as decadracmas e as tetradracmas de Siracusa ( na chamada Magna Grécia), com a cabeça da ninfa Aretusa ( ou de Persefone) e a quadriga, no trote ou a galope. Ha 25 séculos essas moedas em prata quase pura – 43g no caso das decadracmas – são objetos de admiração e imitação. Na Sicília e na Magna Grécia nasce, no final do século V a.C. , a primeira moeda, em que se podia confiar, do Ocidente, vinculada ao valor do metal. A variedade também era enorme: ha pecas quadradas, pequenas, cuneiformes, recunhadas, fragmentadas ou cortadas ( no primeiro caso, para enfrentar a falta de moedas de menor valor; no segundo, para diminuir o valor). AS MOEDAS DE ALEXANDRIA Em Alexandria, Oriente e Ocidente se fundiam: povos de três continentes conviviam em paz, unidos pela mesma língua, o grego. Naquela cidade, ciência, literatura e arte falavam grego, influenciando a cultura dos demais países. Na Casa da Moeda de Alexandria, marcadas por um L, foram cunhadas algumas tetradracmas de prata, as mais belas do seu período. Tais moedas possuíam um numero que correspondia ao ano de reinado do soberano, ao contrario das antigas moedas gregas, desprovidas de data. ANTES DO INICIO DA MOEDAGEM A moedagem romana começou dois séculos mais tarde do que as das cidades da Magna Grécia que já cunhavam belíssimas moedas. No século IV a.C. , enquanto as dracmas, no mundo grego e principalmente na Sicília, alcançavam o auge da perfeição estilística, em Roma ( que na época era uma simples vila de pastores), os animais ainda eram o principal meio de troca. Mais tarde, desenvolveram uma moedagem excepcional quanto a continuidade ( cunharam-se moedas de 335 a.C. a 476 d.C.) e variedade ( usaram-se quase todos os metais). AS MOEDAS ROMANAS "ARCAICAS" A partir do século VII a.C., Roma adotou um bem para intermediar as trocas: o bronze ( a prata precisava ser importada, e desconhecia-se a existência do ouro na época). Eram peças sem forma de metal bruto fundido (aes rude), avaliado com base no peso (de 2g a 4kg), sem sinais ou figuras. Mais praticas que os animais, elas ainda não ofereciam as vantagens da moeda. AS PRIMEIRAS MOEDAS ROMANAS Por volta de 335 a.C., com o aes grave (bronze pesado), Roma ganhou sua primeira moeda – o as ou asse -, fundida em forma redonda, com indicações de valor e impressos oficiais. No anverso dos ases aparece Jano bicéfalo, a mais antiga divindade do rico Olimpo romano – deus da passagem de um lugar a outro e, portanto, de um tempo a outro – por isso, representado com dois rostos. No reverso, a imagem mais comum e a da proa de um navio. A série do aes grave também e chamada libral (de libra, unidade de peso latina) pois, assimcomo a libra, o as dividia-se em doze uncias. Em 268 a.C. Roma ( já poderosa) passou a confeccionar também moedas de prata, iniciando a esplêndida era do denário romano. IMPÉRIO ROMANO: INICIO E FIM DA MOEDAGEM IMPERIAL A moedagem imperial romana iniciou-se com César, "ditador perpetuo", em 44a.C. Nesta época, as moedas republicanas transformaram-se em imperiais, acentuando seu caráter propagandístico e celebrativo, não mais baseado na gens ("família") ou em um partido, mas em lideres, em personagens isolados, que dominavam a cena política: Marco Antônio, Emílio Lépido, Brutus, Pompeu e outros. Não e de se estranhar que César, em 45 a.C., tenha sido o primeiro a colocar seu retrato em moedas, seguindo o exemplo do mundo grego, onde os reis cunhavam sua efígie sobre as pecas havia dois séculos e meio. Por fim, a moedagem terminou em 476, com a queda de Rômulo Augusto e do Império do Ocidente. A MOEDAGEM BIZANTINA Bizâncio ( depois Constantinopla, atual Istambul), uma das mais poderosas cidades da Antigüidade, foi fundada em 675 a.C. (ou talvez 703, não se sabe a data exata) pelos habitantes da cidade grega de Megara. A cidade se tornou muito poderosa graças ao intenso comercio e a sua estratégica posição geográfica, no estreito que une o mar Egeu ao mar Negro, a Europa a Ásia. A denominação de Constantinopla, séculos mais tarde da sua fundação, foi dada pelo imperador Constantino, que em 326 fez de Bizâncio a nova capital do Império Romano. Diferentemente da moedagem romana, da qual derivou, a moedagem bizantina apresenta uma iconografia ( descrição e/ou representação de imagens) toda particular, menos realística e expressiva, mas ainda assim cheia de fascínio e mistério. São muitas as moedas de ouro: o solido, o semisse ( 1/2 de solido) e o tremisse ( 1/3 de solido), todos originados diretamente de moedas romanas. Muitas vezes globulares (em forma de globo), elas tinham grandes dimensões e uma forma de tigela. Essa característica era peculiar a moedagem bizantina. Devido a presença de figuras hieráticas de Cristo, da Virgem, de santos e do imperador e seus familiares, as moedas bizantinas tinham um caráter sacro. Um dos mais freqüentes motivos ornamentais era a cruz, simples ou dupla. O imperador aparecia com vestes suntuosas, coroado por anjos, sentado no trono com um cetro ou um globo na mão, sempre retratado como se fosse um Deus. Nas moedas bizantinas, nunca se representavam animais, cenas mitológicas ou festas leigas (que não são sacras) – a única exceção a imagem de Bizâncio e a Vitória alada. As legendas, gravadas em caracteres gregos, dispunham-se verticalmente, ao longo do bordo externo, ou as vezes ocupavam todo o reverso. AS MOEDAS IBÉRICAS No ano de 711 travou-se na Espanha a Batalha de Guadalete, na qual morreu o ultimo rei visigodo ( povo que habitava a península Ibérica ate essa data). Começava a dominação árabe na península Ibérica. Depois de uma longa e conturbada etapa inicial, os mulçumanos, edificaram uma civilização esplêndida que existiria ate o século XV. Em seu apogeu, o domínio árabe, estendeu-se por dois terços da península Ibérica. Mas, apartir da virada do milênio, o poder dos califas na região entrou num lento e prolongado declive. Estados cristãos surgiram em meio a esse processo, e os cristãos inevitavelmente reconquistariam a península, devido ao enfraquecimento dos árabes. Isso aconteceu com a tomada de Granada ( ultima dominação árabe na península) em 1492. As moedas ibéricas refletem o entre choque de duas culturas, povos e religiões diferentes, que caracterizou a historia da região. Antes da invasão muçulmana, haviam circulado na região moedas gregas, celtas, cartaginesas, romanas e grosseiras imitações destas ultimas, feitas pelos bárbaros. A partir do século VIII, juntaram-se ao grupo pecas árabes ( no inicio de prata e depois de ouro). As moedas ibéricas mais importantes ( excluindo-se as árabes) são as posteriores a união do reino de Castela e Aragão ( 1479) cuja abundância de ouro e prata, vindos do Novo Mundo, deram lugar a novas emissões antigas e mais rústicas. Dentre elas, sobressai-se o ducado – ou excelente – de ouro, com sua metade e múltiplos, que surgiu após a reconquista de Granada. A moeda traz os bustos de Isabel I e Fernando II o Católico ( 1479 -1516). A denominação "excelente" derivava do elevado título da moeda. Também se tornaram famosos os "reales de ocho" de prata ( 8 reales), que passariam a Historia como o dólar espanhol e sobreviveriam te meados do presente século. AS MOEDAS DO RENASCIMENTO O Renascimento se caracterizou pela exaltação do homem e da criação. A cultura clássica foi redescoberta, e dela surgiu o Humanismo – o aspecto literário e filosófico do Renascimento. A moeda esta relacionada com essa "evolução" de várias maneiras. Do ponto de vista econômico, a expansão do comercio e do bem estar pede uma moedagem variada e de qualidade. Do ponto de vista artístico, as moedas dessa época são o fruto de uma produção extremamente refinada: a cunhagem mais bem cuidada permite aos artistas obter mais precisão nos detalhes e criar cenas arejadas, muitas vezes transportadas das pinturas, dando margens a admiráveis estudos de perspectiva e uma notável profundidade de relevo. Nunca nessa época a moeda foi a expressão fiel de seu tempo. Nessa época, o volume de ouro em circulação na Europa aumentara aproximadamente doze vezes em apenas meio século. Predominam, como moedas fortes, além do genovino de Gênova de 1251, os florins de Florença de 1252 e os ducados de Veneza de 1284. Essas duas ultimas moedas eram cunhadas praticamente em ouro puro. Fonte: eduquenet.net

História da Moeda

O que é a moeda?

Moeda é todo o meio que serve para facilitar as trocas. Funciona como um lubrificante do sistema de trocas. A forma mais simples de fazer troca é a troca direta. Mas levanta problemas de redução do bem-estar potencial. Vários bens serviram como moeda ao longo dos tempos: vacas, trigo, cigarros, pão, vinho, etc… MAS…..ESTES BENS TÊM UTILIDADE NÃO MONETÁRIA!!! Rapidamente desapareciam do circuito das trocas… Grande contradição – para ser moeda, um bem tinha que ser útil, para que fosse aceite por todos. Mas, ao mesmo tempo, não podia ter procura não monetária, isto é, tinha que ser inútil.. Durante séculos, este problema foi defrontado pela teoria monetária. Os bens de luxo, como conchas, pérolas, etc., vieram ajudar a resolver o problema. O seu valor não era alterado (degradado) pelo seu consumo não monetário. Isto significa que nem todos os bens podem preencher as condições para serem moeda! Características da moeda Divisibilidade Durabilidade Aceitabilidade geral Ter reduzida procura não monetária Manter o valor Ser prática de movimentar Dificilmente falsificável História da moeda Durante muito tempo, usou-se a moeda pesada para transacções – em cada loja havia uma balança para pesar o ouro e a prata que servia para as trocas. Como este método era pouco prático, devido aos erros que gerava, passou-se à moeda contada – bolinhas de ouro, por exemplo, com peso pré-determinado. Autoridade de fiscalização era necessária (Rei, imperador, etc…). Assim se passou à fase da moeda cunhada, praticamente como a conhecemos hoje – discos metálicos, com o nome do peso correspondente (libra, peso), e com o nome do soberano que a mandava cunhar. Mas as moedas tinham pouca validade geral, principalmente em grandes mercados distantes – CAMBISTA! Os cambistas tinham como função comparar e trocar as moedas de uma zona por outra. Faziam também outro negócio – alugavam cofres para guardar em depósito a moeda dos clientes. Cada cliente ficava com um recibo, como contrapartida, que podia ser endossado. O papel não era ouro, mas valia ouro…Porque tinha a assinatura do cambista a garantir! Quando estes recibos começaram a circular, surgiu a moeda de papel. A partir do final do séc. XVII, alguns cambistas começaram a emitir recibos com um certo montante padrão, sempre igual, e a ter a expressão “ao portador”. Apareceram assim as notas que hoje utilizamos – o papel circulava livremente como moeda. Cada vez mais o papel circulava, e cada vez menos o ouro era levantado. Daqui surgiu a ideia de emprestar o ouro parado, cobrando um juro. Era o nascimento dos bancos! Este era o negócio do crédito. Emitiam-se mais recibos do que o ouro existente. Era uma forma milagrosa de fazer dinheiro. Mas…surgia também a possibilidade de bancarrota! As autoridades tiveram que intervir, declarando a inconvertibilidade dos papéis em ouro, para além de terem tomado o monopólio de emissão de moeda. A moeda passou a ser fiduciária, e passou-se da moeda de papel para o papel-moeda. Noções adicionais de moeda envolvem a moeda escritural (cheques bancários), a moeda de plástico (cartões) ou a moeda electrónica (e-commerce). Funções da moeda Intermediário geral das trocas Unidade de conta (numerário da economia) Reserva de valor Fonte: nunovenes.com.sapo.pt

História da Moeda

  Breve Histórico do Surgimento da Moeda Metálica A “Moeda” antes das Moedas Metálicas: do Escambo à Moeda Até os povos nômades se tornarem sedentários, com o surgimento da agricultura, da criação de animais domésticos e de aldeias, no chamado período neolítico, o que no Oriente Médio e na China ocorreu entre 9000 e 7500 antes de Cristo (a.C.), eventuais “transações comerciais” ocorriam através da troca direta ou escambo de bens. Ou seja, um produto pelo outro, sem que um bem específico servisse de padrão de referência ou meio de pagamento exclusivo. Nos milênios seguintes, certos bens passaram a ser mais regularmente aceitos como forma de pagamento, ou seja, preencheram uma das funções da moeda no seu sentido mais amplo. Alguns autores os classificam como “moedas-mercadoria”. Cabeças de gado, principalmente vacas e ovelhas, tornaram-se símbolos de prosperidade em várias comunidades e eventualmente meios de pagamento. Dentre as referências literárias ao uso de gado como forma de pagamento e valor de referência, destacam-se passagens dos poemas narrativos de Homero (compilados provavelmente no séc. VIII a.C.), a Ilíada e a Odisséia, que também mencionam outros bens como o vinho, objetos de bronze ou de “ferro reluzente”, peles e até escravos, como meios de troca ou de premiação. Assim, as armas de bronze de Diomedes valiam nove bois e as de Glauco, que eram de ouro, cem bois. Por outro lado, a ama-de-leite de Ulisses, Euricléia, que era escrava, custara 20 bois. Mas a utilização de cabeças de gado não era prática, notadamente em transações de menor valor. Pedaços de metal podiam ser menos volumosos e, portanto, mais fáceis de manipular, e eram também mais duráveis, divisíveis em peças ainda menores e virtualmente não perecíveis. Podiam também ser fundidos, re-moldados ou trabalhados para outras utilizações práticas. A partir do momento em que certos povos desenvolveram sistemas de pesos de ampla aceitação e garantidos ou estabelecidos por uma autoridade central, difundiu-se a utilização de metais como unidade de referência e meio de pagamento, ou seja, com algumas das funções modernas da moeda. Na Mesopotâmia foram descobertas numerosas placas de argila, datando de cerca de 2500 a.C., com textos na escrita cuneiforme desenvolvida pouco antes, descrevendo estoques de mercadoria, aluguéis de campos, empréstimos com juros e outras transações comerciais, sugerindo a relativa sofisticação das economias suméria, assíria e babilônica (Fig.A1). No código de leis de Eshnunna (rei no norte da Mesopotâmia), de pouco depois de 2000 a.C, como também no mais famoso código de leis do rei babilônio Hamurabi (1792-1750 a.C), a referência à utilização de prata a peso para pagamentos e multas é freqüente. No código de Eshnunna, o salário diário ideal pago em grãos equivalia a 12 se (cerca de ½ g) de prata. A multa por morder o nariz de um homem era uma mina (cerca de ½ kg) de prata, mas para um tapa na cara era bem menor, ou seja, apenas 10 shekels (1/6 de mina). Juros equivalentes a 20% ao ano sobre empréstimos contraídos e pagáveis em peso de prata eram considerados normais nos dois códigos. Quanto a evidências literárias, na Bíblia, no Antigo Testamento, existem duas passagens muito conhecidas que se referem a transações efetuadas com prata. O patriarca Abraão, originário de Ur (na Caldéia, sul da Mesopotâmia), compra por 400 shekels um terreno para enterrar sua mulher Sara (presumivelmente cerca de 1900 a.C.).Mais tarde, o seu bisneto José é vendido por seus irmãos, a mercadores com destino ao Egito, também por uma certa quantidade de prata. Também no segundo milênio a.C., os Hititas, cujo império ocupava parte da Ásia Menor, adotaram da Mesopotâmia o uso da prata, a peso, para pagamentos. O “código”e leis hitita, especifica o preço de certas mercadorias: por 5 shekels (c. de 40 gramas ) de prata comprava-se um terreno de cerca de 0,8 hectares de terra irrigada; 5 ovelhas; 10 queijos ou um pano grande de linho. Também foram encontrados por arqueólogos em Ugarit, no norte da Síria, pesos de bronze e de pedra, bem como pratos de bronze para balanças contendo vestígios de prata, datáveis de cerca de 1300 a.C., também sugerindo o uso da prata a peso na região. No Egito, que tinha uma agricultura próspera às margens do rio Nilo, inclusive com o uso do arado , e que dispunha das minas de ouro da Núbia, desenvolveu-se um sistema de pesos e o uso de metais para transações no reino (e eventualmente também para recebimento de tributos de outros povos), possivelmente na mesma época em que na Mesopotâmia. No Novo Reino, no período de c. 1295 a 1069, acredita-se que a relação entre a prata e o cobre era de 1 para 100, baixando depois para 1 a 60. Um deben pesava cerca de 91g e correspondia a 10 kites . Além de farta evidência iconográfica nos monumentos egípcios de várias épocas, tais como pinturas com pesagem de argolas de ouro em balanças existem textos em escrita hieroglífica que mostram que a referência a quantidades de cobre e de prata em transações era freqüente. A palavra para prata (hedj) pode inclusive ter tido um sentido mais amplo próximo ao de dinheiro. Textos de Deir el Medina, a aldeia onde viveram durante séculos os artesãos que trabalhavam no vizinho Vale dos Reis (Tebas) ilustram vários exemplos de referência ao cobre a peso. Em um caso, um boi avaliado em 50 deben (ou seja, cerca de 4,55 kg de cobre) é trocado por um jarro de banha equivalente a 30 deben, duas túnicas no valor de 10 deben, 10 hin de óleo vegetal valendo 5 deben, epedaços de cobre pesando (e portanto valendo) 5 deben. Outra transação envolveu a compra de um sarcófago de madeira avaliado em 25,5 deben por um porco (5 deben) , duas cabras (4 deben), 2 troncos de madeira de sicômoro ( 2 deben) e dois pedaços de cobre, um pesando 5 e outro 8,5 deben . Em outras palavras, tudo tinha um valor, passível de ser expresso em várias unidades, que coincidia com quantidades de certos bens, que podiam ser tanto metal a peso, quanto trigo, óleos vegetais, etc. No entanto, os escribas dos armazéns reais da Mesopotâmia e os artesãos de Deir el Medina estavam familiarizados com sistemas de contabilidade complexos e com a escrita. Até que ponto, no Egito e na Mesopotâmia, o uso de padrões de referência baseados em pesos de metais se estendia à grande maioria da população, composta de camponeses iletrados, é difícil de avaliar. Em ambas as economias, ocorria a redistribuição entre a população de parte das mercadorias arrecadadas pelo poder central, com espaço limitado para a iniciativa privada. De qualquer forma, no Crescente Fértil (que se estendia da Mesopotâmia ao Egito), a partir do terceiro milênio a.C., pedaços ou lingotes de metal foram substituindo, em certos casos, animais ou outros bens, como grãos de cereais ou diversos utensílios ou objetos metálicos trabalhados, anteriormente usados em trocas. Esses diversos meios de avaliação e de troca continuaram coexistindo, e tinham em comum o seu caráter impessoal, anônimo, sem “marca de origem”. O uso de lingotes de metal estendeu-se também ao “comércio internacional” ou ao pagamento de tributos de povos submissos. Pinturas egípcias mostram núbios trazendo argolas de ouro para o faraó, além de diversas outras mercadorias. Existe também evidência de pagamentos sob a forma de placas de cobre com a forma de couro de boi, como nas pinturas do túmulo de Rekhmira, ministro chefe do faraó Tutmosis III (c.1501-1447 a.C.), (Fig.A7), presumivelmente trazidos por cretenses e sírios. Em Micenas, na Grécia, e também na ilha de Chipre, foram encontrados lingotes ou placas de forma semelhante, datáveis dos sécs. XVI a XIV a.C. (e pesando 25,5 kg ou cerca de um talento) O mais antigo navio naufragado de que se recuperou a carga, afundado no séc. XIV a.C. nas costas da atual Turquia e possivelmente cananeu ou cipriota, continha além de vinho, azeite e outras mercadorias, placas de cobre e objetos de cobre e bronze que provavelmente destinavam-se à troca por outros bens . A importância do cobre para a economia de Chipre na Antiguidade é evocada em uma moeda recente representando um mercador carregando uma daquelas placas. Ou seja, mais de dois milênios antes de Cristo já existia no Oriente Médio o conceito de “moeda” como meio de troca ou pagamento e como padrão de valor ou referência, com base em metal pesado, que também podia ser armazenado, mas a necessidade de pesagem em cada transação continuava sendo pouco prática. Talvez para facilitar pagamentos, fabricaram-se finos rolos e espirais, ou barras de prata, que podiam ser mais facilmente quebrados ou cortados, que são mencionados em textos históricos e foram encontrados em tesouros ou achados como o de el-Amarna, no Egito, do séc. XIV a.C., , mas também na Mesopotâmia e no atual Irã. Evidências arqueológicas confirmam que pedaços de metal sem forma definida, placas ou lingotes de cobre, braceletes, anéis, argolas ou pulseiras de prata ou ouro e barras de ferro foram utilizados para trocas no Crescente Fértil e em diversas regiões beirando o Mar Mediterrâneo. De forma totalmente autônoma, na China, no primeiro milênio a.C., também foram usados, em transações comerciais, objetos de bronze de formato mais ou menos padronizado, armas e utensílios como facas, machados, ou pás, fundidos em moldes (em paralelo ao uso de conchas conhecidas como “caurís”). A grande capacidade de trabalho em metais, tanto do bronze como de metais preciosos, seja para a confecção de armas e utensílios, seja para a produção de jóias e adornos, encontra numerosos exemplos nas várias regiões do mundo mediterrâneo e outras civilizações da Idade do Bronze). A lapidação de sinetes em diversos tipos de pedras também alcançou um elevado nível de sofisticação. Já não faltava, portanto, qualificação técnica para a produção da moeda metálica. O Conceito de Moeda No mundo moderno, a moeda de um país, no seu sentido mais amplo, tem três atributos básicos: é unidade de conta ou padrão de valor, ao qual são referenciados os preços de todos os bens e serviços; é também meio de troca, servindo para a aquisição de bens e serviços e pagamentos de salários ou de dívidas, preenchendo a função de meio de pagamento; e, finalmente, constitui-se também em reserva de valor, podendo ser guardada como parte da riqueza ou poupança das pessoas. No dia-a-dia, a moeda assume a forma de moedas metálicas, normalmente discos redondos de metal, de diâmetros variados, usados para pagamentos de menor valor, ou de papel-moeda ou cédulas , que freqüentemente têm valores de face mais elevados. (Os depósitos à vista em bancos, que são movimentáveis através de cheques ou de ordens de pagamento, ou mais recentemente por cartões eletrônicos , também fazem parte da “oferta de moeda” ou dos “meios de pagamento” na acepção da teoria econômica moderna). Hoje em dia as cédulas e as moedas metálicas são “fiduciárias”, ou seja, são aceitas em função da credibilidade da autoridade emissora: o seu valor de face ou “poder liberatório” é muito superior ao do material (papel ou metal) que as compõe. Durante cerca de 2500 anos a moeda metálica valia pelo seu valor “intrínseco”, ou seja, a quantidade de metal puro contida na liga de metal de que era feita, especialmente no caso das moedas de ouro e de prata. Na língua portuguesa, como também na francesa e na espanhola, a palavra moeda tem os dois significados, aplicando-se tanto às unidades de moedas metálicas, (uma moeda) como também à idéia mais ampla do dinheiro em circulação ou “meio circulante” em um país, com os três atributos acima mencionados (a moeda). Já nas línguas inglesa e alemã, existem respectivamente os vocábulos coin e münze com o primeiro sentido e money e geld com o segundo. A palavra moeda tem origem curiosa: deriva do fato de que, em Roma, a oficina monetária esteve algum tempo instalada no Capitólio, nas proximidades de um dos templos de Juno, dita “Moneta”, assim chamada por ter avisado (“monere” em latim é avisar) os romanos sobre um tremor de terra. A Moeda como Obra de Arte e Adorno. Desde cedo, as cidades-estado gregas e outras unidades políticas buscaram cunhar moedas com símbolos (e mais tarde legendas) que permitissem uma fácil identificação de sua origem. As moedas eram uma afirmação da autonomia e da identidade da “polis”, tornando-se, em diversos casos, motivo de orgulho para os cidadãos. História da Moeda A tartaruga de Egina (marítima e depois terrestre), o pégaso de Corinto e a coruja de Atenas são alguns dos exemplos mais conhecidos. Mas logo se adotou a prática de cunhar peças com imagens de deuses ou cenas envolvendo além de deuses, seres humanos, animais e diversos objetos. Algumas das principais obras-primas da história da moeda metálica foram criadas nos períodos da arte grega clássica e helenística, refletindo o elevado padrão estético alcançado em outras manifestações artísticas, notadamente a escultura e a pintura dos vasos de cerâmica (já que a grande pintura é mais difícil de avaliar, visto que quase toda ela se perdeu), além da ourivesaria, da gravura de sinetes de pedra e camafeus, e da confecção de objetos de bronze utilitários ou de decoração. Dadas certas afinidades estilísticas e técnicas que perduraram, ao longo dos séculos,entre a cunhagem de moedas e tais “artes aplicadas,” apresentam-se nesta exposição ilustrações dessas artes praticadas pelas várias civilizações cuja cunhagem e história monetária estão sucessivamente retratadas. Enquanto a maioria das atribuições de obras de arte da Antiguidade Clássica depende de tradições literárias ou de evidências indiretas (inclusive a sua reprodução em moedas da época), alguns gravadores de moedas tiveram tanto orgulho de suas obras que as assinaram no cunho, garantindo a sua autoria para a posteridade. Este é notadamente o caso de diversas moedas da Sicília, especialmente de emissões de Siracusa de cerca de 400 a.C, firmadas por Euainetos e Kimon, mas também de cidades da Ásia Menor, entre as quais se destaca uma emissão de Clazomenae, assinada por Teodoto por volta de 380 a.C. . O tipo do busto da ninfa Aretusa de Euainetos, considerado por muitos um como padrão clássico de beleza feminina, foi imitado na cunhagem de outras cidades e em diversas esculturas. Vários tipos monetários de Zeus, Atena, Apolo e de outras divindades gregas, representados nesta exposição, rivalizam também em beleza, apesar de sua dimensão reduzida, com as esculturas da época, cujo maior porte tendia a proporcionar maior liberdade de criação. A partir do poeta Petrarca (1304-1374), que reuniu uma coleção de “medalhas” (como se chamavam ainda então as moedas da Antiguidade), foi o reconhecimento do seu valor artístico que levou vários humanistas, no período do Renascimento, a colecionálas e estudá-las, consolidando a Numismática como ciência auxiliar da História . De fato, os primeiros livros impressos que tratam de Numismática, apresentando reproduções de moedas da antiguidade, datam da primeira metade do séc. XVI O interesse pela Numismática na época foi também indiretamente registrado por Ticiano, em pintura de 1567 ou 1568 em que retrata Jacopo da Strada, antiquário erudito e fornecedor de obras de arte à corte imperial dos Habsburgo, juntamente com várias objetos de coleção entre os quais se incluem moedas da Antiguidade . Foi também certamente a qualidade estética das moedas que levou desde cedo à sua utilização como adorno, montadas em jóias de vários tipos, às vezes apenas com a adição de uma simples argola para penderem de correntes ou pulseiras, mas muitas vezes como centro de sofisticadas obras de ourivesaria (Fig. I6 e I7). Essa utilização perduraria no império romano, bem como no período bizantino e de civilizações mais recentes, culminando com o ainda freqüente uso, nos dias de hoje, de moedas de ouro e de prata para pulseiras, broches, brincos e pingentes, como também se ilustra ao longo da exposição. A partir do Renascimento, em diversas obras de ourivesaria, utilizaramse moedas da antiguidade, notadamente para vasos e bandejas de ouro e de prata (uso também freqüente no Brasil com moedas de prata do império). A Invenção da Moeda Metálica e sua Difusão Inicial A “invenção” da moeda metálica consistiu na emissão de peças de metal de peso padronizado, estampadas com símbolos para garantir o seu peso e teor de metal precioso e, portanto, também, o seu valor. Na medida em que a entidade emissora tivesse credibilidade, as moedas sob a forma de discos de metal ou pequenos lingotes passavam a poder ser apenas contadas, sem necessidade de pesagem para determinar o seu valor. Ou seja, a moeda passava em princípio a preencher os três requisitos de: a) peso conhecido (ou especificação exata de peso); b) composição metálica conhecida; c) apresentar símbolo ou sinete da autoridade emissora. Em terminologia moderna, tinha “controle de qualidade”. Tratava-se assim de uma inovação de ordem mais comercial do que técnica. A cunhagem de moedas iniciou-se quase certamente na segunda metade do séc. VII a.C. no reino da Lídia e nas cidades gregas da Jônia (na Turquia de hoje). É possível que inicialmente algumas emissões tenham sido de particulares, ainda que não subsistam claros exemplos. A moeda de Phanes , possivelmente foi cunhada por um governante da cidade de Halicarnasso, mas alguns autores acreditam que possa ter sido uma emissão de um particular. Porém, indubitavelmente, logo coube a autoridades municipais ou de unidades políticas mais amplas a cunhagem de moedas, com símbolos específicos de identificação. A moeda valia então pelo seu valor intrínseco, ou seja, pelo seu conteúdo de metal precioso. As primeiras moedas eram de eletro, uma liga natural de ouro e de prata, que se encontrava no leito de rios como o Pactolo na Lídia, e as mais antigas parecem ser as achadas nas escavações do templo de Ártemis (Diana) em Éfeso . Tinham uma imagem no seu anverso, ou face principal (“cara”, na linguagem de hoje) e uma ou várias marcas de punções sem imagem no reverso, ou segunda face (“coroa”), ou seja, o reverso era anepígrafe (sem imagem). As consideradas mais antigas tinham anverso liso ou apenas estriado e marca de punção no reverso. O tipo principal é o da cabeça de leão de perfil, com ou sem legenda, atribuível à dinastia reinante na Lídia . A fabricação das Moedas História da Moeda As primeiras moedas eram cunhadas com o seu tipo “incuso”, ou seja, gravado “ao avesso” ou “cavado” no cunho de metal duro, de bronze ou de outras ligas contendo ferro, que ficava fixo numa bigorna. O disco de metal precioso, previamente amolecido por calor, era pressionado sobre esse cunho fixo por um punção ou mais tarde por outro cunho segurado manualmente e martelado na sua base, levando o tipo a aparecer apropriadamente gravado em relevo. Não sendo o eletro uma combinação homogênea de ouro e de prata, observavam-se variações na quantidade de cada metal em diferentes amostras. Já algumas décadas depois das primeiras emissões de peças de eletro, passou-se à cunhagem de moedas de ouro e de prata separadamente, de metal quase puro na origem (possivelmente 98% de pureza no caso das moedas de ouro e de prata gregas), cujo valor era muito mais exato. Tradicionalmente a primeira cunhagem de moedas nesses dois metais (ou seja, o primeiro sistema “bi-metálico”) é atribuída a Creso, rei da Lídia (c.561-546 a.C.), cuja riqueza tornou-se proverbial . Mas é possível que essa transição tenha ocorrido logo após 546 a.C., quando os persas conquistaram o reino da Lídia. Pouco depois, para circulação na Ásia Menor ocidental que era parte do seu império, os persas introduziram o dárico de ouro (Fig.E.3.), equivalente a 20 siglos de prata , sistema monetário que se manteria por cerca de dois séculos. Em paralelo, nas regiões orientais do império persa, o uso de metais preciosos em barras ou lingotes, a peso, continuou durante séculos. A Cunhagem Grega História da Moeda Na Grécia propriamente dita, acredita-se que a ilha de Egina tenha sido a primeira localidade a emitir moedas, estáteres de prata, em meados do séc. VI a.C. ou pouco depois. Mas foi logo seguida por várias cidades-estado importantes da terra firme, como Corinto e Atenas, por Chalcis e Eretria na ilha de Eubéia, por povos da Macedônia e da Trácia, pela ilha de Chipre, pela Lícia na Ásia Menor e por cidades da chamada Magna Grécia (no sul da Itália e Sicília). Desde o início, a cunhagem grega consistiu basicamente de moedas de prata, sendo raras, nos primeiros séculos, as emissões de ouro. Ao se notar que os punções deixavam uma clara impressão no reverso das moedas, pensou-se em colocar um segundo cunho gravado na extremidade do punção, permitindo adotar-se figuras nas duas faces das moedas, bem como legendas, sugerindo que pelo menos uma fração dos seus usuários sabia ler. Essa transição exigiu a gravação de dois cunhos incusos, o fixo, apoiado sobre a bigorna e o outro, móvel, que era martelado sobre o disco mantido entre os dois Durante algum tempo as cidades da Magna Grécia cunharam moedas conhecidas como “incusas”, já que o mesmo tipo do anverso em relevo aparecia cavado ou incuso no reverso . A partir do final do séc. V a.C, moedas de menor valor, de ligas de cobre e de bronze, passaram a ser utilizadas em transações de menor monta, notadamente na Sicília e logo também em toda a Magna Grécia, muitas vezes substituindo as frações de prata de módulo muito pequeno. Moedas, Pesos e Medidas Não se perdeu inteiramente a conexão entre moeda e medidas de peso. O shekel, que era uma unidade do sistema de pesos e medidas não apenas na Mesopotâmia como também entre os israelitas e os fenícios, se tornaria a denominação de moedas de prata cunhadas por ambos os povos. A dracma , unidade monetária de Atenas e de numerosas cidadesestado gregas, e depois também do império de Alexandre o Grande, correspondia a seis óbolos. A palavra grega obelos referia-se a barras de ferro que chegaram, em certas cidades gregas, a ter uma função monetária antes da cunhagem de moedas metálicas. Uma dracma era um punhado (drax em grego) dessas barras , tais como as encontradas no templo de Hera em Argos. A dracma inseria-se num sistema de pesos bem definido: tanto no sistema babilônio como no grego, um talento geralmente equivalia a 60 minas e uma mina a 100 dracmas; portanto, um talento valia 6.000 dracmas. O tetradracma (moeda de 4 dracmas) de Atenas no séc. V a.C. se tornaria uma “moeda internacional” com papel semelhante ao da libra esterlina no séc. XIX ou ao do dólar no séc. XX, sendo amplamente imitado. O talento da Eubéia, de 6000 dracmas, também adotado por Atenas, pesava 26,196 Kgs, e a dracma ateniense pesava, portanto, 4,36 g. Após as conquistas do rei macedônio Alexandre, o Grande, entre 336 e 323 a.C., o sistema monetário grego baseado na dracma de prata (Fig. G3) espalhou-se por boa parte do mundo mediterrâneo oriental, do Egito e do Oriente Médio até o reino da Báctria (no Afeganistão e Paquistão de hoje), sendo também imitado com adaptações pelos celtas, do Danúbio até a Gália (França de hoje). No Egito, além de cunhar um tetradracma de peso inferior ao do reino macedônio, a dinastia ptolemaica emitiu moedas de bronze de grande diâmetro e peso , a maior das quais tinha o peso aproximado de um deben, antiga unidade de peso no Egito Faraônico. Na área central da península italiana, a partir do final do séc. V a.C. foram utilizados, com fins monetários, pedaços de bronze fundido sem símbolos de identificação ou peso definido, aos quais os romanos se referiam como aes rude, que foram sucedidos por barras de bronze fundido retangulares com imagens nas duas faces no início do séc. III. a.C. Essas barras, conhecidas como aes signatum, pesavam aproximadamente 1600 g, ou seja, o equivalente a 5 libras romanas . Pouco antes da primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.), Roma e outras cidades na Itália de hoje emitiram moedas de bronze fundido redondas de peso elevado, conhecidas como aes grave. A unidade básica, o as, pesava inicialmente 324 g, ou seja, exatamente uma libra romana, e é, portanto, conhecido como as “libral”, e as suas divisões correspondiam a frações daquela unidade de peso. Da República Romana à Difusão do Islã A república romana desenvolveu, no final do séc. III a.C., um novo sistema monetário baseado no denário de prata (equivalente a 10 asses de bronze), possivelmente introduzido em 212-211 a.C., e que permaneceria a base do sistema monetário romano por mais de 400 anos . De fato, Augusto, o primeiro imperador romano (27 a.C a 14 d.C) manteve o denário e introduziu a cunhagem regular do aureus de ouro, (equivalente a 25 denários de prata) antes cunhado apenas ocasionalmente . Fixou-se também então por dois séculos e meio o sistema das moedas de bronze, de latão e de cobre, com a emissão do sestércio equivalente a ¼ de denário, e suas sub-divisões. No início do séc. III d.C, Caracala (198-217) adicionou ao sistema o antoninianus de prata com busto radiado (equivalente a dois denários) que deslocaria o denário, cuja emissão cessaria poucas décadas depois. A sucessão de mais de 20 imperadores num período de 40 anos, levou a constantes guerras civis e ao enfraquecimento do teor de metal precioso das moedas, cuja adulteração provocou um forte processo inflacionário. As reformas de Aureliano (270-275) e de Diocleciano (284-305) reforçaram a moeda de ouro e buscaram introduzir peças de menor valor novamente com algum conteúdo de prata (o follis). Mas foi Constantino (307-337) que consolidou a cunhagem do solidus de ouro que seria a base do sistema monetário e do pagamento de impostos e despesas públicas até a queda do império romano do ocidente em 476 d.C. Como se verá ao longo da presente exposição, o sistema monetário romano, além de dar origem ao bizantino, também baseado no solidus de ouro durante mais de cinco séculos, influenciou as cunhagens de ouro dos bárbaros (solidus e tremissis), o sistema monetário islâmico, baseado no dinar de ouro e no dirham de prata, e mais tarde o sistema do denier (denário ou dinheiro, denar e penny) de prata que se difundiu na Europa a partir da dinastia carolíngia .

