Logo

Conteudo Principal do Site

Arte Moderna

Modernismo

Modernismo

     

O modernismo surgiu em Portugal por volta de 1915, com a publicação das revistas Orfeu (1915), Centauro (1916) e Portugal Futurista (1919). A primeira atitude dos novos escritores foi de esquecer o passado, desprezar o sentimentalismo falso dos românticos e adotar uma participação ativa e dentro primar pela originalidade de idéias e, na poesia, não deveriam se prender à rima e à métrica.

Modernismo

Os autores modernos não fundaram propriamente uma nova escola literária, com regras rígidas. Pelo contrário, desvincularam-se das teorias das escolas anteriores e procuraram para transmitir suas emoções, os fatos da vida atual e a realidade do país de uma forma livre e descompromissada.

Percebe-se nos autores modernos um vocabulário cheio de expressões coloquiais, traduzindo a fala típica brasileira, versos livres, estilo consisco.

No Brasil ocorreram fatos fatos para o surgimento do Modernismo: 1912

Oswald de Andrade vai à Europa e volta imbuído do futurismo de Marinetti. Futurismo é o nome dado ao movimento modernista que se baseia numa vida dinâmica, voltada para o futuro, e que combate o passado, as tradições, o sentimentalismo, prega formas novas e nítidas.

1915

Monteiro Lobato publica em O Estado de S. Paulo dois artigos: "Urupés" e "Velha Praga", em que condena o regionalismo sentimental e idealista.

1917

Anita Malfati lança na pintura o cubismo, que despreza perspectiva convencional e representa os objetos com formas geométricas.

1921

Graça Aranha volta da Europa e publica estética da Vida, em que condena os padrões da época.

1922

Semana de Arte Moderna em São Paulo, com sessões, conferências, recitais, exposição de artes plásticas. Participaram desta semana: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Guiomar Novais, Paulo Prado, etc. Estava fundado o Modernismo no Brasil. Apesar do forte impacto causado pelo movimento, o Modernismo se manteve devido á grande divulgação no s jornais e revistas da época.

O movimento modernista passou por três fases distintas:

1º fase (1922-1928)

Nesta primeira fase, os autores procuraram destruir e menosprezar a literatura anterior, dando ênfase a um nacionalismo exagerado, ao primitivismo e repudiando todo o nosso passado histórico.

2ª fase (1928-1945)

Período de construção, com idéias literárias inovadoras e coerentes. Abrem esta fase construtiva Mário de Andrade, com a obra Macunaíma, e José Américo de Almeida, com A Bagaceira.

3ª fase

Nesta fase os autores fogem aos excessos e primam pela ordem sobre os caos que foi a geração.

A divulgação, no Brasil, das teorias vanguardistas européias é feita, em 1922, pela Semana de Arte Moderna. Com a chamada Geração de 22, instalam-se, na literatura brasileira, a escrita automática, influenciada pelos surrealistas franceses, o verso livre, o lirismo paródico, a prosa experimental e uma exploração criativa do folclore, da tradição oral e da linguagem coloquial. Em seu conjunto, essa é uma fase contraditória, de ruptura com o passado literário, mas, ao mesmo tempo, de tentativa de resgate de tradições tipicamente brasileiras.

O ataque de Monteiro Lobato, em 1917, à exposição de Anita Malfatti é respondido com a Semana. Em torno dela, surgem Mário de Andrade (Paulicéia desvairada, Macunaíma), Oswald de Andrade (Memórias sentimentais de João Miramar), Manuel Bandeira (Ritmo dissoluto), Cassiano Ricardo (Martim-Cererê) e movimentos como o da Revista de Antropofagia e o do Pau-Brasil, ambos liderados por Oswald, ou o da revista Verde, de Cataguazes, sempre com tendências nacionalistas.

A esse núcleo juntam-se Carlos Drummond de Andrade (Alguma poesia), Augusto Meyer (Giraluy), Mário Quintana (A rua do catavento), Jorge de Lima (Poemas negros) e o romancista José Lins do Rego (Menino de engenho).

Em reação ao liberalismo desse grupo, o Verde-amarelismo e o movimento Anta, de 1926, ambos comandados por Plínio Salgado e contando com poetas como Menotti del Picchia (Juca Mulato), fecham-se às vanguardas européias e aderem a idéias políticas que prenunciam o integralismo, versão brasileira do fascismo.

Mário Raul de Morais Andrade (1893-1945), nasce em São Paulo. Formado em música, trabalha como crítico de arte e professor. É um dos mais importantes participantes da Semana de 22. Pesquisa o folclore brasileiro e o utiliza em suas obras, distanciando-se da postura de valorizar somente o que é europeu. Esses estudos são utilizados em Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, onde traça o perfil do herói brasileiro, produto de uma grande mistura étnica e cultural.

José Oswald de Sousa Andrade (1890-1954), trabalha como jornalista e cursa direito, sempre em São Paulo. De família rica, viaja várias vezes para a Europa. É quem melhor representa o espírito rebelde do modernismo.

Funda a Revista de antropofagia, em 1927, onde afirma ser necessário que o Brasil devore a cultura estrangeira e, na digestão, aproveite suas qualidades para criar uma cultura própria. Em Memórias sentimentais de João Miramar analisa de forma sarcástica o fenômeno urbano.

Geração de 30

O clima decorrente da Revolução de 30 ajuda a consolidar as revoluções propostas, ainda de forma desorganizada, em 22. Poetas como Drummond (A rosa do povo), Bandeira (Estrela da vida inteira) ou romancistas como Lins do Rego (Fogo morto) atingem a maturidade. Surgem nomes novos: Érico Veríssimo (a trilogia O tempo e o vento), Jorge Amado (Capitães de areia, Seara vermelha), Rachel de Queirós (O quinze), José Geraldo Vieira (A mulher que fugiu de Sodoma), Alcântara Machado (Brás, Bexiga e Barra Funda) e, principalmente, Graciliano Ramos (Vidas secas). Essa é uma fase de grande tensão ideológica e de abordagem da literatura como um instrumento privilegiado de conhecimento e modificação da realidade.

Numa linha mais intimista, surgem poetas como Cecília Meireles (Vaga música), Vinícius de Moraes (Poemas, sonetos e baladas), o regionalista Raul Bopp (Cobra Norato), Augusto Frederico Schmidt (Desaparição da amada) e Henriqueta Lisboa (A face lívida), influenciados pelo Neo-simbolismo europeu; e prosadores como Cornélio Pena (A menina morta), Lúcio Cardoso (Crônica da casa assassinada), Dionélio Machado (Os ratos).

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) nasce em Itabira, Minas Gerais. Forma-se em farmácia, mas trabalha como funcionário público por muitos anos. Antes de se mudar para o Rio de Janeiro, na década de 30, funda A revista, onde divulga as idéias modernistas em Minas. Sua poesia não se restringe a esse movimento, mas é marcada pela ironia, pelo anti-retórico e pela contenção. Em Rosa do povo, de 1945, faz uma poesia de certa forma engajada, nascida das esperanças surgidas com o fim da Segunda Guerra Mundial. Mas a partir de Claro enigma, de 1951, registra o vazio da vida humana e o absurdo do mundo, sem nunca abandonar a ironia.

Graciliano Ramos (1892-1953) nasce em Quebrângulo, Alagoas. Trabalha como jornalista, comerciante, diretor da Instrução Pública de Alagoas. Chega a ser eleito prefeito de Palmeira dos Índios (AL), em 1928. Acusado de subversão, passa 11 meses preso no Rio de Janeiro, período que narra em Memórias do cárcere. Com uma linguagem precisa, de poucos adjetivos, mostra conhecimento das angústias humanas e preocupação com os problemas sociais. Seus personagens não se adaptam ao mundo que os cerca. Paulo Honório, de São Bernardo, sabe como administrar suas terras, mas é incapaz de lidar com sentimentos. Na sua obra destacam-se também Vidas secas e Angústia.

Geração de 45

Em reação à postura muito politizada da fase anterior, os poetas dessa geração voltam para um neo-parnasianismo, que se preocupa com o apuro formal e foge a temas considerados banais. Dentre esses autores – Geir Campos (Coroa de sonetos), Péricles Eugênio da Silva Ramos (Poesia quase completa), Alphonsus de Guimaraens Filho (Lume de estrelas), Ledo Ivo (Acontecimento do soneto) – destaca-se João Cabral de Melo Neto (Educação pela pedra, Morte e vida severina), pela inventividade verbal e intensidade da participação nos problemas sociais. O mais importante livro de poesia dessa fase, influenciado pelas idéias dessa geração de artistas, é Claro enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Na prosa, João Guimarães Rosa e Clarice Lispector (A maçã no escuro) revolucionam o uso da linguagem.

João Guimarães Rosa (1908-1967) nasce em Cordisburgo, Minas Gerais. Médico, torna-se diplomata em 1934. Exerce a medicina no interior de Minas. Como diplomata trabalha em Hamburgo (Alemanha), Bogotá (Colômbia) e Paris (França). Sua obra explora o manancial dos falares regionais, pondo-o a serviço de uma escrita complexa, de imensa criatividade: Grande sertão: veredas é uma epopéia ambientada no interior de Minas Gerais, que transpõe para o Brasil o mito da luta entre o ser humano e o diabo.

Clarice Lispector (1926-1977) vem da Ucrânia para o Brasil recém-nascida e é levada pela família para o Recife. Em 1934 muda-se para o Rio de Janeiro. Escreve o primeiro romance, Perto do coração selvagem, aos 17 anos. Em livros como A paixão segundo GH, Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, A hora da estrela leva o subjetivo ao limite, deixando à mostra o fluxo da consciência e rompendo com o enredo factual.

João Cabral de Melo Neto, pernambucano, trabalha grande parte de sua vida na Espanha como diplomata. Sua poesia objetiva recusa sentimentalismos e traços supérfluos. Morte e vida severina, relato da viagem de um nordestino para o litoral que, no seu caminho, só encontra sinais de morte, é a obra que melhor equilibra rigor formal e temática social.

Fonte: www.brasilliteratura.hpg.ig.com.br

Modernismo

Modernismo

O Modernismo no Brasil começou com a Semana de Arte Moderna de 1922. Mas nem todos os participantes da Semana eram modernistas: o pré-modernista Graça Aranha foi um dos oradores. Apesar de não ter sido dominante no começo, como atestam as vaias da platéia da época, com o tempo suplantou os estilos anteriores. Era marcado por uma liberdade de estilo e aproximação da linguagem com a linguagem falada; os de primeira fase eram especialmente radicais quanto a isto. Outros modernistas importantes são o prosador Érico Veríssimo e o poeta Carlos Drummond de Andrade, que tem páginas próprias.

Jorge Amado

Jorge Amado nasceu em uma fazenda de cacau em Itabuna, Bahia, em 1912. Fez o curso primário em Ilhéus (com uma professora particular que se tornou personagem de Gabriela Cravo e Canela) e fez o secundário em um internato. Nessa época começou a ler autores ingleses e portugueses. Fugiu para a casa do avô no Sergipe e em 1927 matriculou-se num externato, onde ligou-se a Academia dos Rebeldes, grupo de jovens escritores contrários ao Modernismo.

Apesar disso, Jorge Amado é considerado modernista da segunda geração. Trabalhou em jornais e editoras, tendo fugido do país por perseguições políticas em 1935 e, após eleito deputado federal em 1945, teve seu mandato cassado em 1948 quando o PCB foi posto na ilegalidade. Deixou o país e viajou pelo mundo, recebendo um prêmio na união Soviética em 1951. Em 1961 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Sua obra, que já foi adaptada para várias mídias e traduzida para vários idiomas, é regionalista (trata sempre do NE, especialmente a Bahia) e é dividida em três fases: uma com maiores preocupações sociais, no começo da carreira, outra sobre o ciclo do cacau e outra ainda com maior lirismo. Na primeira parte incluem-se Capitães de Areia e Mar Morto; na segunda Cacaus, Terras do Sem-Fim e São Jorge de Ilhéus; na terceira, iniciada com Gabriela Cravo e Canela (que apesar de se passar na zona do cacau não é sobre o ciclo do cacau em si), incluem-se Dona Flor e seus Dois Maridos, Teresa Batista Cansada de Guerra e Tieta do Agreste. Jorge Amado é até hoje muito cotado para ganhar o prêmio Nobel de Literatura.

"Naquele ano de 1925, quando floresceu o idílio da mulata Gabriela e do árabe Nacib, a estação das chuvas tanto se prolongara além do normal e necessário que os fazendeiros, como um bando assustado de medrosos, cruzavam-se nas ruas a perguntar uns aos outros, o medo nos olhos e na voz" Gabriela Cravo e Canela

"E aqui termina a história de Nacib e Gabriela quando renasce a chama do amor de uma brasa dormida nas cinzas do peito." Gabriela Cravo e Canela

" Lá estava Vadinho, no chão de paralelepípedos, a boca sorrindo, todo branco e loiro, todo cheio de paz e de inocência. Dona Flor ficou um instante parada, a contemplá-lo como se demorasse a reconhecer o marido ou talvez, mais provavelmente, a aceitar o fato, agora indiscutível, de sua morte. Mas foi só um instante. Com um berro arrancado do fundo das entranhas, atirou-se sobre Vadinho, agarrou-se ao corpo imóvel, a beijar-lhe os cabelos, o rosto pintado de carmim, os olhos abertos, o atrevido bigode, a boca morta, para sempre morta." Dona Flor e seus Dois Maridos

"Eu sou o marido da pobre dona Flor, aquele que vai acordar a tua ânsia e morder o teu desejo, escondido no fundo do teu ser, de teu recato. Ele é o marido da senhora dona Flor, cuida da tua virtude, de tua honra, de teu respeito humano. Ele é tua face matinal, eu sou a tua noite, o amante para o qual não tens nem jeito nem coragem. Somos teus dois maridos, tuas duas faces, teu sim, teu não. Para ser feliz, precisa de nós dois. Quando era eu só, tinhas meu amor e te faltava tudo, como sofrias! Quando foi só ele, tinhas de um tudo, nada te faltavas, sofria ainda mais. Agora, sim, é dona Flor inteira como deves ser." Dona Flor e seus Dois Maridos

Graciliano Ramos

Graciliano Ramos (1892-1953) pode ser considerado um dos mestres do Regionalismo. Suas obras passam-se no NE do Brasil e falam do povo nordestino, da seca, da realidade enfim, com uma linguagem direta e típica da região. Apesar de também Ter sido contista e cronista, é como romancista que se destaca. Graciliano Ramos nasceu no interior do estado do Alagoas, mas sua família se mudou várias vezes, peregrinando pelo interior do Nordeste. Mais tarde mudou-se para o RJ e depois de volta a Palmeira dos Índios (AL), cidade onde realizou seus estudos. Lá casou, estabeleceu-se no comércio e chegou a ser prefeito da cidade. Foi nessa época que foi descoberto como romancista: escrevera também o relatório que um editor desconfiara tratar-se de um romancista de gaveta. Estava certo: Graciliano Ramos estava escrevendo havia anos seu primeiro romance, Caetés, com o qual estrearia em sua carreira literária aos 41 anos (relativamente tarde). Na mesma época de publicação do livro ele completou São Bernardo, primeira obra da trilogia que é sua obra-prima e inclui Angústia e Vidas Secas. Em 1936 foi acusado de comunista e mandado para a prisão, onde foi humilhado e maltratado (o fruto disso seria o livro de memórias chamado Memórias do Cárcere). Em 1945 ele realmente se filiou ao PC e chegou a visitar países além da Cortina de Ferro. Várias das obras de Graciliano Ramos já foram filmadas por consagrados diretores brasileiros.

Dyonélio Machado

Dyonélio Machado (1895-1986) nasceu em Quaraí, Rio Grande do Sul, e formou-se em Medicina em 1929 em Porto Alegre, sendo psiquiatra. Foi também jornalista, chegando a dirigir o jornal Correio do Povo, e deputado pelo PCB, mas foi destituído do cargo com a implantação do Estado Novo. Machado adquiriu notoriedade ao vencer junto com, entre outros, seu amigo Érico Veríssimo, o concurso da ABL em 1935. Machado era, aliás, amigo de muitos dos modernistas e se correspondia com eles, estando alinhado com a Geração de 30. Dyonélio foi o iniciador da prosa urbana gaúcha com o livro Um Pobre Homem. Sua obra de mais repercussão foi Os Ratos, mas também é importante O Louco do Cati entre sua obra.

"Os bem vizinhos de Naziazeno Barbosa assistem ao 'pega' com leiteiro, Por detrás das cercas. Mudos, com a mulher e um que outro filho espantado já de pé àquela hora, ouvem. Todos aqueles quintais conhecidos têm o mesmo silêncio. Noutras ocasiões, quando era apenas a 'briga' com a mulher, esta, como um último desaforo de vítima, dizia-lhe: 'Olha que os vizinhos estão ouvindo'. Depois, à hora da saída, eram aquelas caras curiosaas às janelas, com os olhos fitos nele enquanto ele cumprimentava."

Os Ratos"Ele vê os ratos em cima da mesa, tirando de cada lado do dinheiro – da presa! – roendo-o, arrastando-o para longe dali, para a toca, às migalhas!…"

Os Ratos

Raul Bopp

Raul Bopp (1898-1984), gaúcho de Tupaceretã, foi poeta, ensaísta, diplomata e jornalista. Participou da Semana de Arte Moderna e foi muito influenciado pelos Andrade. Sua obra apresenta nacionalismo e construções gramaticais mais audaciosas, com linguagem tipicamente popular.

Clarice Lispector

Clarice Lispector (1925-1977), contista, cronista e romancista de destaque na literatura brasileira, não é brasileira nata: nasceu na Ucrânia e veio para o Brasil ainda criança. Com 12 anos transfere-se do Recife onde morava para o Rio de Janeiro para cursar o secundário. Mas já escrevia antes disso: aos sete anos mandava contos ao semanário infantil. Sempre recusados. Ainda estudante escreve seu primeiro romance (Perto do Coração Selvagem). Lispector tem um prosa introspectiva e intimista, que explora os caráter do ser humano e os conflitos interiores, com um estilo dramático e por vezes inteligentemente irônico. Além de vários romances como A hora da Estrela e A Paixão segundo G.H., Clarice escreveu contos.

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. Deus é o mundo. A verdade é sempre um contato interior e inexplicável. A minha vida mais verdadeira é irreconhecível, extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique. Meu coração se esvaziou de todo desejo e reduz-se ao próprio último ou primeiro pulsar.

A dor de dentes que perpassa esta história deu uma fisgada funda em plena boca nossa. Então eu canto alto agudo uma melodia sincopada e estridente – é a minha própria dor, eu carrego o mundo e há falta de felicidade. Felicidade? Nunca vi palavra mias doida, inventada pelas nordestinas que andam aí aos montes."

A Hora da Estrela"Acho com alegria que ainda não chegou a hora de estrela de cinema de Macabéa morrer. Pelo menos ainda não consigo adivinhar se lhe acontece o homem louro e estrangeiro. Rezem por ela e que todos interrompam o que estão fazendo para soprar-lhe vida, pois Macabéa está por enquanto solta ao acaso como a porta balançando ao vento no infinito, Eu poderia resolver pelo caminho mais fácil, matar a menina-infante, mas quero o pior: a vida. Os que me lerem, assim, levem um soco no estômago para ver se é bom. A vida é um soco no estômago."

A Hora da Estrela

Antônio de Alcântra Machado

Antônio Castilho de Alcântara Machado d'Oliveira (1901-1935) foi um importante escritor modernista da primeira fase, apesar de não ter participado da Semana de Arte Moderna de 1922. Apesar de não ser tão radical como os outros modernistas contemporâneos seus, usava uma linguagem em seus contos que se aproximava muito do falado. Seus personagens de Brás, Bexiga e Barra Funda falavam uma mistura muito peculiar de italiano e português. Machado nunca chegou a completar seu romance Mana Maria, que foi publicado um ano depois de sua prematura morte. Pouco antes do fim da vida rompeu relações com Oswald de Andrade por motivos ideológicos, ao mesmo tempo em que sua amizade com Mário de Andrade se estreitava.

"O primeiro serviço profissional de Bruno foi requerer ao exmo. snr. dr. Ministro da Justiça e Negócios Interiores do Brasil a naturalização de Tranquillo Zampinetti, cidadão italiano residente em São Paulo."

Brás, Bexiga e Barra Funda

Ronald de Carvalho

Ronald de Carvalho (1883-1935) foi um dos participantes da Semana de Arte Moderna de 1922. Ensaísta e crítico, sobressaiu-se como poeta e declamador. Quando durante a Semana declamou a famosa poesia Os Sapos, de Manuel Bandeira, recebeu uma das maiores vaias de toda a apresentação. Em sua poesia abusava do verso livre, em contraposição a formalidade dos parnasianos.

Cassiano Ricardo

O paulista Cassiano Ricardo Leite (1895-1974) foi um dos líderes do Movimento Verde e Amarelo do início do Modernismo brasileiro. Ensaísta, jornalista e crítico, sobressaiu-se como poeta. Apesar do início parnasiano, chegou a ter influência concretista. Foi membro da Academia Brasileira de Letras.

Vinícius de Moraes

Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes (1913-1980), cronista, diplomata, teatrólogo e roteirista carioca, destacou-se foi mesmo na poesia e na música. Apesar de um começo de preocupações mais místicas, mas depois foi expressando sua inquietação com mistério e um fino humor, valorizando a naturalidade do amor humano e a beleza das relações amorosas. Alguns de seus versos também tinham certo cunho político, o que geralmente lhe deixava em maus lençóis frente a seus colegas de diplomacia. Apesar de grande poeta, é na música que Vinícius de Moraes realmente se destaca e é imortalizado. Pertence à Segunda fase do Modernismo.

Cecília Meireles

Cecília Meireles (1901-1964) nasceu e morreu no RJ. Criada pela avó (os pais morreram quando ela era apenas um bebê), sempre foi uma aluna brilhante. Cecília iniciou parnasiana, fez duas obras mais simbolistas e depois ligou-se ao Modernismo, mas nunca realmente pertenceu totalmente a uma escola. Escreveu uma obra extremamente intimista e foi reconhecida largamente: foi a primeira mulher a ganhar um prêmio da ABL, ensinou na UERJ e na universidade do Texas. Além de poetisa, Cecília também foi teatróloga e tradutora.

Jorge de Lima

Jorge Mateus de Lima (1895-1953) foi, além de médico, político, pedagogo, professor, ensaísta, crítico, romancista, pintor e escultor um grande poeta modernista. Nascido no interior do estado de Alagoas, Jorge de Lima foi um poeta precoce. Sua primeira poesia publicada foi aos 13 anos; a fama chegou três anos mais tarde. Cursou Medicina em Salvador e no Rio de Janeiro, mas exerceu-a em Maceió, onde foi eleito deputado estadual. Introduziu métodos de sanitarização em Alagoas como diretor da saúde pública e em 1930 mudou-se para o Rio de Janeiro por causa da situação política, onde foi vereador e professor e acabou por morrer. Jorge de Lima aderiu ao Modernismo apenas em 1925, mas pertence à chamada geração de 30. Publicou vários livros de poesia e prosa; até mesmo um de fotomontagens.

João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto é considerado o maior poeta vivo brasileiro. Diplomata, este pernambucano nascido em 1920 recusa o sentimentalismo e é por alguns considerado um "poeta-engenheiro", pois constrói suas poesias de grande apelo visual. Em 1945 entrou para o Itamarati (Ministério das Relações Exteriores do Brasil) e viajou o mundo como diplomata. Em 1968 entrou na Academia Brasileira de Letras. Apesar de ter começado surrealista em seu primeiro livro, o segundo apresentava influência construtivista. Mais tarde publicou Morte e Vida Severina, que assim como outros poemas, mostra a realidade do NE brasileiro. João Cabral de Melo Neto é considerado o maior poeta da autodenominada "Geração de 45", apesar de ter participado pouco tempo dela.

"E somos Severinos

iguais em tudo na vida

morremos de morte igual,

mesma morte severina"

Morte e Vida Severina" Lá ficaria toda a vida

com a geometria e a aritmética.

Sua vida poderia ser

muito mais útil do que era.

O imperador dos brasileiros

os escritores muito preza.

Tardou o indulto mas chegou.

É mais seguro vir por terra.

(Aqui, descarga de espingardas.)" Auto do Frade

Manuel Bandeira

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1886-1968) é uma das figuras mais importantes da poesia brasileira e um dos iniciadores do Modernismo. Apesar de ser um poeta fabuloso, também foi ensaísta, cronista e tradutor. O próprio autor define sua poesia como a do "gosto humilde da tristeza". Grandes músicos de seu tempo como Heitor Villa-Lobos musicaram poemas seus.

No final da história, Bandeira transcendeu o Modernismo.

Já novo gostava da leitura, mas teve que abandonar a faculdade por ter contraído tuberculose. Passou doente toda vida, apesar das várias estadas em clínicas brasileiras e até na Suíça. Se ligou aos modernistas em 1921 e participou da Semana. Em 1940 tornou-se membro da ABL. Apesar de um começo parnasiano, Bandeira já produzia inovações em 1919. No livro deste ano estava contido poema Os Sapos, uma irreverente crítica aos parnasianos que foi usada como lema dos modernistas da primeira fase após ser lida por Ronald de Carvalho. As várias poesias subseqüentes tem metrificação nula e seus livros são ortodoxamente modernistas. Sua poesia mais famosa é, sem dúvida alguma, Vou me embora para Pasárgada.

Rachel de Queiroz

Rachel de Queiroz nasceu em 1910 e foi a primeira mulher eleita para a ABL (em 1977). Poetisa, cronista e teatróloga, sobressai-se como romancista e regionalista. Rachel de Queiroz tem em sua ficção a preocupação de mostrar tanto os problemas sócio-políticos do NE do Brasil como também fazer análises psicológicas. Sucesso de crítica e público, entre suas obras mais famosas encontram-se O Quinze, Caminhos de Pedra, Três Marias e Memorial de Maria Moura.

