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Biologia

Vírus

Na antigüidade, o termo ‘vírus’ (do latim; significa veneno) foi utilizado como sinônimo de veneno e se referia a agentes de natureza desconhecida que provocavam diversas doenças.

A descoberta dos vírus deve-se a Dmitri Ivanowsky (em 1892), que, ao estudar a doença chamada ‘mosaico do tabaco’, detectou a possibilidade de transmissão da doença a partir de extratos de vegetais doentes para vegetais sadios, por meio de experimentos com filtros capazes de reter bactérias. Essa moléstia afeta as plantas do fumo, manchando as folhas com áreas necrosadas e levando-as à morte.

Em 1935, cristais de vírus foram isolados e observados ao microscópio pela primeira vez. A sua composição parecia principalmente protéica, porém constatou-se mais tarde uma pequena quantidade de ácidos nucléicos.

Nos sistemas tradicionais de classificação dos seres vivos, os vírus não são incluídos por não apresentarem características morfológicas celulares. Eles possuem estrutura molecular apenas visível ao microscópio eletrônico. Sua estrutura vem sendo cada vez mais esclarecida, à medida que a tecnologia em microscopia eletrônica evolui. Eles são tão pequenos que podem penetrar na célula das menores bactérias que se conhecem.

Estruturas de vários vírus vistos com o microscópio eletrônico: as partículas esféricas são os vírus do mosaico amarelo do nabo; os cilindros longos são os vírus do mosaico do tabaco e no centro, temos, o bacteriófago T4.

Nos sistemas tradicionais de classificação dos seres vivos, os vírus não são incluídos por serem considerados partículas ou fragmentos que só adquirem manifestações vitais quando parasitam células vivas.

Apesar de até hoje ainda persistir a discussão em torno do tema, a tendência é considerar os vírus como seres vivos.

virus 1 p Vírus
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Os vírus são extremamente simples e diferem dos demais seres vivos pela inexistência de organização celular, por não possuírem metabolismo próprio, e por não serem capazes de se reproduzir sem estar dentro de uma célula hospedeira. São, portanto, parasitas intracelulares obrigatórios; são em conseqüência, responsáveis por várias doenças infecciosas.

Geralmente inibem o funcionamento do material genético da célula infectada e passam a comandar a síntese de proteínas. Os vírus atacam desde bactérias, até plantas e animais. Muitos retrovírus (vírus de RNA) possuem genes denominados oncogenes, que induzem as células hospedeiras à divisão descontrolada, com a formação de tumores cancerosos.

Filtrabilidade

Essa característica, que serviu de base para a descoberta do vírus, originou a denominação vulgar de “vírus filtrável”, termo que teve de ser abandonado pelo fato de, posteriormente, se descobrir que existem bactérias filtráveis, como certos espiroquetas, e vírus não filtráveis, como o vírus do Mosaico Comum do feijoeiro e o do “Crinkle Mosaic” da batatinha. A filtrabilidade do vírus não é uma pura conseqüência de seu diminuto tamanho. Tipo de filtro, temperatura, ph, carga elétrica do vírus e do filtro, quantidade de pressão exercida sobre o filtro, natureza do fluído da suspensão e duração da filtração, são fatores que devem ser levados em consideração ao se determinar a filtrabilidade do vírus. Atualmente se dispõe de filtros de colódio, as Membranas de Gradocol, em que o tamanho dos poros é muito mais importante do que nos filtros bacteriológicos de porcelana.

Natureza Corpuscular

Desde 1898 se suspeita da natureza corpuscular do vírus, com a teoria do “contagium vivum fluidum”, denominação que Beijerink emprestou de Fracastorius (1546) para caracterizar o filtrado infectivo do suco de fumo com mosaico. A guisa de esclarecimento, contagium era uma substância derivada do corpo do doente e que, passando de um indivíduo para outro, transmitia a doença e a teoria do contagium vivum foi criada por Fracastorius, quando postulou a idéia de que o contagium fosse devido a agentes vivos (seminaria). Entretanto, por muitos anos, essa característica foi um ponto altamente controvertido pois a ciência ainda não estava preparada para comprová-la. Apesar disso, mesmo antes da descoberta de microscópio eletrônico, em 1938, Wendell Stanley (1935) já mostrava evidências irrefutáveis sobre a natureza corpuscular do vírus ao cristalizar o vírus do Mosaico do Fumo. Hoje, acostumamos com representações esquemáticas e eletromicrográficos dos vírus, dificilmente imaginamos que essa característica tivesse sido um pomo de discórdia no passado.

Natureza Antigênica

Muito antes da descoberta dos vírus, já se sabia que doenças hoje conhecidas eram causadas por vírus, como por exemplo a varíola, conferiam resistência contra incidências subsequentes. A vacina contra a varíola se baseia, ainda hoje, na descobertas de Jenner (1798) de que o vírus do “cow-pox”(varíola bovina) imuniza contra o “small-pox”(varíola humana). Proteínas introduzidas no corpo animal, por via parenteral, sendo elas estranhas ao corpo do animal, induz a formação de substância que reagem especificamente com as proteínas injetadas. Estas proteínas estranhas constituem os antígenos e as substâncias induzidas, os anticorpos. Sendo os vírus de natureza nucleoproteica tem essa propriedade antigêno que serve de base para os métodos sorológicos usados em Virologia. Especula-se, atualmente, se as plantas possuem essa capacidade de formação de anticorpos, comprova somente em animais. Estirpes fracas do vírus da tristeza dos citros conferem resistência às estirpes mais severas do mesmo vírus. A natureza desse fenômeno, entretanto, não esta esclarecida.

Dimensões do vírus

As dimensões dos vírus, evidenciadas por estudos eletromicroscópicos, de ultrafiltração e ultracentrifugação, variam de 10 a 350 milimicra de diâmetro; o comprimento chega até 2.000 milimicra (vírus da Tristeza do Citrus). A guisa de comparação, os glóbulos vermelhos do sangue humano têm 7.500 milimicra de diâmetro e, dentro de uma célula bacteriana, podem caber mais de 1 milhão de partículas de vírus.

Teriam os vírus evoluído de células vivas livres? Seriam eles produtos da evolução de alguma bactéria? Poderiam ser estes, componentes de células hospedeiras que se tornaram autônomos? Eles lembram genes que tenham adquirido a capacidade de existir independentemente da célula. Embora a virologia exista como ciência apenas há cerca de 100 anos, os vírus provavelmente têm estado presente nos organismos vivos desde a origem da vida. Se os vírus precederam ou surgiram somente após os organismos unicelulares, é uma questão controversa. Contudo, com base nas contínuas descobertas de vírus infectando diferentes espécies, pode-se concluir que, praticamente, todas as espécies deste planeta são infectadas por vírus. Os estudos tem sido limitados aos vírus isolados no presente ou de material de poucas décadas atrás. Infelizmente não existem fósseis dos vírus.

Estrutura

Os vírus são formados basicamente por um envoltório ou cápsula protéica, que abriga o material hereditário. Este pode ser tanto o ácido desoxirribonucléico (DNA) como o ácido ribonucléico (RNA). Esses dois ácidos nucléicos, no entanto, nunca ocorrem em um mesmo vírus. Existem, assim, vírus de DNA e vírus de RNA. Em todos os outros seres vivos, o ácido desoxirribonucléico e o ácido ribonucléico ocorrem juntos dentro das células, sendo o DNA o “portador” das informações genéticas e o RNA o “tradutor” dessas informações.

Formados por uma cápsula (capsídio) protéica + ácido nucléico: DNA ou RNA. O capsídio, além de proteger o ácido nucléico viral, tem a capacidade de se combinar quimicamente com substâncias presentes na superfície das células, o que permite ao vírus reconhecer e atacar o tipo de célula adequado a hospedá-lo.

A partícula viral, quando fora da célula hospedeira, é genericamente denominada vírion. Cada tipo de vírus possui uma forma característica, mas todos eles são extremamente pequenos, geralmente muito menores do que as menores bactérias conhecidas, sendo visíveis somente ao microscópio eletrônico. Os vírus apresentam uma grande variedade de forma e de tamanho. O diâmetro dos principais vírus oscila de 15-300 nm. O vírus da varíola é o maior vírus humano que se conhece (300x250x100 nm), enquanto que o da poliomielite é o menor vírus humano (20 nm de diâmetro). O vírus da febre aftosa, responsável por uma doença em gado, possui 15 nm, sendo portanto, menor que o poliovírus. Num só grupo, as medidas citadas por diferentes autores, podem variar consideravelmente. Isto se deve em parte, a certas diferenças nas técnicas empregadas.Vírus de diferentes famílias apresentam diferentes morfologias que podem ser prontamente distinguidas pelo microscópio eletrônico. Esta relação é útil para o diagnóstico de doenças virais e, especialmente para reconhecer novos vírus responsáveis por infecções. Alguns vírus tem formas parecidas, daí ser importante o uso da imunomicroscopia eletrônica. Um vírion pode se apresentar sob vários formatos: esférico (influenzavírus),de ladrilho (poxvírus),de bastão (vírus do mosaico do tabaco) e de projétil (vírus da raiva).

Os vírus são extremamente simples e diferem dos seres vivos pela inexistência de organização celular, por não possuírem metabolismo próprio e por não serem capazes de se reproduzir, sendo replicados apenas no interior de uma célula hospedeira. São considerados parasitas intracelulares obrigatórios, e, em conseqüência disso, são responsáveis por várias doenças infecciosas.

As diferentes proteínas virais interagem de modo específico com proteínas expostas nas membranas celulares, determinando, assim, as células que são susceptíveis a certos vírus. O vírus da poliomielite, por exemplo, é altamente específico, infectando apenas células nervosas, intestinais e da mucosa da garganta. Já o vírus da rubéola e o vírus da varíola conseguem infectar maior número de tecidos humanos.

Existem vírus que infectam apenas bactérias, denominados bacteriófagos ou simplesmente fagos; os que infectam apenas fungos, denominados micófagos; os que infectam plantas, vírus de plantas e os que infectam animais denominados vírus de animais.

Vírus com DNA ou RNA

Quando o ácido nucléico é o DNA, ele é transcrito em várias moléculas de RNA ( pela bactéria ) que servirão de molde para a síntese de proteínas virais. É o caso do vírus da varíola, do herpes, do adenovírus (provoca infecções respiratórias), da hepatite B.

Quando o ácido nucléico é o RNA, dois processos podem ocorrer: O RNA viral é transcrito em várias moléculas de RNA mensageiro, que comandarão a síntese protéica. É o que ocorre com a maior parte dos vírus animais, como o vírus da raiva, da gripe; o vírus da poliomielite e de algumas encefalites têm o RNA que já funciona como RNA mensageiro. Nos vírus conhecidos como retrovírus, como é o caso do vírus da AIDS (HIV), o RNA é transcrito em DNA por uma enzima transcriptase reversa. A partir da ação dessa enzima, o RNA serve de molde a uma molécula de DNA, que penetra no núcleo da célula, e integra-se ao cromossomo do hospedeiro.

O DNA viral integrado ao cromossomo celular é chamado de provírus. Ele é reconhecido e transcrito pelas enzimas da célula hospedeira, de modo que logo começam a surgir moléculas de RNA com informações para síntese de transcriptase reversa e das proteínas do capsídeo. Algumas dessas moléculas de RNA são empacotadas juntamente com moléculas de transcriptase reversa, originando centenas de vírus completos (vírions). A infecção por retrovírus geralmente não leva à morte da célula hospedeira, e esta pode se dividir e transmitir o provírus integrado às células-filhas.

Retrovírus

Nem todo vírus de RNA é classificado como retrovírus, somente aqueles que usam o RNA como molde para síntese de DNA. Em 1980 foi isolado o primeiro retrovírus na espécie humana: o HTLV-1 – um retrovírus que infecta linfócitos T e causa um tipo de leucemia (câncer do sangue). Dois anos mais tarde, foi descoberto outro retrovírus, o HTLV-2, que causa outro tipo de leucemia. Em 1981 foi diagnosticado o primeiro caso de AIDS e somente em 1983 conseguiu-se provar que essa síndrome é causada por um novo tipo de retrovírus, que recebeu o nome de Vírus da Imunodeficiência Humana ou HIV .

Especificidade

Em geral, um tipo de vírus ataca um ou poucos tipos de célula. Isso porque um determinado tipo de vírus só consegue infectar uma célula que possua, na membrana, substâncias às quais ele possa se ligar. O vírus da Poliomielite, por exemplo, é altamente específico, infectando apenas células nervosas, intestinais e da mucosa da garganta. Já os vírus da Rubéola e da Varíola conseguem infectar maior número de tecidos humanos.

Os vírus da Gripe são bastante versáteis e podem infectar diversos tipos de células humanas e também células de diferentes animais, como patos, cavalos e porcos. Em muitos casos, essa capacidade se deve ao fato de esses vírus conseguirem se ligar a substâncias presentes em células de diversos tipos de organismo.

Os vírus, tanto de plantas como de animais, apresentam uma gama determinada de hospedeiros. Assim, o vírus da febre amarela urbana tem como hospedeiros somente o homem (transmissor: mosquito do gênero Aedes); o da febre amarela silvestre, o macaco e o homem (transmissor Haemogogus); o da Tristeza do Citrus, somente plantas cítricas; TWV pelo menos 74 espécies vegetais distribuídas em 14 famílias. Em vírus animais e especificidade vai até o nível histológico, servindo de base para classifica-los em vírus: vírus dermotrópicos (varíola, varicela, sarampo, rubéola, etc.), vírus pneumotrópicos (gripe, resfriado, etc.) vírus neurotrópicos (raiva, poliomielite, encefalites, etc.), vírus hepatotrópicos (febre-amarela, hepatite) e vírus linfo e glandulotrópicos (caxumba, linfogranuloma inguinal).

Propriedades

1. Tamanho: os vírus são menores que outros organismos, embora eles variem consideravelmente em tamanho – de 10 nm a 300 nm. As bactérias possuem aproximadamente 1000 nm e as hemácias 7500 nm de diâmetro.

2. Genoma: o genoma dos vírus pode ser formado de DNA ou RNA, nunca ambos (os vírus contém apenas um tipo de ácido nucléico).

3. Metabolismo: os vírus não possuem atividade metabólica fora da célula hospedeira; eles não possuem atividade ribossomal ou aparato para síntese de proteínas.

Desta forma, os vírus só são replicados dentro de células vivas. O ácido nucléico viral contém informações necessárias para programar a célula hospedeira infectada, de forma que esta passa a sintetizar várias macromoléculas vírus-específicas necessárias a produção da progênie viral. Fora da célula susceptível, as partículas virais são metabolicamente inertes. Estes agentes podem infectar células animais e vegetais, assim como microrganismos. Muitas vezes não produzem prejuízos aos hospedeiros, embora demonstrem efeitos visíveis.

Se os vírus são organismos vivos ou não é uma questão filosófica, para a qual alguns virologistas poderão responder que não. Embora os vírus possuam as principais características de um organismo celular, eles não possuem a maquinaria necessária para executar aspectos básicos do metabolismo, tais como a síntese de proteínas. Eles não são capazes de replicar-se fora da célula hospedeira. Ao invés disto, os genes virais são capazes de controlar o metabolismo celular e redirecioná-lo para a produção de produtos vírus-específicos.Os vírus, por outro lado, diferem de outros agentes como: toxinas, outros parasitas intracelulares obrigatórios e plasmídeos. As toxinas não são capazes de se multiplicar. O ciclo de infecção viral inclui um “período de eclipse” durante o qual não se detecta a presença do vírus, o que não ocorre com os outros parasitas intracelulares. Os plasmídeos (que são moléculas de DNA capazes de se replicar em células independentemente do DNA celular) não apresentam as estruturas protetoras, que nos vírus impedem a degradação do ácido nucléico genômico.Uma grande contribuição para a virologia foi a descoberta de que os vírus podem ser cristalizados. Quando o químico-orgânico Wendell M. Stanley cristalizou o vírus do Mosaico do Tabaco (VMT) em 1935, forneceu um poderoso argumento para que se pudesse pensar nos vírus como estruturas químicas simples, consistindo somente de proteína e ácido nucléico. Desta forma, se pensarmos nos vírus fora das células, podemos considerá-los como estruturas moleculares excepcionalmente complexas. No interior das células, a informação levada pelo genoma viral, faz com que a célula infectada produza novos vírus, levando-nos a pensar nos vírus como organismos excepcionalmente simples.

Os vírus são constituídos de dois componentes essenciais: a parte central recebe o nome de cerne, onde se encontra o genoma, que pode ser DNA ou RNA, associado com uma capa protéica denominada capsídeo, formando ambos o nucleocapsídeo. O vírion constitui a última fase de desenvolvimento do vírus, ou seja, a partícula infectante madura. Em alguns grupos (poliovírus, adenovírus), os vírions consistem unicamente de nucleocapsídeo. Em outros grupos (mixovírus, herpesvírus, poxvírus), os virions são constituídos de nucleocapsídeo rodeado por uma ou mais membranas lipoprotéicas (o envelope). Muitos vírus adquirem seus envelopes por brotamento através de uma membrana celular apropriada (membrana plasmática em muitos casos, retículo endoplasmático, golgi ou membrana nuclear). O envelope é uma característica comum nos vírus de animais, porém incomum nos vírus de plantas.

Fonte: www.biomania.com.br

trans Vírus

Vírus

Características

Os vírus são seres diminutos, visíveis apenas ao microscópio eletrônico, constituídos apenas por duas classes de substâncias químicas: ácido nucléico (que pode ser DNA ou RNA) e proteína.

São seres acelulares (que não possuem estrutura celular) e precisam de células que os hospedem. Por isso, todos os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios.

O vírus invade uma célula e assume o comando, fazendo com que ela trabalhe quase que exclusivamente para produzir novos vírus. A infecção viral geralmente causa profundas alterações no metabolismo celular, podendo levar à morte das células afetadas. Os vírus causam doenças em plantas e animais (incluindo o homem).

Fora da célula hospedeira, os vírus não manifestam nenhuma atividade vital e se houver alguma célula compatível à sua disposição, um único vírus é capaz de originar, em cerca de 20 minutos, centenas de novos vírus.

Até o momento, poucas drogas se mostraram eficazes em destruir os vírus sem causar sérios efeitos colaterais. A melhor maneira de combater as doenças virais é através de vacinas.

Capsídio

Capsídio é o envoltório do vírus, formado por proteínas. Além de proteger o ácido nucléico, o capsídio tem a capacidade de combinar-se quimicamente com substâncias presentes na superfície da célula. Alguns vírus podem apresentar lipídio, proveniente da membrana da célula onde se originaram.

Material Genético

Cada espécie viral possui um único tipo de ácido nucléico, que pode ser DNA ou RNA, onde estão inscritas as informações necessárias para a produção de novos vírus.

Vírion

A partícula viral, quando fora da célula hospedeira, é chamada de vírion. Cada espécie de vírus apresenta vírions de formatos diferentes.

Especificidade viral

Um tipo de vírus ataca apenas determinados tipos de células, por que o vírus só consegue infectar a célula que tiver em sua membrana substâncias às quais ele possa se ligar.

Por exemplo: o vírus da poliomielite infecta apenas células nervosas, intestinais e da mucosa da garganta. O vírus da Rubéola já consegue infectar maior número de tecidos humanos. O vírus da gripe é bastante versátil e pode infectar diversos tipos de células humanas.

Reprodução

A reprodução envolve dois aspectos: a duplicação do material genético viral e a síntese das proteínas do capsídio. O vírus entra na célula hospedeira, inibe o funcionamento do material genético da célula infectada e passa a comandar as sínteses de proteína.

Bacteriófado e Célula

Bacteriófago

Esse vírus (Bacteriófago T4), se reproduz em certas linhagens de bactéria Escheirchia coli. Ao entrar em contato com a bactéria, adere à parede celular por meio de certas proteínas presentes nas fibras de sua cauda. Na cauda desse vírus, estão presentes também enzimas que são capazes de digerir e perfurar a parede da célula bacteriana. O DNA do bacteriófago é injetado no citoplasma celular.

Vírus (Bacteriófago) injetando o seu DNA na célula

Os genes do vírus são transcritos em moléculas de RNA e traduzidos em proteínas virais. Isso ocorre por que a célula não diferencia os genes do invasor de seus próprios genes. Em poucos minutos, a bactéria está totalmente controlada pelo bacteriófago. O passo seguinte será a produção de proteínas que constituirão as cabeças e caudas dos novos vírus. Depois, as cabeças e caudas se agregam ao DNA formando vírions completos.

Cerca de 30 minutos após a entrada de um único vírus, a célula já está repleta de partículas virais. Nesse momento, são produzidas enzimas que iniciam a destruição ou lise (do grego lysys, destruição) da parede bacteriana, que arrebenta e libera centenas de vírions maduros que podem reiniciar o ciclo.

Lise da célula bacteriana, liberando centenas de novos vírions

Vírus da Gripe

Existem centenas de variedades desse vírus, e todos portadores de RNA. A infecção começa quando o vírion adere à substâncias presentes na superfície das células (geralmente as que revestem as vias respiratórias). O vírus penetra por inteiro, diferindo-se do vírus bacteriófago que só injeta o material genético.

No interior da célula já infectada, o capsídio é digerido por enzimas, liberando o RNA viral no citoplasma celular. O RNA é capaz de se duplicar, dando origem à inúmeras cópias dentro da célula hospedeira. A união de ácidos nucléicos e capsídios originam novos vírions que se libertam das células infectadas. Não há a morte da célula hospedeira, embora isso possa ocorrer.

Retrovírus

Seu material hereditário é o RNA e sua principal característica é a presença da enzima transcriptase reversa, capaz de produzir moléculas de DNA a partir do RNA. A membrana desse vírus se funde com a membrana da célula e o capsídio viral penetra no citoplasma celular. O RNA, então, produz uma molécula de DNA que irá penetrar no núcleo da célula, introduzir-se em um dos cromossomos do hospedeiro e recombinar-se com o DNA celular.

Esse DNA viral integrado ao cromossomo celular é chamado de provírus, que irá produzir moléculas de RNA, originando centenas de vírions completos.

Uma vez com os genes do provírus integrados aos da célula, esta irá produzir partículas virais durante toda a sua vida. Não leva a morte da célula hospedeira, mas esta poderá transmitir o provírus para suas células filhas.

Câncer e AIDS

Muitos retrovírus possuem genes denominados oncogenes, que induzem as células hospedeiras à divisão descontrolada com a formação de tumores cancerosos. Há certos retrovírus como o HIV (Human Immunodeficiency Virus) que ataca os linfócitos T do sangue e é o agente causador da AIDS.

Fonte: www.webciencia.com

trans Vírus

Vírus

Na antigüidade, o termo ‘vírus’ (do latim; significa veneno) foi utilizado como sinônimo de veneno e se referia a agentes de natureza desconhecida que provocavam diversas doenças.

A descoberta dos vírus deve-se a Dmitri Ivanowsky (em 1892), que, ao estudar a doença chamada ‘mosaico do tabaco’, detectou a possibilidade de transmissão da doença a partir de extratos de vegetais doentes para vegetais sadios, por meio de experimentos com filtros capazes de reter bactérias. Essa moléstia afeta as plantas do fumo, manchando as folhas com áreas necrosadas e levando-as à morte.

Em 1935, cristais de vírus foram isolados e observados ao microscópio pela primeira vez. A sua composição parecia principalmente protéica, porém constatou-se mais tarde uma pequena quantidade de ácidos nucléicos.

Nos sistemas tradicionais de classificação dos seres vivos, os vírus não são incluídos por não apresentarem características morfológicas celulares. Eles possuem estrutura molecular apenas visível ao microscópio eletrônico. Sua estrutura vem sendo cada vez mais esclarecida, à medida que a tecnologia em microscopia eletrônica evolui. Eles são tão pequenos que podem penetrar na célula das menores bactérias que se conhecem.

Estruturas de vários vírus vistos com o microscópio eletrônico: as partículas esféricas são os vírus do mosaico amarelo do nabo; os cilindros longos são os vírus do mosaico do tabaco e no centro, temos, o bacteriófago T4.

Nos sistemas tradicionais de classificação dos seres vivos, os vírus não são incluídos por serem considerados partículas ou fragmentos que só adquirem manifestações vitais quando parasitam células vivas.

Apesar de até hoje ainda persistir a discussão em torno do tema, a tendência é considerar os vírus como seres vivos.

virus 1 p Vírus
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Os vírus são extremamente simples e diferem dos demais seres vivos pela inexistência de organização celular, por não possuírem metabolismo próprio, e por não serem capazes de se reproduzir sem estar dentro de uma célula hospedeira. São, portanto, parasitas intracelulares obrigatórios; são em conseqüência, responsáveis por várias doenças infecciosas.

Geralmente inibem o funcionamento do material genético da célula infectada e passam a comandar a síntese de proteínas. Os vírus atacam desde bactérias, até plantas e animais. Muitos retrovírus (vírus de RNA) possuem genes denominados oncogenes, que induzem as células hospedeiras à divisão descontrolada, com a formação de tumores cancerosos.