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  A China e o Extremo Oriente Na China, antes do ano 1000 a.C., praticava-se o escambo de produtos diversos como cereais (arroz e trigo), tecidos (seda), animais, ornamentos e metais, mas também se utilizavam conchas (“caurís”) para transações comerciais ou presentes, conforme atestado por tradições literárias e por imitações posteriores desses objetos em osso e bronze, que também circulariam com funções monetárias. O trabalho do bronze já alcançara elevado grau de sofisticação na China no segundo milênio antes de Cristo . Possivelmente no final do séc. VII ou no início do séc. VI a.C., quando a China encontrava-se dividida entre vários estados rivais, os reis do estado de Zhou inventaram moedas metálicas, independentemente da Lídia e da Jônia no Oriente Médio, mas com a mesma idéia de que a moeda deveria assumir a forma de unidades de metal padronizadas, no caso imitando objetos utilitários como pás e facas. No entanto, enquanto as moedas lídias e gregas eram cunhadas, as primeiras moedas chinesas eram fundidas em moldes (Fig. J2). A prática de fundir moedas, aliás, continuaria na China até o final do séc. XIX d.C. No período dos reinos combatentes (475-221 a.C.), vários estados, notadamente os de Qi, Zhao, Wei e Chu, emitiram moedas de bronze fundido de diversos formatos, já não apenas de facas e pás, mas também de imitações de “caurís” e, mais tarde, no século III a.C., de pequenos discos redondos com um furo no centro. Essas moedas freqüentemente tinham inscrições ou símbolos referentes ao local de emissão e, ocasionalmente, ao seu peso ou valor. O formato redondo consolidar-se-ia a partir da unificação da China sob as dinastias Qin, Han, e Tang, mas sua simplicidade contrastava com o grau de sofisticação alcançado pelas produções dos ourives chineses . Essas moedas fundidas, com furo no centro, seriam mais tarde amplamente imitadas por países vizinhos, como o Japão, a partir de 708 d.C., o reino de Anam (no Vietnam de hoje) em 970 e a Coréia em 996. O Subcontinente Indiano, o Sudeste Asiático e a Oceania A cunhagem de moedas metálicas na Índia e no Sudeste Asiático começou mais tardiamente do que na Ásia Menor e na China, talvez de forma autônoma, mas possivelmente com base no modelo grego. Até recentemente, alguns estudiosos acreditavam que as primeiras emissões, do norte da Índia, datavam do séc. VI a.C. Hoje em dia, a evidência arqueológica sugere que somente a partir do séc. IV a.C circulavam peças de prata de peso uniforme, de formato oval ou retangular, conhecidas como Karshapanas . Eram estampadas em apenas um dos lados com entre um e cinco punções, com diferentes desenhos, aplicados separadamente. A partir do terceiro século a. C, emitiram-se moedas de cobre, fundidas ou cunhadas, em várias regiões da Índia, e dois a três séculos depois houve emissões também no Ceilão (Sri Lanka), seguindo certos tipos hindus. No Afeganistão e talvez no Paquistão atual, as primeiras moedas devem ter chegado durante o séc. V a.C., quando o Afeganistão era uma província do império persa. Existem indicações de que moedas cunhadas no Mediterrâneo oriental circulavam a peso no atual Irã oriental e no começo do séc. IV a.C. também no Afeganistão. Pouco depois passaram a ser cunhadas no Afeganistão, talvez por volta de 375 a.C., imitações em prata de moedas gregas com tipos locais de animais estilizados ou figuras geométricas. Provavelmente logo a seguir, também foram cunhadas pequenas barras de prata (conhecidas como satamanas, com um mesmo desenho geométrico estampado nas duas extremidades de uma das faces. Essas “moedas-barra” também foram cunhadas no Paquistão atual e exportadas para a Índia, onde podem ter servido de modelo para as moedas com punções. No sudeste asiático (Laos, Camboja, Birmânia (Myanmar) e Tailândia, assim como na península malaia, na Indonésia e nas Filipinas, as primeiras emissões de moedas datam do primeiro milênio depois de Cristo ou são até mais recentes. Esse também é o caso da Oceania onde se utilizaram como meios de troca ou com fins cerimoniais, até o séc. XX, diversos objetos de grande originalidade , em paralelo à adoção na Austrália e depois na Nova Zelândia de moedas de tipo europeu a partir do século XIX. A África e as Américas Na África do norte e o Egito, a partir do séc. VI a.C., gregos, cartagineses e romanos sucessivamente cunharam moedas, seguidos depois pelo império bizantino e por diversas dinastias islâmicas. Mas as únicas emissões de moedas na África ao sul do Egito e do Saara, até o segundo milênio d.C., foram as do reino “Aksumita” da Etiópia, convertido ao Cristianismo desde cedo e que durou do séc. II ao séc. VIII . Como atestam vários mercadores e visitantes árabes, em várias regiões da África central e do sul, nos períodos medieval e moderno, perdurou o uso de “moedas-mercadoria”, como sal, tecidos , objetos de metal (braceletes, ou manilas, ou cruzes com forma de X), “caurís” trazidos das Ilhas Maldivas , cabeças de gado (especialmente na África oriental), etc, cuja utilização perduraria até a colonização européia. Os portugueses cunharam as primeiras moedas modernas para uso específico nessas regiões do continente, no final do séc. XVII. Apesar do avançado grau de civilização alcançado pelos maias, incas e astecas entre outros povos das Américas, com impressionantes realizações no campo da arquitetura, e o amplo uso de metais preciosos para jóias e outros fins utilitários, não se utilizaram moedas metálicas nas Américas até a chegada dos colonizadores europeus. Uma possível exceção, registrada por escritores do séc. XVI, seriam pequenas peças de cobre em forma de T ou machado que podem ter tido um uso monetário entre os astecas no século anterior . É provável que certos alimentos, notadamente grãos de cacau, tenham tido funções de meio de troca, e várias civilizações arrecadaram tributos sob a forma de bens manufaturados ou produtos agropecuários como o milho. Na América do Norte, antes da chegada de colonos europeus, os índios da região oriental usavam wampum, um cinto feito com fileiras de pequenas conchas marinhas, como uma forma de moeda ritual . O wampum seria aceito como meio circulante legal nas colônias britânicas da costa leste dos atuais EUA até 1670, sendo também comum o uso de peles de animais para trocas. Entre os índios, porém, os metais não tiveram uso monetário. A Moeda Metálica no Brasil I Os índios brasileiros antes da colonização portuguesa não tinham a noção de moeda não utilizavam metais, e praticavam o escambo, o que fica confirmado já na carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal em 1500. No séc. XVI, a circulação de moedas na colônia era limitada, em função da reduzida dimensão da população e da orientação exportadora da economia açucareira que se consolidou ao final do século. Com a união das Coroas Ibéricas, entre 1580 e 1640, em paralelo a moedas portuguesas, circularam certamente no Brasil moedas hispano-americanas de prata . Durante a invasão holandesa de parte do nordeste brasileiro (1630-1654), a Companhia das Índias Ocidentais cunhou moedas “obsidionais” em Recife, sitiada por tropas lusobrasileiras. Essas primeiras moedas de ouro e de prata cunhadas em solo brasileiro eram denominadas em guilders ou florins holandeses . No final do séc. XVII, circulavam no Brasil, em número insuficiente, moedas portuguesas ou hispano-americanas contra-marcadas entre 1643 e 1679, o que levou a coroa portuguesa a autorizar a abertura da primeira casa de moeda colonial, na Bahia, que cunhou peças de prata de 20 réis a 640 réis e moedas de ouro de 4000 réis . A importância da colônia aumentou muito com a descoberta de ouro em Minas Gerais e depois em Goiás e no Mato Grosso, levando à ocupação dessas regiões do interior do Brasil. Ao longo do séc. XVIII, além de moedas de prata e de cobre, foram cunhadas numerosas moedas de ouro, temporariamente em Minas Gerais mas principalmente no Rio de Janeiro e na Bahia. Ainda que, em tese, parte dessas moedas de ouro fossem cunhadas para circulação exclusiva em Portugal, várias destas peças parecem ter entrado em circulação no Brasil, em paralelo às emissões especificamente destinadas à colônia. Merecem especial menção os dobrões de 20.000 réis cunhados em Minas Gerais, uma das maiores moedas de ouro da época bem como as peças de 6400 réis da 18 Bahia e do Rio de Janeiro , que teriam ampla circulação no Caribe, contramarcadas por outras potências coloniais européias. A Moeda Metálica no Brasil II Ao longo do período colonial, além do açúcar, mercadoria-chave para pagamentos públicos e privados, outros bens serviram para complementar as moedas em circulação, notadamente panos de algodão no Maranhão, usados inclusive para o pagamento de funcionários locais. Zimbos (conchas assimiláveis aos “cauris” correntes na África), aguardente e fumo foram utilizados no tráfico de escravos trazidos das costas africanas. No séc. XVIII, o ouro em pó circulou amplamente, evadindo a obrigatoriedade legal de que todo o ouro fosse convertido em moedas ou barras nas casas de fundição, para que a coroa recebesse a sua fração como imposto (o quinto). Quanto às barras de ouro oficialmente fundidas, é provável que também tenham sido utilizadas para saldar transações comerciais . Porém, a colônia era uma economia monetizada. Quando se entregava em pagamento determinada quantidade de pano ou de açúcar, esta correspondia a uma quantia em réis, que era o padrão de valor, com base no qual eram também avaliados todos os preços de bens e serviços e salários na economia colonial. A partir da independência em 1822, o meio circulante brasileiro consistiu de moedas metálicas e de cédulas de papel moeda. Em vários períodos, as moedas foram entesouradas, prevalecendo a circulação apenas de moedas de cobre ou de cédulas. Ao longo do séc. XIX, no período imperial, também circularam no Brasil moedas estrangeiras, como, por exemplo, libras esterlinas de ouro aceitas para pagamento de impostos em repartições públicas e (principalmente no sul), moedas de prata hispanoamericanas, em paralelo às emissões do governo imperial . Com a República, a cunhagem de moedas de ouro e prata foi se tornando cada vez mais limitada e cédulas passaram a representar boa parte do meio circulante de maior valor, enquanto moedas de níquel e de bronze, e depois de bronze-alumínio, alumínio e, finalmente, aço, serviam para pequenas transações. O mil-réis ( foi a unidade monetária até 1942, quando foi substituído pelo cruzeiro . A aceleração do processo inflacionário especialmente nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, levou a uma sucessão de padrões monetários e a freqüentes desmonetizações e substituições das moedas metálicas. O cruzeiro novo adotado em 1967, foi sucedido pelo cruzado em 1986, o cruzado novo em 1989, novamente o cruzeiro em 1990, e o cruzeiro-real em 1993, culminando com o real em 1994, hoje a unidade monetária do país. A Moeda Metálica no Mundo de Hoje Apesar do crescente uso de cheques, cartões de crédito e mais recentemente de cartões eletrônicos, a moeda metálica continuou a servir de troco e meio de pagamento para transações de menor valor no Brasil e no mundo . O advento do euro, a nova moeda da União Européia , reforçou a importância da moeda metálica, dando origem à cunhagem, pelos países membros da união monetária, de moedas com tipos comuns de reverso com indicação de valor, reservando-se os anversos para tipos nacionais próprios. Assim, a moeda metálica continua sendo uma realidade do dia-a-dia da população mundial. A sua história merece ser bem conhecida já que a história monetária reflete em boa parte a evolução das sociedades em que as moedas circularam. É esse o objetivo da presente exposição, que pretende também situar os vários regimes monetários adotados por diversas civilizações nos últimos 2600 anos, no contexto de seu desenvolvimento histórico e artístico. Privilegiaram-se não somente as ilustrações referentes à produção e ao uso da moeda e às transações comerciais nas diversas épocas, mas também as relativas ao trabalho de metais, às artes plásticas em geral, e à arquitetura das várias civilizações, que de alguma forma influenciaram a temática e o padrão estético de suas moedas metálicas. A Moeda Metálica em seu Contexto Histórico, c. 600 a.C – 1500 d.C O Mundo Grego, c. 800 – 360 a.C c. 800 Composição dos poemas homéricos; os gregos adotam o alfabeto fenício. Séc. VIII Surgimento de numerosas cidades-estado autônomas no mundo grego; início da colonização grega no sul da Itália e da Sicília. 776 Fundação dos Jogos Olímpicos Séc. VII Cidades-estado gregas implantadas na costa norte do mar Egeu, nas costas do mar Negro, na Cirenaica e na costa do sul da França. Séc. VII Agricultura mais orientada para comercialização (azeite, grãos); manufaturas para exportação: produtos de metais, cerâmica, proto-coríntia (c. 725-527) e cerâmica proto-ática (c. 710-600); cerâmica corintia (625-550); aumento do comércio marítimo: Egito aberto a comerciantes gregos. Sécs. VII-VI Monarquias hereditárias e aristocracias substituídas por “tiranias”, governos ditatoriais de “tiranos”, nas cidades-estado mais avançadas. c. 610-560 Alíates, Rei da Lídia da dinastia mermnada (c.680-546). Séc. VI “Tiranias” substituídas por oligarquias de proprietários de terras; início das “tiranias” na Sicília. Séc. VI Inícios da ciência e filosofia gregas Tales de Mileto (c. 620-550) e Pitágoras (c. 570-490). Séc. VI Expansão grega em cheque: o crescimento de Cartago no Mediterrâneo ocidental e do Reino Persa Achemenida no oriente. c. 560-546 Creso, Rei da Lídia, vencido pelos persas. c. 557-530 Ciro rei dos persas completa conquista da Ásia Menor; penetra na Ásia Central; cria o Império Persa. c. 530 Cerâmica Ática (de Atenas) de figuras vermelhas. c. 522-486 Dário I, imperador persa; esmaga a revolta das cidades gregas da Jônia (500-493) mas vencido por coalizão grega em Maratona (490). c. 479-454 Liga de Delos; aliança defensiva contra os persas, gradualmente controlada por Atenas que centraliza o pagamento de tributos. c. 480-479 Xerxes I da Pérsia (486-465), invade a Grécia; vencido por coalizão grega que libera comunidades gregas das costas norte e leste do Mar Egeu. c. 479-454 Liga de Delos; aliança defensiva contra os persas, gradualmente controlada por Atenas que centraliza o pagamento de tributos. c. 461-446 “1a” Guerra do Peloponésio, Atenas contra Corinto; paz de 30 anos. Séc. V Grandes realizações artísticas e literárias gregas; Polignoto, pintor, Miron, Policleto e Fídias, escultores; Píndaro, poeta; Ésquilo, Sófocles e Eurípides,
dramaturgos; Aristófanes, teatro cômico; construção do templo de Zeus em Olímpia (468-456) e do Partenon de Atenas (447-438). 431-404 Guerra do Peloponésio; Atenas vencida; supremacia de Esparta (Tucídides, historiados c. 465-395). Sécs. V-IV Auge da Filosofia: Sócrates (469-339); Platão (428-347); Aristóteles (384- 322). 386 “Paz do Grande Rei”, restabelecimento da supremacia persa sobre as cidades gregas da Ásia Menor e confirmação da supremacia de Esparta na Grécia européia. 378-362 Guerras entre Esparta e Atenas; intervenção e supremacia temporária de Tebas; Morte de Epaminondas e paz temporária. 359 Ascensão ao trono de Filipe II da Macedônia (359-336) EVENTOS MONETÁRIOS c. 650-600 Cunhagem das primeiras moedas, em eletro, na Lídia e na Jônia, na Ásia Menor (hoje Turquia). c. 600 Datação do mais antigo depósito de moedas de eletro, achado nas escavações do templo de Ártemis, em Éfeso. c. 560-546 Adoção do sistema bimetálico na Lídia: cunhagem de moedas de ouro e de prata. c. 550-500 Expansão da cunhagem grega de prata da ilha de Egina para a Grécia continental (Atenas, Corinto), para o sul da Itália e a Sicília, a Trácia e a Macedônia, a ilha de Rodes, e a Lícia na Ásia Menor. c. 530-500 Consolidação da cunhagem de moedas “incusas” nas cidades gregas do sul da Itália (Síbaris, Metaponto, Caulônia, Poseidonia); emissões do tipo tradicional em Naxos, Siracusa e Selinunte, na Sicília. c. 510 Criação do sistema monetário para a região ocidental do Império Persa; dárico de ouro = 20 siglos de prata. c. 480-440 Grande aumento da emissão de tetradracmas (moedas de 4 dracmas) das cidades da Grécia continental e da Sicília (Siracusa, Leontini, Messana e Caulônia); generalização da cunhagem de prata nas principais cidades gregas. c. 460 Emissão do “Demareteion” , decadracma de Siracusa; e dos primeiros decadracmas de Atenas. c. 450-410 Grandes emissões de tetradracmas de Atenas, (Atena/coruja) “moeda internacional”. Atenas apropria-se do Tesouro da Liga de Delos (454), de 6.000 talentos, equivalentes a 30 milhões de dracmas; soldo dos marinheiros da frota ateniense: 1 dracma/dia; reduzido a ½ dracma em 412. c. 450-400 Grandes construções em Atenas, estimuladas por Péricles, chefe do Estado (443-429); 1 dracma/dia = salário de operários especializados em Atenas, livres ou escravos, do pedreiro ao arquiteto; um vaso de cerâmica, sem grande decoração custava alguns óbolos (6 óbolos = 1 dracma); preço médio de escravos vendidos em Atenas em 414 a. C., : 170-180 dracmas; adultos 200; estátuas do Erecteion (407-408) entre 60 e 240 dracmas por escultura. c. 440-380 No sul da Itália, consolidação dos tipos: cavaleiro/golfinho em Tarento; touro com cabeça humana/Atena e depois ninfa, em Nápoles e outras cidades; de touro e Atena em Túrio; Atena e Leão em Vélia (Eléia). c. 440-420 Início da cunhagem de bronze no sul da Itália (Túrio) e na Sicília (Himera e Agrigento) c. 420-390 Período de grandes realizações artísticas nas moedas da Sicília; decadracma de Agrigento; decadracmas de Siracusa assinados por Euainetos e Kimon, com quadriga e ninfa Aretusa. c. 401 Os “dez mil”, mercenários gregos a serviço de Ciro “o Jovem” recebem de soldo 1 dárico de ouro por mês; os oficiais 2 dáricos; o cavalo de combate do historiador Xenofonte foi vendido por 50 dáricos. c. 393-300 Tetradracma de Atenas, olho de Atenas de perfil; deterioração do estilo. c. 395-371 Grandes emissões de estáteres de prata de Tebas, com os tipos do escudo e da ânfora. O Mundo Grego e seus Vizinhos, c. 650-280 a.C “Da Invenção” da Moeda à ascensão de Filipe II da Macedônia, c. 650-360 a.C. As evidências arqueológicas e literárias sugerem que a cunhagem de moedas iniciou-se por volta de 600 a.C. na Anatólia ocidental (hoje Turquia), ponto de contato entre as cidades gregas jônicas da costa do Mar Egeu e o reino da Lídia, no interior. Essas primeiras moedas eram de eletro, uma liga natural de ouro e de prata unifaciais, aparecendo no reverso a marca do punção que forçava o disco no cunho do anverso. A essas emissões seguiu-se a cunhagem de moedas de ouro e de prata puros pelo reino da Lídia, no período de Creso (c. 561-547), com o tipo do leão e do touro se enfrentando . Mas outras evidências de achados arqueológicos sugerem que boa parte dessas emissões ocorreram já sob os persas, que conquistaram a região em 547 a.C. Por volta de 510 a.C., os persas introduziram um sistema monetário duradouro baseado no estáter, ou “Dárico” de ouro de cerca de 8,4g , equivalente a 20 estáteres, ou “siglos” de prata. Na segunda metade do século VI a.C., com exceções como Cízico, Focéia e Mitilene (na ilha de Lesbos), que continuaram a cunhar peças de eletro, a maioria das cidades da Ásia Menor passou a cunhar exclusivamente moedas de prata. Esse foi também o metal das cunhagens iniciais da Grécia propriamente dita, por volta de 550 a.C., onde possivelmente Egina foi a primeira localidade a cunhar moeda . Sua iniciativa foi logo seguida por cidades-estado importantes como Atenas e Corinto e por Chalcis e Erétria na ilha de Eubéia, pelas ilhas gregas do Mar Egeu, por Rodes e pela Lícia e a Cária, na Ásia Menor. Ainda no séc. VI, ou logo a seguir, as cidades gregas e tribos da região da Trácia e da Macedônia , e a ilha de Corcira (corfu) também cunhariam moedas de prata. Os povos “semi-gregos” do interior da Macedônia e da Trácia, como os Derrones, Bisalti, e outros, tinham acesso a grandes jazidas de prata, permitindo-lhes cunhar por volta de 500 a.C. peças de 8 dracmas (octodracmas). Moedas com o tipo característico de ninfa e sátiro são atribuídas à ilha de Tasos . A cunhagem dos reis da Macedônia iniciou-se com Alexandre I (498-451 a.C.). A abrangência da cunhagem grega ampliou-se, passando a incluir as comunidades gregas estabelecidas em volta do Mediterrâneo – especialmente no sul da Itália e na Sicília – e do Mar Negro (ou Euxino). Entre 520 e 480 a.C., a cunhagem de prata estendeu-se a dezenas de cidades. A cunhagem grega influenciou a dos vizinhos, notadamente a dos persas, na Ásia Menor ocidental, a dos cartagineses, na África do norte e na Sicília, a dos etruscos, na Itália, a dos fenícios e inclusive a dos celtas, na Europa central e ocidental. Muitas dessas cunhagens utilizaram imagens e inscrições em idiomas apropriados às suas tradições. Mas, como a inspiração grega é inegável, os livros especializados costumam classificar como “Moedas Gregas” todas essas emissões, e esse foi o critério adotado nesta exposição. Da região do mar Egeu, a cunhagem ganhou rapidamente as cidades gregas do Mediterrâneo ocidental. No sul da Itália, Síbaris talvez tenha sido a primeira cidade a cunhar moedas – por volta de 540 a 530 a.C. -, mas quase simultaneamente com Caulônia, Poseidonia, Tarento e Metaponto. Essas primeiras moedas foram fabricadas no relativamente sofisticado método “incuso”, único no Mundo Grego, que subsistiria até cerca de 440 a.C. O tipo do anverso aparece normalmente em relevo, enquanto no reverso aparece o mesmo tipo cunhado em “intaglio”, ou “em negativo”, com os dois tipos alinhados exatamente, lembrando o trabalho da prata em “repoussé” . Mas diversas cidades gregas também cunharam moedas de prata com a técnica tradicional, como Hyele (Velia), ainda no séc. VI a.C., e muitas outras logo a seguir, no séc. V, como Cumas, Terina e Régio . Na Sicília, não se recorreu a emissões incusas, e várias cidades, principalmente Naxos, Zancle (a futura Messana), Himera , Selinunte e Siracusa , cunharam moedas no modelo grego do Mediterrâneo oriental entre cerca de 530 e 490. Ao longo do séc. V a.C., consolidou-se a cunhagem de moedas com tipos de anverso e reverso. Esses tipos passaram geralmente a incluir símbolos das cidades, e, freqüentemente, também cabeças ou outras representações de divindades. Até cerca de 430, as moedas eram na sua maioria de prata quase pura, e cunhavam-se valores de pequena dimensão, como em Eion , Cízico , Tarento, Siracusa, Naxos e Camarina , e mais tarde em Massilia (Marselha ), que, provavelmente, eram perdidas com facilidade. As cidades gregas do sul da Itália e da Sicília foram as primeiras a cunhar moedas de bronze. Túrio, por volta de 440, e Agrigento , Gela e Himera, por volta de 430- 410 a.C., fizeram emissões já no sistema de cunhos diferentes para o anverso e o reverso, e logo foram seguidas por numerosas cidades. Contrariamente às cunhagens em metal precioso, as emissões de bronze circularam com um valor não diretamente relacionado com o seu “valor intrínseco”, ou seja, o seu conteúdo de metal. Tratava-se de uma cunhagem “fiduciária”, e os agentes econômicos a aceitavam – tinham “fé” no seu valor -, em função do prestígio, ou autoridade, do emissor. Essas moedas, portanto, destinavam-se principalmente ao uso local, e não ao comércio “internacional”. No século V, as cidades do sul da Itália e da Sicília cunharam moedas de grande qualidade artística a partir do período de 480 a 450 a.C.
A emissão de estáteres e principalmente de tetradracmas (4 dracmas), deu aos gravadores de cunhos ampla liberdade para criar alguns dos tipos mais famosos da história da moeda, notadamente em Siracusa , mas também em Messana , Leontini e Gela . Na Grécia continental e nas regiões do Mar Egeu e do Mar Negro, eliminada a ameaça persa, houve grandes emissões de prata, atestando o dinamismo do comércio daquelas áreas.
Egina continuou a cunhar moedas (as “tartarugas”) de ampla aceitação , mas também cidades mais distantes como Sinope, na Paflagônia , ou Teos , na Jônia, mantiveram uma cunhagem exclusivamente de prata, contrastando com Mitilene, na ilha de Lesbos, que continuou a emitir moedas de eletro no período de 450 a 330 a.C. Ao norte do Mar Negro tinham circulado “proto-moedas” do tipo de “ponta de flecha” e de golfinho , certamente com funções monetárias, mas de caráter fiduciário. Nessa região também seriam emitidas moedas de bronze fundido de grande diâmetro. Mas logo várias cidades costeiras adotariam a cunhagem de prata do modelo tradicional. Cidades e reinos da Macedônia , da Trácia , bem como da península e das ilhas, cunharam numerosos tetróbolos (4 óbolos) e trióbolos (ou hemidracmas) no séc. V e no início do séc. IV a.C. No segundo quartel do séc. V a.C., após liderar a bem-sucedida resistência contra os Persas, Atenas emergiu como potência dominante e líder da Liga defensiva de Delos, criada para evitar futuras invasões. Os atenienses apropriaram-se do tesouro da Liga guardado na Acrópole de Atenas, e de cerca de 5.000 talentos equivalentes a 30 milhões de dracmas, e a cidade cunhou milhões de tetradracmas (moedas de 4 dracmas), inclusive para construir o Partenon e outros templos. Esses tetradracmas circulariam atéa região do Afeganistão e do Egito, às vezes pelo seu peso de prata como atestam vários exemplares com cortes para verificar a pureza do metal. Seriam também imitados no Egito, na Palestina (cunhagem filisto-árabe) e na Arábia do sul. As emissões de Atenas incluíram a seguinte gama de denominações (com pesos arredondados), também adotadas em boa parte do mundo grego: Tetradracma: 17,2g
Hemidracma: 2,2g
Hemióbolo: 0,36g
Hemitartemorion: 0,09g
Dracma: 4,3g
Óbolo: 0,7g
Tetartemorion: 0,18g O tipo da deusa Atena no anverso e da coruja no reverso consolidara-se por volta de 510-500, quando Atenas, explorando as minas de prata do Lauríon, passara a emitir tetradracmas em maior quantidade. O tipo de Atena com o olho de frente seria mantido “imobilizado” no período clássico da construção do Partenon e das grandes esculturas de Fídias, devido ao reconhecimento internacional que esse tipo já havia adquirido. O Tesouro de Delos foi uma fonte importante de metal para a cunhagem, mas a sua apropriação e a política “imperialista” de Atenas foram questionadas por vários aliados. A guerra do Peloponéso (431-404 a.C.) e uma desastrosa expedição contra Siracusa, na Sicília (413 a.C.), levariam à derrota de Atenas diante de uma coalizão liderada por Esparta, que, sem cunhar moeda própria até séculos mais tarde, tornou-se então a potência dominante da Grécia continental. O tipo da deusa Atena no anverso e da coruja no reverso consolidara-se por volta de 510-500, quando Atenas, explorando as minas de prata do Lauríon, passara a emitir tetradracmas em maior quantidade. O tipo de Atena com o olho de frente seria mantido “imobilizado” no período clássico da construção do Partenon e das grandes esculturas de Fídias, devido ao reconhecimento internacional que esse tipo já havia adquirido. O Tesouro de Delos foi uma fonte importante de metal para a cunhagem, mas a sua apropriação e a política “imperialista” de Atenas foram questionadas por vários aliados. A guerra do Peloponéso (431-404 a.C.) e uma desastrosa expedição contra Siracusa, na Sicília (413 a.C.), levariam à derrota de Atenas diante de uma coalizão liderada por Esparta, que, sem cunhar moeda própria até séculos mais tarde, tornou-se então a potência dominante da Grécia continental. De Filipe II à Consolidação das Monarquias Helenísticas, c. 360-280 a.C No século IV a.C., o mundo das cidades-estado gregas independentes, no Mediterrâneo ocidental e oriental começaria a ruir diante da ambição de alguns governantes e do crescente poder de Roma.
Destacam-se, no período, as emissões de prata do sul da Itália, notadamente as de Neápolis (Nápoles), Túrio, Velia e Tarento, com estáteres e didracmas de excelente qualidade artística , mas especialmente as de Lokroi Epyzephyrioi ou Lócres . Na Sicília, Siracusa emerge como o poder dominante, mas passa pelas “tiranias” de Timoleon e Agátocles .
Os principais rivais dos gregos na ilha eram os cartagineses, que cunharam moedas de inspiração grega em oficinas locais ( cópia do tipo da Aretusa de Siracusa criado por Euainetos), ou no norte da África, incluindo uma abundante cunhagem de eletro . Na Grécia Continental, vários novos poderes locais, como Audoleon, na Peônia , cidades da Tessália , ilhas do Adriático , e também Megalópolis, na Arcádia, cunharam suas próprias moedas em paralelo às emissões das cidades mais tradicionais como Opus , Tebas , Cálcis , Siciônia e Argos Atenas cunhou novamente tetradracmas de prata em grande quantidade ao longo do século IV a.C., mas com uma menor preocupação estética, enquanto Corinto fez grandes emissões de estáteres com o tipo de Atena e do Pégaso , também amplamente difundido por suas colônias. Na ilha de Creta, destacam-se nesse período as cunhagens de Cnossos, Gortina e Cidônia , e as emissões de Rodes , – um importante centro comercial , aumentaram muito de volume. Na Ásia Menor, a cunhagem grega de prata e de bronze difundiu-se amplamente pela costa e pelo interior . São particularmente conhecidos os tipos da abelha e do cervo, de Éfeso e as emissões de bustos de divindades em ¾ dos sátrapas da Cária, como as de Mausolo , cujo túmulo seria depois considerado como uma das “Sete Maravilhas do Mundo”. Na Cilícia, os sátrapas também emitiram estáteres que competem em beleza com o tipo dos atletas de Aspendus, na Panfília . A cunhagem fenícia iniciou-se tardiamente, apenas em meados do séc. V a.C., apesar da reputação de grandes comerciantes de seu povo. No séc. IV, vários monarcas locais emitiram moedas tendo o Shekel como unidade nas principais cidades como Biblos e Tiro . Sidon cunhou tetrashekels muito atraentes. A ascensão de Filipe II (359-336) da Macedônia consagraria a predominância desse reino sobre o mundo grego. Dispondo de minas abundantes, Filipe II cunhou estáteres de ouro de cerca de 8,6g e tetradracmas de prata , estes logo imitados pelos povos celtas. Apesar da eloqüência de Demóstenes em Atenas, conclamando-as à resistência, as cidades-estado gregas demoraram a reagir diante da ameaça macedônica, e, quando finalmente se aliaram, foram definitivamente derrotadas por Filipe II. A predominância macedônica se consolidaria sob Alexandre III (336-323), conhecido como “o Grande”, que iria conquistar o império persa, estendendo seus domínios do Egito até as fronteiras da Índia propiciando uma grande ampliação das áreas alcançadas pela cunhagem de moedas, inclusive dos reinos que o sucederam. O tetradracma de Alexandre e suas subdivisões , emitidos em grandes quantidades e também postumamente, substituiriam a cunhagem ateniense como a moeda internacional por excelência no Mediterrâneo oriental. A transformação em moedas de grande parte do tesouro real persa em diversas oficinas monetárias do império também resultou numa abundante cunhagem de estáteres de ouro A morte prematura de Alexandre teve como conseqüência a repartição do império entre os “diádocos”, seus principais generais, assim como algumas cunhagens de governantes gregos locais sem indicação do monarca, como em Babilônia . Lisímaco, um desses generais, reinaria sobre a Trácia até 281 a.C.. Depois de passar para o meio irmão de Alexandre, Filipe III , pelo domínio de Cassandro e pelo de Demétrio Poliorcetes , a Macedônia caberia à dinastia Antigônida. A Síria e as antigas satrápias orientais do Império Persa reverteriam para a dinastia selêucida, fundada por Seleuco, e o Egito à dinastia “lágida” ou ptolemaica, fundada por Ptolomeu. O Mundo Grego, c. 360 – 30 a.C. 338 Batalha de Queronéia; Filipe II esmaga a aliança de cidades-estado gregas e controla a Grécia através de uma liga comandada pela Macedônia. 336 Assassinato de Filipe II; Alexandre, “o Grande” (336-323). 335 Levante da Grécia, destruição de Tebas. 334-331 Conquista do Império Persa por Alexandre. Soldo dos hipaspitas do seu exército: 1 dracma/dia. c.330 a.C.-17d.C Consolidação do Reino da Capadócia. 329-325 Campanhas de Alexandre na Ásia Central; Alexandre na Índia; vitória sobre o Rei Poros e seus elefantes. 325-323 Regresso à Pérsia e morte de Alexandre. 323-301 Várias divisões do Império de Alexandre entre os diadocos (generais sucessores). c. 323 Início da dinastia Ptolemaica ou Lágida (c. 323-30) no Egito; Ptolomeu I (323- 285), ex-general de Alexandre. c.300 Fundação de Antioquia, capital do Reino Selêucida, incluindo a Síria e satrápias orientais. 281-280 Morte de Lisímaco da Trácia; na Itália, Guerra entre Tarento e Roma; Pirro, rei do Epiro na Itália (280-275), vencido por Roma. 279 Invasão Gálata (Celta) nos Bálcãs: pilhagens por vários anos e morte de Ptolomeu Keraunos da Macedônia. c. 279 Consolidação do Reino da Bitínia (c. 279-74 a.C.). 277 Dinastia dos Antigônidas na Macedônia (277-168) inicia-se com Antígono Gônatas (277-239). c. 280-241 Consolidação do reino de Pérgamo; Eumenes I (263-241) incorpora a Mísia e a Lídia. c. 251 Consolidação da Liga Acaia constituída c. 280 a.C., com a adesão de Sícion. c. 250 Diodoto, sátrapa da Báctria e da Sogdiana (c. 256-230 a.C) declara-se independente do Império Selêucida; 238 Fundação do Reino Parta (c. 238 a.C. a 224 d.C.), consolidado sob Mitrídates II (123-88). 223-187 Antíoco, "o Grande da Síria"; derrotado pelos Romanos; decadência dos Selêucidas. 215-211 Defecção e conquista da Sicília Grega pelos Romanos que, completam a conquista da Itália. 197-168 Filipe V da Macedônia (197) e Perseu (168) derrotados pelos Romanos: em 148 a Macedônia torna-se província Romana. 167 Delos porto livre; decadência de Rodes; soldo de um soldado de infantaria em Creta: 1 dracma rodiana. 162-128 Lutas dinásticas entre os Selêucidas da Síria. 147-146 Guerra de Roma contra a Liga Acaia; destruição de Corinto (146) e transformação da Grécia em província romana. c. 140 Reino Grego da Báctria conquistado pelos nômades Sakas (Citas); sobreviveram reinos Indo-Gregos no Paquistao. 133 Reino de Pérgamo legado por Atalo III a Roma. 107 Mitrídates, rei do Ponto (120-63) conquista o Bósforo Cimério. 103-76 Alexandre Jannaeus, da dinastia judaica hasmoneana, rei da Judéia (103-76). 86 Atenas tomada por Sula. 74 Reino da Bitínia legado por Nicomedes IV a Roma 66-62 Campanhas de Pompeu no Oriente: Vitórias contra Mitrídates do Ponto, Tigranes da Armênia e anexação da Síria selêucida como província Romana. 46 A Numídia, independente 202-46, torna-se a província romana de África nova. 51-30 Cleópatra VII, rainha ptolemaica do Egito; aliança com Antônio e derrota para Otaviano (Augusto) em Áccio (31); em 30, o Egito torna-se província romana. EVENTOS MONETÁRIOS c. 348-344 Filipe II (359-336) da Macedônia adota os tipos de Zeus e jovem a cavalo para os tetradracmas de prata e inicia a emissão de estáteres de ouro e frações; a cunhagem em seu nome continuaria até o início do séc. III a.C. c. 350 Séc. IV “jetons” dos membros do Conselho de Atenas: 5 óbolos/dia; escravos eram alforriados por de 300 a 500 dracmas. c. 350-306 Grandes emissões de estáteres de Corinto e de suas colônias com os tipos de Pégaso/Atenas. c. 350-270 Abundantes emissões de Cartago em eletro e prata, na metrópole e nas suas dependências na Sicília e na Sardenha. c. 336-323 Consolidação do sistema monetário de Alexandre, baseado na dracma ática (de Atenas), com a emissão de tetradracmas de prata e subdivisões, a nova “moeda internacional”, grandes emissões de estáteres de ouro, múltiplos e subdivisões; abundantes emissões póstumas com o tipo de Alexandre até c. 175 a.C. c. 323-280 Numerosas emissões de tetradracmas dos generais sucessores de Alexandre; Lisímaco, na Trácia (323-281); Seleuco (312-280), na Síria; Filipe III (323-317), meioirmão de Alexandre, Cassandro (319-297) e Demétrio Poliorcetes (294-288) na Macedônia. c. 282-263 Filetairos, fundador da dinastia Atálida de Pérgamo, apropria-se do tesouro de Lisímaco, de 9.000 talentos sob sua guarda, equivalentes a 54 milhões de dracmas, dando origem a uma abundante emissão de tetradracmas no reino. c. 280-211 Última fase de emissões gregas na Itália e Sicília antes do domínio romano; didracmas de Nápoles e Tarento e numerosas emissões de bronze. c. 277-168 Dinastia Antigônida na Macedônia; farta emissão de tetradracmas, com tipos e retratos excepcionais, especialmente de Filipe V e Perseu. c. 250-140 Diodoto da Báctria e seus sucessores emitem alguns dos mais expressivosretratos helenísticos, especialmente sob Eucrátides e seus vassalos (c. 170-135). c. 250-96 Emissão regular de tetradracmas e dracmas no Império Selêucida com retratos sempre muito realistas e reversos com divindades em gravações de alta qualidade. c. 196-146 Abundantes emissões de prata, da Liga Acaia em mais de 20 cidades, de bronze em cerca de 40 localidades. c. 170 Introdução no reino de Pérgamo do tetradracma cistofórico, ou cistofóro, mais leve, como parte de um sistema monetário “fechado”, tal como o do Egito. c. 170 Emissão, em Atenas, de tetradracmas “de novo estilo” de tipos de Atena e coruja sobre ânfora (c. 170-86 a.C.); porto livre em Delos (167) e decadência de Rodes, mas continuação da emissão de dracmas rodianas. Sécs. II-I Numerosas imitações das moedas de Filipe II da Macedônia e de tetradracmas de Thasos pelos celtas orientais. Sécs. II-I Celtas ocidentais emitem moedas de ouro e de prata progressivamente mais abstratas, também baseadas nos tipos de Filipe II. c. 120-63 Emissões de tetradracmas de Mitrídates do Ponto e retratos notáveis nas cunhagens da Bitínia; últimas emissões de tetradracmas selêucidas também com retratos e tipos de elevado padrao estetico. c. 100-30 Últimas emissões ptolemaicas e reforma da cunhagem de bronze do Egito por Cleópatra VII (51-30), que também cunhou raros tetradracmas e denários juntamente com Marco Antônio.