José Lins do Rego

José Lins do rego (1901-1957) é um dos mais importantes escritores regionalistas do Brasil. Seus romances, com altos tons autobiográficos, tratam muitas vezes do ciclo da cana-de-açúcar e dos explorados por essa. José Lins do Rego era paraibano e nasceu ele mesmo num engenho. Estudou Direito no Recife e formou-se em 1923. Dois anos depois tornou-se promotor em MG e no ano seguinte mudou-se para Maceió, onde começou a escrever seus primeiros livros. Em 35 mudou-se para o RJ, onde começou a escrever para jornais e revistas. Não trabalhou em outra cidade desta data até sua morte. As obras de José Lins do Rego são altamente pessoais e ele é considerado o iniciador do neo-realismo (escola literária moderna que se propõe a retratar o real mais objetivamente). Sua linguagem é mais descontraída e seus livros são populares não só com o público mas com a crítica. Sua primeira obra foi Menino do Engenho (sua obra-prima). Além de vários ensaios subseqüentes, escreveu também ensaios, livros de viagens, um livro infantil e outro de memórias.

Murilo Mendes

Murilo Monteiro Mendes (1901-1975) foi um dos mais importantes poetas da Segunda fase do Modernismo. Fez sua obra em diversos períodos com diversas características, chegando até mesmo a produzir poesias alinhadas aos processos de vanguarda dos anos 70. Murilo Mendes nasceu e estudou em juiz de Fora até a faculdade de Farmácia. Mudou-se então para Niterói. No Rio e em Niterói iniciou sua carreira, contribuindo para revistas enquanto funcionário público. Suas primeiras obras são tipicamente modernistas no começo, mas quando converteu-se ao catolicismo sua obra mudou. Nessa fase já tinha influências cubistas. Por toda a vida seu estilo mudou muito, passando da irreverência inicial ao rigor e a suas características vanguardistas.

Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa (1908-1967) foi um dos maiores prosistas do século XX. De um estilo único e pessoal de linguagem e narrativa, Guimarães Rosa sempre usou a realidade como fonte de inspiração sem descrevê-la documentalmente. Mineiro, o médico e diplomata Guimarães Rosa ganhou prêmios como poeta e contista já no início da carreira, na década de 30. Como servia na Alemanha em 1942, foi preso durante a guerra diplomática. A partir do fim do Estado Novo Guimarães Rosa vai ganhando força e qualidade como escritor. Em 1956 publica sua obra-prima, Grande Sertão: Veredas. Dois anos depois tornou-se ministro e em 1963 foi eleito para a ABL. Foi adiando sua posse durante quatro anos e acabou por falecer três dias após empossado. Guimarães Rosa começou a partir do Regionalismo mineiro, mas sua obra partiu para o universal, experimental e fantástico (nos dois sentidos), com grande profundidade psicológica. Guimarães Rosa pode ser considerado um dos melhores, se não melhor prosista da chamada geração de 45, tendo sido excelente não apenas em seus romances, como também em seus contos.

Oswald de Andrade

José Oswald de Andrade (1890-1853) foi poeta, romancista, ensaísta e teatrólogo. Figura de muito destaque no Modernismo Brasileiro, ele trouxe de sua viagem a Europa o Futurismo. Formado em Direito, Oswald era um playboy extravagante: usa luvas xadrez e tinha um Cadillac verde apenas porque este tinha cinzeiro, para citar apenas algumas de suas muitas extravagâncias. Amigo de Mário de Andrade, era seu oposto: milionário, extrovertido, mulherengo (casou-se 5 vezes, as mais célebres sendo as duas primeiras esposas: Tarsila do Amaral e Patrícia "Pagu" Galvão). Foi um dos principais artistas da Semana de Arte Moderna e lançou o Movimento Pau-Brasil e a Antropofagia, corrente que pretendia devorar a cultura européia e brasileira da época e criar uma verdadeira cultura brasileira. Fazendeiro de café, perdeu tudo e foi à falência em 1929 com o crash da Bolsa de Valores. Militante esquerdista, passou a divulgar o Comunismo junto com Pagu em 1931, mas desligou-se do Partido em 1945. Sua obra é marcada pela irreverência, pelo coloquialismo, pelo nacionalismo e pela crítica. Morreu sofrendo dificuldades de saúde e financeiras, mas sem perder o contato com os artistas da época. entre seus romance encontram-se Memórias Sentimentais de João Miramar, Os Condenados e Serafim Ponte Grande.

"Napoleão era um grande guerreiro que Maria da Glória conheceu e Pernambuco disse que o dia mais feliz da vida dele foi o dia em que fiz minha primeira comunhão." Memórias Sentimentais de João Miramar

"Eu pudera quem sabe prever o armistício com músicas jazzbandando pelas ruas aliadas e o esmigalhamento alemão por Foch e Poincaré, mas nunca auscultara minha precoce viuvez e a chegada de Antuérpia num cargoboat, do meu cunhado José Elesbão da Cunha com barbas. " Memórias Sentimentais de João Miramar

Mário de Andrade

Mário Raul de Morais Andrade (1893-1945) foi um dos organizadores do Modernismo e da Semana de Arte Moderna de 1922. Começou escrevendo críticas de arte e poesia (ainda parnasiana) com o pseudônimo de Mário Sobral. Rompeu com o Parnasianismo e o passado com Paulicéia Desvairada e a Semana, da qual participou ativamente. Mário de Andrade era um escritor completo: além de poesia, também escreveu romances (Amar, Verbo Intransitivo e Macunaíma), contos (Primeiro Andar, Belazarte e Contos Novos) e ensaios (A escrava que não é Isaura, Música do Brasil, O movimento modernista e O empalhador de passarinhos). Lutou sempre por uma literatura brasileira e com temas brasileiros. Ironicamente, Mário era anti-romântico e este também era o objetivo do romântico José de Alencar. Mário de Andrade era um homem tímido e, segundo Rachel de Queiroz, um homossexual reprimido. Num PS, esta figura é de Mário mais velho, mas ele nunca teve muito cabelo.

"O rosto se apoiou nos cabelos dele. Os lábios quase que, é natural, sim: tocaram na orelha dele. Tocaram por acaso, quase de posição. Os seios pousaram sobre um ombro largo, musculoso, agora impassível escutando. Chuvarada de ouro sobre a abandonada barca de Dânae… Carlos… eta arroubo interior, medo? vergonha? aterrorizado! indizível doçura… Carlos que nem pedra." Amar, Verbo Intransitivo

"… de amor!… Ela abriu os olhos da vida pra aquele. Ininteligente. Sarambé. Batido, sem mesmo vivacidade interior. Decididamente Luís lhe desagradava, e Fräulein não sentiu nenhuma vontade de continuar. Porém como se ele apenas esperasse um gesto dela para recomeçar o aprendizado, Fräulein molemente buscou entre as mãos dele a fita de serpentina. O gesto preparado aproximou os corpos. Ondulação macia de auto é pretexto que amante não deve perder. Descansando mais pesadamente o ombro no peito dele, Fräuilein se deixou amparar. Ensinava assim o mais doce, mais suaves dos gestos dos proteção." Amar, Verbo Intransitivo

"Ai! que preguiça!…" Macunaíma

"Pouca saúde e muita saúva os males do Brasil são." Macunaíma

Fonte: vestibular.setanet.com.br

     

Modernismo

     

No Brasil, o termo Modernismo envolve aspectos ligados ao movimento, propriamente dito, à estética e ao período histórico. Desde o início do século, a literatura tradicional, acadêmica e elitizante se mantém ao lado de tendências renovadoras, representadas por escritores como Euclides da Cunha, Monteiro Lobato e Lima Barreto. Com o passar do tempo, a busca pelo novo e as tentativas de renovação da arte brasileira se multiplicam com a promoção de exposições de pintura, esculturas modernas e artigos nos jornais, dedicados às tendências vanguardistas européias.

Modernismo

Na Europa, essa vanguarda tem como marca o avanço tecnológico e científico do início do século XX. Nesse período, o cotidiano das pessoas sofre uma verdadeira revolução com a supervalorização do progresso e da máquina. O capitalismo entra em crise, dando início à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), encerrando a chamada belle époque. A seguir, a crise financeira, oriunda do conflito, leva à Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e nos anos intermediários, conhecidos como "os anos loucos", as pessoas passam a conviver com a incerteza e com o desejo de viver somente o presente. Tais experiências despertam o anseio de interpretar e expressar a realidade de forma diferenciada, dando origem aos movimentos da vanguarda européia.

Os mais importantes foram: o futurismo, liderado pelo italiano Marinetti, exalta a velocidade e a máquina; o cubismo, oriundo da pintura, fraciona a realidade, remontando-a, a seguir, por meio de planos geométricos superpostos; o dadaísmo, com seu líder Tristan Tzara, nega totalmente a lógica, a coerência e a cultura, como forma de oposição ao absurdo da guerra. Tzara toma o termo dadá, que não significa nada, e o aplica à arte que produz, afirmando não reconhecer nenhuma teoria e declarando a morte da beleza; o surrealismo, lançado em 1924, por André Breton, com o Manifesto do Surrealismo, prega o apego à fantasia, ao sonho e à loucura, além da utilização da escrita automática em que o artista, provocado pelo impulso, registra tudo o que lhe vem à mente, sem preocupação com a lógica.

Essa vanguarda passa a exercer influência sobre os artistas e intelectuais brasileiros. Dessa forma, vão surgindo obras de autores jovens que, descontentes com a tradição acadêmica e parnasiana, demonstram que a literatura brasileira está sofrendo um processo dinâmico de transformação. Três datas (1922,1930 e 1945) marcam as diferentes fases desse movimento, iniciado com a Semana de Arte Moderna.

Contexto histórico da primeira fase (1922-1930) – Certas transformações foram responsáveis pela criação do ambiente propício à instalação das novas idéias, ressaltando-se: o Centenário da Independência e a Guerra Mundial (1914-1918), que favoreceu a expansão da indústria brasileira, promoveu novas relações políticas, além de abrir espaço para a renovação na educação e nas artes. Deu origem, também, ao questionamento do sistema político vigente, até então comandado pela oligarquia ligada à economia rural. Há, ainda, a grande influência da mão-de-obra imigrante, instalada no Sul, centro de poder da vida econômica e política do país. Outros fatos importantes foram: o triunfo da Revolução de Outubro de 1930, cujo levante se deu em 1922, e a fundação do Partido Comunista Brasileiro.

Igualmente relevante, foi a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, levando à queda do café brasileiro na balança de exportação, nessa mesma data. Tal fato, desestabiliza, no Brasil, o grupo dirigente e abre espaço para o novo, dando legitimidade à arte e à literatura modernas, entendidas, a princípio, como "capricho". O país vive os últimos anos da República Velha, caracterizada pelo domínio político das oligarquias, formadas pelos grandes proprietários rurais. Em 1922, com a revolta do Forte de Copacabana, o Brasil entra num período revolucionário de fato, culminando com a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas.

Contexto histórico da segunda fase (1930-1945) – No plano internacional, os fatos históricos que se destacam como os mais importantes são: a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, provocando profunda depressão econômica, conhecida como a Grande Depressão; a instalação da ditadura salazarista em Portugal, estendendo-se de 1932 a 1968; o início da Guerra Civil Espanhola, em 1936; a invasão da Polônia pela Alemanha, sob o comando de Adolf Hitler, resultando na Segunda Guerra Mundial; a invasão da ex-União Soviética pela Alemanha, em 1941; no mesmo ano em que os japoneses atacam aos Estados Unidos; a invasão da Itália, provocada pelos países aliados, em 1943; o fim da Segunda Guerra, em 1945, com a utilização da bomba atômica sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.

No Brasil, a Revolução de 1930 conduziu Getúlio Vargas ao poder com o apoio da burguesia industrial. Tratava-se de um governo provisório que incentivou a industrialização e substituiu o capital inglês pelo norte-americano. Descontentes com essa política, em 1932, os produtores de café de São Paulo se rebelam contra esse governo provisório, dando origem à chamada Revolução Constitucionalista de 9 de julho, que resultou em fracasso.

Em 1934, é promulgada a nova Constituição Brasileira, acompanhada da eleição de Getúlio Vargas para presidente da República. Mais tarde, em 1936, vários membros do Partido Comunista são presos, incluindo os escritores Jorge Amado e Graciliano Ramos. Em 1937, uma nova constituição é promulgada com características fascistas.

Em meio a todas essas conturbações, um fato merece registro. Trata-se das mortes, em 1938, de Lampião, o chefe do cangaço e de sua companheira Maria Bonita. O cangaço pode ser definido como o banditismo praticado pelos nordestinos expostos à extrema pobreza e constante injustiça social. Surge na grande seca de 1879, a partir de grupos armados que assaltam fazendas e casas comerciais para depois distribuírem o alimento furtado aos flagelados.

Além desses acontecimentos, em 1941, o Brasil entra na guerra, em apoio aos Estados Unidos da América do Norte, e, em 1945, Getúlio Vargas é deposto pelas Forças Armadas, pondo fim ao Estado Novo com a eleição de Eurico Gaspar Dutra para presidente da República.

Contexto histórico da terceira fase (Pós-1945) – A duas bombas lançadas covardemente sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki em agosto de 1945 apenas evidenciaram um fato que há muito estava comprovado: a vitória dos aliados sobre os países do eixo e o fim da Segunda Guerra Mundial. Começava, a partir de então, um confronto de duas nações e dois sistemas sócio-políticos que dividiria o mundo em duas partes e aumentaria o medo de uma outra guerra mais sanguinária: Estados Unidos versus União Soviética, ou capitalismo versus socialismo. No Brasil, chegava também ao fim o regime de quinze anos de poder de Getúlio Vargas, deposto pelos mesmos militares que o ajudaram a chegar à presidência. Getúlio ainda voltaria em 1951, desta vez eleito pelo povo que o idolatrava. Seu governo, no entanto, não chegou ao fim: sob suspeita de irregularidades no comando do país, Getúlio Vargas suicida-se com um tiro no coração no ano de 1954, causando uma comoção geral.

Dentre os presidentes que sucederam Getúlio, merece destaque a figura de Juscelino Kubitschek, eleito em 1955. Praticando a política dos "cinqüenta anos em cinco", Kubitschek apostou na industrialização como fonte de crescimento para o país. O investimento, sobretudo na área automobilística, necessitou de empréstimos de capital estrangeiro, o que implicava numa dívida externa cada vez maior e uma conturbada inflação. Um dos grandes marcos de seu governo foi a construção da nova capital do país: Brasília, inaugurada em 1960. Enquanto isso, as cidades inchavam cada vez mais com a migração das famílias provenientes de regiões agrárias, sobretudo do norte. O país, no entanto, possuía uma alegria a mais para esquecer dos problemas: o futebol brasileiro, campeão mundial nos anos de 1958 e 1962, e que viria conquistar o terceiro título em 1970.

A década de 60 é marcada pelo Golpe Militar no ano de 1964, quando os militares depuseram o presidente João Goulart e instituíram uma repressão que perseguiria, torturaria e exilaria os principais ícones de nossa política e cultura. O ano de 1968 ficou conhecido pela instituição do Ato Constitucional Número 5, que pregava a censura e condenava pessoas que viessem a se posicionar política e culturalmente contra o regime militar. Nossa cultura, no entanto, passava por um período fértil, não só na literatura e teatro, como também na música, com o nascimento dos grandes festivais de música popular e do "Tropicalismo", movimento musical que contava com nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e outros.

O Brasil só se livraria por completo da repressão militar no ano de 1984. O principal responsável por essa busca da democracia foi o então eleito presidente Tancredo Neves, que faleceria antes de tomar posse. A presidência é assumida pelo vice, José Sarney. Segue-se um período de pacotes econômicos constantes e uma inflação que chega a níveis absurdos.

A eleição de 1990 tornou-se um marco na história do país. Finalmente um presidente seria eleito pelo povo depois de tantos anos de ditadura e sofrimento. Fernando Collor de Melo assume o poder com uma maciça campanha política e uma gama de reformas que visavam colocar a nação no eixo do desenvolvimento. Tanta disposição foi, no entanto, desmascarada, mostrando uma séria teia de corrupção e lavagem de dinheiro, levando o país a um movimento de nacionalismo nunca antes visto, que culminaria com o Impeachment do presidente.

Com Fernando Collor impedido de continuar exercendo o cargo de presidente, seu vice Itamar Franco assume o poder. O marco de seu governo é a criação de uma nova moeda, o Real, que estabilizou os índices inflacionários e equilibrou de certo modo a economia em 1994. O criador do plano, o então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, tornou-se o sucessor de Itamar Franco na presidência, sendo reeleito no ano de 1998.

CARACTERÍSTICAS

O Modernismo tem como característica unificadora o desejo de liberdade de criação e expressão, aliados aos ideais nacionalistas, visando, sobretudo, emancipar-se da dependência européia. Esse anseio de independência inclui: o vocabulário, a sintaxe, a escolha de temas e a maneira de ver o mundo. Ao rejeitarem os padrões estilísticos portugueses, seus criadores cobrem de humor, ironia e paródia as manifestações modernistas, passando a utilizar as expressões coloquiais, próximas do falar brasileiro, promovendo a valorização diferenciada do léxico.

O mais importante é a atualidade, por isso centram o fazer literário na expressão da vida cotidiana, descrita com palavras do dia-a-dia, afastando-se da literatura tradicional, consagrada ao padrão culto. Um exemplo de incorporação da linguagem oral, na criação poética e descrição de coisas brasileiras, valorizando o prosaico, recoberto de bom humor, é o poema de Mário de Andrade, O poeta come amendoim (1924). Contudo, é preciso ressaltar que não havia imposição de normas e nem tratamento unificado dos temas.

Os modernistas revelam o nacionalismo, através da etnografia e do folclore. O índio e o mestiço passam a ser considerados por sua "força criadora", capaz de provocar "a transformação da nossa sensibilidade, desvirtuada em literatura pela obsessão da moda européia". Cantam, igualmente, a civilização industrial, destacando: a máquina, a metrópole mecanizada, o cinema e tudo que está marcado pela velocidade, aspecto preponderante no modo de vida da nova sociedade. Ao comporem o perfil psicológico do homem moderno, expõem angústias e infantilidades como forma de demonstrar o caráter e a complexidade do ser humano, apoiando-se, para tanto, na psicanálise, no surrealismo e na antropologia.

A Primeira Fase (1922-1930)

O primeiro momento, conhecido como fase heróica, corresponde à Semana de Arte Moderna em 1922, em São Paulo. Essa semana serviu como elemento de divulgação e dinamização das discordâncias, acelerando o processo de modernização. O objetivo central era se impor contra o Naturalismo, Parnasianismo e Simbolismo ainda vigentes.

Além disso, visava estabelecer uma teoria estética, nem sempre claramente explicitada por seus criadores e que acaba por renovar o conceito de literatura e de leitor. A Semana incluiu uma série de eventos (l3, l5 e 17 de fevereiro de 1922) no Teatro Municipal de São Paulo, reunindo artistas e intelectuais que, sob o aplauso e vaias da platéia, apresentaram uma espécie de sarau, declamando poemas, lendo trechos de romances, fazendo discursos, expondo quadros e tocando música.

Alguns acontecimentos, anteriores a 1922, preparam a trajetória do Modernismo; fatos, especificamente, ligados à estética renovadora, se multiplicam. Em 1912, Oswald de Andrade traz da Europa a novidade futurista; em 1913, o pintor Lasar Segall faz uma exposição, negando a pintura acadêmica. Em 1917, a exposição dos quadros de Anita Malfatti, em São Paulo, destacando a pintura expressionista, assimilada na Europa, coloca, de um lado, os que apóiam o novo e, de outro, os conservadores.

Na literatura, a transformação e o rompimento com o velho estão presentes, sobretudo, na obra de Oswald de Andrade, Memórias Sentimentais de João Miramar, publicada em 1916, cuja característica experimental notável se aprofunda em edições posteriores. Em 1920, Oswald e Menotti del Picchia iniciam a campanha de renovação nos jornais, tendo como expoente o poeta Mário de Andrade que, em 1922, traz a público Paulicéia Desvairada. Seu "Prefácio Interessantíssimo" corresponde a um primeiro manifesto estético.

Outra manifestação, em 1921, são os Epigramas Irônicos e Sentimentais, de Ronald de Carvalho, que, apesar de terem sido publicados em 1922, já revelam a busca por uma nova forma de expressão. No Rio de Janeiro, Manuel Bandeira se utiliza do verso livre. Ao final de 1921, os jovens de São Paulo preparam a Semana, contando com o apoio de Graça Aranha que, ao procurar criar uma filosofia para o movimento, acaba seu líder. Vários escritores do Rio e de São Paulo participam do evento: Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Ronald de Carvalho, Ribeiro Couto, Mário de Andrade e Oswald de Andrade.

Sabem que estão produzindo algo de novo, em oposição às tendências dominantes, entretanto não conseguem apontar claramente a trajetória a ser seguida. A esses escritores juntam-se os que publicam pela primeira vez: Luís Aranha Pereira, Sérgio Milliet, Rubens Borba de Moraes, Sérgio Buarque de Holanda, Prudente de Morais (neto), Antonio Carlos Couto de Barros. Unem-se, também, os pintores: Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Emiliano di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro; o escultor Victor Brecheret; o compositor Heitor Villa-Lobos e o historiador Paulo Prado, criador do movimento Pau-Brasil, em 1924. Ainda, em 1922, é lançada a renovadora revista Klaxon, em São Paulo, cuja publicação se estende até o número nove.

O movimento pela nova estética se radicaliza em São Paulo, revelando o aspecto agressivo e polêmico da empreitada. Aos poucos, escritores de norte a sul se ligam ao grupo na batalha de oposição aos conservadores. O espírito nacionalista, inspirado pelo desejo de libertação da tradição européia, toma conta das manifestações e estimula a luta dos renovadores.

Após a Semana, surgem propostas variadas que dão origem aos grupos: Pau-Brasil, lançado por Oswald de Andrade. O nome adotado faz referência à primeira riqueza brasileira exportada e o movimento tem como princípios: a exaltação do Carnaval carioca como acontecimento religioso da raça, o abandono dos arcaísmos e da erudição, a substituição da cópia pela invenção e pela surpresa; o Verde-Amarelo, se colocando em oposição ao Pau-Brasil, prega o nacionalismo ufanista e primitivista. Mais tarde, transforma-se no grupo da Anta, escolhida como símbolo da nacionalidade por ter sido o totem da raça tupi; o Regionalista, iniciado no Recife, prega o sentimento de unidade do Nordeste; o Antropofágico, liderado por Oswald de Andrade, inspirado no quadro Abaporu, (aba, "homem"; poru, "que come"), de Tarsila do Amaral, propõe a devoração da cultura importada com intuito de reelaboração, transformando o que veio de fora em produto exportável. As obras ligadas a esse movimento são Cobra Norato, de Raul Bopp, e Macunaíma, de Mário de Andrade.

Nesses agrupamentos, o enaltecimento do primitivismo passa a incluir a mitologia e o simbólico, sobretudo no movimento Antropofágico que, propondo a devoração dos valores europeus, lança suas idéias na Revista de Antropofagia (1928-1929).

Nessa primeira fase, o rompimento com o velho, a necessidade de chocar o público e de divulgar novas idéias estão marcados pelo radicalismo. Enquanto várias revistas são criadas por escritores renomados e por iniciantes, o movimento vai se estruturando de forma mais vibrante no Rio e em São Paulo, estendendo-se a Minas e ao polêmico regionalismo nordestino. As publicações variadas são fundamentais para o movimento que, extremamente ativo, se estende até 1930, quando menos agressivo, muda de rumos, principalmente, com referência à prosa, dominada, tradicionalmente, pela literatura oficial, ligada à Academia Brasileira de Letras, antagonista dos "futuristas", ou seja, dos modernistas, "rebeldes excêntricos do período".A partir dessa data, as novas idéias se generalizam, constituindo-se em padrões de criatividade. Findo esse primeiro momento, abre-se espaço para a segunda fase; a fase construtiva que prima pela estabilização das conquistas, com forte apelo social.

A Poesia – A poesia, produzida na primeira fase, apropria-se do ritmo, do vocabulário e dos temas da prosa, constituindo-se no principal veículo de divulgação do movimento. Abandona os modelos tradicionais do Parnasianismo e deixando de lado os recursos formais, adota o verso livre, sem número determinado de sílabas e sem metrificação, respeitando a inspiração poética. A cadência rítmica é mantida próxima da prosa em obediência à alternância de sons e acentos, demonstrando que a poesia está na essência ou no contraste das palavras selecionadas. A opção pelo verso livre expressa a alteração da música contemporânea, produzida pelo impressionismo, pela dissonância, pela influência do jazz e dodecafonia.

O registro do cotidiano aparece valorizado por meio de elementos diferenciados, incluindo: a linguagem coloquial; a associação livre de idéias; uma aparente falta de lógica; a mescla de sentimentos contrastantes, revelando o subconsciente e o nacionalismo. Às vezes, a preferência recai sobre o "momento poético" – observação de um determinado aspecto ou de um instante emocional, resultando em condensação poética.

O presente é incorporado aos versos por meio do progresso, da máquina, do ritmo da vida moderna. O humor, igualmente empregado, manifesta-se sob a forma de ironia ou paradoxo, surgindo o poema-piada, condensação irreverente que busca provocar polêmica.