Filtrabilidade

Essa característica, que serviu de base para a descoberta do vírus, originou a denominação vulgar de “vírus filtrável”, termo que teve de ser abandonado pelo fato de, posteriormente, se descobrir que existem bactérias filtráveis, como certos espiroquetas, e vírus não filtráveis, como o vírus do Mosaico Comum do feijoeiro e o do “Crinkle Mosaic” da batatinha. A filtrabilidade do vírus não é uma pura conseqüência de seu diminuto tamanho. Tipo de filtro, temperatura, ph, carga elétrica do vírus e do filtro, quantidade de pressão exercida sobre o filtro, natureza do fluído da suspensão e duração da filtração, são fatores que devem ser levados em consideração ao se determinar a filtrabilidade do vírus. Atualmente se dispõe de filtros de colódio, as Membranas de Gradocol, em que o tamanho dos poros é muito mais importante do que nos filtros bacteriológicos de porcelana.

Natureza Corpuscular

Desde 1898 se suspeita da natureza corpuscular do vírus, com a teoria do “contagium vivum fluidum”, denominação que Beijerink emprestou de Fracastorius (1546) para caracterizar o filtrado infectivo do suco de fumo com mosaico. A guisa de esclarecimento, contagium era uma substância derivada do corpo do doente e que, passando de um indivíduo para outro, transmitia a doença e a teoria do contagium vivum foi criada por Fracastorius, quando postulou a idéia de que o contagium fosse devido a agentes vivos (seminaria). Entretanto, por muitos anos, essa característica foi um ponto altamente controvertido pois a ciência ainda não estava preparada para comprová-la. Apesar disso, mesmo antes da descoberta de microscópio eletrônico, em 1938, Wendell Stanley (1935) já mostrava evidências irrefutáveis sobre a natureza corpuscular do vírus ao cristalizar o vírus do Mosaico do Fumo. Hoje, acostumamos com representações esquemáticas e eletromicrográficos dos vírus, dificilmente imaginamos que essa característica tivesse sido um pomo de discórdia no passado.

Natureza Antigênica

Muito antes da descoberta dos vírus, já se sabia que doenças hoje conhecidas eram causadas por vírus, como por exemplo a varíola, conferiam resistência contra incidências subsequentes. A vacina contra a varíola se baseia, ainda hoje, na descobertas de Jenner (1798) de que o vírus do “cow-pox”(varíola bovina) imuniza contra o “small-pox”(varíola humana). Proteínas introduzidas no corpo animal, por via parenteral, sendo elas estranhas ao corpo do animal, induz a formação de substância que reagem especificamente com as proteínas injetadas. Estas proteínas estranhas constituem os antígenos e as substâncias induzidas, os anticorpos. Sendo os vírus de natureza nucleoproteica tem essa propriedade antigêno que serve de base para os métodos sorológicos usados em Virologia. Especula-se, atualmente, se as plantas possuem essa capacidade de formação de anticorpos, comprova somente em animais. Estirpes fracas do vírus da tristeza dos citros conferem resistência às estirpes mais severas do mesmo vírus. A natureza desse fenômeno, entretanto, não esta esclarecida.

Dimensões do vírus

As dimensões dos vírus, evidenciadas por estudos eletromicroscópicos, de ultrafiltração e ultracentrifugação, variam de 10 a 350 milimicra de diâmetro; o comprimento chega até 2.000 milimicra (vírus da Tristeza do Citrus). A guisa de comparação, os glóbulos vermelhos do sangue humano têm 7.500 milimicra de diâmetro e, dentro de uma célula bacteriana, podem caber mais de 1 milhão de partículas de vírus.

Teriam os vírus evoluído de células vivas livres? Seriam eles produtos da evolução de alguma bactéria? Poderiam ser estes, componentes de células hospedeiras que se tornaram autônomos? Eles lembram genes que tenham adquirido a capacidade de existir independentemente da célula. Embora a virologia exista como ciência apenas há cerca de 100 anos, os vírus provavelmente têm estado presente nos organismos vivos desde a origem da vida. Se os vírus precederam ou surgiram somente após os organismos unicelulares, é uma questão controversa. Contudo, com base nas contínuas descobertas de vírus infectando diferentes espécies, pode-se concluir que, praticamente, todas as espécies deste planeta são infectadas por vírus. Os estudos tem sido limitados aos vírus isolados no presente ou de material de poucas décadas atrás. Infelizmente não existem fósseis dos vírus.

Estrutura

Os vírus são formados basicamente por um envoltório ou cápsula protéica, que abriga o material hereditário. Este pode ser tanto o ácido desoxirribonucléico (DNA) como o ácido ribonucléico (RNA). Esses dois ácidos nucléicos, no entanto, nunca ocorrem em um mesmo vírus. Existem, assim, vírus de DNA e vírus de RNA. Em todos os outros seres vivos, o ácido desoxirribonucléico e o ácido ribonucléico ocorrem juntos dentro das células, sendo o DNA o “portador” das informações genéticas e o RNA o “tradutor” dessas informações.

Formados por uma cápsula (capsídio) protéica + ácido nucléico: DNA ou RNA. O capsídio, além de proteger o ácido nucléico viral, tem a capacidade de se combinar quimicamente com substâncias presentes na superfície das células, o que permite ao vírus reconhecer e atacar o tipo de célula adequado a hospedá-lo.

A partícula viral, quando fora da célula hospedeira, é genericamente denominada vírion. Cada tipo de vírus possui uma forma característica, mas todos eles são extremamente pequenos, geralmente muito menores do que as menores bactérias conhecidas, sendo visíveis somente ao microscópio eletrônico. Os vírus apresentam uma grande variedade de forma e de tamanho. O diâmetro dos principais vírus oscila de 15-300 nm. O vírus da varíola é o maior vírus humano que se conhece (300x250x100 nm), enquanto que o da poliomielite é o menor vírus humano (20 nm de diâmetro). O vírus da febre aftosa, responsável por uma doença em gado, possui 15 nm, sendo portanto, menor que o poliovírus. Num só grupo, as medidas citadas por diferentes autores, podem variar consideravelmente. Isto se deve em parte, a certas diferenças nas técnicas empregadas.Vírus de diferentes famílias apresentam diferentes morfologias que podem ser prontamente distinguidas pelo microscópio eletrônico. Esta relação é útil para o diagnóstico de doenças virais e, especialmente para reconhecer novos vírus responsáveis por infecções. Alguns vírus tem formas parecidas, daí ser importante o uso da imunomicroscopia eletrônica. Um vírion pode se apresentar sob vários formatos: esférico (influenzavírus),de ladrilho (poxvírus),de bastão (vírus do mosaico do tabaco) e de projétil (vírus da raiva).

Os vírus são extremamente simples e diferem dos seres vivos pela inexistência de organização celular, por não possuírem metabolismo próprio e por não serem capazes de se reproduzir, sendo replicados apenas no interior de uma célula hospedeira. São considerados parasitas intracelulares obrigatórios, e, em conseqüência disso, são responsáveis por várias doenças infecciosas.

As diferentes proteínas virais interagem de modo específico com proteínas expostas nas membranas celulares, determinando, assim, as células que são susceptíveis a certos vírus. O vírus da poliomielite, por exemplo, é altamente específico, infectando apenas células nervosas, intestinais e da mucosa da garganta. Já o vírus da rubéola e o vírus da varíola conseguem infectar maior número de tecidos humanos.

Existem vírus que infectam apenas bactérias, denominados bacteriófagos ou simplesmente fagos; os que infectam apenas fungos, denominados micófagos; os que infectam plantas, vírus de plantas e os que infectam animais denominados vírus de animais.

Vírus com DNA ou RNA

Quando o ácido nucléico é o DNA, ele é transcrito em várias moléculas de RNA ( pela bactéria ) que servirão de molde para a síntese de proteínas virais. É o caso do vírus da varíola, do herpes, do adenovírus (provoca infecções respiratórias), da hepatite B.

Quando o ácido nucléico é o RNA, dois processos podem ocorrer: O RNA viral é transcrito em várias moléculas de RNA mensageiro, que comandarão a síntese protéica. É o que ocorre com a maior parte dos vírus animais, como o vírus da raiva, da gripe; o vírus da poliomielite e de algumas encefalites têm o RNA que já funciona como RNA mensageiro. Nos vírus conhecidos como retrovírus, como é o caso do vírus da AIDS (HIV), o RNA é transcrito em DNA por uma enzima transcriptase reversa. A partir da ação dessa enzima, o RNA serve de molde a uma molécula de DNA, que penetra no núcleo da célula, e integra-se ao cromossomo do hospedeiro.

O DNA viral integrado ao cromossomo celular é chamado de provírus. Ele é reconhecido e transcrito pelas enzimas da célula hospedeira, de modo que logo começam a surgir moléculas de RNA com informações para síntese de transcriptase reversa e das proteínas do capsídeo. Algumas dessas moléculas de RNA são empacotadas juntamente com moléculas de transcriptase reversa, originando centenas de vírus completos (vírions). A infecção por retrovírus geralmente não leva à morte da célula hospedeira, e esta pode se dividir e transmitir o provírus integrado às células-filhas.

Retrovírus

Nem todo vírus de RNA é classificado como retrovírus, somente aqueles que usam o RNA como molde para síntese de DNA. Em 1980 foi isolado o primeiro retrovírus na espécie humana: o HTLV-1 – um retrovírus que infecta linfócitos T e causa um tipo de leucemia (câncer do sangue). Dois anos mais tarde, foi descoberto outro retrovírus, o HTLV-2, que causa outro tipo de leucemia. Em 1981 foi diagnosticado o primeiro caso de AIDS e somente em 1983 conseguiu-se provar que essa síndrome é causada por um novo tipo de retrovírus, que recebeu o nome de Vírus da Imunodeficiência Humana ou HIV .

Especificidade

Em geral, um tipo de vírus ataca um ou poucos tipos de célula. Isso porque um determinado tipo de vírus só consegue infectar uma célula que possua, na membrana, substâncias às quais ele possa se ligar. O vírus da Poliomielite, por exemplo, é altamente específico, infectando apenas células nervosas, intestinais e da mucosa da garganta. Já os vírus da Rubéola e da Varíola conseguem infectar maior número de tecidos humanos.

Os vírus da Gripe são bastante versáteis e podem infectar diversos tipos de células humanas e também células de diferentes animais, como patos, cavalos e porcos. Em muitos casos, essa capacidade se deve ao fato de esses vírus conseguirem se ligar a substâncias presentes em células de diversos tipos de organismo.

Os vírus, tanto de plantas como de animais, apresentam uma gama determinada de hospedeiros. Assim, o vírus da febre amarela urbana tem como hospedeiros somente o homem (transmissor: mosquito do gênero Aedes); o da febre amarela silvestre, o macaco e o homem (transmissor Haemogogus); o da Tristeza do Citrus, somente plantas cítricas; TWV pelo menos 74 espécies vegetais distribuídas em 14 famílias. Em vírus animais e especificidade vai até o nível histológico, servindo de base para classifica-los em vírus: vírus dermotrópicos (varíola, varicela, sarampo, rubéola, etc.), vírus pneumotrópicos (gripe, resfriado, etc.) vírus neurotrópicos (raiva, poliomielite, encefalites, etc.), vírus hepatotrópicos (febre-amarela, hepatite) e vírus linfo e glandulotrópicos (caxumba, linfogranuloma inguinal).

Propriedades

1. Tamanho: os vírus são menores que outros organismos, embora eles variem consideravelmente em tamanho – de 10 nm a 300 nm. As bactérias possuem aproximadamente 1000 nm e as hemácias 7500 nm de diâmetro.

2. Genoma: o genoma dos vírus pode ser formado de DNA ou RNA, nunca ambos (os vírus contém apenas um tipo de ácido nucléico).

3. Metabolismo: os vírus não possuem atividade metabólica fora da célula hospedeira; eles não possuem atividade ribossomal ou aparato para síntese de proteínas.

Desta forma, os vírus só são replicados dentro de células vivas. O ácido nucléico viral contém informações necessárias para programar a célula hospedeira infectada, de forma que esta passa a sintetizar várias macromoléculas vírus-específicas necessárias a produção da progênie viral. Fora da célula susceptível, as partículas virais são metabolicamente inertes. Estes agentes podem infectar células animais e vegetais, assim como microrganismos. Muitas vezes não produzem prejuízos aos hospedeiros, embora demonstrem efeitos visíveis.

Se os vírus são organismos vivos ou não é uma questão filosófica, para a qual alguns virologistas poderão responder que não. Embora os vírus possuam as principais características de um organismo celular, eles não possuem a maquinaria necessária para executar aspectos básicos do metabolismo, tais como a síntese de proteínas. Eles não são capazes de replicar-se fora da célula hospedeira. Ao invés disto, os genes virais são capazes de controlar o metabolismo celular e redirecioná-lo para a produção de produtos vírus-específicos.Os vírus, por outro lado, diferem de outros agentes como: toxinas, outros parasitas intracelulares obrigatórios e plasmídeos. As toxinas não são capazes de se multiplicar. O ciclo de infecção viral inclui um “período de eclipse” durante o qual não se detecta a presença do vírus, o que não ocorre com os outros parasitas intracelulares. Os plasmídeos (que são moléculas de DNA capazes de se replicar em células independentemente do DNA celular) não apresentam as estruturas protetoras, que nos vírus impedem a degradação do ácido nucléico genômico.Uma grande contribuição para a virologia foi a descoberta de que os vírus podem ser cristalizados. Quando o químico-orgânico Wendell M. Stanley cristalizou o vírus do Mosaico do Tabaco (VMT) em 1935, forneceu um poderoso argumento para que se pudesse pensar nos vírus como estruturas químicas simples, consistindo somente de proteína e ácido nucléico. Desta forma, se pensarmos nos vírus fora das células, podemos considerá-los como estruturas moleculares excepcionalmente complexas. No interior das células, a informação levada pelo genoma viral, faz com que a célula infectada produza novos vírus, levando-nos a pensar nos vírus como organismos excepcionalmente simples.

Os vírus são constituídos de dois componentes essenciais: a parte central recebe o nome de cerne, onde se encontra o genoma, que pode ser DNA ou RNA, associado com uma capa protéica denominada capsídeo, formando ambos o nucleocapsídeo. O vírion constitui a última fase de desenvolvimento do vírus, ou seja, a partícula infectante madura. Em alguns grupos (poliovírus, adenovírus), os vírions consistem unicamente de nucleocapsídeo. Em outros grupos (mixovírus, herpesvírus, poxvírus), os virions são constituídos de nucleocapsídeo rodeado por uma ou mais membranas lipoprotéicas (o envelope). Muitos vírus adquirem seus envelopes por brotamento através de uma membrana celular apropriada (membrana plasmática em muitos casos, retículo endoplasmático, golgi ou membrana nuclear). O envelope é uma característica comum nos vírus de animais, porém incomum nos vírus de plantas.

Fonte: www.biomania.com.br

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Vírus

Características

Os vírus são seres diminutos, visíveis apenas ao microscópio eletrônico, constituídos apenas por duas classes de substâncias químicas: ácido nucléico (que pode ser DNA ou RNA) e proteína.

São seres acelulares (que não possuem estrutura celular) e precisam de células que os hospedem. Por isso, todos os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios.

O vírus invade uma célula e assume o comando, fazendo com que ela trabalhe quase que exclusivamente para produzir novos vírus. A infecção viral geralmente causa profundas alterações no metabolismo celular, podendo levar à morte das células afetadas. Os vírus causam doenças em plantas e animais (incluindo o homem).

Fora da célula hospedeira, os vírus não manifestam nenhuma atividade vital e se houver alguma célula compatível à sua disposição, um único vírus é capaz de originar, em cerca de 20 minutos, centenas de novos vírus.

Até o momento, poucas drogas se mostraram eficazes em destruir os vírus sem causar sérios efeitos colaterais. A melhor maneira de combater as doenças virais é através de vacinas.

Capsídio

Capsídio é o envoltório do vírus, formado por proteínas. Além de proteger o ácido nucléico, o capsídio tem a capacidade de combinar-se quimicamente com substâncias presentes na superfície da célula. Alguns vírus podem apresentar lipídio, proveniente da membrana da célula onde se originaram.

Material Genético

Cada espécie viral possui um único tipo de ácido nucléico, que pode ser DNA ou RNA, onde estão inscritas as informações necessárias para a produção de novos vírus.

Vírion

A partícula viral, quando fora da célula hospedeira, é chamada de vírion. Cada espécie de vírus apresenta vírions de formatos diferentes.

Especificidade viral

Um tipo de vírus ataca apenas determinados tipos de células, por que o vírus só consegue infectar a célula que tiver em sua membrana substâncias às quais ele possa se ligar.

Por exemplo: o vírus da poliomielite infecta apenas células nervosas, intestinais e da mucosa da garganta. O vírus da Rubéola já consegue infectar maior número de tecidos humanos. O vírus da gripe é bastante versátil e pode infectar diversos tipos de células humanas.

Reprodução

A reprodução envolve dois aspectos: a duplicação do material genético viral e a síntese das proteínas do capsídio. O vírus entra na célula hospedeira, inibe o funcionamento do material genético da célula infectada e passa a comandar as sínteses de proteína.

Bacteriófado e Célula

Bacteriófago

Esse vírus (Bacteriófago T4), se reproduz em certas linhagens de bactéria Escheirchia coli. Ao entrar em contato com a bactéria, adere à parede celular por meio de certas proteínas presentes nas fibras de sua cauda. Na cauda desse vírus, estão presentes também enzimas que são capazes de digerir e perfurar a parede da célula bacteriana. O DNA do bacteriófago é injetado no citoplasma celular.

Vírus (Bacteriófago) injetando o seu DNA na célula

Os genes do vírus são transcritos em moléculas de RNA e traduzidos em proteínas virais. Isso ocorre por que a célula não diferencia os genes do invasor de seus próprios genes. Em poucos minutos, a bactéria está totalmente controlada pelo bacteriófago. O passo seguinte será a produção de proteínas que constituirão as cabeças e caudas dos novos vírus. Depois, as cabeças e caudas se agregam ao DNA formando vírions completos.

Cerca de 30 minutos após a entrada de um único vírus, a célula já está repleta de partículas virais. Nesse momento, são produzidas enzimas que iniciam a destruição ou lise (do grego lysys, destruição) da parede bacteriana, que arrebenta e libera centenas de vírions maduros que podem reiniciar o ciclo.

Lise da célula bacteriana, liberando centenas de novos vírions

Vírus da Gripe

Existem centenas de variedades desse vírus, e todos portadores de RNA. A infecção começa quando o vírion adere à substâncias presentes na superfície das células (geralmente as que revestem as vias respiratórias). O vírus penetra por inteiro, diferindo-se do vírus bacteriófago que só injeta o material genético.

No interior da célula já infectada, o capsídio é digerido por enzimas, liberando o RNA viral no citoplasma celular. O RNA é capaz de se duplicar, dando origem à inúmeras cópias dentro da célula hospedeira. A união de ácidos nucléicos e capsídios originam novos vírions que se libertam das células infectadas. Não há a morte da célula hospedeira, embora isso possa ocorrer.

Retrovírus

Seu material hereditário é o RNA e sua principal característica é a presença da enzima transcriptase reversa, capaz de produzir moléculas de DNA a partir do RNA. A membrana desse vírus se funde com a membrana da célula e o capsídio viral penetra no citoplasma celular. O RNA, então, produz uma molécula de DNA que irá penetrar no núcleo da célula, introduzir-se em um dos cromossomos do hospedeiro e recombinar-se com o DNA celular.

Esse DNA viral integrado ao cromossomo celular é chamado de provírus, que irá produzir moléculas de RNA, originando centenas de vírions completos.

Uma vez com os genes do provírus integrados aos da célula, esta irá produzir partículas virais durante toda a sua vida. Não leva a morte da célula hospedeira, mas esta poderá transmitir o provírus para suas células filhas.

Câncer e AIDS

Muitos retrovírus possuem genes denominados oncogenes, que induzem as células hospedeiras à divisão descontrolada com a formação de tumores cancerosos. Há certos retrovírus como o HIV (Human Immunodeficiency Virus) que ataca os linfócitos T do sangue e é o agente causador da AIDS.

Fonte: www.webciencia.com

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Vírus

virus5 Vírus

Os vírus são organismos que possuem um único tipo de ácido nucléico, DNA ou RNA, protegido por uma capa protéica, chamada de capsídeo (Esquema acima)

O capsídeo é formado por subunidades protéicas chamadas de capsômeros, e a organização deste determina o tipo de vírus. Alguns vírus têm o capsídeo coberto por um envelope que contém lipídeos, proteínas e carboidratos.

Os vírus multiplicam-se usando a maquinaria de síntese de outras células (parasitas intracelulares obrigatórios), são capazes de cristalizar-se ficando inertes por longos períodos. A maioria deles são menores que as bactérias, tendo seu tamanho determinado por microscopia eletrônica, variando de 20 a 14.000 nm. Possuem morfologia variada, podendo ser helicoidais, poliédricos, envelopados ou os chamados vírus complexos (com estruturas complicadas).

virus6 Vírus
VÍRUS DNA – ADENOVÍRUS

virus7 Vírus
VÍRUS DNA – POXVÍRUS

virus8 Vírus
HANTAVÍRUS

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VÍRUS RNA – HIV

Fonte: www.ufmt.br

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Vírus

Os vírus foram descobertos em 1892 pelo biólogo russo Dimitri Ivanowsky que estudava doenças nas folhas de fumo. No entanto, o agente infeccioso não podia ser visualizado em razão do seu tamanho reduzido.

Estrutura

A maioria dos vírus medem menos de 200 nm de diâmetro e só podem ser visualizados por meio de microscópios eletrônicos.

Uma das características mais importantes dos vírus é o fato de se constituírem como seres acelulares, ou seja, não possuem estrutura celular e por isso necessitam parasitar outra célula (parasitas intracelular) para reproduzir-se, utilizando-se do metabolismo da célula.

Os vírus são sempre constituídos por um único tipo de ácido nucléico, assim temos vírus tipo DNA e vírus tipo RNA. Os vírus bacteriófagos por exemplo são do tipo DNA. O RNA está presente em vírus como o HIV (human immunodeficiency virus) e a gripe.

virus10 Vírus
Bacteriófago

virus11 Vírus
HIV

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Gripe

Outro elemento formador dos vírus é o capsídio, formado por proteínas, que envolve o ácido nucléico. Em algumas variedades o capsídio é envolvido por um envelope constituído por lipídios ou glicoproteínas.

Os vírus são responsáveis por inúmeras infecções virais que podem ser prevenidas por atitudes de prevenção, como o uso de preservativos (camisinhas) e ações de vacinação.

No entanto, os vírus são importantes aliados nos estudos de manipulação gênica em terapias gênicas e em estudos de biologia molecular e engenharia genética.

Fonte: www.lssa.com.br

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Vírus

Os avanços que foram conseguidos na química, física e na biologia molecular, desde 1960, revolucionaram o estudo das viroses. A eletroforese em gel, por exemplo, forneceu um profundo entendimento da composição protéica e nucléica dos vírus. O progresso feito na física dos cristais forneceu análises mais detalhadas, com difração de raios X, das estruturas virais. Aplicações da biologia celular e bioquímica ajudaram a determinar como as viroses usam as células hospedeiras para sintetizar seus ácidos nucléicos e suas proteínas. Esta revolução permitiu com que a informação genética codificada nos vírus – o que os capacita de reproduzir, sintetizar proteínas específicas e alterar funções celulares – fosse estudada. De fato, a relativa simplicidade da estrutura química dos vírus tem os tornado uma ferramenta experimental para o estudo de certos processos e eventos biológicos.

Um vírus é um pequeno aglomerado de moléculas e macromoléculas, de composição relativamente simples, que é capaz de se multiplicar (reproduzir) somente no interior de células vivas de animais, plantas ou bactérias. O nome vem do Latin e significa “veneno”. Poucos anos antes de 1900, dois cientistas (o russo D.I. Ivanovsky e o alemão Beijerink) descobriram que uma doença comum às folhas do tabaco era transmitida por um “agente de infecção”, hoje conhecido como “vírus mosaico do tabaco”. Eles perceberam que este agente era menor do que uma bactéria e que, se isolado, não se reproduzia e não era visível no microscópio ótico. Alguns anos mais tarde, o inglês F.W. Twort chegou a conclusões parecidas estudando outro agente, que era capaz de infectar bactérias e, por isso, chamado de bacteriofage (comedor de bactérias). Vários outros cientistas encontraram relações entre moléstias comuns aos humanos e outros seres vivos com determinados agentes, que possuiam as características observadas por Ivanovsky e Beijerink. Logo a comunidade científica aprendeu a fazer culturas de viroses, em células, e usar esta técnica para a preparação de vacinas – formulações usadas para promover a imunidade biológica ao agente, tal como a vacina da poliomelite.