História da Moeda

  O Mundo Helenístico e Povos Vizinhos, c. 280-30 a.C. As Monarquias Helenísticas e Povos Vizinhos até a Conquista Romana da Macedônia, c.280-170 a.C. Após a morte de Alexandre “o Grande”, o seu sistema de moedas de prata e de ouro permaneceu surpreendentemente estável em boa parte do seu antigo império. Apenas Ptolomeu I (305-200), no Egito, produziu uma cunhagem baseada num sistema autônomo e autárquico, um tetradracma – de prata – mais leve , e, principalmente sob seus sucessores, também numa abundante emissão de moedas de bronze de grandes dimensões . A mudança de poder, no séc. III a.C., para maiores unidades políticas, fossem reinos, estados ou ligas, teve importante reflexo na história monetária da época. Os principais reinos sucessores, como a Macedônia, sob os Antigônidas , e o reino selêucida , mas também o reino de Pérgamo , cunharam abundantes tetradracmas e moedas de bronze divisionárias. Uma novidade importante foi a introdução do retrato dos monarcas na cunhagem, a partir de 305 a.C. no caso de Ptolomeu I . Anteriormente, no séc. IV a.C., sátrapas persas e dinastas da Lícia tinham sido realísticamente representados nas suas moedas, mas, no século seguinte, retratos “fiéis” dos monarcas difundiram-se amplamente. São particularmente notáveis os retratos dos reis da Bactria (no atual Afeganistão), antiga província do Império Persa, temporariamente sob controle selêucida, que tornou-se independente por volta de 250 a.C. As representações de Eutidemos mas principalmente as de Eucrátides , estão certamente entre as mais expressivas do período helenístico, criando uma tradição que se estenderia com os reis indo-gregos . Na Ásia Menor, os tetradracmas póstumos com os tipos de Alexandre continuaram a ser cunhados por várias cidades como Alabanda (53), na Cária, até cerca de 175 a.C., ou até mesmo mais tarde, consolidando o seu importante papel de “moeda internacional”. Diversas cidades da Grécia continental e do Mediterrâneo Oriental fizeram cunhagens ocasionais, por razões diversas, inclusive de prestígio, mas estas foram principalmente de bronze.
É o caso, por exemplo, das emissões federais da Liga da Acarnânia , e posteriormente das cunhagens municipais de Pandosia , da ilha de Issa e de Lacedemônia (Esparta) , e da Liga da Tessália , ou das emissões de cidades da ilha de Creta, como Cnossos e Gortina . Em volta do Mar Negro, algumas cidades como Olbia e Panticapaeum também continuaram a cunhar em bronze. Na Grécia continental, após a morte de Pirro , fundou-se no Épiro a república epirota, que cunhou dracmas de prata de 238 a 168. Dyrrhachium (a antiga Epidamnos e futura Durazzo), na Ilíria, emitiu dracmas antes e depois de tornar-se protetorado romano , com o tipo da vaca amamentando o bezerro, também repetido em Apolônia. Numerosas cidades continuaram cunhando prata no séc. III a.C., e até a conquista romana, em 146 a.C. Destacam-se as emissões da Liga Acaia que agrupava numerosas cidades-estado anteriormente importantes como Corinto, Mégara e Argos, e as da cidade de Olímpia , sede dos Jogos Olímpicos da Antiguidade. Atenas continuou a cunhar tetradracmas, que, por volta de 170 a.C., adotariam um “novo estilo”, com disco maior. Novos reinos tiveram em certos casos sobrevivência efêmera, como o de Épiro, sob Pirro . Outros, como os da Bitínia e da Capadócia teriam existência mais longa e uma cunhagem extensa. Cidades importantes da Ásia Menor, como Mileto e Side , e cidades fenícias, como Arados , mantiveram uma cunhagem de prata de certa importância. Alguns povos mais distantes, como os sabeus, na Arábia do Sul , emitiram moedas de prata copiadas das dracmas atenienses. No norte da África, Cirene, na Cirenáica, cunhou tanto prata e bronze . Cartago, a principal rival de Roma, também cunhou moedas de eletro, prata e bronze , tanto na oficina monetária da capital como em suas dependências na Sicília e na Sardenha. No Mediterrâneo ocidental, após a partida de Pirro e a rendição de Tarento, em 272 a.C., Roma consolidou o seu poder sobre a península italiana. Ao longo do séc. III a.C., no entanto, várias cidades gregas e povos da Itália, inclusive da Etrúria , continuaram cunhando moedas de bronze, notadamente os Frentani, em Larinum ,Asculum, Salápia e Venúsia, na Apúlia , e a Liga dos Brettii em Brútio.
Em Tarento, perdurou a cunhagem de seu famoso tipo de didracma com golfinho e cavaleiro até cerca de 228 a.C., com uma breve retomada de emissões durante a ocupação do general cartaginês Aníbal (212-209), durante a 2a Guerra Púnica. Nessa ocasião, também ocorreriam efêmeras emissões de prata em Metaponto e no Brútio, e de eletro, em Cápua. Em Neapolis (Nápoles), as emissões de didracmas de prata continuaram até cerca de 240 a.C. Mas, após 228 a.C., com as exceções assinaladas, cessariam as cunhagens de prata das cidades gregas da Itália. Roma conquistara a Sicília em 241, após a 1a Guerra Púnica, mas Siracusa, aliada dos romanos, preservou a sua independência. Hieron II (274-216) tirano de Siracusa, além de emitir moedas de prata com seu retrato e o de sua mulher, Philistis, fez diversas emissões de bronze . Os mamertinos, mercenários que ocuparam Messena (Messina) no período de 220 a 200, emitiram moedas de bronze com marcas de valor , enquanto outras cidades, já sob o domínio romano, também cunharam peças de bronze. Após a tomada de Siracusa, em 212, subsistiram apenas as emissões locais de bronze, inclusive na península italiana . No entanto, com a introdução do denário de prata, em 212-211 e a vitória sobre Aníbal, cessariam totalmente, no final do séc. III a.C., as emissões das cidades italianas.

Gregos, Celtas e Povos Vizinhos até a Conquista Romana do Egito, c. 170-30 a. C.

No Mediterrâneo ocidental, excluindo-se as imitações celtas de moedas gregas, somente Massilia (Marselha), na Costa da Gália (França), continuaria uma cunhagem de prata realmente grega nos sécs. II e I, emitindo dracmas de boa qualidade em abundância . No Mediterrâneo oriental, o poder de Roma se fez sentir cada vez mais intensamente após as derrotas dos reis da Macedônia, em 197 e 168, a.C., e a transformação do reino em província romana . Em 146 a.C., se completaria a conquista e anexação da Grécia, após a derrota da Liga Acaia e o saque de Corinto. No entanto, nos sécs. II e I a.C., a cunhagem helenística apresentou novas formas. Além da importância da cunhagem da Liga Acaia – a principal potência da Grécia após o declínio macedônio -, que envolveu mais de 20 cidades (da Acaia, da Messênia, e da Arcádia) cunhando hemidracmas de prata e mais de 40 com emissões de bronze, destacam-se as cunhagens de Atenas, com seus tetradracmas “de novo estilo” , com novos tipos de Atena e da coruja, e as de Pérgamo. Também por volta de 170 a.C., o reino de Pérgamo na Ásia Menor, iniciou a emissão de tetradracmas cistofóricos, ou “cistofóros”, assim chamados por terem como tipo de anverso a “cista mítica”, cesta utilizada para a celebração do rito de Dionísio (Baco). À semelhança do Egito, Pérgamo criou então um sistema monetário fechado, que forçava os estrangeiros a adquirirem os tetradracmas locais, mais leves, para fazerem transações comerciais no reino. Na Grécia propriamente dita, perduraram, no séc. II a.C., numerosas emissões de bronze, tanto em regiões periféricas como o reino da Ilíria , como também em áreas mais tradicionais como Thespiai, na Beócia, e na ilha de Creta . A ascensão do rei do Ponto Mitrídates VI (120-63), Eupator, ou “o Grande” , representou uma real ameaça ao poder de Roma. Esse monarca conquistou o Bósforo e a Cólquida, ao norte e a leste do Mar Negro, e adotou uma política agressiva em relação a seus vizinhos. Foi finalmente vencido por Pompeu, em 63 a.C., e cometeu suicídio. Várias cidades do Ponto e da Paflagônia tais como Amisos , cunharam moedas de bronze sob o seu domínio. Em diversas regiões da Ásia Menor, notadamente na Jônia , na Frigia , na Lícia , na Pisídia , e na Cilícia várias cidades continuaram a emitir moedas de bronze, e ocasionalmente de prata, nos sécs. II a I a.C. Rodes, foi muito afetada pela criação, pelos romanos, de um porto livre em Delos.
Continuou, no entanto, a cunhar dracmas com os tipos tradicionais da cabeça de Hélios e de uma rosa . No séc. II a.C., após as derrotas de Antíoco III (223-187) para os romanos, o poder do reino selêucida da Síria tendeu a declinar, e houve tentativas de usurpação do trono, como a de Trífon . Os selêucidas continuaram cunhando tetradracmas de grande qualidade e bronze em abundância . O reino seria definitivamente conquistado por Roma em 64 a.C., e durante cerca de três décadas tetradracmas com o tipo de Filipe Filadelfo , continuariam a ser emitidas antes da introdução da cunhagem com tipos romanos na Síria. Anteriormente, ainda no séc. II a.C., os judeus tinham se sublevado contra os selêucidas, alcançando plena autonomia. Alexandre Jannaeus foi o primeiro rei da dinastia Hasmoneana a cunhar moeda. A cidade de Tiro, na Fenícia, tambémindependentemente dos selêucidas, manteve no séc. I a.C. uma notável cunhagem de shekels de prata de grande qualidade . Essas moedas, ou peças semelhantes cunhadas mais tarde em Jerusalém, são tradicionalmente associadas às 30 moedas de prata recebidas por Judas para trair Jesus Cristo. Mais ao norte, na Síria, Laodicéia e Selêuquia cunharam grandes séries de tetradracmas de prata, e Antioquia sobre o Orontes fez extensas cunhagens de bronze. A leste da Síria, na Pérsia (o Irã de hoje), os partas fortaleceram-se a partir do séc. II a.C., sob Mitrídates I . Viriam a tornar-se uma “potência mundial”, e o principal inimigo dos romanos. Os partas emitiram numerosas dracmas e tetradracmas,com os tipos do busto e do arqueiro sentado no trono. O reino de Characene, no delta dos rios Tigre e Eufrates no Golfo Pérsico, conseguiu manter sua independência de cerca de 125 a.C. até ser conquistado pelos persas sassânidas, em 224 d.C., e emitiu tetradracmas de prata cada vez mais fraca . O último bastião helenístico diante do poder de Roma foi o reino ptolemaico do Egito sob Cleópatra VII e seus antecessores . Após a derrota das forças conjuntas de Cleópatra e de Marco Antônio, em 31, e o suicídio de ambos, em 30 a.C., Otaviano (o futuro imperador Augusto) anexou o Egito e completou a conquista romana do Mediterrâneo oriental. No norte da África, após a destruição de Cartago, em 146 a.C., os romanos toleraram uma dinastia local no reino da Numídia até a sua anexação como a província romana da África do norte, em 46 a.C. Micipsa (148-118) cunhou bronze e Juba I cunhou denários e outras denominações de prata. Melita (Malta), entre a África e a Sicília, caiu sob o domínio romano em 218 a.C., e foram cunhadas na ilha moedas com legendas em fenício , grego e, depois, latim. Na Península Ibérica, onde os romanos enfrentaram os cartagineses, estes acabaram derrotados, e a Hispania (Espanha) tornou-se província romana em 206 a.C. Durante o séc. II a.C., Roma ampliou gradualmente a sua influência no interior, e permitiu que as tribos celtibéricas emitissem moedas com inscrições em ibérico. Essas cunhagens cessariam com as reformas efetuadas em 133 a.C.
Com as guerras civis do séc. I a.C., houve emissões episódicas de moedas de bronze. Somente sob Augusto, em 19 a.C., a península, como um todo, foi controlada por Roma, depois da conquista do noroeste da Espanha, quando iniciou-se uma ampla cunhagem provincial . Várias cidades emitiram denários com inscrições ibéricas no período de 204 a 154, como foi o caso de Bolskan . Mas no séc. II a.C. são especialmente numerosas as cunhagens de bronze com inscrições ibéricas . Algumas emissões, como as de Gades, têm inscrições fenícias , e outras, como as de Carmo e Ilipa, já mostram inscrições latinas Antes da conquista de Júlio César, os celtas da Gália (França) tiveram uma ampla cunhagem de ouro , de prata e bilhão , e de bronze , além de emitirem moedas fundidas de “potin” (liga de cobre, zinco, chumbo e estanho), que prorrogou-se em certos casos, até a 2a metade do séc. I a.C. , já sob o domínio romano. Destacam-se os estáteres de ouro com tipos abstratos, como os dos Ambiani , baseados longinquamente em moedas gregas, mas também o cavalo “picassiano” dos Curiosolitas . Os celtas orientais, da região do Danúbio, mantiveram-se muito tempo bastante fiéis aos modelos gregos, basicamente estáteres de ouro e tetradracmas de Filipe II da Macedônia ou o tetradracma da ilha de Thasos . Mas nos sécs. II e I a.C., os tipos também se tornaram quase abstratos . A conquista romana levaria à extinção das cunhagens locais e à sua substituição por moedas romanas. III-3 Roma, c. 753 a.C. – 275 d.C. EVENTOS HISTÓRICOS 753 a.C Data tradicional da fundação de Roma. 509 a.C Fim da Monarquia em Roma. 496-272 Conquista Romana da Itália continental. 281-275 Guerra contra Pirro ( rei de Épiro ). 264-241 1a. Guerra Púnica contra Cartago. 218-201 2a. Guerra Púnica (Haníbal) e conquista da Sicília . 168-133 Conquista da Macedônia ; destruição de Cartago e anexação da Grécia ; Atálidas legam Pergamo a Roma . 88-82 Campanhas e Guerra civil de Sula que faz emissões isoladas de “aurei” de ouro. 67-44 Pompeu e César disputam a supremacia; 1o. Triunvirato ; vitórias de César; morte de Pompeu; assassinato de César . 43-27 2o. Triunvirato; derrota de Brutus e Cassius ; Otaviano vence Marco Antonio e Cleópatra, anexa o Egito , torna-se imperador . Império Romano de 27 a.C a 275 d.C 27a.C–14d.C Augusto imperador; ”Pax Augusta”: império talvez 60 milhões de habitantes; cerca de 4 a.C.: nascimento de Cristo; soldo de legionário: cerca de 225 denários por ano; obras literárias de Virgílio, Horácio e História de Tito-Lívio. 14-37 Tibério imperador; execução de Cristo. 37-41 Calígula. 41-54 Cláudio; conquista da Britânia (Inglaterra). 54-68 Nero; incêndio de Roma; guerra civil em 68-69 (Galba, Oto, Vitélio, Vespasiano). 69-96 Dinastia Flaviana; Vespasiano, Tito e Domiciano. Guerra judaica; coliseu; o soldo de legionário aumenta para 300 denários/ano. 98-117 Trajano anexa Dácia, Armênia, Arábia, Mesopotâmia como novas províncias; Tácito escreve as “Histórias” e “Anais”. 117-161 Adriano (117-138) grande construtor viajante adota Antonino Pio (138-161). 161-180 Marco Aurélio; guerras contra os partas e os germanos; escreve as “Meditações”. 180-197 Cômodo (180-192)assassinado em 192; Pertinax assassinado; guerra civil 193- 197. 193-211 Septímio Severo vence Clódio Albino; soldo de legionário 450 denários/ano. 211-217 Caracala estende a cidadania romana a todos os habitantes livres do império;soldo de legionário 675 denários/ano refletindo inflação. 217-222 Macrino e Diadumeniano (217-218) e Elagábalo (218-222) todos assassinados. 222-235 Alexandre Severo assassinado; guerra contra os persas sassânidas. 235-238 Maximino; guerra com os germanos. 238-244 Gordiano III: força os persas a evacuar a Mesopotâmia invadida. 244-249 Filipe I; comemoração dos 1000 anos da fundação de Roma. 249-251 Trajano Décio; morre em combate contra os godos; forte perseguição de cristãos. 253-260 Valeriano; capturado pelo rei persa Shapur, morre no cativeiro. 253-268 Galieno; revolta de Póstumo e criação do império galo-romano; Odenato de Palmira controla províncias do oriente e o Egito. 260-274 Império galo-romano Póstumo 260-269; Vitorino 269-271; e Tétrico I e II 271-274. 268-270 Cláudio II vence os godos. 270-275 Aureliano restaura unidade do império; derrota e anistia Tétrico I na Gália e captura Zenóbia e Vabalato de Palmira; cerca Roma de novos muros, mas é assassinado. EVENTOS MONETÁRIOS Séc. VI Início da Cunhagem de moedas de prata nas cidades gregas do sul da Itália e Sicília. Sécs.V-IV ‘’Aes rude” pedaços de bronze fundido, sem peso e forma definidos, usados a peso na Itália central e Roma. c. 289-241 “Aes signatum”; c. 280-211 “Aes grave”; c. 280-275 primeiras cunhagens de didracmas de prata; c. 273-275 primeiras cunhagens de litras de bronze. 225-215 Cunhagem do didracma “quadrigatus”. 212-211 Introdução do denário de prata; início da cunhagem do As de bronze e subdivisões. c.141-100 Denário re-tarifado (de 10 para 16 Asses); redução de peso da cunhagem de bronze para o padrão “uncial”. 83-82 Cessa por décadas a cunhagem de bronze; numerosas emissões de denários. 49-27 Cunhagem dos “imperatores”, chefes militares rivais; principalmente denários em oficinas itinerantes. 46 César cunha “aureus” de ouro. Antonio emite no oriente denários aviltados e cistóforos; faz emissões com Cleópatra. 30-27 Otaviano cunha “aurei”, cistóforos e quinários. 23-18 Reforma da cunhagem de bronze: o sestércio = 2 dupondius = 4 asses; 1 As = 2 semis = 4 quadrans; oficina monetária do governo imperial em Lyon (15 a.C); emissão regular do “aureus” de ouro de 7,85g igual a 25 denários de prata ou 100 sestércios. 14-37 “Denário do Tributo” do Novo Testamento. 37-54 Numerosas emissões comemorativas da família imperial “Júlio-Cláudia”. Reforma monetária: aureus de 7,2g e peso do denário reduzido de 3,5 para 3g. 82-96 Aureus aumenta para 7,7g em 82; cai em 85 para 7,5g; denário tem leve aumento (3,05g). c. 107 Redução do denário para 2,8g; retirada de circulação dos denários mais antigos. 138-161 últimas emissões do semis (1/2 As). c. 195 Enfraquecimento do denário para cerca de 1,8g de prata.
Criação do “antoniniano” com busto radiado possivelmente = 2 denários (com peso de 1,5). 218-235 Emissões em nome de Júlia Maesa, avó de Elagábalo e de Júlia Domna, mãe de Alexandre Severo. 238-244 Denário substituído pelo antoniniano ou “moeda radiada”, com prata já enfraquecida. 244-249 Diversas emissões comemorativas de denários e sestércios. 249-251 Retirada de circulação dos denários de prata; cunhagem isolada de duplos sestércios. 253-268 Aviltamento da cunhagem de ouro; aureus com menos de 4g de ouro; novas oficinas monetárias: Milão, Antioquia e talvez Trier. Colapso da cunhagem de prata e fim do sestercio e dupondio; novas oficinas monetárias: Siscia e Cízico. 260-274 Póstumo emite aureus com busto de frente de elevada pureza e duplo sestércio; sucessores emitem o antoniniano em cobre ou bronze. Antoniniano praticamente sem prata. 270-275 Restauração da pureza do aureus (6,5g com 95% de ouro puro); introdução ao“aureliano” ou “antoniniano pós-reforma” com 5% de prata: novas oficinas: Pavia,Lyon, Serdica (hoje Sofia) e talvez Trípoli na Síria. Roma, no Período Republicano c. 280 – 27 a.C. Das Primeiras Emissões Romanas à Ascensão de Sula, c. 280-88 a.C. Roma produziu suas primeiras moedas depois de 300 a.C., cerca de quatro séculos e meio após a sua data tradicional de fundação (753 a.C.). Anteriormente, no entanto, os romanos certamente tinham um certo conceito da moeda como um meio de comparar valores, e tinham usado uma série de objetos como “moeda-mercadoria” e recorrido a trocas (escambo). Até o séc. V a.C., na região de Roma, pedaços irregulares de bronze (“Aes rude”), sem ndicação de valor ou marca oficial, circulavam a peso, exigindo o uso de balanças. Do séc. VI ao III a.C., os etruscos também usaram para trocas pequenas barras de bronze com a representação de um ramo de árvore (“ramo secco”), sem peso uniforme, mas cunharam moedas a partir do final do séc. V a.C. Entre cerca de 300 e 210 a.C., os romanos adotaram um sistema monetário próprio, pouco usual, que era constituído de quatro elementos circulando em paralelo: O primeiro, o “Aes signatum” (c. 289-241), consistia em barras ou lingotes retangulares de bronze, com peso definido (normalmente de cerca de 1600g ou 5 libras romanas), com desenhos de ambos os lados e com dimensões de aproximadamente 160 por 90mm.
Esses lingotes podem ter continuado a ser usados a peso, visto que vários exemplares sobreviveram em fragmentos já cortados na Antiguidade, indicando a necessidade de frações. O segundo e o terceiro elementos eram moedas de prata e de bronze cunhadas em diferentes oficinas monetárias, sem relação de peso entre si, e destinadas a diferentes áreas de circulação. As moedas de bronze, “litras” e múltiplos , possivelmente emitidos desde 273 a.C., circularam principalmente na Itália central, juntamente com o “Aes signatum” e depois o “Aes grave”. As moedas de prata, principalmente didracmas, produzidas a partir de cerca de 280 a.C. (talvez em função da invasão de Pirro), circulavam mais ao sul, particularmente na Campânia. O “Aes grave” (c. 280-211) constituía o quarto elemento do sistema, e consistia em grandes discos redondos de bronze fundido, com padrão de peso definido, figuras no anverso e no reverso e marcas de valor . Tudo indica que as moedas romanas iniciais, nessas quatro formas, foram produzidas intermitentemente, em quantidades modestas em comparação com as de outros povos contemporâneos e com o orçamento público de Roma, o que exclui uma origem de ordem puramente militar, que teria exigido uma produção mais regular. Possivelmente as emissões não atendiam às necessidades do comércio a varejo. Assim, durante a primeira parte do período republicano, Roma pode ser vista como estando a meio caminho entre uma sociedade sem cunhagem e uma sociedade plenamente monetarizada, com a moeda funcionando principalmente como medida de valor, enquanto os pagamentos propriamente ditos também podiam ser efetuados em outras mercadorias ou em metal, a peso. Em suma, a emissão das primeiras moedas romanas não parece ter resultado de necessidades econômicas ou militares prementes, e inicialmente preencheu funções limitadas. É possível que tenha surgido por influência da Grécia ou das cidades gregas do sul da Itália, inclusive por razões de prestígio. A unidade do sistema do “Aes grave” era o “As”, a princípio equivalente a uma libra romana (As Libral). Mas logo o seu peso foi diminuído de 324 para 265g (mantido de 269 a 217 a.C. Por volta de 225, quando a emissão de prata também foi transformada com a adoção dos didracmas “quadrigatus”, cunhados até cerca de 211 a.C., o sistema do “Aes grave” foi padronizado com a introdução de uma proa de galera no reverso e de uma divindade diferente no anverso de cada denominação de bronze fundido, conforme a seguinte relação: História da Moeda No período de 225 a 211, além de outros múltiplos e subdivisões do As , chegou a ser emitida uma moeda muito grande, o decussis (10 asses), que seria substituída por denários de prata também equivalentes a 10 asses. A partir de 211, o As de bronze do padrão “sextantal” passou a pesar apenas 44g. Durante a Segunda Guerra Púnica, entre 217 e 208, houve uma emissão de ouro de caráter emergencial, logo descontinuada. A adoção do denário (e, temporariamente, de suas subdivisões em prata, o quinário e o sestércio ) coincidiu com uma maior utilização da moeda metálica na sociedade romana. A cunhagem de didracmas de prata foi abandonada, mas a produção de dracmas sob o nome de “vitoriatos” continuou por várias décadas. O denário de prata – inicialmente de cerca de 4 gramas e elevado teor de metal -, seria a moeda básica da República Romana a partir aproximadamente de 211 a.C., e do Império Romano pelo menos até a metade do séc. III d.C. O denário foi retarifado para 16 Asses por volta de 141 a.C. Os denários foram emitidos por várias famílias, ou “gens”, de moedeiros. Amplamente representados nesta exposição, têm tipos bem variados, às vezes referentes a feitos passados de membros dessas famílias . Algumas “gens” também emitiram o quinário (1/2 denário). Na época da ditadura de Sula, ocorreu uma rara emissão do aureus de ouro, também logo descontinuada. A partir da reforma de 211, as moedas de bronze republicanas deixaram de ser fundidas e passaram a ser cunhadas , abrangendo as seis denominações do sistema do Aes grave, desde o As até a úncia (1/12 do As). No período de 140 a 100 houve uma redução do peso dessa cunhagem para o padrão “uncial”. Em 92 a.C., a Lei Papíria reduziu ainda mais o peso da cunhagem de bronze para o padrão “semi-uncial”, mas a emissão dessas moedas cessaria por várias décadas após 82 a.C. De Sula ao Fim da República, c. 87-27 a.C. Durante o período entre a abdicação de Sula (79 a.C.) e as guerras civis dos anos 40 e 0 a.C., foi muito variada a emissão de denários de prata por numerosas famílias de moedeiros romanos . Houve novamente cunhagens ocasionais de bronze na chamada era “imperatorial”, ou dos “imperatores” (chefes militares que disputavam o poder), que se encerraria em 27 a.C. quando Otaviano, sobrinho e herdeiro de Julio César, recebeu o título de “Augustus”, tornando-se o primeiro imperador romano. Em 46, sob César, voltou a ser emitido o “aureus” de ouro . Foi nesse “período imperatorial” que Julio César teve uma ligação amorosa com Cleópatra, rainha do Egito, adiando possivelmente a conquista desse reino por Roma. Cleópatra teria depois um relacionamento mais longo com Marco Antônio, ajudando-o a enfrentar Otaviano . Com a vitória naval de Otaviano e Agripa sobre o casal em Áccio, em 31 a.C., a morte de Antônio e Cleópatra e a anexação do Egito, em 30 a.C., Roma passou a dominar todo o Mediterrâneo. O Império Romano, 27 a.C a 275 d.C De Augusto a Marco Aurélio, 27 a.C. – 180 d.C. A cunhagem do Império Romano estende-se por um período de cerca de 500 anos, desde o início do império, com Augusto, em 27 a.C. à reforma de Anastácio I, o primeiro imperador bizantino, na última década do séc.V. Durante aproximadamente 270 anos, a cunhagem romana imperial manteve notável uniformidade. A casa da moeda de Roma foi a principal, mas Lugdunum (Lyon, na Gália) foi importante de Augusto a Nero para as emissões em metais preciosos. Oficinas provinciais funcionaram ocasionalmente, tendo alguma relevância na seqüência da queda de Nero e após o assassinato de Pertinax, em 193. Marcas de casas da moeda praticamente não aparecem até meados do séc. III. A cunhagem de ouro consistia no “aureus”, equivalente a 25 denários de prata. Seu peso era de 7,85g no tempo de Augusto , reduzido, com oscilações ,para 7,2g do reinado de Trajano até 215, quando começou a declinar rapidamente. O quinário (1/2 Aureus) de ouro e o quinário (1/2 denário de prata) só foram cunhados intermitentemente. O denário de prata, como no período republicano, era a moeda básica, apropriada para pagamentos de valor intermediário. No primeiro século, por exemplo, correspondia aproximadamente a um dia de soldo de um legionário do exército romano. As moedas de bronze, cobre e latão (em latim “orichalcum”), que incluíam o sestércio (1/4 de denário), o dupondio (1/8 de denário), o As (1/16 de denário), o semis (1/32 de denário) e o quadrans (1/64 de denário) aumentavam a flexibilidade dos pagamentos de menor monta e circulavam durante longos períodos, como atestam numerosos exemplares muito gastos que sobreviveram. Na fase inicial do império a cunhagem desses metais foi às vezes intermitente, como no período entre o começo do reinado de Cláudio e a reforma de Nero, em 64. Os sestércios, mas também os dupondios e os asses, pela sua dimensão, permitiram a criação de tipos e retratos de imperadores que demonstram a grande perícia e sentido artístico dos gravadores romanos de cunhos. Quase todas as moedas tinham como tipo no anverso o busto do imperador ou de membros de sua família. No reverso predominavam representações de divindades ou personificações de atributos ou ações dos imperadores, mas também inscrições, monumentos (templos, pontes, anfiteatros etc.), animais, corpos celestes, instrumentos de culto, além de cenas de atividades militares e civis. Mais tarde a partir de Constantino, apareceriam cruzes, lábaros ou cristogramas. O sistema monetário romano consolidado sob Augusto (27 a.C. a 14 d.C.) pode ser resumido como se segue: História da Moeda
*Ae – bronze, cobre ou latão (oricalco ou “orichalcum”)
Em algumas oficinas do Mediterrâneo oriental, notadamente Éfeso e Pérgamo, já importantes no período helenístico, Augusto e alguns de seus sucessores cunharam moedas de prata com valor equivalente a três denários, conhecidas como “cistóforos”, por derivarem dos tetradracmas “cistofóricos” de Pérgamo . De Cômodo a Aureliano, c. 180-275 O sistema monetário imperial não sofreu maiores alterações até 215, quando Caracala introduziu o “antoniniano” , ou moeda “radiada” de prata (com o busto do imperador com coroa radiada), possivelmente equivalente a 2 denários (apesar de seu peso ser correspondente ao de 1 e ½ denário), que, a partir do reinado de Gordiano III (238-244), substituiu o denário, finalmente retirado de circulação sob Trajano Décio (249-251). Esse imperador cunhou duplos sestércios, denominação que não perdurou. No reinado de Valeriano (253-268), houve uma redução da pureza (para cerca de 80%) e do peso (para menos de 4g) do aureus, e o “antoniniano” também sofreu gradual aviltamento, tendências que se acentuariam sob Galieno (253-268), quando foi abandonada a cunhagem regular das moedas de bronze e cobre de grande módulo (sestércio, dupondio e as) e muitos antoninianos já não mostravam qualquer vestígio de prata. Sob os imperadores seguintes, o antoniniano praticamente se transformou em moeda de cobre e acentuou-se o processo inflacionário medido em denários, agora apenas moeda de conta. No Império Galo-romano, Póstumo (260-268) cunhou “aurei” magníficos, com elevada pureza, e até, temporariamente, duplos sestércios, mas seus sucessores cunharam principalmente antoninianos também sem qualquer teor de prata.Aureliano (270-275) restaurou a pureza da moeda de ouro e emitiu um “aureliano” ou “antoniniano restaurado” de bilhão com a marca XXI (possivelmente 5% de prata). O Império Romano, c. 275 – 476 EVENTOS HISTÓRICOS 275-283 Sucessão de imperadores: Tácito, Probo, Caro e seus filhos. 284-305 Diocleciano e Maximiano “Augustos”, com dois “Césares” ou imperadores associados: a “Tetrarquia”. 301 Édito de Fixação de Preços: Salários diários de pedreiros e carpinteiros: 50 denários de conta; de trabalhadores agrícolas: 25/50 denários; de um professor de grego, latim e geometria: 200 denários por aluno por mês. Preços: 1kg de carne de porco: 37 denários; 1 litro de azeite de oliva: entre 44 e 73 denários; 1 litro de vinho comum: 15 denários; 1 litro de sal: 6 denários; 1 “litro” de trigo: cerca de 6 denários. Esses “máximos” foram logo abandonados. 305-313 Maximiano Daza persegue cristãos no Oriente; Maxêncio derrotado e morto por Constantino. 306-337 Constantino, “o Grande”: Cristianismo tolerado (313) e depois religião de Estado. 313-324 Licínio, imperador do Oriente, morto em 324; Constantino, único imperador (324-337). 330 “Inauguração” de Constantinopla. 337-361 Três filhos de Constantino imperadores: Constantino II (307-340); Constante (337-350); Constâncio II (337-361), que reprime a revolta de Magnêncio e de Decêncio nas províncias ocidentais (353) e luta contra os Persas Sassânidas. 361-363 Juliano; tentativa sem sucesso de reintrodução do Paganismo; campanhas contra os Persas Sassânidas. 364-375 Valentiniano I e Valente (364-378) este morto em combate, com seu exército, pelos Godos que devastam o Oriente. 367-383 Graciano, em 375 único imperador do Ocidente; assassinado na revolta de Magno Máximo, usurpador na Bretanha, Gália, Espanha e África (383-388). 379-395 Teodósio vence os Godos no Oriente e Magno Máximo no Ocidente; restabelece a unidade do Império pela última vez; interdição do culto pagão em 381. 395 Separação definitiva do Império do Ocidente (Honório, 393-423) e do Império do Oriente (Arcádio 383-408). 402-450 Teodósio II no Oriente e sucessão de imperadores no Ocidente até Valentiniano III (425-455); Séc. V: Invasões “bárbaras”: Vândalos, Alanos e Suevos na Espanha (409); pilhagem de Roma pelo visigodo Alarico (410); Visigodos na Aquitânia (418); Vândalos tomam o norte da África (429). 441-442 Saxões tomam a Britânia romana; c. 450 Átila invade a Gália mas é vencido (451) por Aetius e morre em 453. 455 Pilhagem de Roma pelos Vândalos. 450-491 Imperadores Marciano (450-457), Leo (457-474) e Zeno (471-491) no Oriente. 461-472 No Ocidente, Ricimer, general de origem Goda depõe Majoriano (457-461) e Antêmio (467-472); proclama Olíbrio, mas morre em 472. 472-476 Glicério (473-474); Julio Nepos (474-475) e Rômulo Augústulo (475-476), último imperador do Ocidente deposto pelo general hérulo Odoacro.

História da Moeda

  EVENTOS MONETÁRIOS 275-284 Abundantes emissões de Antoninianos “pós-reforma”, com e principalmente sem banho de prata. c. 286 Reforma Monetária: Aureus ou “Solidus” de ouro de 5,3 g e “Argenteus” de prata quase pura. 295-296 novo “Follis” com módulo semelhante ao do antigo As e banho de prata; as relações de valores são controvertidas: 1 Aureus = 24 Argentei; 1 Argenteus = 100 Denários (ou 62); 1 Follis ou Nummus = 10 a 25 Denários; 1 Antoniniano = 1 “Radiada pós-reforma” = 2 Denários. Fechamento da oficina de Trípoli; abertura de : Trier, Heracléia, Aquiléia, Cartago, Nicomédia e consolidação de Sérdica: 14 oficinas monetárias no Império com cunhagem uniforme. 305-313 Insucesso da cunhagem de prata de Diocleciano ; enfraquecimento do Follis entre 307 e 313 de 10g para 3,4g; conteúdo de prata cai de 5 para 1%. 310-325 Novo Solidus de ouro (c. 310) de 4,5g que duraria 700 anos. 318-324 Reforma da cunhagem de bronze; recolhimento de emissões anteriores; Centenionalis (?) de cerca de 3g e cerca de 17mm; após 325 duas novas moedas de prata: Miliarense (4,5g) e Siliqua (3,4g). c. 348 Reforma monetária com 3 “novas” denominações, 2 teoricamente de bilhão: Maiorina, 5,3g ou 4,5g e baixo conteúdo de prata: 2,5 e 1g; ½ Maiorina, cerca 2,6g sem prata; após 355, abundante cunhagem de Siliquas de prata até cerca de 400. 361-363 Reforma monetária mal sucedida; efêmera peça de bilhão de 8,3g com tipo do “boi Ápis” e nova peça de 3g mais duradoura. c. 366 Reforma da cunhagem de ouro, restabelecimento do peso e pureza do Solidus, e centralização da cunhagem; c. 371 desaparecem as moedas de bilhão; circulam moedas de bronze com cerca de 3,5g. c. 379 Emissão de moedas de bronze “Ae 2” de c. 22 mm e 5,3g, também cunhadas por Magno Máximo, com Siliquas de prata e bronzes de pequeno diâmetro (13mm). 379-395 Emissões regulares de ouro, prata e bronze; em 383, introdução do Tremissis de ouro (1/3 de Solidus). Após c. 400 Forte diminuição da cunhagem de Siliquas; emissão do Miliarense abandonada (410-420); alguma cunhagem de ½ Siliquas. Numerosas imitações bárbaras dos Solidus de Honório e Arcádio e depois de
Valentiniano III; a cunhagem romana de ouro preserva sua qualidade; bronzes: principalmente “Ae 4” (de 10-13mm). Séc. V No Oriente: custo de um soldado: 4 Solidi/ano; permitiria consumo diário de 0,4 kg de carne; duas bisnagas de pão, algum óleo vegetal e uma garrafa de vinho; os preços flutuavam em termos da moeda de bronze mas não do Solidus de ouro de pureza e peso
preservados. 450-491 No Oriente, emissões abundantes de ouro, limitadas de prata; bronzes Ae 2 (20mm) e Ae 4 (10-13mm). c. 460-472 No Ocidente, raras emissões de ouro e de prata, com a perda da maioria das províncias romanas e a instabilidade do trono imperial. c. 472-476 Últimas emissões dos imperadores romanos do Ocidente: Solidus e Tremissis de ouro e ½ Siliqua de prata. A Fase Final do Império Romano, 275 a 476. Roma as Províncias e Povos Vizinhos O Império Romano, 275-476 Uma reforma mais ampla foi implantada por Diocleciano. Por volta de 286, esse imperador cunhou uma moeda equivalente a 1/60 de libra romana de ouro, um “aureus” provavelmente já conhecido como “solidus” na época. Pouco depois, recomeçou a cunhagem de prata de elevado teor com o “argenteus” , possivelmente correspondente a 1/24 de “solidus”. Finalmente, em 295-296, criou o “nummus” de bilhão, mais conhecido como “Follis” , de cerca de 10g e com 5% de prata, enquanto a emissão do “antoniniano” foi descontinuada. Mas perdurou por uma década a cunhagem de uma peça menor, com coroa radiada e sem qualquer vestígio de prata, conhecida como “irradiada pós-reforma” Sob os tetrarcas e seus sucessores, o “argenteus” não foi bem – sucedido, mas aproximadamente em 310, Constantino I introduziu um novo solidus “leve” de 4,5g ou 1/72 de libra, que teve uma história ilustre de mais de 700 anos, inclusive durante o Império Bizantino . O “follis”, no entanto, foi perdendo tamanho e teor de prata, e, em 318, tinha apenas 1/3 do peso da moeda original . Duas denominações fracionárias de ouro tiveram menor importância: o “semissis”, correspondente a ½ solidus, e uma curiosa denominação de 1 e ½, “scripulum” equivalente a 3/8 de solidus e depois a 9 siliquas. Antes do final do século IV, essa denominação seria substituída pelo “tremissis” (1/3 de solidus). A partir de Constantino, em função do desconhecimento das denominações da cunhagem de cobre e bronze, adotou-se em diversos estudos a seguinte convenção para descrever essa cunhagem até o final do império: Ae 1, mais de 25mm; Ae 2, mais de 21mm; Ae 3, mais de 17mm; Ae 4, menos de 17mm. O diâmetro variava um pouco de acordo com a espessura do disco da moeda. Após 324, o Ae 3 de Constantino pode ter tido a denominação “centenionalis”. Depois de aproximadamente 325, Constantino reintroduziu a cunhagem de prata com o “miliarense” de 4,5g (1/72 de libra de prata), com peso superior em 1/3 ao da “siliqua” de 3,4g (1/96 de libra de prata). Sem maior sucesso inicial, a partir de c. 355, sob Constâncio II, a cunhagem de “siliquae” seria abundante até por volta de 400 (55, 56), mas o “miliarense” de 4,5g e o “miliarense pesado”, de 5,4g, e seus múltiplos (medalhões de prata), seriam cunhados só ocasionalmente até o séc. V. Após 330, o peso do “centenionalis”, a princípio de 3g, começou a declinar, alcançando apenas 1,7g em torno de 336. Por volta de 348, Constâncio II e Constante, filhos de Constantino, reformaram a cunhagem de bronze, introduzindo duas novas denominações para substituir o “centenionalis”: uma “maiorina” de bilhão, cunhada segundo dois padrões de peso – 5,2 e 4,5g – e uma “meia-maiorina” , com cerca de 2,6g. Os usurpadores na Gália, Magnêncio e Decêncio também cunharam peças semelhantes à “maiorina” . Mas, por volta de 361, essas moedas tinham se transformado em uma peça de bilhão de apenas 1,9g. Juliano (361-363) adotou uma nova, mas efêmera, peça de bilhão de cerca de 8,3g e 3% de prata, com o tipo claramente pagão do “Boi Ápis”, logo abandonada pelos seus sucessores cristãos. Também cunhou uma “Ae 3” com pouco menos de 3g, parecida com o “centenionalis” de Constantino, que sobreviveria até o séc. V, com seu peso gradualmente reduzido. Arcádio (383-408) e Honório (393-423) cunharam uma moeda de bronze um pouco maior, o Ae 2, , também adotada pelo usurpador Magno Máximo na Gália . Honório e Arcádio também emitiram a ½ siliqua de prata . No séc. V, após a divisão dos domínios romanos em Império do Ocidente e Império do Oriente, manteve-se a cunhagem do “solidus” de ouro, cuja pureza, restaurada por Valentiniano I por volta de 366, seria preservada nas duas regiões , bem como a do tremissis (1/3 solidus), introduzido em 383 sob Teodósio I (379-395). A cunhagem de prata perdeu importância relativa, e a cunhagem de cobre e de bronze tendeu a limitar-se ao “Ae 4” ou “nummus”, de dimensão e peso ainda mais reduzidos (10-11mm e menos de 1g), muitas vezes difícil de distinguir das imitações feitas por povos bárbaros que foram penetrando nos territórios romanos. A volta de uma cunhagem de bronze com módulos maiores somente ocorreria após a reforma de Anastásio I no Império do Oriente, talvez em 498, quando o Império do Ocidente já deixara de existir.