A Prosa

A prosa do período não apresenta o mesmo vigor da poesia, mas revela conquistas importantes. A princípio, demonstra certa densidade, carregada de imagens, provocando tensão pela expressividade de cada palavra. Os recursos são variados como: a aproximação com a poesia, o apoio na fala coloquial e na utilização de períodos curtos. Um dos modernistas, Oswald de Andrade, aplica essas experiências não só em seus artigos e manifestos, mas também na obra Memórias Sentimentais de João Miramar (1924). Trabalha a realidade através de recursos poéticos, empregando metáforas e trocadilhos. Essa técnica, aliada a uma "espécie de estética do fragmentário", compõe-se de espaços em branco na formatação tipográfica e também na seqüência do discurso, cabendo ao leitor a tarefa de dar sentido ao que lê.

Ao lado de Oswald de Andrade, outros escritores se destacam: Antonio de Alcântara Machado com Pathé Baby, Plínio Salgado com O Estrangeiro, José Américo de Almeida com Bagaceira. Há os que dão ênfase à experiência léxica e sintática, tendo como suporte a fala coloquial. Mário de Andrade é um de seus representantes com Amar, Verbo Intransitivo e Macunaíma. Neste último, o novo está, sobretudo, no emprego da lenda, revelando contornos poéticos, derivados da liberdade na escolha do vocabulário, nacionalizando o modo de escrever.

A Segunda Fase (1930-1945)

É o período de maturação e de regionalismo, revelando-se, após as conquistas da geração de 1922, uma fase muito rica na produção de prosa e poesia. Reflete o momento histórico conturbado, reinante não só na Europa, mas também no mundo.

Poesia – Nesta fase construtiva predomina a prosa, enquanto a poesia se apresenta de forma mais amadurecida. Não precisa mais ser irreverente e experimentalista, nem chocar o público; agora familiarizado com a nova maneira de expressão. As influências de Mário e Oswald de Andrade estão presentes na produção poética pós Semana de Arte Moderna. Os novos poetas dão continuidade à pesquisa estética anterior, mantendo o verso livre e a poesia sintética.

A nova técnica está marcada pelo questionamento mais vigoroso da realidade, acompanhada da indagação do poeta sobre seu fazer literário e sua interpretação sobre o estar-no-mundo. Conseqüentemente, surge uma poesia mais madura e politizada, comprometida com as profundas transformações sociais enfrentadas pelo país. Ampliando os temas da fase anterior, volta-se para o espiritualismo e o intimismo, presentes em certas obras de Murilo Mendes, Cecília Meireles, Jorge de Lima e Vinicius de Morais.

A Prosa

A prosa reflete o mesmo momento histórico da poesia, cobrindo-se igualmente das preocupações dos poetas da década de 30. São autores mais representativos: José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Jorge Amado e Erico Verissimo.

Nessa fase, a prosa se reveste de caráter mais maduro e construtivo, refletindo e aproveitando as conquistas da geração de 1922. A linguagem atinge certo equilíbrio e adota uma postura mais documental ao expor a realidade brasileira e focalizar o aspecto social. Essa tendência é aplicada nos romances urbanos, voltados à exposição da vida nas grandes cidades, revelando as desigualdades sociais, observadas na vida urbana brasileira, com destaque para algumas obras de Erico Verissimo.

Os escritores focalizam, ainda, a realidade regional do país, originando a prosa regionalista que destaca a seca e os flagelos dela decorrentes. Os romancistas comprometidos com essa temática são: Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Jorge Amado e Graciliano Ramos. Ao lado dessa tendência, encontra-se a prosa intimista ou de sondagem psicológica, elaborada a partir do surgimento da teoria psicanalítica freudiana. Seus representantes são: Dionélio Machado, Lúcio Cardoso e Graciliano Ramos. Portanto, a denúncia social e a relação do "eu" com o mundo e, em especial, com o povo brasileiro são o ponto de tensão dos romances do período.

A preocupação mais marcante da prosa é o homem do Nordeste, incluindo sua vida precária e as condições adversas impostas pela geografia do lugar, pela submissão dos trabalhadores aos proprietários de terras, advinda de sua grave falta de instrução. O encontro com o povo brasileiro propicia, pois, o nascimento do regionalismo, reforçado pelos temas dedicados à decadência dos engenhos; às regiões de cana-de-açúcar; às terras do cacau no sul da Bahia; à vida agreste; às constantes secas, aprofundando as desigualdades sociais; ao movimento migratório; à mão-de-obra barata, à miséria e à fome.

Em 1945, encerra-se o período dinâmico do Modernismo, abrindo espaço para a fase de reflexão, devotada aos questionamentos sobre a linguagem, ao retorno a certos modelos estilísticos tradicionais, sobretudo, no início dos anos 50, visando inovações.

Some-se a isso que, o término da Segunda Guerra Mundial (1945) empurra o país para a era industrial e passa a contar com um proletariado de grande peso representativo, ávido de participar efetivamente da vida política. Além disso, o país desponta como uma potência moderna, facilitando o aparecimento da nova estética, revelando, segundo Antonio Candido, "no seu ritmo histórico, uma adesão profunda aos problemas da nossa terra e da nossa história contemporânea".

A Terceira Fase (Pós-1945)

Nesta terceira fase, presencia-se a rejeição da geração de 22 na poesia. Surge o Concretismo, a Poesia-Práxis, o Poema-Processo, o Poema-Social, a Poesia Marginal e os músicos-poeta. Na prosa, a exploração do psicológico e dos conflitos entre o homem e a modernidade, a busca da universalização e de uma literatura engajada e o mergulho no realismo fantástico e no romance de reportagem passam a ser o foco. A crônica, o conto, a prosa autobiográfica e o teatro ganham força.

A Poesia – A poesia da segunda metade da década de 40 é marcada pela presença da Geração de 45, onde se destacariam grandes nomes dentro de nossa literatura, entre eles João Cabral de Melo Neto. Essa geração tem como marco a publicação dos nove números da "Revista Orfeu", no Rio de Janeiro. Pregavam, acima de tudo, a rejeição aos moldes modernistas da geração de 22, ou seja: o fim do verso livre, da paródia, da ironia, do poema-piada, etc. A poesia deveria seguir um modelo mais formal, de cunho neoparnasiano ou neo-simbolista, com versificação mais regrada, maior erudição com relação às palavras e uso de temas mais universais.

Contrapondo a toda essa busca pelos padrões clássicos, Décio Pignatari, Augusto de Campos e Haroldo de Campos criaram o Concretismo, que condizia mais com a rapidez e agilidade da sociedade moderna. O Concretismo vai além de tudo o que o Modernismo conquistou: prega o fim do verso, do lirismo e do tema, além da exploração do espaço em branco, e a decomposição e montagem de palavras, com seus vários sentidos e correlações com outras palavras. O poema em si muitas vezes lembra um cartaz publicitário que se evidencia pelo apelo visual e permite várias leituras.

Outro movimento de profunda importância literária é o da Poesia-Práxis, liderado pelo poeta Mário Chamie e por Cassiano Ricardo. A poesia, segundo essa nova concepção, deve ser energética e dinâmica, com um conteúdo de importância, podendo ser transformada e reformulada pelo leitor, permitindo uma leitura múltipla. O Poema-Processo, assim como a poesia concreta, apela para o campo visual, através do uso de cortes e colagens e signos não-verbais. São poemas de apreciação e compreensão muito truncadas, mais para serem vistos do que lidos. A Poesia Social surge para trazer novamente à tona a força do verso, abolido pela poesia concreta e pelo Poema-Processo, sendo que a principal preocupação está sempre voltada para o retrato da realidade social. A Poesia Marginal mantém, no entanto, algumas relações com o Concretismo e o Poema-Processo. Sua linguagem é marcada pela busca da descrição do cotidiano, do instante, numa linguagem mais simples e um tom coloquial que tem como marca a ironia, o humor e o desprezo à elite e à sociedade, retomando algumas características da obra de Oswald de Andrade. Eram, na maioria dos casos, rodadas em mimeógrafos e entregues de mão em mão.

Uma das características da poesia contemporânea é uma busca cada vez maior de uma intertextualidade com outros meios de expressão, exigindo uma linguagem cada vez mais fragmentada e rápida que muitas vezes contrasta com uma necessidade de reencontro com os padrões clássicos, onde se evidenciam poemas mais longos e lineares. Outra característica relevante que só veio a contribuir para a difusão da poesia foi seu casamento com a música popular, que acentua o crescimento dos meios de comunicação de massa e a produção mais industrializada da literatura. Surgiram músicos-poeta como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Milton Nascimento e outros, precedidos pela excelência de Vinícius de Moraes.

A Prosa – A publicação do livro Perto do Coração Selvagem de Clarisse Lispector em 1944 já indiciava um novo caminho: a prosa da década de 40 e 50 seria marcada pela exploração do campo psicológico das personagens, o urbanismo que revela a relação conflituosa entre o homem e a modernidade, e o regionalismo que renova a linguagem literária, numa profunda busca pela universalização. Além de Clarisse Lispector, outro nome se destacaria dentro dessa nova concepção literária: Guimarães Rosa. Clarisse Lispector vai usar na maioria das vezes o cenário das grandes cidades como pretexto para expressar um outro mundo: o mundo interior de cada personagem. Guimarães Rosa usa e abusa do testemunho realista e de uma linguagem completamente inovadora e mítica para redescobrir a linguagem e o sertão do Brasil, ampliando o conceito do sertão e do sertanejo que ali vive.

A prosa urbana vai ser cada vez mais explorada a partir dos anos 60, mostrando os problemas acarretados pelo progresso, e um ser humano cada vez mais solitário, marginalizado e vítima de um mundo violento, que se fecha e enfrenta também a si mesmo. A linguagem vai tender cada vez mais à concisão e à fragmentação, rompendo muitas vezes com a linearidade temporal e espacial, tentando descrever o fluxo do pensamento e mostrando a rapidez e o absurdo da modernidade. Nascendo a partir dos mesmos campos urbanos e psicológicos que propulsionaram a literatura nos anos 40 e 50, tem-se a prosa mais introspectiva, o realismo fantástico e o romance reportagem.

A prosa de cunho político vai também se impor com grande força, tendo como objetivo retratar a violência e a repressão política que assolaram o país desde 1964, ou denunciando de um modo satírico e irônico a corrupção que assola o homem, e por conseqüência o governo, e que promove a sempre a discórdia e a desigualdade social. É o caso, por exemplo, de Incidente em Antares de Erico Verissimo.

Outros gêneros que ganham força dentro do panorama literário brasileiro são a prosa autobiográfica, o conto e a crônica, sendo que os dois últimos se consolidaram como modelos de literatura moderna. O conto consegue a síntese e a rapidez que a modernidade pede, mostrando-se mais fácil e mais ágil de ser lido. A crônica ganhou um espaço muito grande dentro dos principais veículos de comunicação como a revista e o jornal devido à sua linguagem mais coloquial, sua ligação mais íntima com o cotidiano, sua irreverência e ironia, e sua mais fácil assimilação por parte dos leitores, destacando escritores consagrados e novos como, por exemplo, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Rubem Braga, entre outros.

O Teatro – Merece destaque também a revolução que o teatro brasileiro, que perdia terreno para o rádio e o cinema, sofreu a partir da década de 40, principalmente com a estréia da peça Vestido de Noiva em 1943, de Nelson Rodrigues, que promove uma verdadeira renovação com relação à ação, personagens, espaço e tempo.

A década de 60 e 70 vai mostrar também o teatro político que expressa um forte nacionalismo preocupado em revelar e denunciar a realidade agonizante do Brasil durante o regime militar, buscando uma ligação e uma participação cada vez mais sólida do público dentro da peça, e revelando atores, diretores e dramaturgos de qualidade excepcional, premiados a nível nacional e internacional.

Fonte: www.nilc.icmc.usp.br

     

Modernismo

     

Tendência vanguardista que rompe com padrões rígidos e caminha para uma criação mais livre, surgida internacionalmente nas artes plásticas e na literatura a partir do final do século XIX e início do século XX. É uma reação às escolas artísticas do passado. Como resultado desenvolvem-se novos movimentos, entre eles o expressionismo, o cubismo, o dadá, o surrealismo e o futurismo.

Modernismo

No Brasil, o termo identifica o movimento desencadeado pela Semana de Arte Moderna de 1922. Em 13, 15 e 17 de fevereiro daquele ano, conferências, recitais de música, declamações de poesia e exposição de quadros, realizados no Teatro Municipal de São Paulo, apresentam ao público as novas tendências das artes do país. Seus idealizadores rejeitam a arte do século XIX e as influências estrangeiras do passado. Defendem a assimilação das tendências estéticas internacionais para mesclá-las com a cultura nacional, originando uma arte vinculada à realidade brasileira.

A partir da Semana de 22 surgem vários grupos e movimentos, radicalizando ou opondo-se a seus princípios básicos. O escritor Oswald de Andrade e a artista plástica Tarsila do Amaral lançam em 1925 o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, que enfatiza a necessidade de criar uma arte baseada nas características do povo brasileiro, com absorção crítica da modernidade européia. Em 1928 levam ao extremo essas idéias com o Manifesto Antropofágico, que propõe "devorar" influências estrangeiras para impor o caráter brasileiro à arte e à literatura. Por outro caminho, mais conservador, segue o grupo da Anta, liderado pelo escritor Menotti del Picchia (1892-1988) e pelo poeta Cassiano Ricardo (1895-1974). Em um movimento chamado de verde-amarelismo, fecham-se às vanguardas européias e aderem a idéias políticas que prenunciam o integralismo, versão brasileira do fascismo.

O principal veículo das idéias modernistas é a revista Klaxon, lançada em maio de 1922.

Artes plásticas –Uma das primeiras exposições de arte moderna no Brasil é realizada em 1913 pelo pintor de origem lituana Lasar Segall. Suas telas chocam, mas as reações são amenizadas pelo fato de o artista ser estrangeiro. Em 1917, Anita Malfatti realiza a que é considerada de fato a primeira mostra de arte moderna brasileira. Apresenta telas influenciadas pelo cubismo, expressionismo, fauvismo e futurismo que causam escândalo, entre elas A Mulher de Cabelos Verdes.

Apesar de não ter exposto na Semana de 22, Tarsila do Amaral torna-se fundamental para o movimento. Sua pintura é baseada em cores puras e formas definidas. Frutas e plantas tropicais são estilizadas geometricamente, numa certa relação com o cubismo. Um exemplo é Mamoeiro. A partir dos anos 30, Tarsila interessa-se também pelo proletariado e pelas questões sociais, que pinta com cores mais escuras e tristes, como em Os Operários.

Di Cavalcanti retrata a população brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla influências realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Moças de Guaratinguetá. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo é Candido Portinari, que recebe influência do expressionismo. Entre os muitos exemplos estão as telas Café e Os Retirantes.

Distantes da preocupação com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo dadá, estão os pintores Ismael Nery e Flávio de Carvalho (1899-1973). Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), Cícero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).

O principal escultor modernista é Vitor Brecheret. Suas obras são geometrizadas, têm formas sintéticas e poucos detalhes. Seu trabalho mais conhecido é o Monumento às Bandeiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Outros dois escultores importantes são Celso Antônio de Menezes (1896-) e Bruno Giorgi (1905-1993).

Na gravura, o modernismo brasileiro possui dois expoentes. Um deles é Osvaldo Goeldi (1895-1961). Identificado com o expressionismo, cria obras em que retrata a alienação e a solidão do homem moderno. Lívio Abramo (1903-1992) desenvolve também um trabalho com carga expressionista, porém engajado socialmente.

A partir do final dos anos 20 e início da década de 30 começam a se aproximar do modernismo artistas mais preocupados com o aspecto plástico da pintura. Utilizam cores menos gritantes e composição mais equilibrada. Entre eles destacam-se Alberto Guignard (1896-1962), Alfredo Volpi, depois ligado à abstração, e Francisco Rebolo (1903-1980).

O modernismo enfraquece a partir dos anos 40, quando a abstração chega com mais força ao país. Seu final acontece nos anos 50 com a criação das bienais, que promovem a internacionalização da arte do país.

Literatura

Uma das principais inovações modernistas é a abordagem de temas do cotidiano, com ênfase na realidade brasileira e nos problemas sociais. O tom é combativo. O texto liberta-se da linguagem culta e passa a ser mais coloquial, com admissão de gírias. Nem sempre as orações seguem uma seqüência lógica e o humor costuma estar presente. Objetividade e concisão são características marcantes. Na poesia, os versos tornam-se livres, e deixa de ser obrigatório o uso de rimas ricas e métricas perfeitas.

Os autores mais importantes são Oswald de Andrade e Mário de Andrade, os principais teóricos do movimento. Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Graça Aranha (1868-1931). Em sua obra, Oswald de Andrade várias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Na poesia, Pau-Brasil é um de seus principais livros. A primeira obra modernista de Mário de Andrade é o livro de poemas Paulicéia Desvairada. Sua obra-prima é o romance Macunaíma, o Herói sem Nenhum Caráter, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao simbolismo, a poesia de Manuel Bandeira também exibe traços modernistas. Um exemplo é o livro Libertinagem.

O modernismo vive uma segunda fase a partir de 1930, quando é lançado Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade. Os temas sociais ganham destaque e o regionalismo amplia sua temática. Paisagens e personagens típicos são usados para abordar assuntos de interesse universal. Entre os que exploram o romance social voltado para o Nordeste estão Rachel de Queiroz, de O Quinze, Graciliano Ramos, de Vidas Secas, Jorge Amado, de Capitães da Areia, José Américo de Almeida, de A Bagaceira, e José Lins do Rego (1901-1957), de Menino de Engenho. Surgem ainda nessa época os romances de introspecção psicológica urbanos, como Caminhos Cruzados, de Érico Veríssimo. Numa linha mais intimista estão poetas como Cecília Meireles, autora de Vaga Música, Vinicius de Moraes, de Poemas, Sonetos e Baladas, Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), de Desaparição da Amada, e Henriqueta Lisboa (1904-1985), de A Face Lívida.

A terceira fase do modernismo tem início em 1945. Os poetas retomam alguns aspectos do parnasianismo, como Lêdo Ivo, de Acontecimento do Soneto. João Cabral de Melo Neto, de Morte e Vida Severina, destaca-se pela inventividade verbal e pelo engajamento político. Na prosa, os principais nomes são Guimarães Rosa, autor de Grande Sertão: Veredas, e Clarice Lispector, de Perto do Coração Selvagem.

Música

O modernismo dá prosseguimento às mudanças iniciadas com o impressionismo e o expressionismo, rompendo ainda mais com o sistema tonal (música estruturada a partir da eleição de uma das 12 notas da escala como a principal). Os movimentos musicais modernistas são o dodecafonismo, o neoclassicismo e as escolas nacionais (que exploram o folclore de cada país), predominantes internacionalmente de 1910 a 1950.

Heitor Villa-Lobos é o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar às criações um caráter brasileiro, busca inspiração no folclore e incorpora elementos das melodias populares e indígenas. O canto de pássaros brasileiros aparece em Bachianas nº 4 e nº 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fumaça, e em Choros nº 8 busca imitar o som de pessoas numa rua. Nos anos 30 e 40, sua estética serve de modelo para compositores como Francisco Mignone (1897-1986), Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radamés Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri (1907-1993).

Teatro

O modernismo influencia tardiamente a produção teatral. Só em 1927 começam as inovações nos palcos brasileiros. Naquele ano, o Teatro de Brinquedo, grupo experimental liderado pelo dramaturgo e poeta Álvaro Moreyra (1888-1965), monta Adão, Eva e Outros Membros da Família. A peça, em linguagem coloquial e influenciada pelo marxismo, põe pela primeira vez em cena dois marginais: um mendigo e um ladrão.

Ainda na década de 20 são fundadas as primeiras companhias de teatro no país, em torno de atores como Leopoldo Fróes (1882-1932), Procópio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dicção brasileira para os atores, até então submetidos ao sotaque e à forma de falar de Portugal. Também inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicológica e visão mais complexa do ser humano.

A peça O Rei da Vela (1937), de Oswald de Andrade, é considerada o primeiro texto modernista para teatro. Nas experiências inovadoras anteriores, apenas a encenação tinha ares modernistas ao incluir a pintura abstrata nos cenários e afastá-los do realismo e do simbolismo. Mas o texto de Oswald de Andrade trata com enfoque marxista a sociedade decadente, com a linguagem e o humor típicos do modernismo.

A peça O Bailado do Deus Morto, de Flávio de Carvalho, é uma das primeiras montagens modernistas, encenada pela primeira vez em 15 de novembro de 1933, em São Paulo. Mescla teatro, dança, música e pintura. É o primeiro espetáculo com texto livre, improvisado, cenário impactante, linguagem popular e uso de palavrão, sem preocupação com a seqüência lógica de acontecimentos.

Fonte: www.artesbr.hpg.ig.com.br

Modernismo

Modernismo

O início do século XX foi um momento de crise aguda, de dissolução de muitos valores. Os artistas reagiram ao cepticismo social, marcado por um laxismo próximo do «laissez-faire, laissez-passer» através da agressão cultural, pelo sarcasmo, pelo exercício gratuito das energias individuais, pela sondagem, a um tempo lúcida e inquieta, das regiões virgens e indefinidas do inconsciente, ou então pela entrega à vertigem das sensações, à grandeza inumana das máquinas, das técnicas, da vida gregária nas cidades.

No início deste século as minorias criadoras manifestaram-se por impulsos de ruptura com as diversas ordens vigentes. As forças da aventura romperam as crostas das camadas conservadoras e tentaram redescobrir o mundo através da redescoberta da linguagem estética. Na área da poesia recusam-se os temas poéticos já gastos, as estruturas vigentes da poética ultrapassada. A arte entra numa dimensão-outra: os objectos não-estéticos e o dia-a-dia na sua dimensão multiforme entram na arte. Recusa-se o código linguístico convencional e, sob o signo da invenção, surgem novas linguagens literárias: desde a desarticulação deliberada até à densamente metafórica, quase inacessível ao entendimento comum.

É a toda esta recusa, desejo de ruptura e redescoberta do mundo através da linguagem estética que se chama modernismo ou movimento modernista. No caso português, o modernismo pode ser considerado um movimento estético, em que a literatura surge associada às artes plásticas e por elas influenciada. Nomes como Fernando Pessoa (n. 1888), Sá Carneiro (n. 1890) e Almada Negreiros (n. 1893), são marcos importantes desta época.

Foi em 1913, em Lisboa, que se constituiu o núcleo do grupo modernista. Pessoa e Sá Carneiro haviam colaborado na Águia, órgão do Saudosismo; mas iam agora realizar-se em oposição a este, desejosos como estavam de imprimir ao ambiente literário português o tom europeu, audaz e requintado, que faltava à poesia saudosista. Nesse ano de 1913 escreveu Sá Carneiro, aplaudido pelo seu amigo Fernando Pessoa, os poemas de Dispersão; Fernando Pessoa dava início a uma escola efémera compondo o poema «Pauis» (ambos nutriam o sonho de uma revista, significativamente intitulada Europa). Em 1914 os nossos jovens modernistas, estimulados pela aragem de actualidade vinda de Paris com Sá Carneiro e Santa Rita Pintor, adepto do futurismo, faziam seu o projecto que Luís da Silva Ramos (Luís de Montalvor) acabava de trazer do Brasil: o lançamento de uma revista luso-brasileira: Orpheu. Desta revista saíram dois números em 1915; incluíam colaboração de Montalvor, Pessoa, Sá Carneiro, Almada Negreiros, Cortes Rodrigues, Alfredo Pedro Guisado e Raul Leal; dos brasileiros Ronald de Carvalho e Eduardo Guimarães; de Ângelo de Lima, internado no manicómio; de Álvaro de Campos, heterónimo de Pessoa. Feitos, em parte, para irritar o burguês, para escandalizar, estes dois números alcançaram o fim proposto, tornando-se alvo das troças dos jornais; mas a empresa não pôde prosseguir por falta de dinheiro. A geração modernista continuou a manifestar-se, quer em publicações individuais, quer através de outras revistas, como é o caso de Exílio (1916), com um só número e Centauro (1916). Em Portugal, a nova geração combatia o academismo bem pensante de republicanos burgueses que tinham feito carreira à sombra do partido.

O Modernismo encerra um humanismo seminal, incita à plenitude individual. E desponta nele, intuitiva e, de modo precursor, o Sobrerrealismo, sobretudo em Sá Carneiro, a par da visão do mundo como coisa absurda e sem suporte. A geração do Orpheu surge como ponto de arranque em mais duma direcção – começo de uma época nova, liquidação de certas formas de pensar e de sentir. A literatura não é já expressão do indivíduo mas linguagem que se constitui, inesperada, a partir dum vazio, dum não-eu.

O modernismo português não foi um movimento homogéneo, mas sim uma síntese de várias tendências quer literárias quer plásticas, manifestando-se ao invés dos movimentos literários anteriores basicamente em Lisboa, apenas com algumas adesões de Coimbra e ecos vagos noutros pontos da província

Fonte: www.citi.pt

     

Modernismo

     

A arte moderna no Brasil tem uma espécie de data oficial de nascimento. É fevereiro de 1922, quando se realizou, no Teatro Municipal de São Paulo, a Semana de Arte Moderna. A "Semana", que apresentou eventos em diversas áreas, foi o resultado dos esforços conjugados de intelectuais, poetas e artistas plásticos, apoiados e patrocinados, inclusive financeiramente, pelos chamados "barões do café", a alta burguesia cujas fortunas vinham do cultivo e/ou exportação desse produto.

Modernismo

Naturalmente, a arte moderna brasileira não "nasceu", de fato, num ano exato. Alguns acontecimentos prepararam a "Semana", destacando-se, em 1917, uma polêmica exposição de Anita Malfatti, que estudara na Alemanha e mostrava em sua pintura uma nítida influência do expressionismo. De qualquer forma, 1922 (ano também do centenário da independência do Brasil e da fundação do Partido Comunista no País) ficou sendo a data símbolo.