Os químicos Trevor Douglas da Temple University e Mark Young da Montana State University encontraram um novo uso para os vírus. Após terem esvaziados os seus capsid (capa proteíca que envolve o material genético do vírus), eles o utilizaram como um pequeno “frasco reacional” e como um sistema de “drug delivery”. O vírus escolhido foi o cowpea chlorotic mottle virus – um RNA-vírus que ataca plantas; seu capsid, livre do RNA, tem uma cavidade de cerca de 18 nanometros (cerca de 4.000 vezes menor do que um fio de cabelo). É espaço suficiente para abrigar algumas moléculas. Pode funcionar como um “nano” tubo de ensaio, para abrigar e por em contato íntimo os reagentes ou, ainda, servir de envelope para o transporte de certos fármacos no sangue. Como o vírus tem a habilidade de penetrar na célula, ele pode entregar a droga diretamente no interior das células alvo. Um exemplo é a já bem sucedida envelopagem da heparina (um inibidor da coagulação do sangue) com o capsid viral. Este trabalho foi publicado na revista Nature, em 1988 (Nature, vol 393, p 152).

Os vírus não são plantas, animais ou protozoários; eles possuem o seu próprio reino taxonômico. Na verdade, os vírus são sequer considerados seres vivos, pois eles não são capazes de se reproduzir ou conduzir processos metabólicos sem uma célula hospedeira. Em comum, todos os vírus contém ácidos nucléicos RNA ou DNA e proteínas. Os ácidos nucléicos trazem a informação genética do vírus codificada. Em todos os vírus, existe uma camada protéica protetora em torno do material genético, chamada de capsid. Alguns vírus possuem também outras proteínas, que agem como enzimas, catalisando reações e processos necessários para o ataque do vírus às células hospedeiras.

Os vírus são parasitas: dependem da célula hospedeira para todas as suas funções biológicas. Ao contrário de verdadeiros seres-vivos, eles não podem sintetizar proteínas, pois não possuem ribossomos (organela celular responsável pela transcodificação mRNA -> proteína); os vírus utilizam os ribossomos das células hospedeiras para esta tarefa.

Eles tão pouco podem gerar ou armazenar energia na forma de trifosfato de adenosina; como não possuem mitocôndrias, toda a energia consumida pelos vírus vem das células hospedeiras. Os vírus também utilizam os nucleotídeos e amino-ácidos da célula para sintetizar seus próprios ácidos nucléicos e proteínas, respectivamente. Alguns vírus, mais qualificados, utilizam também lipídeos e açúcares da célula hospedeira para formar suas membranas e glicoproteínas. Na grande maioria das viroses, apenas o material genético, sem o capsid, já é capaz de causar infecção, embora menos eficientemente do que o vírus completo. O capsid tem várias funções, entre elas a de proteger os ácidos nucléicos virais da digestão feita por certas enzimas (nucleases), acoplar com certos sítios receptores na superfície da célula hospedeira e penetrar na sua membrana ou, em alguns casos, injetar o ácido nucléico infeccioso no interior da célula. Muitos vírus possuem, ainda, uma membrana lipoproteíca envolvendo o capsid; esta membrana é chamada de envelope. O envelope facilita a interação do vírus com a membrana citoplasmática e aumenta a proteção do vírus contra o sistema de defesa do organismo.

Os vírus são muito pequenos, menores do que o comprimento de onda da luz visível – por isso não são vistos em microscópios óticos. Seu tamanho varia de 20 a 250 nanômetros: o que determina a forma e o tamanho são as quantidades e arranjos de proteínas e ácidos nucléicos.

As formas variam, mas são variações de, basicamente, duas estruturas genéricas: bastões (ou filamentos), que tem uma matrix linear de proteínas e ácidos nucléicos; e as esferas que são, na verdade, polígonos de 20 faces (icosaédros) ou mais. Algumas espécies complexas de viroses apresentam combinações de ambas as formas.

O material genético da grande maioria dos vírus consiste de uma ou mais cadeias simples de RNA. Alguns, entretanto, possuem cadeias de DNA, em dupla hélice, tal como os humanos. No primeiro caso, os RNA virais atuam como mRNA nas células, ordenando a síntese de proteínas específicas. Estas viroses também possuem uma enzima, chamada RNA-polimerase, que catalisa a síntese de mRNA complementar, para a multiplicação do vírus.

Os vírus podem se replicar somente com o auxílio da célula hospedeira. Embora os mecanismos para isto variem de acordo com o tipo de virose, certos princípios são similares. O primeiro passo no ciclo de infecção é aquele que o vírus mãe (virion) se liga à superfície da célula a ser invadida. No segundo passo, o virion penetra no citoplasma ou, em alguns casos, injeta o material genético do vírus no interior da célula, enquanto que o capsid permanece fora da célula. No caso da penetração do vírus completo, um terceiro passo, chamado desenvelopamento, libera o material genético do capsid e do envelope, se presente.

Algumas viroses, como a T4 bacteriofage, desenvolveram um complexo mecanismo de ataque: uma espécie de “plug” que penetra a membrana celular e injeta o vírus, como se fosse uma seringa; este vírus possui uma cobertura protéica retrátil e longas caudas hidrofóbicas que se ligam firmemente à membrana citoplasmática.

O ciclo de infecção do vírus influenza, causador da gripe, envolve um processo diferente: o vírus possui, na superfície, moléculas chamadas hemaglutininas, capazes de ligarem-se a moléculas de ácido siálico na superfície da célula. Esta ligação induz a célula a absorver o vírus que logo libera o seu material genético, feito de RNA, e suas proteínas, no citoplasma. Algumas destas proteínas auxiliam na duplicação do RNA e na produção de mRNA.

A penetração nas células animais pelo vírus envolve processos diferentes, pois as células animais são protegidas por uma bicamada de fosfolipídeos e lipoproteínas. A maioria das viroses penetra nesta membrana por um processo chamado endocitose: ocorre uma invaginação da membrana que “engole” o vírus; isto ocorre, geralmente, em uma área da membrana que contém uma proteína chamada clatrina. A membrana, então, “gospe” o vírus envelopado por um pedaço da membrana plasmática, resultando em uma vesícula, que funde com os endosomas citoplasmáticos (outro tipo de vesículas) e, então, com os lisossomos, uma das organelas celulares. Os lisossomos são vesículas ricas em enzimas. A membrana que envolve o vírus se funde com os lisossomos e libera o vírus no citoplasma.

Fonte: www.enq.ufsc.br

Vírus

Reino Membros
Virus bactérias, algas azuis, proclorófitos
Monera bactérias, algas azuis, proclorófitos
Plantae algas, fungos, coníferas, cereais, etc.
Animalia moluscos, corais, anelídeos, vertebrados, artrópodes, esponjas, equinodermos, etc.

Os avanços que foram conseguidos na química, física e na biologia molecular, desde 1960, resultado de um experimento de eletrofereserevolucionaram o estudo das viroses. A eletroforese em gel, por exemplo, forneceu um profundo entendimento da composição protéica e nucléica dos vírus. O progresso feito na física dos cristais forneceu análises mais detalhadas, com difração de raios X, das estruturas virais. Aplicações da biologia celular e bioquímica ajudaram a determinar como as viroses usam as células hospedeiras para sintetizar seus ácidos nucléicos e suas proteínas. Esta revolução permitiu com que a informação genética codificada nos vírus – o que os capacita de reproduzir, sintetizar proteínas específicas e alterar funções celulares – fosse estudada. De fato, a relativa simplicidade da estrutura química dos vírus tem os tornado uma ferramenta experimental para o estudo de certos processos e eventos biológicos.

O QMCWEB apresenta o vírus: o que é, como causa infecção e as novas armas químicas para o combate destas moléstias.

Um novo uso para o Vírus

Os químicos Trevor Douglas da Temple University e Mark Young da Montana State University encontraram um novo uso para os vírus. Após terem esvaziados os seus capsid (capa proteíca que envolve o material genético do vírus), eles o utilizaram como um pequeno “frasco reacional” e como um sistema de “drug delivery”. O vírus escolhido foi o cowpea chlorotic mottle virus – um RNA-vírus que ataca plantas; seu capsid, livre do RNA, tem uma cavidade de cerca de 18 nanometros (cerca de 4.000 vezes menor do que um fio de cabelo). É espaço suficiente para abrigar algumas moléculas. Pode funcionar como um “nano” tubo de ensaio, para abrigar e por em contato íntimo os reagentes ou, ainda, servir de envelope para o transporte de certos fármacos no sangue. Como o vírus tem a habilidade de penetrar na célula, ele pode entregar a droga diretamente no interior das células alvo.Um exemplo é a já bem sucedida envelopagem da heparina (um inibidor da coagulação do sangue) com o capsid viral. Este trabalho foi publicado na revista Nature, em 1988 (Nature, vol 393, p 152)

Um vírus é um pequeno aglomerado de moléculas e macromoléculas

Um vírus é um pequeno aglomerado de moléculas e macromoléculas, de composição relativamente simples, que é capaz de se multiplicar (reproduzir) somente no interior de células vivas de animais, plantas ou bactérias. O nome vem do Latin e significa “veneno”. Poucos anos antes de 1900, dois cientistas (o russo D.I. Ivanovsky e o alemão Beijerink) descobriram que uma doença comum às folhas do tabaco era transmitida por um “agente de infecção”, hoje conhecido como “vírus mosaico do tabaco”. Eles perceberam que este agente era menor do que uma bactéria e que, se isolado, não se reproduzia e não era visível no microscópio ótico. Alguns anos mais tarde, o inglês F.W. Twort chegou a conclusões parecidas estudando outro agente, que era capaz de infectar bactérias e, por isso, chamado de bacteriofage (comedor de bactérias). Vários outros cientistas encontraram relações entre moléstias comuns aos humanos e outros seres vivos com determinados agentes, que possuiam as características observadas por Ivanovsky e Beijerink. Logo a comunidade científica aprendeu a fazer culturas de viroses, em células, e usar esta técnica para a preparação de vacinas – formulações usadas para promover a imunidade biológica ao agente, tal como a vacina da poliomelite.

Os vírus não são plantas, animais ou protozoários; eles possuem o seu próprio reino taxonômico. Na verdade, os vírus são sequer considerados seres vivos, pois eles não são capazes de se reproduzir ou conduzir processos metabólicos sem uma célula hospedeira. Em comum, todos os vírus contém ácidos nucléicos RNA ou DNA e proteínas. Os ácidos nucléicos trazem a informação genética do vírus codificada. Em todos os vírus, existe uma camada protéica protetora em torno do material genético, chamada de capsid. Alguns vírus possuem também outras proteínas, que agem como enzimas, catalisando reações e processos necessários para o ataque do víruos às células hospedeiras.

virus43 p Vírus

Os vírus são parasitas: dependem da célula hospedeira para todas as suas funções biológicas. Ao contrário de verdadeiros seres-vivos, eles não podem sintetizar proteínas, pois não possuem ribossomos (organela celular responsável pela transcodificação mRNA -> proteína); os vírus utilizam os ribossomos das células hospedeiras para esta tarefa. Eles tão pouco podem gerar ou armazenar energia na forma de trifosfato de adenosina; como não possuem mitocôndrias, toda a energia consumida pelos vírus vem das células hospedeiras. Os vírus também utilizam os nucleotídeos e amino-ácidos da célula para sintetizar seus próprios ácidos nucléicos e proteínas, respectivamente. Alguns vírus, mais qualificados, utilizam também lipídeos e açúcares da célula hospedeira para formar suas membranas e glicoproteínas.

Na grande maioria das viroses, apenas o material genético, sem o capsid, já é capaz de causar infecção, embora menos eficientemente do que o vírus completo. O capsid tem várias funções, entre elas a de proteger os ácidos nucléicos virais da digestão feita por certas enzimas (nucleases), acoplar com certos sítios receptores na superfície da célula hospedeira e penetrar na sua membrana ou, em alguns casos, injetar o ácido nucléico infeccioso no interior da célula. Muitos vírus possuem, ainda, uma membrana lipoproteíca envolvendo o capsid; esta membrana é chamada de envelope. O envelope facilita a interação do vírus com a membrana citoplasmática e aumenta a proteção do vírus contra o sistema de defesa do organismo.

virus44 Vírus

Os vírus são muito pequenos, menores do que o comprimento de onda da luz visível – por isso não são vistos em microscópios óticos. Seu tamanho varia de 20 a 250 nanometros: o que determina a forma e o tamanho são as quantidades e arranjos de proteínas e ácidos nucléicos.

As formas variam, mas são variações de, basicamente, duas estruturas genéricas: bastões (ou filamentos), que tem uma matrix linear de proteínas e ácidos nucléicos; e as esferas que são, na verdade, polígonos de 20 faces (icosaédros) ou mais. Algumas espécies complexas de viroses apresentam combinações de ambas as formas.

O material genético da grande maioria dos vírus consiste de uma ou mais cadeias simples de RNA. Alguns, entretanto, possuem cadeias de DNA, em dupla hélice, tal como os humanos. No primeiro caso, os RNA virais atuam como mRNA nas células, ordenando a síntese de proteínas específicas. Estas viroses também possuem uma enzima, chamada RNA-polimerase, que catalisa a síntese de mRNA complementar, para a multiplicação do vírus.

Os vírus podem se replicar somente com o auxílio da célula hospedeira. Embora os mecanismos para isto variem de acordo com o tipo de virose, certos princípios são similares. O primeiro passo no ciclo de infecção é aquele que o vírus mãe (virion) se liga à superfície da célula a ser invadida. No segundo passo, o virion penetra no citoplasma ou, em alguns casos, injeta o material genético do vírus no interior da célula, enquanto que o capsid permanece fora da célula. No caso da penetração do vírus completo, um terceito passo, chamado desenvelopamento, libera o material genético do capsid e do envelope, se presente.

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Algumas viroses, como a T4 bacteriofage, desenvolveram um complexo mecanismo de ataque: uma espécie de “plug” que penetra a membrana celular e injeta o vírus, como se fosse uma seringa; este vírus possui uma cobertura protéica retrátil e longas caudas hidrofóbicas que se ligam firmemente à membrana citoplasmática.

O ciclo de infecção do vírus influenza, causador da gripe, envolve um processo diferente: o vírus possui, na superfície, moléculas chamadas hemaglutininas, capazes de ligarem-se a moléculas de ácido siálico na superfície da célula. Esta ligação induz a célula a absorver o vírus que logo libera o seu material genético, feito de RNA, e suas proteínas, no citoplasma. Algumas destas proteínas auxiliam na duplicação do RNA e na produção de mRNA, que orienta o ribossomo na fabricação de mais proteínas virais. Os genes virais e as novas proteínas formam então novos vírus que são ejetados da célula infectada e partem para infectar outras.

virus47 Vírus

Vírus

A penetração nas células animais pelo vírus envolve processos diferentes, pois as células animais são protegidas por uma bicamada de fosfolipídeos e lipoproteínas. A maioria das viroses penetra nesta membrana por um processo chamado endocitose: ocorre uma invaginação da membrana que “engole” o vírus; isto ocorre, geralmente, em uma área da membrana que contém uma proteína chamada clatrina. A membrana, então, “gospe” o vírus envelopado por um pedaço da membrana plasmática, resultando em uma vesícula, que funde com os endosomas citoplasmáticos (outro tipo de vesículas) e, então, com os lisossomos, uma das organelas celulares. Os lisossomos são vesículas ricas em enzimas. A membrana que envolve o vírus se funde com os lisossomos e libera o vírus no citoplasma.

Para aquelas viroses onde o genoma é um RNA que pode servir como mensageiro, o terceiro passo é a tradução deste RNA para formar proteínas virais; algumas destas são enzimas que sintetizam ácidos nucléicos (polimerases). Após um tempo, a célula já produz proteínas e genoma virais para formar outras unidades do virus. A reprodução está completa.

virus48 Vírus

Algumas viroses animais podem permanecer “incubadas” no hospedeiro, em um estado de latente de “dormência”. Embora seu DNA seja incoporado ao DNA das células hospedeiras, as células não tem, inicialmente, nenhuma alteração funcional. A cada replicação do DNA celular, a fração correspondente ao DNA viral é também replicada. Embora as células continuem sadias, elas carregam as informações genéticas do vírus. Um determinado fator perturbante pode desencadear a segunda fase de ataque do vírus, onde as funções das células infectadas são alteradas, e mais vírus são produzidos. Este processo foi descoberto em 1950 pelo microbiologista francês André Lwoff, e é chamado lisogenia. Outras vezes, as células que carregam as informações virais se comportam como células cancerígenas, em um processo conhecido como transformação maligna. Ao contrário das células sadias, que são programadas para morrer (apoptose), as células malignas impedem a apoptose, resultando em um crescimento desordenado do número de células, ou seja, no câncer.

Embora muitas das viroses tenham sido descobertas e caracterizadas com base nas doenças que provocam, a maioria não causa nenhum mal. De fato, muitas são atém benéficas. Algumas técnicas para tratamento genético, por exemplo, envolvem o auxílio de viroses para substituir genes defeituosos em todas as células de um organismo.

A química tem sido de imenso valor no combate às viroses. Antibióticos e outros agentes antimicrobiais não são eficazes, pois as viroses mimetizam as funções biológicas das células hospedeiras – matá-los significaria matar, também, as células sadias do organismo. Certos compostos orgânicos sintéticos (vide quadro), como a ribavirina, aciclovir e zidovudina e azidotimidina (AZT) seletivamente inibem o crescimento de células infectadas. Outra classe de armas contra os vírus são os interferons, que são naturalmente produzidos pelas células.

Armas químicas contra as VIROSES

Aciclovir

O 9-{2-hidroxietoxi}metil]-9H-guanina é um análogo da deoxiguanosina que possui j a cadeia alquílica lateral no lugar da deoxirribose, açúcar comum aos nucleotídeos de DNA. É utilizado, principalmente, contra o vírus do Herpes. Esta droga é ativada pela enzima viral timidina-kinase, tornando-se inibidora da DNA-polimerase viral, ou seja, bloqueando a duplicação do DNA de células infectadas.

Ribavirin

(1-b-D-ribofuranosil-1,2,4-tiazole-3-carboxamida) é um análogo da guanosina. Inibe a replicação in vitro de o uma ampla faixa de DNA e RNA-viroses, como o vírus do sarampo, da herpes, e certos viroses causadoras de câncer. Suspeita-se que esta droga interfira na tradução da informações contidas no m-RNA, “atrapalhando” a síntese de proteínas virais.

A Z T

A droga 3′-Azido-3′-deoxitimidina tornou-se bastante conhecida pelo seu recente emprego no combate contra a AIDS, embora já venha sendo utilizada no tratamento de várias outras viroses. Esta substância inibe a ação da enzima DNA-polimerase, impedindo a duplicação de células infectadas.

Adamantina

O 1-aminoadamantano é uma amina tricíclica simétrica que inibe seletivamente a replicação do vírus influenza A, mesmo em baixas concentrações (< 1mg/ml). A ação é dupla: inibe o desenvelopamento do vírus no citoplasma, por dificultar a desassociação da matriz polimérica e o DNA, além de provocar alterações na hemaglutinina durante a replicação do DNA.

Fonte: www.qmc.ufsc.br

trans Vírus

Vírus

Os vírus são seres diminutos, visíveis apenas ao microscópio eletrônico, constituídos por apenas duas classes de substâncias químicas: ácido nucléico, que pode ser DNA ou RNA, e proteína.

O que diferencia os vírus de todos os outros seres vivos é que eles são acelulares, ou seja, não possuem estrutura celular. Assim, não têm a complexa maquinaria bioquímica necessária para fazer funcionar seu programa genético e precisam de células que os hospedem. Todos os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios.

Atuando como um “pirata”celular, um vírus invade uma célula e assume o comando, fazendo com que ela trabalhe quase que exclusivamente para produzir novos vírus. A infecção viral geralmente causa profundas alterações no metabolismo celular, podendo levar à morte das células infectadas. Vírus causam doenças em plantas e em animais, incluindo o homem. Exemplos de doenças humanas comuns por vírus são o sarampo, a varíola e diversos tipos de gripe.

Fora da célula hospedeira, os vírus não manifestam nenhuma atividade vital: não crescem, não degradam nem fabricam substâncias e não reagem a estímulos. No entanto, se houver células hospedeiras compatíveis à sua disposição, um único vírus é capaz de originar. em cerca de 20 minutos, centenas de novos vírus.

Diagnose dos vírus

Seres acelulares, constituídos por um ácido nucléico (DNA ou RNA) e proteínas. Parasitas intracelulares obrigatórios.

Onde encontrar os vírus?

Os vírus são visíveis apenas ao microscópio eletrônico. Podem ser detectados pelas doenças que causam em outros seres vivos (plantas, animais, bactérias etc.) e a melhor maneira de achá-los é procurar no organismo que apresenta os sintomas de infecção viral.

Classificação

Os vírus, pelo fato de não serem constituídos de células, não são incluídos em nenhum dos cinco reinos de seres vivos.

Reprodução

Multiplicam-se apenas no interior de células hospedeiras. Um único vírion (partícula viral) pode originar centenas de outros em curto intervalo de tempo.

Fonte: www.universitario.com.br

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Vírus

Vírus são os únicos organismos acelulares da Terra atual.

Os vírus são seres muito simples e pequenos (medem menos de 0,2 µm), formados basicamente por uma cápsula protéica envolvendo o material genético, que, dependendo do tipo de vírus, pode ser o DNA, RNA ou os dois juntos (citomegalovirus). A palavra vírus vem do Latim virus que significa fluído venenoso ou toxina. Atualmente é utilizada para descrever os vírus biológicos, além de designar, metaforicamente, qualquer coisa que se reproduza de forma parasitária, como ideias. O termo vírus de computador nasceu por analogia. A palavra vírion ou víron é usada para se referir a uma única partícula viral que estiver fora da célula hospedeira.

Das 1.739.600 espécies de seres vivos conhecidos, os vírus representam 3.600 espécies.

Vírus é uma partícula basicamente protéica que pode infectar organismos vivos. Vírus são parasitas obrigatórios do interior celular e isso significa que eles somente se reproduzem pela invasão e possessão do controle da maquinaria de auto-reprodução celular. O termo vírus geralmente refere-se às partículas que infectam eucariontes (organismos cujas células têm carioteca), enquanto o termo bacteriófago ou fago é utilizado para descrever aqueles que infectam procariontes (domínios bacteria e archaea).

Tipicamente, estas partículas carregam uma pequena quantidade de ácido nucléico (seja DNA ou RNA, ja se há conhecimento hoje de vírus que possuem os dois) sempre envolto por uma cápsula protéica denominada capsídeo. As proteínas que compõe o capsídeo são específicas para cada tipo de vírus. O capsídeo mais o ácido nucléico que ele envolve são denominados nucleocapsídeo. Alguns vírus são formados apenas pelo núcleo capsídeo, outros no entanto, possuem um envoltório ou envelope externo ao nucleocapsídeo. Esses vírus são denominados vírus encapsulados ou envelopados.

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Esquema do Vírus HIV

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Ilustração do vírus HIV mostrando as proteínas do capsídeo responsáveis pela aderencia na célula hospedeira.

O envelope consiste principalmente em duas camadas de lipídios derivadas da membrana plasmática da célula hospedeira e em moléculas de proteínas virais, específicas para cada tipo de vírus, imersas nas camadas de lipídios.

São as moléculas de proteínas virais que determinam qual tipo de célula o vírus irá infectar. Geralmente, o grupo de células que um tipo de vírus infecta é bastante restrito. Existem vírus que infectam apenas bactérias, denominadas bacterófagos, os que infectam apenas fungos, denominados micófagos; os que infectam as plantas e os que infectam os animais, denominados, respectivamente, vírus de plantas e vírus de animais.

Os vírus não são constituídos por células, embora dependam delas para a sua multiplicação. Alguns vírus possuem enzimas. Por exemplo o HIV tem a enzima Transcriptase reversa que faz com que o processo de Transcrição reversa seja realizado (formação de DNA a partir do RNA viral). Esse processo de se formar DNA a partir de RNA viral é denominado retrotranscrição, o que deu o nome retrovírus aos vírus que realizam esse processo. Os outros vírus que possuem DNA fazem o processo de transcrição (passagem da linguagem de DNA para RNA) e só depois a tradução. Estes últimos vírus são designados de adenovírus.

Vírus são parasitas intracelulares obrigatórios: a falta de hialoplasma e ribossomos impede que eles tenham metabolismo próprio. Assim, para executar o seu ciclo de vida, o vírus precisa de um ambiente que tenha esses componentes. Esse ambiente precisa ser o interior de uma célula que, contendo ribossomos e outras substâncias, efetuará a síntese das proteínas dos vírus e, simultaneamente, permitirá que ocorrra a multiplicação do material genetico viral.

Em muitos casos os vírus modificam o metabolismo da célula que parasitam, podendo provocar a sua degeneração e morte. Para isso, é preciso que o vírus inicialmente entre na célula: muitas vezes ele adere à parede da célula e “injeta” o seu material genético ou então entra na célula por englobamento – por um processo que lembra a fagocitose, a célula “engole” o vírus e o introduz no seu interior.