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As Províncias Romanas e Povos Vizinhos Em várias regiões incorporadas aos domínios romanos no período republicano já havia emissões de moedas anteriormente à conquista. Algumas dessas cunhagens locais continuaram a circular por algum tempo, mas foram gradualmente substituídas pelas moedas romanas. No entanto, principalmente na Península Ibérica, mas também no norte da África, na primeira metade do séc. I d.C., houve várias emissões locais de cobre e de bronze , algumas no padrão do As ou do sestércio, e outras de denominação incerta, que somente cessariam sob o imperador Cláudio. No Mediterrâneo oriental ocorreram variações em nível local. Na Grécia, anexada em 146 a.C., muitas cunhagens gregas, tais como as moedas de Atenas e da liga da Tessália, permaneceram em circulação por algum tempo, mas, a partir de Sula, o denário ganhou terreno até monopolizar a circulação monetária da região, no final do séc. I a.C. No reino de Pérgamo, transformado em província da Ásia, estes mantiveram inicialmente (de 133 a 67 a.C.) o sistema monetário fechado dos monarcas atálidas: o tetradracma cistofórico ou “cistóforo” , tinha um valor intrínseco menor que o dos países vizinhos, mas era o único com circulação oficialmente autorizada na província, na qual, portanto, permanecia. Um “cistóforo” equivalente a três denários seria cunhado intermitentemente de Marco Antônio e Augusto até Sétimo Severo, mas o denário já era, há muito, a principal moeda de prata em circulação na maioria das províncias orientais. No entanto, em Antioquia, os romanos iniciaram, a partir de 5 a.C., a cunhagem de tetradracmas de prata com teor de prata baixo e decrescente , e de duas denominações básicas de bronze com a efígie do imperador, estas últimas muitas vezes com um grande SC ao centro, com 15 ou 8 g, mas sem correspondência exata com as éries emitidas em Roma . Uma abundante cunhagem de shekels com o nome da cidade de Tiro, de prata pura, continuou a ser emitida no séc. I d.C., talvez em Jerusalém, para permitir aos judeus pagarem a taxa do Templo, mas cessaria em 60. Acredita-se que moedas desse tipo (Módulo 4) tenham sido usadas para pagar as 30 peças recebidas por Judas para trair Jesus Cristo. A julgar pelo Novo Testamento, no reinado de Tibério, o denário de prata já tinha um papel importante na Judéia, e deve ter sido a moeda a que se referiu o Cristo quando, inquirido se os judeus deviam pagar impostos aos romanos, disse: “daí a César [o imperador] o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Com a morte do seu último rei, em 17 d.C., a Capadócia tornou-se parte do Império Romano. Do séc. I até as últimas emissões de Gordiano III (238-244), a oficina de Cesaréia cunhou dracmas, didracmas e até tridracmas com regularidade. Não se sabe ao certo se as emissões de Cesaréia e de Antioquia tinham alguma ligação com as necessidades dos exércitos romanos locais, mas as contramarcas apostas na região oriental do império por legiões romanas concentraram-se nos bronzes de Antioquia, o que reforça essa tese. Em paralelo com as emissõe feitas sob a autoridade imperial, centenas de cidades (mais de 100 sob Augusto e talvez umas 200 no séc. III), incluindo regiões mais distantes como as províncias danubianas e regiões interioranas da Ásia Menor, emitiram moedas de bronze na parte oriental do Império Romano. Essas emissões cívicas, autorizadas pelos romanos e normalmente com legendas em grego e o retrato do imperador , foram muitas vezes cunhadas de forma intermitente e com grandes oscilações na quantidade. Existem exemplos que sugerem que algumas delas foram feitas para distribuição entre a população, financiadas pela benevolência de cidadãos ricos. A grande maioria dessas moedas provinciais tinha circulação meramente local, e é possível que o “prestígio” tenha sido a motivação para várias emissões. De qualquer forma, não parecem ter atendido a necessidades do governo imperial, e cessaram totalmente por volta de 270 d.C. Algumas emissões sugerem um certo grau de autonomia local, como as cunhagens de Quios e Esmirna sem o busto do imperador, mas tal ausência não parece ser um indicador definitivo de maior independência. Foi surpreendente o número de cidades que emitiram moedas póstumas com a efígie de Antínoo , favorito do imperador Adriano, natural da Bitínia, e um dos raros personagens não-membros da família imperial representados em moedas do território do Império Romano. No Egito ptolemaico , como em Pérgamo, os romanos também encontraram um regime monetário fechado, baseado em tetradracmas de prata e em um conjunto de moedas de bronze introduzido por Cleópatra. O Egito foi mantido como um domínio pessoal do imperador, com um sistema monetário próprio. A partir de 20-21 d.C., iniciou-se, sob Tibério, a cunhagem de um tetradracma de bilhão (prata de baixo teor) que acredita-se ter tido valor equivalente ao do denário . Também foram criadas várias denominações fracionárias em bronze . As peças maiores, de cerca de 35mm, inicialmente emitidas sob Nero e durante muito tempo assimiladas a uma dracma, são hoje classificadas como hemidracmas . As outras denominações incluíam o dióbolo, o óbolo, o hemióbolo, o dichalkon ou quarto de óbolo, e o chalkos ou 1/8 de óbolo (de apenas 10mm). Existe uma grande variedade de tipos, misturando elementos da herança greco-romana com tipos egípcios, e o ano do reinado consta da maior parte das moedas, permitindo uma datação precisa. Durante o séc. III, o teor de prata dos tetradracmas foi sendo reduzido até desaparecer totalmente. Os tetradracmas de Diocleciano e Maximiano foram os últimos emitidos, generalizando-se por todo o império a circulação das moedas do governo central. Os vizinhos do Império Romano incluíam adversários e reinos aliados ou sob a tutela de Roma. Entre os primeiros destacam-se os partas, que tiveram abundante cunhagem a partir do séc. II a.C. Nos dois primeiros séculos do império, esse povo empreendeu freqüentes campanhas militares contra os romanos. As emissões partas do período final da dinastia já se distanciavam muito de seus modelos da época helenística, com a efígie do monarca cada vez mais orientalizante e a imagem do reverso cada vez menos cuidada e quase abstrata. Os sassânidas (224-651), que derrubaram os partas, ocuparam o trono por mais de 400 anos, e foram também adversários constantes dos romanos e depois dos bizantinos. Os sassânidas reviveram a religião zoroástrica, com o culto do “fogo eterno” em honra de Ormuzd, cujo altar aparece com dois sacerdotes no reverso das moedas da dinastia . Na esfera do Império Sassânida, mantiveram certa independência o reino de Persis, o reino de Elimais ambos hoje no Irã -, e o reino de Characene, no estuário do rio Tigre no Golfo Pérsico (hoje Iraque). No Ocidente, os celtas da Britânia (Inglaterra), incluindo os Iceni , tiveram cunhagem própria até a conquista romana. A partir de 43 d.C., as moedas romanas rapidamente substituíram as cunhagens celtas anteriores. No Mediterrâneo oriental e adjacências, os romanos mantiveram um protetorado mais ou menos explícito sobre diversos reinos. Os reis da Trácia emitiram moedas com o seu próprio busto e o do imperador romano antes da incorporação da região como província romana.
No norte do Mar Negro, o reino do Bósforo Cimério adotou por vários séculos prática semelhante, mas no séc. IV era tal a deterioração do desenho que os bustos tornaram-se irreconhecíveis . Na Mesopotâmia, o reino de Osroene emitiu moedas com a efígie imperial , de Sétimo Severo (198-211) até Gordiano III (238- 244). Na Judéia, durante a segunda metade do séc. I a.C., Herodes “o Grande” (37-4 a.C.), que, segundo o Novo Testamento ordenou o “Massacre dos Inocentes” por ocasião do nascimento de Jesus Cristo, foi tolerado pelos romanos, que depois transformaram a região em província . Foi sob o procurador romano Pôncio Pilatos (26-32) que Cristo foi condenado à morte. Esse e outros procuradores emitiram “prutahs” de bronze com o seu próprio nome e o do imperador . Calígula devolveu parte da Judéia a Agripa, neto de Herodes “o Grande”, que também cunhou moeda , mas a região voltou a ser absorvida pelo Império. Entre 66 e 70, os judeus sublevaram-se contra os romanos, e a cunhagem da Primeira Revolta, da qual resultariam a pilhagem e destruição do templo de Jerusalém, incluiu moedas de bronze e de prata. Durante a Segunda Revolta dos judeus, liderada por Bar Cochba (132-135), houve uma nova emissão de moedas , mas estas cessaram com a supressão do levante. A partir de então, Jerusalém passou a chamar-se Aelia Capitolina. Na Arábia do norte (hoje Jordânia), o reino da Nabatéia, com capital em Petra, manteve uma cunhagem própria até a sua conquista por Trajano . Na Arábia Felix (hoje Iêmen) onde os sabeus já cunhavam imitações de moedas atenienses no séc. III a.C, as emissões locais autônomas continuaram sob os himiaritas, inicialmente com um tipo misturando elementos gregos e romanos e depois com tipos originais. O reino de Aksum (hoje na Etiópia) foi a única região da África ao sul do Egito e do Saara a emitir moedas no 1o milênio d.C. No séc. IV, Ezana, convertido ao cristianismo, introduziu uma das primeiras moedas com a cruz cristã. Bizâncio e seus vizinhos, Sécs. V – XV EVENTOS HISTÓRICOS Séc. V “Bárbaros” invadem quase todo do Império do Ocidente, mas contidos noOriente. 493-553 Ostrogodos na Itália. 527-565 Sob Justiniano, Bizantinos retomam a África aos Vândalos (533) e a Itália aos Ostrogodos (553). 568-774 Lombardos na Itália. Sécs. VI-VIII Os Visigodos, arianos, esmagam os Suevos na Espanha; conversão deRecaredo ao Catolicismo (587) ; a dinastia visigoda extingue-se com a invasão árabe da Península Ibérica em 711-713. 613-639 Unificação dos Francos; Sto. Elói, “patrono dos moedeiros”,ministro de Dagoberto (629-639). 615-660 Invasões dos Persas Sassânidas sob Cosroes II repelidas pelos Bizantinos (615- 622); Pérsia conquistada pelos Árabes; Búlgaros instalam-se ao sul do Danúbio. 673-717 Sítios muçulmanos de Constantinopla (673-677 e 717). Séc. VII Os Francos, sob Carlos Martel, repelem a invasão árabe em Poitiers (732); Pepino, “o Breve” (751-768), depõe o último rei merovíngio; início da dinastia carolíngia; Carlos Magno anexa o reino Lombardo da Itália (774), com exceção do ducado de Benevento. 717-820 Bizâncio reconquista Chipre aos muçulmanos (739); Ravena perdida para os Lombardos em 751; controvérsia iconoclasta (c. 726-843); recuperação da Trácia e da Grécia dos eslavos; imperador Nicéforo I morto pelo Khan búlgaro (811). 820-969 Dinastias amoriana e macedônica; aumenta a extensão do Império Bizantino com vitórias sobre os Abássidas; reconquista de Creta e da Síria. 893-927 Búlgaros ocupam a Albânia e a Macedônia. 969-1081 Tratado de comércio entre Bizâncio e Veneza (992); aliança bizantina com Vladimir de Kiev; reconquista da Macedônia sob Basílio II (976-1025). 1053-1071 Conflitos com os Normandos e expulsão dos Bizantinos da Itália; Bizantinos destroçados pelos Turcos Seldjúcidas em Manzikert. 1054 Rompimento entre as Igrejas de Bizâncio e de Roma. 1081-1118 Aleixo Comneno; repele a invasão normanda nos Bálcãs (1083); dizíma os Petchenegos e retoma parte da Ásia Menor. 1098-1099 1a Cruzada; Jerusalém retomada aos Fatímidas do Egito pelos cruzados. Sécs. XII-XIII Reino de Jerusalém e outros Estados latinos no Oriente Médio; sucessão de Cruzadas menos bem sucedidas; Saladino retoma Jerusalém em 1187; Chipre e Acre retomados pelos cruzados (1191). 1204-1261 Império Latino de Constantinopla, capturada pela 4a. Cruzada; principado da Moréia e Ducado de Atenas para os cruzados; Império Bizantino de Nicéia; Império de Trebizonda autonômo. 1218-1280 João II Asen da Bulgária; anexa o Épiro e quase toma Constantinopla 1218-1243); queda da dinastia asenida (1280). 1261 Reconquista de Constantinopla pelos Gregos de Nicéia; Dinastia dos Paleólogos (1259-1453). 1282-1355 Ascensão da Sérvia que toma dos Bizantinos boa parte dos Bálcãs; os Búlgaros, vencidos, tornam-se vassalos dos Sérvios (1330). 1291-1311 Retirada dos cruzados da Síria após a queda de Acre para os Mamelucos 1291); os Lusignan controlam Chipre até fins do séc. XV; fim da presença franca na Grécia (1311). 1326-1359 Bizâncio perde Nicéia, Nicomédia e parte da atual Turquia européia para os Turcos Otomanos. 1359-1389 O sultão otomano Murad I ocupa a Trácia (1361) e o Império Bizantino reconhece a sua suzerania; a Sérvia (1388), Valáquia (1396) vassalas dos Otomanos (1396). 1391 Bizâncio perde a Tessália para os Otomanos; insucesso da Cruzada de Nicópolis (1396). 1402 Tamerlão esmaga o exército turco; querelas dinásticas otomanas dão sobrevida ao Império Bizantino. 1425-1448 João VIII Paleólogo; tentativas infrutíferas de busca de apoio Ocidental contra os Otomanos e de reaproximação com a Igreja de Roma. 1448-1453 Constantino XI, último imperador bizantino; Constantinopla tomada pelos Otomanos (1453), que conquistam o Império de Trebizonda em 1461. EVENTOS MONETÁRIOS Séc. V Numerosas imitações bárbaras de moedas romanas, principalmente de "solidi" e "tremisses" de ouro; 429-553 : cunhagens dos Vândalos no norte da África em bronze e prata com tipos próprios; na Itália, cunhagens dos Ostrogodos, inicialmente com o nome do imperador bizantino e depois em nome dos monarcas ostrogodos, e emissões de bronze anônimas denominadas em “nummi” (até 553). c. 498 Reforma monetária de Anastácio I em Bizâncio: “follis” de cobre de 40 “nummi” e suas sub-divisões de 5, 10, 20 “nummi”; o busto de frente substitui o busto de perfil no séc. VI; o solidus de ouro, com peso e pureza preservados, permanece a unidade básica da cunhagem de ouro até o séc. X; principais oficinas monetárias: Constantinopla, Antioquia, Cízico, Nicomédia, Tessalônica, Cartago, Roma ,Ravena, e Catânia e Siracusa na Sicília; no séc. VII, transição do latim para o grego nas legendas. Séc. VI Sob Justiniano, 1 solidus = 180 folles; salário diário em Bizâncio de um trabalhador manual: 24 folles; na Palestina sob Bizâncio: um artesão em mosaico: 12 folles e um trabalhador rural: 5 folles; salário anual de um professor de retórica: 35 solidi; custo da construção da basílica de S. Vitale em Ravena: 26.000 Sécs. VI-VII Preços na Palestina sob Bizâncio; um porco: 2-3 solidi de ouro; um camelo de carga: 4-6 solidi; um burro ou uma vaca: 8 solidi; um camelo de montaria: 15 solidi. Sécs. V-VII Emissões merovíngias de imitações de moedas imperiais bizantinas; a partir do séc. VII, abundante emissão de tremisses de ouro com o nome dos moedeiros; deterioração da moeda de ouro e cunhagem de denarii de prata no final do séc. VII; à época da Lei Sálica dos Francos, um cavalo valia 12 solidi de ouro; uma vaca, 3 e um boi, 2. c. 630 Início da cunhagem regular de tremisses pelos Anglo-Saxões em Kent e Londres, e de moedas de prata (“sceattas”). c. 568-711 Cunhagem de tremisses de ouro em nome dos reis Visigodos da Península Ibérica em mais de 50 oficinas, mas principalmente em Toledo e Sevilha. Sécs.V-VI Abundante cunhagem de dracmas de prata pelos Persas Sassânidas até a conquista árabe. Séc VII-IX Com as conquistas islâmicas de territórios bizantinos (séc. VII), grande diminuição do número de oficinas monetárias e cunhagem de bronze quase restrita ao follis; introdução da imagem de Cristo no solidus, abandonada de c. 730 a c. 840, e depois retomada (842) para tornar-se tipo característico bizantino; cunhagem do solidus concentrada em Constantinopla. 963- 969 Divisão do “solidus’ em duas formas: “stamenon nomisma” com maior diâmetro e menor espessura,tornando-se côncavo, e “tetarteron nomisma” de módulo menor e mais espesso; séc IX, custo de livros manuscritos em pergaminho: de 3 a 18 solidi. Séc. X-XI “Folles” de bronze anônimos (969-1092) e diminuição, a partir de 1030, enfraquecimento da cunhagem de ouro. 1092 Reforma monetária e fiscal de Aleixo I Comneno; “hyperpyron” de ouro e “trachy” de bilhão, côncavos. 1099-1291 Cruzados latinoso e Oriente Médio: cunhagem em Jerusalém, Trípoli, Antioquia, e, em Acre, de moedas baseadas nos "deniers" e "gros" de prata europeus e no "dinar" de ouro fatímida do Egito. Sécs. XII – XIII Hyperpyron de ouro diminui de pureza; “trachy” Reino Latino de Constantinopla (1204-1261), e cunhagens de ouro e bilhão dos domínios bizantinos de Nicéia e de Tessalônica, e do “Império” de Trebizonda; preços c. 1250-1220, um touro: 8 hyperpyron; uma ovelha: 1; um cavalo: 15-18. Sécs. XII–XIII Imitações Búlgaras dos “trachy” bizantinos e, emissão do “grosch” baseado no grosso veneziano, depois também na Sérvia. Sécs. XIV-XV Cunhagens dos Lusignan em Chipre com modelos europeus; com a forte concorrência das moedas italianas de ouro, cessa a emissão do hyperpyron do Império Bizantino restaurado (1341); o “basilikon” de prata (1295-1391), de boa qualidade, foi descontinuado e, no final do séc. XIV, emissão de pequenos “follari’ e “tornesi” de cobre, ou "assaria". Sécs. XIV-XV Emissões em prata e bilhão nos Bálcãs, dos Búlgaros, Sérvios, Bósnios, Moldávios e Valáquios; essa cunhagem persiste temporariamente sob a suzerania otomana. Séc. XV Emissão de “dengas” de prata pelo estado de Pskov e pelo Grão-Ducado de Moscou; nos sécs. XI-XIV, barras de prata tinham sido o principal meio de troca nessas regiões. 1425-1453 Últimas emissões bizantinas do “stavraton” de prata (1/2 hyperpyron de conta) e frações; emissões de “aspers’ de prata em Trebizonda até 1458. O Império Bizantino e seus Vizinhos, Sécs. V-XV As Emissões Bizantinas, de c. 491 a meados do Séc. XV A cunhagem do final do Império Romano e do início do império bizantino esteve firmemente fundamentada nas emissões de ouro. O “solidus” (em grego “nomisma”), foi introduzido por Constantino, “O Grande” (307-337), e baseou-se na relação de 72 moedas por libra romana (pesando, portanto, 24 quilates ou 4,55g). O “solidus” preservaria seu tamanho, peso e pureza até o séc. X, mantendo-se no período como a principal moeda comercial do Mediterrâneo. Foi cunhado principalmente em Constantinopla . O tipo de anverso do “solidus” mudou do típico busto romano de perfil para o busto em ¾ no final do séc. IV, e para o busto de frente a partir do séc. VI, com ocasionais representações do imperador sentado no trono ou de pé. No reverso, houve a substituição da representação feminina da Vitória por um anjo masculino ou por umacruz sobre degraus, indicando a crescente influência da iconografia cristã sobre a cunhagem . Em alguns casos, os governantes representaram membros de sua família a seu lado para enfatizar a continuidade da sucessão dinástica . Justiniano II (685-95 e 705-711) introduziu a imagem de Cristo no anverso do “solidus”, deslocando a do imperador para o reverso. Após o período iconoclasta (c.730-843), durante o qual a representação de figuras divinas em ícones e nas moedas foi proibida, Miguel III (842-867) voltou a adotar a imagem de Cristo nas suas moedas de ouro, e esta tornou-se uma das características da cunhagem bizantina . Frações de “solidus” foram ocasionalmente emitidas, mas parecem ter tido uma importância secundária. A cunhagem do “semissis” (1/2 “solidus”) e do “tremissis” (1/3 de “solidus”) cessou no leste sob Leo III (717-41), mas sobreviveu em algumas oficinas monetárias italianas até as conquistas dos Lombardos nas décadas de 740 e 750, mantendo-se apenas em Siracusa, na Sicília, até a conquista árabe, em 878. Grandes emissões de moedas de prata bizantinas não foram freqüentes. O “hexagrama” foi cunhado em certa quantidade na primeira metade do séc. VII, e o “miliaresion” , introduzido por Leo III (717-741), foi produzido até o Séc. XI, com o tipo da cruz sobre degraus e os nomes imperiais no campo. As moedas de bronze, no final do império romano, tinham tido seu tamanho drasticamente reduzido – até cerca de 5 mm de diâmetro! Por volta de 498, Anastácio I introduziu uma nova série de denominações de cobre, emitindo moedas de 5,10, 20 e 40 “nummi” – esta última também conhecida como “Follis” – cujos valores eram respectivamente indicados pelas letras gregas E, I, K e M. No anverso, o busto de perfil foi substituído pelo busto de frente nos sécs. VI e VII. Várias oficinas, além da de Constantinopla, cunharam moedas de cobre, principalmente Alexandria , Antioquia , Cízico , Nicomédia e Tessalônica, Cartago , Roma , Ravena , Catânia e Siracusa na Sicília. Várias delas cessariam de operar ao longo do séc. VII em função das conquistas islâmicas. As moedas de cobre tenderam a diminuir de tamanho e reduziu-se o número de denominações cunhadas regularmente, restando apenas o “Follis” no séc. VIII. Entre o reinado de João I (969-76) e a reforma de Aleixo I de 1092, a cunhagem do “Follis” foi anônima, e as legendas de natureza puramente religiosa. Durante o séc. VII, deu-se uma transição do uso do latim para o do grego nas legendas das moedas, e o título do imperador mudou de “Augustus” para “Basileus” e depois para “Basileus Romaion”. No séc. VIII, passou-se a usar o termo “déspota”, que generalizou-se no séc. XI.. Ao longo do reinado de Nicéforo II (963-9), o “solidus” foi dividido em duas formas distintas: o “Stamenon nomisma” preservou os antigos padrões, mas seu diâmetro aumentou e sua espessura diminuiu, até que, a partir dos anos 1040, essa moeda tornou-se claramente côncava. O “Tetarteron nomisma” tinha peso e diâmetro menores e maior espessura, à semelhança do “solidus” original. Depois de 1030, o conteúdo de metal precioso de ambas as peças foi sendo reduzido, encerrando sete séculos de estabilidade. O grau de pureza diminuiu, gradualmente, até o reinado de Nicéforo III (1078-81), de 24 para 8 quilates. Uma ampla reforma tornava-se necessária, e, em 1092, Aleixo I Comneno criou um novo sistema monetário baseado no “hyperpyron” de ouro , uma moeda com o mesmo peso que o antigo “nomisma”, mas com 20,5 quilates de pureza. O formato côncavo foi mantido e também usado para denominações subordinadas em eletro (liga de ouro e prata) – como o 1/3 de “hyperpyron” e para um “trachy” de bilhão (prata de baixo teor) este inicialmente equivalente a 1/48 de hyperpyron, mas que se desvalorizou até 1/184 no reinado de Manuel I (1143-1180) . Sob as dinastias dos Comnenos e dos Angeli, somente o imperador, sem os membros de sua família, aparecia na cunhagem, mas certos santos juntaram-se a Jesus Cristo e à Virgem Maria nos tipos das moedas, notadamente os santos militares: Jorge, Teodoro, Demetrio, Miguel e Constantino “O Grande” canonizado! O hyperpyron sobreviveu durante o período dos Comnenos, no séc. XII, e foi também cunhado na primeira metade do séc. XIII, pelos imperadores de Nicéia , neste caso já com um grau de pureza aparentemente reduzido para 16 ou 17 quilates. O declínio continuou durante o império restaurado, após a derrota dos governantes latinos de Constantinopla em 1261 , e a cunhagem bizantina de ouro chegou a um final inglório no último quartel do séc. XIV, já sofrendo forte concorrência, no comércio internacional, das moedas de ouro de cidades italianas. As últimas emissões mostram no anverso a Virgem Maria rezando dentro das muralhas de Constantinopla, com o imperador normalmente apoiado por Cristo ou por um Santo, no reverso . Uma moeda de prata de boa qualidade, o “basilicon” , foi ainda emitida por Andrônico II e Miguel IX (1294-1320), mas logo descontinuada. O “hyperpyron” sobreviveu apenas como unidade de conta, e a cunhagem bizantina se restringiu a moedas de prata (o “stavraton” e suas frações), com tipos cada vez menos elaborados , de má qualidade, circulando em paralelo com pequenas moedas de cobre , até a extinção do império, em 1453, com a conquista otomana. No Império de Trebizonda, às margens do Mar Negro, que se separara do Império bizantino no séc. XIII, o “asper” de prata também foi se deteriorando, cessando a sua emissão em 1458, três anos antes da conquista do império pelos turcos otomanos. Os “Bárbaros” e os Rivais e Vizinhos do Bizâncio A partir do final do séc. III d.C., os povos germânicos nas zonas de contato com os romanos cunharam imitações de bronzes imperiais, como os de Cláudio II (268-270).No século IV foram objeto de imitação emissões constantinianas de bronze com legendas totalmente truncadas. No século V o império romano do Ocidente foi sendo sistematicamente ocupado pelos “bárbaros”, notadamente os visigodos e ostrogodos, os vândalos, os suevos, bem como os anglos e saxões que ocuparam a Inglaterra de hoje em 441-442. Muitos desses povos cunharam inicialmente, nos territórios conquistados, principalmente moedas de ouro, imitações de tipos romanos e mais tarde bizantinos. A atribuição de certas cunhagens a povos específicos é complexa, e os povos estabelecidos tanto na Itália como nas atuais França e Espanha parecem ter cunhado em certa quantidade imitações do solidus de Honório (393-423), muitas das quais bastante “fiéis” aos originais romanos . Também foram imitados ao longo do séc. V, os solidi de Valentiniano III , os tremisses (1/3 de solidus) de Leo e os solidi de Zeno . No séc. VI, seriam copiados solidi bizantinos, como os de Tibério II . Os vândalos, na África (429-453), cunharam moedas de prata com o nome dos seus reis, e também moedas de bronze com marca de valor, mas de má qualidade, como os “IIII nummi” . Na virada do séc. V para o VI, cunharam também pequenas moedas com cruz , mas em 533 o norte da África foi reconquistado por Bizâncio. No séc. VI, os Francos da dinastia Merovíngia controlavam quase toda a Gália (França) e parte da Alemanha de hoje, após conquistarem o território dos burgondas em 534. Inicialmente, com variações regionais, boa parte da cunhagem consistiu de imitações de moedas imperiais bizantinas. Durante a 2a metade do séc. VI, a gravura monetária se degenerou e surgiu o monograma de Cristo, nos solidi cunhados durante cerca de 40 anos com os nomes de imperadores bizantinos. Mas no início do séc. VII, estes foram substituídos pelo do monarca Merovíngio com cabeça de perfil “à romana”. Em paralelo, no final do séc. VI e início do séc. VII houve numerosas emissões do tremissis de ouro, apenas com o nome dos moedeiros . Ao longo do século VII, a pureza do metal tendeu a se deteriorar, e no final do século começaria a cunhagem de “denarii” de prata o primeiro tipo de “denier” mas com tipos muito degenerados . A prata substituiria quase totalmente o ouro no início do séc. VIII e a nova dinastia real franca dos carolíngios faria uma ampla reforma do “denier”, sob Pepino o Breve, a partir de 751. Na Inglaterra anglo-saxônica, a cunhagem não começou regularmente até depois de 630, quando tremissis ingleses foram cunhados em Kent e Londres, copiando o peso e eor metálico das moedas francas contemporâneas. Iniciou-se também, como na França, a cunhagem de moedas de prata convencionalmente chamadas de “sceattas” . Os visigodos somente produziram imitações de solidi e tremissis ( no sul da França e Espanha 418-711) até estenderem o seu controle sobre a Espanha. Nesse reino, o tremissis tornou-se a denominação mais importante, e o seu módulo tornou-se maior e mais fino. A cunhagem real começou quando Leovigildo (568-586) colocou o seu nome nas moedas visigodas, com seu próprio busto estilizado. O busto era repetido no reverso, com o nome da oficina monetária na legenda. Conhecem-se cerca de 50 oficinas, mas boa parte da cunhagem foi produzida em Toledo e Sevilha. Os sucessores copiaram essas moedas e as oficinas monetárias que emitiram o tremissis de ouro incluíram Mentesa (Guarda ), Coimbra, Tarragona , Egitana (Idanha a Velha ), Córdoba , Mérida e Toledo . A aparência geral das emissões visigodas praticamente não se alterou até a conquista da Espanha pelos árabes em 711-713. Na Inglaterra anglo-saxônica, a cunhagem não começou regularmente até depois de 630, quando tremissis ingleses foram cunhados em Kent e Londres, copiando o peso e teor metálico das moedas francas contemporâneas. Iniciou-se também, como na França, a cunhagem de moedas de prata convencionalmente chamadas de “sceattas” . Os visigodos somente produziram imitações de solidi e tremissis ( no sul da França e Espanha 418-711) até estenderem o seu controle sobre a Espanha. Nesse reino, o tremissis tornou-se a denominação mais importante, e o seu módulo tornou-se maior e mais fino. A cunhagem real começou quando Leovigildo (568-586) colocou o seu nome nas moedas visigodas, com seu próprio busto estilizado. O busto era repetido no reverso, com o nome da oficina monetária na legenda. Conhecem-se cerca de 50 oficinas, mas boa parte da cunhagem foi produzida em Toledo e Sevilha. Os sucessores copiaram essas moedas e as oficinas monetárias que emitiram o tremissis de ouro incluíram Mentesa (Guarda ), Coimbra , Tarragona , Egitana (Idanha a Velha ), Córdoba , Mérida e Toledo . A aparência geral das emissões visigodas praticamente não se alterou até a conquista da Espanha pelos árabes em 711-713. O ostrogodo Teodorico conquistou a Itália em nome do imperador do Oriente Zeno, e a cunhagem de ouro e de prata do seu reino (493-426) foi em nome dos imperadores Anastásio (491-518) e Justino (518-527). As principais oficinas monetárias de Teodorico e seus sucessores foram Ravena, Milão e especialmente Roma. A cunhagem de ouro tendeu a se reduzir após 526, e cunharam-se moedas de prata e de cobre com o busto e o nome do imperador bizantino no anverso, e o nome do rei ostrogodo no campo do reverso, como Atalarico (526-534) e Teodato (534-536) com Justiniano. Dentre os reinos vizinhos, do império bizantino, o persas sassânidas foram os mais agressivos, inclusive invadindo o império em 529-532, sob Cosroes I (521-579), que como os seus antecessores cunhava, basicamente, dracmas de prata . Em 615, os sassânidas sob Cosroes II (590-627) chegaram diante de Constantinopla mas foram repelidos por Heráclio em 622. Cosroes II manteve a cunhagem de dracmas de boa qualidade . O último imperador sassânida Yasdegard III seria assassinado em 651 e todo o império conquistado pelos árabes. Os árabes também tomaram o Egito dos bizantinos, mas mais ao sul, o reino cristão axumita da Etiópia manteve sua independência cunhando moedas com a cruz cristã até o séc. VIII . A partir da primeira Cruzada e da tomada de Jerusalém em 1099 por cavaleiros francos, os domínios cruzados do Oriente Médio emitiram moedas por cerca de 200 anos. Destacam-se os deniers de prata do reino de Jerusalém e do principado da Antioquia , os “gros” de prata de Trípoli e os besantes de ouro, imitações de dinares islâmicos cunhados pelos reinos de Jerusalém e depois em Acre no séc. XIII. Houve também emissões de bronze, como as do normando Rogério de Salerno (1112-1119) em Antioquia (40), mas boa parte das emissões cessaria após a reconquista de Jerusalém, por Saladino , em 1187. Os latinos foram expulsos da terra firme mas continuaram cunhando no reino de Chipre e na Grécia, onde o Ducado de Atenas (43) e o Principado de Acaia, no Peloponeso cunharam “deniers” de prata do tipo do “denier tournois” francês. No contexto das cruzadas e das rivalidades dinásticas de várias regiões antes controladas mais firmemente pelo califado de Bagdá, a Armênia e a Georgia alcançaram certo grau de autonomia. O reino cristão da “Pequena Armênia” na Cilícia, (no sul da Turquia de hoje) cunhou moedas de 1080 até a derrota definitiva para os turcos em 1375, tais como os trams de prata de Levon I (1196-1219). A rainha Rasudan (1223-1245) da Geórgia cunhou moedas com legendas em georgiano e em árabe . Os latinos foram expulsos da terra firme mas continuaram cunhando no reino de Chipre e na Grécia, onde o Ducado de Atenas e o Principado de Acaia, no Peloponeso cunharam “deniers” de prata do tipo do “denier tournois” francês. No contexto das cruzadas e das rivalidades dinásticas de várias regiões antes controladas mais firmemente pelo califado de Bagdá, a Armênia e a Georgia alcançaram certo grau de autonomia. O reino cristão da “Pequena Armênia” na Cilícia, (no sul da Turquia de hoje) cunhou moedas de 1080 até a derrota definitiva para os turcos em 1375, tais como os trams de prata de Levon I (1196-1219). A rainha Rasudan (1223-1245) da Geórgia cunhou moedas com legendas em georgiano e em árabe. Quanto aos principados russos, somente no séc. XV seria sacudido o jugo da “orda dourada” mongol. O estado de Pskov , e depois o recém-criado Grão ducado de Moscou, emitiram dengas de prata ao longo do século. Anteriormente, entre os sécs. XI e XIV, barras de prata tinham servido como o principal meio de troca nos principados russos. 768-814 Carlos Magno, rei dos Francos; anexa o reino lombardo da Itália (774) e a Germânia (Alemanha) até o rio Elba; coroado imperador do Ocidente pelo Papa (800). Sécs. IX-X Freqüentes incursões Vikings na Europa ocidental até a Itália; expansão da ordem monástica de Cluny; Califado de Córdoba na Espanha (912). Séc. X Após Vitória sobre os Húngaros (955), coroação de Oto I como imperador do Sacro Império Romano Germânico (962). c. 950-1000 Cristianização da Boêmia, Hungria e Polônia; o estilo românico (séc. XI). c. 1019-1066 Cnut, “o Grande”, rei da Dinamarca, da Inglaterra (1019-1035) e conquista da Inglaterra por Guilherme, duque da Normandia (1066). Séc XI Normandos no sul da Itália (1047); Querela das Investiduras (1076-1122). 1086-1114 Os Almorávidas na Espanha; avanço até Barcelona, 1ª Cruzada: os Francos tomam Jerusalém (1099). 1128-1195 Portugal independente (1128); invasão dos Almôadas (1147). c. 1130-1150 Rogério II, rei normando da Sicília; crescimento do comércio veneziano com Bizâncio; início da arquitetura gótica. c. 1150 Intensificação da colonização germânica a leste do rio Elba. 1156-1177 Disputas entre o Papado e o imperador germânico. 1190-1191 3ª Cruzada motivada pela perda de Jerusalém em 1187; conquista de Chipre e de Acre. 1199–1216 Morte de Ricardo Coração de Leão; João Sem Terra na Inglaterra e Irlanda; perda da Normandia; a Magna Carta (1215) reconhece os direitos dos senhores ingleses. Sécs. XII-XIII Expansão dos Cistercienses e das comunas em cidades da Itália e da França; primeiras universidades. 1204 Latinos tomam Constantinopla; fortalecimento político e econômico de Veneza e rivalidade com Pisa e Gênova. 1211-1250 Frederico II imperador germânico e rei da Sicília. 1212 Derrota dos Almôadas; até o fim do séc. XIII, grandes progressos da “Reconquista”. 1214-1270 Fortalecimento da monarquia francesa sob Filipe Augusto, Luís VIII e principalmente Luís IX (1226-1270), São Luís; insucesso das Cruzadas de S. Luís. c. 1225 Ordem dos Cavaleiros Teutônicos; regime dos podestades nas comunas italianas; expansão do comércio e das manufaturas italianas. 1266-1285 Conquista e perda da Sicília pelos Anjou; Sicília parte do reino de Aragão; a dinastia de Anjou em Nápoles. c. 1280-1300 Apogeu das feiras de Champagne; surgimento de casas bancárias italianas; formação da Confederação Helvética (1291). 1309 O Papado em Avignon, com queda de prestígio dos papas; origem do Grande Cisma (1378).
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Sécs. XIV-XV Apogeu das cidades flamengas de Bruges e Gand, centros manufatureiros, comerciais e artísticos; supremacia econômica de Florença, Gênova e
Veneza e fortalecimento político de Milão; extensão das letras de câmbio e das atividades bancárias internacionais; apogeu da Hansa, (séc. XV). 1333-1370 Casimiro, “o Grande", na Polônia; vitória de Jagelão da Lituânia, rei da Polônia (1386), sobre os Cavaleiros Teutônicos em Tannenberg (1410). 1337-1453 Guerra dos Cem Anos entre a França e a Inglaterra. 1347-1351 A “Peste Negra” na Europa, que perde cerca de um terço de sua população. 1310-1419 Dinastia dos Luxemburgo na Boêmia; Carlos IV rei e imperador germânico; a Bula de Ouro (1356): eleição dos imperadores germânicos por sete eleitores. 1385 D. João I funda a dinastia de Avis em Portugal. 1414-1418 Concílio de Constança e morte de Jan Huss (1415); depois seguido pelo Concílio de Basiléia (1431-1443). 1453 Fim da Guerra de Cem Anos e queda de Constantinopla. EVENTOS MONETÁRIOS 794 Reforma monetária de Carlos Magno (794) : os “novi denarii” ou "deniers" de prata, base do sistema monetário carolíngio até o séc. X; imitados em quase toda a Europa; no séc. IX, apenas os domínios de Bizâncio e os principados lombardos no sul da Itália cunham ouro na Europa Ocidental, além dos califas de Córdoba. Séc.IX Na Inglaterra, “stycas” de bronze no reino da Nortúmbria (até 867) e "penny" (denier) de prata, dos Vikings dinamarqueses de York. Sécs. X-XI Imitações Vikings dos deniers carolíngios; sob Aethelred II (978-1016) e Cnut (1019-1035) "pennies" de boa qualidade; “denars” otonianos de prata na Alemanha e na Itália (Pavia); na França e no Sacro Império, concessão do direito de cunhar moeda a abadias e certos senhores. Sécs. X-XI Denars de prata na Boêmia e na Hungria; “wendenpfennigs” na Polônia. Séc. XI Generalização das emissões feudais na França e na Alemanha; Guilherme, “o Conquistador” (1066-1087): monopólio de emissão do rei e penny "sterling", o "esterlino", fartamente imitado no continente europeu. Sécs. XII-XIII Enfraquecimento generalizado do teor de prata dos deniers (com exceções como a do penny inglês); na Alemanha, extensas cunhagens de pfennigs, “bracteatas” de prata; além do denar; em 1223, em Osnabruck, uma pele de ovelha vale 2 denars. Sécs. XII-XIII Moeda divisionária dos reinos ibéricos: dinheiro de bilhão; “morabitinos” de ouro de Portugal e Castela para concorrer com os dinars islâmicos. Séc. XIII O “grosso denaro” de Veneza equivalente a 24 denaros; várias cidades italianas seguem o exemplo; na Alemanha, em Hamburgo, 1 kg de manteiga custa 4,5 pfennigs, e 20 ovos, 1,3 pfennigs; em 1235, um porco custa 60 pfennigs e uma ovelha 54. c. 1251-1252 Em Florença e Gênova, respectivamente, florim e genovino de ouro; florim imitado em toda a Europa de Aragão a Lubeck; Veneza introduz o ducado de ouro (1280-1290), moeda internacional; em Florença, em 1286-1288 artesãos ganham até 5 soldi (grossos) por dia; um trabalhador manual, 2 soldos e 4 denari; um florim de ouro vale 36 soldi ou mais de sete dias de trabalho dos primeiros. c. 1266 "Gros tournois” de Luís IX da França equivalente a 12 deniers; imitado em Flandres e no centro da Europa – "groschen" de Praga e depois de Meissen na Saxônia. c. 1270-1310 “Salutos” da dinastia de Anjou na Sicília e em Nápoles e taris de prata pelos Aragoneses na Sicília; em Nápoles, o " gigliato" de prata dos Anjou no reino de Nápoles. Séc. XIV Na Itália, a cunhagem de ouro estende-se a Milão; em 1315, os banqueiros Peruzzi pagaram 30 florins de ouro por um cavalo; na Inglaterra, entre 1311 e 1340, o salário diário de um carpinteiro era de cerca de 3 pennies. c. 1337-1380 Na França, introdução do franco de ouro; “groat”, equivalente a 4 pennies na Inglaterra, e pouco depois o “noble” de ouro. c. 1340–1380 Nos Países Baixos, cunhagens de ouro semelhantes aos écus franceses e de gros e esterlinos de prata. c. 1340-1380 Na Europa central, cunhagem do florim de ouro dos reis da Hungria e de ducados de ouro da Boêmia, além do “groschen” de Praga. c. 1350-1380 Na Península Ibérica, real de Castela e de Portugal, aumenta a cunhagem de ouro; salário diário na produção de telhas em Évora (1380): homens, 7 soldos de 12 dinheiros; mulheres, 3 soldos. c. 1380-1420 Enfraquecimento da moeda de prata francesa; écus (escudos) e “agnelos” de ouro de elevada pureza; a cunhagem inglesa mantém a qualidade. c. 1400-1450 Várias cidades alemãs cunham o “gulden” (florim) de ouro e o “groschen” de prata, além de moedas de bilhão (com baixo teor de prata). c. 1420-1453 Na França, tentativas de cunhagem de prata de melhor qualidade sob Carlos VII (1422-1461), e manutençao do écu de ouro de elevada pureza; c. 1436 um trabalhador ganha 3 blancs de prata/dia ; Inglaterra mantém a emissão regular do groat e do penny: o salário diário de um carpinteiro é de 5 pennies entre 1430 e 1450; em Antuérpia, é de 4,5 a 8 gros na década de 1430. c. 1420-1460 Na Itália, nos primórdios do Renascimento, várias cidades emitem grossos de prata de qualidade e Florença, Gênova e Veneza mantêm a sua cunhagem de ouro inalterada. c. 1438-1460 Em Portugal, D. Afonso V (1438-1481) emite cruzados de ouro baseados no ducado veneziano, e introduz o “ceitil”, moeda de cobre puro; nos reinos de Castela e Aragão, em paralelo à cunhagem de ouro e de prata, a cunhagem de bilhão tende para o cobre puro.