Um dos participantes e grandes apoiadores da "Semana" (assim como de todos os movimentos intelectuais progressistas das décadas seguintes) foi o poeta e crítico Mário de Andrade que, em 1942, a ela se referiu como um movimento "essencialmente destruidor". Mas não foi bem assim. Sem dúvida, a iniciativa tinha também seu caráter iconoclasta, mas construiu bem mais que destruiu. Forneceu o ponto de partida para uma estética e uma prática efetivamente do nosso século numa arte até então conservadora. Os principais artistas plásticos que participaram da "Semana" foram os pintores Anita Malfatti (1896-1964), Vicente do Rego Monteiro (1899-1970), John Graz (1891-1980) e Emiliano Di Cavalcanti, assim como Victor Brecheret (1894-1955), o maior escultor figurativo do século XX no Brasil.

Ao longo da década de 30, a nova estética e a nova prática artística – embora se mantivessem dentro dos limites do figurativismo – foram se firmando no Brasil, tanto através da ação de grupos quanto do trabalho isolado de criadores independentes. A esse período podemos chamar, genericamente, de modernismo. Seu caráter figurativo não tinha o caráter histórico/épico que embasa, por exemplo, o muralismo mexicano. Na verdade, no Brasil não existiu uma cultura pré-colombiana desenvolvida, como a dos incas, maias e astecas; os índios brasileiros estavam num estágio muito mais rudimentar de civilização. O resgate de uma antiga identidade cultural destruída pelo colonizador europeu nunca foi, portanto, uma preocupação nacional brasileira. Isso não impede, é claro, que alguns artistas tenham tentado identificar e apreender em seu trabalho o que possa vir a ser "brasilidade".

Desde o começo da década de 30 surgem novos grupos modernistas, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Como regra, não têm laços diretos com os precursores nem com os participantes da "Semana", nem o mesmo empenho em teorizar sua produção. O modernismo dos anos 20 era erudito, internacionalizante e, de certa forma, elitista. O dos novos grupos, não; queria refletir e participar diretamente da vida social. Talvez por isso, estilisticamente eram grupos algo tradicionalistas – o que não significava, entretanto, qualquer retorno ao passado acadêmico.

Modernismo

De 1931 a 1942 funcionou, no Rio, o Núcleo Bernardelli, cujos principais integrantes foram Bustamante Sá (1907-1988), Eugênio Sigaud (1899-1979), Milton Dacosta (1915-1988), Quirino Campofiorito (1902-1993) e José Pancetti (1904-1958). Em 1932, fundaram-se em São Paulo a Sociedade Pró-Arte Moderna (SPAM) e o Clube dos Artistas Modernos (CAM). Talvez por estar em São Paulo (onde acontecera a "Semana"), a SPAM mantinha alguns laços com o primeiro modernismo. Os artistas mais importantes que dela participaram foram o imigrante lituano Lasar Segall (1891-1980), Tarsila do Amaral (1886-1973) e o escultor Victor Brecheret (1894-1955). Já no CAM, o líder incontestável foi Flávio de Carvalho (1899-1973).

Finalmente, em 1935/36, ainda em São Paulo, aglutinaram-se, de maneira informal, alguns pintores que hoje chamamos de Grupo Santa Helena. Os principais foram Francisco Rebolo (1903-1980), Aldo Bonadei (1906-1974), Mário Zanini (1907-1971), Clóvis Graciano (1907-1988) e Alfredo Volpi. O Grupo Santa Helena é um excelente exemplo das mudanças ocorridas desde a "Semana". Esta fora patrocinada e usufruída pela aristocracia do café. Quanto aos artistas do "Santa Helena", eram de origem humilde, imigrantes ou filhos de imigrantes, e produziam uma arte simples, cotidiana, em certo sentido proletária.

Modernismo

Após os movimentos dos anos 30, a arte moderna estava, enfim, bem assentada no Brasil. Na década de 40, assiste-se ao primeiro apogeu de Cândido Portinari (1903-1962), de Alberto da Veiga Guignard (1896-1962), de José Pancetti (1904-1958) etc. Começam suas carreiras os escultores Bruno Giorgi (1905-1993) e Alfredo Ceschiatti (1918- 1989). Começam também a trabalhar, ainda como figurativos, vários dos futuros integrantes das tendências abstratas. Uma individualidade poderosa a registrar, a partir dessa década, e que continua em ação até hoje, é a do desenhista e gravador figurativo Marcelo Grassmann (1925), dono de um universo inconfundível, aparentado (por assim dizer) com a imemorial tradição expressionista e fantástica da arte da Europa Central. Grassmann desenha um mundo de damas e cavaleiros medievais, fantasmagorias e monstros engendrados pelo sonho da razão, como diria Goya.

Modernismo

Com raras exceções (destacando-se o Clube de Gravura de Porto Alegre, fundado em 1950, e que foi o movimento mais politizado até hoje na arte brasileira, praticando quase o realismo social), os anos 50 e 60 viram o triunfo das tendências abstratas. Só após 1965, quando se realiza no Rio a exposição Opinião 65, as novas gerações retomam a arte figurativa. Essa retomada se faz nos mesmos moldes em que ela foi reaparecendo em todo o mundo: a nova figuração, de índole crítica, muitas vezes socialmente engajada; a crônica da contemporaneidade e da sociedade de consumo, influenciada pela pop art; e assim por diante. Opinião 65 constituiu a primeira de uma série de exposições e eventos, happenings, investigações de linguagem e buscas do novo em todos os sentidos. Seus principais participantes foram: Antônio Dias (1944), Carlos Vergara (1941), Hélio Oiticica (1937), Roberto Magalhães (1940) e Rubens Gerchman (1942). Mencionaremos ainda aqui o Grupo Rex (1966/67), a Bienal da Bahia (1966 e 68) e a mostra Nova Objetividade Brasileira (1967).

Modernismo

Em sintonia com o que ia acontecendo no resto do mundo, a década de 70 começa no Brasil com um certo arrefecimento das vanguardas. "A primeira atitude dos anos 70 foi substituir o ativismo pela reflexão, a emoção pela razão, o objeto pelo conceito e, no extremo da proposta, a vida pela arte" – escreve o crítico Frederico Morais (Cadernos História da Pintura no Brasil, volume 6, Instituto Cultural Itaú). Brota daí a arte conceitual, que também se afirma no Brasil.

Modernismo

Dentre os artistas mais significativos de alguma forma ligados à tendência conceitual, devem ser citados: Mira Schendel (1919-1988) – na verdade, uma artista polimorfa, de trajetória muito variada, que investigou inúmeros filões; Waltércio Caldas (1946); Artur Alípio Barrio (1945), Cildo Meirelles (1948), Tunga (1952). Curiosamente, estes quatro vivem no Rio. Em São Paulo, manteve-se mais a tradição objetual, e artistas como Luís Paulo Baravelli (1942), José Rezende (1945) e Carlos Fajardo (1941) formularam propostas próprias sem recusar os suportes históricos da arte. Enfim, nos anos 70, atingem sua maturidade alguns artistas que estão hoje no apogeu e se conservaram, no essencial, independentes dos modelos internacionais e vanguardismos que continuaram chegando através das bienais. Poderíamos chamá-los de os mestres de hoje.

Modernismo

Para concluir, os anos 80 e 90 são, como em todos os demais países de cultura ocidental, um mare magnum de tendências e estilos, propostas e projetos, que trouxeram para o arsenal de instrumentos e estímulos da arte todos os recursos expressivos do ser humano. O artista de hoje sabe que, no plano formal, tudo lhe é permitido, não existem barreiras de linguagem, nem materiais específicos, nem plataformas coletivas. Refletindo, já na época, esse espírito pluralista, realizou-se no Rio, em 1984, uma exposição que se tornou um marco divisório. Chamou-se Como Vai Você, Geração 80?. Nada menos de 123 artistas, cuja idade média não passava, então, dos vinte e poucos anos, iniciaram aí carreiras hoje florescentes. Este texto se encerra com uma pequena lista de nomes, em cuja produção presente e futura, com certeza, vale a pena prestar atenção: Marcos Coelho Benjamim, Karin Lambrecht, Sérgio Fingermann, Nuno Ramos, Paulo Monteiro, Carlito Carvalhosa, Daniel Senise, Emanuel Nassar, Osmar Pinheiro, Leda Catunda, Luiz Áquila, Chico Cunha, Cristina Canale, Ângelo Venosa, Sérgio Niculitcheff.

Fonte: mre.gov.br

     

Modernismo

     

Há controvérsias sobre os limites temporais do moderno e alguns de seus traços distintivos: como separar clássico/moderno, moderno/contemporâneo, moderno/pós-moderno. Divergências à parte, observa-se uma tendência em localizar na França do século XIX o início da arte moderna. A experiência urbana – ligada à multidão, ao anonimato, ao contingente e ao transitório – é enfatizada pelo poeta e crítico francês Charles Baudelaire (1821 – 1867) como o núcleo da vida e da arte modernas. O moderno não se define pelo tempo presente – nem toda a arte do período moderno é moderna -, mas por uma nova atitude e consciência da modernidade, declara Baudelaire, em 1863, ao comentar a pintura de Constantin Guys (1802 – 1892). A modernização de Paris – traduzida nas reformas urbanas implementadas por Haussmann, entre 1853 e 1870 – relaciona-se diretamente à sociedade burguesa que se define ao longo das revoluções de 1830 e 1848. A ascensão da burguesia traz consigo a indústria moderna, o mercado mundial e o livre comércio, impulsionados pela Revolução Industrial. A industrialização em curso e as novas tecnologias colocam em crise o artesanato, fazendo do artista um intelectual apartado da produção. "Com a industrialização, esse sistema entra em crise", afirma o historiador italiano Giulio Carlo Argan, "e a arte moderna é a própria história dessa crise."

Modernismo

O trajeto da arte moderna no século XIX acompanha a curva definida pelo romantismo, realismo e impressionismo. Os românticos assumem uma atitude crítica em relação às convenções artísticas e aos temas oficiais impostos pelas academias de arte, produzindo pinturas históricas sobre temas da vida moderna. A Liberdade Guiando o Povo (1831), de Eugène Delacroix (1798 – 1863), trata da história contemporânea em termos modernos. O tom realista é obtido pela caracterização individualizada das figuras do povo. O emprego livre de cores vivas, as pinceladas expressivas e o novo emprego da luz, por sua vez, recusam as normas da arte acadêmica. O realismo de Gustave Courbet (1819 – 1877) exemplifica, um pouco mais tarde, outra direção tomada pela representação do povo e do cotidiano. As três telas do pintor expostas no Salão de 1850, Enterro em Ornans, Os Camponeses em Flagey e Os Quebradores de Pedras, marcam o compromisso de Courbet com o programa realista, pensado como forma de superação das tradições clássica e romântica, assim como dos temas históricos, mitológicos e religiosos.

O rompimento com os temas clássicos vem acompanhado na arte moderna pela superação das tentativas de representar ilusionisticamente um espaço tridimensional sobre um suporte plano. A consciência da tela plana, de seus limites e rendimentos inaugura o espaço moderno na pintura, verificado inicialmente com a obra de Éduard Manet (1832 – 1883). Segundo o crítico norte-americano Clement Greenberg, "as telas de Manet tornaram-se as primeiras pinturas modernistas em virtude da franqueza com a qual elas declaravam as superfícies planas sob as quais eram pintadas". As pinturas de Manet, na década de 1860, lidam com vários temas relacionados à visão baudelairiana de modernidade e aos tipos da Paris moderna: boêmios, ciganos, burgueses empobrecidos etc. Além disso, obras como Dejeuner sur L´Herbe [Piquenique sobre a relva] (1863) desconcertam não apenas pelo tema (uma mulher nua, num bosque, conversa com dois homens vestidos), mas também pela composição formal: as cores planas sem claro-escuro nem relevos; a luz que não tem a função de destacar ou modelar as figuras; a indistinção entre os corpos e o espaço num só contexto. As pesquisas de Manet são referências para o impressionismo de Claude Monet (1840 – 1926), Pierre Auguste Renoir (1841 – 1919), Edgar Degas (1834 – 1917), Camille Pissarro (1831 – 1903), Paul Cézanne (1839 – 1906), entre muitos outros. A preferência pelo registro da experiência contemporânea, a observação da natureza com base em impressões pessoais e sensações visuais imediatas, a suspensão dos contornos e dos claro-escuros em prol de pinceladas fragmentadas e justapostas, o aproveitamento máximo da luminosidade e uso de cores complementares favorecidos pela pintura ao ar livre constituem os elementos centrais de uma pauta impressionista mais ampla explorada em distintas dicções. Um diálogo crítico com o impressionismo estabelece-se, na França, com o fauvismo de André Derain (1880 – 1954) e Henri Matisse (1869 – 1954); e, na Alemanha, com o expressionismo de Ernst Ludwig Kirchner (1880 – 1938), Emil Nolde (1867 – 1956) e Ernst Barlach (1870 – 1938).

O termo arte moderna engloba as vanguardas européias do início do século XX – cubismo, construtivismo, surrealismo, dadaísmo, suprematismo, neoplasticismo, futurismo etc. – do mesmo modo que acompanha o deslocamento do eixo da produção artística de Paris para Nova York, após a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), com o expressionismo abstrato de Arshile Gorky (1904 – 1948) e Jackson Pollock (1912 – 1956). Na Europa da década de 1950, as reverberações dessa produção norte-americana se fazem notar nas diversas experiências da tachismo. As produções artísticas das décadas de 1960 e 1970, segundo grande parcela da crítica, obrigam a fixação de novos parâmetros analíticos, distantes do vocabulário e pauta modernistas, o que talvez indique um limite entre o moderno e o contemporâneo. No Brasil, a arte moderna – modernista – tem como marco simbólico a produção realizada sob a égide da Semana de Arte Moderna de 1922. Já existe na crítica de arte brasileira uma considerável produção que discute a pertinência da Semana de Arte Moderna de 1922 como divisor de águas.

Referências

ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna. Tradução Denise Bottmann e Federico Carotti. Prefácio Rodrigo Naves. São Paulo: Cia. das Letras, 1993. 709 p. il p&b. color.

FRASCINA, Francis, BLAKE, Nigel, FER, Briony. Modernidade e modernismo: a pintura francesa no século XIX. Tradução Tomás Rosa Bueno. São Paulo: Cosac & Naify, 1998. 345 p., il. p&b., color. (Arte Moderna: práticas e debates, 1).

GOMBRICH, E. H. A história da arte. 15ª ed. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 1993. 542 p. il. p&b. color.

GREENBERG, Clement. Arte e cultura – ensaios críticos. Tradução Otacílio Nunes. Introdução Rodrigo Naves. São Paulo: Ática, 1996, 280 p.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Modernismo

Modernismo

Sob essa denominação podem ser considerados, generalizadamente, os diversos movimentos artísticos que se originaram no decurso do século XX.

A denominação “Arte Moderna”. Muito embora internacionalmente aceita, e por isso aqui adotada, a expressão “arte moderna” merece reparos: (1) não existe uma arte moderna em oposição a uma arte antiga e nitidamente separada dela: pelo contrário, toda arte é moderna, no sentido de que acompanha (e não raro ultrapassa) o espírito da época em que surge. Assim, Giotto é moderno em relação a Cimabue, e Masaccio em relação a Giotto; (2) arte moderna pode ser a denominação adequada para a arte correspondente à Era Moderna, iniciada, como é sabido, em 1453: Renascença, Maneirismo, Barroco, Rococó, Neoclassicismo, Romantismo, Impressionismo e os diversos movimentos artísticos que se seguiram ao Impressionismo não passariam, assim, de subdivisões da arte moderna, que desta arte compreenderia cinco séculos: XVI ao atual.

Precursores da Arte Moderna. Cézanne, Gauguin e Van Gogh são considerados os três grandes precursores da Pintura moderna, prendendo-se a contribuição original do primeiro ao espaço, do segundo à composição e do terceiro à cor. Paul Cézanne pode ser considerado como precursor conjuntamente do Expressionismo (“Tentação de Santo Antonio”, de 1867), do Fauvismo e sobretudo do Cubismo (“Jogadores de Cartas”). Num inquérito levado a efeito em 1953, Braque, Jacques Villon, Léger e diversos outros pintores reconheceram sua dívida para com o pintor de Aix-em-Provence, afirmando peremptoriamente: “Todos partimos da obra de Cézanne.”

Paul Gauguin influenciou também os fauves, e foi o primeiro a chamar a atenção, no Ocidente, para a arte primitiva e para a arcaica. Sua contribuição maior à arte do século XX reside no fato de ter sido ele o precursor dos pintores não figurativos, pela rejeição deliberada do modelado, dos valores, da perspectiva linear, etc.

Vincent van Gogh, afinal, influenciou, com seu colorido, os fauves e, com a carga emotiva de sua arte, os expressionistas.

Fauvismo. O Fauvismo (fauve=fera, em francês) foi a primeira revolução artística do século XX, e se manifestou de 1905 a 1907. A rigor, não chega a constituir uma escola, sendo antes um grupo de pintores com idéias afins. Tal grupo expôs, pela primeira vez, em 1906, no Salão dos Indenpendentes. Liderava-o Matisse, sem dúvida o representante mais notável da tendência.

Foi o crítico Vauxcelles quem deu nome ao movimento, ao dizer de uma escultura neoclásssica de Marque, rodeada de telas de cores violentas, dos companheiros de Matisse, que parecia “Donatello entre feras”. A nova denominação substituiu as anteriores: pintura incoerente e pintura invertebrada.

Os pintores fauves pertenceram a três sub-grupos: o do atelier de Gustave Moreau e da Academia Carrière (Marquet, Manguin, Camoin), o Chatou (Dérain, Vlaminck) e o do Havre (Friesz, Dufy, Braque). Kees van Dongen, que aderiu ao Fauvismo, manteve-se independente.

Tecnicamente, caracteriza-se pela equivalência da luz e pela construção do espaço com o auxilio exclusivo da cor; pela abolição do modelado e do jogo de luzes e sombras; pela simplificação dos meios expressivos até ao mínimo necessário; enfim, pela correspondência entre o elemento expressivo e o decorativo, com o apoio da composição.

Cubismo. Coube ainda a Louis Vauxcelles batizar o Cubismo, ao dizer da pintura de Braque – ao que parece retomando um dito de Matisse – que não passava de “bizarrices cúbicas” (1908). O Cubismo durou de 1908 a 1914, e não tinham seus adeptos grandes preocupações teóricas (Picasso: “Quando fizemos o Cubismo, não tínhamos qualquer intenção de fazê-lo, mas sim de exprimir o que estava em nós”).

Historicamente é possível distinguir entre Cubismo cézanniano (1907-1909), analítico (até 1912) e sintético (até 1914). A primeira etapa começa com grandes retrospectivas de Seurat e sobretudo Cézanne em Paris, ao mesmo tempo em que a Escultura africana aparece em cena.

De 1907 é “As Donzelas de Avignon”, de Picasso, considerada a primeira obra cubista. Em 1908 forma-se o grupo do Bateau-Lavoir, ao qual pertencem Apollinaire – autor de Pintores Cubistas e teórico máximo do movimento – Salmon, os Stein, etc. Os principais nomes a realçar nessa fase são os de Picasso e Braque.

A fase analítica – denominação devida a Juan Gris – caracteriza-se pela decomposição crescente da forma: passa-se a dar, de um mesmo objeto, uma série de aspectos diferentes, retratando-se esse objeto não como é visto, mas como se sabe que é. O Cubismo analítico é, sob certos ângulos, a última conseqüência da Pintura representativa.

Quanto ao Cubismo sintético, teve em Gris e em Léger seus principais adeptos. Signos plásticos tomam o lugar do processo imitativo, do qual começa a emancipar-se rapidamente a Pintura. “De um cilindro faço uma garrafa”, afirmou certa vez Juan Gris, numa frase que bem traduz a essência do Cubismo sintético, e que se opõe àquela outrora pronunciada por Cézanne: “Tratar a natureza por meio do cilindro, da esfera, do cone…”

A guerra de 1914 pôs fim ao período criador do Cubismo, ao mesmo tempo em que, simbolicamente, sacrificava Guillaume Apollinaire, o grande exegeta do movimento.

Futurismo. Surgiu em 1909, com o Manifesto Futurista publicado no Le Figaro, e de autoria do poeta italiano Marinetti. Os principais componentes do grupo foram Carrà, Boccioni, Russolo, Balla e Severini. Estende-se a fase áurea do movimento até 1918 e se prolonga até bem mais tarde, se bem que já sem a vitalidade inicial, na obra dos pintores como Rosai, Sironi, Prampolini.

Tecnicamente o Futurismo pode ser definido como uma tentativa de adicionar o elemento dinâmico ao Cubismo, essencialmente estático. Sua grande contribuição à arte moderna consiste em ter despertado, com sua irreverência e rebeldia, aquilo a que se denominou de espírito moderno, e que iria fecundar de então por diante toda a arte do século XX.

Expressionismo. O Expressionismo não é um movimento, mas uma constante da arte, manifestando-se de preferência em épocas de crises. O ódio racial e o genocídio, duas conflagrações mundiais e toda espécie de desajustamentos sociais, culminando com o estabelecimento das grandes ditaduras européias, explicam decerto a extraordinária vitalidade do Expressionismo, no século atual.

Entre os precursores do moderno Expressionismo estão Van Gogh, Lautrec, Ensor, Munch e Hodler. A tendência surgiu por volta de 1910, conjuntamente em Munique e em Berlim, quando o grupo Cavaleiro Azul recebeu em seu seio quase todos os ex-componentes do grupo A Ponte, o qual foi, a seu turno, uma espécie de réplica germânica do Fauvismo. Dentro do Expressionismo formaram-se inúmeros subgrupos, como os já citados A Ponte (diretamente inspirado de Van Gogh, da Arte Negra e do Fauvismo) e do Cavaleiro Azul (de tendência abstrata), e como a Nova Objetividade, que quase pode ser definida como um figurativismo beirando a caricatura, e eivado de sátira feroz.

O Expressionismo – que o crítico Langui acertadamente definiu como uma mistura da melancolia nórdica com o misticismo eslavo, a rusticidade flamenga, a angustia judaica e todasorte de obsessão germânica – espraiou-se da Alemanha para toda a Europa, e para a América, contando entre seus adeptos Rohlfs, Modersohn-Beker, Barlach, Hofer, Kokoschka, Kandinski, Feininger, Klee, Jawlensky, Dix, Kollwitz, Grosz, etc., nos países germânicos; Rouault e Grommaire, em França; De Smet, Van den Berghe e Permeke, na Bélgica; Sluyters, na Holanda; Solana, na Espanha; Soutine na Lituânia; Bem Shahn e De Kooning, nos E.U.A.; Rivera, Orozco, Tamayo e Siqueiros, no México; Portinari e Segall, no Brasil.

O Expressionismo reagiu contra o impressionismo e o Naturalismo, opondo-se à afirmativa de Zola, segundo a qual a arte seria “a natureza vista através de um temperamento”. Para os expressionistas, o temperamento deve sobrepujar a natureza. A linha no desenho de índole expressionista, adquire valor fundamental, ao mesmo tempo em que as cores simples, elementares, passam a substituir os tons e nuances impressionistas. A própria cor adquire valor de símbolo, como queria Van Gogh – o Van Gogh que escreveu ter procurado, com emprego do vermelho e do verde, “exprimir as terríveis paixões humanas”…

Construtivismo. Surgiu na Rússia por volta de 1913, com Tatlin, Gabo, Pevsner, El Lissitzky. Reagia contra os excessos do Cubismo e do Expressionismo. Os construtivistas retornaram ao cilindro, à esfera e ao cone cézannianos, restringindo-se ao uso das cores primárias. Foram os primeiros a trazer para a arte moderna a paixão pela máquina e pelo produto oriundo da técnica.

Movimento afim ao construtivista surgiu na Holanda, em 1917: o encabeçado pela equipe da revista O Estilo (Van Doesburg, Vantongerloo, sobretudo, Piet Mondrian). De O Estilo surgiria o Neoplasticismo de Mondrian (1920), cuja influência seria muito grande, gerando inclusive, no Brasil, os movimentos concreto e neoconcreto, ambos de fins da década de 1950.

Suprematismo. Nascido do Construtivismo, é dele diferenciável por uma ainda maior austeridade. Malevitch foi o seu criador, em 1913. O Suprematismo é o limite extremo a que chegou a Pintura de índole não-representativa.

Arte Metafísica. Desenvolveu-se entre 1910 e 1917, graças a De Chirico, Carrà, Morandi e Severini. Trata-se de um estilo fantástico, no qual vistas de cidades, paisagens desoladas, estranhas naturezas mortas e figuras compósitas são tratadas como se não pertencessem ao mundo físico. Desde Bosh e Arcimboldo, não atingia a arte ocidental a tão elevado grau de abstração e fantasia.

Dadá. O movimento dadaísta irrompeu ao mesmo tempo na França, com André Breton, Eluard, Soupault; na Suíça, com Tristan Tzara e Arp; nos E.U.A., com Marcel Duchamp; na Alemanha, com Schwitters. Inspiravam-no os escritos de Lautréamont e as colagens de Picasso, bem como a arte metafísica de De Chirico. Estilo de após-guerra, afirmava como essência e finalidade de tudo, da arte inclusive, o absurdo. Até 1922 caracterizou-o um feroz niilismo; de então por diante (e esse seu título maior) preparou o caminho para o Surrealismo, com o qual terminaria por se confundir.

Surrealismo. A arte metafísica, o Dadaísmo e os escritos de Freud originaram o Surrealismo, já anunciado por artistas como Bosh, Baldung Grien, Arcimboldo, Goya, Füssli, etc. O Surrealismo não busca a destruição da cultura, como o Dadaísmo: pelo contrário, coloca-se numa posição construtivista. As bases do movimento estão no Manifesto de 1924, redigido pelo poeta André Breton, para quem o Surrealismo se resume “no automatismo psíquico puro, pelo qual se procura exprimir, seja de que maneira for, o funcionamento real da mente humana”.