Virus seres vivos ou não?

Vírus não têm qualquer atividade metabólica quando fora da célula hospedeira: eles não podem captar nutrientes, utilizar energia ou realizar qualquer atividade biossintética. Eles obviamente se reproduzem, mas diferentemente de células, que crescem, duplicam seu conteúdo para então dividir-se em duas células filhas, os vírus replicam-se através de uma estratégia completamente diferente: eles invadem células, o que causa a dissociação dos componentes da partícula viral; esses componentes então interagem com o aparato metabólico da célula hospedeira, subvertendo o metabolismo celular para a produção de mais vírus. Há grande debate na comunidade científica sobre se os vírus devem ser considerados seres vivos ou não, e esse debate e primariamente um resultado de diferentes percepções sobre o que vem a ser vida, em outras palavras, a definição de vida. Aqueles que defendem a idéia que os vírus não são vivos argumentam que organismos vivos devem possuir características como a habilidade de importar nutrientes e energia do ambiente, devem ter metabolismo (um conjunto de reações químicas altamente interrelacionadas através das quais os seres vivos constroem e mantêm seus corpos, crescem e performam inúmeras outras tarefas, como locomoção, reprodução, etc.); organismos vivos também fazem parte de uma linhagem continua, sendo necessariamente originados de seres semelhantes e, através da reprodução, gerar outros seres semelhantes (descendência ou prole), etc. Os vírus preenchem alguns desses critérios: são parte de linhagens contínuas, reproduzem-se e evoluem em resposta ao ambiente, através de variabilidade e seleção, como qualquer ser vivo. Porém, não têm metabolismo próprio, por isso deveriam ser considerados “partículas infecciosas”, ao invés de seres vivos propriamente ditos. Muitos, porém, não concordam com essa perspectiva, e argumentam que uma vez que os vírus são capazes de reproduzir-se, são organismos vivos; eles dependem do maquinário metabólico da célula hospedeira, mas até ai todos os seres vivos dependem de interações com outros seres vivos. Outros ainda levam em consideração a presenca massiva de vírus em todos os reinos do mundo natural, sua origem-aparentemente tão antiga como a própria vida-sua importância na história natural de todos os outros organismos, etc. Conforme já mencionado, diferentes conceitos a respeito do que vem a ser vida formam o cerne dessa discussão. Definir vida tem sido sempre um grande problema, e já que qualquer definição provavelmente será evasiva ou arbitraria, dificultando assim uma definição exata a respeito dos vírus.

Doenças humanas virais

No homem, inúmeras doenças são causadas por esses seres acelulares. Praticamente todos os tecidos e órgãos humanos são afetados por alguma infecção viral. Abaixo você encontra as viroses mais freqüentes na nossa espécie. Valorize principalmente os mecanismos de transmissão e de prevenção. Note que a febre amarela e dengue são duas viroses que envolvem a transmissão por insetos (mosquito da espécie Aedes aegypti). Para a primeira, existe vacina. Duas viroses relatadas abaixo, AIDS e condiloma acuminado, são doenças sexualmente trasmissíveis (DSTs). A tabela também relaciona viroses comuns na infância, rubélola, caxumba, sarampo, poliomelite – para as quais existem vacinas.

Algumas das principais viroses que acometem os seres humanos:

Resfriado Comum;
Caxumba;
Raiva;
Rubéola;
Sarampo;
Hepatites;
Dengue;
Poliomielite;
Febre amarela;
Varicela ou Catapora;
Varíola;
Meningite viral;
Mononucleose Infecciosa;
Herpes
Condiloma
Hantavirose
AIDS.

Prevenção e tratamento de doenças virais

Devido ao uso da maquinaria das células do hospedeiro, os vírus tornam-se difíceis de matar. As mais eficientes soluções médicas para as doenças virais são, até agora, as vacinas para prevenir as infecções, e drogas que tratam os sintomas das infecções virais. Os pacientes freqüentemente pedem antibióticos, que são inúteis contra os vírus, e seu abuso contra infecções virais é uma das causas de resistência antibiótica em bactérias. Diz-se, às vezes, que a ação prudente é começar com um tratamento de antibióticos enquanto espera-se pelos resultados dos exames para determinar se os sintomas dos pacientes são causados por uma infecção por vírus ou bactérias.

Bacteriófagos

Os bacteriófagos podem ser vírus de DNA ou de RNA que infectam somente organismos procariotos. São formados apenas pelo nucleocapsídeo, não existindo formas envelopadas. Os mais estudados são os que infectam a bacteria intestinal Escherichia coli, conhecida como fagos T. Estes são constituídos por uma cápsula protéica bastante complexa, que apresenta uma região denominada cabeça, com formato poligonal, envolvendo uma molécula de DNA, e uma região denominada cauda, com formato cilíndrico, contendo, em sua extremidade livre, fibras protéicas.

A reprodução ou replicação dos bacteriófagos, assim como os demais vírus, ocorre somente no interior de uma célula hospedeira.

Existem basicamente dois tipos de ciclos reprodutivos: o ciclo lítico e o ciclo lisogênico. Esses dois ciclos iniciam com o fago T aderindo à superfície da célula bacteriana através das fibras protéicas da cauda. Esta contrai-se, impelindo a parte central, tubular, para dentro da célula, à semelhança, de uma microsseringa. O DNA do vírus é, então, injetado fora da célula a cápsula protéica vazia. A partir desse momento, começa a diferenciação entre ciclo lítico e ciclo lisogênico.

No ciclo lítico, o vírus invade a bactéria, onde as funções normais desta são interrompidas na presença de ácido nucléico do vírus (DNA ou RNA). Esse, ao mesmo tempo em que é replicado, comanda a síntese das proteínas que comporão o capsídeo. Os capsídeos organizam-se e envolvem as moléculas de ácido nucléico. São produzidos, então novos vírus. Ocorre a lise, ou seja, a célula infectada rompe-se e os novos bacteriófagos são liberados. Sintomas causados por um vírus que se reproduz através desta maneira, em um organismo multicelular aparecem imediatamente. Nesse ciclo, os vírus utilizam o equipamento bioquímico(Ribossomo)da célula para fabricar sua proteína (Capsideo).

No ciclo lisogênico, o vírus invade a bactéria ou a célula hospedeira, onde o DNA viral incorpora-se ao DNA da célula infectada. Isto é, o DNA viral torna-se parte do DNA da célula infectada. Uma vez infectada, a célula continua suas operações normais, como reprodução e ciclo celular. Durante o processo de divisão celular, o material genético da célula, juntamente com o material genético do vírus que foi incorporado, sofrem duplicação e em seguida são divididos equitativamente entre as células-filhas. Assim, uma vez infectada, uma célula começará a transmitir o vírus sempre que passar por mitose e todas as células estarão infectadas também. Sintomas causados por um vírus que se reproduz através desta maneira, em um organismo multicelular podem demorar a aparecer. Doenças causadas por vírus lisogênico tendem a ser incuráveis. Alguns exemplos incluem a AIDS e herpes.

Sob determinadas condições, naturais e artificiais (tais como radiações ultravioleta, raios X ou certos agentes químicas), uma bactéria lisogênica pode transformar-se em não-lisogênica e iniciar o ciclo lítico.

virus15 p Vírus

Fonte: www.sobiologia.com.br

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Vírus

VÍRUS: Um grupo à parte

HISTÓRICO

A existência do vírus foi reconhecida pela primeira vez há 100 anos;
Demonstração da doença do mosaico do fumo.

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ORIGEM EVOLUTIVA

Desconhece-se a origem dos vírus.

TEORIAS

(1) podem derivar do DNA ou do RNA ou de ambos ácidos nucléicos de células hospedeiras que adquiriram a capacidade de replicação autônoma e evoluíram independentemente.

(2) podem consistir em formas degeneradas de parasitas intracelulares.

VÍRUS

virus17 Vírus

Do latim, ‘veneno’;

São agentes infectantes de células vivas.

São estruturas não celulares que contêm proteína e DNA ou RNA (estrutura molecular).

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Agentes causadores de infecções no homem, outros animais, vegetais e bactérias.

Sem metabolismo próprio.

Parasitas intracelulares obrigatórios.

Não se desenvolvem em ambientes extracelulares.

Características distintivas

Tipo de material genético (DNA ou RNA);

Tamanho e Forma;

Natureza do envoltório;

Genoma muito simples.

Do que são compostos?

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GENOMA de RNA ou DNA

Uma cobertura proteica, chamada de CAPSÍDEO.

Envoltório lipídico ENVELOPE (nem sempre).

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Vírus

Tamanho dos vírus

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Estrutura Básica dos vírus

Capsídeo Proteínas codificadas pelo genoma viral (protômeros)
Proteção e rigidez
Simetria:

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Capsídeo

Simetria – Microscopia Eletrônica

Icosaédrica

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Helicoidal

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Complexa

Vírus

Vírus Icosaédricos

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Vírus Helicoidais

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Vírus complexos

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Vírus Complexos

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Envelope viral

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Replicação viral

Dependente de organelas e enzimas do hospedeiro
Geralmente promove a morte e lise da célula hospedeira ? ciclo lítico

Estágios do ciclo lítico

Adsorção
Penetração
Síntese
Montagem
Liberação

Replicação de Bacteriófagos

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Penetração direta – injeção do material genético

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Ciclo lítico de um bacteriófago

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Vírus

Ciclo lisogênico

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Replicação de vírus de animais

Semelhante ao ciclo lítico de bacteriófagos

Diferenças

presença de envelope em alguns vírus
compartimentalização da célula hospedeira
ausência de parede celular na célula hospedeira

Entrada e desnudamento

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Liberação de vírus envelopados por brotamento

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Fonte: www.cursinhoprimeirodemaio.com.br

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Vírus

Glossário

Este glossário foi elaborado com o objetivo de esclarecer a terminologia usada pelo Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica do Brasil. Vale salientar que, embora alguns dos termos aqui incluídos possam ser encontrados com significados diferentes, as definições apresentadas são as mais freqüentemente aplicadas no contexto da vigilância e controle de doenças transmissíveis.

AGENTE: entidade biológica, física ou química capaz de causar doença.

AGENTE INFECCIOSO: agente biológico capaz de produzir infecção ou doença infecciosa.

ALADO: fase adulta do vetor, presença de asas.

ANATOXINA (toxóide): toxina tratada pelo formol ou outras substâncias, que perde sua capacidade toxigênica, mas conserva sua imunogenicidade, Os toxóides são usados para induzir imunidade ativa e específica contra doenças.

ANTICORPO: globulina encontrada em fluidos teciduais e no soro, produzida em resposta ao estímulo de antígenos específicos, sendo capaz de se combinar com os mesmos, neutralizando-os ou destruindo-os.

ANTICORPO MONOCLONALanticorpo produzido pela progênie de uma única célula e que por isso é extremamente puro, preciso e homogêneo.

ANTIGENICIDADE: capacidade de um agente ou de fração do mesmo estimular a formação de anticorpos.

ANTÍGENO: porção ou produto de um agente biológico capaz de estimular a formação de anticorpos específicos.

ANTISSEPSIA: conjunto de medidas empregadas para impedir a proliferação microbiana.

ANTITOXINA: anticorpos protetores que inativam proteínas solúveis tóxicas de bactérias.

ANTRÓPICO: tudo que pode ser atribuído à atividade humana.

ANTROPONOSE: infecção cuja transmissão se restringe aos seres humanos.

ANTROPOZOONOSE: infecção transmitida ao homem, por reservatório animal.

ARBOVIROSES: viroses transmitidas de um hospedeiro para outro por meio de um ou mais tipos de artrópodes.

ÁREA ENDÊMICA: aqui considerada como área geográfica reconhecidamente de transmissão para uma determinada doença.

ÁREA DE FOCO: área de transmissão para uma determinada doença, porém de localização bem definida, limitada a uma localidade ou pequeno número destas, em um município.

ÁREA INDENE VULNERÁVEL: área reconhecidamente sem transmissão de uma determinada doença, mas cujas condições ambientais favorecem a instalação da transmissão.

ASCITE: acúmulo de líquido seroso na cavidade peritonial, causado pelo aumento da pressão venosa ou queda da albumina no plasma. O exame revela aumento indolor do abdome, macicez líquida que muda com a postura. É responsável pelo termo “barriga d’água” para a esquistossomose.

ASSEPSIA: conjunto de medidas utilizadas para impedir a penetração de microorganismos (contaminação) em local que não os contenha.

ASSOCIAÇÃO MEDICAMENTOSA: administração simultânea de dois ou mais medicamentos, seja em preparação separada, seja em uma mesma preparação.

BACTERIÓFAGO: vírus que lisa a bactéria. Vírus capaz de infectar e destruir bactérias. São freqüentemente usados como vetores pela engenharia genética.

BIOCENOSE: comunidade resultante da associação de populações confinadas em determinados ambientes, no interior de um ecossistema.

BIOGEOCENOSE (ecossistema): sistema dinâmico que inclui todas as interações entre o ambiente e as populações ali existentes.

BIOSFERA: conjunto de todos os ecossistemas.

BIOTA: reunião de várias comunidades.

BUSCA ATIVA: é a busca de casos suspeitos, que se dá de forma permanente ou não; visitas periódicas do serviço de saúde em áreas silenciosas e na ocorrência de casos em municípios vizinhos.

CADEIA DE TRANSMISSÃO (epidemiológica): é a caracterização dos mecanismos de transmissão de um agente infecioso, envolvendo os suscetíveis, os agentes patogênicos e os reservatórios.

CAPACIDADE VETORIAL: propriedade do vetor, mensurada por meio de parâmetros como abundância, sobrevivência e grau de domiciliação. É relacionada à transmissão do agente infeccioso em condições naturais.

CARACTERES EPIDEMIOLÓGICOS: modos de ocorrência natural das doenças em uma comunidade, em função da estrutura epidemiológica da mesma.

CARÁTER ANTIGÊNICO: combinação química dos componentes antigênicos de um agente, cuja combinação e componentes são únicos, para cada espécie ou cepa do agente, sendo responsável pela especificidade da imunidade resultante da infecção.

CASO: pessoa ou animal infectado ou doente apresentando características clínicas, laboratoriais e/ou epidemiológicas específicas.

CASO AUTÓCTONE: caso contraído pelo enfermo na zona de sua residência.

CASO CONFIRMADO: pessoa de quem foi isolado e identificado o agente etiológico ou de quem foram obtidas outras evidências epidemiológicas e/ou laboratoriais da presença do agente etiológico, como por exemplo, a conversão sorológica em amostras de sangue colhidas nas fases aguda e de convalescência. Esse indivíduo pode ou não apresentar a síndrome indicativa da doença causada pelo agente. A confirmação do caso está sempre condicionada à observação dos critérios estabelecidos pela definição de caso, que, por sua vez, está relacionada ao objetivo do programa de controle da doença e/ou do sistema de vigilância.

CASO-CONTROLE, ESTUDOS DE: tipo de estudo epidemiológico no qual se busca aferir uma associação entre um determinado fator de risco e a ocorrência de uma determinada doença, em grupos selecionados a partir da presença ou ausência da doença em questão.

CASO ESPORÁDICO: caso que, segundo informações disponíveis, não se apresenta epidemiologicamente relacionado a outros já conhecidos.

CASO ÍNDICE: primeiro entre vários casos de natureza similar e epidemiologicamente relacionados. O caso índice é muitas vezes identificado como fonte de contaminação ou infecção.

CASO IMPORTADO: caso contraído fora da zona onde se fez o diagnóstico. O emprego dessa expressão dá a idéia de que é possível situar, com certeza, a origem da infecção numa zona conhecida.

CASO INDUZIDO: caso de uma determinada doença que pode ser atribuído a uma transfusão de sangue ou a outra forma de inoculação parenteral, porém não à transmissão natural. A inoculação pode ser acidental ou deliberada e, neste caso, pode ter objetivos terapêuticos ou de pesquisa.

CASO INTRODUZIDO: na terminologia comum, esse nome é dado aos casos sintomáticos diretos, quando se pode provar que os mesmos constituem o primeiro elo da transmissão local após um caso importado conhecido.

CASO PRESUNTIVO: pessoa com síndrome clínica compatível com a doença, porém sem confirmação laboratorial do agente etiológico. A classificação como caso presuntivo está condicionada à definição de caso.

CASO SECUNDÁRIO: caso novo de uma doença transmissível, surgido a partir do contato com um caso-índice.

CASO SUSPEITO: pessoa cuja história clínica, sintomas e possível exposição a uma fonte de infecção sugerem que possa estar ou vir a desenvolver alguma doença infecciosa.

CEPA: população de uma mesma espécie descendente de um único antepassado ou que tenha espécie descendente de um único antepassado ou que tenha a mesma origem, conservada mediante uma série de passagens por hospedeiros ou subculturas adequadas. As cepas de comportamento semelhante chamam-se “homólogas” e de comportamento diferente “heterólogas”. Antigamente empregava-se o termo “cepa” de maneira imprecisa, para aludir a um grupo de organismos estreitamente relacionados entre si, e que perpetuavam suas características em gerações sucessivas. Ver também CULTURA ISOLADA.

CERCÁRIA: forma do Shistossoma mansoni, infectante para o homem (hospedeiro definitivo).

CIRCULAÇÃO COLATERAL: circulação que se instala em órgãos ou parte dele através de anastomose (comunicação) dos vasos, quando o suprimento sangüíneo original está obstruído ou abolido.

CLONE: população de organismos geneticamente idênticos, descendentes de uma única célula por reprodução assexuada. Nos parasitas da malária obtém-se o clone, em geral, a partir de formas eritrocíticas, por meio de uma técnica de diluição e cultura in vitro.

COBERTURA VACINAL: indicador que expressa a proporção da população-alvo que foi vacinada, medindo a capacidade de alcance das metas estabelecidas conforme a estratégia de vacinação. Para se obter a cobertura vacinal, são necessárias as seguintes informações: população-alvo, número de vacinados por idade, doses e área geográfica. A cobertura pode ser avaliada pelo método administrativo, analisando as informações obtidas no sistema de registro dos serviços de saúde e pelo método estatístico, que consiste em inquéritos ou levantamentos de campo, realizados através de entrevistas em uma adequada amostra de domicílios.

COEFICIENTE / TAXA: relação entre número de eventos reais e os que poderiam acontecer, multiplicando-se o resultado dessa relação pela base referencial do denominador, que é potência de 10. Muito utilizado em saúde pública para indicar a relação (quociente) entre dois valores numéricos, no sentido de estimar a probabilidade da ocorrência ou não de determinado evento.

COEFICIENTE DE INCIDÊNCIA: constitui medida de risco de doença ou agravo, fundamentalmente nos estudos da etiologia de doenças agudas e crônicas. É a razão entre o número de casos novos de uma doença que ocorre em uma coletividade, em um intervalo de tempo determinado, e a população exposta ao risco de adquirir referida doença no mesmo período multiplicando-se por potência de 10, que é a base referencial da população.

CI = n° de casos novos de uma doença, ocorrentes em determinada comunidade, em certo período de tempo X 10n / n° de pessoas expostas ao risco de adquirir a doença no referido período

TAXA DE LETALIDADE: coeficiente resultante da relação entre o número de óbitos decorrentes de uma determinada causa e o número de pessoas que foram realmente acometidas pela doença, expressando-se sempre em percentual.

COEFICIENTE DE MORTALIDADE: relação entre a freqüência absoluta de óbitos e o número dos expostos ao risco de morrer. Pode ser geral, quando inclui todos os óbitos e toda a população da área em estudo, e pode ser específico por idade, sexo, ocupação, causa de morte, etc.

CMG = n° total de óbitos em determinada, área e período X 10n / n° total da população da mesma área, estimada na metade do período

COEFICIENTE DE PREVALÊNCIA: coeficiente que mede a força com que subsiste a doença na coletividade. Expressa-se com a relação entre o número de casos conhecidos de uma dada doença e a população, multiplicando-se o resultado pela base referencial da população, que é potência de 10, usualmente 1 000, 10 000 ou 100 000.

CP = n° de casos de uma dada doença X 10n / população

CONSOLIDAÇÃO DOS DADOS: consiste no agrupamento e distribuição dos dados segundo: número de casos; período de ocorrência por município, localidade, bairro e rua; faixa etária; semana epidemiológica; zona urbana/rural; antecedência vacinal; cobertura vacinal; hospitalização; complicações; coletas para amostras, etc.

COORTE: grupo de indivíduos que têm um atributo em comum. Designa também um tipo de estudo epidemiológico, no qual se busca aferir a incidência de um determinado evento entre grupos expostos e não expostos ao fator de risco estudado.

COLONIZAÇÃO: propagação de um microorganismo na superfície ou no organismo de um hospedeiro, sem causar agressão celular. Um hospedeiro colonizador pode atuar como fonte de infecção.

CONGÊNERE: na terminologia química, qualquer substância de um grupo químico, cujos componentes sejam derivados da mesma substância-mãe, por exemplo, as 4-aminoquinaleínas são congêneres uma das outras.

CONTÁGIO: sinônimo de transmissão direta.

CONTAMINAÇÃO: ato ou momento em que uma pessoa ou um objeto se converte em veículo mecânico de disseminação de um determinado agente patogênico.

CONTATO: pessoa ou animal que teve contato com pessoa ou animal infectado, ou com ambiente contaminado, criando a oportunidade de adquirir o agente etiológico.

CONTATO EFICIENTE: contato entre um suscetível e uma fonte primária de infecção, em que o agente etiológico é realmente transferido dessa para o primeiro.

CONTROLE: quando aplicado a doenças transmissíveis e alguns não transmissíveis, significa operações ou programas desenvolvidos com o objetivo de reduzir sua incidência e/ou prevalência em níveis muito baixos.

COPROSCOPIA: diagnóstico realizado através do exame parasitológico de fezes.

COR-PULMONALE: comprometimento cardíaco que decorre do efeito de hipertensão pulmonar sobre o ventrículo direito.

CULTURA ISOLADA: amostra de parasitas não necessariamente homogêneos, sob a perspectiva genética, obtidos de um hospedeiro natural e conservados em laboratório mediante passagens por outros hospedeiros ou mediante a cultura in vitro. Dá-se preferência a esse termo em lugar de “cepa”, de uso freqüente, mas um tanto impreciso. Ver também CLONE, LINHAGEM E CEPA.

CURA RADICAL: eliminação completa de parasitas que se encontram no organismo, de tal maneira que fique excluída qualquer possibilidade de recidivas.

DENSIDADE LARVÁRIA: quantidade de larvas para determinado denominador (recipiente, concha, área, imóvel).

DENOMINAÇÕES INTERNACIONAIS COMUNS (DIC): nomes comuns de medicamentos aceitos pela Organização Mundial de Saúde e incluídos na lista oficial rubricada por esse organismo.

DESINFECÇÃO: destruição de agentes infecciosos que se encontram fora do corpo, por meio de exposição direta a agentes químicos ou físicos.

DESINFECÇÃO CONCORRENTE: é a aplicação de medidas desinfetantes o mais rápido possível, após a expulsão de material infeccioso do organismo de uma pessoa infectada, ou depois que a mesma tenha se contaminado com referido material. Reduz ao mínimo o contato de outros indivíduos com esse material ou objetos.

DESINFECÇÃO TERMINAL: desinfecção feita no local em que esteve um caso clínico ou portador, ocorrendo, portanto, depois que a fonte primária de infecção deixou de existir (por morte ou por ter se curado) ou depois que ela abandonou o local. A desinfecção terminal, aplicada raramente, é indicada no caso de doenças transmitidas por contato indireto.

DESINFESTAÇÃO: destruição de metazoários, especialmente artrópodes e roedores, com finalidade profiláticas.

DISPONIBILIDADE BIOLÓGICA: velocidade e grau de absorção de um medicamento, a partir de um preparado farmacêutico, determinados por sua curva de concentração/tempo na circulação geral ou por sua excreção na urina.

DISSEMINAÇÃO POR FONTE COMUM: disseminação do agente de uma doença a partir da exposição de um determinado número de pessoas, num certo espaço de tempo, a um veículo que é comum. Exemplo: água, alimentos, ar, seringas contaminadas.

DIMORFISMO: propriedade de existir em duas diferentes formas estruturais.

DOENÇA TRANSMISSÍVEL: doença causada por um agente infeccioso específico, ou pela toxina por ele produzida, por meio da transmissão desse agente, ou de seu produto, tóxico a partir de uma pessoa ou animal infectado, ou ainda, de um reservatório para um hospedeiro suscetível, seja direta ou indiretamente intermediado por vetor ou ambiente.

DOENÇAS QUARENTENÁRIAS: doenças de grande transmissibilidade, em geral graves, que requerem notificação internacional imediata à Organização Mundial de Saúde, isolamento rigoroso de casos clínicos e quarentena dos comunicantes, além de outras medidas de profilaxia, com o intuito de evitar a sua introdução em regiões até então indenes. Entre as doenças quarentenárias, encontram-se a cólera, febre amarela e tifo exantemático.