História da Moeda

  A Europa Medieval, c. 800 -1460 A Era do “Denier”, c. 800 – 1270 Em 751, o “Prefeito do Palácio” Pepino o Breve depôs o último Merovíngio tomando o seu lugar. Foi sucedido por Carlos Magno (768-814) que anexou o reino lombardo da Itália (774) e a Germânia (Alemanha) até o Elba, sendo coroado Imperador do Ocidente pelo Papa Leão III em 800. Já no final do séc. VII, a prata vinha substituindo o ouro tanto na Inglaterra como nas terras dos francos (França e Alemanha) como o principal metal para fins monetários. Esse processo se completaria com a conquista do reino Lombardo por Carlos Magno, que resultou, a partir de 781, na interrupção da cunhagem de ouro lombarda, já muito enfraquecida no seu teor metálico. Em paralelo, na Inglaterra, foi introduzindo o “penny largo”, de prata “sterling”, quase pura, ou esterlino. Assim, no final do século VIII, na Europa Ocidental, somente ainda cunhavam ouro os bizantinos na Sicília e os príncipes lombardos de Benevento (no sul da Itália hoje). Carlos Magno introduziu em 794 os “novi denarii”, novos “deniers” de 1,7g de prata, na relação de 240 deniers com uma libra peso de 403,2g. A moeda franca manteria esse padrão durante todo o séc IX, e a relação de 1 libra dividida em 20 sous e 12 deniers passou a ser adotada para a moeda de conta e mais tarde para emissão de moedas nesses valores. Na Inglaterra o sistema de 1 Libra = 20 Shillings = 240 Pennies sobreviveria até 1968! Luís “o Piedoso”, filho de Carlos Magno, introduziu a cunhagem do denier da religião cristã (Christiania Religio), que continuou a ser cunhado após a sua morte . Seu sucessor, Carlos “o Calvo” (840-877) fez reviver o monograma “Karolus” de Carlos Magno nos seus deniers (3,4) e cunhou também ½ deniers ou “óbulos” com a prata das minas de Melle. Na Inglaterra, no séc. IX, disputada pelos Anglo-saxões e pelos Vikings, cunharam-se, no reino da Nortúmbria, “stycas” de bronze tanto em nome do rei como de autoridades eclesiásticas , que cessaram em 867 com a invasão escandinava, mas os reis Vikings dinamarqueses de York cunharam “pennies” de prata de boa qualidade . No final do séc IX, Eudes, Conde de Paris, foi temporariamente rei dos francos (888- 898) e cunhou deniers em várias oficinas . O poder voltou para a dinastia Carolíngia, mas esta cessou de reinar em boa parte das terras da Alemanha de hoje em 911, e os grandes senhores se reservaram o direito de eleger o imperador do Sacro Império Romano Germânico. Enquanto o reino da Borgonha manteve por um tempo sua independência com emissões próprias , e os carolíngios continuavam suas emissões no atual território francês, os novos imperadores germânicos da dinastia Otoniana passaram a cunhar em diversas oficinas, na Alemanha . Na Dinamarca, os vikings copiaram os deniers carolíngios sob Harald “do Dente Azul” (940-985) e na Inglaterra o anglo-saxão Aethereld II (978-1016) conseguiu a unificação do reino e manteve a emissão do penny de prata de boa qualidade . Essas emissões foram copiadas na Irlanda pelos vikings que disputavam a região com os Celtas irlandeses na virada do século. No continente, no final do séc. IX, com o enfraquecimento gradual do poder real, os carolíngios concederam o direito de cunhar moeda a certas abadias e logo diversos senhores feudais leigos se apropriaram dessa prerrogativa. Nas terras do império, autoridades eclesiásticas também passaram a cunhar moeda a partir do séc. X, e principalmente no séc. XI (20,21), enquanto o imperador Conrado o Sálico (1027- 1039), rei da Itália a partir de 1026, tinha uma importante oficina monetária em Pavia. No norte e no centro da Itália de hoje, a cunhagem permaneceria um monopólio dos imperadores germânicos até o séc. XII, quando foi concedido a Genova, em 1138, o direito de cunhagem. No Leste da Europa, no séc. XI, o ducado da Boêmia emitiu “denars” de prata de boa qualidade . Na Polônia, circularam amplamente os “Wendenpfennig” , cunhagem episcopal anônima, com cruz nas duas faces, talvez cunhadas na Saxônia. Com a morte de Aethelred, a Inglaterra caiu sob o domínio do rei dinamarquês (Cnut (1016-1035). Durante esse reino, em que houve abundantes emissões de penny de prata , era comum cortar ao meio essas moedas para que as metades circulassem como ½ penny . Depois de um breve interlúdio de governo anglo-saxão, a Inglaterra foi invadida pelo duque da Normandia, Guilherme o Conquistador, que tornou-se rei (1066- 1087) fundando uma nova dinastia que manteve o penny como unidade monetária básica, com seu elevado teor metálico preservado durante séculos, assim como omonopólio da cunhagem para o poder real. Esse penny de prata “sterling” seria imitado nos Países Baixos e na Alemanha com a apelação de “esterlin” ou esterlino. Os Normandos também fizeram incursões no sul da Europa, dominando inicialmente o sul da Itália e logo a Sicília entre o final do séc. XI e 1194. Nessas regiões, cunharam moedas de bronze semelhantes aos Follis bizantinos , e depois já no século XII, denominações próprias como o trifollaro , além de adaptações das cunhagens islâmicas de ouro, muitas vezes incluindo legendas em árabe. No início do séc. XII, quando os reinos espanhóis cristãos do norte iam tentando a Reconquista, as emissões de “dineros” de bilhão “no modelo francês” contrastam com a cunhagem de ouro e prata de elevado teor metálico das regiões sob controle islâmico .
Começaram também as emissões de Portugal independente sob D. Afonso Henriques (1128-1185) que cunhou o “dinheiro” de bilhão . Na França, a dinastia real dos Capetos (fundada em 987) controlava efetivamente somente parte do território, mantendo a emissão de deniers de prata já algo enfraquecida sob Luis VI (1108-1137), Luis VII (1137-1180), cunhados em diversas oficinas monetárias e que sofreriam um contínuo declínio de qualidade. Destacam-se durante o séc. XII e XIII as emissões de deniers feudais franceses de diversos ducados e condados e de autoridades episcopais . Possivelmente uma centena de localidades diferentes cunharam moedas nos sécs. X-XII nos atuais territórios tanto da França como da Alemanha, com circulação muitas vezes restrita aos territórios das autoridades emissoras. Com a retomada do comércio de longa distância e o aumento da população, o conseqüente aumento da demanda por moeda e uma certa escassez de oferta do metal, o enfraquecimento tanto do peso como do teor metálico do “denier” tende a generalizar-se por quase toda a Europa no séc. XII. Existem exceções como a do penny inglês, cunhado tanto pelo poder real na Inglaterra, como na Irlanda sob domínio inglês . Na Alemanha, no entanto, cunharam-se além dos deniers ou pfennigs com tipos nas duas faces, um novo tipo de “pfennig” com módulo maior e às vezes quase tão fino quanto uma folha de papel, com tipos variados e muitas vezes muito atraentes. Essas “bracteatas”, eram unifaciais e cunhadas com um só cunho. No final do séc. XII e início do séc. XIII, para concorrer com as moedas islâmicas, os reinos de Castela e de Portugal cunharam “morabitinos” de ouro , que ainda eram uma exceção numa Europa dominada pelo denier de prata. Mas em Portugal a moeda divisionária de uso corrente continuaria sendo o dinheiro de bilhão como, na França atual, o denier de prata feudal (47,50) e real , este, já de bilhão sob Filipe II Augusto (1180-1263). O século XIII marca duas mudanças muito importantes na história monetária européia: a emissão de moedas de prata maiores e mais pesadas, múltiplos dos “deniers”, e a volta da cunhagem de ouro na Itália e ao norte dos Pirineus e dos Alpes. Veneza cunhou pioneiramente, talvez já em 1202, o “grosso denaro” ou “grosso matapan” equivalente a 24 denaros locais. Outras cidades italianas e do Tirol cunhariam “grossos” ao longo do século, além da moeda divisionária mais tradicional , o denaro ou denominações locais semelhantes. Na Alemanha, perdurou em várias regiões a cunhagem de bracteatas , também temporariamente adotada no reino da Hungria , enquanto na Inglaterra e na Escócia , manteve-se a emissão do penny de prata de elevada pureza. Já na Península Ibérica, tanto em Portugal como na Espanha continuou a predominar a moeda divisionária de bilhão. A partir de meados do séc. XIII, a grande transformação foi a retomada da emissão regular de moedas de ouro na Itália, em 1251 ou 1252, tanto em Florença, com o “florim” de ouro puro (3,54g), como em Genova, com o “Genovino” , que seriam seguidos pelo ducado ou “zecchino” veneziano no final do século. (O florim seria amplamente imitado na Europa toda, de Aragão, passando por cidades do Reno, até Lubeck no Báltico). Outra mudança importante foi a cunhagem na França por Luis IX (1226-1270), São Luis, de um “gros” de 12 “deniers tournois”, “grosso tornês” , de módulo bem maior (25mm) e com o dobro do peso do “Grosso” italiano, que seria também amplamente imitado através da Europa. São Luis também emitiu um “Écu” (escudo) de ouro extremamente raro. Mas a cunhagem de ouro somente teria maior importância na França a partir do séc. XIV. Em paralelo a essas mudanças, a dinastia francesa de Anjou cunhou no Reino de Nápoles e Sicília, e depois somente em Nápoles, o “salut” ou “saluto” (saudação) de prata , e depois o “gigliato” , tipo de “gros” de prata que seria fartamente imitado no Mediterrâneo oriental. Na Europa Central, a partir do último quartel do séc. XIII, começou a consagrar-se como “moeda internacional” o gros ou groschen de prata da Boêmia (72), cunhado com o metal das ricas minas de Kutna Hora. Outras regiões mantiveram a cunhagem do denier, como o bispado de Lausanne (hoje na Suíça) e do esterlino, como os duques de Brabante nos Países Baixos . Na década de 1290, talvez 90 milhões de esterlinos tenham sido emitidos no continente, em contraste com os 9 milhões de pennies “sterling” cunhados na Inglaterra. Em contraste, em certas regiões, diante da insuficiência da oferta de moedas de baixa denominação, é possível que a troca de bens por outros bens tenha continuado a prevalecer em pequenas comunidades pouco monetarizadas. A Era do “Gros” e a Volta do Ouro, c. 1270-1460. No século XIV, no reino da França Filipe “o Belo” (1285-1314) continuou a cunhagem do gros de prata de boa qualidade e ensaiou uma cunhagem de ouro. Em várias regiões européias observam-se, no entanto, tendências contrastantes. Enquanto na Inglaterra o penny e suas subdivisões mantinham seu elevado teor metálico, na Dinamarca o penning “de bilhão” na realidade era de cobre . Os senhores feudais franceses continuaram cunhando deniers de prata de qualidade variável, como os duques independentes da Bretanha , e na atual Alemanha, além do denier mais tradicional surge o “heller”, dito “da mão”, inicialmente em Hall na Suábia , mas depois amplamente imitado por outras localidades. Os reinos de Castela e Leão e os reis de Aragão nas suas terras e no Condado de Barcelona continuam a emitir bilhão, mesmo depois dos grandes progressos da Reconquista no século anterior. Mas, na Itália de hoje, além da extensão da cunhagem do “grosso” por autoridades eclesiásticas ou cidades importantes como Genova
Milão também passa a emitir peças de ouro mais regularmente . Veneza introduz uma nova denominação divisionária de prata de boa qualidade, o soldino , que contrasta com o denaro de bilhão de péssima qualidade emitido pelo “Senado” romano em detrimento da autoridade papal , enquanto os governantes de Savóia ainda emitem deniers com algum teor de prata, notadamente para circulação em Genebra . Mais ao sul, a dinastia de Anjou manteve a cunhagem do “gigliato” em Nápoles e os reis aragoneses da Sicília, que sucederam os Anjou no controle da ilha, cunharam “taris” de prata de elevado teor metálico do séc. XIV ao séc. XV. Na França, com o avanço do poder real, a cunhagem tornou-se mais centralizada e cessaram gradualmente boa parte das emissões feudais, mas em regiões mais autônomas como Flandres os condes emitiram “gros” próprios de boa qualidade . No séc. XIV, boa parte do território francês foi envolvido pela “Guerra de Cem Anos” com a Inglaterra cujos reis postulavam a sucessão do trono francês. Na Inglaterra emitiu-se uma grande moeda de ouro, o Noble , e suas divisões, além de “groats” de prata de boa qualidade e equivalentes a 4 pennies , cunhados a partir de 1351 à semelhança do “gros” francês de S. Luís. No ducado de Aquitânia, ocupado por tropas inglesas, Eduardo “o Príncipe Negro”, (1355-1375) emitiu diversas moedas de uso local . O reino francês, já antes do início da guerra, vinha reduzindo o teor de prata de suas moedas introduzindo novas denominações , com freqüentes retiradas de moedas de circulação e recunhagens “retarifadas”. Consolida-se, então, a distinção entre o curso ou cotação oficial das moedas e a cotação comercial (que depende do real peso e teor metálico das peças). Nos séculos XIV e XV consolidar-se-ia também, entre os comerciantes e banqueiros italianos, o uso da “letra de câmbio” que permitia pagamentos importantes a distância, sem envolver grandes deslocamentos de moedas metálicas. Paradoxalmente, durante a Guerra de Cem Anos a França emitiu moedas de ouro de grande qualidade. À emissão do écu (escudo) de ouro em 1351 segue-se a do primeiro “franco” (cujo significado é “livre”), ou “franco a cavalo”, em 1360 cunhado no contexto da libertação de João II “o Bom” capturado em 1356 pelos ingleses. Seu sucessor Carlos V (1361-1380) cunhou francos de ouro “de pé” , que seriam sucedidos pela emissão regular de “écus” (escudos) de ouro e agnelos sob Carlos VI (1380-1422). Nos Países Baixos, o condado de Flandres introduziu uma bela cunhagem de ouro , além de manter a emissão do gros de prata, também cunhado no ducado de Luxemburgo, enquanto os Duques de Brabante continuaram a emissão de esterlinos de prata. Na Europa Central, os reis da Hungria emitiram florins de ouro de boa qualidade , e na Boêmia, cujo rei Carlos IV era também imperador do Sacro Império (1346-1378), emitiram-se ducados de ouro, além dos tradicionais groschen de prata que foram amplamente imitados na Alemanha, notadamente na Saxônia . Em comparação, a emissão dos pfennigs de prata do Ducado da Áustria parece muito acanhada. No final do séc. XIV e início do século XV, na Itália, Veneza emitiu ducados de ouro em quantidade, que substituírem definitivamente a cunhagem bizantina de ouro e parte da cunhagem islâmica no Mediterrâneo Oriental e foram amplamente imitados nessa região. Milão e Florença emitiram “grossos” de elevado teor de prata, mas outras cidades apelaram crescentemente para emissões de bilhão . Ao longo do século XIV, o “gros” também penetrara na Península Ibérica, inspirando os“croat” da Barcelona e de Aragão, mas principalmente o “real” de prata de Castela. Em Portugal, em seqüência à cunhagem tradicional de dinheiros de bilhão dos seus antecessores , D. Fernando I (1367-1383) emitiu farta cunhagem de ouro com elevado valor estético , além de um real de prata de teor elevado e de interessante “barbuda” de bilhão. A primeira metade do séc. XV é marcada pela última fase da Guerra de Cem Anos. Os reis ingleses emitiram moedas na França na qualidade de regentes ou pretendentes , aproveitando-se das guerras civis entre Borgonhões e Armagnacs e da loucura de Carlos VI. Mas graças a Joana d´Arc, Carlos VII (1422-1461) foi coroado em Reims e pouco a pouco recuperou todo o território francês ocupado pelos ingleses, com exceção de Calais onde continuou funcionando uma oficina monetária inglesa.. Carlos VII retomou emissões de prata de qualidade , mas a tendência foi de redução do teor de prata das emissões. O seu sucessor Luis XI (1461-1483) reincorporaria a Borgonha ao reino, e retomaria a emissão regular de “écus” de ouro . Na periferia do reino francês, nos Países Baixos, o Brabante emite o “leão de ouro” e Luxemburgo mantêm a cunhagem do gros de prata na primeira metade do século. Na Escandinávia, mais integrada ao resto da Europa, Cristiano I rei da Dinamarca (1448-1481) e depois também da Noruega e da Suécia, cunhou moedas de prata, incluindo os pequenos Hvid . Na atual Alemanha, no séc. XV existiram emissões de florins de ouro em numerosas cidades , e de groschen de prata, enquanto os cantões suíços cunharam peças de denominações variadas . Na Prússia oriental, os cavaleiros teutônicos emitiram schillings de bilhão com teor de prata decrescente . Na Itália, já nos primórdios do Renascimento, houve a emissão de grossos de prata de boa qualidade e de moedas divisionárias , algumas com teor de prata em declínio, mas as cunhagens de ouro de Florença , Veneza e Genova mantiveram o seu elevado grau de pureza. Já na Península Ibérica, em Castela e Leão, a cunhagem de bilhão tendeu para o cobre puro . Em Portugal, a partir de D. João I (1385-1433) ocorreram emissões de prata e de bilhão de qualidade variável, e Afonso V (1438-1481) emitiu cruzados de ouro , baseados no ducado Veneziano. Após 1470, teve início uma nova fase na cunhagem européia, com a difusão dos “testones” de prata e de moedas de prata de grandes dimensões, que teriam início com o “guldiner” do Arquiduque do Tirol de 1486. O Mundo Islâmico, Sécs. VII -XV EVENTOS HISTÓRICOS 632-661 Primeiros quatro califas, sucessores políticos de Maomé; 633-698 Conquista do Iraque, da Síria, da Mesopotâmia, do Egito, da Pérsia, do norte da África e do Kurasan. 661-750 Califado Omíada, com capital em Damasco. 710-712 Conquista de grande parte da Península Ibérica. 750-1258 Califado Abássida; Bagdá, no Iraque, capital. 756-1031 Emirado e depois califado omíada na Península Ibérica. 788-1258 Os Samanidas na Transoxiana, os Buíidas no Irã e na Mesopotâmia e depois os Gaznavidas no Afeganistão virtualmente independentes. 808-909 Aglábidas, governadores e depois monarcas do norte da África, também independentes. 909-1171 Dinastia Fatímida do Egito; criação de um califado xiita. 1016-1090 Desunião política na Península Ibérica e reinos de “Taifas”. 1055 Seldjúcidas em Bagdá exercem tutela sobre o califa; sultanato seldjúcida de Rum na Ásia Menor (c. 1081-1307). Sécs. XI-XII Na Mesopotâmia e na Síria, dinastias turcomanas independentes. 1090-1235 Os Almorávidas e depois os Almôadas reunificam os domínios islâmicos na Península Ibérica. 1169-1250 Dinastia Aíubida no Egito: Saladino retoma Jerusalém (1187). 1206-1227 Gêngis Khan; Mongóis conquistam a Pérsia em 1231. 1258 Tomada de Bagdá pelos mongóis: execução do último califa abássida; dinastia mongol “ilcânida” no Irã e no Iraque (1256-1357). 1250-1517 O Estado mameluco sucede os Aíubidas no Egito. Séc. XIII Os Otomanos instalam-se na Ásia Menor ocidental. Séc. XIV Os Otomanos reduzem a Sérvia a estado vassalo (1388). 1402 Os Otomanos esmagados por Tamerlão que funda a nova dinastia mongol dos Timúridas (sécs. XIV-XVI) no Irã e na Ásia central. 1444 Batalha de Varna completa a submissão dos Bálcãs aos Otomanos. 1453 Os Otomanos conquistam Constantinopla; fim do Império Bizantino. 1492 Queda do Reino de Granada na Península Ibérica

EVENTOS MONETÁRIOS

Séc. VII Cunhagens “árabo-bizantinas” e “árabo-sassânidas” imitando peças bizantinas e sassânidas, sob a dinastia amíada. 696-697 Reforma Monetária de Abd al Malik: introdução do dinar de ouro de 4,25g e do dirham de prata de 2,8 a 2,9g, e do fals de cobre. As emissões anteriores são recolhidas para recunhagem; durante séculos somente constam inscrições das moedas islâmicas, sem qualquer imagem. 750 Dinastia Abássida mantém cunhagem do dinar, do dirham de prata e do fals; nome de autoridades emissoras aparece nas moedas. 755-912 Os Emires Omíadas da Península Ibérica emitem dirhams e dinars do tipo míada, com indicação de “al-Andalus”. Séc. IX Emissão de moedas islâmicas em numerosas oficinas, do norte da África à Ásia Central. Séc. IX No Norte da África, emissões dos Aglábidas e no Egito dos Tulunidas e dos Ikhshididas. 912-1031 Período final do Califado de Córdoba; emissões com tipos mais locais. 909-1171 Abundantes emissões de ouro dos Fatímidas no Egito e na Síria. 950-1050 Diminuição do teor metálico dos dirhams do Oriente Médio: “fome de prata”. c. 1100-1240 Emissões figurativas dos Turcomanos, em bronze, baseadas em modelos gregos, romanos e bizantinos. c. 1090-1235 Almorávidas e Almôadas cunham no norte da África e na Espanha dinars de boa qualidade, qirats de prata, e pequenos dirhams de prata quadrados. Séc. XII-XIII Abundantes emissões de prata de boa qualidade dos Seldjúcidas de Rum, na Anatólia. Séc. XIII Raras emissões em nome de Gêngis Khan. Séc. XIV-XV Emissões de ouro dos Marinidas e Hafsidas do norte da África. Séc. XIV-XV Abundante cunhagem de tankas de prata pelos Timúridas. Séc. XIV-XV Primeiras emissões de akches de prata otomanos e do altun de ouro após a tomada de Constantinopla; fim das cunhagens islâmicas na Península Ibérica c.1492. O Mundo Islâmico, Sécs. VII-XV A Cunhagem Islâmica no Oriente Médio, na Ásia Central, no Norte da África e na Península Ibérica, Sécs. VII-XV. Entre a morte de Maomé em 632 e cerca de 750, exércitos islâmicos conquistaram domínios que se estendiam da Península Ibérica e do norte da África até a Ásia central e a fronteira da Índia, incluindo o Egito, a Arábia, grande parte do Oriente Médio e da Pérsia e do Afeganistão. Durante o primeiro meio século de conquistas, ocorreram poucas mudanças na cunhagem dos territórios ocupados. Nas regiões do antigo Império Persa, os governadores árabes limitaram-se a adicionar pequenas alterações nas legendas às dracmas sassânidas, há séculos em circulação , como também fariam no Tabaristão, no séc. VIII . Na Síria e no Egito continuaram sendo utilizados os “solidi” bizantinos de ouro, que seriam objeto de imitações árabes somente no final do séc. VII. Foram, igualmente cunhadas, na mesma época, moedas de cobre sem a eliminação dos tipos cristãos do follis bizantino (fals – plural fulus), às vezes apenas com o acréscimo do nome da oficina monetária em árabe . A dinastia omíada, de origem síria, a primeira de califas islâmicos, foi estabelecida em 661 d.C., mas uma reforma ampla somente seria implantada por Abd al-Malik (686- 705) em 696 e 697. O novo sistema monetário incluiu o “dinar” de ouro de 4,25g , com peso ligeiramente inferior ao do solidus, o “dirham” de prata de 2,8 ou 2,9g , e o “fals”, uma pequena peça de cobre . As moedas “árabo-bizantinas” e “árabosassânidas” foram recolhidas para recunhagem. A adoção inicial da figura do califa de pé foi abandonada por ser contra a ortodoxia, apesar do Alcorão não proibir formalmente a arte representativa de seres vivos. Durante séculos, somente inscrições constariam das moedas islâmicas, normalmente de caráter religioso, além da indicação da casa da moeda e da data por extenso. O nome das autoridades emissoras só apareceria mais tarde, no séc. VIII. A escrita cúfica (relacionada a Kufa, no Irã), a caligrafia árabe inicial, permitia uma ornamentação muito decorativa. Seria, mais tarde, substituída pela escrita cursiva, a partir dos sécs. XII e XIII. A partir do séc. IX, o dinar islâmico tornou-se a moeda comercial “por excelência” do Oriente Médio Mediterrâneo em competição com o solidus bizantino. Em 750 teve início a dinastia abássida (750-1258), uma linhagem da Pérsia que introduziu a cultura persa nos demais domínios islâmicos, iniciando uma época de grande esplendor e prosperidade. Abriram-se novas rotas comerciais, intensificaram-se a produção e o consumo de artigos de luxo e o conhecimento científico foi desenvolvido em paralelo a notáveis realizações artísticas e arquitetônicas. O califa al-Mansur (754-75) fundou Bagdá. Harun al-Rashid (786-809), em cujo reinado foram compostos os contos das “Mil e Uma Noites”, chegou inclusive a enviar uma embaixada com presentes para Carlos Magno. A partir de seu período de governo, o nome do califa, e às vezes o do grão-vizir ou o do herdeiro do trono, passaram a constar das inscrições nas moedas. Al-Mutawakkil (847-861) construiu os grandes palácios e mesquitas de Samarra, para onde a capital do califado foi temporariamente transferida. Numerosas oficinas cunharam os dinares e dirhams abássidas. Gradualmente, porém, o poder do califa foi sendo desgastado pelo surgimento de dinastias rivais com diferentes graus de dependência em relação ao governo central. Entre estas destacam-se inicialmente os aglábidas, governadores do norte da África (808-909), grandes construtores que desenvolveram Kairuan e que, com o tempo, tornaram-se totalmente independentes; no Egito, no séc. IX, destacaram-se os tulunidas, e depois os fatímidas (909-1171), dinastia xiita, com monarcas que se autodenominaram califas, e não reconheciam a autoridade do califa sunita de Bagdá. O Cairo, capital fatímida, logo distinguiu-se por seus artigos de arte de luxo, incluindo cristal de rocha trabalhado, cerâmicas e têxteis de alta qualidade. No sul da Arábia, no séc. X, os rassidas emitiram dinars, dirhams e uma pequena fração de prata estritamente local, o sudaysi . Nas regiões orientais, os samânidas na Transoxiana, os buíidas no Irã e na Mesopotâmia e depois os gaznavidas no atual Afeganistão, também tornaram-se, de fato, ainda que não nominalmente, independentes do califado de Bagdá, exercendo sucessivamente, do séc. IX ao séc. XI, verdadeiros protetorados sobre a Pérsia e a Mesopotâmia. Essas dinastias preservaram a cunhagem de dinars e dirhams do tipo tradicional , mas também emitiram um múltiplo de dirham de prata . Os Vikings mantiveram um ativo comércio por vias terrestres e fluviais com os domínios islâmicos e estima-se que, no séc.X, talvez cerca de 100 milhões de dirhams samânidas tenham sido exportados da Ásia Central para a Rússia e o Báltico. Para os Vikings, essas moedas valiam pelo seu peso e muitas vezes eram recortadas em peças menores. A partir do séc. IX, diversas tribos do centro da Ásia penetraram gradualmente nos domínios abássidas, inicialmente como mercenários ou guarda-costas do califa, mas assumindo aos poucos posições de destaque na administração e no exército. Em 1039, Togrul Beg, turco seldjúcida, declarou-se independente dos gaznavidas, conquistou o Irã e tomou Bagdá em 1055, colocando o califa sob sua tutela. A dinastia dos Grãoseldjúcidas duraria até o final do séc. XII . A partir do séc. XII, na Mesopotâmia e na Síria, várias dinastias turcomanas emitiram moedas de cobre com a representação de imagens baseadas em moedas gregas, romanas e bizantinas, entre as quais os Artuquidas de Mardin , os Zangidas de Mossul e Sinjar e os Lulúidas de Mossul . Todas elas emitiram moedas de cobre com a denominação de “dirham”, possivelmente cunhadas para passar por dirhams de prata em função da escassez do metal que afetou o Oriente Médio na época e levou ao enfraquecimento do teor de metal dos dirhams de prata emitidos em outras regiões islâmicas. Quando o Irã foi invadido pelos mongóis, no séc. XIII, já havia dois séculos que não se cunhavam moedas de prata de boa qualidade. O teor de prata dos dirhams foi reduzido de uma percentagem de mais de 95% nos anos 950 a 1000 para 60-70% nas décadas seguintes, com casos de apenas cerca de 20% após 1050. Gêngis Khan (1206-1227), após unificar as tribos mongóis, invadiu a Ásia central e os domínios islâmicos, onde seus sucessores se estabeleceriam de forma duradoura. Existe em raro dirham , talvez cunhado em Ghazna, em seu nome e no do califa al-Nasir. Em 1258, Al-Musta´sim (1242-58), o último califa abássida, foi capturado e executado pelos mongóis, que tomaram Bagdá e fundaram a dinastia ilcânida no Irã atual, passando a cunhar moedas de prata e de ouro de elevado teor de metal precioso . Adotaram-se novas legendas do Alcorão para as moedas e a escrita Uigur também foi ocasionalmente utilizada. Para tentar contornar a situação financeira temporariamente crítica do império mongol ilcânida, Gheikatu (1291-5) tentou banir a moeda metálica e substitui-la pelo “ch’ao”, papel-moeda baseado no modelo chinês, com o texto da profissão de fé islâmica. A experiência foi um desastre. O comércio ficou paralisado, e o ch´ao teve que ser recolhido, voltando-se à moeda metálica. Os mongóis da Horda Dourada, ou jújidas, ocuparam parte da Ásia central e o sul da Rússia, isolando por dois séculos os principados russos do restante da Europa. Cunharam “puls” de bronze de baixa qualidade . Em meados do séc. XIV, a dinastia muzafarida controlou partes do Irã, emitindo duplos dirhams de prata de boa qualidade . Outra dinastia mongol, a dos timúridas, fundada pelo grande conquistador Tamerlão (1370-1405), governou o Irã e a Ásia central de 1370 a 1501 e emitiu dirhams, e depois “tankas” de prata , (moedas menores e mais espessas que o dirham tradicional. Os fatímidas do Egito foram derrubados por Saladino, general de origem curda que fundou a dinastia aíubida (1171-1250) e retomou Jerusalém dos cruzados latinos (1187). Saladino e seus sucessores controlaram o Egito e a Síria até 1250, cunhando dinars de ouro , dirhams de prata e fulus de cobre . Os aiúbidas foram, por sua vez, derrubados pelos mamelucos, uma dinastia de sultões de origem turca (ramo “bahri” ) e depois circassiana (ramo “burji” ), de antigos escravos militares promovidos ao poder pelos seus pares. (Nos sécs. XII e XIII os cruzados latinos emitiram em Trípoli e no reino de Jerusalém besantes de ouro copiados de dinares islâmicos que somente em 1250, em função de reclamações do papa, passaram a incluir símbolos cristãos). Durante o período mameluco (1250-1517) o Cairo tornar-se-ia uma das maiores cidades do mundo medieval, e, após a queda de Bagdá, o centro da cultura árabe islâmica. No séc. XV, os mamelucos cunharam no Cairo “ashrafis” de ouro a partir de al-Ashraf Barsbay (1422-37), que visavam competir com o ducado veneziano, que tinha o mesmo peso. Temporariamente independentes, os rasulidas do Iêmem produziram no séc. XIV uma cunhagem abundante, notadamente em Áden . Os seldjúcidas da Anatólia, que criaram o sultanato de Rum ( c. 1081-1307), usaram prata da região e também cunharam moedas de elevado teor de metal precioso. A partir dessa época, a prata começou a substituir o ouro, que fora, até então, a base dos sistemas monetários do Oriente Médio. Os eretnidas controlaram temporariamente a Anatólia central, mas os turcos otomanos foram gradualmente conquistando toda a Anatólia, substituindo os seldjúcidas e as demais dinastias. De início, atacaram o que restava do império bizantino, tomando Constantinopla (Istambul) em 1453, e o “império” de Trebizonda nos anos seguintes. Cunharam inicialmente akches de prata e moedas de cobre, e, mais tarde moedas de ouro (altun), estas somente a partir da segunda metade do séc. XV. Até o final do séc. XV, os Aq Qoyunlu ou “Turcomanos das ovelhas brancas” mantiveram-se independentes em regiões da Anatólia, do Iraque e do Irã e emitiram moedas de prata, muitas das quais contramarcadas sobre peças timúridas. Na Península Ibérica, conquistada dos visigodos de forma fulgurante a partir de 711, dinastias islâmicas controlaram territórios até 1492. O único sobrevivente da família omíada, Abd al-Rahman I (755-789), fundou o emirado omíada de Córdoba , que foi transformado em califado por Abd al-Ramahn III (912-961) (50). Os emires, e depois os califas, cunharam dirhams de prata em grande quantidade e moedas de ouro menos freqüentemente. No séc. XI, após 1031, com o fim do califado, o poder dividiu-se entre diversos “reinos de taifas”, destacando-se, entre outras, a dinastia dos abádidas de Sevilha , mas duas dinastias de origem norte-africana, os almorávidas e os almôadas, conquistaram sucessivamente partes da Península Ibérica, em constantes confrontos com os reinos cristãos do norte empenhados na “Reconquista”. Nesse período emitiram-se moedas de ouro de teor elevado, qirats de prata de dimensão reduzida e pequenos dirhams de prata quadrados , depois imitados pelos reinos cristãos (imitação conhecida como millares). Após a década de 1230, a dinastia Nasrida reinou até 1492 sobre domínios cada vez menos extensos no chamado Reino de Granada. Os nasridas emitiram principalmente dirhams e ½ dirhams quadrados , além de moedas de ouro, até a conquista do reino pelos “Reis Católicos”. Também cunharam um múltiplo de dirham muito raro. No norte da África, com a derrocada dos almôadas, do séc. XIII ao XV, os Marinidas e Hafsidas ocuparam o Marrocos e a Tunísia, onde cunharam moedas de ouro muito atraentes. O Subcontinente Indiano, Séc. VII a.C. – 1520 EVENTOS HISTÓRICOS c.2500-1500 Civilização do Indo Sécs. VII–IV Estados locais em permanente conflito no norte da Índia; c. 567-487, vida do Buda. 539-522 a.C. Anexação pelos persas das bacias dos rios Cabul e Indo ao seu império. c. 323-185 Império Mauria; Açoka (c. 273-232) adota o Budismo em 261 a.C. c. 200 a 1 a.C. Estados indo-gregos no noroeste da Índia. Séc. I a.C. Sakas substituem gradualmente os indo-gregos na bacia do Indo. Séc. I d.C. Expansão marítima pacífica da civilização indiana no Sudeste Asiático e na Indonésia. Vários estados autônomos na Índia. Séc. I-IV Império Kushan, em parte anexado pelos persas após 224 e absorvido no séc. IV pelos Gupta (sécs. IV-VI), que criam um império no norte da Índia.
Sécs. V-VI Novas invasões de "hunos"; nenhum Estado prevalece sobre os demais, no norte e no sul da Índia. Séc. VII Instalação dos Taís na atual Tailândia; os Pyus ocupam parte da Birmânia (Myanmar) de c. 500 ao séc. IX e fundam Srikshetra; os Mons no sul da Birmânia do séc. III ao séc. IX.; dinastia Chandra no Arakan sécs.IV-VIII. Séc. IX Turcos ou Shahis, monarcas de Ohind no Paquistão e noroeste da Índia. c. 1175-1206 Muhammad Ghori conquista o norte da Índia. c. 1206-1398 “Reis escravos” muçulmanos no Sultanato de Délhi. e suzeranos de Bengala; conquista do Decã por muçulmanos do norte da Índia (1308-1312). c. 1336-1565 Estado hindu de Vijayanagar no sul da Índia. 1398 Saque de Delhi por Tamerlão. 1498 Chegada de Vasco da gama na Índia. 1526-1540 e 1555-1707 Império Grão-Mongol.