Os principais surrealistas são Dalí, Ernst, Arp, Klee, Miro, Tanguy, Magritte, e mais recentemente Dubuffet, Matta e Lam.

Pintura “Ingênua”. Os cubistas descobriram em 1905 a pintura de Henri Rousseau. Assim começou a valorização da pintura “ingênua”, às vezes chamada (erroneamente) “primitiva”. O pintor ingênuo não teve aprendizagem acadêmica, produzindo por absoluta necessidade de expressão. Julga-se intimamente um realista, e tem em mira copiar com a maior fidelidade a natureza – adicionando, porém, à cópia, certo elemento poético, que lhe é inato. O colorido, o mais das vezes, é livre; o desenho, econômico.

Além de Rousseau, celebrizaram-se especialmente os “ingênuos” Séraphine (1864-1934), Vivin (1861-1936), Bombois (n. 1883), Bauchant (1873-1958).

Realismo Social. Para os teóricos do realismo social, a arte se destina ao proletariado, devendo ser rejeitada como falsa a que ultrapasse o seu entendimento. O fim da arte seria então “ajudar o proletariado a atingir os seus destinos”. Essa teoria artística, adotada oficialmente pela U.R.S.S., conquistou adeptos em vários países, logo após a última guerra e, a despeito de contar entre os seus fiéis com artistas da categoria de Rivera, Orozco, Tamayo, Siqueiros, quase descambou para um frio academicismo.

Tendências Abstratas. O movimento contra o Naturalismo atingiu no século atual seu ponto máximo. Datam as primeiras obras não-figurativas, como ficou dito, de antes de 1914. Mas após 1945 é que o Abstracionismo veio a ser introduzido em quase todos os países. Com a diferença de que, antes de 1914, a arte abstrata era intelectualmente disciplinada, apegando-se à forma geométrica, à ordem, à harmonia; ora, após 1945, o que se viu foi a vitória de um abstracionismo não mais baseado na razão, mas na intuição. Abstracionismo a que se chamou de Expressionismo Abstrato, e que se divide em quase tantos estilos quantos são os pintores que o praticam. A influência dos ideogramas orientais fez-se sentir mais recentemente sobre os tachistas (do francês tache, mancha), liderados por Wols e Fautrier, e sobre os adeptos da Action Painting, ou pintura do gesto, capitaneados por Pollock, Kline, Tobey, etc.

Os Independentes. À margem de tendências e de movimentos, a arte moderna presenciou o aparecimento de pintores independentes,que sofreram, é certo, a influência dessa ou daquela estética, mas sem se apegarem nunca a nenhuma em caráter definitivo. Os principais entre tais artistas são Utrillo e Modigliani, Soutine e Kokoschka, Chagall e Rouault – em verdade, alguns dos mais notáveis artistas do século.

A Arte Moderna no Brasil. A primeira exposição de arte moderna no Brasil foi a efetuada em 1913 por Lasar Segall em São Paulo. Despertou maiores reações a de Anita Malfatti, realizada ainda em São Paulo, em 1916. Sempre em São Paulo, realizou-se em 1922 a Semana da Arte Moderna, de que participaram Di Cavalcanti, Brecheret e Goeldi. A Semana teve a vantagem de tornar nacional um movimento até então puramente local.

No Brasil repercutiram fracamente movimentos como Cubismo (que influiu, porém, sobre o Pau-Brasil, de 1926, e o antropofagista, de 1928, de Tarsila do Amaral), o Futurismo, a Arte Metafísica, o Surrealismo. Um construtivismo retardado originou-se no Rio de Janeiro e em São Paulo sob a denominação de Concretismo, logo seguido pelo Neoconcretismo, na década de 1950. Quanto ao Expressionismo, tem em Segall e em Portinari seus principais seguidores, e no setor da gravura gerou um mestre como Goeldi, falecido em 1961. Os principais “ingênuos” nacionais são, no Rio de Janeiro, Heitor dos Prazeres, em São Paulo, José Antônio da Silva. Logo após a II Guerra Mundial, o Realismo Social fez seu aparecimento, com artistas como Scliar e Glauco Rodrigues, que depois iriam conduzir suas pesquisas em outros sentidos. Com Antônio Bandeira, Milton Dacosta e outros, instalou-se, por volta de 1947, o Abstracionismo, hoje generalizado. Quanto a independentes, possui o Brasil em Pancetti, Guignard, Djanira e Iberê Camargo seus mais notáveis representantes.

Outras datas notáveis da arte moderna no Brasil: 1935, Portinari é premiado em Pittsburgh com o quadro “Café”, 1958, criação do Museu de Arte Moderna do Rio; 1951, Primeira Bienal de São Paulo e criação do Salão Nacional de Arte Moderna.

Fonte: www.portalartes.com.br

     

Modernismo

     

Sacudindo as estruturas da arte tupiniquim

Modernismo
Um dos cartazes da «Semana», satirizando os grandes
nomes da música, da literatura e da pintura

A Semana de Arte Moderna de 22, realizada entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo, contou com a participação de escritores, artistas plásticos, arquitetos e músicos.

Seu objetivo era renovar o ambiente artístico e cultural da cidade com "a perfeita demonstração do que há em nosso meio em escultura, arquitetura, música e literatura sob o ponto de vista rigorosamente atual", como informava o Correio Paulistano a 29 de janeiro de 1922.

A produção de uma arte brasileira, afinada com as tendências vanguardistas da Europa, sem contudo perder o caráter nacional, era uma das grandes aspirações que a Semana tinha em divulgar.

Independência e sorte

Esse era o ano em que o país comemorava o primeiro centenário da Independência e os jovens modernistas pretendiam redescobrir o Brasil, libertando-o das amarras que o prendiam aos padrões estrangeiros.

Seria, então, um movimento pela independência artística do Brasil.

Os jovens modernistas da Semana negavam, antes de mais nada, o academicismo nas artes. A essa altura, estavam já influenciados esteticamente por tendências e movimentos como o Cubismo, o Expressionismo e diversas ramificações pós-impressionistas.

Até aí, nenhuma novidade nem renovação. Mas, partindo desse ponto, pretendiam utilizar tais modelos europeus, de forma consciente, para uma renovação da arte nacional, preocupados em realizar uma arte nitidamente brasileira, sem complexos de inferioridade em relação à arte produzida na Europa.

Um grupo importante de renovadores

De acordo com o catálogo da mostra, participavam da Semana os seguintes artistas: Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Zina Aita, Vicente do Rego Monteiro, Ferrignac (Inácio da Costa Ferreira), Yan de Almeida Prado, John Graz, Alberto Martins Ribeiro e Oswaldo Goeldi, com pinturas e desenhos;

Marcavam presença, ainda, Victor Brecheret, Hildegardo Leão Velloso e Wilhelm Haarberg, com esculturas; Antonio Garcia Moya e Georg Przyrembel, com projetos de arquitetura.

Além disso, havia escritores como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Sérgio Milliet, Plínio Salgado, Ronald de Carvalho, Álvaro Moreira, Renato de Almeida, Ribeiro Couto e Guilherme de Almeida.

Na música, estiveram presentes nomes consagrados, como Villa-Lobos, Guiomar Novais, Ernâni Braga e Frutuoso Viana.

Modernismo
Da esquerda para a direita:
Brecheret, Di Cavalcanti,
Menotti del Picchia, Oswald de Andrade e Helios Seelinger

Modernismo
Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade.
Por ocasião da «Semana», Tarsila se achava em París e,
por esse motivo, não participou do evento

Uma cidade na medida certa para o evento

São Paulo dos anos 20 era a cidade que melhor apresentava condições para a realização de tal evento. Tratava-se de uma próspera cidade, que recebia grande número de imigrantes europeus e modernizava-se rapidamente, com a implantação de indústrias e reurbanização.

Era, enfim, uma cidade favorável a ser transformada num centro cultural da época, abrigando vários jovens artistas.

Ao contrário, o Rio de Janeiro, outro polo artístico, se achava impregnado pelas idéias da Escola Nacional de Belas-Artes, que, por muitos anos ainda, defenderia, com unhas e dentes, o academicismo.

Claro que existiam no Rio artistas dispostos a renovar, mas o ambiente não lhes era propício, sendo-lhes mais fácil aderir a um movimento que partisse da capital paulista.

Os primórdios da arte moderna no Brasil

Em 1913, estivera no Brasil, vindo da Alemanha, o pintor Lasar Segall. Realizou uma exposição em São Paulo e outra em Campinas, ambas recebidas com uma fria polidez. Desanimado, Segall seguiu de volta à Alemanha, só retornando ao Brasil dez anos depois, quando os ventos sopravam mais a favor.

A exposição de Anita Malfatti em 1917, recém chegada dos Estados Unidos e da Europa, foi outro marco para o Modernismo brasileiro.

Todavia, as obras da pintora, então afinadas com as tendências vanguardistas do exterior, chocaram grande parte do público, causando violentas reações da crítica conservadora.

A exposição, entretanto, marcou o início de uma luta, reunindo ao redor dela jovens despertos para uma necessidade de renovação da arte brasileira.

Além disso, traços dos ideais que a Semana propunha já podiam ser notados em trabalhos de artistas que dela participaram (além de outros que foram excluídos do evento).

Desde a exposição de Malfatti, havia dado tempo para que os artistas de pensamentos semelhantes se agrupassem.

Em 1920, por exemplo, Oswald de Andrade já falava de amplas manifestações de ruptura, com debates abertos.

Modernismo
Capa de Di Cavalcanti para o Catálogo da Exposição

Revolução em marcha

Entretanto, parece ter cabido a Di Cavalcanti a sugestão de "uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulistana."

Artistas e intelectuais de São Paulo, com Di Cavalcanti, e do Rio de Janeiro, tendo Graça Aranha à frente, organizavam a Semana, prevista para se realizar em fevereiro de 1922.

Uma exposição de artes plásticas – organizada por Di Cavalcanti e Rubens Borba de Morais, com a colaboração de Ronald de Carvalho, no Rio – acompanharia as demais atividades previstas.

Graça Aranha, sob aplausos e vaias abriu o evento, com sua conferência inaugural "A Emoção Estética na Arte Moderna".

Anunciava "coleções de disparates" como "aquele Gênio supliciado, aquele homem amarelo, aquele carnaval alucinante, aquela paisagem invertida" (temas da exposição plástica da semana), além de "uma poesia liberta, uma música extravagante, mas transcendente" que iriam "revoltar aqueles que reagem movidos pelas forças do Passado."

Em 1922, o escritor Graça Aranha (1868-1931) aderiu abertamente à Semana da Arte Moderna, criando uma cisão na quase monolítica Academia Brasileira de Letras e gerando nela uma polêmica como há muito tempo não se via.

Dois grupos de imortais se engalfinhavam, um deles liderado por Graça Aranha, que pretendia romper com o passado. O outro, mais sedimentado na velha estrutura, tinha como seu líder o escritor Coelho Neto (1864-1934). Os dois nordestinos, os dois maranhenses, os dois com uma força tremenda junto a seus pares. Eram conterrâneos ilustres, que agora não se entendiam, e que pretendiam levar suas posições até as últimas conseqüências.

Então, numa histórica sessão da Academia, no ano de 1924, deu-se o confronto fatal. Após discursos inflamados e uma discussão áspera entre ambos, diante de uma platéia numerosa, um grupo de jovens carregou Coelho Neto nas costas, enquanto outro grupo fazia o mesmo com Graça Aranha. (Paulo Victorino, em "Cícero Dias")

Mário de Andrade, com suas conferências, leituras de poemas e publicações em jornais foi uma das personalidades mais ativas da Semana.

Oswald de Andrade talvez fosse um dos artistas que melhor representavam o clima de ruptura que o evento procurava criar.

Manuel Bandeira, mesmo distante, provocou inúmeras reações de agrado e de ódio devido a seu poema "Os Sapos", que fazia uma sátira do Parnasianismo, poema esse que foi lido durante o evento.

Modernismo
Um dos cartazes colocados no Teatro Municipal de São Paulo, anunciando a Semana de Arte Moderna

A imprensa, controlada, ignorou o "escândalo"

Entretanto, acredita-se que a Semana de Arte Moderna não tenha tido originalmente o alcance e amplitude que posteriormente foram atribuídos ao evento.

A exposição de arte, por exemplo, parece não ter sido coberta pela imprensa da época. Somente teve nota publicada por participantes da Semana que trabalhavam em jornais como Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Graça Aranha (justamente os três conferencistas, cujas idéias causaram grande alarde na imprensa).

Yan de Almeida Prado, em 72, chegou mesmo a declarar que" a Semana de Arte Moderna pouca ou nenhuma ação desenvolveu no mundo das artes e da literatura", atribuindo a fama dos sete dias aos esforços de Mário e Oswald de Andrade.

Bem intencionados, mas ainda confusos

Além disso, discute-se o "modernismo" das obras de artes plásticas, por exemplo, que apresentavam várias tendências distintas e talvez não tivessem tantos elementos de ruptura quanto seus autores e os idealizadores da Semana pretendiam.

Houve ainda bastante confusão estilística e estrangeirismos contrários aos ideais da amostra, como demonstram títulos como "Sapho", de Brecheret, "Café Turco", de Di Cavalcanti, "Natureza Dadaísta", de Ferrignac, "Impressão Divisionista", de Malfatti ou "Cubismo" de Vicente do Rego Monteiro.

A dispersão

Logo após a realização da Semana, alguns artistas fundamentais que dela participaram acabam voltando para a Europa (ou indo lá pela primeira vez, no caso de Di Cavalcanti), dificultando a continuidade do processo que se iniciara.

Por outro lado, outros artistas igualmente importantes chegavam após estudos no continente, como Tarsila do Amaral, um dos grandes pilares do Modernismo Brasileiro.

Não resta dúvida, porem, que a Semana integrou grandes personalidades da cultura na época e pode ser considerada importante marco do Modernismo Brasileiro, com sua intenção nitidamente anti-acadêmica e introdução do país nas questões do século.

A própria tentativa de estabelecer uma arte brasileira, livre da mera repetição de fórmulas européias foi de extrema importância para a cultura nacional e a iniciativa da Semana, uma das pioneiras nesse sentido.

Semana de Arte Moderna (1922)

Arte moderna, Semana de, evento de 1922 que representa uma renovação de linguagem, a busca de experimentação, a liberdade criadora e a ruptura com o passado.

Oficialmente, o movimento modernista irrompe, no Brasil, com a Semana de Arte Moderna que, em de três festivais realizados no Teatro Municipal de São Paulo, apresenta as novas idéias artísticas. A nova poesia através da declamação. A nova música por meio de concertos. A nova arte plástica exibida em telas, esculturas e maquetes de arquitetura. O adjetivo "novo", marcando todas estas manifestações, propunha algo a ser recebido com curiosidade ou interesse.

Não foi assim. Na principal noite da semana, a segunda, enquanto Menotti Del Picchia expunha as linhas e objetivos do movimento e Mário de Andrade recitava sua Paulicéia desvairada, inclusive a Ode ao burguês, a vaia era tão grande que não se ouvia, do palco, o que Paulo Prado gritava da primeira fila da platéia. O mesmo aconteceu com Os sapos, de Manuel Bandeira, que criticava o parnasianismo. Sob um coro de relinchos e miados, gente latindo como cachorro ou cantando como galo, Sérgio Milliet nem conseguiu falar. Oswald de Andrade debochou do fato, afirmando que, naquela ocasião, revelaram-se "algumas vocações de terra-nova e galinha d'angola muito aproveitáveis".

A semana era o ápice, ruidoso e espetacular, de uma não menos ruidosa e provocativa tomada de posição de jovens intelectuais paulistas contra as práticas artísticas dominantes no país. Práticas que, embora aceitas e mantidas, mostravam-se esgotadas para expressar o tempo de mudanças em que viviam. A fala de Menotti del Picchia, afirmando que a estética do grupo era de reação e, como tal, guerreira, não deixava margem à dúvidas: "Queremos luz, ar, ventiladores, aeroplanos, reivindicações obreiras, idealismos, motores, chaminés de fábricas, sangue, velocidade, sonho em nossa arte. Que o rufo de um automóvel, nos trilhos de dois versos, espante da poesia o último deus homérico, que ficou anacronicamente a dormir e a sonhar, na era do jazz band e do cinema, com a flauta dos pastores da Arcádia e os seios divinos de Helena".

Antecedentes

Vários fatos contribuiram para a Semana de Arte Moderna de 1922. Em 1912, Oswald de Andrade chega da Europa influenciado pelo Manifesto futurista de Marinetti, funda o irreverente jornal O Pirralho e, em suas páginas, critica a pintura nacional. O pintor russo Lasar Segall, em 1913, desembarca em São Paulo com um estilo não acadêmico, inovador e de cunho expressionista. Annita Malfatti, em 1914, após mostrar seus trabalhos ligados aos impressionistas alemães, decide estudar nos Estados Unidos. Em 1917 – ano de grande agitação político-social, greves e tumultos marcando as lutas do operariado paulista -, inaugura-se a nova exposição de Anita Malfatti, impiedosamente criticada por Monteiro Lobato no artigo Paranóia ou mistificação. Menotti del Picchia publica Juca mulato, um canto de despedida à era agrária diante da urbanização nascente. Em 1920, Oswald de Andrade diz que, no ano do centenário da independência, os intelectuais deveriam fazer ver que "a independência não é somente política, é acima de tudo independência mental e moral".

A estes episódios, somavam-se as idéias vindas do exterior.

Do início do século XX ao momento em que foi deflagrada a semana, 21 movimentos culturais haviam ocorrido no Ocidente:

Fauvismo, 1905.

Expressionismo, 1906.

Cubismo, 1907.

Futurismo, 1909.

Raionismo, 1911.

Orfismo, 1912.

Cubo-futurismo, 1912.

Suprematismo, 1912.

Não-objetivismo, 1913.

Vorticismo, 1913.

Imaginismo, 1914.

Dadaísmo, 1916.

Neoplasticismo, 1917.

Ultraísmo, 1918.

Bauhaus, 1919.

Espírito-Novo, 1920.

Pintura metafísica, 1920

Musicalismo, 1920.

a Neue Schlichkeit, 1922.

Manifesto dos pintores mexicanos (Siqueiros, Orozco, Rivera. 1922).

Nova objetividade, 1922.

A semana coincide com a Nova objetividade e com o manifesto dos mexicanos, mas seu ideário estava mais ligado a 1909. Embora rejeitassem a denominação de "futuristas", esta doutrina se ajusta à paisagem paulistana do momento e lhes dá instrumentos de trabalho para as idéias renovadoras que visavam implantar.

O contexto político-social em que ocorre a semana é, também, de agitação e mudanças. As sucessivas crises da economia cafeeira, sustentáculo da vida republicana, haviam abalado o prestígio social da aristocracia rural paulista. Ao mesmo tempo, expande-se a industrialização com conseqüente urbanização e maior mobilidade social. A pequena burguesia, que subira à cena política no início da república (1889), começa a dar sinais de inquietação. A grande burguesia se divide, com um segmento investindo na indústria nascente e hostilizando o segmento agrário que ainda controla o poder público.

Composição do grupo modernista

É neste contexto conturbado que se compõe o grupo modernista. Entre outros, dele fazem parte os prosadores e poetas Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Agenor Barbosa, Plínio Salgado, Cândido Motta Filho e Sérgio Milliet. Os pintores Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro e John Graz. Os escultores Victor Brecheret e W. Haeberg. Os arquitetos Antonio Moya e George Przirembel. Em preparação à semana, um grupo vem ao Rio de janeiro para buscar a adesão de artistas que consideravam simpatizantes às idéias modernizadoras: Manuel Bandeira, Renato Almeida, Villa-Lobos, Ronald de Carvalho, Álvaro Moreyra e Sérgio Buarque de Hollanda.

Programa do modernismo

1921 marca o início da busca de abrir terreno às idéias novas:

Rejeição das concepções estéticas e práticas artísticas românicas, parnasianas e realistas.

Independência mental brasileira e recusa às tendências européias em moda nos meios cultos conservadores.

Elaboração de novas formas de expressão, capazes de apreender e representar os problemas contemporâneos.

Transposição, para a arte, de uma realidade viva: conflitos, choques, variedade e tumulto, expressões de um tempo e uma sociedade.

Estas idéias se desdobram com o crescer do movimento, gerando os mais diversos caminhos: a poesia pau-brasil, o verde-amarelismo, a antropofagia (ver Antropofagia cultural), o regionalismo, a reação espiritualista e a consciência social.

Mário de Andrade, em estudo que levanta alarido e protestos, analisa Os mestres do passado, criticando os ídolos do tempo: Francisca Júlia, Raimundo Correia, Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Vicente de carvalho. Oswald de Andrade, no artigo O meu poeta futurista, provoca reações transcrevendo versos de Mário, dentro da estética inovadora (ver Poesia moderna brasileira).

Os festivais da semana, reunindo o grupo rebelde, ecoam a divisão dos grupos artísticos ligados ao passado e introduzem as coordenadas culturais da nova era, o mundo da técnica e do progresso que o modernismo glorifica para, depois, criticar por suas conseqüências na esfera política e social.

Contradição fatal

"A aristocracia tradicional nos deu mão forte", confessa Mário de Andrade. "Dois palhaços da burguesia, um paranaense, outro internacional – Emílio de Menezes e Blaise Cendrars – me fizeram perder tempo", diz Oswald. "Fui com eles um palhaço de classe", apontam ambos, com lucidez intelectual, para a contradição que só do tempo faria evidente: esteticamente revolucionário, o movimento traria ou aprofundaria conquistas – o verso livre, por exemplo – que se tornariam definitivas. Uma nova visão e conceituação do fenômeno poético, da concepção da forma, da função das imagens e de todos os recursos técnicos de expressão artística. Assim obteriam, como afirma Mário de Andrade no mesmo balanço autocrítico, "direito à pesquisa estética livre de cânones limitadores; a atualização da inteligência artística brasileira e a estabilização de uma consciência criadora nacional.

Por volta de 1930, o movimento triunfante completa a ruptura com as tradições conservadoras e acadêmicas, abrindo o caminho a novas perspectivas e rumos, trilhadas pelas gerações seguintes. Na ferina expressão de Franklin de Oliveira, a Semana de Arte Moderna foi "uma revolução que não saiu dos salões". Sublinhando a autocrítica dos principais líderes do modernismo, Franklin afirma que os modernistas "não pegaram "a máscara do tempo, para esbofeteá-la, como ela merecia ". Esta posição levou o grupo a acreditar que nada havia feito de útil. As palavras de Mário de Andrade definem este sentimento: "Eu creio que os modernistas da Semana de Arte Moderna não devemos servir de exemplo a ninguém. Mas podemos servir de lição."

Fonte: www.pitoresco.com.br

     

Modernismo

     

INTRODUÇÃO

O modernismo é uma corrente artística que surgiu na última década do século XIX, como resposta às conseqüências da industrialização, revalorizando a arte e sua forma de realização: manual. O nome deste movimento deve-se à loja que o alemão Samuel Bing abriu em Paris no ano de 1895: Art Nouveau. No resto da Europa difundiram-se diferentes traduções: Modernismo, na Espanha; Jugendstil, na Alemanha; Secessão, na Áustria; e Modern Style, na Inglaterra e Escócia.

Com características próprias em cada um desses países, foram as primeiras exposições internacionais organizadas nas capitais européias que contribuíram para forjar uma certa homogeneidade estilística. A arquitetura foi a disciplina integral à qual se subordinaram as outras artes gráficas e figurativas. Reafirmou-se o aspecto decorativo dos objetos de uso cotidiano, mediante uma linguagem artística repleta de curvas e arabescos, de acentuada influência oriental.

Modernismo

Contrariamente à sua intenção inicial, o modernismo conseguiu a adesão da alta burguesia, que apoiava entusiasticamente essa nova estética de materiais exóticos e formas delicadas. O objetivo dos novos desenhos reduziu-se meramente ao decorativo, e seus temas, como que surgidos de antigas lendas, não tinham nada em comum com as propostas vanguardistas do início do século. O modernismo não teria sido possível sem a subvenção de seus ricos mecenas.

Entre os precursores da arte modernista estava William Morris. Seus desenhos, elaborados com espírito artesanal, se contrapunham à produção industrial. Nos escritórios da empresa criada por ele, a Morris & Co. eram determinadas as formas elegantes e sinuosas, típicas do modernismo, bem como definidos os materiais nobres usados na criação de objetos de uso cotidiano. Sua apresentação na exposição de Bruxelas de 1892 produziu um grande impacto e determinou a difusão desse novo estilo.

PINTURA

A pintura modernista misturou as delicadas e elegantes formas do gótico com o simbolismo romântico de dois grupos importantes da Europa do século XIX: os pré-rafaelistas ingleses Millais, Rossetti, Hunt e Brown e os nazarenos alemães Overbeck, Pforr e Cornelius. O resultado foi uma pintura de um erotismo e uma naturalidade surpreendentes. A idealização da mulher manifestou-se em figuras meio ninfas e meio anjos; corpos etéreos e pele translúcida.

Modernismo

A natureza assumiu a forma de bosques aquáticos, com plantas de ramos ondulados e longos, mimetizados com os arabescos dourados e os frisos decorativos. Entre os representantes mais significativos da pintura do movimento art-nouveau destacou-se Gustav Klimt, cuja obra inicialmente produziu grande agitação nas exposições da secessão austríaca. No entanto, seu ousado erotismo transformou-se em pouco tempo no paradigma indiscutível da pintura modernista.