DOSE DE REFORÇO: quantidade de antígeno que se administra com o fim de manter ou reavivar a resistência conferida pela imunização.

ECOLOGIA: estudo das relações entre seres vivos e seu ambiente. “Ecologia humana” diz respeito ao estudo de grupos humanos face à influência de fatores do ambiente, incluindo muitas vezes fatores sociais e do comportamento.

ECOLÓGICOS, ESTUDOS: em epidemiologia, tipo de estudo no qual a unidade de análise não é o indivíduo, trabalhando em geral com o levantamento de hipóteses a partir de associações de dados agregados.

ECOSSISTEMA: é o conjunto constituído pela biota e o ambiente não vivo que interagem em determinada região.

EFEITOS DELETÉRIOS DOS MEDICAMENTOS: incluem todos os efeitos não desejados que se apresentam nos seres humanos, como resultado da administração de um medicamento. Em geral, podem-se classificar esses efeitos em: a) efeitos tóxicos: introduzidos por doses excessivas, quer seja por única dose grande ou pela acumulação de várias doses do medicamento; b) efeitos colaterais: terapeuticamente inconvenientes, mas conseqüência inevitável da medicação (por exemplo, náuseas e vômitos, depois de ingerir cloroquina em jejum, ou queda de pressão, depois de uma injeção endovenosa de quinina); c) efeitos secundários: surgem indiretamente como resultado da ação de um medicamento (por exemplo, a monilíase em pacientes submetidos a um tratamento prolongado com a tetraciclina); d) intolerância: diminuição do limite de sensibilidade à ação fisiológica normal de um medicamento (por exemplo, enjôos, surdez, visão embaraçada que alguns pacientes sofrem ao receberem uma dose normal de quinina); e) idiossincrasia: reação qualitativamente anormal de um medicamento (por exemplo, a hemólise que ocorre em alguns pacientes depois da administração de primaquina); f) hipersensibilidade por reação alérgica: resposta imunológica anormal depois da sensibilização provocada por um medicamento (por exemplo, a alergia à penicilina).

ELIMINAÇÃO: é a redução a zero da incidência de uma doença/agravo, porém com manutenção indefinidamente no tempo, das medidas de controle.

ENDEMIA: é a presença contínua de uma enfermidade ou de um agente infeccioso em uma zona geográfica determinada; pode também expressar a prevalência usual de uma doença particular numa zona geográfica. O termo hiperendemia significa a transmissão intensa e persistente atingindo todas as faixas etárias e holoendemia, um nível elevado de infecção que começa a partir de uma idade precoce e afeta a maior parte da população jovem como, por exemplo, a malária em algumas regiões do globo.

ENDOTOXINA: toxina encontrada no interior da célula bacteriana, mas não em filtrados livres de células de bactéria. As endotoxinas são liberadas pela bactérias quando sua célula se rompe.

ENZOOTIA: presença constante ou prevalência usual da doença ou agente infeccioso na população animal de uma dada área geográfica.

EPIDEMIA: é a manifestação, em uma coletividade ou região, de um corpo de casos de alguma enfermidade que excede claramente a incidência prevista. O número de casos que indica a existência de uma epidemia varia com o agente infeccioso, o tamanho e as características da população exposta, sua experiência prévia ou falta de exposição à enfermidade e o local e a época do ano em que ocorre. Por decorrência, a epidemia guarda relação com a freqüência comum da enfermidade na mesma região, na população especificada e na mesma estação do ano. O aparecimento de um único caso de doença transmissível que durante um lapso de tempo prolongado não havia afetado uma população, ou que invade pela primeira vez uma região, requer notificação imediata e uma completa investigação de campo; dois casos dessa doença associados no tempo ou no espaço podem ser evidência suficiente de uma epidemia.

EPIDEMIA POR FONTE COMUM (Epidemia Maciça ou Epidemia por Veículo Comum): epidemia em que aparecem muitos casos clínicos dentro de um intervalo igual ao período de incubação clínica da doença, o que sugere a exposição simultânea (ou quase simultânea) de muitas pessoas ao agente etiológico. O exemplo típico é o das epidemias de origem hídrica.

EPIDEMIA PROGRESSIVA (Epidemia por Fonte Propagada): epidemia na qual as infecções são transmitidas de pessoa a pessoa ou de animal, de modo que os casos identificados não podem ser atribuídos a agentes transmitidos a partir de uma única fonte.

EPIGASTRALGIA: dor na região do epigástrio (abdome), que corresponde à localização do estômago.

EPIZOOTIA: ocorrência de casos de natureza similar em população animal de uma área geográfica particular, que se apresenta claramente em excesso, em relação à incidência esperada.

EQUIVALÊNCIA TERAPÊUTICA: característica de diferentes produtos farmacêuticos que, quando administrados em um mesmo regime, apresentam resultados com o mesmo grau de eficácia e/ou toxicidade.

ERRADICAÇÃO: cessação de toda a transmissão da infecção pela extinção artificial da espécie do agente em questão. A erradicação pressupõe a ausência completa de risco de reintrodução da doença, de forma a permitir a suspensão de toda e qualquer medida de prevenção ou controle. A erradicação regional ou eliminação é a cessação da transmissão de determinada infecção em ampla região geográfica ou jurisdição política.

ESPECIFICIDADE: é a capacidade do procedimento de diagnose em diagnosticar corretamente a ausência de doença, quando a mesma está ausente. Verdadeiros negativos.

ESPECIFICIDADE DE UM SISTEMA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: é a capacidade que tem o sistema de excluir os não-casos. Quando as taxas de diagnósticos falso-positivos são altas, ocorre uma baixa especificidade.

ESPLENOMEGALIA: aumento do volume do baço.

ESTRUTURA EPIDEMIOLÓGICA: conjunto de fatores relativos ao agente etiológico, hospedeiro e meio ambiente, que influi sobre a ocorrência natural de uma doença em uma comunidade.

EXOTOXINA: toxina produzida por uma bactéria e por ela liberada no meio de cultura ou no hospedeiro, conseqüentemente encontrada em filtrados livres de célula e em culturas de bactéria intacta.

FAGÓCITO: é uma célula que engloba e destrói partículas estranhas ou microorganismos, por digestão.

FAGOTIPAGEM: caracterização de uma bactéria pela identificação de sua suscetibilidade a determinados bacteriófagos. É uma técnica de caracterização de uma cepa.

Vírus

FARMACOTÉCNICA: ramo da ciência que estuda a absorção, distribuição, metabolismo e excreção dos medicamentos.

FEBRE HEMOGLOBINÚRICA: síndrome caracterizada por hemólise intravascular aguda e hemoglobinúrica, muitas vezes acompanhada de insuficiência renal. A febre é uma das características do processo que está relacionado à infecção por Plasmodium falciparum.

FENÔMENO DE INTERFERÊNCIA: estado de resistência temporária a infecções por vírus. Esta resistência é induzida por uma infecção viral existente e é atribuída em parte ao interferon.

FIBROSE HEPÁTICA: crescimento do tecido conjuntivo em nível hepático, que pode estar relacionado à ação de agentes químicos e biológicos.

FITONOSE: infecção transmissível ao homem, cujo agente tem vegetais como reservatórios.

FOCO NATURAL: um pequeno território, compreendendo uma ou várias paisagens, onde a circulação do agente causal estabeleceu-se numa biogecenose por um tempo indefinidamente longo, sem sua importação de outra região. O foco natural é uma entidade natural, seus limites podem ser demarcados em um mapa.

FOCO ARTIFICIAL: doença transmissível que se instala em condições propiciadas pela atividade antrópica.

FÔMITES: objetivos de uso pessoal do caso clínico ou portador, que podem estar contaminados e transmitir agentes infecciosos e cujo controle é feito por meio da desinfecção.

FONTE DE INFECÇÃO: pessoa, animal, objeto ou substância a partir da qual o agente é transmitido para o hospedeiro.

FONTE NOTIFICADORA: são os serviços de saúde e outros segmentos formais e informais da sociedade que notificam as autoridades sanitárias, pelo menos, a ocorrência das doenças de notificação compulsória.

FONTE PRIMÁRIA DE INFECÇÃO (Reservatório): homem ou animal e, raramente, o solo ou vegetais, responsável pela sobrevivência de uma determinada espécie de agente etiológico na natureza. No caso dos parasitas heteroxenos, o hospedeiro mais evoluído (que geralmente é também o hospedeiro definitivo) é denominado fonte primária de infecção, é o hospedeiro menos evoluído (em geral hospedeiro intermediário) é chamado de vetor biológico.

FONTE SECUNDÁRIA DE INFECÇÃO: ser animado ou inanimado que transporta um determinado agente etiológico, não sendo o principal responsável pela sobrevivência desse como espécie. Esta expressão é substituída com vantagem pelo termo ” veículo”.

FREQÜÊNCIA (Ocorrência): é um termo genérico utilizado em epidemiologia para descrever a freqüência de uma doença ou de outro atributo ou evento identificado na população, sem fazer distinção entre incidência ou prevalência.

FREQÜÊNCIA ABSOLUTA: é o resultado da contagem direta de uma série de eventos da mesma natureza.

FREQÜÊNCIA RELATIVA: chama-se freqüência relativa de determinado atributo a relação entre o número de indivíduos que apresentam esse atributo e total de indivíduos considerados.

FUMIGAÇÃO: aplicação de substâncias gasosas capazes de destruir a vida animal, especialmente insetos e roedores.

GAMETÓFARO: refere-se ao indivíduo que é portador das formas sexuadas do parasita (gametas).

GOTÍCULAS DE FLÜGGE: secreções oronasais de mais de 100 micra de diâmetro, que transmitem agentes infecciosos de maneira direta mediata.

HEMATÊMESE: vômito no sangue.

HEPATOMEGALIA: aumento de volume do fígado.

HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA: descrição que inclui as características das funções de infecção, distribuição da doença segundo os atributos das pessoas, tempo e espaço, distribuição e características ecológicas do(s) reservatório(s) do agente; mecanismos de transmissão e efeitos da doença sobre o homem.

HOLOMETABÓLICO: animais que apresentam metamorfose completa (ex: ovo, larva, pulpa, adulto).

HOSPEDEIRO: organismo simples ou complexo, incluindo o homem, que é capaz de ser infectado por um agente específico.

HOSPEDEIRO DEFINITIVO: é o que apresenta o parasita em fase de maturidade ou em fase de atividade sexual.

HOSPEDEIRO INTERMEDIÁRIO: é o que apresenta o parasita em fase larvária ou assexuada.

IMUNIDADE: resistência usualmente associada à presença de anticorpos que têm o efeito de inibir microorganismos específicos ou suas toxinas responsáveis por doenças infecciosas particulares.

IMUNIDADE ATIVA: imunidade adquirida naturalmente pela infecção, com ou sem manifestações clínicas, ou artificialmente pela inoculação de frações ou produtos de agentes infecciosos ou do próprio agente morto, modificado ou de uma forma variante.

IMUNIDADE DE REBANHO: resistência de um grupo ou população à introdução e disseminação de um agente infeccioso. Essa resistência é baseada na elevada proporção de indivíduos imunes entre os membros desse grupo ou população e na uniforme distribuição desses indivíduos imunes.

IMUNIDADE PASSIVA: imunidade adquirida naturalmente da mãe ou artificialmente pela inoculação de anticorpos protetores específicos (soro imune de convalescentes ou imunoglobulina sérica). A imunidade passiva é pouco duradoura.

IMUNOGLOBULINA: solução estéril de globulinas que contêm aqueles anticorpos normalmente presentes no sangue do adulto.

IMUNOPROFILAXIA: prevenção da doença através da imunidade conferida pela administração de vacinas ou soros a uma pessoa ou animal.

INCIDÊNCIA: número de casos novos de uma doença ocorridos em uma população particular durante um período específico de tempo.

ÍNDICE DE BRETEAU: número de recipientes habitados por formas imaturas de mosquitos em relação ao número de casas examinadas para o encontro de criadouros.

INFECÇÃO: penetração, alojamento e, em geral, multiplicação de um agente etiológico animado no organismo de um hospedeiro, produzindo-lhe danos, com ou sem aparecimento de sintomas clinicamente reconhecíveis. Em essência, a infecção é uma competição vital entre um agente etiológico animado (parasita “sensu latu”) e um hospedeiro; é, portanto, uma luta pela sobrevivência entre dois seres vivos, que visam a manutenção de sua espécie.

INFECÇÃO APARENTE (Doença): infecção que se desenvolve acompanhada de sinais e sintomas clínicos.

INFECÇÃO HOSPITALAR: infecção que se desenvolve em um paciente hospitalizado, ou atendido em outro serviço de assistência, que não padecia nem estava incubando a doença no momento da hospitalização. Pode manifestar-se, também, como efeito residual de uma infecção adquirida durante hospitalização anterior, ou ainda manifestar-se somente após a alta hospitalar. Abrange igualmente as infecções adquiridas no ambiente hospitalar, acometendo visitantes ou sua própria equipe.

INFECÇÃO INAPARENTE: infecção que cursa na ausência de sinais e sintomas clínicos perceptíveis.

INFECTANTE: aquele que pode causar uma infecção; aplica-se, geralmente, ao parasita (por exemplo, o gametócito, o esporozoíto).

INFECTIVIDADE: capacidade do agente etiológico se alojar e multiplicar-se no corpo do hospedeiro.

INFESTAÇÃO: entende-se por infestação de pessoas ou animais o alojamento, desenvolvimento e reprodução de artrópodes na superfície do corpo ou nas roupas. Os objetos ou locais infestados são os que albergam ou servem de alojamento a animais, especialmente artrópodes e roedores.

INFLAMAÇÃO: resposta normal do tecido à agressão celular por material estranho, caracteriza-se pela dilatação de capilares e mobilização de defesas celulares (leucócitos e fagócitos).

INQUÉRITO EPIDEMIOLÓGICO: levantamento epidemiológico feito por meio de coleta ocasional de dados, quase sempre por amostragem, e que fornece dados sobre a prevalência de casos clínicos ou portadores, em uma determinada comunidade.

INTERAÇÃO FARMACOLÓGICA: alteração do efeito farmacológico de um medicamento administrado simultaneamente com outro.

INTERFERON: proteína de baixo peso molecular produzida por células infectadas por vírus. O interferon tem a propriedade de bloquear as células sadias da infecção viral, suprimindo a multiplicação viral nas células já infectadas; o interferon é ativo contra um amplo espectro de vírus.

INVASIBILIDADE: capacidade de um microorganismo de entrar no corpo e de se disseminar através dos tecidos. Essa disseminação no microorganismo pode ou não resultar em infecção ou doença.

INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DE CAMPO (classicamente conhecida por Investigação Epidemiológica): estudos efetuados a partir de casos clínicos ou de portadores para a identificação das fontes de infecção e dos modos de transmissão do agente. Pode ser realizada em face de casos esporádicos ou surtos.

ISOLAMENTO: segregação de um caso clínico do convívio das outras pessoas durante o período de transmissibilidade, a fim de evitar que os suscetíveis sejam infectados. Em certos casos, o isolamento pode ser domiciliar ou hospitalar, em geral, é preferível esse último, por ser mais eficiente.

ISOMERIA: fenômeno presente nos compostos químicos de idêntica fórmula molecular, mas de estrutura molecular diferente. As substâncias que compartilham essas características chamam-se isômeros. Nos derivados do núcleo benzênico, a isomeria geométrica e a isomeria ótica dependem da distribuição espacial das quatro ligações do átomo de carbono.

JANELA IMUNOLÓGICA: intervalo entre o início da infecção e a possibilidade de detecção de anticorpos, através de técnicas laboratoriais.

LATÊNCIA: período, na evolução clínica de uma doença parasitária, no qual os sintomas desaparecem apesar de estar o hospedeiro ainda infectado e de já ter sofrido o ataque primário, ou uma ou várias recaídas. Terminologia utilizada com freqüência em relação à malária.

LARVITRAMPAS: recipiente com água onde se observam as larvas dos mosquitos após a eclosão.

LINHAGEM: população de parasitas submetida a determinadas passagens no laboratório, em geral de uma seleção especial (seja natural ou experimental), de acordo com uma característica específica (por exemplo, farmacorresistência). Ver também cepa.

MIGRAÇÃO: movimento de população de um local para outro, quer seja por um tempo determinado quer para uma fixação permanente, que pode ser:

Imigração : entrada em um novo local, ou em um novo país, para aí se fixar.

Emigração: saída para outro local ou outro país.

MORBIDADE: é como se apresenta o comportamento de uma doença ou de um agravo à saúde em uma população exposta. Sendo calculada pelos coeficientes de incidência e prevalência.

MIRACÍDIO: forma do Schistosoma mansoni, infectante para o caramujo.

MONITORAMENTO ENTOMOLÓGICO: acompanhar, analisar e avaliar as condições entomológicas de determinada área.

MONITORIZAÇÃO: abrange três campos de atividade: a) Elaboração e análise de mensurações rotineiras, visando detectar mudanças no ambiente ou no estado de saúde da comunidade. Não deve ser confundida com vigilância. Para alguns estudiosos, monitorização implica em intervenção à luz das mensurações observadas. b) Contínua mensuração do desempenho do serviço de saúde ou de profissionais de saúde, ou do grau com que os pacientes concordam com ou aderem às suas recomendações. c) Na ótica da administração, a contínua supervisão da implementação de uma atividade com o objetivo de assegurar que a liberação dos recursos, os esquemas de trabalho, os objetivos a serem atingidos e as outras ações necessárias estejam sendo processadas de acordo com o planejado.

NICHO OU FOCO NATURAL: quando o agente patogênico, o vetor específico e o animal hospedeiro existirem sob condições naturais durante muitas gerações, num tempo indefinido, independente da existência do homem.

NOTIFICAÇÃO: consiste na informação periódica do registro de doenças de notificação compulsória, obtidas por meio de todas fontes notificadoras.

NOTIFICAÇÃO NEGATIVA: denominação da notificação realizada periodicamente, mesmo na ausência de casos. O serviço de saúde informa por intermédio de um boletim, telegrama ou até por telefone, que não ocorreram casos de uma determinada doença. Esse sistema é útil: (1) sendo a doença objeto de erradicação, de eliminação ou controle; (2) quando a incidência da doença é baixa, e pode haver um período mais ou menos longo sem que ocorram casos; dessa forma, os serviços de saúde obrigando-se a informar que não houve casos, estão sempre vigilantes.

NÚCLEO DE WELLS: secreções oronasais de menos de 100 micra de diâmetro, que transmitem agentes infecciosos, de maneira indireta por meio do ar, onde flutuam durante intervalo de tempo mais ou menos longo.

OPORTUNISTA: organismo que, vivendo normalmente como comensal ou de vida livre, passa a atuar como parasita, geralmente em decorrência da redução da resistência natural do hospedeiro.

ORGANOFOSFORADO: grupo de produtos químicos utilizados como inseticida.

OVIPOSIÇÃO: ato do inseto fêmea por ovos.

OVITRAMPAS: recipiente onde fêmeas de mosquitos fazem oviposição sobre a superfície do mesmo, onde pode-se observar os ovos.

PANDEMIA: epidemia de uma doença que afeta pessoas em muitos países e continentes.

PARASITA: organismo, geralmente microorganismo, cuja existência se dá à expensa de um hospedeiro. O parasita não é obrigatoriamente nocivo ao seu hospedeiro. Existem parasitas obrigatórios e facultativos; os primeiros sobrevivem somente na forma parasitária e os últimos podem ter uma existência independente.

PARASITAS HETEROXENOS: parasitas que necessitam de dois tipos diferentes de hospedeiros para a sua completa evolução: o hospedeiro definitivo e o intermediário.

PARASITAS MONOXENOS: parasitas que necessitam de um só hospedeiro para a sua evolução completa.

PASTEURIZAÇÃO: desinfecção do leite feita pelo aquecimento a 63-65°C, durante 30 minutos (ou a 73-75°C, durante 15 minutos), baixando a temperatura imediatamente para 20 a 50°C.

PATOGENICIDADE: capacidade de um agente biológico causar doença em um hospedeiro suscetível.

PATÓGENO: agente biológico capaz de causar doenças.

PERÍODO DE INCUBAÇÃO: intervalo entre a exposição efetiva do hospedeiro suscetível a um agente biológico e o início dos sinais e sintomas clínicos da doença nesse hospedeiro.

PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE: intervalo de tempo durante o qual uma pessoa ou animal infectado elimina um agente biológico para o meio ambiente ou para o organismo de um vetor hematófago, possível, portanto, a sua transmissão a outro hospedeiro.

PERÍODO PRODRÔMICO: é o lapso de tempo entre os primeiros sintomas da doença e o início dos sinais ou sintomas com base nos quais o diagnóstico pode ser estabelecido.

PESCA LARVA: coador confeccionado em tecido filó usado para retirar larva dos depósitos.

PODER IMUNOGÊNICO (Imunogenicidade): capacidade do agente biológico estimular a resposta imune no hospedeiro conforme as características desse agente, a imunidade obtida pode ser de curta ou longa duração e de grau elevado ou baixo.

PORTADOR: pessoa ou animal que não apresenta sintomas clinicamente reconhecíveis de uma determinada doença transmissível ao ser examinado, mas que está albergando o agente etiológico respectivo.

PORTADOR ATIVO: portador que teve sintomas, mas que em determinado momento, não os apresenta.

PORTADOR ATIVO CONVALESCENTE: portador durante e após a convalescença. É comum esse tipo de portador na febre tifóide e na difteria.

PORTADOR ATIVO CRÔNICO: pessoa ou animal que continua a albergar o agente etiológico muito tempo depois de ter tido a doença. O momento em que o portador ativo convalescente passa a crônico é estabelecido arbitrariamente para cada doença. No caso da febre tifóide, por exemplo, o portador é considerado como ativo crônico quando alberga a Salmonella thyphi por mais de um ano após ter estado doente.

PORTADOR ATIVO INCUBADO OU PRECOCE: portador durante o período de incubação clínica de uma doença.

PORTADOR EFICIENTE: portador que elimina o agente etiológico para o meio exterior ou para o organismo de um vetor hematófago, ou que possibilita a infecção de novos hospedeiros. Essa eliminação pode ser feita de maneira contínua ou de modo intermitente.

PORTADOR INEFICIENTE: portador que não elimina o agente etiológico para o meio exterior, não representando, portanto, um perigo para a comunidade no sentido de disseminar esse microorganismo.

PORTADOR PASSIVO (portador aparentemente são): portador que nunca apresentou sintomas de determinada doença transmissível, não os está apresentando e não os apresentará no futuro; somente pode ser descoberto por meio de exames adequados de laboratório.

PORTADOR PASSIVO CRÔNICO: portador passivo que alberga um agente etiológico por um longo período de tempo.

PORTADOR PASSIVO TEMPORÁRIO: portador passivo que alberga um agente etiológico durante pouco tempo; a distinção entre o portador passivo crônico e o temporário é estabelecida arbitrariamente para cada agente etiológico.

POSTULADOS DE EVANS: a expansão do conhecimento biomédico levou à revisão dos Postulados de Koch. Alfred Evans elaborou, em 1976, os seguintes postulados com base naqueles postulados por Koch: a prevalência da doença deve ser significativamente mais alta entre os expostos à causa suspeita do que entre os controles não expostos.

A exposição à causa suspeita deve ser mais freqüente entre os atingidos pela doença do que o grupo de controle que não a apresenta, mantendo constante os demais fatores de risco.

A incidência da doença deve ser significantemente mais elevada entre os expostos à causa suspeita do que entre aqueles não

xpostos. Tal fato deve ser demonstrado em estudos prospectivos.
a exposição ao agente causal suspeito deve ser seguida de doença, enquanto que a distribuição do período de incubação deve apresentar uma curva normal.

Um espectro da resposta do hospedeiro deve seguir a exposição ao provável agente, num gradiente biológico que vai do benigno ao grave.

Uma resposta mensurável do hospedeiro, até então inexistente, tem alta probabilidade de aparecer após a exposição ao provável agente, ou aumentar em magnitude se presente anteriormente. Esse padrão de resposta deve ocorrer infreqüentemente em pessoas pouco expostas.

A reprodução experimental da doença deve ocorrer mais freqüentemente em animais ou no homem adequadamente exposta à provável causa do que naqueles não expostos. Essa exposição pode ser deliberada em voluntários; experimentalmente induzida em laboratório; ou pode representar um parâmetro da exposição natural.

A eliminação ou modificação da causa provável deve diminuir a incidência da doença.

A prevenção ou modificação da resposta do hospedeiro face a exposição à causa provável deve diminuir a incidência ou eliminar a doença.
Todas as associações ou achados devem apresentar consistência com os conhecimentos no campo da biologia e da epidemiologia.

POSTULADOS DE KOCH: originalmente formulado por Henle e adaptado por Robert Koch em 1877. Koch afirmava que quatro postulados deveriam ser previamente observados para que se pudesse aceitar uma relação casual entre um particular microorganismo ou parasita e uma doença, a saber:

O agente biológico deve ser demonstrado em todos os casos da doença, por meio de seu isolamento em cultura pura;

O agente biológico não deve ser encontrado em outras doenças;

Uma vez isolado, o agente deve ser capaz de reproduzir a doença em animais de experimento;

O agente biológico deve ser recuperado da doença experimentalmente produzida.