História da Moeda

  EVENTOS MONETÁRIOS Sécs. V e IV a.C. Moedas gregas e persas nos territórios do Afeganistão e Paquistão atuais; cunhagem em Cabul de moedas de prata pela administração persa local; início da cunhagem de “Satamanas”, barras de prata com símbolos estampados (c. 375). Séc. IV Início da cunhagem na Índia de moedas de prata retangulares ou de forma irregular estampadas com vários punções diferentes (karshapanas). c. 140 a 1 a.C. Emissões de monarcas indo-gregos no Paquistão e no noroeste da Índia. Sécs. II-I a.C. Moedas de bronze fundidas ou cunhadas em várias regiões da Índia e no séc. I d.C no Ceilão (Sri Lanka). Sécs. I-IV Emissões dos Indo-citas, dos Indo-partas e dos Kushans no norte da Índia. Sécs. IV-VI Emissões de ouro dos Gupta no norte da Índia. Sécs. V-VI Hunos Heftalitas no noroeste da Índia, imitações de prata de tipos persas assânidas. Sécs. V-VIII Emissões em partes da Birmânia e da Tailândia atuais dos Mons e dos Pyus. Sécs. VII-VIII Emissões de “gadhyia paisa”. Sécs. VII-X Diversas emissões locais sem tipo predominante. Séc. IX Emissões de prata pelos turcos Shahis de moedas de prata do tipo cavaleiro/touro. Sécs. IX-XI Emissões regionais: Cachemira, Chaulukyas; Cholas no sul da Índia; Misore e Decã. Final do séc. XII Adoção, em Delhi, de tipos islâmicos que depois estendem-se para o Bengala; abundantes emissões de tankas de prata até o séc. XV. Sécs. XIV-XV Emissões de ouro do reino hindu de Vijayanagar; em algumas regiões circulação de conchas “cauris” para pequenos pagamentos. Sécs. XIII-XV Emissões de moedas de ouro e de prata, redondas ou em forma de cubo, na Península Malaia, na Indonésia atual ou nas Filipinas, com ampla circulação nessas regiões. c. 1498-1521 Primeiras emissões portuguesas em Malaca e na Índia. O Extremo Oriente e o Subcontinente Indiano, Sécs VII a.C a XIX d.C O Sub-continente Indiano e o Sudeste Asiático, das Primeiras Emissões ao Advento dos Grão-Mongóis, Séc. IV a.C. – c 1520 d.C. Durante os sécs. V e IV a.C., moedas gregas e persas emitidas nas províncias ocidentais do Império Persa circulavam até os territórios hoje conhecidos como Afeganistão e Paquistão, e foram copiadas e adaptadas localmente. Na região de Cabul, pouco depois de 400 a.C., moedas de prata foram cunhadas pela administração persa local. Pouco depois, começaram a ser produzidas barras de prata abauladas, com símbolos estampados nas extremidades, conhecidas como satamanas : O traço característico das primeiras emissões indianas, não anteriores ao séc. IV a.C., e conhecidas como Karshapanas, foi o uso de vários pequenos punções individuais com pequenos desenhos na sua extremidade, estampados separadamente sobre peças de metal achatadas, retangulares ou de forma irregular, possivelmente baseadas em um padrão de peso de cerca de 3,3 a 3,5g. Mais de 300 símbolos diferentes são conhecidos e supõe-se que os mais antigos devem-se a joalheiros e banqueiros e não a qualquer estado. A introdução da cunhagem de bronze na Índia já se baseou nesse novo tipo e não deveu nada à cunhagem grega. As moedas mais antigas são versões em bronze das moedas de prata com punções múltiplos. Delas evoluiu-se para a cunhagem com um único punção com vários desenhos, ou para a fundição de moedas de bronze em moldes.
No séc. I d.C. a cunhagem já se estendia à Índia do sul e ao Sri Lanka. De cerca de 250 a 190, o reino grego da Báctria, emitiu moedas tipicamente gregas, com a tecnologia de dois cunhos e com tipos e língua gregos. Os monarcas gregos da Báctria delegaram o governo de certas províncias a reis gregos vassalos, notadamente em territórios conquistados no séc. II no sudeste do Afeganistão e no Paquistão atuais. Nessas regiões, tais governantes passaram a cunhar moedas bilíngües, com inscrições tanto em grego como em kharosthi . Essas regiões permaneceriam sob o controle de monarcas indo-gregos até o final do séc. I a.C. , muito tempo depois da conquista da Báctria por nômades Sakas, por volta de 140 a.C. Menander (Milinda para os indianos, c. 165-130) que reinou sobre partes do Paquistão e do noroeste da Índia, teria inclusive se convertido ao Budismo . A região ocupada pelos reinos indo-gregos no noroeste da Índia foi sucessivamente conquistada por vários invasores nômades, além dos Indo-Citas (8,9), (sécs. I a.C. a I d.C.). Esses invasores foram os Indo-Partas (10 – séc. I d.C.), os Kushans (11 – sécs IIV), os Hunos brancos ou Heftalitas (sécs. IV-VI) e os Turcos (sécs. VI-IX). No entanto, outros invasores, os Jovan-Jovan do Centro da Ásia e os Kushanshahs alcançariam o Afeganistão mas não conseguiriam passar para a Pérsia, ainda muito poderosa sob os partas e, depois, sob os sassânidas. De meados do séc. I ao séc. II, os Kushans situaram-se no centro geográfico de uma rede de rotas comerciais que ligavam o mundo romano, o mar Vermelho, o mar Arábico, a Índia, a Ásia Central e a China. A riqueza dos Kushans reflete-se nas moedas de ouro que cunharam e o Budismo floresceu sob a dinastia. No norte da Índia, no período Gupta (sécs. IV-VI), a moeda de ouro padrão seria o dinar , que também refletia influências ocidentais. Os Guptas, que dominavam uma área dos rios Indo ao Ganges, absorveram, da mesma forma, influências de seus vizinhos Kushans que reinavam sobre o Afeganistão, o Paquistão e o noroeste da Índia. Mesmo antes da derrocada dos Gupta, várias regiões da Índia estavam sob o controle de dinastias ou povos de várias origens. Os sátrapas de Gujarat e da Índia Ocidental (sécs. I-IV) emitiram moedas de prata baseadas em modelos gregos , antes de serem conquistados pelos Gupta. Por outro lado, os Iaudheyas cunharam moedas de bronze com tipos claramente hindus no séc. IV. Os Heftalitas mantiveram o tipo imobilizado de “Napki Malik” entre cerca de 475 e 560, no Vale de Cabul e no Paquistão . Na ausência de um império predominante, muitas autoridades regionais emitiram moeda destacando-se os Chaulukyas , os Pandia, os Pratiharas e os Cholas. Nos sécs. VIIVIII, várias imitações de tipos sassânidas muito deturpados foram cunhadas no centro da Índia do Norte e são conhecidas como “Gadhyia Paisa”.. Bhoja I rei de Kanauj no Centro da Índia, cunhou uma moeda com tipo de Vishnú de pé e escrita nagari . Já os Shahis, monarcas de origem turca de Ohind, no Paquistão e noroeste da Índia, emitiram, no séc. IX, moedas de prata de boa qualidade, com o tipo do cavaleiro nômade no anverso e o touro hindu no reverso , imitadas durante séculos. No Cachemira, nos sécs. IX e X, houve emissões de bronze com tipos que distanciaram-se das divindades que pretendiam representar e que se tornaram quase abstratos. No Nepal, já no séc. VII emitiram-se “Panas” de bronze. Os Cholas, que desenvolveram um império marítimo com base no sul da Índia, sob Raja Raja (c. 985-1016) cunharam moedas com rei estilizado no trono e divindade estilizada , sem que este tipo viesse a prevalecer em outras regiões. Enquanto o norte da Índia esteve continuamente sujeito a invasões, o centro e o sul da Índia, o Decã e Misore, se desenvolveram em circunstâncias mais favoráveis. Em Orissa, houve emissões de ouro muito elaboradas com o tipo do elefante a partir do séc. XII. O reino hindu de Vijayanagar, fundado em 1336, cunhou interessantes moedas de ouro . Os Bahamanidas fundaram o sultanato islâmico de Kulbarga no Decã, emitindo moedas com a escrita árabe . No final do séc. XII, o Gorida do Afeganistão Mu’izz ad-Din Muhammad bin Sam (1173-1206) conquistou o norte da Índia, que passou a ter uma cunhagem de ouro e de prata de tipo islâmico que tenderia a se propagar para outras regiões. Relações comerciais com o resto do mundo islâmico trouxeram prosperidade para a Índia e, em decorrência, aumentou o acesso à prata, até então comparativamente escassa. Somente no sul da Índia e no Sri Lanka continuaram prevalecendo tipos hindus tradicionais. No séc. XIV os sultães islâmicos de Delhi cunharam tankas de prata em abundância. Em Bengala, governadores semi-autônomos cunharam tankas no estilo das do sultanato de Delhi . Anteriormente sob o domínio da dinastia dos Palas de Bihar e Bengala, circulavam na região apenas conchas (“cauris”) e ouro em pó, e o uso de conchas para pequenos pagamentos permaneceria até 1780! Na parte continental do sudeste asiático, a emissão e o uso de moedas cunhadas, introduzido a partir da Índia nos sécs. VII e VIII, tinha desaparecido no séc. XI. Anteriormente, moedas de prata emitidas pelo reino Pyu de Srikshetra , na Birmânia, e pelo reino Mon de Dvaravati, na Tailândia, tinham circulado também no Camboja e em parte do Vietnã até o séc. X. A brilhante civilização baseada em Angkor não recorreu à cunhagem de moedas. Os povos birmaneses e tailandeses, que controlavam a região nos sécs. XI-XIII, introduziram novas tradições monetárias baseadas no uso de lingotes de prata. Relatos chineses também referem-se ao uso de lingotes de estanho como moeda na península malaia no séc. XV. Na Indonésia e nas Filipinas, a tradição indiana de moeda de prata e ouro teria sido conhecida entre os sécs. IX e XIII. As moedas da região tinham às vezes um formato diferente, inclusive o de um pequeno cubo , mas houve também emissões de discos redondos cunhados . No final do séc. XV, os portugueses iniciaram a penetração européia na Índia e no sudeste asiático, e, sob D. Manuel I (1495-1521), antes do advento dos Grão-Mongóis, cunharam moedas em Malaca (hoje na Malaísia ) e em Goa , iniciando uma longa série de emissões. O Extremo Oriente, c. Sécs VII a.C. – XV d.C. EVENTOS HISTÓRICOS c. 770-256 Dinastia Zhou Oriental. c. 722-475 Período dos Outonos e Primaveras; Confúcio (c. 551-479). c. 475-221 Período dos Reinos Combatentes; séc. IV. 221 China Imperial: dinastia Qin (221-207); dinastia Han Ocidental (206 a.C a 9 d.C). 9-23 d.C Usurpação de Wang Mang. 25-220 Dinastia Han Ocidental . 589-618 Dinastia Sui; unificação da China. 618-907 Dinastia Tang; preço de um cavalo em 636 : cerca de 25.000 “cash”. Sécs. VII -VIII Difusão da civilização chinesa e do Budismo no Japão. Sécs. VII-IX Unificação da Coréia. 960-1126 Dinastia Song do norte. Séc. X Independência de Anam da China; dinastia nacional dos Ly (1010-1225). 1127-1279 Dinastia Song do sul. 1192 Instituição do xogunato no Japão. 1206-1227 Campanhas de Gêngis Khan. 1279-1368 Dinastia Yuan (Mongol). População da China c. 1300 : 100 milhões; um cavalo podia custar 10.000 cash em 1362 ou ser trocado por uma cabeça de gado. 1368 –1644 Dinastía Ming. Capital: Pequim (Beijing); população c. 1600: 160 milhões. Sécs. XIV-XIX Dinastía Li na Coréia. Forte influência da China. 1428-1793 Dinastia Lê no Anam e na Cochinchina. 1603-1868 Xogunato Tokugawa no Japão; Nagasaki único porto para comércio internacional; população c. 1820 : 31 milhões. 1644-1912 Dinastia Qing na China. 1802-1883 Gia Long imperador do Anam; Anam e Tonquim protetorados franceses (1883). EVENTOS MONETÁRIOS 2o. e 1o. Milênios a.C. Trocas de mercadorias (cereais, seda, objetos de bronze) e uso de conchas (“cauris”) para pagamentos. c.700-600 Dinastia Zhou inventa a primeira moeda chinesa em bronze fundido em forma de pá; c. 600-300 Difusão de moedas de bronze fundido em forma de pá, faca e conchas, em vários estados da China; primeiras moedas redondas com furo no centro. c. 221 Introdução do Ban-liang, moeda com furo no centro como moeda imperial e nacional e desmonetização das demais; produção de moedas não centralizada. c. 118 Introdução do Wu-Zhu novo tipo com furo no centro; emissão de mais de 28 bilhões de exemplares no período Han ocidental. 9-23 Tentativa mal sucedida de reforma monetéria de Wang Mang; inflação revrsão parcial a pagamentos em bens. 23-581 Reinício da emissão intermitente do Wu-Zhu, moeda com período de mais longa circulação na História, sem maiores alterações. c.621 Introdução do “Kaiyuan Tong Bao”, mais conhecido como “cash” ou sapeque, tipo de moeda de bronze fundido com furo no centro e quatro caracteres identificando reinado de emissão; tipo estabilizado até o séc. XIX, apenas com adição ocasional de caracteres no reverso antes liso. 708 Emissão no Japão das primeiras moedas próprias, copiadas das Chinesas. 967 – séc. XVI Japão suspende a emissão de moedas pelo governo central por um período de cerca de 600 anos. Importação periódica de moedas de bronze da China. 970 e 996 Primeiras moedas próprias respectivamente no Anam (Vietnam) e na Coréia. Séc. XIII-XV Predominância da circulação de papel moeda e de barras de metal precioso na China; exportação de sapeques para o Anam e o Japão. Séc. XVI A hiperinflação resultante de emissões excessivas de papel moeda resulta na volta do sapeque como elemento fundamental da circulação monetária; impostos denominados em peso de prata; aumento da importação de prata do Japão e depois da América espanhola via as Filipinas ou através da Europa. Séc. XVIII O cash ou sapeque do reino de Gao Zong (1736-1795) foi provavelmente a moeda do mundo emitida em maiores quantidades antes do séc. XX, em bilhões de exemplares. Sécs. XVIII e XIX Crescente importância da circulação de barras de prata; freqüentes contra-marcas de banqueiros chineses sobre moedas de prata estrangeiras. Sécs. XVII – XIX Reforma monetária na Coréia: mun e duplo mun de latão emitidos por cerca de 24 repartições públicas; no séc. XIX, emissão mal sucedida de moedas de 100 mun com valor de face excessivo para o valor intrínseco. Fins séc. XVI – séc. XIX Introdução de placas de ouro (Kobans) e de glóbulos de prata (mameitagin) no sistema monetário Japonês e emissão ocasional de moedas de bronze e depois de ferro com furo no centro; emissões provinciais nos Hans, inclusive de papel moeda; diminuição gradual do tamanho e teor metálico das emissões do governo central; amplo uso do arroz para pagamentos, inclusive de impostos. Séc. XIX No Anam, emissão de moedas de ouro e de prata retangulares, além de sapeques com furo no meio de cobre e de zinco. O Extremo Oriente e o Subcontinente Indiano, Sécs VII a.C a XIX d.C O Extremo Oriente, da Invenção da Moeda na China à Penetração Européia no Séc. XIX: China, Anam, Coréia e Japão, c. 700 a.C. – Séc. XIX d.C. A invenção da moeda na China partiu da imitação, em bronze fundido em moldes, de objetos utilitários como pás e facas, mas também de “cauris” ou conchas. Após a decisão tomada no Reino de Zhou, no final do séc. VII a.C., de produzir imitações de pás, com peso padronizado para circular como moeda, vários estados emitiram moedas naqueles formatos do séc. VI ao séc. III a.C. A partir do final do séc. III a.C., a opção por moedas redondas com um furo no centro prevaleceu, com os chamados “Ban-liang” , seguidos, em 118 a.C., pelos Wu-zhu, ambos com dois caracteres. Estima-se que pelo menos 28 bilhões de Wu-Zhu tenham sido produzidos no reinado Han ocidental. Após uma breve retomada de tipos mais antigos pelo usurpador Wang Mang , retornou-se ao Wu-zhu , que, com pequenas variações de tipo, foi a moeda emitida pelo período mais longo na História. O Wu-Zhu foi substituído, por volta de 621, pelo “Kaiyuan Tong Bao” (sapeque ou cash), com quatro caracteres identificando o reinado de emissão, o que permite a sua datação aproximada. Inicialmente essa moeda era unifacial. O Anam (no Vietnã de hoje) fez parte do Império Chinês do séc. I d.C. até 939, quando tornou-se independente. Nessa região e no sudoeste da China, mesmo depois da emissão regular de moedas de bronze mais ao norte, conchas continuaram a circular como moeda durante séculos. No período conturbado da usurpação de Wang Mang no início do séc. I d.C., cereais e seda também foram aceitos como forma de pagamento. Do séc. VII até o início do séc. XX, foram emitidos Sapeques ou “cash”, com um furo no centro, e seus múltiplos, sempre fundidos em moldes, inicialmente em bronze e no período final também em latão ou em cobre . O “cash” do reino Qian Long (Ch’ien Lung), do imperador Gao Zong (1736-1795), foi provavelmente a moeda do mundo emitida em maiores quantidades antes do século XX, em muitos bilhões de exemplares . O Japão, o Anam (Vietnã atual) e a Coréia começaram a ter moedas próprias em 708, 970 e 996 respectivamente, e adotaram durante séculos o modelo chinês de moedas fundidas, com furo no centro. No Japão, entre o séc. X e o séc. XVI, não foram emitidas oficialmente moedas, recorrendo-se à importação de moedas chinesas de bronze para a circulação corrente. A partir do final do séc. XVI, foram retomadas as emissões de bronze e produzidas peças em metais preciosos, como os “mameitagin” (glóbulos de prata com motivos estampados – ) e os Kobans (placas de ouro com assinaturas a tinta!). Por volta de 1800, os Xoguns recorreram a moedas fundidas de latão ou ferro , e reduziram o tamanho e a qualidade das moedas oficiais de ouro. Depois foram emitidas peças retangulares de prata de diversos valores . Mas as moedas de metal não eram o único meio de pagamento: até a restauração Meiji (1868), impostos continuaram a ser pagos em arroz. Além das moedas emitidas pelos Xoguns, diversos tipos de moeda local também foram produzidos pelos clãs japoneses, do séc. XVII ao XIX, nos Hans ou províncias. A partir de 1661, muitos deles emitiram papel moeda denominado em “moedas do Xogum” ou em produtos como arroz e vinho, mas alguns também emitiram moedas metálicas. Na China, os preços dos produtos eram normalmente calculados em moeda de bronze, e a relação desta com os metais preciosos variava de acordo com o mercado. A partir da dinastia Song (Sung – c. 960-1280), com o grande desenvolvimento do comércio no império, em paralelo aos sapeques , a prata e o ouro em barras passaram a ser utilizados para grandes transações, circulando com o valor do metal precioso neles contido (pelo seu valor “intrínseco”). No período Mongol (1280-1368), o sapeque perdeu importância, e lingotes de metal precioso e papel moeda passaram a constituir o principal meio circulante do país. No período Ming (1368-1644), o comércio declinou, como também a circulação de metal em lingotes .
No séc. XV, emissões excessivas resultaram em uma hiperinflação que destruiu o regime de papel moeda, voltando-se a um regime monetário fundamentado na prata para grandes pagamentos, que levaria a grandes importações do metal, inicialmente do Japão e, mais tarde, da América Espanhola. Os “cash” ou sapeques readquiriram importância especialmente após 1505, quando passaram a ser produzidos em latão , e com emissões ocasionais de 2,5 e 10 “cash”. Na transição da dinastia Ming para a dinastia Quing, diversos rebeldes emitiram moedas de bronze . Durante os dois primeiros séculos da dinastia Quing (1644-1911) uma rede de cerca de 30 oficinas espalhadas pela China fundiam o “cash” padronizado , inclusive em Taiwan, a partir de 1689. No séc. XIX, durante a revolta Taiping (1851-64), em que ocorreriam cerca de 20 milhões de mortes, os rebeldes emitiram moedas e foram também emitidos, pelo governo central, múltiplos do cash que não tiveram aceitação, porque o valor do metal era muito inferior ao valor de face. A partir dos sécs. XVIII – XIX, com o crescimento do comércio internacional, aumentou muito a circulação de prata sob a forma de “sycees” ou lingotes de prata, em geral emitidos por bancos privados, com peso relativamente padronizado, freqüentemente em forma de “barco” . Diversos banqueiros chineses também apunham marcas próprias em moedas de prata estrangeiras de várias procedências . O “peso” de 8 reales hispano-americano , na primeira metade do séc. XIX, tornara-se a única moeda utilizada pelo comércio em diversas partes do sul da China. Os coreanos emitiram imitações de moedas chinesas em vários períodos, mas até 1423 utilizaram também moedas de bronze chinesas importadas. A partir de 1633, a dinastia Yi tentou emitir uma “moeda de estabilização”, o “mun”, que foi bem sucedida e passou a ser produzida em 24 repartições públicas, incorporando, a partir de 1679 o duplo “mun” de latão . Em 1866, moedas equivalentes a 100 “mun” seriam emitidas mas logo retiradas de circulação, por terem um valor intrínseco muito inferior ao seu valor de face. Os mongóis emitiram moedas em várias regiões da Ásia central, da Turquia à China, mas foram poucas as suas emissões locais. Durante muito tempo, foram usadas moedas chinesas na Mongólia que, a partir do séc. XVII, passou a ser governada diretamente pela China, cujas moedas circularam oficialmente até o séc. XX. No Anam (hoje no Vietnã), várias dinastias emitiram moeda entre 970 e o séc. XIX. Entre 1044 e 1205, cessaram as emissões locais e usaram-se moedas chinesas importadas. Nos períodos Tran (1225-1400), dos Le tardios (1428—1527), dos usurpadores do clã Mac (1587-1592) e dos Le restaurados (1592-1788), foram feitas emissões regulares, mas não muito grandes, do típico cash ou sapeque . Moedas de prata de forma retangular foram emitidas no período Gia-long (1802-20) por Nguyen Anh e depois pelos seus sucessores . Diante da escassez do cobre, fundiram-se também moedas de zinco durante o séc. XIX . No período 1820-1880, prevaleceram as emissões de barras de prata e de ouro e as de sapeques. Fonte: www.econ.puc-rio.br

História da Moeda

 

NASCIMENTO DA MOEDA

Desde temos imemoriais, objetos inusitados circulam como moedas, delineando as atividades de comércio e estabelecendo as bases da vida política e social. Jean-Michel Servet História da Moeda
Um wampun, objeto confeccionado com tiras de couro e pedaços de nacár,usado pelos índios da América do Norte em suas transações com os brancos nos séculos XVII e XVIII Colares ou braceletes de conchas, pérolas, dentes, ossos ou plumas, fragmentos de pedra ou metal, peças de cerâmica ou tecidos, objetos de formas e materiais surpreendentes – encontramos tudo isso sob a designação de moedas antigas, nas coleções de inúmeros museus ou em livros e revistas de etnografia, pré-história e arqueologia. Outros objetos, aparentemente análogos, são considerados adornos ou jóias, embora sem comprovação mais evidente de que tenham sido utilizados como ornamentos, e não como moeda. Seu bom estado de conservação, indicando que tais objetos eram valiosos para seus donos, e suas características físicas, inadequadas para fins diretamente utilitários, sem dúvida estimularam arqueólogos e os que se dedicam a estudar a pré-história a atribuir uma função puramente decorativa a esses tesouros que, na realidade, também serviam como moedas. UM FATO UNIVERVAL Há mais de dois mil anos, Aristóteles já afirmava que, antes da utilização de moedas, os homens trocavam bens que lhes sobravam por aqueles que lhes faltavam (metadosis, em grego). Os etnólogos descreveram complexas relações de câmbio – kula, no Pacífico ocidental, o bilaba e o malaki, na África Central, ou o potlatch, na costa noroeste da América do Norte – nas sociedades mais antigas, porém já bastantes hierarquizadas. A moeda, como as relações hierárquicas e de dominação, não é portanto uma invenção moderna: ela já fazia parte de sociedades mais antigas – mais arcaicas, poder-se-ia dizer – do que as civilizações da bacia do Mediterrâneo, do Oriente Próximo, do Extremo Oriente ou da América Central. A circulação de bens valiosos no interior dessas comunidades, e também entre elas, parece ter sido um fato universal, que de certa forma prefigurou a moeda em sua dupla função de meio de pagamento e de conta. Moeda da Melanésia constituída por uma longa tira de fibra ornada de plumas vermelhas, acrescida de conchas inteiras ou talhadas. Mas essas funções essenciais ainda não se haviam tornado puramente econômicas naquelas sociedades antigas: permaneciam tributárias do sistema de relações de parentesco, alianças políticas, crenças e cultos que intervinha na renovação das forças de trabalho, organizava a produção e justificava a repartição da riqueza. História da Moeda A moeda – ou, em tais circunstâncias, a paleomoeda – era um instrumento ativo da vida social. Ela regulava os nascimentos, os casamentos e o luto, servia para declarar a guerra ou estabelecer a paz, compensar os danos físicos ou morais, dialogar com as divindades tutelares da fecundidade ou da morte. Por outro lado, ainda não possibilitava a quitação de uma dívida, a compra de bens ou a aquisição da força de trabalho. Mas a paleomoeda apresentava características de escassez e inutilidade análogas às de certas formas contemporâneas de moedas, antecipando inclusive a natureza econômica e política das moedas modernas: econômica, porque ela codificava atividades e riquezas como unidades contábeis e prefigurava, com sua uniformização, os atuais meios de pagamento; política, porque expressava, atualizava e reproduzia as relações de poder e hierarquia entre os indivíduos e grupos.
Feixe de hastes de ferro procedente do Congo (fins do século XIX.) DISTANTE DO ESCAMBO As trocas nas sociedades comunitárias eram, portanto, bem mais complexas que as práticas rudimentares representadas pelo escambo. Primeiro, porque os produtos trocados percorriam grandes distâncias desde tempos muito remotos, conforme o demonstram as marcas concretas deixadas por matérias não-perecíveis, como o âmbar e a obsidiana. Alguns desses produtos foram encontrados a centenas de quilômetros de seu lugar de origem – do sul da Austrália às orlas setentrionais da Nova Guiné, do mar Negro à Polônia e à Renânia. Já no Paleolítico superior, o homem de Cro-Magnon conhecia em Eyzies, na Dordonha, sul da França, conchas provenientes do oceano Atlântico, à distância de 200 km. Em estágios posteriores, cada sociedade passou a produzir, com a finalidade de troca, uma mercadoria específica (machados de pedra, barras de sal, cerâmica, cortiça), que se convertia no meio de pagamento da produção adquirida de outros grupos.
Finalmente, surgiram no seio dessas sociedades grupos especializados na função de intermediar mercadorias, percorrendo, para tanto, dezenas ou até centenas de quilômetros. Estavam, portanto, muito distantes do escambo, no qual as mercadorias funcionavam como meios de pagamento recíprocos, sem intermediários na troca. Entretanto, o desenvolvimento da função de conta era ainda limitado: não se concebia o preço relativo dos bens trocados como uma relação objetiva, mas como a expressão de uma relação social entre indivíduos e comunidades. O motor do desenvolvimento monetário ainda não era o mercado.
O cavalo de Mendel, estáter grego de prata (Macedônia, séc. V a.C.)
AS PRIMEIRA MOEDAS O fenômeno monetário surgiu com o desenvolvimento dos Estados, encarregados de gerir os excedentes obtidos pela exploração dos escravos, servos e camponeses, pelo controle das trocas a grande distância ou pela pilhagem dos povos vizinhos. Tratava-se agora de avaliar os tributos, impostos e taxas, normalizar os modos e meios de pagamento nos mercados e portos comerciais. Na diversidade de suportes monetários das sociedades antigas – tecidos e grãos de cacau dos impérios maia e asteca, cauri e ouro dos reinos da África ocidental, barras compridas das cidades gregas, lingotes de ferro dos hititas, cevada e trigo da Mesopotâmia, trigo e cobre do Egito, milho e tecidos da China – as moedas chamam particular atenção, em virtude da perenidade de sua utilização. No início, as moedas eram apenas um tipo determinado de peça metálica. Na China, por exemplo, antes da difusão das moedas e mesmo após seu surgimento no final do século IV a.C., circularam objetos com formato de enxadas e facas. As primeiras moedas foram cunhadas a partir do século VII a.C. na Ásia Menor e na Grécia, onde algumas cidades continuaram a utilizar compridas barras. Mais ou menos na mesma época – e até o advento da moeda no século IV a.C. – foram utilizados na Índia pequenos quadrados de prata, bastante finos e gravados com diversos motivos.
Diestáter de ouro cunhado durante o reinado de Alexandre Magno (336-323 a.C.), no qual aparece a deusa Atena com um capacete coríntio.
A INFLUÊNCIA DA GRÉCIA As cidades gregas ocupam na história das moedas um lugar de grande destaque. Sua tradição numismática propagou-se ao longo dos séculos por todo o planeta, diretamente ou mediante uma complexa rede de influências. Na esteira de Alexandre Magno, cujas tropas se apoderaram da riqueza em metais acumulada pelos potentados do Oriente Próximo e transformaram-na em moedas, essa tradição expandiu-se consideravelmente em torno do Mediterrâneo. Após haver utilizado lingotes de bronze de inspiração etrusca, Roma cunhou suas primeiras moedas no século III a.C., sob a influência das cidades gregas do sul da Itália. A colonização romana deu em seguida à numismática um impulso somente igualado pelo da expansão colonial européia do século XIX e início do século XX. Além das fronteiras do Império Romano, os sassânidas perpetuaram, entre o Curasão e a Mesopotâmia, uma prática numismática que denotava forte influência helenística – transmitida pelos partas, cujo império, fundado entre os séculos III e II a.C., em seu apogeu estendeu-se do Eufrates ao Afeganistão. Essa tradição helenística também influenciou as primeiras cunhagens islâmicas, enquanto a tradição romana perpetuou-se na cristandade européia. Um processo similar ocorreu na Índia, que em sucessivas etapas sofreu a influência direta e indireta da Grécia, com a chegada das tropas de Alexandre, seguindo-se os contatos com o império romano e finalmente a colonizações muçulmana e européia.
O labirinto de Cnossos, estáter grego de prata (c.450 a.C.)
UMA DIMENSÃO POLÍTICA E SOCIAL Em nenhuma dessas civilizações as moedas foram de imediato consideradas um instrumento monetário superior aos outros meios de pagamento reconhecidos, com eles coexistindo durante muito tempo. Peças redondas de metal, com diferentes qualidades de impressão, podiam ser utilizadas para diversos fins. Sua troca significava mais que uma simples transação comercial: podia simbolizar também uma doação recíproca, ou até um tributo. Assim, as primeiras moedas das cidades gregas não foram cunhadas para suprir as necessidades imediatas do comércio: seu valor no mercado era muito alto para a aquisição dos bens de consumo. No comércio a longa distância, quase sempre efetuado por via marítima, as próprias mercadorias funcionavam como meios de pagamento. Qual era, então, nos primeiros tempos, a função dessas moedas? Elas surgiram como um instrumento necessário para regular as relações internas e externas das cidades, tendo um caráter principalmente político e religioso. Entretanto, essa dupla função não constituiu obstáculo para sua destinação mercantil: o próprio metal de que eram feitas serviu como objeto de intercâmbio a grandes distâncias desde tempos muito remotos, em que o comércio se revestia de uma importante dimensão política e social. A flexibilidade das pesadas peças de metal, que podiam ser divididas em unidades menores, e sua difusão por sociedades de costumes muito diferentes gradualmente transformaram a moeda no instrumento preferido para as transações comerciais e o pagamento de impostos. Cunhadas com a efígie dos deuses e dos poderosos, as moedas conservaram esse caráter político essencial até a época romana, quando eram emitidas por ocasião de grandes eventos, como os jogos desportivos ou a movimentação de exércitos. Também não deixaram de desempenhar suas funções em ritos e sacrifícios: ainda hoje, moedas são encerradas no cimento de pontes e edifícios, lançadas em fontes, oferecidas como símbolo de alianças matrimoniais e colocadas na boca ou na mão dos mortos, que transportam para o Além os rituais de pagamento do mundo dos vivos. QUANDO AS MOEDAS CRESCIAM EM ÁRVORES Cobiçado por ser escasso, mas suficientemente abundante para não faltar, o cacau, possuidor dos atributos do deus Quetzalcóatl, era a moeda prestigiosa da América pré-colombiana.
Pirâmide de Kukulkã, conhecida como “O Castelo”, em Chichén Itazá, uma das grandes metrópoles da civilização maia-tolteca, ao norte de Iucatã.
Quando os conquistadores espanhóis chegaram ao México, no século XVI, os grãos de cacau faziam as vezes de moeda. Os cronistas notaram, com assombro: o dinheiro crescia nas árvores. Naquela época existiam três grandes regiões produtoras de cacau: a de Chontalpa e Soconusco (México), e a região do rio Ulua (Honduras). A produção e a circulação de cacau, assim como seu consumo, eram fortemente controladas por nobres e mercadores do vale do México e de Iucatã. Os baixos rendimentos do cultivo e as dificuldades do transporte aumentavam o custo social do cacau e, em conseqüência, seu preço. Como outras moedas primitivas, o cacau não cumpria todas as funções próprias a um instrumento monetário. Assim, apesar de ser o principal meio de intercâmbio, tanto os astecas como os maias utilizavam como medida de valor a manta (quachtli), peça de algodão que representava uma quantidade determinada de força de trabalho, isto é, de valor. Em Iucatã a manta equivalia a 450 horas de trabalho. Apesar de não conhecermos o equivalente em horas de trabalho da manta do tributo asteca, sabemos, por outro lado, que seu valor em cacau era de 100 grãos, aproximadamente, segundo as flutuações da produção. Pode-se afirmar, então, que o valor (em força de trabalho) da maioria dos bens que circulava podia ser expresso em cacau, enquanto o preço deste só podia ser fixado em mantas, cujo valor era invariável. A impossibilidade de fragmentar a manta e a conseqüente necessidade de um meio circulante dariam origem ao uso "monetário" do cacau, determinando a conversão recíproca entre o cacau e a manta. Com o cacau, os antigos mexicanos preparavam uma bebida cerimonial cujo consumo ficava restrito aos nobres e aos guerreiros: o chocolate. Uma forte restrição pesava sobre o consumo do cacau, e os plebeus só podiam beber pulque, bebida alcoólica obtida do agave. Este tabu reforçava o poder da nobreza, pois eram atribuídas ao chocolate propriedades mágicas: era o alimento dos deuses. Talvez fosse associado ao chocolate o sangue dos sacrifícios humanos oferecidos aos deuses, e especificamente do sacrifício que consistia em arrancar o coração das vítimas em honra ao deus Quetzalcóatl-Kukulcã (a serpente emplumada). Segundo os mitos mexicanos, Quetzalcóatl, "jardineiro do paraíso", introduziu o cultivo do cacau entre os homens quando vivia em Tula, e ao partir para o litoral enterrou o "dinheiro" que circulava então: conchas, plumas e pedras preciosas. Então a moeda-cacau se revestiu dos atributos mágicos do deus do qual se originara. Os astecas foram os últimos senhores do vale do México. Esse florescente império, baseado no domínio sobre os povos que até então haviam disputado a posse do vale, devia sua prosperidade ao tributo de 38 províncias. Entre elas a de Soconusco, que, segundo o Código Mendoza, tributava 400 cargas de cacau das 980 que o Estado consumia. O VALOR DE TROCA DO CACAU NA SOCIEDADE MAIA O cacau circulava desde armazéns especiais, chamados "casas do cacau", até os templos e quartéis militares, que representavam a grandeza imperial do México-Tenochtitlã e suas cidades aliadas e onde, segundo os cronistas, os soldados astecas consumiam grandes quantidades de chocolate. História da Moeda
Um cacaueiro (Theobroma cacao) Entre os maias, à diferença da sociedade asteca, a elite política coincidia em geral com a elite comercial,, e o cacau entrava na vida social graças ao comércio, e não como tributo. Em Iucatã o intercâmbio de cacau coexistia com uma produção equivalente de mantas, o que punha em relação de valor todas as mercadorias, inclusive certas terras, cuja produção era enviada ao mercado. Da necessidade de utilizar a mão-de-obra das comunidades camponesas nasceu a escravidão produtiva: os homens eram comprados e vendidos por cacau. Segundo Diego de Landa, o cronista dos maias de Iucatã, "o ofício a que mais estavam inclinados (era) o de mercadores, levando sal, roupas e escravos para as terras de Ulua e Tabasco, trocando-os todos por cacau e contas de pedras mais finas e melhores…" O aumento da produção de cacau, graças aos escravos maias de Iucatã e também astecas, favoreceu provavelmente a circulação de cacau entre as classes baixas, sempre sob o controle da nobreza. Diversas crônicas coloniais e etnográficas assinalam que o cacau era usado como oferenda e doação nos ritos de passagem, como casamentos e funerais. Que papel cabia ao cacau na acumulação de riqueza? Os grãos de cacau tinham que ser consumidos no prazo de um ano ou um pouco mais. Mas as diferentes estruturas sociais dos astecas e dos maias determinavam também comportamentos diferentes a esse respeito. Assim, no vale do México, os comerciantes tinham que se mostrar muito discretos para não ofender o imperador com suas riquezas. Por isso, segundo Frei Bernardino de Sahagún, vestiam-se humildemente, inclusive com mantos rasgados. A cobiça da nobreza obrigava os comerciantes pochtecas a consumir seu cacau em grandes quantidades, a ofertá-lo nos templos ou entregá-la como donativo. No México, o cacau estava ligado ao prestígio e simbolizava uma posição social. Em troca, entre os itzas de Iucatã a riqueza do cacau, da qual faziam alarde os grandes senhores com seus numerosos escravos e seus palácios decorados com grande refinamento, servia também para estimular a produção, já que ele podia ser aplicado em cultivos comerciais e na aquisição de mão-de-obra. Por essa razão, provavelmente os espanhóis conservaram o uso monetário do cacau em Iucatã e substituíram a manta pelo real, a moeda espanhola, como medida de valor, sempre em relação com as flutuações da produção de cacau. No entanto, ainda em pleno século XIX, o cacau seria utilizado para pagar salários em Iucatã e outras regiões da América Central, como se lê no testemunho do viajante norte-americano J.L. Stephens, em 1842: "Notei (…) que os grãos de cacau circulavam entre os índios como moeda. Em Iucatã não há moeda de cobre nem moeda menor que a de meio real (…) Como os salários dos índios são baixos e os artigos que compram são realmente necessários para a vida… esses grãos de cacau ou partes de um meio real são a moeda mais comum entre eles."