Modernismo

Deve-se mencionar também o alemão Frans von Stuck, que se aproxima da estética klimtiana, ainda que com temas resgatados das telas do inglês Alma-Tadema, outro importante precursor da pintura modernista. Suas obras retomaram os temas do classicismo antigo, com uma nova expressividade, à beira do romantismo. No resto da Europa encontramos os espanhóis Casella, Rusiñol e Casa, embora sua obra reflita um forte espírito antiacademicista na direção do impressionismo parisiense.

ARQUITETURA

A arquitetura modernista se caracterizou pela estrita coerência entre as formas sinuosas das fachadas e a ondulante decoração dos interiores. Adotou-se a chamada construção honesta, que permitia vislumbrar vigas e estruturas de ferro combinadas com cristal. Dentro da arquitetura modernista existiram duas tendências: as formas sinuosas e orgânicas, de um lado, e as geométricas e abstratas, precursoras da futura arquitetura racionalista, de outro.

Modernismo

Em Barcelona, o arquiteto Gaudí revolucionou a arquitetura com uma obra totalmente simbolista e natural, constituindo por si só um estilo. Na França e na Bélgica, os elegantes edifícios de ferro, cristal e mosaicos de Guimard e Horta criavam espaços de uma força lúdica irresistível, embora mais prosaicos que os catalães. Os americanos, enquanto isso, inauguravam o século XX com os primeiros arranha-céus do arquiteto Sullivan e seu discípulo Frank Lloyd Wright.

Viena representou quase com exclusividade a corrente mais racionalista do modernismo. Os arquitetos Wagner e Olbrich retiraram suas formas do rigoroso gótico inglês e do inovador e visionário arquiteto escocês Mackintosh. Dessa forma, conseguiram uma construção volumétrica, de formas retangulares, com uma ornamentação bem dosada, embora sem chegar ao extremo de seu contemporâneo Loos, que considerava a decoração uma aberração arquitetônica.

Modernismo

ESCULTURA

A escultura modernista permaneceu estreitamente ligada à arquitetura e teve, antes de tudo, uma função decorativa. A criação tridimensional foi representada, melhor ainda do que pela escultura, pelos objetos de uso diário, produzidos com materiais nobres, com um desenho que os elevava à categoria de obras de arte. O modernismo implicou uma revalorização do artesão e, por conseguinte, dos produtos feitos à mão, em oposição aos industrializados.

Modernismo

Formaram-se ateliês de artesãos, como a Arts & Crafts, de Londres, na qual se fabricavam móveis caros e raros, ou a Escola de Nancy, onde se produzia o mobiliário do desenhista Gallé e a já então prestigiada cristaleria e joalheria de René Lalique. Em Viena, destacaram-se as criações de baixelas de ouro e prata da Wiener Werkstätte, de Hoffmann, e na Espanha a refinada joalheria dos Masriera. Na América alcançaram sucesso os desenhos em cristal da Comfort Tiffany.

Modernismo

Outra das grandes criações da corrente modernista foi a arte gráfica publicitária, que se iniciou com os cartazes. Coloridos e artísticos, cobriam os muros das cidades, tentando convencer os cidadãos da qualidade de determinados produtos ou da grandeza de certos espetáculos – de exposições a apresentações de teatro e circo. O primeiro grande artista a se dedicar ao desenho de cartazes foi Toulouse-Lautrec, seguido dos mais importantes pintores da época.

Modernismo

Muito em breve seriam criados os escritórios de publicidade, semelhantes às atuais agências. Usava-se um grafismo simples, mas elegante, sendo ao mesmo tempo atraente, de acordo com os padrões estéticos da época. O cartaz modernista guardava, no desenho, certas semelhanças com os quadros de Klimt ou com a ornamentação arquitetônica de Gaudí. Entre os cartazistas mais importantes, Casas, na Espanha, Von Stuck, na Alemanha, Auchentaler, em Viena, e Mucha, na França.

Fonte: www.historianet.com.br

     

Modernismo

     

Modernismo é uma designação comumente dada a diversos movimentos literários e artísticos surgidos na última década do século XIX, tais como o expressionismo, o cubismo, o fovismo, o futurismo, o dadaísmo, o surrealismo, etc. Esta corrente artística, com preferência por tudo quanto é moderno e com facilidade para aceitar inovações, adotando idéias e práticas modernas que o uso ainda não consagrou, surgiu como resposta às consequências da industrialização, revalorizando a arte e sua forma de realização.

O modernismo (ou Art Noveau), cujo termo foi tomado da Maison de l'Art Noveau (loja aberta pelo comerciante alemão Sigfried Bing em Paris, no ano de 1895), difundiu-se pelo resto da Europa com diferentes traduções: Modernismo, na Espanha; Jugendstil, na Alemanha; Secessão, na Aústria; e Modem Style, na Inglaterra e Escócia, com características próprias em cada um desses países.

Foram as primeiras exposições internacionais organizadas nas capitais européias que contribuíram para forjar uma certa homogeneidade estilística do modernismo.

A arquitetura foi a disciplina integral à qual se subordinaram as outras artes gráficas e figurativas, reafirmando o aspecto decorativo dos objetos de uso cotidiano, mediante uma linguagem artística repleta de curvas e arabescos, de acentuada influência oriental.

Contrariamente à sua intenção inicial, o modernismo conseguiu a adesão da alta burguesia, que apoiava entusiasticamente essa nova estética de materiais exóticos e formas delicadas, e não teria sido possível sem a subvenção desses ricos mecenas. O objetivo dos novos desenhos reduziu-se meramente ao decorativo, e seus temas, como que surgidos de antigas lendas, não tinham nada em comum com as propostas vanguardistas do início do século.

Na arquitetura, o modernismo se caracterizou pela estrita coerência entre as formas sinuosas das fachadas e a ondulante decoração dos interiores. Adotou-se a chamada construção honesta, que permitia vislumbrar vigas e estruturas de ferro combinadas com cristal. Dentro dessa arquitetura modernista existiram duas tendências: as formas sinuosas e orgânicas, de um lado, e as geométricas e abstratas, percursoras da futura arquitetura racionalista, de outro.

Em Barcelona, o arquiteto catalão Antoni Gaudí (1852-1926) revolucionou a arquitetura com uma obra totalmente simbolista e natural, constituindo por si só um estilo. Gaudi não foi apenas um gênio transbordante de idéias novas. Seus conhecimentos de engenharia e seu sentido prático tornaram-no também um pioneiro de melhorias estruturais modernas na construção de edifícios. As fantasmagóricas sacadas da Casa Batlló estão entre os exemplos mais brilhantes do estilo de Gaudi, que funde elementos medievais, desenhos de plantas e animais e inúmeras curvas sinuosas.

CASA DE BATLLÓ

Modernismo
Casa Batlló (1904-1906)

Modernismo
Fachada e sacadas

Modernismo
Ângulo do telhado

Modernismo
Poço de iluminação

Modernismo
Salão de acesso ao primeiro andar

Modernismo
Sala de jantar

     

Modernismo

     

Na França e na Bélgica, os elegantes edifícios de ferro, cristal e mosaicos de Hector Guimard e Victor Horta criavam espaços de uma força lúdica irresistível, embora mais prosaicos que os catalães. Entendido como movimento integral, que combinou todas as formas das artes decorativas, às vezes é difícil separar no modernismo os elementos exclusivamente arquitetônicos dos ornamentais. Não se deve esquecer que muitos arquitetos não só faziam a decoração de seus edifícios como também desenhavam os móveis.

Modernismo
Dormitório assinado por Guimard

Modernismo
Esboço para cobertura de uma lareira

Victor Horta soube combinar com grande elegância seus conhecimentos de ferreiro, arquiteto e decorador projetando a Casa Tasell, em Barcelona. Enquanto isso, os americanos inauguravam o século XX com os primeiros arranha-céus do arquiteto Louis Henry Sullivan e seu discípulo Frank Lloyd Wright.

CASA DE TESELL

Modernismo
Acabamento superior

Modernismo
Hall de entrada

Modernismo
Entrada

Viena representou quase com exlusividade a corrente mais racionalista no modernismo. Os arquitetos Otto Wagner e Joseph Maria Olbrich retiraram suas formas do rigoroso gótico inglês e do inovador e visionário arquiteto escocês Carles Rennie Mackintosh. Desta forma, conseguiram uma construção volumétrica, de formas retangulares, com uma ornamentação bem dosada, embora sem chegar ao extremo de seu contemporâneo Loos, que considerava a decoração uma aberração arquitetônica.

Fonte: www.fag.edu.br

Modernismo

Modernismo

Final do séc. XIX e início do séc. XX, o pensamento e a tradição européia estavam se esgotando, os novos artistas e pensadores estavam surgindo para mudar radicalmente o que seus mestres do passado tinham executado e idealizado.

Não que as tradições foram esquecidas, elas continuaram a existir e evoluíram paralelamente aos novos pensamentos, como o surgimento da Teoria da Relatividade e a Psicanálise.

Alguns estudiosos marcam o início da Arte Moderna em meados do séc. XIX, com o Impressionismo, outros no final do séc. XIX, com o Pós-Impressionismo. Utilizaremos aqui a linha que começa com o Fauvismo, dando início a Arte Moderna, no início do séc. XX.

Os artistas na virada do século, queriam algo que não fosse parecido com o clássico e nem que copiasse a natureza, queriam uma simplicidade diferente da Renascença e do Barroco.

O Cubismo foi fundamental para a arte do séc. XX. A arte Oriental e a escultura Africana também foram culturas respeitadas e assimiladas.

Nenhum outro período em uma cultura produziu e sofreu influências de obras tão diversas como este. O ser humano tem mania de classificar toda forma ou estilo de alguma produção, mas diante de tanta multiplicidade de trabalhos que foi produzido no séc. XX, os maiores artistas não chegam a se encaixar em nenhum estilo específico.

AUGUSTE RODIN (1840-1917)

Nasceu em 12 de novembro de 1840, Paris. Aos 14 anos entrou para a escola de Petite. Duas vezes na semana freqüentava as aulas do escultor Antoine Louis Barye. Sua percepção da dimensão do volume na escultura era formidável.

Foi recusado três vezes na Escola de Belas Artes em Paris e foi trabalhar como modelador, escultor e decorador. Em 1864, sua grande obra "Homem com o nariz quebrado" foi rejeitado pelo Salão de Paris. Nesse ano, se tornou assistente de Albert Ernest Carrier-Belleuse. Escapou do serviço militar durante a guerra franco-prussiana e acompanhou Carrier-Belleuse para a Bélgica.

Sofreu influências de Michelangelo quando esteve na Itália, em 1874. Voltou para Paris em 1877 e foi trabalhar numa fábrica de porcelanas.

Em 1880, Rodin foi convidado a apresentar sua arte no novo Museu de Artes Decorativas de Paris. Suas esculturas expressavam uma mistura de erotismo e desespero.

A fama de Rodin estava crescendo. Em 1881, foi convidado a ir para Londres, onde foi muito bem recepcionado e posteriormente voltaria como refugiado em 1914.

Quando voltou para Paris, ganhou acomodações e um estúdio por parte do governo, em 1882. O Hotel Biron também permitiu que Rodin morasse lá até a sua morte, em troca, algumas de suas obras permaneceriam no Hotel, existindo até hoje.

Em 1888, Rodin apresentou sua arte na exposição de Bruxelas. Em 1889, expôs com Monet em Paris. Na exposição internacional de 1900, 168 obras de sua autoria, encontravam-se no pavilhão de Rond-Point, em Paris. Morreu 17 de novembro de 1917 em Meudon.

Deixou inúmeras esculturas inacabadas propositadamente, dando a impressão de que a figura estava saindo da pedra. Seu estudo da escultura antiga o permitiu modelar formas contrastando com o reflexo da luz, produzindo efeitos antes inimagináveis.

PABLO PICASSO (1881 – 1973)

Pablo Ruiz y Picasso nasceu em Málaga, Espanha, em 1881. Iniciou seus estudos de pintura com seu pai, mestre em desenho e em 1895 foi estudar na Escola de Arte de Barcelona. Em 1897 foi para a Academia de Madri e em 1900 conheceu Paris, mudando-se para lá três anos mais tarde.

Entre 1917 e 1924, Picasso desenhou trajes e decorou vários ballets. Se interessou pelo Surrealismo no ano de 1925, mas nunca chegou a se tornar um membro oficial.

Depois da II Grande Guerra, mudou-se para o sul da França. Enquanto morava na Espanha, sua pintura seguiu a tradição acadêmica. Depois de 1900 foi influenciado pela arte de Lautrec e do desenvolvimento artístico que atingiu a Europa. Seus trabalhos refletiram essas influências assim como uma maior consciência social.

Picasso não demonstrava o verdadeiro significado dos seus quadros. Durante 1901 e 1904, em seus trabalhos havia a predominância de tons azuis, o que lhe rendeu o nome de "período azul".

Em 1905, Picasso mudou um pouco o seu estilo, seus traços se tornaram menos grosseiros e menos melancólicos. Seu principal tema se tornou o circo e o azul foi substituído pelo rosa como podemos ver em "Família de Saltimbancos".

Durante o inverno de 1906-07, interessado na Escultura Negra Primitiva, Iberiana e outros estilos, provocaram uma nova mudança. Vemos esta transformação em "Les Demoiselles D'Avignon". Essa nova fase não foi conhecida pelo público até 1927, e mesmo depois de conhecida, não foi compreendida. Picasso começou a simplificar sua forma, conduziu o conceito melhor do que a imagem visual. As figuras forma simplificadas para uma série de planos e ângulos, a representação do espaço se tornou virtualmente desprezada.

Esses foram os estilos e influências que prepararam Picasso para desenvolver o Cubismo. De 1909 até o início da I Grande Guerra, Picasso e Braque trabalharam juntos no desenvolvimento dessa nova pintura.

Nos trabalhos mais recentes, no Cubismo, Picasso foi muito influenciado por Cézzane, ele tomava os objetos naturais como seu ponto de partida, mas analisava e reconstruía em elementos de formas simples que se adequassem melhor a face da figura. As cores forma suavizadas para um tom monocromático, abandonando a ênfase na estrutura.

Nos próximos dois anos, seus arranjos se tornaram complexos e difíceis de compreender, as imagens se tornaram cada vez menores, as relações entre elas e o fundo da tela se tornaram confusas.

Durante a I Guerra, trabalhou sozinho, desenvolvendo o Cubismo, dando mais qualidades decorativas. Usava espaços padrão, cores mais brilhantes e figuras com curvas mais soltas. Da mesma forma que retornou ao estilo mais natural, o quadro "Retrato de Ambroise Vollard", 1915, mostrava sua nova admiração pelo oculto.

Em 1917, foi para Roma e começou a pintar figuras monumentais, calmas, com uma característica clássica. Em "Camponês Dormindo", 1919, ou "Mãe e Filho", 1921, o tema clássico e as figuras do Centauro e Faunos entraram em seu repertório. A partir de então, a figura se tornou o principal tema.

Em meados de 1920, Picasso se aproximou do Surrealismo. As formas apresentavam características metamórficas e emocionalmente distorcidas mais do que razões formais, como em "Os Três Dançarinos", 1928. A pintura de Picasso não mudou muito desde então, sua imaginação fértil não o permitiu repetir muitas idéias. Uma vez comentou, "as várias maneiras que usei em minha arte não devem ser consideradas como uma evolução mas como variações".

Depois de uma série de figuras femininas, em 1932, utilizando curvas sensuais, Picasso parou de pintar temporariamente. Entre 1935 e 1937 trabalhou em projetos gráficos e em poesias Surrealistas.

VINCENT VAN GOGH (1853 – 1870)

Nasceu em Zundert, Holanda, em 1853. Começou a desenhar desde cedo. Sua vida religiosa, herdada do pai, não durou muito, o que o levou a se dedicar mais a arte.

Em 1880, passou rapidamente pela academia de Bruxelas e voltou para a Holanda, estudando pintura com Anton Mauve.

Van Gogh admirava Jean François Millet e Joseph Israels. Como Millet, pintou a vida dos trabalhadores ao seu redor.

Seu irmão Theo mostrou-lhe obras de Pissarro e Monet, logo se interessou pela teoria das cores de Eugene Delacroix. A partir daí, deixou de usar as cores escuras e passou a utilizar fortes cores em seus próximos trabalhos.

Em 1886, Van Gogh foi para Paris e teve a oportunidade de conhecer os artistas impressionistas. Suas pinturas começaram a mudar e fez amizades com Paul Signac, Gauguin e Emile Bernard. Van Gogh começou a estudar esse novo estilo e acabou desenvolvendo sua própria técnica.

Sofrendo de depressão, começou a beber muito. Em 1888, foi morar sozinho em Provence, sul da França. Nesse período, Van Gogh exercitou muito sua pintura de várias formas.

Gauguin foi ao seu encontro no sul da França. Suas diferenças de idéias os afastaram e perturbado mentalmente que estava, Van Gogh cortou parte de sua orelha esquerda e ofereceu para as prostitutas do bordel local.

Procurando se curar de sua loucura, ele próprio se internou no asilo Saint-Rémy. Internado, Van Gogh produziu muitos quadros, mudando seu estilo.

Em janeiro de 1890, alguns de seus quadros foram expostos em Bruxelas. Em março dez de seus quadros foram para o salão de Paris, recebendo muitos elogios. Em maio ele saio do asilo, foi visitar seu irmão em Paris e ficou sob os olhos do Dr. Gachet. Começou a pintar com determinação pelo interior. Preocupado com seu irmão e com sua própria recuperação, seu problema de depressão retornou. Em 27 de julho de 1890, atirou em si próprio e no dia 29 faleceu.

HENRI MATISSE (1869 – 1954)

Nasceu em Le Cateau-Cambrésis, norte da França. Começou a pintar em 1890, durante o período da convalescência.

Foi para Paris e estudou com Bouguereau na Academia Julian. De 1892 até 1897, foi estudar com Gustave Moreau na escola de Belas Artes. Lá ele conheceu Marquet, Camoin e Rouault. Quando foi trabalhar na Academia Carrière, em 1899, conheceu Derain e Puy, completando então o grupo que futuramente seriam reconhecidos como Fauves.

Sua primeira exposição, em 1904, ocorreu em Ambroise Vollard e não obteve grande sucesso. No ano seguinte, juntamente com o grupo, expôs no salão de Paris, desta vez, o grupo foi reconhecido como Fauves e Matisse como o líder.

Matisse conseguiu reputação internacional, exibindo em Paris e Alemanha.

Em 1908 fundou a Academia Matisse para uma seleção de estudantes cosmopolita e publicou "Notas de um Pintor" onde estavam suas crenças artísticas.

Desde 1904 Matisse trabalhou parte de cada ano no sul em Saint-Tropez e Collioure e mais tarde na Espanha e em Marrocos. Depois de 1916, passou a maioria dos invernos em Nice. Morreu em Cimiez, subúrbio de Nice em 1954.

Apesar de nunca ter se juntado aos Cubistas, sofreu algumas influências deste grupo. Entre 1913 e 1917 sua pintura era um pouco austera, com linhas retas e formas geométricas. Depois seu estilo ficou mais solto, figuras femininas e o interior foram seus principais temas, trabalhados em estilo livre e com cores decorativas.

Sua escultura era uma extensão da sua pintura. Na escultura, sua admiração pela Arte Primitiva estava mais aparente. Em alguns trabalhos ele explora o sólido, aspectos estruturais do corpo com um certo exagero afim de alcançar uma clara expressão da forma.

PAUL GAUGUIN (1848 – 1903)

Nasceu em Paris, em 1848, numa família de classe média. Por causa do golpe de estado de Luís Napoleão, sua família se mudou para a América do Sul. Aos sete anos, depois de viver em Lima, Peru, voltou para a França e foi estudar em Orléans e Paris. Aos 17 anos se alistou na marinha servindo até o ano de 1871.

Gouguin começou a se interessar pela arte, comprando alguns quadros impressionistas. Em 1883, começou a pintar com Pissarro em Osny. Entre 1880 e 1886, expôs seus trabalhos junto com o grupo de impressionistas.

Começou a ser influenciado pelos quadros de Cézanne e pelas pinturas Japonesas, mudando seu estilo. Se juntou a Van Gogh, mas suas diferenças de idéias logo os afastaram.

Ele e Schuffenecker organizaram uma exposição no Café Volpini em Paris, onde impressionaram os artistas do simbolismo.

Interessado na arte oriental, foi morar no Taiti. Ficou encantado com sua arte e estilo de vida. Antes de voltar para Paris, por necessidades tais como dinheiro, pintou "A lua e a terra" expressando a cultura Maori.

Logo voltou ao Taiti e com uma vida conturbada, passando por necessidades físicas e monetárias, tentou o suicídio. Se envolveu em conflitos com os europeus e com as autoridades, foi preso em março de 1903. Em maio, morreu na prisão.

CLAUDE MONET (1840-1926)

Nasceu em Paris, em 14 de fevereiro de 1840. Rapidamente seu talento foi revelado em Le Havre, lugar onde sua família foi morar.

Sua atitude perante a arte foi transformada quando viu a possibilidade de pintar ao ar livre. Sua coleção de pinturas japonesas também o ajudou para isso.

Em 1859 Monet voltou para Paris. Visitou o salão de artes muitas vezes e entrou para o ateliê suíço, onde Courbet havia trabalhado. Monet pôde apreciar muitos quadros de Courbet e Delacroix e se encontrar com os artistas desse período.

Teve que ir para a Argélia por causa do serviço militar. Seu pai o tirou de lá quando ficou seriamente doente. Voltando para Le Havre, sofreu influência de Johan Barthola Jongkind.

Voltou para Paris em 1862 e foi para a Escola de Belas Artes. Monet e seus colegas estudantes, Bazille, Renoir e Sisley formaram um grupo a parte. Em 1863 foram estudar pintura ao ar livre, na floresta de Fontainebleau em Chailly.

Em 1865 Monet passava dificuldades financeiras e Bazille dividiu com ele seu ateliê. Nessa época, seu nome se confundia com o de Edouard Manet, que já era consagrado e se irritou com a comparação. Monet que admirava Manet resolveu se afastar e voltou a pintar em Chailly. Courbet foi Visitá-lo e sugeriu algumas alterações em suas pinturas, depois de algum tempo, arrependeu-se das alterações que havia feito.

Em 1867 novamente enfrentou dificuldades financeiras. Bazille tentando ajudá-lo, comprou "Mulher no Jardim", mas isso não resolveu o problema. Monet se viu obrigado a voltar para Le Havre, nesse meio tempo nasce seu filho, Jean Monet em Paris.

No café Guerbois, em Paris, um lugar de encontro dos artistas, Monet se inspirou em estudar novas experiências. Ele e Renoir começaram a estudar os efeitos da luz na água, sua dedicação era tanta que acabou construiu um barco-estúdio para melhor aproveitamento de suas observações.

Monet foi o grande responsável pela primeira apresentação em grupo dos impressionistas em 1874. O nome impressionismo foi dado ao quadro de Monet "Impressão: nascer do sol". Em 1878 nasce seu segundo filho, Michel e no ano seguinte morre sua esposa, Camille.

Monet expôs com o grupo muitas vezes e trabalhou em vários lugares próximos de Paris. Casou-se novamente com a viúva de um amigo seu, Ernest Hoschedé e foram viver em Giverny, próximo ao rio Epte, em 1883. Morreu no ano de 1926 neste mesmo local.

Em Giverny, a partir de 1890, ele começou a pintar em horas diferentes do dia, de acordo com a mudança da luz.

Monet se dedicou a observar e pintar as diversas intensidade da luz e das cores, seu estilo influenciou até mesmo os artistas do século XX.

Fonte: www.paralerepensar.com.br

     

Modernismo

     

PRÉ-MODERNISMO

Modernismo

CONTEXTO HISTÓRICO

Na Europa , começo do século foi uma época de conturbação política . A disputa das nações desenvolvidas por mercados e por fontes de matéria-prima acabaria por conduzir à I Guerra Mundial , em 1914 . O panorama social brasileiro , embora um pouco distante desse âmbito de luta internacional , não era menos complexo .

Os fatos falam por si . Uma série de revoltas eclodiram em todo o país . Os motivos eram diversos , as situações eram bem diferentes ,as reivindicações eram várias . Mas esses acontecimentos tiveram um papel decisivo na passagem da República da Espada ( primeiros governos republicanos ,que eram lmilitares ) para a República do café-com-leite (predominantemente civil ) e no enfraquecimento da República Velha ( 1889-1930 ) .

Em 1893 , tem lugar no Rio de Janeiro a Revolta da Armada , levante de uma facção monarquista da Marinha brasileira , que , insatisfeita , com a República recém-proclamada ( 1889) , exigia a renúncia do presidente Floriano Peixoto . O restante das Forças Armadas , contudo , colocou-se ao lado do governante , que contava anda com forte apoio civil , graças à sua imensa popularidade . A revolta foi sufocada após seis meses .

Em 1896 , estourou na Bahia a revolta de sertanejos que ficou conhecida como Guerra de Canudos . Inicialmente , foi encarada com desprezo pelo governo federal . Mas a persistência dos revoltosos e o arraigado apego à terra que demonstravam , obrigaram o Exército a uma ação mais dura . A propaganda oficial divulgava o fato como um levante de monarquistas , tentando , com isso , angariar a simpatia da população e o auxílio de forças militares dos diversos estados . No entanto , as causas mais profundas da Guerra eram outras : a miséria , o subdesenvolvimento , a opressão , o abandono a que a população da região estava relegada . Depois de um ano de renhida resistência , Canudos caiu em outubro de 1897 . Mas os problemas sociais não foram resolvidos , e o misticismo e o cangaço continuaram sendo respostas populares à opressão e à miséria .