PREVALÊNCIA: número de casos clínicos ou de portadores existentes em um determinado momento, em uma comunidade, dando uma idéia estática da ocorrência do fenômeno. Pode ser expressa em números absolutos ou em coeficientes.

PREVENÇÃO: termo que, em saúde pública, significa a ação antecipada, tendo por objetivo interceptar ou anular a ação de uma doença. As ações preventivas têm por fim eliminar elos da cadeia patogênica, ou no ambiente físico ou social, ou no meio interno dos seres vivos afetados ou suscetíveis.

PRÓDROMOS: sintomas indicativos do início de uma doença.

PROFILAXIA: conjunto de medidas que têm por finalidade prevenir ou atenuar as doenças, suas complicações e conseqüências. Quando a profilaxia está baseada no emprego de medicamentos, trata-se da quimioprofilaxia.

PUÇA DE FILÓ: instrumento na forma de grande coador utilizado para a captura de mosquito adulto.

QUARENTENA: isolamento de indivíduos ou animais sadios pelo período máximo de incubação da doença, contado a partir da data do último contato com um caso clínico ou portador, ou da data em que esse comunicante sadio abandonou o local em que se encontrava a fonte de infecção. Na prática, a quarentena é aplicada no caso das doenças quarentenárias.

QUIMIOPROFILAXIA: administração de uma droga, incluindo antibióticos, para prevenir uma infecção ou a progressão de uma infecção com manifestações da doença.

QUIMIOTERAPIA: uso de uma droga com o objetivo de tratar uma doença clinicamente reconhecível ou de eliminar seu progresso.

RECAÍDA: reaparecimento ou recrudescimento dos sintomas de uma doença, antes do doente apresentar-se completamente curado.

RECIDIVA: reaparecimento do processo mórbido após sua cura aparente.

RECORRENTE: estado patológico que evolui através de recaídas sucessivas.

RECRUDESCÊNCIA: exacerbação das manifestações clínicas ou anatomopatológicas de um processo mórbido.

REPASTO: ato do inseto alimentar-se diretamente do animal.

RESERVATÓRIO DE AGENTES INFECCIOSOS (Fonte Primária de Infecção): qualquer ser humano, animal, artrópodo, planta, solo, matéria ou uma combinação deles, no qual normalmente vive e se multiplica um agente infeccioso, dela depende para sua sobrevivência, reproduzindo-se onde se reproduz de maneira que pode ser transmitido a um hospedeiro suscetível.

RESISTÊNCIA: conjunto de mecanismos específicos e inespecíficos do organismo que servem de defesa contra a invasão ou multiplicação de agentes infecciosos, ou contra os efeitos nocivos de seus produtos tóxicos. Os mecanismos específicos constituem a imunidade e os inespecíficos, a resistência inerente ou natural.

RESISTÊNCIA INERENTE (Resistência Natural): é a capacidade de resistir a uma enfermidade, independente de anticorpos ou da resposta específica dos tecidos. Geralmente depende das características anatômicas ou fisiológicas do hospedeiro, podendo ser genética ou adquirida, permanente ou temporária.

RETROALIMENTAÇÃO: é a devolução de informação aos níveis de menor complexidade, desde a mais específica ao notificante até uma análise mais complexa da situação epidemiológica de determinada região. A retroalimentação poderá ocorrer como resultado de investigação ou análise de dados através de informes e análises epidemiológicas regionais e estaduais, ou ainda por meio de informes macrorregionais ou nacionais.

SANEAMENTO DOMICILIAR: conjunto de ações que visa à melhoria do abastecimento d’água, esgotamento sanitário, manejo e destino adequado dos resíduos sólidos no domicílio.

SENSIBILIDADE: é a capacidade do procedimento de diagnose de efetuar diagnósticos corretos de doença quando a mesma está presente, verdadeiros positivos ou enfermos.

SENSIBILIDADE DE UM SISTEMA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: é a capacidade que um sistema de vigilância tem de detectar os casos verdadeiros do evento sob vigilância. Um sistema com 100% de sensibilidade detectará todos os agravos/doenças que ocorrem na população. Um sistema que não tenha uma sensibilidade alta ainda pode ser útil para a determinação de tendências.

SEPTICEMIA: presença de microorganismo patogênico ou de suas toxinas no sangue ou em outros tecidos.

SINAL: evidência objetiva de doença.

SINERGISMO: ação combinada de dois ou mais medicamentos que produzem um efeito biológico, cujo resultado pode ser simplesmente a soma dos efeitos de cada composto ou um efeito total superior a essa soma. Quando um medicamento aumenta a ação de outro, diz-se que existe potencialização. Esse termo é muitas vezes utilizado de forma pouco precisa para descrever o fenômeno de sinergismo, quando dois compostos atuam sobre diferentes locais receptores do agente patogênico. O caso oposto representa-se pelo antagonismo, fenômeno pelo qual as ações conjuntas de dois ou mais compostos resultam em uma diminuição do efeito farmacológico.

SINTOMA: evidência subjetiva de doença.

SOROEPIDEMIOLOGIA: estudo epidemiológico ou atividade baseada na identificação, com base em testes sorológicos, de mudanças nos níveis de anticorpos específicos de uma população. Esse método permite, não só, a identificação de casos clínicos, mas, também, os estados de portador e as infecções latentes ou sub-clínicas.

SOROTIPO: caracterização de um microorganismo pela identificação de seus antígenos.

SURTO: epidemia de proporções reduzidas, atingindo uma pequena comunidade humana. Muitos restringem o termo para o caso de instituições fechadas, outros o usam como sinônimo de epidemia

SUSCETÍVEL: qualquer pessoa ou animal que supostamente não possui resistência suficiente contra um determinado agente patogênico, que a proteja da enfermidade caso venha a entrar em contato com o agente.

TAXA DE ATAQUE: coeficiente ou taxa de incidência referida a uma população específica ou a um grupo bem definido de pessoas, limitadas a uma área e tempo restritos. É muito útil para investigar surtos epidêmicos logo em sua eclosão e durante a sua vigência.

TAXA DE ATAQUE SECUNDÁRIO: é a razão entre o número de casos novos surgidos a partir do contato com o caso-índice e o número total de contatos com o caso-índice, expressando-se o resultado em percentual.

TCAS = n° de casos novos surgidos a partir de contato com o caso-índice X 100° total de pessoas que tiveram contato com o caso-índice

TAXA (OU COEFICIENTE) DE LETALIDADE: é a medida de freqüência de óbitos por determinada causa entre membros de uma população atingida pela doença.

TAXA DE MORBIDADE: medida de freqüência de doença em uma população. Existem dois grupos importantes de taxa de morbidade: as de incidência e as de prevalência.

TAXA (OU COEFICIENTE) DE MORTALIDADE: é a medida de freqüência de óbitos em uma determinada população durante um intervalo de tempo específico. Ao se incluir os óbitos por todas as causas tem-se a taxa de mortalidade geral. Caso se inclua somente óbitos por determinada causa, tem-se a taxa de mortalidade específica.

TAXA (OU COEFICIENTE) DE NATALIDADE: é a medida de freqüência de nascimentos em uma determinada população, durante um período de tempo especificado.

TEMPO DE SUPRESSÃO: tempo que transcorre entre a primeira porção tomada de um medicamento até o desaparecimento da parasitemia observável.

TENDÊNCIA SECULAR: comportamento da incidência de uma doença, em um longo intervalo de tempo, geralmente anos ou décadas.

TOXINA: proteínas ou substâncias protéicas conjugadas, letais para certos organismos. As toxinas são produzidas por algumas plantas superiores, por determinados animais e por bactérias patogênicas. O alto peso molecular e a antigenicidade das toxinas as diferenciam de alguns venenos químicos e alcalóides de origem vegetal.

TRANSMISSÃO: transferência de um agente etiológico animado de uma fonte primária de infecção para um novo hospedeiro. A transmissão pode ocorrer de forma direta ou indireta.

TRANSMISSÃO DIRETA (contágio): transferência do agente etiológico, sem a interferência de veículos.

TRANSMISSÃO DIRETA IMEDIATA: transmissão direta em que há um contato físico entre a fonte primária de infecção e o novo hospedeiro.

TRANSMISSÃO DIRETA MEDIATA: transmissão direta em que não há contato físico entre a fonte primária de infecção e o novo hospedeiro; a transmissão se faz por meio das secreções oronasais (gotículas de Flügge).

TRANSMISSÃO INDIRETA: transferência do agente etiológico por meio de veículos animados ou inanimados. A fim de que a transmissão indireta possa ocorrer, torna-se essencial que: a) os germes sejam capazes de sobreviver fora do organismo, durante um certo tempo; b) haja veículo que os leve de um lugar a outro.

TRATAMENTO ANTI-RECIDIVANTE: tratamento destinado a prevenir as recidivas, particularmente as que incidem a longo prazo. Sinônimo de tratamento radical.

TRATAMENTO PROFILÁTICO: tratamento de um caso clínico ou de um portador, com a finalidade de reduzir o período de transmissibilidade.

TUBITO: pequeno tubo usado para acondicionamento de larvas na remessa ao laboratório.

VACINA: preparação contendo microorganismos vivos ou mortos ou suas frações, possuidora de propriedades antigênicas. As empregadas para induzir em um indivíduo a imunidade ativa e específica contra um microorganismo.

VEÍCULO: ser animado ou inanimado que transporta um agente etiológico. Não são consideradas como veículos as secreções e excreções da fonte primária de infecção, que são, na realidade, um substrato no qual os microorganismos são eliminados.

VEÍCULO ANIMADO (Vetor): um artrópode que transfere um agente infeccioso da fonte de infecção para um hospedeiro suscetível.

VEÍCULO INANIMADO: ser inanimado que transporta um agente etiológico. Os veículos inanimados são: água, ar, alimentos, solo e fômites.

VETOR BIOLÓGICO: vetor no qual se passa, obrigatoriamente, uma fase do desenvolvimento de determinado agente etiológico. Erradicando-se o vetor biológico, desaparece a doença que transmite.

VETOR MECÂNICO: vetor acidental que constitui somente uma das modalidades da transmissão de um agente etiológico. Sua erradicação retira apenas um dos componentes da transmissão da doença.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA (I): é, conforme o Art. 2° da Lei n° 6 259, de 30 de outubro de 1975, “o conjunto de informações, investigações e levantamentos necessários a programação e a avaliação de medidas de controle de doenças e situações de agravos à saúde”.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA (II): é o conjunto de atividades que proporcionam a informação indispensável para conhecer, detectar ou prever qualquer mudança que possa ocorrer nos fatores condicionantes do processo saúde-doença, com o a finalidade de recomendar, oportunamente, as medidas indicadas que levem à prevenção e ao controle das doenças.

VIGILÂNCIA DE PESSOA: é a observação médica rigorosa ou outro tipo de supervisão de contatos de pacientes com doença infecciosa, para permitir a identificação rápida da infecção ou doença, porém sem restringir sua liberdade de movimentos.

VIRULÊNCIA: grau de patogenicidade de um agente infeccioso.

ZOOANTROPONOSE: infecção transmitida aos animais, a partir de reservatório humano.

ZOONOSES: infecção ou doença infecciosa transmissível, sob condições naturais, de homens a animais e vice-versa.

Fonte: dtr2001.saude.gov.br

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Vírus

PROPRIEDADESGERAIS DOS VIRUS

O QUE SÃO VÍRUS?

Os vírus são microrganismos de grande simplicidade:

pequenos, de 20 a 300 nm de diâmetro
em geral, com apenas um tipo de ácido nucléico (RNA ou DNA)
desprovidos de estrutura celular
não crescem, não metabolizam
não sofrem divisão
inertes fora de células vivas
são parasitas intracelulares obrigatórios.

CONCEITO

Os vírus podem ser definidos como organismos acelulares, cujos genomas são replicados, obrigatoriamente, no interior de uma célula hospedeira.

Com base no seu código genético, transcrito pela polimerase viral e com o uso de parte do maquinário metabólico celular, os vírus sintetizam os seus componentes (proteínas e ác. nucléico). Estes se agrupam no citoplasma ou núcleo, formando novas partículas ou vírions.

Os novos vírions são liberados da célula hospedeira e vão infectar novas células, perpetuando a espécie.

ORIGEM

Seriam componentes celulares que adquiriram um invólucro protéico e tornaram-se autônomos (involução)

Seriam formas primitivas de vida ou moléculas primitivas auto-replicativas

Os vírus não possuem origem única, provavelmente evoluíram com seus hospedeiros.

O vírus é um ser vivo?

Organismo acelular

“ Um organismo é uma unidade elementar de uma linhagem com uma história evolutiva individual.” (Luria, 1978)

“acelular = sem estrutura de célula (protoplasma circundado por membrana).”

Ser vivo

1- Apresenta capacidade de: nutrição, respiração, excreção, irritabilidade, movimento,crescimento e reprodução.

2-Apresenta capacidade de: estocar e replicar informações genéticas e tem potencial de atividade enzimática. (Luria)

3- Vida pode ser um fenômeno associado com a replicação de sistemas de informação auto-codificados.

COMPOSIÇÃO QUÍMICA

Ácidos nucléicos -genoma

DNA

fita dupla (ds)
fita simples (ss)
linear
circular

RNA

fita dupla (ds)
fita simples (ss)
linear
circular
fita única
segmentado

virus49 Vírus

Evolução dos ácidos nucléicos

COMPOSIÇÃO QUÍMICA

Proteínas

Codificadas pelo genoma viral

Estruturais

proteção do genoma
reconhecimento da célula
atividade biológica

virus50 Vírus

Não estruturais-atividade enzimática:

replicação do ác. nucléico
proteólise
modificações -regulação gênica

Lipídeos

provenientes das membranas celulares
compõem o envoltório ou envelope

Glicídeos

presentes nas proteínas de envoltório
glicosilação é feita na célula hospedeira

virus51 Vírus

Virion:ácido nucléico protegido pelo capsídeo viral.

Proteínas

protômeros
capsômeros
capsídeo

Nucleocapsídeo

ácido nucléico associado ao capsídeo protéico

Envoltório: membrana lipo-protéica

lipídeos -da célula
proteínas -virais

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Vírus

A simetria helicoidal

virus53 Vírus

virus54 Vírus

virus55 Vírus

Vírus com simetria helicoidal

virus56 Vírus
Vírus do mosaico do tabaco

virus57 Vírus
Vírus Ebola

virus58 Vírus
Vírus influenza

virus59 Vírus
hantavírus

Vírus

A simetria icosaédrica

virus60 Vírus
Modelo de Vírus icosaédrico

Vírus com simetria icosaédrica

virus61 Vírus
poliovírus

virus62 Vírus
rotavírus

virus63 Vírus
adenovírus

virus64 Vírus
papilomavírus

virus65 Vírus
vírus HIV

Vírus

virus66 Vírus
vírus herpes

Vírus de simetria complexa

virus67 Vírus
Poxvirus

virus68 Vírus
Bacteriófago T4

Fonte: www.icb.usp.br

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Vírus

Propriedades Gerais dos Vírus

Definição

Os vírus não são células, não possuem organelas, sendo completamente dependentes da maquinaria enzimática das células vivas para gerar sua própria energia ou mesmo para síntese de suas moléculas estruturais.

Assim, são agentes infecciosos, que precisam ser colocados dentro de uma célula susceptível para que novas partículas infecciosas sejam produzidas.

São partículas muito pequenas, sendo filtráveis, isto é, capazes de passar por membranas de poros esterilizantes.

Por serem bem menores que a menor das células vivas, só podem ser visualizados ao microscópio eletrônico.

Estrutura

Como não apresentam organização celular, não possuem metabolismo próprio e não podem reproduzir-se por si mesmos, replicando-se exclusivamente através do substrato molecular e mecanismos bioquímicos das células que conseguem infectar.

São constituídos de uma espécie de ácido nucléico e de proteínas que formam um arranjo que contém e protege este ácido nucléico, além de transferí-lo de um hospedeiro a outro por reconhecimento biológico.

Apresentam apenas um tipo de ácido nucléico, que pode ser DNA ou RNA, porém nunca ambos. O ácido nucléico viral desempenha a função de genoma.

Há uma cápsula protéica que protege este ácido nucléico, denominada capsídeo. Este conjunto é, então, denominado nucleocapsídeo.

As proteínas que formam o capsídeo são chamadas subunidades estruturais e se agrupam em arranjos morfologicamente distintos denominados capsômeros, mantidos juntos por ligações não covalentes.

A natureza das ligações entre os capsômeros é o que determina a simetria do capsídeo, que pode ser cúbica ou icosaédrica e helicoidal.

O nucleocapsídeo de alguns vírus é envolto por uma membrana lipoprotéica, originada da célula hospedeira na qual o vírus foi sintetizado, denominada de envelope.

As proteínas deste envelope são codificadas pelo genoma viral, sendo observados dois diferentes tipos: as glicoproteínas denominadas de espículas ou peplômeros, que podem ser visualizadas ao microscópio eletrônico como projeções na superfície do vírus e a matriz proteica, não glicosilada e localizada internamente ao envelope de vários vírus e que propicia maior rigidez à estrutura dos vírus.

O cerne da partícula viral é formado por proteínas do capsídeo que envolvem uma camada de proteínas que estão complexadas ao genoma viral.

Composição Química

Ácido Nucléico Viral

O genoma viral é haplóide, isto é, contém apenas uma cópia de cada gene, à exceção dos retrovírus.

É formado por DNA ou RNA, nunca ambos, podendo ser de fita dupla ou simples, linear ou circular, de polaridade positiva ou negativa.

Partículas virais, às vezes, podem ser formadas com um conteúdo atípico de ácido nucléico, dando origem a vírus defectivos, que não têm condições de estabelecer uma infecção.

Isto pode ocorrer quando a partícula viral for formada sem o ácido nucléico (partículas vazias), quando tiver o genoma incompleto ou quando algumas cópias forem empacotadas em uma única partícula.

Proteínas Virais

As proteínas codificadas pelos vírus podem ser estruturais, gerando a matriz protéica formadora da partícula viral infecciosa; ou funcionais, que são as espículas e estão relacionadas com vários aspectos da replicação viral.

Estabilidade

São mais sensíveis à inativação física e química do que os fungos e bactérias. No entanto, em condições de pH, força iônica e temperatura fisiológicos, os vírus são estáveis.

A variação de qualquer um destes parâmetros pode levar à rápida inativação dos vírus.

Os vírus são estáveis em pH neutro, à exceção dos enterovírus, vírus da hepatite B e outros, que também são estáveis em baixo pH.

Já a ausência de força iônica desestabiliza o capsídeo, geralmente estabilizado por pontes iônicas entre suas subunidades.

Além disso, cátions são necessários à estabilidade configuracional do ácido nucléico, particularmente íons sódio e magnésio.

Os vírus são sensíveis a agentes físicos como: temperatura e radiações ionizantes (raios X, raios gama, elétrons de alta energia e partículas alfa).

Os agentes químicos que atacam os vírus podem ser divididos em agentes orgânicosL: etanol, éter, óxido de etileno, formaldeído, compostos quaternários de amônio; e agentes inorgânicos: cloro, peróxido de hidrogênio, iodo, mercúrio, ozônio.

Temperaturas inferiores a 4ºC reduzem sensivelmente a taxa de inativação viral, chegando mesmo a detê-la quando a temperatura desce além de -20 ºC. O descongelamento, entretanto, pode romper a estrutura viral, resultando em inativação.

Assim, o calor é o agente mais eficiente para a inativação dos vírus, particularmente o calor úmido, que destrói os vírus em cerca de 30 minutos, quando a temperatura é de 56-60 ºC.

Estudo dos Vírus

Como já discutido, os vírus só podem replicar-se em células ou organismos vivos., já que não têm poder de auto-reprodução e metabolismo próprio.

Desta forma, meios de cultura semelhantes aos das bactérias são ineficazes no isolamento ou estudo viral.

Deve-se, para tal fim, utilizar sistemas hospedeiros, como animais de laboratório, ovos embrionados ou culturas de células. Nestes, os vírus podem provocar alterações conhecidas como efeito citopático.

Técnicas Gerais

Centrifugação

Dependendo do sistema que serve de substrato biológico no laboratório, o material inicial será um lisado de células em cultura, homogenato de tecidos ou órgãos de um hospedeiro ou fluido alantóico.

Nestes, além dos vírus, há debris celulares, como membranas, ribossomos e mitocôndrias e componentes celulares dos mesmos (DNA, RNA, proteínas).

Ao centrifugar estas preparações em alta velocidade (ultracentrifugação), separam-se e purificam-se os vírus, concentrando-os.

Isto também pode ser conseguido através da utilização de um sistema de dupla fase baseado na propriedade de alguns polímeros de alto peso molecular.

A ultracentrifugação pode ser utilizada para separar partículas de tamanho ou velocidade de sedimentação muito próximos, mas que diferem quanto à sua densidade – é a chamada centrifugação em gradientes de densidade.

Há, ainda, a ultracentrifugação em gradiente de concentrações, que separa partículas que diferem quanto à sua velocidade de sedimentação.

Microscopia Eletrônica

É o único método disponível para estudar a morfologia dos vírus, já que o diâmetro médio dos vírus está muito abaixo do limite de resolução do microscópio óptico. Além da forma viral, podem ser observados os componentes estruturais dos vírus.

A técnica de coloração utilizada em virologia é a “coloração negativa”. Nesta, trata-se a preparação com uma solução contendo materiais pesados (acetato de uranila, fosfotungstato de sódio, silicotungstato de sódio), o que permite uma acentuação apreciável do contraste entre os componentes morfológicos dos vírus.

Tal efeito é obtido, pois os interstícios dos componentes estruturais do vírus onde o material é depositado são opacos, o que produz contrastes diferenciados, permitindo a visualização de unidades estruturais, capsômeros, estruturas de cauda, fibras de adsorção, espículas do envoltório, entre outras.

Resumo

Os vírus são agentes infecciosos que apresentam diversas características especiais. Não podem ser classificados como seres vivos, já que dependem de outras células vivas para sua multiplicação e metabolismo.

Sua estrutura é composta basicamente por ácido nucléico, que pode ser DNA ou RNA, envolto por uma camada de proteína, sendo este conjunto denominado de capsídeo.

O capsídeo é composto por capsômeros, que são subunidades protéicas, capazes de se agregar determinando diferentes tipos de simetria.

Além disso, os vírus podem ser envelopados ou não, podendo apresentar diferentes proteínas de envelope: espículas ou matriz proteíca.

De modo geral, os vírus são sensíveis à inativação física e química, podendo ser desestabilizados em pH, força iônica e temperaturas não-fisiológicos, bem como pela ação de agentes químicos, solventes lipídicos e agentes inorgânicos.

Por serem partículas extremamente pequenas e hospedeiro-dependentes, os vírus demandam condições especiais para seu estudo em laboratório.

Assim, são cultivados em ovos embrionados, culturas de células e animais de laboratório, purificados por ultracentrifugação e visualizados através de microscopia eletrônica

Fonte: www.phar-mecum.com.br

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Vírus

A palavra vírus vem do latim e significa “veneno” ou “fluido venenoso”.

Os vírus são entidades extremamente pequenas, visíveis apenas ao microscópio eletrônico e constituídos basicamente por uma cápsula de natureza protéica em cujo interior existe apenas um tipo de ácido nucléico: DNA ou RNA.

Os vírus são seres destituídos de metabolismo próprio e que permanecem absolutamente inertes quando fora de células vivas, podendo até mesmo formar cristais. No entanto, quando em contato com uma célula hospedeira, passam a manifestar “vida”, infectando a célula e multiplicando-se em seu interior.

Cada vírus tem um tipo celular preferido, uma espécie de “prato favorito”. Quando encontram o hospedeiro certo, entram em seu corpo sem pedir licença e tomam conta da casa: espalham-se com rapidez, formando centenas de novos vírus.

Como tratar o vírus

virus69 Vírus

Os médicos podem fazer muito pouco para tratar as viroses humanas diretamente. Em geral, tratam-se os efeitos da doença e suas complicações, em muitos casos, previne-se a enfermidade. Contudo somente um número reduzido de medicamentos tem efeito direto sobre o vírus. O organismo combate o vírus de duas formas: produzindo anticorpos que provocam a aglutinação das partículas de vírus, facilitando, dessa maneira, sua destruição posterior, e fabricando uma substância denominada interferon, que ajuda a combatê-los da maneira especifica.

Os virologistas estudam a forma como os vírus ocasionam as doenças e que meios podem ser usados para preveni-las ou curá-las. Os cientistas também utilizam os vírus no controle de pestes ocasionadas por insetos, em pesquisas de biologia celular e molecular e também desenvolvimento de novas vacinas.