História da Moeda

 

VALIOSAS CONCHAS DA ÁFRICA

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O cauri e outras conchas coloridas circularam como moeda na África durante muitos séculos. A. Félix Iroko Valvas dorsais e ventrais de duas variedades de cauris. No alto, o Cypraea argus; abaixo, o Cyprae onyx. Desde tempos remotos até 0 século XX, inúmeros objetos foram utilizados como moeda na África subsaariana: varetas ou pulseiras de metal, alguns tecidos, sal, pérolas, botões de camisa e conchas. Estas últimas, muito difundidas, foram os meios de troca que circularam em áreas de maior extensão. Moluscos de origem marinha, as conchas de cauris, marginelas e olivas foram as que se destinaram com maior freqüência a esse uso. Os cauris (Cypraea annulus ou Cypraea moneta) são conchas brancas ou amarelo-claras, do tamanho de uma amêndoa. A valva dorsal é convexa, enquanto a ventral apresenta uma fenda. São encontradas apenas em mares quentes, principalmente no Pacífico Sul e no oceano Índico. A maioria dos cauris que circularam na África durante mais de mil anos procedia dos arquipélagos das Maldivas e das Laquedivas, no sudoeste da Índia, e das ilhas Zanzibar e Pemba, ao largo da costa oriental da África. Despachados como mercadoria em seu local de pesca ou de coleta, os cauris freqüentemente serviam de lastro para os navios árabes, judeus ou europeus que os transportavam até os portos do continente africano, nos quais eram novamente vendidos como mercadorias. As marginelas (Marginella ou Marginellidae) são moluscos marinhos de concha pequena e colorida, principalmente as procedentes das costas ocidentais da África. Também são encontradas nas regiões marinhas intertropicais da América, particularmente do Brasil. Brilhantes como ágatas e mais compridas que os cauris, as olivas compreendem mais de 300 espécies. A mais utilizada como moeda na África subsaariana era a Olivancillaria nana. Recolhida nos arredores de Luanda, ela constituía a "reserva monetária" exclusiva dos reis do Congo até a chegada dos portugueses à região,no final do século XV. A ÁREA DE CIRCULAÇÃO DAS MOEDAS-CONCHA Até o século XVI, o nzimbu, nome congolês da Olivancillaria nana, circulava no reino do Congo, enquanto a marginela se limitava à bacia do Níger e o cauri difundia-se na região que constituiria posteriormente a África Ocidental e, em certa medida, na África Central. Entre o século XVI e o final do século XIX, do Senegal a Uganda, do Sahel à Costa dos Escravos (Golfo da Guiné), o cauri foi mais difundido que qualquer outra moeda-concha. Mas foi pouquíssimo utilizado no Saara e jamais chegou a se implantar na África do Norte ou na África Austral. Esse período marca também o apogeu da circulação das marginelas nas Áfricas Ocidental e Central, onde eram utilizadas pelas etnias da bacia do Congo em suas transações comerciais. Já as olivas, sempre utilizadas exclusivamente pelos bantus, parecem jamais ter circulado fora das fronteiras congolesas. Para arruinar os reis do Congo, os portugueses trouxeram das costas brasileiras outras espécies de olivas, além de cauris do oceano Índico. Dessa forma, paulatinamente o nzimbu foi retirado da circulação monetária. Os portugueses exportaram ainda olivas de Luanda e introduziram-nas como moeda fracionária, juntamente com os cauris, no tráfico de escravos negros do Brasil colonial. As conchas não eram simples objetos de troca, pois possuíam todos os atributos das verdadeiras moedas. Como padrão e reserva de valor, constituíam à sua maneira instrumentos de câmbio e eram um símbolo de riqueza. História da Moeda
Argola de cobre para o tornozelo, utilizada como moeda no Congo. MOEDAS VERDADEIRAS, MOEDAS FICTÍCIAS Enquanto moeda verdadeira, as conchas permitiam adquirir inhame, facas, bois ou escravos e remuneravam qualquer tipo de serviço. Enquanto moeda fictícia, serviam igualmente como medida de valor para fixar o preço de algumas mercadorias, sem forçosamente intervir em seu pagamento. No século XIX, o explorador francês Luís Gustave Binger transcreveu a conclusão de um acordo entre dois comerciantes do norte de Gana: "A cabaça de sal vale 2.000 cauris; o cento de kolas, 1.000 cauris. Ofereço-te então 200 kolas por uma cabaça de sal." Portanto, as conchas favoreciam as transações e constituíam excelentes indicadores da variação no tempo e no espaço do valor das mercadorias. Para maior comodidade, eram agrupadas para formar múltiplos: depois de perfuradas, eram atadas em conjuntos de 12, 20, 40 ou 100 unidades, segundo o sistema de numeração utilizado no espaço comercial em que circulavam. Assim como os cauris, os musangas, discos de concha de caracol que circulavam em algumas regiões da África, eram atados através de um orifício central para formarem colares. Dez colares, medidos da extremidade do dedo maior do pé ao calcanhar, no início do século XX, valiam um doti ou 3,60m de tecido azul; dez colares medidos do dedo menor ao calcanhar valiam um doti de qualquer pano de outra cor. Essas moedas-concha da África subsaariana deram origem, em algumas regiões, a verdadeiras políticas monetárias. As autoridades tradicionais ou políticas – onde existia um poder centralizado – asseguravam sua circulação e regulamentavam sua importação. Ao tomarem medidas para evitar a superabundância de conchas, geradora de inflação, ou sua escassez, que dificultaria as transações comerciais, os soberanos exerciam um verdadeiro poder econômico. De Abomé à Costa dos Escravos, assim como no Congo, eles praticavam uma política monetária rigorosa, de reconhecida eficiência. Desde o início da era colonial as conchas começaram a perder paulatinamente seu valor monetário e deixaram de intermediar as transações comerciais. Atualmente, apenas os cauris continuam a circular, ainda que muito timidamente, entre os povos do sudoeste de Burkina Faso e do norte de Gana. É a única região do mundo onde conseguiram conservar em parte sua função de moeda. Só não se sabe até quando. História da Moeda
Cunhagem de moedas na França, durante o reinado de Luís XII. A CONTESTAÇÃO DO PODER DOS PRÍNCIPES As primeiras perturbações causadas nessa época pela moeda referiam-se à sua emissão. Apenas a autoridade política representativa, em determinado espaço nacional, podia cunhar moeda e dar-lhe um curso legal, princípio esse tomado, após muitas vicissitudes, do direito romano. Apesar do rigor das sanções aplicadas aos contraventores (por vezes cozidos vivos em um caldeirão), as contestações da cunhagem oficial eram muito freqüentes. A primeira categoria de fraudadores era a dos que se aproveitavam do fato de existirem moedas que, embora do mesmo.valor, não apresentavam o mesmo peso. Tais moedas estavam em toda parte, pois as técnicas de cunhagem eram então rudimentares para permitir uma exata reprodução das peças. Qualquer comerciante atento, qualquer agente de câmbio e até mesmo os cobradores de impostos examinavam minuciosamente as moedas, retirando de circulação as mais pesadas. Bastava então vender a peso, por bom preço, o metal precioso nos ourives, para lucrar em cima do valor nominal das peças. Também se poderia diminuir o excedente de metal raspando a moeda, e só repor em circulação o estritamente necessário, contando com a pouca probabilidade de os usuários quererem verificar se as moedas seguiam os padrões oficiais (se seguissem, caberia aos usuários arcar com as despesas da verificação). Serrilhar a borda das moedas e fazer um círculo em torno da efígie eram os meios empregados, sem muito êxito, para limitar essa diminuição; já a nova técnica da laminação, que impediria totalmente essa prática, não pôde ser implantada no século XVI em nenhum país, tanto em virtude do custo quanto da resistência dos artífices especializados na antiga técnica de cunhagem de moedas com martelo. Pouco a pouco, os príncipes tiveram que impor a pesagem das peças nas transações, para garantir à moeda uma autenticidade que só a sua efígie já não assegurava. No que se refere à luta dos soberanos para impedir que os ourives fixassem livremente o preço dos metais preciosos, bem pouco adiantaram os vários editos de proibição. Mais radicais ainda foram os antagonismos que apareceram entre os falsificadores de moedas e o que se poderia chamar de antimoedeiros. A contrafação, isto é, a cunhagem de peças falsas (chamadas expressivamente de "adulterinas") se concentrou, no século XVI, nas moedas espanholas, e dizia respeito sobretudo às pequenas peças, de fabricação menos cara e controle mais difícil. Entretanto, diversos soberanos não hesitavam em cunhar peças imitando as de Estados estrangeiros, a fim de elevar a taxa de cunhagem por sua conta (no caso de pequenos Estados que não tinham moeda própria), ou reter uma parte do metal cunhando imitações de menor peso. Não faltam exemplos célebres de contrafações: na França, a cunhagem paralela de moedas foi organizada durante cerca de 10 anos pelos papistas, a fim de sabotar a produção de dinheiro oficial do rei protestante. Em outro caso, a cunhagem se deu em detrimento da Espanha, cujos metais preciosos vindos da América eram pirateados a caminho da Europa. História da Moeda
Moeda espanhola de prata de oito reais, cunhada durante o reinado de Felipe II (1597) Desde que descobriu as Antilhas e depois a América, a Espanha explorou sistematicamente metais preciosos dessas regiões, os quais eram enviados duas vezes por ano, sob escolta militar, a Sevilha, onde eram cunhadas as moedas espanholas. As entradas de metal registradas no século XVI foram consideráveis: cerca de 250 toneladas de ouro e 200 mil toneladas de prata, ou seja, um terço de todas as reservas européias. Além disso, certos historiadores estimam que a quantidade de metais que entrou clandestinamente e escapou aos registros espanhóis, sendo desviada para cunhagem de moedas em países concorrentes, pode muito bem ter sido equivalente aos números oficiais. Mas o desvio de moedas podia também tomar formas menos complicadas, como a que consistia em um acordo entre particulares para fazer circular peças proibidas pela autoridade soberana. Periodicamente, os príncipes decretavam que determinada moeda nacional ou estrangeira não poderia mais ser usada em transações comerciais por ser de qualidade inferior. Ela deveria, então, ser levada à casa da moeda para ser destruída, ocasião em que o portador receberia o valor correspondente ao peso da moeda. Era comum os particulares não levarem em conta esses editas e colocarem em circulação privada as peças em questão – principalmente quando faltavam instrumentos monetários. Foi, por exemplo, o que aconteceu na França com as moedas espanholas de pequeno valor na segunda metade do século XVI. Mais freqüente ainda era a prática de negociar com moedas oficialmente autorizadas, mas dando-lhes uma cotação (chamada "voluntária") que ignorava o preço fixado pelo príncipe. Nessa época, e por mais dois séculos ainda, o valor das moedas era estabelecido por anúncio público, e não pela inscrição na própria moeda. Esse fato fez com que se desconfiasse da cunhagem oficial e, em certas regiões e épocas, aconteceu de a cotação privada de uma moeda alcançar o dobro do valor anunciado oficialmente. Essas circunstâncias comprometiam seriamente a capacidade inerente à moeda de homogeneizar as relações sociais. No grupo dos antimoedeiros, convém estabelecer duas categorias de agentes. Primeiro, havia os que se recusavam a abandonar a permuta; tal sistema se manteve em inúmeras comunidades rurais, apesar da extinção do comércio de mercadorias em todo o espaço europeu da época. Eram também, de certa forma, antimoedeiros os que queriam ater-se somente ao peso do metal precioso (e, em certos casos, ao do sal) como medida de valor, excluindo das transações qualquer moeda cunhada pela autoridade pública. Para isso existiam diversos meios. Primeiro, podia-se incluir uma "cláusula ouro " nos contratos a prazo, estipulando que o pagamento se efetuaria em determinado peso de metal ou determinado número de moedas especificadas, qualquer que fosse seu valor do momento corno unidade de conta. Essa cláusula, herdada do direito romano, se manteria por muito tempo. Nos contratos de compras diretas, a desconfiança com relação à cunhagem traduzia-se na obrigação de pagar em metal bruto, com base em uma tarifa contratual. No século XVI, na França, entre um quarto e um terço das transações ocorria mediante troca de objetos de ourivesaria (anéis, taças) ou de pó de ouro retirado dos rios (a garimpagem ainda era uma atividade corrente), quando não raspado das moedas em circulação. História da Moeda
O banqueiro Jakob II Fugger (de pé), cujas empresas se espalhavam por toda Europa central e ocidental, verificando seus livros com seu contador. Miniatura alemã do séc. XVI. O COMÉRCIO INTERNACIONAL No comércio da Europa com o resto do mundo, os pagamentos eram efetuados com metais preciosos. É verdade que para comprar as sedas e as especiarias do Oriente podia-se utilizar certas moedas de curso oficial, em particular o "excelente" espanhol e o sequim veneziano, até meados do século XVI, e depois o real de prata espanhol. Mas essas peças, pouco numerosas, tinham características específicas que impediam que fossem substituídas por outras. Com um peso de metal puro praticamente constante (3 a 4 gramas), essas moedas eram difíceis de imitar, e a efígie nelas gravada só garantia a sua conformidade, sem representar uma unidade de conta fora das fronteiras nacionais. Dessa forma, no comércio internacional da Europa essas moedas valiam de acordo com seu número ou seu peso em metal puro, mas careciam de status monetário. Nesse aspecto, e mesmo sem considerar a guerra, a pirataria e a escravidão, que o acompanhavam, o comércio desenvolvido no século XVI pelos europeus não pretendia homogeneizar o espaço mundial. O mesmo acontecia com os certificados de depósito que circulavam dentro de cada espaço nacional europeu. Esses certificados, que só seriam substituídos por cédulas de banco um ou dois séculos mais tarde, eram emitidos desde o século XIV por certos banqueiros em troca de depósitos em espécie em seus cofres; tinham o valor de promessa de pagamento imediato pelo banqueiro, e circulavam como moeda. O fraco desenvolvimento da indústria e do artesanato era ao mesmo tempo causa e conseqüência dos costumes monetários da época: de um lado, essas atividades não produziam riquezas suficientes para que sua partilha fosse objeto de um consenso social; de outro, a orientação prioritária das despesas – guerras, terras, prebendas, produtos de luxo importados – mantinha sobretudo categorias parasitárias. A produção permanecia principalmente agrícola, e seus excedentes eram trocados em mercados locais ou nas feiras distantes, e somente em certos períodos do ano. A figura do empresário ainda não surgira, e a atividade econômica era simbolizada pelos negociantes, por cujas mãos circulava o dinheiro. OS BANQUEIROS MERCADORES Entre esses negociantes, os banqueiros mercadores, em seu apogeu no século XVI, ilustram perfeitamente a natureza da atividade monetária da época. Desde a Idade Média, havia nos países da Europa uma redistribuição de mercadorias: matérias-primas do continente e artigos de luxo do Oriente eram objeto de um intenso comércio de importação e exportação. Este se localizava nas cerca de seis grandes cidades onde se realizavam feiras periódicas e onde o pagamento das compras suscitava uma atividade específica: a conversão a um certo preço das unidades contábeis nacionais (o câmbio). Os banqueiros mercadores, que perpetuavam uma tradição iniciada no século XIII, nas feiras de Champagne, eram então agentes particulares que possuíam o monopólio da compra e da revenda da dívida internacional (letra de câmbio) dos mercadores comuns. Seu monopólio vinha de sua implantação em todas as feiras da Europa, onde formavam uma rede que fazia deles os intermediários obrigatórios dos outros mercadores. Esse monopólio levou a uma avaliação consensual do preço internacional de cada dívida originalmente expressa na moeda de um só país. Nesse sentido, os banqueiros mercadores, em Lyon, sua capital, criaram no século XVI uma moeda de âmbito europeu.

História da Moeda

  Ao determinarem o valor internacional das moedas, os banqueiros mercadores entravam certamente em conflito com seus clientes comerciantes, de quem cobravam uma margem de lucro. Mas deviam enfrentar os príncipes, que fixavam, por seu lado, uma cotação oficial para as moedas estrangeiras admitidas em seu país. Muitas modificações e altas de preços nasceram desses antagonismos monetários, exacerbados, além disso, por outras dimensões que confrontavam as atividades financeiras e bancárias no próprio círculo dos banqueiros e mercadores. Geradora do vínculo social em seu princípio, em virtude da referência comum que institui, a moeda é também perturbadora por seu uso. No que pese à sua transformação em uma nova divindade na Europa do século XVI, a moeda, à imagem e à semelhança do homem que a criou, continua na busca de seus limites. A história do dólar norte-americano resume-se a uma longa evolução que livra a divisa norte-americana da desordem interna, transformando-a na primeira moeda internacional. Jan Kregel História da Moeda
Verso e reverso de uma moeda norte-americana de 20 dólares cunhada em 1899.
Durante a segunda metade do século XIX, a libra esterlina gozava da primazia como moeda internacional. De todas as suas possíveis rivais, o dólar norte-americano parecia ser a moeda que tinha menos possibilidades de substitui-la. Os EUA eram um devedor internacional não muito confiável, que necessitava de um banco central e, inclusive, de um sistema monetário unificado. A preponderância do dólar’ só se impôs no século XX, depois de uma história longa e inverossímil que deu lugar, finalmente, à criação de um organismo bancário central, a Reserva Federal, e converteu o dólar em uma moeda nacional garantida pelo governo federal. Ao contrário dos sistemas monetários europeus, a Constituição dos EUA, adotada em 1789, nunca outorgou a exclusividade de emissão de moedas e notas ao governo federal. A falta de uma legislação monetária clara deu lugar a uma infinidade de meios de pagamento que circulavam praticamente sem nenhum controle ou respaldo de um organismo bancário central. Nessa situação caótica, as moedas estrangeiras tiveram curso legal até 1857, e ainda em 1901 uma mina de prata de Oregon continuava cunhando suas próprias moedas de prata para "uso comercial". Como vários estados da União se encontravam na bancarrota por não poderem honrar suas emissões de papel-moeda, foram proibidos de emitir. Porém, nada os impedia de criar bancos, e estes podiam colocar cédulas em circulação livremente. Assim, o estado de Kentucky fundou um banco privado, do qual era o único proprietário, e começou a efetuar pagamentos com suas cédulas. Essa tradição individualista em questões monetárias deu lugar a uma atividade bancária "descontrolada", que se desenvolveu amparada por leis estatais muitas vezes extremamente complacentes (free banking laws) e que autorizavam qualquer indivíduo ou associação a abrir um banco e emitir cédulas, sem autorização ou controle algum. A inexistência de um banco nacional obrigava o governo federal a fazer todas as suas transações através de estabelecimentos privados ou em espécie. Em 1840, o presidente Martin Van Buren criou o "sistema de Tesouro independente", que se ocupou das operações financeiras do governo através de suas agências abertas em todo o território nacional. Mas o Tesouro não era um banco e não podia, portanto, emitir cédulas; todos os lucros e despesas governamentais tinham que ser efetuados em ouro ou prata. O Estado não podia custear desembolsos que ultrapassassem os impostos arrecadados, a não ser que recorresse à emissão de obrigações subscritas em ouro. História da Moeda
Dólar de Prata – Peace Type (1921-1935)
OS GREENBACKS As necessidades de financiamento da Guerra de Secessão (1861-65) deram origem a diversas disposições monetárias que permaneceram vigentes até o final do século. O Tesouro começou por emitir "notas à vista" (demand notes), que não tinham curso legal mas eram conversíveis em ouro. Não obstante, a escassez de reservas de ouro do Tesouro obrigou a suspender imediatamente a conversibilidade, e até o fim da guerra o financiamento pôde ser feito graças à emissão de notas do Tesouro (US Notes), respaldadas apenas na boa-fé e na reputação do governo. Elas eram chamadas popular-mente de "notas verdes" (greenbacks), nome que ainda hoje o dólar norte-americano tem em todo o mundo. A emissão das "notas verdes" estava limitada a 433 milhões, mas devido às crescentes dificuldades para obter empréstimos e ao crescimento dos gastos o secretário do Tesouro, Salman P. Chase, decidiu-aplicar em todo o país o sistema de livre criação de bancos, autorizado por uma lei de 1869, a National Bank Act. Essa lei autorizava qualquer grupo de cinco pessoas a constituir uma "associação bancária nacional"e emitir notas correspondentes a suas obrigações do governo federal, depositadas junto ao Controlador da Moeda. Para impedir a concorrência entre essas notas e as dos bancos estaduais, estes últimos tinham que pagar uma taxa de 10%, o que logo os levou a sair de circulação. Os bancos estaduais contra-atacaram, oferecendo serviços de pagamento por cheque contra as contas em depósito, o que se mostrou um atraente substituto para as emissões dos bancos privados. Assim, no fim da Guerra de Secessão a extraordinária diversidade de formas de pagamento, representando as obrigações de milhares de bancos, haviam-se reduzido às "notas verdes" e às notas dos bancos privados (chamados national banks), que não podiam ser convertidas em metal, mas cujo número estava estritamente limitado. Nos EUA a oferta monetária ficava rigidamente fixada; não podia se ajustar às flutuações dos câmbios, nem às freqüentes ondas de pânico desencadeadas pela falência dos bancos carentes de regulamentação (dois anos depois da aplicação do sistema de livre criação de bancos, em Michigan, por exemplo, os 40 estabelecimentos bancários existentes haviam falido). CICLOS AGRÍCOLAS E ESCASSEZ DE NUMERÁRIO Por tratar-se de um país agrário, as necessidades de moeda dependiam do ciclo da colheita. Quando os agricultores vendiam seus produtos, os depósitos se acumulavam nos bancos das regiões agrícolas e provocavam uma escassez de fundos nos bancos das regiões industriais do Leste. Os national banks, não podendo ter sucursais, careciam de um mecanismo para canalizar os recursos excedentes. Como não havia um banco central para emprestar reservas, não havia nenhum meio de enfrentar essas flutuações, exceto mediante a modificação brutal das taxas de juros e a declaração de falências dos bancos. Essa situação, agravada pela grande absorção de numerário de um Tesouro independente e a falta de uma regulamentação bancária estrita, provocava instabilidade extrema e freqüentes crises. Para muitos,essa instabilidade devia-se à falta de numerário, que beneficiava os que estavam interessados em que a prata fosse a base do sistema monetário norte-americano Foi assim que William Jennings Bryan lançou um movimento em favor da "prata livre" (free silver movement), com o objetivo de poder cunhar livremente esse metal como dinheiro legal. Em 1878 a lei Bland-Allison autorizou os bônus de prata do Tesouro, que se converteram em dinheiro legal em 1886. Em 1890 a Sherman Silver Act praticamente obrigava o Tesouro a adquirir a produção total das minas de prata dos EUA. Em 1882 foram adotadas medidas similares para os bônus de ouro, mas nenhuma delas deu à circulação monetária a flexibilidade esperada. Esse sistema criou graves dificuldades não só internas, como também internacionais. Na verdade, a única maneira de compensar os câmbios da demanda interna de numerário eram as operações no mercado mundial; estas, por sua vez, provocavam uma instabilidade no funcionamento do sistema monetário internacional. Isso foi o que aconteceu em 1893, quando se propagou bruscamente o medo de os EUA não respeitarem a conversão da dívida pública em ouro, saldando-a, ao invés disso, em prata, cujo preço nos mercados internacionais estava caindo, o que provocou uma fuga de ouro incontrolável e a falência de diversos bancos. História da Moeda
Lingotes de ouro do Federal Reserve Bank, Nova York. NASCIMENTO DA RESERVA FEDERAL A fuga de ouro foi contida com a Gold Standard Act de 1900, que pôs fim ao bimetalismo, ajustou o dólar com firmeza ao padrão-ouro e obrigou os bancos privados a terem um respaldo nesse metal para a emissão de notas. A quantidade de ouro nas mãos do público triplicou entre 1899 e 1910, como aliás a do Tesouro. O montante de ouro da reserva mundial correspondente aos EUA passou de 15 a 30%, ao mesmo tempo em que muitos outros países (Áustria-Hungria, Rússia, Japão…) adoraram também o padrão-ouro. À medida que a oferta se desacelerou, a acumulação de ouro nos EUA causou mais dificuldades do que a fuga desse metal, em particular porque o ouro que entrava no Tesouro só podia ser utilizado para financiar o déficit do balanço de pagamentos (que apresentava então um superávit). O Tesouro, por ser um sistema independente, não estava apto a utilizar seu ouro como respaldo para emitir dinheiro nem para servir como credor de última instância. Em 1907, os legisladores começaram a considerar a criação de uma instituição nacional que pudesse enfrentar as flutuações da demanda monetária de outra maneira que não a absorção de ouro do exterior. Essa instituição foi finalmente criada pela Federal Reserve Act adotada em 1913. O território norte-americano, por aquela lei, foi dividido em 12 distritos, cada um com seu banco federal de reserva, cujo capital estava subscrito pelos privados que se viam, assim, forçados a aderir ao sistema. Este entrou em funcionamento no dia 2 de novembro de 1914. Os bancos federais foram autorizados a emitir um novo tipo de moeda, as notas da Reserva Federal, que era dinheiro legal para todas as dívidas e obrigações, tanto dos bancos quanto do governo dos EUA. Essas novas notas deviam substituir as dos bancos privados, e a dívida que tinha servido de respaldo para estes deveria ser recolhida e paga com notas da Reserva Federal. A emissão estava lastreada em ouro em pelo menos 40 %, e o restante por valores comerciais e outros ativos idôneos adquiridos, mediante desconto, dos bancos privados. Desse modo, supria-se a necessidade de criar um meio flexível de pagamento, que pudesse aumentar ou diminuir a oferta de moeda em função das exigências dos intercâmbios e da situação do sistema bancário. Um banco associado com escassez de divisas podia adquiri-ias descontando ativos em troca de cédulas da Reserva Federal. Mas o Conselho da Reserva Federal, com sede em Washington e nomeado pelo presidente da República, exercia uma tutela problemática sobre os bancos federais, cujos proprietários e diretores eram banqueiros privados. Como não estava claro de quem dependia a política monetária, ‘cabia aos banqueiros sempre a última palavra. No entanto, as duas condições necessárias para a ulterior supremacia internacional do dólar já existiam: a acumulação nos EUA de uma parte considerável da reserva mundial de ouro, o que obrigou o sistema monetário internacional a adotar um padrão-ouro de câmbio, e a unificação da moeda nacional, emitida por uma só autoridade com poder para atuar como garantidor de última instância. A I Guerra Mundial debilitou o poder do Reino Unido, e a moeda norte-americana entrou no período de pós-guerra com uma paridade em relação ao ouro superior à da libra esterlina. Além disso, a economia dos EUA, após uma breve recessão, conheceria o período de prosperidade chamado de "os anos loucos da década de 20", época áurea do rádio e do automóvel. O CRAQUE DE 29 A entrada maciça de capitais de investimento nos EUA, provocada no início pelo crescimento rápido da atividade econômica e pela prosperidade do mercado acionário e, depois; pelas elevadas taxas de juros aplicadas com a intenção de pôr fim à especulação em Wall Street, acabou com a estabilidade das taxas de câmbio. O craque da Bolsa em 1929 provocou inúmeras falências bancárias, que a Reserva Federal não pôde compensar. A derrocada dos valores de investimento levou a uma depressão mundial. As provas inegáveis da generalização da fraude bancária, vindas à tona com esse desastre, evidenciaram as deficiências na função controladora exercida pela Reserva Federal e em sua capacidade de orientar a política monetária, a fim de proteger da falência até os bancos mais bem administrados. Uma série de medidas – nacionalização do ouro, desvalorização do dólar a 35 dólares a onça de ouro etc. – assim como a Banking Act de 1935, que reforçava as atribuições do Conselho da Reserva Federal, deu lugar finalmente à criação de um sistema com atribuições equivalentes às de um banco central europeu. Assim, o período entreguerras serviu para consolidar o poder da reserva monetária dos EUA e a estrutura de seu sistema financeiro. A partir desse momento, os EUA estavam preparados para tomar a frente de Londres no sistema internacional. Com a II Guerra Mundial, o Reino Unido passou da posição de credor a devedor internacional. Os EUA tornaram-se o maior credor do mundo do pós-guerra. Todos os países que desejavam comprar mercadorias para a reconstrução tinham que adquirir dólares, o que transformou a moeda norte-americana na primeira moeda internacional. Fonte: www.cliohistoria.hpg.ig.com.br

História da Moeda

  O PAPEL E A IMPORTÂNCIA DA MOEDA INTRODUÇÃO Não existe nada mais difícil do que tentar definir algo que todos nós sabemos do que se trata, mas sobre cujo real significado nunca paramos para pensar. E é nestes momentos que começam a surgir perguntas da mais variadas, desde a sua origem até o complexo sistema que se criou a sua volta. Mas afinal, o que é moeda? Segundo Wassily Leontieff (economista russo, Prêmio Nobel de Economia em 1973), a moeda é a “mercadoria que serve de equivalente geral para todas as mercadorias”. Ao longo deste ensaio procuraremos desvendar alguns mistérios que cercam a moeda, e sua evolução histórica. ORIGEM E EVOLUÇÃO DA MOEDA A origem e a evolução da moeda pode ser seccionada em seis fases distintas: Era da Troca De Mercadorias Era da Mercadoria Moeda Era da Moeda Metálica Era da Moeda Papel Moeda Fiduciária ou Papel-Moeda Moeda Bancária ou Escritural ERA DA TROCA DE MERCADORIAS Nos primórdios tempos, o homem vivia em pequenas comunidades de uma única família, e se utilizava de vegetação e da caça disponíveis na região onde habitava. Esses recursos eram os únicos com os quais contava para a sua subsistência. Essas minúsculas comunidades, entretanto, foram crescendo e começaram a se desmembrar em outros núcleos de famílias, cada uma procurando formar a sua própria fronteira, delimitando as suas áreas para o plantio de alimentos e a caça. Esses núcleos, entretanto, não produziam todos os mesmo produtos. Iniciava-se assim o processo primitivo de divisão do trabalho e especialização. Enquanto uns se dedicavam à caça, outros se dedicavam à produção de tubérculos, outros ainda se especializavam no plantio de grãos e assim por diante.
Essa racionalização das atividades fez com que os núcleos passassem a trocar o excedente resultante da especialização. Assim, uma boa caça era trocada por uma quantidade razoável de grãos; por outro lado, uma quantidade razoável de grãos poderia ser trocada por um número considerável de frutas, ou então por uma produção de tubérculos. Nas mais primitivas culturas, portanto, as economias funcionava à base do escambo – a troca simples de mercadorias. Esse sistema, entretanto, apresentava algumas dificuldades. Imaginem um indivíduo que tenha maçãs e queria castanhas. Seria uma coincidência fora do comum encontrar um outro indivíduo que tenha gostos exatamente oposto, ansioso por vender castanhas e comprar maçãs. Ainda que aconteça o fora do comum, não há garantia de que os desejos da duas partes, no que se refere a quantidades e aos termos de troca exatos coincidam. Da mesma forma, a menos que um alfaiate faminto encontre um fazendeiro nu que tenha alimentos e o desejo de ter um par de calças, nenhum dos dois pode realizar negócio. Assim, o crescente número de produtos disponíveis nos mercados passou a dificultar a prática rudimentar do escambo, não só pela dificuldade cada vez maior de se estabelecerem relações justas e intercoerentes de troca, como também pela dificuldade de se encontrar parceiros cujos desejos e disponibilidades fossem duplamente coincidentes. Para se ter um idéia, para que se possa atender os desejos de um indivíduo, nos dias de hoje, as operações de trocas de mercadorias se tornariam por demais trabalhosas, pois seriam necessárias inúmeras transações para que o indivíduo pudesse ter todas as suas necessidades satisfeitas. Matematicamente, pode-se obter o números de trocas necessárias através da fórmula: onde : TM – representa o números de trocas de mercadorias n – é a quantidade de produtos ou itens disponíveis na economia Assim, quanto maior o número de produtos para satisfazer um indivíduo, um número significativamente maior de trocas se torna necessário:

Produtos Disponíveis Trocas de Mercadorias
1 0
2 1
3 3
4 6
5 10
10 45
20 190
30 435
50 1.225
100 4.950
1.000 499.500