Nos primeiros anos do século XX , as autoridades do Rio de Janeiro resolveram urbanizar e modernizar a cidade , que era a capital do país , muito populosa , e que contava com péssimas condições de higiene . O novo planejamento urbano , contudo , previa uma recolocação da moradia dos mais pobres , excluindo-os das benesses da modernização e desamparando grande parte da população , já massacrada pelo desemprego e pela carestia . A insatisfação popular explodiu quando o governo lançou a campanha de vacinação obrigatória . A verdadeira batalha que se travou no Rio de Janeiro , em 1904 , opondo policiais aos pobres , recebeu o nome de Revolta da Vacina , tendo sido violentamente reprimida .

Em 1910 , os marinheiros de dois navios de guerra , liderados por João Cândido ( o "Almirante Negro") , manifestaram-se contrários aos castigos corporais ainda costumeiramente aplicados a eles na Marinha : era a Revolta da Chibata . O próprio governo reconheceu a pertinência das reivindicações , pressionando a Marinha para que as atendesse . Os revoltosos foram anistiados , mas logo depois perseguidos , presos e torturados .

Outro acontecimento importante do período foi a greve geral de 1917 , ocorrida em São Paulo , organizada por trabalhadores anarco-sindicalista , reivindicando melhoria nos salários e nas condições de trabalho ( redução da jornada , segurança , etc . ) .

Em seu conjunto , essas revoltas todas podem ser vistas como manifestações de uma nova paisagem social , na qual forças políticas até então tímidas ( sertanejos , miseráveis , no cenário , imigrantes , soldados de baixa patente , entre outros ) começaram a marcar presença no cenário brasileiro . No terreno artístico , o período que vai do final do século XIX ( aproximadamente 1870 ) até as primeiras décadas do século seguinte ( anos 20 ) recebe o nome geral de "belle époque ".

CARACTERÍSTICAS

As transformações sociais , da passagem do século , experimentada no Brasil , necessariamente impregnariam a literatura , principalmente em um momento em que uma das propostas artísticas em vigor toca justamente no ponto de uma retomada da literatura social . Assim , podemos falar mesmo em uma redescoberta do Brasil pela literatura . Um Brasil que , na verdade , sempre tinha existido , mas que fora até então presença excessivamente reduzida na literatura .

Essa redescoberta pode ser notada a partir da renovação temática que se opera no âmbito literário . A preocupação com a realidade nacional ocupa não apenas as obras de ficção , mas também os ensaios , artigos e comentários eruditos , que ganham grande impulso na época . Um aspecto comum a essa produção intelectual é a crítica às instituições , tomadas como elementos de cristalização e acomodação de uma estrutura de poder que resultava na cegueira às reivindicações de vastas camadas da população brasileira .

No terreno da ficção , ambientes antigos são explorados agora de forma a evidenciar seus aspectos mais tristes e pobres . O sertão , o interior , os subúrbios , que já apareciam antes em romances e natureza viviam em comunhão , agora são retratados como representações do atraso brasileiro . Da mesma forma , os personagens que figuraram nessas produções estão muito distantes dos modelos assumidos em estéticas anteriores : o sertanejo não é mais servil e ordeiro ; o suburbano não é mais alegre e expansivo ; o caipira não é mais saudável e trabalhador . A imagem que essas personagens passam a representar liga-as à decadência , ao desmazelo , à ignorância .

Essa literatura que tematiza habitantes e ambientes de determinadas regiões , pode ser considerada regionalista . Mas , é bom que se perceba , trata-se de um regionalismo crítico , bastante diferente , por exemplo , da idealização romântica .

Na visão dos representantes dessa corrente , a literatura tinha uma missão a cumprir como instrumento de denúncia social , explicitando as razões do nosso atraso , discutindo alternativas para ele . O progresso e o cosmopolitismo que caracterizava a auto-imagem de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo eram contrapostos ao subdesenvolvimento e à miséria estrutural de vastas regiões nacionais – nem sempre muito distantes dos centros populosos , como mostraram as obras tematizando o caipira e o morador dos subúrbios cariocas .

Formalmente , os pré-modernistas caracterizar-se-ão por uma linguagem oscilante : expressões eruditas , francamente influenciadas pelo Parnasianismo , convivem com um vocabulário mais livre e popular , que tenta funcionar como registro de expressões regionais . Pode-se entender essa prática como uma ponte de ligação entre a linguagem dicionaresca e cientificista do século XIX e aquela , mais despojada , que caracterizaria a arte moderna do século XX . De certa forma , essa oscilação reflete ainda um contato crescente entre as culturas popular e erudita .

Como dissemos , essa prática literária não chegou a se constituir em escola , estruturada e organizada em um programa estético definido .

O Pré-Modernismo é , mais que um fato artístico , um momento importante do desenvolvimento das letras brasileiras . Seus autores mais significativos são : Euclides da Cunha , Lima Barreto , Monteiro Lobato , Augusto dos Anjos , Graça Aranha , entre outros .

AUTORES

EUCLIDES DA CUNHA LIMA BARRETO MONTEIRO LOBATO AUGUSTO DOS ANJOS GRAÇA ARANHA

MODERNISMO

CONTEXTO HISTÓRICO

O início do século XX poderia ser datado no ano de 1895 . esta "licença histórica "se explica pela importância que esta data teve na história das idéias artísticas que vieram depois . Nesse ano , o austríaco Sigmund Freud lançou o livro Estudos sobre a histeria , um marco importante na divulgação de suas descobertas científicas , que o levaram a constituir um novo ramo médico : a Psicanálise .

Dedicada ao estudo do inconsciente humano , que guardaria a face obscura dos desejos do indivíduo , a ciência psicanalítica forneceu vasto material à Arte. A revelação da existência de um verdadeiro universo no interior da mente humana serviu de impulso decisivo para o surgimento de teorias estéticas baseadas na tentativa de expressão desse universo .

Ainda em 1895, os irmãos Lumiére lançaram , na França , um nov invento : o cinematógrafo . Através dele , era possível registrar imagens em movimento , objetivo perseguido durante muitos anos por técnicos de toda a Europa . Os primeiros filmes lançados pelos Lumiére não tinham nenhuma pretensão artística , ou mesmo narrativa , visando apenas a explorar as então incipientes possibilidades da nova descoberta . Logo , porém , o cinema impôs-se como um meio de comunicação artística que viera para modificar fundamente as estruturas artísticas até então existentes . A rapidez da imagem , a simultaneidade narrativa passaram a ser instrumentos utilizados em todos os ramos da arte .

A febre dos inventos varria a Europa , provocando o surgimento de muitos concursos , que premiavam aqueles que conseguissem ultrapassar obstáculos até então intransponíveis . Em 1906 , em Paris , o brasileiro Santos Dumont realizou com seu 14-bis o primeiro vôo mecânico do mundo, feito proclamado no mundo inteiro .

O homem parecia vencer limites importantes : o conhecimento da própria personalidade , o registro do movimento e o espaço . O otimismo do início do século justificava a crença na capacidade criativa do ser humano . Contudo , o reverso da medalha não tardou a aparecer . Em 1914 , eclode a I Grande Guerra Mundial , como resultado de lutas imperialistas ( disputa de mercados e regiões de produção de matéria-prima ) que se davam em várias partes do mundo . O homem mostrava que , tanto criar , era capaz de destruir .

No meio da guerra , uma nação se retira do conflito para resolver problemas internos . Em 1917 , a Revolução russa transformou profundamente as bases socioeconômicas do país , com a introdução prática das idéias comunistas que Marx divulgara a partir de meados do século anterior . A abolição da propriedade privada , o fim dos privilégios da nobreza , jogaram o país em uma crise de grandes proporções , mas da qual emergiu uma nação vitoriosa e forte . Essa vitória contaminou o mundo , e a propaganda comunista alcançou todos os países . Apenas cinco anos depois da Revolução , por exemplo , era fundado o Partido Comunista Brasileiro .

Em 1919 , a Grande Guerra chega ao fim , e nova onda otimista atingiu a Europa . Acreditava-se , então , que uma catástrofe suicida daquelas proporções nunca mais ocorreria . A década de 20 ficou conhecida como "anos loucos " . Era o auge e o fim da chamada "belle époque". A rebeldia , a ousadia e a alegria eram palavras de ordem : tudo era discutido , todas as liberdades eram proclamadas .

Esse ambiente favorece o surgimento de novas idéias estéticas ( surgidas , ressalte-se , a partir de contribuições artísticas do século XIX ) . Tais idéias contribuições artísticas do século XIX ) . Tais idéias constituíram o fundamento do que se convencionou chamar de Arte Moderna , a arte do século XX . Como aspectos comuns , essas idéias possuíam : a ruptura com o passado ; o desejo de chocar a opinião pública ; a valorização da subjetividade artística no trabalho de tradução dos objetos ao redor ; a busca de inovações formais cada vez mais radicalistas ; a intenção de reproduzir esteticamente um mundo que se transformava rapidamente ; a tentativa de responder à desintegração social provocada pelo panorama da guerra .

Vejamos algumas propostas dos principais movimentos artísticos do início do século na Europa .

CARACTERÍSTICAS

Um primeiro elemento , comum a toda manifestações do Modernismo , é sua sistemática oposição ao academicismo , isto é , à arte regrada , regulamentada , repleta de truques convencionais . Essa postura de destruição dos símbolos artísticos , aceitos generalizadamente , e de desprezo pela norma culta conduziu , quase sempre , os modernistas a atitudes de antipatia à cultura estabelecida . Foram , por causa disso , muitas vezes perseguidos e ridicularizados .

A demolição do edifícios estético convencional tinha como contrapartida a proposta de uma arte livre . Essa liberdade buscava se realizar tanto no plano formal quanto no temático . No terreno da forma , os modernistas defendiam a abolição da rima e da métrica , com a exploração do verso branco ( ou solto – versos sem rima ) e livre ( sem métrica regular , isto é , sem o mesmo número de sílabas ) . Essa inovação formal era propriamente modernista , já que , antes deles , os simbolistas já faziam uso dela .

Porém , o Modernismo a transformá-la-á em bandeira de luta . Uma ressalva , contudo , deve ser feita : defensores da liberdade formal absoluta , os próprios modernistas praticarão , quando entenderem necessário , o verso rimado e regular ; a partir desse momento , porém , esse tipo de verso deixa de ser condição prioritária para a obtenção da boa poesia .

Além da versificação mais livre , a linguagem coloquial será adotada pelo Modernismo , que buscava aproximar a arte erudita das camadas populares . A transposição da fala das ruas para o texto escrito co$6fere a este um alto grau de oralidade . Com isso , a linguagem artística absorve gírias , erros gramaticais , criações espontâneas do povo , neologismo , estrangeirismo , etc .

Coerente com essa postura de utilização de uma linguagem mais próxima do falar rotineiro , o Modernismo tinha , como tema fundamental , o cotidiano . A partir de então , acontecimentos banais e aparentemente sem importância podiam ganhar estatura artística , tanto quanto os grandes amores e as emoções profundas tratados pela arte mais tradicional .

Distanciando-se da postura que defendia uma arte voltada para si mesma , as vanguardas estéticas do período manifestaram a preocupação social própria de um mundo sacudido por guerras e disputas internacionais de todos os tipos . Tratava-se , assim , de uma arte voltada para o mundo e que fazia dele sua grande miséria .

Além disso , ao comportamento sisudo e aristocrático que a arte assumira até então , os modernistas opõem uma valorização do humor . No Brasil , por exemplo , ficaram famosos os poemas-piada de Oswald de Andrade , obras-primas de síntese e sutileza crítica .

Enfim , podemos resumir a proposta modernista , de uma maneira geral , em uma única expressão fundamental : liberdade . Em todos os níveis , de todas as formas . Muitas vezes , o desejo de fugir de qualquer convencionalismo preestabelecido provocou o surgimento de uma arte excessivamente pessoal , quase sempre incompreensível . Essa dificuldade de comunicação artística contrariava a tendência democrática da arte de vanguarda , e representou , de fato , uma de suas contradições mais profundas .

A essas características gerais , devem ser acrescentadas aquelas que dizem respeito , mais particularmente , aos contextos próprios de Portugal e do Brasil . Isto será feito oportunamente .

PORTUGAL

CONTEXTO HISTÓRICO

Em 1890 , o governo inglês lançou um ultimatum a Portugal : o país deveria abandonar imediatamente as colônias que ainda mantinha . A obediência a essa imposição encheu o povo português de vergonha e abalou profundamente a crença na monarquia , já desacredita por seu anacronismo. A partir de então , a luta republicana ganhou espaço e importância . em 1910 , foi proclamada a República .

As mudanças sociais esperadas não aconteceram de forma a contentar os republicanos mais exacerbados . Na verdade , a República tinha como principal objetivo integrar Portugal no quadro do imperialismo europeu , sinônimo de modernização . Esse ambiente favoreceu a difusão das idéias modernistas .

em 1915 , um grupo de artistas de vanguarda , lideradas por Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa , fundou a Revista Orpheu , marco inaugural do Modernismo em Portugal . Através dela , as novas propostas artísticas foram divulgadas e discutidas . A duração da revista foi efêmera , prejudicada pelo suicídio de Sá-Carneiro . Esse primeiros modernistas ficaram conhecidos , exatamente em função da revista , por "geração de Orpheu " .

A República , incapaz de resolver os problemas mais profundos do país , e sem conseguir equacionar as diferenças existentes entre os próprios republicanos , acabou por dar lugar à ditadura salazarista , que durou cerca de cinqüenta anos , até a Revolução dos Cravos , de caráter socialista , em 1975 .

CARACTERÍSTICAS

Os modernistas portugueses tiraram proveito da herança simbolista , sem renegá-la totalmente . Assim , o saudosismo do poeta Antônio Nobre , que tinha fortes conotações nacionalistas , ganhou força entre os membros da "geração de Orpheu ". Ao lado disso , a absorção das conquistas futuristas que tomavam conta da Europa inteira , como a apologia da máquina e do progresso urbano , conduz o movimento à vanguarda .

Assim , o que se destaca , no panorama modernista português , nesse primeiro momento , é a forma de elaboração entre tradição e modernista . Com isso , eles conseguem retomar formar e temas arcaicos , enquadrando-os dentro de propostas modernistas .

Ressalte-se ainda o caráter algo místico do Modernismo lusitano , patente em algumas posturas , pessoais e estéticas , de seu maior representantes , Fernando Pessoa .

O modernismo português conheceu ainda mais duas gerações estéticas

A "GERAÇÃO DE PRESENÇA "

Em 1927 , um grupo de artistas fundou uma nova revista , Presença , que tentava retomar e aprofundar as propostas de Orpheu . Contando com a colaboração de alguns participantes da geração anterior , os "presencistas"defenderam uma arte de caráter mais psicologizante . Seus principais representantes foram : José Régio , João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca .

O NEO-REALISMO

Rejeitando a temática psicológica e metafísica que tinha dominado a geração anterior , o Neo-realismo defende uma arte participativa , de temática social . Por sua postura de ataque à burguesia , encontraram pontos de contato com o Realismo de Eça de Queirós . Mas receberam também forte influência do chamado neo-realismo nordestino da literatura brasileira ( que incluía nomes como Graciliano Ramos , José Lins do Rego , Rachel de Queiroz Jorge Amado , entre outros ) . Parte dos artistas alinhados no Neo-realismo derivaram para uma literatura marcada pela exploração do fantástico e do absurdo . Seus principais representantes foram : Alves Redol , Vergílio Ferreira , Fernando Namora , Ferreira de Castro .

A importância dessas duas últimas gerações é bastante reduzida , quando comparada com a primeira . Por isso , aqui , abordaremos exclusivamente as obras autores mais significativos da "geração de Orpheu ".

AUTORES

FERNANDO PESSOAALBERTO CAEIRORICARDO REISÁLVARO DE CAMPOSMÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

BRASIL

CONTEXTO HISTÓRICO

Junto ao contexto generalizado de modernização que atravessava todo o mundo intelectual no início do século XX , acrescido ainda do otimismo que tomou conta da humanidade após a I Guerra Mundial , alguns elementos específicos do contexto histórico brasileiro merecem destaque

Durante o conflito bélico , a importação de manufaturados tornou-se difícil , e a produção nacional passou por um sensível incremento . O desenvolvimento industrial , sempre dependente das oscilações do panorama internacional , dessa vez conseguiu fundamentar-se em bases mais sólidas .

O declínio da oligarquia cafeeira determinou, ademais , o fim de uma era semifeudal de relacionamentos no terreno trabalhista . O Brasil se viu , então , diante da contingência de ter deixar de ser exportador de um único produto , para agilizar mais sua vida econômica .

Essas modificações impuseram uma transformação no quadro social brasileiro . Classes sociais emergentes contribuíram para estabelecer novos parâmetros de desenvolvimento , mais próximos à febre de modernidade que tomava conta do mundo . A burguesia industrial , mesmo que parcialmente formada por antigos cafeicultores , representou a face elitista e aristocrática desse novo quadro social . Trazendo consigo os valores modernistas europeus , participou ativamente da renovação em nossas artes . A ligação desse setor com os intelectuais de vanguarda era evidente – os ataques dos artistas se dirigia mais à facção agrária da classe dominante .

Por outro lado , o operariado , embalado pelo mesmo esforço industrializado e animado por teorias anarquistas , comunistas e sindicalistas que a mão-de-obra estrangeira tratava de organizar e veicular , conheceu uma face de expansão e afirmação . A greve geral de 1917 mostrou que seu poder de reivindicação seria sempre um fator de oposição à exploração que o modelo econômico , adotado pela indústria brasileira , provocava .

Nesse quadro de transformações , de apologia da indústria e da tecnologia , a arte parnasiana perdia um pouco de suas bases . A Europa assumida ainda como modelo , assistia desde a passagem do século a intermináveis agitações culturais , das quais a força do Parnasianismo no Brasil nos mantinha distantes . Mas , desde o começo da década de 10 , já apareciam alguns indícios da tendência à superação da estética parnasiana. Uma elite emergente , em contato com o que se produziu de mais novo no panorama artístico europeu , animava a vinda daquelas agitações ao país .

O ano de 1917 tem especial importância , na consideração das modificações que se operariam na arte brasileira . Nesse ano , o lançamento de alguns livros trariam a público o trabalho de artistas ainda iniciantes , mas que , desde esse momento , já começaram a atrair a atenção da crítica . As principais obras poéticas lançadas naquele ano foram : Há uma gota de sangue em cada poema , livro pacifista de Mário de Andrade ; Cinzas das horas , reunindo poemas de Manuel Bandeira , ainda com fortes colorações simbolistas ; Juca Mulato , em que Menotti del Picchia já indicava a preocupação com o tipo brasileiro . Ainda nesse ano , o compositor Villa Lobos lançou o Canto do cisne negro , peça de caráter impressionista – três anos antes , compusera as Danças africanas , já evidenciando um interesse pela cultura popular . O registro sonoro do samba Pelo telefone por um de seus autores , Donga , aumentou a possibilidade de contato entre as elites intelectuais e a arte dos morros cariocas . Finalmente , 1917 foi o ano em que se travou a primeira batalha pública na qual os modernistas se viram envolvidos : a exposição de pintura de Anita Malfatti foi duramente criticada pelo respeitado Monteiro Lobato , o que fez com que se levantassem vozes da vanguarda que até então agiam isoladamente . Note-se ainda que foi neste ano que se deu o primeiro contato entre aqueles que seriam os pilares da arte moderna brasileira : o jornalista Oswald de Andrade conheceu Mário de Andrade em uma palestra , passando desde então a admirar seu trabalho .

Na Europa , o clima de efervescência cultural favorecia a promoção de semanas de arte , durante as quais novas tendências eram lançadas e divulgadas , Apoiadas pela parte "progressista"da elite brasileira , os artistas decidiram seguir o exemplo . Assim , como parte das comemorações do centenário da nossa independência , aconteceu , em fevereiro de 1917 , em São Paulo , a Semana de Arte Moderna , cujos festivais , no Teatro Municipal , marcaram época na vida social da cidade .

Alguns artistas conhecidos do público , como o escritor Graça Aranha e a pianista Guiomar Novais , alinhados com as idéias modernistas , serviram como atrações , e a elite brasileira estava muito bem representada , na platéia do teatro . Contudo , as atitudes da maioria dos artistas que se apresentaram , provocaram a ira da assistência . Ernâni Braga trocou ao piano uma sátira Marcha fúnebre de Chopin ; o compositor Heitor Villa-Lobos dessacralizou a figura convencional do maestro , entrando em cena trajando chinelos e portanto um guarda-chuva , e executando suas peças originais ; o poeta Menotti del Picchia declarou a franca adesão dos artistas a um estilo que reproduzisse a modernidade que já tomava conta das ruas ; o escritor Ronald de Carvalho fez um ataque frontal aos parnasianos , lendo o poema : "Os sapos : , de Manuel Bandeira ; um dos líderes do movimento , Mário de Andrade , por sua vez , atacou as elites retrógradas com sua "Ode ao burguês ", e proclamou as bases da nova estética com a leitura do manifesto "A escrava que não é Isaura "; Oswald de Andrade leu seus escritos , com a agressividade que sempre caracterizou seu estilo . Nos saguões do teatro , pinturas e esculturas de artistas como Di Cavalcanti , Vicente do Rego Monteiro , Tarsila do Amaral , Anita Malfatti e Victor Brecherett mostravam a força do Modernismo nas artes plásticas .

A reação de parte do público foi a pior possível : estudantes apupavam e vaiavam os artistas , produzindo barulhos provocados por folhas de zinco ; alguns mais exaltados ameaçavam partir para a agressão física ; e todos rejeitavam a arte moderna por julgá-la excessivamente gratuita para ser arte , e selvagem , para ser moderna. Essa reação agradou os indelével na memória de todos os que assistiam a ele .

A imprensa , reagindo de forma igualmente negativa , satirizando e menosprezando a arte modernista , acabou por indicar a necessidade de criação de um veículo próprio de divulgação de sua arte . Assim , no mesmo ano surgiu a Revista Klaxon, que foi sucedida por outras , como a Terra Roxa ( 1926 ) e a Revista de Antropofagia ( 1928 ) .

CARACTERÍSTICAS

Duas correntes com orientações artísticas : 1o. Verde-amarelismo de Cassiano Ricardo e Menotti del Picchia fazia a apologia das tradições , com a exaltação da terra , dos folclores e dos heróis brasileiros . 2o. Antropofagia de Oswald de Andrade , Tarsila do Amaral , Raul Bopp e Alcântara Machado proclamava a devoração ritual do saber estrangeiro como estratégia de reafirmação dos valores nacionais .

Apesar das suas diferenças internas , os modernistas tinham muitas coisas em comum como : liberdade formal , linguagem coloquial , tematização do cotidiano , valorização do humor , com a forte influências dos " ismos " europeus , algumas particularidades merecem destaque .

A oposição ao Parnasianismo foi muito significativa . A demolição estética era , contudo , mais ampla . Inicialmente , os modernistas rejeitaram toda e qualquer estética anterior , para estabelecer ,desde um ponto zero, os rumos da arte brasileira que se faria a partir deles .

Retomando as preocupações nacionalistas do Romantismo , mas rejeitando-lhe o caráter idealizador e sentimental , os modernistas buscaram produzir um nacionalismo crítico , recuperação de alguns traços do caráter do homem brasileiro até então tratados negativamente , como a preguiça e a sensualidade .

O Brasil selvagem , primitivo , pré-civilizacionais , a figura do índio desmistificado assume , nesse contexto , grande importância , na medida em que representa a reação nacional ao ataque estrangeiro . Por outro lado a temática urbana tem muita força : o cinema , a velocidade , a multidão são representações da modernidade que aparecem com freqüência .

AUTORES

MÁRIO DE ANDRADE

OSWALD DE ANDRADE

MANUEL BANDEIRA

ANTÔNIO DE ALCÂNTARA MACHADO ( 1901 – 1935 )

GUILHERME DE ALMEIDA ( 1890 – 1969 )

CASSIANO RICARDO ( 1895 – 1974 )

MENOTTI DEL PICCHIA ( 1892 – 1988 )

RAUL BOPP ( 1898 – 1984 )

RONALD DE CARVALHO ( 1893 – 1935 )

MODERNISMO – 2o. TEMPO – PROSA

CONTEXTO HISTÓRICO

Na década de 20 mereceu o nome de "anos loucos" , por causa da efervescência cultural vivida pela Europa naquele período , com a criação ou consolidação de estéticas e concepções artísticas que se espalharam pelo mundo todo . Depois da I guerra Mundial , um clima de otimismo generalizado , associado a um progresso desenfreado em países emergentes .

Já em 1929 , os "anos loucos " terminaram de maneira trágica . O chamado "crack " da bolsa de Nova York, causado por especulações monetária e crescimento econ6omico sem planejamento , levou muitos investidores à falência .

Em 1939 , a Alemanha invade Polônia e novo conflito mundial é deflagrado . As concepções marxistas tornou-se , assim , uma presença política importante . Deve-se destacar ainda o papel da Psicanálise de Freud .

No Brasil , a crise financeira foi respondida com um endurecimento político . Durante todo o período do Segundo Tempo do Modernismo , tivemos um ocupante da Presidência da República : Getúlio Vargas , que visava terminar com a "República café-com-leite " .Em 1937 instituiu o Estado Novo (o golpe trouxe : prisões injustiçadas , perseguições políticas , atos autoritários , censura aos meios de comunicação , opressão aos inimigos do regime ) .

CARACTERÍSTICAS

A primeira característica foi uma tendência à politização em graus mais acentuados do que tinham acontecido no Modernismo em 1922 .

Se na "fase heróica "tinham apresentado como preocupação fundamental uma revolução estética , a geração artística surgida nos anos 30 volta-se para uma literatura participativa , de intromissão na vida política .

Os modernista do primeiro tempo continuavam a produzir , Mário de Andrade , foi decisiva para esses novos rumos que o próprio movimento assumiu . Mário defendia uma postura artística de acompanhamento das reivindicações populares , contribuindo para esse processo de politização a que se fez referência . Oswald de Andrade , Manuel Bandeira e todos os outros também continuavam atuantes .