Ebola

Principais sintomas

Em dez dias, o supervírus elimina suas vítimas, num quadro de decomposição física. Começa com uma dor de cabeça. Os olhos ficam vermelhos e rijos. Surge a febre. Perde-se a lucidez. Aparecem coceiras na pele, que amarelece e ganha feridas, sob as quais a pele rasga. O estômago regurgita vômito negro e sangue. Mais sangue brota por todos os poros e orifícios do corpo. Outros sintomas terríveis sobrevêm, até que o cérebro se liquefaz e vem a morte. Esses são em resumo, os efeitos que sofrem uma pessoa contaminada pelo vírus ebola, ainda sem cura ou vacina, recente descoberta dos cientistas.

Como o vírus ataca o corpo

1- O Ebola propaga-se pelo contato direto com a saliva, sangue ou com fluidos do corpo de pessoas infectadas

2- O vírus fica encubado por dois a 21 dias. Os primeiros sintomas são febre alta, dor de cabeça, dores musculares e garganta inflamada.

3- O vírus infecta o fígado, os rins e os vasos sangüíneos.

4- O vírus destrói a camada interna de células dos vasos sangüíneos, que ficam porosos. Os órgãos se desintegram. A doença provoca vômitos, diarréia e hemorragias internas e externas.

A reprodução dos vírus

Como todos já sabem, o vírus precisa de outros organismos para se multiplicar. Os vírus também não são considerados como organismos primitivos como se pensava antigamente, são sim, organismos muito especializados que talvez tenham evoluído de um ancestral que perdeu a sua capacidade de vida independente, tornando-se parasitas ao extremo. Para se multiplicarem os vírus utilizam o processo reprodutivo da célula hospedeira, redirecionando o metabolismo destas pela substituição do ácido nucléico celular.

Os vírus podem infectar desde bactérias até seres humanos. Quando infectam bactérias, recebem o nome de bacteriófagos ou fagos. Nas bactérias os vírus muitas vezes se tornam tão intimamente relacionados com o DNA do hospedeiro (bactéria) que agem como parte de tal. Durante a replicação de um bacteriófago (Ciclo Lítico) estes se aproximam do hospedeiro e um deles vai se fixar a membrana da bactéria (adsorção). Em seguida ocorre a penetração do ácido nucléico do fago no interior da bactéria hospedeira. Assim o material genético virótico será incorporado ao DNA do hospedeiro.

Durante a replicação, serão formadas novas moléculas de DNA do fago. Quando a transcrição e posterior tradução, as proteínas específicas relacionadas a capa protéica do fago, também serão sintetizadas. Logo em seguida ocorre a degradação do DNA da bactéria hospedeira. Assim, por meio de um processo de automontagem de cada componente, serão formados novos fagos.

A fase em que ocorre a replicação e a posterior automontagem é denominada de eclipse. Formados os novos fagos, ocorre a liberação destes pelo rompimento da membrana da bactéria, que se dá pela ação de enzimas específicas.

Pesadelo do Ebola volta a aterrorizar a África

O vírus letal que de tempos em tempos aterroriza a África está de volta.

Depois de assustar Uganda, quando deixou um rastro de 224 mortos em 2000, o Ebola, um dos vírus mais destruidores que a humanidade já conheceu, ataca agora no Gabão e no Congo. Turbinada por um coquetel no qual convivem miséria, desinformação e hábitos culturais exóticos para os ocidentais – como a ingestão de carne de macaco, um dos transmissores do vírus -, a atual epidemia já matou 25 pessoas ( 18 no Gabão e 7 no Congo).

Aura de terror associada ao Ebola vem de sua letalidade e facilidade de transmissão. Dos 1,1 mil casos conhecidos pela organização mundial de saúde (OMS) desde 1976, 793 resultaram em morte. Diante do olhar impotente de médicos, o vírus faz o paciente sangrar até a morte. Como não se conhece uma cura, tudo que os médicos podem fazer é tentar manter o paciente o mais confortável possível.

A origem do atual surto no Gabão pode estar associada á ,morte de dezenas de primatas, desde 28 de outubro, nos arredores de Mbomo. No Congo, são duas as origens: uma mulher gabonesa infectada que cruzou a fronteira e a ingestão de macacos infectados. Há duas semanas, um caso chocou as equipes médicas do Gabão. Uma enfermeira gabonesa contraiu o vírus ao lidar com um paciente infectado no hospital de Makokou. O mais incrível é que ela foi infectada mesmo vestindo roupas de proteção.

- Ela morreu em poucos dias. É muito trágico, por que estava dando assistência a um paciente. Foi um choque muito grande – contou, em entrevista a Zero Hora, o coordenador da organização Médicos Sem Fronteira no Gabão, Joset Prior Tio.

A batalha contra o Ebola é dificultada pela desinformação. Na sexta-feira, funcionários de saúde foram obrigados a sair do Gabão, devido a hostilidade com que foram recebidos em Mekambo. Os moradores alegaram interferência dos estrangeiros em seus ritos funerários, quando as equipes tentavam impedir que as pessoas levassem os cadáveres – ritual que acaba espalhando a doença.

As epidemias de Ebola na África se repetem. Não se sabe entretanto, como, onde ou por que o vírus fica incubado em intervalos de tempo. Para os virologistas Paulo Roeche do departamento de Microbiologia do instituto de Biociências da UFRGS, o mais provável é que o Ebola permaneça presente de forma endêmica , em alguma população de macacos.

Eventualmente, quando seres humanos entram em contato com a população infectada, surgem estes surtos – afirma.

Fonte: amora.cap.ufrgs.br

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Vírus

INTRODUÇÃO

Os vírus foram descobertos, como agentes que provocam doenças, pelo botânico russo Dimitri Ivanowski (1892), ao estudar a doença do mosaico do tabaco. Este verificou que a seiva extraída das folhas doentes transmitia a infecção, mas atribuiu o resultado a uma substância tóxica, segregada pela planta doente.

Em 1898, Lofter e Frosh demonstraram que o agente responsável pela doença é o vírus do mosaico do tabaco (VMT) e não uma substância tóxica.

Towort (1915) e D’Herelle (1917) verificaram que determinadas bactérias eram atacadas por agentes contaminantes, que provocam a sua destruição.

Em 1935, W. Stanley conseguiu isolar e cristalizar o VMT, e demonstrou que os cristais mantinham o poder infeccioso indefinidamente e que, quando colocados em novas plantas de tabaco, se multiplicavam e originavam os sintomas de doença.

O microscópio electrónico e o desenvolvimento da ultracentrifugação possibilitou o esclarecimento de aspectos sobre a natureza e estrutura dos vírus e separá-lo dos componentes constituintes das células hospedeiras: concluiu-se que os vírus contêm ácidos nucléicos e realizam funções semelhantes às do material genético.

Estas conclusões foram confirmadas, em 1952, em bactérias infectadas com vírus (bacteriófagos), ao observar que só penetrava na célula bacteriana o DNA do vírus e não a proteína, replicando-se, repetidamente, dentro da bactéria infectada.

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Bacteriófago fixado na superfície bacteriana

Então, os vírus são elementos genéticos rodeados por uma cápsula protectora de proteínas, podendo possuir algumas enzimas, mas no entanto, necessitam do mecanismo biossintetizador das células vivas para se duplicar.

Os vírus são as partículas mais pequenas que se conhecem, que possuem características próprias da vida. Segundo alguns cientistas, são formas intermédias entre a matéria não-viva e a matéria viva. São capazes de autoduplicar-se dentro de células vivas, ou então cristalizar dentro das células que parasitam e, por isso, os vírus não são incluídos em qualquer classificação dos seres vivos pois a sua posição no mundo vivo continua indefinida. Foi calculado que o número mínimo de enzimas, ácidos nucleicos e outros constituintes necessários à auto-replicação de uma célula, corresponde à existência de 50 genes. Os vírus não têm esta informação genética e, por isso, são parasitas obrigatórios de células.

Esta ideia contorvérsia assenta no facto de se pensar um ser vivo como é entendido pela definição de “cima para baixo”, realmente os vírus não são capazes de se manter no exterior de células, mas se se utilizar uma definição em sentido contrário, isto é, de “baixo para cima”, em que partimos das formas mais simples capazes de realizar o atributo mais essencial da vida – rapidamente se vê que o único critério válido para se definir a vida é a capacidade de replicar e apenas sistemas que possuem ácidos nucléicos são capazes de realizar este fenómeno.

Pode surgir então uma nova definição de organismo, em que:

“Um organismo é o elemento unitário de uma linhagem continuada e com uma história evolutiva individual”.

Assim, segundo esta linha de pensamento, os vírus tornam-se respeitáveis seres vivos, porque:

definitivamente, eles replicam;

a sua evolução pode (dentro de alguns limites) ser traçada de forma segura,

são formas independentes, pelo facto de não estarem limitados a uma única espécie de hospedeiro, ou mesmo se necessário a uma única espécie, género ou filo de hospedeiros.

Os vírus, foram inicialmente descritos como “agentes filtrantes”, porque as suas dimensões são muito reduzidas, podendo passar através dos poros dos filtros destinados a reter bactérias. Os poros destes filtros bacterianos apresentam dimensões de 0,22 mm e 0,46 mm.

ORIGEM DOS VÍRUS

Provavelmente as múltiplas origens dos vírus perderam-se no mar das conjecturas e especulações, resultando essencialmente da sua natureza: ninguém conseguiu ainda detectar uma partícula de vírus fóssil; eles são demasiado pequenos e provavelmente demasiado frágeis para resistir aos vários processos que levam à fossilização, ou mesmo à preservação de pequenos fragmentos de sequência dos ácidos nucléicos em tecidos como folhas ou insectos em ambar. Como tal, o estudo de vírus está limitado aos que são isolados no presente, ou em material que tem no máximo algumas dezenas de anos. A nova ciência (ou arte!) da sistemática molecular dos vírus tem, no entanto, por fim a busca de uma luz nas distantes relações de importantes grupos virais , e em alguns casos pressumir a sua origem.

Por exemplo, os picornavírus dos mamíferos são estrutural e geneticamente muito semelhantes a um grande grupo de pequenos vírus de RNA de insectos e com pelo menos dois vírus de plantas. Como os vírus de insectos são mais diversificados do que os vírus de mamíferos, estes têm provavelmente a sua origem nalgum insecto que adaptou a sua alimentação a mamíferos nalgum ponto no tempo evolutivo.

Se desejarmos andar para trás, no tempo evolutivo, um caso pode descender de um único ancestral de pelo menos a associação da função replicase de todos os vírus com genoma de cadeia única positiva (+) ou de cadeia única negativa (-); deste modo os grandes vírus de DNA, como pox- e herpesvírus podem ser presumidos como tendo “degenerado” (se se acreditar que os vírus podem ter surgido pela degeneração de organismos celulares, o que não é uma hipótese muito viável…), dado que as suas sequências de enzimas partilham maiores semelhanças com sequências de certas células do que com as de outros vírus.

Retrovírus, pararetrovírus, retrotransposões e retroposões partilham todos, provavelmente, a origem comum da função da transcriptase reversa, a qual pode bem ser uma relíquia viva de uma enzima capaz de fazer a ligação entre a genética baseada em RNA e a baseada em DNA.

Para além das implicações dos estudos da correlação das sequências moleculares, é bastante fácil sugerir que pode haver uma origem comum dos vírus como organismos. Por exemplo, não existe nenhum caminho óbvio que permita relacionar vírus do tamanho e complexidade dos Poxvírus [dsDNA linear, 130-375 kb, 150-300 genes] com vírus como Tombamoviridae [ssRNA linear, 6-7 kb, 4 genes], ou ainda com os Geminiviridae [ssDNA circular, 2.7-5.4, 3-7 genes]. Assim, não pode existir uma “árvore genealógica de família” simples para os vírus; tanto mais que, a sua evolução descendente se assemelha a um número de ramos da árvore espalhados. Os vírus enquanto classe de organismos (entidades biológicas) devem ser considerados como tendo uma origem polifilética.

O que se torna assustador são as aparentemente novas doenças que surgem no nosso ambiente humano a intervalos “mutio regulares”: novos e ainda extremamente virulentos, tais como os vírus que causam febre hemorrágica – Ebola, Dengue, o do sindroma pulmonar – hantavírus, o HIV1 e HIV2.

Estes vírus “emergentes” ou “re-emergentes” são de grande preocupação internacional e por isso existem grandes esforços concentrados para a sua investigação.

ESTRUTURA

Os vírus têm dois componentes principais aos quais a analogia de um carro e condutor se aplica-se muito bem. Os vírus têm um componente de ácido nucléico, que é o componente que realmente infecta a célula hospedeira, e um componente estrutural, que é o veículo de transporte para o ácido nucléico.

O componente estrutural (o carro na nossa analogia) é formado por moléculas proteícas, conhecidas como proteínas estruturais. Elas formam uma “concha” à volta do vírus. Esta concha pode apresentar várias formas, sendo as duas mais habituais a icosaédrica (uma esfera de 20 lados – imagine-se uma bola de futebol parcialmente esvaziada) e a forma de bastonete helicoidal (semelhante a uma broca). Existem ainda vírus que possuem em simultâneo estes dois tipos de forma resultando em formas semelhantes às dos veículos lunares (é o caso de alguns bacteriófagos- ver figura 2).

Os componentes virias montam-se espontaneamente na célula hospedeira. O vírus depois de totalmente montado é designado por virião. Virião é a partícula viral completa e infectante.

Um virião pode ser nú ou com envelope. Um vírus com envelope é rodeado por uma bicamada lipídica enquanto que um vírus nú não tem esta bicamada.

COMPONENTES VIRAIS

As proteínas da superfície do capsídio e do envelope determinam a interacção dos vírus com o hospedeiro. Algumas partículas virais também possuem as enzimas requeridas para facilitar a replicação do vírus.

O tamanho do genoma está correlacionado com o tamanho do capsídio e do envelope. Vírus de grandes dimensões podem conter um genoma maior que codifica um maior número de proteínas.

Numa tentativa de clarificar a terminologia dos componentes virais, Caspar et al. em 1962, sistematizaram uma série de conceitos genericamente consensuais na época.

De forma rápida:

1. Capsídeo

Refere-se à concha de proteínas que envolve o ácido nucléico. É constituída por unidades estruturais.

2. Unidades estruturais

São as unidades funcionais mais pequenas , equivalendo aos tijolos do capsídeo.

3. Capsómeros

São as unidades morfológicas observadas na superfície das partículas virais e representando agrupamentos de unidades estruturais.

4. Nucleocapsídeo

É a designação atribuida ao conjunto da molécula de ácido nucléico mais o capsídeo que envolve o ácido nucléico.

5. Envelope

O capsídeo pode estar revestido exteriormente por uma camada lipídica que pode conter material da célula hospedeira e do vírus.

6 . Virião

É a partícula viral completa e com capacidade infectante.

Capsómeros individuais podem ser visíveis em fotografias do microscópio electrónico. Cada componente da cápsula viral deve possuir as características químicas que lhe permitam “encaixar” e formar as unidades proteicas maiores

O envelope possui uma estrutura membranar, semelhante à de uma membrana das células vivas e que é formada por lípidos, proteínas e glicoproteínas. A maioria dos envelopes dos vírus são redondos ou pleiomórficos (com forma poliédrica). Tal como uma membrana lipídica, o envelope viral pode ser destruído por detergentes ou solventes químicos (por exemplo éter ou clorofórmio), o que torna os vírus inactivos. Proteínas celulares raramente são encontradas nos envelopes virais. A superfície interna de alguns envelopes lipídicos, especialmente de vírus de RNA (-) é “forrada” por uma matriz proteica que reforça a estrutura viral, pois ajusta melhor os seus elementos constituintes, e para alguns vírus, como é o caso dos rabdovírus, determina a sua forma, que é de bala.

As glicoproteínas virais estendem-se desde a superfície, e para muitos vírus podem observar-se como “espigões” ou protuberâncias que saiem da superfície do vírus.

A maioria das glicoproteínas actuam como proteínas de reconhecimento viral (VAP) capazes de se ligar a estruturas nas células alvo.

ETAPAS DA INFECÇÃO VIRAL

Os vírus têm que ser capazes de reconhecer e entrar nas células-alvo apropriadas, replicar e então infectar outras células. A célula actua como uma fábrica, providenciando os substratos, energia e maquinaria para a replicação do genoma viral e para síntese das proteínas virais.

O vírus adapta-se e compete para a mesma maquinaria usada pela célula para sintetizar o RNA m e as proteínas requeridas para a sua própria estrutura e função. As enzimas para os processos não providenciados pela célula têm que ser codificadas pelo genoma do vírus. O resultado da competição entre os processos metabólicos da célula e os do vírus determinam o resultado da infecção.

Os passos mais importantes na replicação viral são comuns a todos os tipos de vírus e são apresentados na figura

virus71 Vírus

CLASSIFICAÇÃO DE VÍRUS

Até há pouco tempo nenhum sistema de classificação de seres vivos incluía qualquer vírus. Actualmente os vírus estão agrupados por características, tais como: morfologia, tipo de genoma, o modo de replicação e a presença / ausência de envelope lipídico.

Os ácidos nucléicos que compõem um vírus podem apresentar várias configurações diferentes, quer de DNA quer de RNA, mas nunca os dois em simultâneo.
Pode-se agrupar essas configurações de acordo com o sistema de classificação de Baltimore, que se baseia no tipo de genoma e estratégias de replicação.

Os vírus são os únicos organismos no nosso planeta que possuem ainda RNA como o único material genético. Eles são também os únicos organismos replicativos autónomos que têm uma cadeia única (single-strain – ss) de DNA. A gama de genomas virais encontrados em vírus pode conter / envolver uma única molécula de DNA de cadeia dupla (double-strain – ds), linear ou circular (ocasionalmente a forma circular permuta para a forma linear); uma, duas ou várias moléculas de ssDNA circular; uma molécula linear de ssDNA; uma ou várias moléculas de dsRNA; uma ou várias moléculas de ssRNA, das quais podem ser “positivas” (+) ou RNA mensageiro, ou totalmente “negativas” (-) ou RNA anti-mensageiro; ou ainda genoma “diploide” de ssRNA positivo que replica via transcriptase reversa originando uma molécula de dsDNA. Em contraste, os procariotas têm apenas uma única molécula de dsDNA, normalmente circular ou linear em Steptomyces e Helicobacter, enquanto que os eucariotas têm várias moléculas de dsDNA, e todos os genomas replicam pela clássica via semi-conservativa.

CONSEQUÊNCIAS DA INFECÇÃO VIRAL

Os vírus podem ter vários efeitos nas células:

Infecção lítica resulta na destruição da célula hospedeira pela ruptura da sua membrana. No entanto, há várias outras hipóteses de possíveis efeitos que se seguem à infecção viral de células animais.

No caso do vírus com envelope, a libertação do virião ocorre por um processo de ligação (que pode ser lento) e a célula hospedeira pode não ser lisada. A célula permanece viva e continua a produzir vírus durante um longo período de tempo. Estas infecções são referidas como infecções persistentes.

Os vírus também podem causar uma infecção latente no hospedeiro.Em que numa infecção posterior, existe um atraso entre a infecção pelo vírus e o aparecimento dos sintomas.

Por exemplo, os suores frios que são causados pelo vírus Herpes simplex resultam de uma infecção viral latente os sintomas reaparecem esporadicamente quando o vírus desperta da sua dormência.

virus72 Vírus

TERAPIA VIRAL

Os vírus ao serem parasitas intra-celulares obrigatórios são dificilmente combatidos por substâncias terapêuticas, o que se faz nestas situações é combater os sintomas da doença, ou então pode-se ter uma atitude preventiva por acção de vacinas.

O que protege os humanos contra a infecção viral?

Os humanos estão protegidos por duas formas:

Primeiro, se um vírus partícular infecta uma ou mais células de um determinado tecido do nosso corpo, a infecção origina a síntese e secrecção de substâncias chamadas interferões. Estes interferões são proteínas e podem ser designadas como interferões alfa, beta ou gama.

Estas proteínas interagem com as células adjacentes, ajudando-as a tornarem-se mais resistentes à infecção. Por vezes, esta resistência não é suficiente para evitar a dissiminação do vírus para maior número de células, e a pessoa começa a sentir-se doente (está a ser vítima de uma doença causada por um vírus!).

Apesar disso, o sistema imunitário do corpo entra em acção (a segunda forma de proteção) e começa a combater a infecção, matando os vírus que se encontram no exterior das células, e a destruir também as células infectadas. Este fenómeno previne que o vírus se multiplique e propague, uma vez que o vírus necessita de uma célula hospedeira para ser capaz de se propagar, como vimos anteriormente.
Eventualmente, o vírus é todo removido, e a doença deixa de existir e “incomodar”.

O caso do HIV é uma excepção a esta situação, porque o HIV infecta células do sistema imunitário, as quais vão ser necessárias para combater a infecção! Assim, o HIV não é directamente responsável pela condição de SIDA, mas a eventual morte do sistema imunitário faz com que a infecção com HIV permita que outras infecções (virais, bacterianas, …) atinjam o indivíduo.

Recentemente, foram descobertos alguns agentes de combate à infecção viral, isolados de fontes naturais mas modificados laboratorialmente. Esses agentes não são designados de antibióticos porque actuam apenas contra vírus, e não foram isolados de outros organismos vivos capazes de competir com vírus e de os matar.

Algumas das drogas utilizadas para inibir a replicação viral são por exemplo (e passe publicidade!)

Acyclovir utilizada em casos de Herpes

AZT e inibidores da protease do HIV utilizados para inibir a replicação do HIV.

As plantas estão protegidas de alguns vírus pelas substâncias que cobrem as suas folhas e caules, e pelo facto de serem um “sistema-fechado” delimitado pela parede celular. Vírus que infectam plantas têm a capacidade de “furar” esta barreira.

As bactérias protegem-se dos seus vírus específicos através da acção de enzimas no interior da célula bacteriana. No entanto, se um vírus de bactéria (designado por bacteriófago) ganhar a luta intra-celular e infectar uma célula, normalmente num intervalo de tempo muito curto todas as células bacterianas daquela cultura morrerão. Quando não existirem outras células bacterianas afins daquele vírus, esse vírus acabará por morrer também, porque deixa de encontrar o hospedeiro necessário para a sua multiplicação.

Fonte: www.prof2000.pt

Vírus

Propriedades Gerais dos Vírus

virus73 Vírus

INTRODUÇÃO

Conceito de vírus

Origina do latim: veneno ou fluído venenoso

Partículas extracelulares: não têm atividades metabólicas independentes

Incapazes de reprodução por cissiparidade, gemulação ou outros processos

Parasitas intracelulares

virus74 Vírus

Filtração de extrato de plantas contaminadas com a doença do mosaico do tabaco utilizando filtros bacteriológicos (vermelho), os vírus passam junto com o filtrado para o frasco.

HISTÓRICO

Marco fundamental: Stanley (1940) descobriu que o vírus do mosaico do tabaco podia ser cristalizado (assim como os sais inorgânicos e proteínas moleculares) e que os cristais inanimados, podiam produzir doença em plantas sadias.

A controvérsia: organismos vivos ou não?

MORFOLOGIA VIRAL

Descoberta da microscopia eletrônica: possível estudar a morfologia dos vírus

Fotografias das imagens virais revelaram suas formas, dimensões e estruturas internas

Cada vírus possui características próprias

Menores agentes infecciosos (20 a 350 nm)

Grande variação nas estruturas, organização e genoma

Contém apenas 1 único tipo de ácido nucléico (DNA ou RNA)

Ácido nucléico é circundado por uma capa proteíca

Inertes ao ambiente

Parasitas intracelulares obrigatórios

O ciclo de replicação DEPENDE de uma célula

Uma Grande Variedade de Hospedeiros são Susceptíveis aos Vírus

PROCARIOTOS, ANIMAIS e VEGETAIS

O VÍRUS NÃO SE REPLICA – É REPLICADO PELA CÉLULA

Terminologia em virologia

Capsídeo (envoltório protéico que envolve o genoma viral)
Capsômero (unidade morfológica observada em vírus icosaédrico)
Vírus Defeituoso (partícula viral deficiente na replicação)
Envoltório (membrana lipídica acima do capsídeo)
Nucleocapsídeo (complexo proteina-ácido nucléico)
Subunidade (cadeia polipeptídica viral dobrada)
Virion (partícula viral completa)

MORFOLOGIA VIRAL

virus75 p Vírus
Diagrama esquemático ilustrando os componentes da partícula virtal completa (virion). A. Vírus com enveltório de simetria icosaédrica. B. Vírus de simetria helicoidal

Simetria das Partículas Virais

Icosaédrica – Simetria cúbica

virus76 Vírus

Os capsômeros organizam-se em icosaédricos (20 faces triangulares eqüiláteras, 12 vértices, e 30 arestas);

Helicoidal

virus77 Vírus

virus78 Vírus

Os capsômeros organizam-se segundo simetria do tipo helicoidal dispondo o ácido nucléico na parte interna das unidades protéicas, associado as mesmas.