Imaginem essas necessidades de troca de mercadorias aplicadas aos dias de hoje. Os indivíduos despenderiam todo o seu tempo disponível apenas para trocar mercadorias, sem que sobrassem tempo para se produzir o bem necessário para se poder realizar a troca. ERA DA MERCADORIA-MOEDA Com o passar do tempo, a evolução da sociedade impõe a necessidade de se facilitar as trocas. Os indivíduos, então, passaram a eleger um único produto como referencial de trocas: uma mercadoria que tivesse algum valor e que fosse aceita por todos. Para que isso ocorresse a mercadoria eleita como moeda deveria atender a uma necessidade comum e ser rara o bastante para que tivesse valor. Com a passagem das trocas diretas, de um produto por outro, para as indiretas, intermediadas por algum outro bem aceito por todos, com um certo valor intrínseco, passou-se para a chamada era da MERCADORIA-MOEDA. Neste período, vários tipos de produtos forma utilizados como referencial das relações de trocas de mercadorias, tais como o gado, fumo, azeite de oliva, escravos, sal, etc. PRINCIPAIS MERCADORIAS UTILIZADAS COMO MOEDA O gado, ao longo do tempo, se mostrou como a MERCADORIA-MOEDA mais utilizada, tendo dado origens a termos atualmente utilizados, como : A grande vantagem que ele apresentava era que, enquanto os indivíduos o guardavam como uma poupança, essa “moeda” aumentava por meio da reprodução, ou seja, “rendia juros”. Mas, por outro lado, essa mesma “moeda” apresentava uma grande desvantagem : como dividir um boi para comprar arroz, feijão, cebola, sal, etc.? Em suma, o gado não podia ser dividido em trocados. De modo geral, para que uma mercadoria possa ser utilizada como moeda ela deve ter várias qualidades, dentre as quais destacam-se: Durabilidade Ninguém aceitaria como moeda algo que fosse perecível Divisibilidade A mercadoria eleita como moeda deve poder subdividir-se em pequenas partes, de forma que tanto as transações de grande porte quanto as de pequenos portes possam ser realizadas Homogeneidade Qualquer unidade da mercadoria eleita como moeda deve ser rigorosamente igual às outras unidades dessa mercadoria; Facilidade de manuseio e transporte A utilização do bem eleito como moeda não pode ser prejudicada em função de dificuldades de manuseio e transporte. Ao longo da história da humanidade um grande número de produtos têm sido utilizados como MERCADORIA-MOEDA, cada um deles apresentado vantagens e desvantagens. A cerveja, por exemplo, não melhora com o armazenamento, ao contrário do vinho que tende a melhorar; o azeite de oliva serve como uma bela moeda líquida que pode ser dividida em parte pequenas; o ferro enferruja; o valor de um diamante perde seu valor ser for dividido. Apesar de as MERCADORIA-MOEDA terem facilitado um pouco o dia-a-dia dos indivíduos, muitas dificuldades ainda persistem, ressaltando a necessidade de se encontrar uma forma mais simples que facilitassem as transações comerciais. É quando então passamos para a Era da Moeda Metálica. ERA DA MOEDA METÁLICA De maneira geral, pode-se dizer que os metais foram as mercadorias cujas características essenciais mais se aproximavam das características que se exigem dos instrumentos monetários. Inicialmente, os metais empregados como instrumentos monetários foram o cobre, o bronze e, em especial, o ferro. Com o passar do tempo, entretanto, esses metais foram deixados de lado, pois não serviam como reserva de valor. Em outras palavras, a existência em abundância desses metais, associada a descoberta de novas jazidas e ao aperfeiçoamento do processo industrial de fundição fez com que tais metais perdessem gradativamente seu valor. Por essas razões é que os metais chamados não nobres forma pouco a pouco substituídos pelos metais nobres, como ouro e prata. Estes dois metais são definidos como metais monetários por excelência, uma vez que suas características se ajustam adequadamente às características que a moeda deve ter. A utilização do ouro e da prata nas transações comerciais acabou trazendo grandes vantagens. No tocante às moedas cunhadas com esses metais, elas eram pequenas e fáceis de carregas, além de serem padronizadas e terem um valor próprio, ou seja, seu poder de compra era equivalente ao valor do material utilizado na sua fabricação. As moedas metálicas permitiam ainda às pessoas guardá-las esperando a melhor oportunidade para trocá-las por alguma mercadorias. Isto era possível pois, tanto o ouro como a prata eram metais suficientemente escassos, e a descoberta de novas jazidas não chegava a afetar o volume que se encontrava em circulação. Este aspecto fazia com que estas moedas mantivessem estável o seu valor ao longo do tempo. Apesar das grandes vantagens apresentadas pela moeda metálica, existia, à época, um inconveniente: o transporte a longas distâncias, em função do peso das moedas e dos riscos de assalto a que estavam sujeitos os comerciantes durante suas viagens. Para contornar este problema, especialmente após o século XIV, com o crescimento dos fluxos comerciais da Europa, iniciou-se a difusão de um instrumento monetário mais flexível : a moeda-papel. ERA DA MOEDA-PAPEL A moeda-papel veio eliminar, portanto, as dificuldades que os comerciantes enfrentavam em seus deslocamentos pelas regiões européias, facilitando a efetivação de suas operações comerciais e de crédito, especialmente entre as cidades italianas e a região de Flandres. A sua origem está na solução encontrada para que os comerciantes pudessem realizar os seus empreendimentos comerciais. Ao invés de partirem carregando a moeda metálicas, levavam apenas um pedaço de papel denominado de Certificado de Depósito, que era emitido por instituições conhecidas como Casas de Custódia, e onde os comerciantes depositavam as suas moedas metálicas, ou qualquer outros valores, sob a garantia. No seu destino, os comerciantes recorriam às casas de custódias locais, onde trocavam o certificado de depósitos por moedas metálicas. O seu uso acabou se generalizando de tal forma que os comerciantes passaram a transferir os direitos dos certificados de depósitos diretamente aos comerciantes locais, fazendo com que esses certificados tomassem o lugar das moedas metálicas. Estava assim criada a nova moeda, 100% lastreada e com a garantia de plena conversibilidade, a qualquer momento, pelo seu detentor, e que tornou-se, ao longo do tempo, no meio preferencial de troca e de reserva de valor. MOEDA FIDUCIÁRIA OU PAPEL-MOEDA Com o passar do tempo, as casas de custódias, que recebiam o metal e forneciam certificados de depósitos (ou moeda-papel), totalmente lastreadas, começaram a perceber que os detentores desses certificados não faziam a reconversão ao mesmo tempo. Além disso, enquanto alguns faziam a troca de moeda-papel pelo metal, outros faziam novos depósitos em ouro e prata, o que acabava por ensejar novas emissões. Assim é que, gradativamente, as casas de custódias passaram a emitir certificados sem lastro em metal, dando origem à moeda fiduciária ou papel-moeda. O papel-moeda, como sempre tinha sido, contava com a livre conversibilidade em ouro. A emissão de papel-moeda por particulares, entretanto, acabou por conduzir esse sistema a ruína. Devido a isso, o Estado foi levado a assumir o mecanismo de emissões, passando a controlá-lo. Consequentemente, passou-se à emissão de notas inconversíveis. Hoje, a maioria dos sistemas fiduciários, apresentando as seguintes características: Inexistência de lastro metálico Inconversabilidade absoluta Monopólio estadal das emissões MOEDA BANCÁRIA Com a evolução do sistema bancário desenvolveu-se uma outra modalidade de moeda : a moeda bancária ou escritural. Ela é representada pelos depósitos a vista e a curto prazo nos bancos, que passam a movimentar esses recursos por cheques ou ordens de pagamento. Ela é chamada de escritural uma vez que diz respeito aos lançamentos (débitos e créditos) realizados nas contas correntes dos bancos. SISTEMA MONETÁRIO E FINANCEIRO FUNÇÃO DA MOEDA Meio ou instrumento de troca Medida de valor Reserva de valor Padrão de pagamento diferido CARACTERÍSTICAS DA MOEDA Indestrutível e inalterável Homogêneo Divisível Transferível Facilidade de manuseio e transporte FORMAS DE MOEDAS Moeda metálica Papel-moeda Moeda escritural SISTEMA MONETÁRIO E FINANCEIRO SISTEMA MONETÁRIO Abrange o numerário da nação, ou seja, todas as moedas (metálicas, papel-moeda e escritural). SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL É um conjunto de órgãos, de que se instrumenta o poder público para executar sua política financeira, é formado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o Banco Central do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Brasil e as instituições financeiras públicas e privadas. CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL (CMN) Formula a política da moeda e do crédito, objetivando o progresso econômico e social do País. A política do CMN busca dentre outros objetivos: Adaptar os meios de pagamento às necessidades da economia nacional Regular o valor interno da moeda nacional, prevenindo e corrigindo de surtos inflacionários ou deflacionários de origem interna ou externa Regular o valor externo da moeda nacional e o equilíbrio do balanço de pagamentos Coordenar a política monetária, de credito, orçamentária, fiscal e da dívida publica, visando garantir condições favoráveis aos desenvolvimento equilibrado da economia nacional Proporcionar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros, de forma a tornar mais eficiente o sistema de pagamento e mobilização de recursos Zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras Autorizar a emissão de papel moeda Fixar diretrizes e normas da política cambial Regular a constituição, funcionamento e fiscalização de todas as instituições financeiras que operam no país. BANCO CENTRAL DO BRASIL (BC) BACEN ou BC é uma entidade autárquica, vinculada ao ministério da Fazenda, atuando como órgão executivo do sistema financeiro, cabendo-lhe fazer cumprir as disposições que lhe são atribuídas pela legislação em vigor e as normas emenadas do CMN Tem como atribuições: Emitir e distribuir as cédulas e as moedas para os bancos e recolher e destruir as danificadas Receber os recolhimentos compulsórios dos bancos comerciais e os depósitos voluntários das instituições financeiras e bancárias que operam no país Emprestar às instituições financeiras de acordo com a política econômica do governo ou como socorro a problemas de liquidez Regular a execução dos serviços de compensação de cheques e de outros papéis Efetuar, como instrumento de política monetária, operações de compra e venda de títulos públicos federais Exercer o controle do crédito sob todas as suas formas Fiscalizar as instituições financeiras e os consórcios e aplicar as penalidades previstas Autorizar o funcionamento de todas as instituições financeiras e dos consórcios Controlar o fluxo de capitais estrangeiros garantindo o correto funcionamento do mercado cambial Representar o governo brasileiro junto às instituições financeiras estrangeiras e internacionais. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM) É o órgão encarregado do desenvolvimento, da disciplina e da fiscalização do mercado de valores mobiliários, atuando com observância da política definida pelo CMN. Os valores mobiliários sujeitos à atuação da CVM são, por exemplo: ações, debêntures, certificados de depósitos de valores mobiliários, direitos de subscrição etc. Objetivos da CVM Estimular a aplicação de poupança no mercado acionário Assegurar o funcionamento eficiente e regular das bolsas de valores e das instituições auxiliares que operem nesse mercado Proteger os titulares de valores mobiliários contra emissões irregulares e outros tipos de atos ilegais que manipulem preços de valores mobiliários nos mercados primários e secundários e de ações Fiscalizar a emissão, o registro, a distribuição e a negociação de títulos emitidos pelas sociedades anônimas de capital aberto. BANCOS COMERCIAIS Seu objetivo precipuo é proporcionar o suprimentos oportuno e adequado os recursos necessários para financiar, a curto e médio prazo, o comércio, a industria, as empresas prestadoras de serviços e as pessoas físicas. A grande característica dos bancos comerciais é a sua capacidade de criação de moeda, a qual é estabelecida com base nos depósitos à vista, captados no mercado. Para a tender a esses objetivos, os bancos comerciais podem: Descontar títulos Aberturas de créditos simples ou em conta corrente Crédito rural Câmbio Captar depósitos à vista e a prazo fixo Agente financeiro de organismos oficiais Capital de giro em moeda nacional ou em moeda estrangeira Serviços bancários – pagamentos de cheques, transferencia de fundos, cobranças diversas, recebimento de impostos e tarifas públicas. BANCOS MÚLTIPLOS Os bancos múltiplos surgiram através da Resolução 1.524/88, emitida pelo BC por decisão do CMN, a fim de racionalizar a administração das instituições financeiras. As características de um banco múltiplo, envolvem as carteiras: Comercial Investimento Crédito imobiliário Desenvolvimento Leasing BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL – BNDES É a instituição responsável pela política de investimentos de longo prazo do governo federal, sendo a principal instituição financeira de estímulo ao desenvolvimento econômico e social do país. BANCO DO BRASIL Banco do Brasil é um dos principais instrumentos de execução da política creditícia e financeira do governo Federal. Dentre outras atividades, o Banco do Brasil executa o serviço de compensação de cheques e outros papéis. Serviços prestados pelo Banco do Brasil: Câmara de compensação de cheques e outros papéis Pagamentos e suprimentos necessários à execução do Orçamente Geral da União Aquisição e o financiamento dos estoques de produção exportável Agenciamento dos pagamentos e recebimentos fora dos país Operação dos fundos de investimento setorial como pesca e reflorescimento A captação de depósitos de poupança direcionadas ao credito rural e a operação do fundo constitucional do centro oeste – FCO Receber depósitos compulsórios e voluntários das instituições financeiras Efetuar redesconto bancários e executar a política de preços mínimos de produtos agropecuários Executor da política de comércio exterior do governo adquirindo ou financiando os bens de exportação e ser pagador ou recebedor no exterior INSTITUIÇÃO FINANCEIRA É qualquer entidade que tenha como atividade principal ou acessória a coleta, a intermediação ou a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira. O regular funcionamento de uma instituição financeira depende de prévia autorização do Banco Central. Fonte: augusto-economia.vilabol.uol.com.br

História da Moeda

  A moeda metálica, circular, padronizada e garantida por governos nacionais se impôs sobre os outros tipos de moeda e se tornou o gênero dominante de moeda. As moedas em metais preciosos, como o ouro e a prata, eram utilizadas em negócios de maior valor monetário, enquanto que as moedas de metais menos nobres, como o bronze e o cobre, eram utilizadas nas transações do dia-a-dia. História da Moeda
Moeda de prata do Reino da Sardenha, de 1851, valendo 5 liras, mostrando a efígie do rei Vittorio Emanuelle. Porém uma nova etapa no desenvolvimento da moeda estava por surgir: o papel-moeda. Este surgiu quando as pessoas começaram a depositar seu dinheiro em bancos, por uma questão de segurança. E igualmente por uma questão de segurança as pessoas passaram a evitar sacar seu dinheiro nos bancos, preferindo em vez disso movimentar os documentos bancários que atestavam o depósito do dinheiro no banco. Gradualmente, estes papéis substituíram as moedas metálicas como principal forma de moeda, e vieram a se converter na moeda em cédulas que conhecemos hoje. As cédulas de papel passaram a ser utilizadas para valores maiores de dinheiro, e as moedas metálicas, para valores menores. Sem dúvida, as cédulas de papel provaram ser mais práticas que as moedas metálicas, porém não se deve esquecer que as moedas metálicas, por serem mais resistentes que o papel, são mais econômicas para os governos nacionais. Concomitantemente ao surgimento do papel-moeda, surgiu o cheque. História da Moeda
Nota alemã de 10 marcos, do séc. XIX História da Moeda
Cheque canadense Em 1809, o Banco do Brasil lançou o papel-moeda no Brasil. História da Moeda
Nota brasileira de 20 mil-réis, de 1925 Durante todo o século XIX, a moeda dominante a nível mundial foi a britânica libra-esterlina. História da Moeda
Símbolo da libra esterlina Em 1942, a unidade monetária brasileira, o réis, que era adotada desde o período colonial, é substituída pelo cruzeiro. História da Moeda
Nota de 50.000 cruzeiros de 1985 com o retrato do cientista brasileiro Oswaldo Cruz Em 1986, surge uma nova unidade monetária, o cruzado, juntamente com o Plano Cruzado de estabilização econômica. História da Moeda
Moeda comemorativa de 200 cruzados novos emitida em 1989 Em 1994, com o advento do Plano Real, a unidade monetária brasileira passa a ser o real. História da Moeda
Notas e moedas de real No século XX, a hegemonia econômica norte-americana foi acompanhada pela preponderância do dólar norte-americano. Com o surgimento da moeda-comum européia, o euro, em 2002, o dólar passou a dividir a cena mundial com ela. História da Moeda
Cédulas de dólar norte-americano História da Moeda
Símbolo do euro História da Moeda
Cédula de 5 euros História da Moeda
Notas de Euro Hoje em dia, cada vez mais os cartões de crédito e débito ocupam o lugar das notas de papel e das moedas metálicas nas transações do dia-a-dia. São comuns também os pagamentos por meio de transferências bancárias via terminais de auto-atendimento, internet ou mesmo mensagens de texto de telefone celular. História da Moeda
Terminal de auto-atendimento em Jersey Fonte: pt.wikibooks.org

História da Moeda

  Moeda é o meio através do qual são efetuadas as transações monetárias. É todo ativo que constitua forma imediata de solver débitos, com aceitabilidade geral e disponibilidade imediata, e que confere ao seu titular um direito de saque sobre o produto social. É importante perceber que as diferentes definições de "moeda". O dinheiro constitui as notas (geralmente em papel) e moedas (peça metálica) admitidas em circulação; em geral, a Moeda é emitida e controlada pelo governo do país, que é o único que pode fixar e controlar seu valor. O dinheiro está associado a transações de baixo valor; a moeda (no sentido aqui tratado), por sua vez, tem uma definição mais abrangente, já que engloba, mesmo no seu agregado mais líquido (M1), não só o dinheiro, mas também o valor depositado em contas correntes. Agregados monetários É difícil definir moeda. Por praticidade, os economistas chegaram a uma classificação dos diversos tipos de moeda e "quase moeda", de acordo com a satisfação dos requisitos de suas principais funções (meio de troca, unidade de conta e reserva de valor) e com sua liquidez. Alguns agregados mais comuns são: M1 ("narrow definition of money"): moedas em circulação + cheques de viagem + depósitos à vista + outros depósitos. É o agregado mais líquido. M2 ("broader definition of money"): M1+ aplicações de overnight + fundos mútuos do mercado monetário (exceto pessoas jurídicas) + contas de depósito no mercado monetário + depósitos de poupança + depósitos a prazo de menor valor. M3: M2 + fundos mútuos do mercado monetário (pessoas jurídicas) + depósitos a prazo de grande valor + acordos de recompra + eurodólares. Funções da moeda A moeda tem diversas funções reconhecidas, que justificam o desejo de as pessoas a reterem (demanda): Meio de troca: A moeda é o instrumento intermediário de aceitação geral, para ser recebido em contrapartida da cessão de um bem e entregue na aquisição de outro bem (troca indireta em vez de troca direta). Isto significa que a moeda serve para solver débitos e é um meio de pagamento geral. Unidade de conta: Permite contabilizar ou exprimir numericamente os ativos e os passivos, os haveres e as dívidas. Esta função da moeda suscita a distinção entre preço absoluto e preço relativo. O preço absoluto é a quantidade de moeda necessária para se obter uma unidade de um bem, ou seja, é o valor expresso em moeda. O preço relativo exige que se considere dois preços absolutos, uma vez que é definido como um quociente. Assim, P1 e P2 designam os preços absolutos dos bens 1 e 2, respectivamente. P1/P2 é o preço relativo do bem 1 expresso em unidades do bem 2. Ou seja, é a quantidade de unidades do bem 2 a pagar por cada unidade do bem 1. Reserva de valor: A moeda pode ser utilizada como uma acumulação de poder aquisitivo, a usar no futuro. Assim, tem subjacente o pressuposto de que um encaixe monetário pode ser utilizado no futuro, isto porque pode não haver sincronia entre os fluxos da despesa e das receitas, por motivos de precaução ou de natureza psicológica. A moeda não é o único ativo a desempenhar esta função; o ouro, as ações, as obras de arte e mesmo os imóveis também são reservas de valor. A grande diferença entre a moeda e as outras reservas de valor está na sua mobilização imediata do poder de compra (maior liquidez), enquanto os outros ativos têm de ser transformados em moeda antes de serem trocados por outro bem. Sachs e Larrain (2000) observam ainda que em períodos de alta inflação a mo-eda deixa de ser utilizada como reserva de valor, mas que em outros casos, que apesar de ser um "ativo dominado" (há ativos tão seguros quanto a moeda mas que rendem juros), ela é preferida como reserva de valor por alguns grupos (especialmente aqueles que realizam atividades ilegais), pois mantém o anonimato de seu dono – ao contrário, por exemplo, dos depósitos a prazo, que podem ser facilmente rastreados. A moeda como um "bem" O mercado de moeda funciona de maneira muito similar aos demais mercados: um aumento na quantidade de moeda no mercado diminui seu preço, ou seja, faz que com ela diminua seu poder de compra. Oferta de moeda A oferta de moeda (em inglês, "money supply") pode ser definida como o estoque total de moeda na economia, geralmente o estoque de M1. Se a relação (M1)/(PIB) for muito grande, os juros tendem a cair e os preços a subir, e se for muito pequena a tendência é oposta. Os bancos centrais controlam a oferta de moeda principalmente através da alteração da taxa de reservas bancárias (uma taxa maior de reservas bancárias reduz a oferta de moeda) e da compra e venda de títulos, mas também através do controle da quantidade de papel moeda emitido. Demanda por moeda A definição de demanda por moeda é similar à definição de demanda por qualquer outro bem. Ela pode ser definida como a quantidade de riqueza que os agentes decidem manter na forma de moeda. A maioria dos livros-texto refere-se à demanda por moeda como uma demanda por encaixes reais . Isso quer dizer que os indivíduos retêm moeda por aquilo que irão comprar em bens e serviços, isto é, os agentes econômicos estão interessados no poder aquisitivo dos encaixes monetários que possuem. Também é praticamente consenso entre os economistas que a demanda por moeda é determinada basicamente pela taxa de juros (quanto maior a taxa, menor o incentivo para reter moeda), pelo nível de preços (que afetaria somente a demanda nominal por moeda ), pelo custo real das transações (se fosse possível transformar, imediatamente e sem custos, os fun-dos em dinheiro, não seria preciso manter dinheiro , já que seria possível realizar transações com a transformação do ativo rentável em moeda ocorrendo somente no exato momento em que ela se mostrasse necessária, o que permitiria que o ativo ficasse mais tempo rendendo), e pela renda. É importante observar que demanda por moeda não é igual à demanda por dinheiro. A demanda por moeda M1 pode aumentar e a demanda por dinheiro diminuir, se as transações forem efetuadas diretamente entre contas bancárias, sem necessidade de o usuário sacar papel moeda. Histórico As moedas foram uma tentativa bem sucedida de organizar a comercialização de produtos, e substituir a simples troca de mercadorias. Há divergências sobre qual povo foi o primeiro a utilizar a técnica da cunhagem de moedas, pois de acordo com alguns, a China utilizava moedas cunhadas antes do século VII a.C., época que é creditado ao povo lídio esta realização. Durante muitos anos, a moeda possuia um valor real, dependia do metal de que era feita. Hoje, a maioria dos países do mundo usam moedas de valor nominal, pois seu valor não corresponde ao metal de que é produzida. Importância A moeda é a unidade representativa de valor, aceita como instrumento de troca. É hoje parte integrante da sociedade, controla, interage e participa dela, independentemente da cultura. O desenvolvimento e a ampliação das bases comerciais fizeram do dinheiro uma necessidade. Sejam quais forem os meios de troca, sempre se tenta basear em um valor qualquer para avaliar outro. Em épocas de escassez de meio circulante, a sociedade procura formas de contornar o problema (dinheiro de emergência), o importante é não perder o poder de troca e compra. Podem substituir o dinheiro governamental: cupons, passes, recibos, cheques, vales, notas comerciais entre outros. Por que usar moeda? Nos tempos mais remotos, com a fixação do homem à terra, estes passaram a permutar o excedente que produziam. Surgia a primeira manifestação de comércio: o escambo, que consistia na troca direta de mercadorias como o gado, sal, grãos, pele de animais, cerâmicas, cacau, café, conchas, e outras. Esse sistema de troca direta, que durou por vários séculos, deu origem ao surgimento de vocábulos como "salário", o pagamento feito através de certa quantidade de sal; "pecúnia", do latim "pecus", que significa rebanho (gado) ou "peculium", relativo ao gado miúdo (ovelha ou cabrito). As primeiras moedas, tal como conhecemos hoje, eram peças representando valores, geralmente em metal,e surgiram na Lídia (atual Turquia), no século VII A.C. As características que se desejava ressaltar eram transportadas para as peças, através da pancada de um objeto pesado (martelo), em primitivos cunhos. Foi o surgimento da cunhagem a martelo, onde os signos monetários eram valorizados também pela nobreza dos metais empregados, como o ouro e a prata. Embora a evolução dos tempos tenha levado à substituição do ouro e da prata por metais menos raros ou suas ligas, preservou-se, com o passar dos séculos, a associação dos atributos de beleza e expressão cultural ao valor monetário das moedas, que quase sempre, na atualidade, apresentam figuras representativas da história, da cultura, das riquezas e do poder das sociedades. A necessidade de guardar as moedas em segurança deu surgimento aos bancos. Os negociantes de ouro e prata, por terem cofres e guardas a seu serviço, passaram a aceitar a responsabilidade de cuidar do dinheiro de seus clientes e a dar recibos escritos das quantias guardadas. Esses recibos (então conhecidos como "goldsmiths notes") passaram, com o tempo, a servir como meio de pagamento por seus possuidores, por serem mais seguros de portar do que o dinheiro vivo. Assim surgiram as primeiras cédulas de "papel moeda", ou cédulas de banco, ao mesmo tempo que a guarda dos valores em espécie dava origem às instituições bancárias. Os primeiros bancos reconhecidos oficialmente surgiram na Inglaterra, e a palavra "bank" veio da italiana "banco", peça de madeira que os comerciantes de valores oriundos da Itália e estabelecidos em Londres usavam para operar seus negócios no mercado público londrino. Brasil Dom Sebastião, rei de Portugal, determinou a circulação de moedas portuguesas no Brasil em 1568, porém a partir dessa época as moedas eram o açúcar, o pau-brasil e o ouro, que formaram os ciclos econômicos no Brasil. As primeiras moedas cunhadas no Brasil entraram em circulação nos anos de 1645, 1646 e 1654. Essas moedas foram colocadas em circulação pelos holandeses (neerlandeses), que controlavam Pernambuco e fizeram as moedas para pagamento de seus soldados. Em 1694 cria-se a primeira casa da moeda na Bahia, que previa a cunhagem da grande diversidade de moedas que circulavam na América Portuguesa desde o fim da União Ibérica em 1640. Entre 1695 e 1698 foram criadas as primeiras moedas para uso exclusivo na colônia. Durante e após esse período, existiram casas da moeda em Pernambuco, na Bahia e no Rio de Janeiro. Na Casa da Moeda no Rio de Janeiro foram cunhadas em 1703 as primeiras moedas para uso no Reino Unido, portanto válidas também em Portugal. Atualmente, a Casa da Moeda do Brasil produz em média 2,4 bilhões de cédulas e 1,5 bilhões de moedas por ano. A primeira sede da instituição foi construída na Praça da República, no centro do Rio de Janeiro. Atualmente, a fábrica da Casa da Moeda fica no bairro de Santa Cruz, também no Rio. Histórico das Moedas no Brasil Real (plural: Réis) – de 1500 a 7.out.1833 Mil Réis – de 7.out.1833 a 1.nov.1942 Conto de Réis (equivalente a um milhão de réis) Cruzeiro – de 1.nov.1942 a 13.fev.1967 Cruzeiro Novo – de 13.fev.1967 a 15.mai.1970 Cruzeiro – de 15.mai.1970 a 28.fev.1986 Cruzado – de 28.fev.1986 a 15.jan.1989 Cruzado novo – de 15.jan.1989 a 15.mar.1990 Cruzeiro – de 15.mar.1990 a 1.ago.1993 Cruzeiro Real – de 1.ago.1993 a 1.jul.1994 Real (plural: Reais) – de 1.jul.1994 até atualmente Fonte: pt.wikipedia.org

História da Moeda

 

Evolução da Moeda

ESCAMBO

Escambo(troca de mercadorias) A necessidade das trocas, na economia é decorrência da evolução dos costumes sociais, onde o individuo deixa de ser auto-suficiente na produção dos bens de que necessita para sua sobrevivência. O pecuarista, por exemplo, necessita trocar a carne que produz por alimentos, roupas, móveis e outros bens e serviços que atendam a suas necessidades ou a seus desejos de consumo. Como nos primórdios da civilização não existia o dinheiro como o conhecemos atualmente, a maneira de se obter um bem ou serviço de que se necessitava era por meio de troca direta, também conhecida por Escambo. Acontecia mais ou menos assim: necessitando de um bem que não produzia, o indivíduo A procurava trocar seus excedentes com o indivíduo B, produtor do bem de que necessitava. Essas trocas diretas apresentavam inconvenientes: nem sempre a mercadoria disponível para troca pelo indivíduo A era necessária ao indivíduo B. Este necessitava da mercadoria produzida pelo individuo C, e assim por diante. Assim, as trocas esbarravam na dificuldade de se encontrar um contraparte que tivesse exatamente a necessidade oposta, ou seja, a troca só se efetivaria se houvesse Coincidência de Desejos. Em um sistema como esse, o pecuarista levaria metade de seu tempo produzindo carne e a outra metade procurando alguém com quem pudesse fazer uma troca apropriada. Além disso, como equacionar o volume de comércio? Como se percebe, trocas dessa natureza em economias complexas como as atuais jamais prosperariam. Nestas, não só os bens de consumo, mas os recursos econômicos também são vendidos e comprados com dinheiro, a exemplo do trabalhador que fornece seu trabalho em troca de dinheiro e, com esse, adquire os bens de que necessita. História da Moeda
Moeda Mercadoria   Dada as dificuldades para realizar trocas diretas, a sociedade encontrou uma forma que contornasse o problema: a utilização de uma mercadoria como moeda. Surgiu, assim, a mercadoria com funções de dinheiro, reconhecida como Moeda-Mercadoria. Em uma economia que comercializa bens num sistema de mercado, a definição de uma mercadoria para servir de intermediária nas trocas facilita, sobremaneira, o desenvolvimento das transações. Dependendo da região e do momento histórico, várias mercadorias desempenharam o papel moeda: arroz, tecidos, trigo, peixe, gado, sal, etc… A propósito, a palavra pecuniário, em português, deriva de pecus que, em latim, quer dizer gado. Outra palavra que teve origem em um moedamercadoria é a palavra salário, derivada de sal.

A moeda-mercadoria resolveu o problema da dificuldade de se realizarem trocas diretas. Os bens passaram a ser referenciados nesse tipo de moeda e assim as trocas podiam ser efetuadas de forma mais fácil. No entanto, tendo resolvido um problema, três outros estavam para ser resolvidos: as mercadorias que serviam de moeda eram em geral perecíveis, apresentavam problemas de divisibilidade, como no escambo, e traziam, ainda problemas com a estocagem. A criatividade e a experimentação humanas deveriam ser exercitadas como forma de superar esses problemas. MOEDA METÁLICA História da Moeda As necessidades e a criatividade humanas fizeram com que surgisse uma solução que resolvesse a questão da coincidência de desejos, verificada nas trocas diretas, além do problema da perecibilidade e da divisibilidade. É introduzida, então, a moeda metálica como intermediária das trocas. MOEDA-PAPEL História da Moeda
Cédula Francesa de 25 Sols (1792) A moeda de ouro, utilizada em grande escala como intermediação de trocas, trazia dois grandes problemas para os indivíduos: o custo do transporte, dado seu volume, e o risco de assaltos. O risco de assalto foi determinante na decisão de se manterem as moedas em casas de custódia (os ouvires), em troca de certificados de depósito. Progressivamente, esses certificados passaram a ser usados como moeda. O endosso dava a seus titulares o direito de retirar o ouro junto às casas de custódia. Dessa forma, surgia a Moeda-Papel, cuja característica é ser integralmente lastreada em metal precioso. Em outras palavras, o detentor do certificado podia, a qualquer momento, dirigir-se a casa de custódia e sacar o equivalente no metal que lhe servia de lastro. Essa ação de resgatar o papel em metal é conhecida como conversibilidade. PAPEL-MOEDA OU MOEDA FIDUCIÁRIA A experiência de custódia e da conversibilidade levou a percepção de que a reconversão dos recibos de custódia (moeda-papel) em metais preciosos não era solicitada por todos os seus detentores ao mesmo tempo. Além disso, novos depósitos eram sempre realizados. Assim, os custodiantes começaram, paulatinamente, a emitir certificados não lastreados. A confiança dos comerciantes e da comunidade nos fiéis e honrados custodiantes dos metais preciosos ensejou a criação do papel-moeda (ou moeda fiduciária). Junto com o papel-moeda nascia, também, a atividade bancária. A emissão de certificados em montantes superiores ao estoque de metal precioso permitia que seus emissores realizassem operações lucrativas, como a aquisição de títulos e ações ou, ainda, a concessão de empréstimos que rendiam juros. Quando se adotou essa prática, os recibos passaram a ser fracionariamente conversíveis, situação que evoluiu com o tempo, chegando aos dias atuais, em que a moeda é de emissão privativa do Estado, onde não há conversibilidade. Moeda Escritural História da Moeda
Moeda Escritural
A medida que a sociedade evolui, a forma de convivência e os relacionamentos comerciais vão-se modificando. Além do papel-moeda de emissão privativa do Estado, por meio de bancos centrais, há o que chamamos de moeda bancária ou moeda escritural. Os bancos comerciais podem criar moeda, assim como os ourives faziam quando emitiam mais certificados do que o ouro que mantinham em depósito. Nos bancos, somente uma parte do total de depósitos é utilizada ao mesmo tempo. Em qualquer momento existem pessoas depositando e outras retirando, de tal forma que, balanceando essas operações, somente uma parcela do todo é movimentada. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, o depósito é que é moeda, pois é uma promessas de pagar quando lhe for requerido. O cheque, por sua vez, é apenas o mecanismo de conversão do depósito em moeda manual, ou seja, nada mais é do que uma ordem de transferência de fundos. Como só uma parcela de depósitos é requerida em espécie, pois grande parte retorna aos bancos em forma de novos depósitos, o banco pode fazer promessas de pagar acima do que dispõe e, dessa forma, criar moeda em meio de pagamento, apesar de não poder emitir a moeda que esteja em curso no país (função privativa do Banco Central). Esta questão de moeda escritural, principalmente com relação à capacidade que os bancos apresentam de multiplicá-la, será retomada adiante no tópico. “Criação / Destruição de Moeda”. Moeda virtual História da Moeda A evolução das formas de moeda está vinculada ao aspecto intrínseco de que novas formas são adotadas por tornarem mais fáceis, as transações entre os agentes econômicos. Desde seu surgimento até as modalidades hoje existentes, as transformações da moeda estiveram vinculadas ao aspecto da redução dos custos de transação. A moeda na forma digital (mecanismos de pagamento por via eletrônica) implica redução significativa nos custos de transação. Seu surgimento e desenvolvimento, no entanto, está mais ligado ao fato de que são vislumbradas as oportunidades de negócios com o oferecimento de serviços financeiros por meio de cartões, Internet, etc. Essas novas formas de dinheiro eletrônico ganharam impulso com a criação da Internet, que permite a realização de compras via computador, debitando-se os respectivos custos em cartões de crédito ou diretamente na conta bancária do usuário. Com o desenvolvimento dos meios de comunicação e da transferência eletrônica de dados, há ainda campo aberto para a criatividade humana encontrar novas formas de intermediar as trocas de aquisição de bens e serviços. O que podemos perceber também é que a dificuldade de averiguar exatamente onde uma transação ocorre dificultará, ainda mais, a ação dos governos, tanto em definir políticas e fiscalizar essa nova forma de moeda, como em tributar as transações dessa forma originadas. Funções da moeda A moeda surgiu da necessidade de os indivíduos trocarem seus excedentes por outros bens de que necessitavam, principalmente na medida em que as economias foram se especializando. Seu uso generalizado gerou consenso a respeito das funções que deve exercer. São elas: Intermediária de trocas É a função por excelência da moeda. Qualquer sociedade com grande nível de especialização do trabalho e volume significativo de trocas seria inviável sem a existência da moeda. Unidade de conta ou medida de valor A moeda serve para comparar o valor de mercadorias diversas (os diversos bens e serviços são expressos em quantidade de moeda, por meio dos preços). Além disso a moeda resolve o problema de se somar coisas distintas. Reserva de valor Um indivíduo que recebe moeda por alguma transação que tenha realizado, ou até mesmo, como prêmio, não precisa gastá-la imediatamente. Pode guardá-la para uso posterior. Isto significa que ela serve como reserva de valor. Para que em cumpra seu papel, é necessário que tenha valor estável, de forma que quem a possua tenha idéia precisa do quanto pode obter em troca. Se a economia estiver num processo inflacionário, o valor da moeda vai-se deteriorando, fazendo com que esta função não se cumpra. Padrão de pagamentos diferidos Esta função resulta da capacidade da moeda em facilitar a distribuição de pagamentos ao longo do tempo. Os pagamentos feitos aos fatores de produção por exemplo, fator trabalho, são exemplos de diferimento. As operações de crédito e financiamento, que dão sustentação a maior parte das grandes transações econômicas, são também exemplos de compromissos diferidos, cuja liquidação é contratada e se dá sob a interveniência da moeda. Moedas no mundo Afeganistão = afegani
África do Sul = rand
Alemanha = marco
Arábia Saudita = riyal
Argentina = peso/
Austrália = dólar australiano
Áustria = schilling
Bélgica = franco belga
Bolívia = peso boliviano
Brasil = real
Bulgária = lev
Camarões = franco CFA
Canadá = dólar canadense
Chile = peso chileno
China = yuan
Colômbia = peso colombiano
Congo = franco CFA
Coréia do Sul = won
Cuba = peso cubano
Dinamarca = coroa
Egito = libra
Equador = sucre
Eslováquia = coroa eslovaca
Espanha = peseta
Estados Unidos = US dólar
Filipinas = peso filipino
Finlândia = markka
França = franco francês
Guana = cedi
Grã Bretanha = libra esterlina
Grécia = drachma
Guatemala = quetzal
Holanda = guilder
Hong-Kong = dólar Hong-Kong
Hungria = florim
Índia = rupia indiana
Indonésia = rupia indonésia
Irã = rial
Iraque = dinar iraquiano
Itália = lira
Iugoslávia = dinar iugoslavo
Japão = yen
Jordânia = dinar jordaniano
Kênia = shilling keniano
Kuwait = dinar kuwaitiano
Líbano = libra libanesa
Lituânia = litas
Malásia = ringgit
México = peso mexicano
Nicarágua = córdoba
Noruega = coroa
Paraguai = guarani
Peru = sol nuevo
Polônia = zloty
Portugal = escudo
Romênia = leu
Rússia = rublo
Suécia = coroa sueca
Suiça = franco suiço
Tailândia = baht
Turquia = lira turca
Uruguai = peso uruguaio
Venezuela = bolivar
Zaire = zaire Fonte: www.fisgall.com




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