Vírus

Simetria das Partículas Virais

Complexa

Algumas partículas virais não exibem nem simetria helicoidal nem simetria icosaédrica. Ex: esféricos, paralelepípedos e os bacteriófagos.

virus79 Vírus

virus80 Vírus

virus81 Vírus

Grupo de Moléculas de Grande Complexidade

Capacidade de cristalização sem perda do potencial infeccioso

virus82 Vírus

virus83 Vírus

Formas e tamanhos relativos de vírus animais de famílias que infectam vertebrados. Em alguns diagramas, certas estruturas internas das partículas estão representadas. Apenas as famílias que incluem patógenos humanos estão relacionadas no quadro e descritas no texto.

ORIGEM EVOLUTIVA DOS VÍRUS

Não se sabe exatamente a origem do vírus

1) Podem derivar de DNA ou RNA ou de ambos os ácidos nucléicos de células hospedeiras que adquiriram a capacidade de replicação autônoma e evoluíram independentemente. Sequências virais semelhantes à genes celulares.

Vírus

2) Podem consistir em formas degeneradas de parasitas intracelulares. Não há evidências, mas os poxvirus são grandes e podem representar produto evolutivo de algum ancestral celular.

CLASSIFICAÇÃO DOS VÍRUS

Baseia-se em:

1) Morfologia do Virion (tamanho e forma)
2) Propriedades Físico-químicas do Virion
3) Propriedades do Genoma Viral (DNA ou RNA)
4) Propriedades das Proteínas Virais (n°, atividade)
5) Organização e Replicação do Genoma (ordem)
6) Propriedades Antigênicas
7)Propriedades Biológicas (hospedeiros naturais, transmissão, vetores, patogenicidade, patologia)

Sistema Universal para Classificação dos Vírus

Sistema universal: vírus são divididos em grandes grupos (famílias) com base na morfologia do virion, estrutura do genoma e estratégias de replicação;

Dentro de cada família, tem as subdivisões (gêneros): em geral baseiam-se em diferenças físico-químicas ou sorológicas

Sistema universal: vírus são divididos em grandes grupos (famílias) com base na morfologia do virion, estrutura do genoma e estratégias de replicação;

Dentro de cada família, tem as subdivisões (gêneros): em geral baseiam-se em diferenças físico-químicas ou sorológicas

Nomes dos gêneros têm o sufixo vírus

Famílias têm sufixo viridae

Existem 24 famílias que infectam seres humanos e animais (em 71)

Características estruturais dos principais tipos de virus com exemplos de viroses associadas

virus84 Vírus

Proteína Viral

Desempenham várias funções importantes:

Facilitar a transferência do ácido nucléico viral para a célula hospedeira
Proteção do genoma viral contra nucleases celulares
Fixação da partícula viral à uma célula susceptível
Características antigênicas (direcionamento da resposta imune do hospedeiro)
Presença de enzimas dentro do nucleocapsídeo (essenciais no ciclo replicativo de alguns virions

Ácido Nucléico Viral

Contém um ÚNICO tipo de ácido nucléico

O genoma pode consistir em fita simples ou fita dupla, circular ou linear, segmentada ou não-segmentada

Existem várias formas de RNA viral (única molécula linear, segmentos, polaridade negativa e polaridade positiva)

Positiva: altamente infeccioso

Negativa: não é infeccioso, precisa da RNA pol para ser mRNA

Ácido nucléico viral caracterizado pelo seu G+C. Cada genoma apresenta seu padrão único

Envoltórios Lipídicos

Diversos vírus apresentam envelope lipídico

Adquirido através do brotamento na membrana citoplasmática, em locais específicos de inserção das proteínas virais

A composição específica de fosfolipídios é determinada pelo tipo específico de membrana celular envolvida no brotamento (Herpesvirus = membrana nuclear)

Sensibilidade ao tratamento com éter e outros solventes orgânicos (ruptura ou perda dos lipídeos resultam na perda da infecciosidade)

Glicoproteínas Virais

Os envoltórios contém glicoproteínas codificadas pelo genoma viral

A fração glicídica reflete a natureza da célula hospedeira infectada

Estruturas de reconhecimento com receptores de superfície de membranas citoplasmáticas (interação com receptor)

Importantes antígenos virais (superfície externa – interação com os Ac neutralizantes)

virus85 Vírus

Cultura dos Vírus

Os vírus podem crescer em cultura de células, cobaias, ovos embrionados

Os laboratórios de diagnóstico tentam isolar o vírus de amostras clínicas para determinar a etiologia da doença

Os laboratórios de pesquisa cultivam os vírus visando análises detalhadas da expressão, replicação e componentes estruturais

Existem 3 tipos de células culturais

Células dispersas (cultura primária)

Derivadas de tecidos removidos do hospedeiro

Células diplóides (cultura secundária)

Sofreram alteração (até 50 passagens, retendo seu cromossomo íntegro)

Células contínuas

Crescimento prolongado e indefinido

Detecção das células infectadas por vírus

Desenvolvimento dos Efeitos Citopáticos

Alterações morfológicas na célula infectada (lise, necrose, formação de inclusões, células gigantes e vacuolização citoplasmática)

Aparecimento de uma proteína codificada pelo vírus

Uso de anti-soros específicos para detectar a síntese de proteínas virais na célula

Detecção de ácido nucléico viral (PCR)

Sensível e específico

Crescimento em ovo embrionado

Resultando na morte do embrião (encefalite), formação de pústulas (herpes, varíola), hemaglutininas nos líquidos ou tecidos embrionários (influenza)

Formação de corpúsculos de inclusão: interior da célula infectada; muito maiores do que a partícula viral individual e com frequência exibem afinidade por corantes ácidos (eosina), podendo se localizar no núcleo (herpesvirus), citoplasma (poxvirus) ou ambos (sarampo)

Algumas infecções: corpúsculo constitui de massas de partículas virais em replicação.

Importante ferramenta para o estabelecimento de diagnóstico precoce (corpúsculo de Negri)

Quantificação dos Vírus

Métodos Físicos

Contagem direta ao microscópio eletrônico mediante comparação com uma suspensão padrão de partículas de latex de tamanho semelhante. Não se distingue as infecciosas das não-infecciosas

Hemaglutinação

Mede a quantidade total de partículas virais na amostra

Testes sorológicos

RIA (radioimunoensaio), ELISA (imunoabsorção ligados a enzimas)

Métodos Biológicos

Dependem da morte e da infecção do animal, ou dos efeitos citopáticos em culturas de tecido (série de diluições do vírus que está sendo testada).

Ensaio em placa (mais utilizado): monocamadas de células hospedeiras são inoculadas com diluições apropriadas de vírus e recobertas com meio contendo agar ou carboximetilcelulose (evita a propagação do vírus). As células infectadas após alguns dias produzem vírus, gerando uma zona de infecção. Em condições controladas 1 partícula viral pode gerar uma placa de infecção (PFU)

Calor e frio

Grande variabilidade na termoestabilidade dos vírus

Vírus icosaédricos tendem a ser mais estáveis, com pouca perda de infecciosidade depois de várias horas a 37ºC, ao contrário dos vírus envelopados.

Temperaturas de 50-60ºC (30 minutos) destrói a infecciosidade dos vírus, com exceções notáveis (hepatite B virus e papovavirus)

Preservação em temperaturas de subcongelamento, e alguns resistem à liofilização. Vírus envelopado perdem a infecciosidade após armazenamentos prolongados, mesmo a -90ºC

Sais, pH, Radiação

Alguns sais (1 mol/l) estabilizam os vírus, mesmo a 50ºC por 1 hora. MgCl2 (picornavírus e reovírus), MgSO4 (orto e paramixovirus), Na2SO4 (herpesvirus) – estabilização de VACINAS

Estabilidade entre pH 5.0 a 9.0. Alguns são resistentes a pH ácido

Radiação UV, raio X e partículas de alta energia inativam os vírus. A infecciosidade é a propriedade mais sensível (atuação no ác. nucléico)

Álcoois, cloro, iodo orgânico: ineficientes contra muitos vírus. Formaldeído destrói a infecciosidade viral;

REPLICAÇÃO DAS PARTÍCULAS VIRAIS

virus86 Vírus

Os vírus SÓ SÃO REPLICADOS em CÉLULAS VIVAS

A célula fornece a energia e os precursores de baixo peso molecular enquanto que o genoma viral transporta a especificidade genética para codificar todas as macromoléculas virais.

O genoma viral deve ser capaz de produzir seu ácido nucléico em mRNA e competir com a célula de forma bem-sucedida.

Após a interação com a célula hospedeira o virion infectante é rompido e perde sua infecciosidade detectável (período de eclipse).

Sua duração é variável (depende do vírus e da célula): intensa atividade de síntese (redirecionamento das atividades da célula)

Após a síntese de proteínas e ácidos nucléicos virais os componentes são organizados pela célula (interações químicas) para a formação de novos virions infecciosos.

Produção por célula é variável: até 100.000 partículas

Os ciclos replicativos apresentam duração variável: 6-8 h (picornavirus) até 40 h (herpesvirus)

Nem todas as infecções resultam em nova progênie de vírus

Infecções produtivas em células permissivas: nova progênie

Infecções abortivas em células não-permissivas (não há produção de vírus infeccioso, e é incapaz de sustentar a expressão de todos os genes virais – vírus defeituoso)

Infecções latentes com persistência do genoma viral na célula infectadas (sobrevida do hospedeiro)

ETAPAS DA REPLICAÇÃO VIRAL

Fixação, penetração e desnudamento

1ª etapa

Fixação a um receptor específico de membrana

A ligação do vírus ao receptor pode refletir homologias de configurações entre a estrutura da superfície do virion e um componente da superfície da célula

A presença ou ausência de receptores nas células desempenham um papel importante no tropismo celular e na patogenia viral.

Especificidade das viroses

Fixação, penetração e desnudamento

Nem todas as células em um hospedeiro susceptível irão expressar todos os receptores necessários

Cada célula susceptível pode apresentar 100.000 receptores para determinado vírus.

2ª etapa

Penetração. Após ligação, o vírus penetra na célula. Pode ser por endocitose mediada por receptores; penetração direta através da membrana citoplasmática; ou fusão de membranas do envoltório do virion com a célula

A 3ª etapa

Desnudamento. Logo após a penetração do vírus na célula, ocorre a separação física do ácido nucléico viral dos outros componentes estruturais do virion.

O genoma pode ser liberado na forma de A.N. livre (picornavirus) ou como nucleocapsídeo (reovirus). Em geral os nucleocapsídeos contém polimerases e o seu desnudamento depende de pH ácido

Nesta fase ocorre a perda de infecciosidade do vírus original.

Expressão do Genoma Viral e Síntese dos Componentes

A fase de síntese do ciclo replicativo ocorre imediatamente após o desnudamento.

Transcrição de RNAm específicos a partir do ácido nucléico viral para a expressão e duplicação bem-sucedida da informação genética viral.

Os componentes celulares interpretam o RNAm viral como sendo próprio e realizam sua tradução (diferentes vias).

Alguns vírus (Rabdovírus) transportam RNA polimerases para sintetizar os RNAm (apresentam RNA – polaridade negativa)

Durante a replicação, todas as macromoléculas do vírus são sintetizadas em uma sequência altamente organizada.

Vírus com DNA fita dupla

Proteínas virais iniciais são sintetizadas logo após a infecção; síntese de proteínas tardias

Vírus RNA

Todas as informações são expressas simultaneamente

Nem todas as proteínas virais são expressas nas mesmas quantidades. As proteínas específicas dos vírus podem regular a extensão da transcrição do genoma ou da tradução do RNAm viral

Vírus RNA

Maior variedade de estratégias para expressão gênica: polimerases, mensagens subgenômicas (emendas), precursores poliprotéicos (clivagem posterior)

Vírus DNA que se replica no núcleo: utilizam DNA e RNA polimerases e enzimas de processamento da célula hospedeira

Herpesvírus e Poxvírus = vírus grandes e independentes da maquinaria celular, maior susceptibilidade à quimioterapia antiviral.

DNA viral é replicado no núcleo
RNA viral é replicado no citoplasma

Morfogênese e Liberação dos Vírus

Após síntese dos genomas virais e polipeptídeos do capsídeo: união destes elementos para a síntese da partícula viral (progênie)

Capsídeo Icosaédrico

Podem condensar-se na ausência de ácido nucléico.

Capsídeo Helicoidal

Não se forma sem a presença do RNA viral

Liberação dos vírus sem envelope lipídico

Célula lisa e as progênies virais são liberadas no meio

Morfogênese e Liberação dos Vírus

Vírus com envelope lipídico: amadurecem por processo de brotamento

Glicoproteínas virais específicas são introduzidas na membrana celular e os nucleocapsídeos virais brotam neste local específico.

Maturação viral pode ser um processo ineficaz

Quantidades excessivas de componentes virais podem se acumular e se enovelarem formando corpúsculos de inclusão no interior da célula

Consequência

Formação de efeito citopático celular, levando à célula à morte. Esta morte pode ser por apoptose que pode ser regulada por vírus, facilitando a propagação dos vírus para outras células

Vírus

Patogenia das Infecções Virais

virus87 Vírus

Expressão do ciclo de replicação do vírus (parcial ou completo) em uma célula hospedeira

Consequências

Efeitos citopáticos (morte celular, hiperplasia) ou ausência de efeitos aparentes

Doença Viral ou Virose

Alguma anormalidade do hospedeiro decorrente da infecção por um vírus

Patogenia Viral

Interação dos fatores do vírus e do hospedeiro, com consequente produção de doença

Um vírus é patogênico para um determinado hospedeiro quando é capaz de infectar e desencadear sinais da doença nesse hospedeiro

Uma cepa é mais virulenta que outra quando costuma induzir doença de forma mais grave num hospedeiro quando ambas são patogênicas

A virulência viral em animais sadios não deve ser confundida com a citopatogenicidade de células cultivadas

Citocida in vitro mas não in vivo e vice-versa

Penetração e Replicação Viral

Fixação inicial do vírus às células de uma das superfícies corporais, seguido de penetração (a maioria dos vírus)

Alguns penetram diretamente na corrente sanguínea por agulhas (hepatite B, HIV), transfusões e insetos vetores (dengue)

Replicação no local primário de entrada

Influenza e Rotavirus provocam doença na porta de entrada e não são disseminados.

Propagação Viral e Tropismo Celular

Provocar doenças em local distante do seu ponto de entrada

Replicação no local de entrada

Disseminação (corrente sanguínea e linfática)

Vírus no sangue: VIREMIA (livres ou em células) – etapa curta

Cronicidade e Latência

Infecções Crônicas

O vírus pode ser continuamente detectado, mesmo em baixos níveis, podendo haver ou não sintomatologia clínica leve

Infecções Latentes

O vírus persiste numa forma oculta ou críptica na maior parte do tempo. Ocorrem exacerbações intermitentes da doença clínica, e o vírus infeccioso pode ser isolado durante este período.

Infecções Inaparentes ou Subclínicas

Infecção ocorrendo mas não apresenta sinais manifestos da sua presença no hospedeiro

A partícula só pode ser obtida de células ou tecidos infectados

As partículas obtidas de várias fontes são idênticas, independentemente da espécie celular em que o vírus está crescendo

O grau de atividade infecciosa da preparação viral varia diretamente com o número de partículas

A destruição da partícula física por meios químicos ou físicos está associada a perda da atividade viral

É necessário demonstrar que certas propriedades da partícula e da infecciosidade são idênticas (estabilidade ao pH)

Os anti-soros preparados contra o vírus devem reagir com a partícula característica e vice-versa.

As partículas devem ser capazes de induzir a doença característica in vivo (se for possível)

A passagem das partículas de vírus em cultura de tecidos deve resultar na produção de uma progênie com propriedade biológica e antigênica do vírus.

Fonte: www.ufrb.edu.br

trans Vírus

Vírus

virus4 Vírus
Vírus da Gripe

Vírus é um micro-organismo que pode infectar outros organismos biológicos. Vírus são parasitas obrigatórios do interior celular e isso significa que eles somente reproduzem-se pela invasão e possessão do controle da maquinaria de auto-reprodução celular. O termo vírus geralmente refere-se às partículas que infectam eucariontes (organismos cujas células têm carioteca), enquanto o termo bacteriófago ou fago é utilizado para descrever aqueles que infectam procariontes (bactérias e cianofíceas). Tipicamente, estas partículas carregam uma pequena quantidade de ácido nucléico (seja DNA ou RNA) cercada por alguma forma de cápsula protetora consistente de proteína, ou proteína e lipídio. Das 1.739.600 espécies de seres vivos, os vírus representam 3.600 espécies.

O primeiro vírus a ser descoberto foi o do “mosaico do tabaco”, após os trabalhos de Dimitri Ivanovski e de Martinus Beijerinck.

Etimologia

A palavra vem do Latim e significa venenos. Atualmente é utilizada para descrever os vírus biológicos, além de designar, metaforicamente, qualquer coisa que se reproduza de forma parasitária, como ideias. O termo vírus de computador nasceu por analogia. A palavra vírion ou víron é usada para se referir a uma única partícula viral.

Em Português, o plural do termo vírus é igual ao singular. As palavras em latim também aparentam não possuir uma versão em plural. Virii poderia ser o plural da palavra virius, e viri era o plural da palavra vir, que significa homem. Veja vírus para mais informações (em inglês).

Estrutura viral

Os vírus não são constituídos por células, embora dependam delas para a sua multiplicação. Alguns vírus possuem enzimas. Por exemplo o HIV tem a enzima Transcriptase reversa que faz com que o processo de Transcrição reversa seja realizado (formação de DNA a partir do RNA viral). Esse processo de se formar DNA a partir de RNA viral é denominado retrotranscrição, o que deu o nome retrovírus aos vírus que realizam esse processo.

Vírus tipicamente consistem de uma cápsula de proteína uma estrutura proteinácea (o capsídeo) que armazena e protege o material genético viral. O envelope, normalmente derivado da membrana celular do hospedeiro anterior, envolve o capsídeo em alguns virus, enquanto noutros não existe sendo o capsídeo a estrutura mais externa. Ele protege o genoma viral contido nele e também provém o mecanismo pelo qual o vírus invade seu próximo hospedeiro.

O capsídeo e o envelope viral

O capsídeo é formado por proteínas. Pode ter estrutura helical, icosaédrica e outras, e é geralmente extremamente regular. Em muitos virus o capsídeo é a estrutura externa, noutros casos, existe o envelope de estrutura bílipidica composto por fosfolípidos e algumas proteínas membranares, semelhante às membranas celulares das células, de quem é “roubado”. O capsídeo e o envelope guardam o frágil ácido nucleico, DNA ou RNA.

Esta porção periférica possibilita ao vírus identificar as células que ele pode parasitar e, em certos vírus, facilita a penetração nas mesmas.

Os príons (ou priões), agentes sub-virais, não possuem ácido nucleico. São proteínas alteradas que têm a capacidade de converter proteínas semelhantes mas não alteradas à sua configuração insoluvel, precipitando em cristais que causam danos às células.

O genoma viral

Os vírus e agentes sub-virais possuem apenas pouco ácido nucleico, e até pouco tempo acreditava-se que possuíam apenas um deles, ou DNA ou RNA, entretanto, descobriram-se vírus com DNA e RNA, ao mesmo tempo (Os príons, agentes sub-virais, não possuem ácido nucleico algum), diferente dos outros seres vivos, que possuem os dois (Claro que, o Protobionte tinha apenas RNA, e é possivel que as nanobactérias também tenham apenas RNA, que nos outros seres vivos é usado com o DNA para traduzir o código, mas acredita-se que o RNA também possa conter traços genéticos).

É nesta porção central possuidora da informação genética, que estão contidas, em código, todas as informações necessárias para produção de outros vírus iguais.

Vírus: seres vivos ou seres não vivos?

Um vírus seqüestra o mecanismo celular do seu hospedeiro para criar mais partículas de vírus por forma a completar o seu ciclo de vida. Estes parasitas, a nível molecular, forçam as enzimas das células parasitadas a trabalharem para formar novos vírus em vez dos próprios componentes que a célula necessita.

Os vírus são entes naturais que nem podem ser considerados seres vivos nem seres não vivos, de acordo com as definições mais comuns para estes conceitos. Podem reproduzir-se e mostrar hereditariedade, mas são dependentes das complexas enzimas de seus hospedeiros, e podem de várias formas ser tratados como moléculas ordinárias (por exemplo, eles podem ser cristalizados).

São parasitas obrigatórios, e não possuem forma de reprodução independente de seus hospedeiros. Da mesma forma que a maioria dos parasitas, eles têm um certo número de hospedeiros específicos, algumas vezes específicos a apenas uma espécie (ou até mesmo limitados a apenas um tipo de célula da espécie) e em outros casos, mais abrangente. Os vírus que atacam as células animais não atacam as vegetais e vice-versa. No entanto, existem alguns vírus vegetais que se multiplicam nas células de insectos, que os disseminam de uma planta para a outra.

Quando estão fora do organismo do seu hospedeiro, cristalizam e comportam-se como qualquer pedaço de matéria inanimada.

As origens

A origem dos vírus não é inteiramente clara, porém a explicação atualmente favorecida é que eles sejam derivados de seus próprios hospedeiros, originando-se de elementos transferíveis como plasmídeos ou transposons (elementos transponíveis, são segmentos de DNA que têm a capacidade de mover-se e replicar-se dentro de um determinado genoma). Também tem sido sugerido que eles possam representar micróbios extremamente reduzidos, que apareceram separadamente no caldo primordial que deu origem às primeiras células, ou que as diferentes variedades de vírus terão tido origens diversas e independentes. Quando não estão se reproduzindo, os vírus não manifestam nenhuma atividade vital: não crescem, não degradam nem fabricam substancias e não reagem a estímulos. No entanto, a sua capacidade reprodutiva é assombrosa: um único vírus é capaz de produzir, em poucas horas, milhões de novos indivíduos.

Outras partículas infectantes que são tão simples estruturalmente quanto os vírus incluem os viróides, virusóides, Satellite, Deltavirus (que na verdade são sattelites/viróides), e príons.

Doenças humanas virais

Exemplos de doenças causadas por vírus incluem a caxumba, sarampo, hepatite, dengue, poliomielite, febre amarela.Também há a gripe, que é causado por uma variedade de vírus; a varicela ou catapora; varíola; AIDS, que é causada pelo HIV. Recentemente foi mostrado que o câncer cervical é causado ao menos em partes pelo papilomavirus (que causa papilomas, ou verrugas), representando a primeira evidência significante em humanos para uma ligação entre câncer e agentes infectivos.

Prevenção e tratamento de doenças virais

Devido ao uso da maquinaria das células do hospedeiro, os vírus tornam-se difíceis de matar. As mais eficientes soluções médicas para as doenças virais são, até agora, as vacinas para previnir as infeções, e drogas que tratam os sintomas das infeções virais. Os pacientes freqüentemente pedem antibióticos, que são inúteis contra os vírus, e seu abuso contra infecções virais é uma das causas de resistência antibiótica em bactérias. Diz-se, às vezes, que a ação prudente é começar com um tratamento de antibióticos enquanto espera-se pelos resultados dos exames para determinar se os sintomas dos pacientes são causados por uma infecção por vírus ou bactérias.

Principais viroses humanas: gripe, hepatite (A, B e C), caxumba, sarampo, varicela (catapora), SIDA (AIDS), raiva (hidrofobia), dengue, febre amarela, poliomielite (paralisia infantil), rubéola, meningite, encefalite, herpes, febre hemorrágica, pneumonia, HLTV, Gripe Suina, etc.

Mutações

O material genético dos vírus pode sofrer mutações e gerar grandes variedades a partir de um único tipo desses seres; um exemplo são as dezenas de diferentes tipos de vírus da gripe humana, gerados por mutações.Sendo que essas mutações dificultam as ações dos anti-virais, devido esses serem específicos a cada tipo de vírus.

Fonte: pt.wikipedia.org

Vírus

virus5 Vírus

Os vírus são organismos que possuem um único tipo de ácido nucléico, DNA ou RNA, protegido por uma capa protéica, chamada de capsídeo (Esquema acima)

O capsídeo é formado por subunidades protéicas chamadas de capsômeros, e a organização deste determina o tipo de vírus. Alguns vírus têm o capsídeo coberto por um envelope que contém lipídeos, proteínas e carboidratos.

Os vírus multiplicam-se usando a maquinaria de síntese de outras células (parasitas intracelulares obrigatórios), são capazes de cristalizar-se ficando inertes por longos períodos. A maioria deles são menores que as bactérias, tendo seu tamanho determinado por microscopia eletrônica, variando de 20 a 14.000 nm. Possuem morfologia variada, podendo ser helicoidais, poliédricos, envelopados ou os chamados vírus complexos (com estruturas complicadas).

virus6 Vírus
VÍRUS DNA – ADENOVÍRUS

virus7 Vírus
VÍRUS DNA – POXVÍRUS

virus8 Vírus
HANTAVÍRUS

virus9 Vírus
VÍRUS RNA – HIV

Fonte: www.ufmt.br

trans Vírus

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