Algumas conquistas do primeiro tempo do Modernismo continuavam como : a crítica social , a concisão , a coloquialidade .

Um acontecimento que marcou a geração literária do período foi a realização do Congresso regionalista do Recife , em 1926 , participaram José Lins do Rego , Luís Jardim , José Américo de Almeida , liderados pelo sociólogo Gilberto Freyre , suas idéias tiveram grande influência na arte brasileira . A publicação do romance A Bagaceira , de José Américo de Almeida , em 1928 , solidifica a nova tendência , neo-realismo nordestino , cujo maior representante viria a ser Graciliano Ramos .

O regionalismo era uma tendência já antiga , mas os modernistas diferenciaram , através da prática de um regionalismo crítico , voltado para as discussões dos problemas sociais . Os principais temas dessa corrente literária foram : a seca , a fome , a miséria , o arcaísmo das relações de trabalho , a exploração do camponês , a opressão do coronelismo , a reação dos cangaceiros , etc . Um livro será de orientação nessa época : Os sertões , de Euclides da Cunha .

AUTORES

GRACILIANO RAMOS

JOSÉ LINS DO REGO

JORGE AMADO

ÉRICO VERÍSSIMO

RACHEL DE QUEIROZ

JOSÉ AMÉRICO DE ALMEIDA

MODERNISMO – 2o. TEMPO – POESIA

CARACTERÍSTICAS

A poesia do período continua muitas das propostas do Modernismo de 1922 , como a coloquialidade , a concisão , a liberdade formal , a temática do cotidiano . mas apresenta diferenças .

A poesia do segundo tempo apresenta uma consolidação das conquistas modernistas . Os radicalismos típicos da chamada "fase heróica", foram pouco a pouco abandonados , em nome de um equilíbrio formal , que chegou resgatar algumas formas poéticas tradicionais , como o soneto . O Nacionalismo que predominava antes foi substituído por uma tendência universalizante .

A arte participativa politizada , ganha força , nesse contexto , uma poesia social , com muitas referências diretas a fatos e dados contemporâneos , como se pode perceber em poemas de Carlos Drummond de Andrade . Cresceu também um outro tipo de prática poética : a poesia metafísica , espiritualizante e mística , que aparece em obras de Cecília Meireles , Vinícius de Moraes , Jorge de Lima e Murilo Mendes .

AUTORES

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

CECÍLIA MEIRELES

VINÍCIUS DE MORAES

JORGE DE LIMA

MURILO MENDES

MODERNISMO – 3o. TEMPO

CONTEXTO HISTÓRICO

Em 1945 , com o fim da Guerra Mundial , talvez fosse de se esperar que uma onda de otimismo e esperança se espalhasse por todo o planeta . Mas a experiência da I Guerra , em 1919, mostrou-se ilusória .

Duas forças políticas antagônicas emergiram do panorama do pós-guerra : EUA e União Soviética . Cada uma delas representava uma ideologia diferente : o Capitalismo e o Comunismo . As duas superpotências passaram , então , a se enfrentar . De um lado , no terreno diplomático . De outro lado , no plano da guerra indireta , envolvendo-se em disputas locais . Esse período ficou conhecido com o nome de Guerra Fria .

No Brasil , o fim da II Guerra trouxe a democracia de volta . Em 1945 , o ditador Getúlio Vargas foi arrancado do poder , sendo substituído por um presidente eleito democraticamente , mas em 1950 , Getúlio Vargas volta à Presidência da República . As atitudes oscilantes de Vargas , e sua eterna simpatia por golpes de força , levantavam as suspeitas de uma nova ditadura . Tentativa de assassinato do jornalista Carlos Lacerda , principal opositor de Vargas . No episódio morreu um major de Aeronáutica , e as Forças Armadas passaram a apressar a conclusão das investigações policiais , que apontava um envolvimento direto de pessoas ligadas ao presidente .

Getúlio Vargas suicidou-se , em agosto de 1954 .

O novo presidente Juscelino Kubitscheck , promoveu um grande avanço desenvolvimentista . O sucessor de Juscelino , Jânio Quadros chegou ao poder com forte apoio popular . Nova crise se instalou , porque o vice-presidente João Goulart , tinha francas simpatias pelas ideologias de esquerda .

Em 1964 , o descontentamento converteu-se em ação , e o governo foi derrubada pelo golpe militar de 31 de março . Uma nova ditadura instalou-se , e mais uma página triste da nossa história começou a ser escrita .

CARACTERÍSTICAS

Nesta fase pode-se perceber um enfraquecimento da tendência participativa que tinha predominado no período anterior . Mas a característica forte do terceiro período é a relevância que nele adquiriu o fantástico , o além-real , aquilo que está por trás da realidade aparente , e que nem sempre os sentidos podem captar .

O psicologismo presente na obra de Mário de Andrade , marcaria o regionalismo de Graciliano Ramos quanto a literatura urbana , alcançaria nos anos seguintes grandes proporções .

Finalmente , um aspecto a ser salientado é a extrema valorização da palavra . A reflexão em torno do instrumento de trabalho do escritor , suas possibilidades e limitações , ocupam espaço importante na produção literária do período , seja como elemento subjacente à composição , seja com temática primordial .

PROSA

O caráter regionalista tem no terceiro tempo atinge dimensões mais amplas e universais . O autor que se destaca , nesse terreno é Guimarães Rosa .

E a prosa psicológica , fundamentou-se na pesquisa interior , em manifestações artísticas cada vez mais complexas e instigantes . O exemplo mais próximo é a obra de Clarice Lispector .

AUTORES

GUIMARÃES ROSA

CLARICE LISPECTOR

JOÃO CABRAL DE MELO NETO

Fonte: www.profabeatriz.hpg.ig.com.br

     

Modernismo

     

Modernismo (1922-1960)

Modernismo

"Todo este sangue de mil raças / corre em minhas veias / sou brasileiro / mas do Brasil sem colarinho / do Brasil negro / do Brasil índio."

Sérgio Milliet

Iniciou-se no Brasil com a SAM de 1922. Mas nem todos os participantes da Semana eram modernistas: o pré-modernista Graça Aranha foi um dos oradores. Apesar de não ter sido dominante no começo, como atestam as vaias da platéia da época, este estilo, com o tempo, suplantou os anteriores. Era marcado por uma liberdade de estilo e aproximação da linguagem com a linguagem falada; os de primeira fase eram especialmente radicais quanto a isto.

Didaticamente, divide-se o Modernismo em três fases: a primeira fase, mais radical e fortemente oposta a tudo que foi anterior, cheia de irreverência e escândalo; uma segunda mais amena, que formou grandes romancistas e poetas; e uma terceira, também chamada Pós-Modernismo por vários autores, que se opunha de certo modo a primeira e era por isso ridicularizada com o apelido de neoparnasianismo.

Referências históricas

Início do século XX: apogeu da Belle Époque. O burguês comportado, tranqüilo, contando seu lucro. Capitalismo monetário. Industrialização e Neocolonialismo.

Reivindicações de massa. Greves e turbulências sociais. Socialismo ameaça.

Progresso científico: eletricidade. Motor a combustão: automóvel e avião.

Concreto armado: “arranha-céu”. Telefone, telégrafo. Mundo da máquina, da informação, da velocidade.

Primeira Guerra Mundial e Revolução Russa.

Abolir todas as regras. O passado é responsável. O passado, sem perfil, impessoal. Eliminar o passado.

Arte Moderna. Inquietação. Nada de modelos a seguir. Recomeçar. Rever. Reeducar. Chocar. Buscar o novo: multiplicidade e velocidade, originalidade e incompreensão, autenticidade e novidade.

Vanguarda – estar à frente, repudiar o passado e sua arte. Abaixo o padrão cultural vigente.

Primeira fase Modernista no Brasil (1922-1930)

Caracteriza-se por ser uma tentativa de definir e marcar posições. Período rico em manifestos e revistas de vida efêmera.

Um mês depois da SAM, a política vive dois momentos importantes: eleições para Presidência da República e congresso (RJ) para fundação do Partido Comunista do Brasil.

Ainda no campo da política, surge em 1926 o Partido Democrático que teve entre seus fundadores Mário de Andrade.

É a fase mais radical justamente em conseqüência da necessidade de definições e do rompimento de todas as estruturas do passado. Caráter anárquico e forte sentido destruidor.

Principais autores desta fase: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Antônio de Alcântara Machado, Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo, Guilherme de Almeida e Plínio Salgado.

Características

busca do moderno, original e polêmiconacionalismo em suas múltiplas facetasvolta às origens e valorização do índio verdadeiramente brasileiro“língua brasileira” – falada pelo povo nas ruasparódias – tentativa de repensar a história e a literatura brasileirasA postura nacionalista apresenta-se em duas vertentes:

nacionalismo crítico, consciente, de denúncia da realidade, identificado politicamente com as esquerdas.nacionalismo ufanista, utópico, exagerado, identificado com as correntes de extrema direita.

Manifestos e Revistas

Revista Klaxon — Mensário de Arte Moderna (1922-1923)

Recebe este nome, pois klaxon era o termo usado para designar a buzina externa dos automóveis. Primeiro periódico modernista, é conseqüência das agitações em torno da SAM. Inovadora em todos os sentidos: gráfico, existência de publicidade, oposição entre o velho e o novo.

“— Klaxon sabe que o progresso existe. Por isso, sem renegar o passado, caminha para diante, sempre, sempre.”

Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924-1925)

Escrito por Oswald e publicado inicialmente no Correioda Manhã. Em 1925, é publicado como abertura do livro de poesias Pau-Brasil de Oswald. Apresenta uma proposta de literatura vinculada à realidade brasileira, a partir de uma redescoberta do Brasil.

“— A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela sob o azul cabralino, são fatos estéticos.”

“— A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.”

A Revista (1925-1926)

Responsável pela divulgação dos ideais modernistas em MG. Teve apenas três números e contava com Drummond como um de seus redatores.

Verde-Amarelismo (1926-1929)

É uma resposta ao nacionalismo do Pau-Brasil. Grupo formado por Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo. Criticavam o “nacionalismo afrancesado” de Oswald. Sua proposta era de um nacionalismo primitivista, ufanista, identificado com o fascismo, evoluindo para o Integralismo de Plínio Salgado (década de 30). Idolatria do tupi e a anta é eleita símbolo nacional. Em maio de 1929, o grupo verde-amarelista publica o manifesto “Nhengaçu Verde-Amarelo — Manifesto do Verde-Amarelismo ou da Escola da Anta”.

Manifesto Regionalista de 1926

1925 e 1930 é um período marcado pela difusão do Modernismo pelos estados brasileiros. Nesse sentido, o Centro Regionalista do Nordeste (Recife) busca desenvolver o sentimento de unidade do Nordeste nos novos moldes modernistas. Propõem trabalhar em favor dos interesses da região, além de promover conferências, exposições de arte, congressos etc. Para tanto, editaram uma revista. Vale ressaltar que o regionalismo nordestino conta com Graciliano Ramos, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, Jorge Amado e João Cabral – na 2ª fase modernista.

Revista Antropofagia (1928-1929)

Contou com duas fases (dentições): a primeira com 10 números (1928 e 1929) direção Antônio Alcântara Machado e gerência de Raul Bopp; a segunda foi publicada semanalmente em 16 números no jornal Diário de São Paulo (1929) e seu “açougueiro” (secretário) era Geraldo Ferraz. É uma nova etapa do nacionalismo Pau-Brasil e resposta ao grupo Verde-amarelismo. A origem do nome movimento esta na tela “Abaporu” de Tarsila do Amaral.

1ª fase – inicia-se com o polêmico manifesto de Oswald e conta com Alcântara Machado, Mário de Andrade (2º número publicou um capítulo de Macunaíma), Carlos Drummons (3º número publicou a poesia “No meio do vaminho”); além de desenhos de Tarsila, artigos em favor da língua tupi de Plínio Salgado e poesias de Guilherme de Almeida.

2ª fase – mais definida ideologicamente, com ruptura de Oswald e Mário de Andrade. Estão nessa segunda fase Oswald, Bopp, Geraldo Ferraz, Oswaldo Costa, Tarsila, Patrícia Galvão (Pagu). Os alvos das críticas (mordidas) são Mário de Andrade, Alcântara Machado, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia e Plínio Salgado.

“SÓ A ANTROPOFAGIA nos une, Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. / Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. / De todos os tratados de paz. / Tupi or not tupi, that is the question.” (Manifesto Antropófago)

“A nossa independência ainda não fo proclamada. Frase típica de D. João VI: — Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.” (Revista de Antropofagia, nº 1)

Outras Revistas

Revista Verde de Cataguazes (MG – 1927-1928)revista Estética (RJ – 1924)revista Terra Roxa e outras Terras (SP – 1926, colaborador Mário de Andrade)revista Festa (RJ – 1927, Cecília Meireles como colaboradora)

Autores

Alcântara Machado (1901-1935)

Foi um importante escritor modernista da primeira fase, apesar de não ter participado da SAM, integrando o grupo somente em 25. Produziu prosa ficcional, renovando sua estrutura para construir histórias curtas e do cotidiano. Privilegia o imigrante, principalmente o italiano, e sua fusão, ampliando o universo cultural de São Paulo.

Apesar de não ser tão radical como os outros modernistas contemporâneos seus, usava uma linguagem em seus contos que se aproximava muito do falado. Seus personagens do livro de contos Brás, Bexiga e Barra Funda falavam uma mistura de italiano e português. Retrata uma realidade citadina e realista, num tom divertido, enfatizando a vida difícil dos imigrantes e sua ascensão.

Nunca chegou a completar seu romance Mana Maria, que foi publicado um ano depois de sua prematura morte. Pouco antes do fim da vida, rompeu relações com Oswald de Andrade por motivos ideológicos, ao mesmo tempo em que sua amizade com Mário de Andrade se estreitava.

Brás, Bexiga e Barra Funda – contos com fragmentação de episódios, até registro de cenas sem interesse, mapeamento de São Paulo, exótico nos nomes das personagens, menção a produtos de consumo da época, gírias esquecidas etc.

“Ali na Rua Oriente a ralé quando muito andava de bonde. De automóvel ou carro só mesmo em dia de enterro ou casamento. Por isso mesmo o sonho de Gaetaninho era de realização muito difícil. Um sonho. (…) Gaetaninho saiu correndo. Antes de alcançar a bola um bonde o pegou. Pegou e matou. / No bonde vinha o pai do Gaetaninho. / A gurizada assustada espalhou a notícia na noite. / — Sabe o Gaetaninho? / — Que é que tem? / — Amassou o bonde! / (…) às dezesseis horas do dia seguinte saiu um enterro da Rua do Oriente e Gaetaninho não ia na boléia de nenhum dos carros do acompanhamento. Ia no da frente dentro de um caixão fechado com flores pobres por cima.”

Laranja da China

luso-brasileiro toma o lugar do italiano, ainda na linha do cotidiano em suas minúcias. Todos os contos apresentam uma espécie de paródia desde o título: O Revoltado Robespierre (Sr. Natanael Robespierre dos Anjos).

Obras principais:

Pathé Baby (1926)Brás, Bexiga e Barra Funda (1927)Laranja da China (1928)Anchieta na Capitania de São Vicente (1928)Mana Maria (romance inacabado e publicado pós-morte 1936)Cavaquinho e Saxofone (coletânea de artigos e estudos, 1940)Escreveu para Terra Roxa e Outras Terras (um de seus fundadores), para a Revista Antropofagia e para a Revista Nova (que dirigiu).

Cassiano Ricardo (1895-1974)

Paulista, Cassiano deixou uma obra marcada pelas tendências de seu tempo sem, entretanto, deixar um estilo próprio. Iniciou sua carreira com Dentro da Noite (1915) neo-simbolismta, passou por tendências parnasianas em A Frauta de Pã (1917, para integrar-se ao Verde-amarelismo com Vamos Caçar Papagaios (1926). Com o formalismo de 45, torna-se meditativo e melancólico. Em 1960, entra para a corrida vanguardista com experimentalismo e franca adesão ao Concretismo e à Poesia Praxis.

Obras principais:

Poesia:

Dentro da Noite (1915)A Frauta de Pã (1917)Vamos Caçar Papagaios (1926)Martim-Cererê (1928)Deixa Estar, Jacaré (1931)O Sangue das Horas (1943)Um Dia depois do Outro (1947)A Face Perdida (1950)Poemas Murais (1950)Sonetos (1952)João Torto e A Fábula (1956)Arranha-Céu de Vidro (1956)Poesias Completas (1957)Montanha Russa (1960)A Difícil Manhã (1960)Jeremias sem Chorar (1964) Prosa:

O Brasil no Original (1936)O Negro na Bandeira (1938)A Academia e a Prosa Moderna (1939)Pedro Luís Visto Pelos Modernos (1939)Marcha para o Oeste (1943)A Academia e a Língua Brasileira (1943)A Poesia na Técnica do Romance (1953)O Homem Cordial (1959)22 e a Poesia de Hoje (1962)Reflexos sobre a Poética de Vanguarda (1966)

Guilherme de Almeida (1890-1969)

Sempre se ajustou aos padrões e foi disciplinado, com mestria sobre a língua e seus dispositivos técnicos.

Exímio poeta que pode ter sua obra dividida em três etapas:

Pré-modernista

Nós (só de sonetos, 1917), A Dança das Horas (1919), Messidor (contendo os dois anteriores mais A Suave Colheita, 1919), Livro de Horas de Sóror Dolorosa (1920) e Era Uma Vez…, (1922) – influência parnasiano-simbolista, habilidoso artista do verso

Modernismo

A Frauta que Eu Perdi (subtítulo Canções Gregas, 1924) Meu (1925) e Raça (1925) – versos livres, sonoridade e ressurgir de algumas rimas. Raça (rapsódia da mestiçagem brasileira) pertence ao nacionalismo estético com nomeação metonímica (português = velho cavaleiro, índio reluz em cores e preto = samba), versos grandes, frases nominais e vocábulos mais raros

Pós-Modernismo

Você (1930), Acaso (1938), Poesia Vária (1947), Camoniana (1956) e Pequeno Cancioneiro (1956) – retorno ao ponto de origem: versos metrificados, rimas raras, sonetos e sentimentalismo. Apanágio da técnica, reconstitui a maneira de Camões e dos Cancioneiros

“Há uma encruzilhada de três estradas sob a minha cruz de estrelas azuis: / três caminhos se cruzam — um branco, um verde e um preto — três hastes da grande cruz. / E o branco que veio do norte, e o verde que veio da terra, e o preto que veio do leste. / derivam num novo caminho, completam a cruz unidos num só, fundidos num vértice. / Fusão ardente na fornalha tropical de barro vermelho, cozido, estalando ao calor modorrento dos sóis imutáveis: (…)”

–Minha Cruz!, in Raça

Manuel Bandeira (1886-1968)

É uma das figuras mais importantes da poesia brasileira e um dos iniciadores do Modernismo.

Do penumbrismo pós-simbolista de A Cinza das Horas às experiências concretas da década de 60 de Composições e Ponteios, a poesia de Bandeira destaca-se pela consciência técnica com que manipulou o verso livre. Participa indiretamente da SAM, quando Ronald de Carvalho declama seu poema Sapos.

Sempre pensando que morreria cedo (tuberculoso), acabou vivendo muito e marcando a literatura brasileira. Morte e infância são as molas propulsoras de sua obra. Ironizava o desânimo provocado pela doença, mas em Cinza das Horas apresenta melancolia e sofrimento por causa da “dama branca”. Além de ser um poeta fabuloso, também foi ensaísta, cronista e tradutor. O próprio autor define sua poesia como a do "gosto humilde da tristeza".

“Febre, hemoptise, dispnéia, e suores noturnos. / A vida inteira que podia ter sido e que não foi. / Tosse, tosse, tosse. / Mandou chamar o médico: / — Diga trinta e três. / — Trinta e três… trinta e três… trinta e três… / — Respire. (…) / — O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. / — Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? / — Não. A única coisa a fazer e tocar um tango argentino.”

–Pneumotórax

Ritmo Absoluto e Libertinagem são frutos de um processo de integração com o Rio. Sua poesia contagia-se de uma visão erótico-sentimental, resultante da forma de encarar o amor a partir da experiência do corpo. Libertinagem usa lirismo solto, repleto de cenas do cotidiano, com verdadeiras aulas de solidariedade e ternura.

“Irene preta / Irene boa / Irene sempre de bom humor. / Imagino Irene entrando no céu: / — Licença, meu branco! / E São Pedro bonachão: / — Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.”

–Irene no Céu, in Libertinagem

Em Estrela da Manhã, atinge a plenitude de seu lirismo libertário, mostrando que tudo pode ser matéria poética: um clássico esquecido, uma frase de criança, uma notícia de jornal, a casa em que morava e até mesmo uma propaganda de três sabonetes (Baladas das três mulheres do sabonete Araxá).

Obras principais

Poesia

A Cinza das Horas (1917) Carnaval (1919)O Ritmo Dissoluto (1924)Libertinagem (1930)Estrela da Manhã (1936)Lira dos Cinquent’Anos (1940)Belo, Belo (1948)Mafuá do Malungo (1948)Opus 10 (1952)Estrela da Tarde (1963)Estrela da Vida Inteira (1966)

Prosa

Crônicas da Província do Brasil (1937)Guia de Ouro Preto (1938)Noções de História das Literaturas (1940)Literatura Hispano-Americana (1949)Gonçalves Dias (1952)Itinerário de Pasárgada (1954)De Poetas e de Poesia (1954)Flauta de papel (1957)Andorinha, Andorinha (seleção de Carlos Drummond de Andrade, 1966)Colóquio Unilateralmente Sentimental (1968)

Mário de Andrade (1893-1945)

Um dos organizadores do Modernismo e da SAM, foi o que apresentou projeto mais consistente de renovação. Começou escrevendo críticas de arte e poesia (ainda parnasiana) com o pseudônimo de Mário Sobral. Rompeu com o Parnasianismo e o passado com Paulicéia Desvairada e a Semana, da qual participou ativamente.

Injetou em tudo que fez um senso de problemático brasileirismo, daí sua investida no folclore. De jeito simples, sua coloquialidade desarticulou o espírito nacional de uma montanha de preconceitos arcaicos. Lutou sempre por uma literatura brasileira e com temas brasileiros.

“O passado é lição para se meditar e não para se reproduzir” – afirmava assim a necessidade de um presente novo, inventivo. Acreditava na arte como instrumento de debate e de combate, comportamento evidenciado em Paulicéia Desvairada. Esta obra oferece uma panorâmica da cidade e de sua vida, ao criticar a mania obsessiva de posse, aqui também satiriza a incompetência dos administradores.

“Oh! Minhas alucinações” / Vi os deputados, chapéus altos / sob o pálio vesperal, feito de mangas-rosas, / saírem de mãos dadas do Congresso… / Como um possesso num acesso em meus aplausos / aos salvadores do meu estado amado! (…) / Mas os deputados, chapéus altos / Mudavam-se pouco a pouco em cabras! / Crescem-lhes os cornos, decemlhes as barbichas… (…) / se punham a pastar / rente do palácio do senhor presidente… / Oh! Minhas alucinações!”

O rebanho, in Paulicéia Desvairada

Sua faceta de teórico de estética literária pode ser avaliado em A Escrava que não é Isaura, onde expõe pequenos e paliativos remédios da farmacopéia didático-técnico-poética do Modernismo.

“Eu creio que os modernistas da Semana de Arte Moderna não devemos servir de exemplo a ninguém. Mas podemos servir de lição. O homem atravessa uma fase integralmente política da humanidade. Nunca jamais ele foi tão ‘momentâneo’ como agora.”

O Movimento Modernista – conferência

Clã do Jabuti resulta da viagem de descoberta do Brasil, numa aproximação com o folclore como fonte de criação poética. Apoiando-se nas tradições populares brasileiras, utiliza a toada, o coco, a moda, o samba para sustentar seus poemas.

Seu primeiro romance é Amar, Verbo Intransitivo que penetra na estrutura familiar da burguesia paulistana, sua moral e seus preconceitos. Aborda, ao mesmo tempo, os sonhos e a adaptação dos imigrantes na agitada Paulicéia.

Já em Macunaíma, Herói sem nenhum caráter, cria um anti-herói com um perfil indolente, brigão, covarde, sincero, mentiroso, trabalhador, preguiçoso, malandro, otário – multifacetado. Inspirando-se no folclore indígena da Amazônia, mesclando a lendas e tradições das mais variadas regiões do Brasil, constrói-se um herói que encarna o homem latino-americano. Macunaíma é uma figura totalmente fora dos esquemas tradicionais da prosa de ficção, uma aglutinação de alguns possíveis tipos brasileiros. Sempre na defesa, Macunaíma começa comendo terra e acaba sendo comido pela terra.

Renate de Males já evidencia certo distanciamento em relação ao desvairismo inicial. Em Contos de Belazarte, manifesta acentuada preocupação com uma análise psicológico-social das relações familiares, reveladas através de uma linguagem inovadora (sintático e lexicalmente).

Na obra Lira Paulistana, Mário faz uma interpretação poética de seu destino e integração com a cidade de São Paulo. O reflexo do eu na transparência do rio Tietê mostra as águas do rio como se fosse um espelho mágico.

Inspiração

“São Paulo! comoção de minha vida … / Os meus amores são flores feitas de original… / Arlequinal!… Traje de losangos… Cinza e ouro… / Luz e bruma… Forno e inverno morno… / Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes… / Perfumes de Paris… Arys!”

I n Poesias Completas

O Banquete é um explosivo depoimento sobre as linhas mestras do pensamento estético de Mário de Andrade, além de constituir uma sátira sobre certos comportamentos típicos no tempo da ditadura estadonovista.

"Pouca saúde e muita saúva os males do Brasil são."

–Macunaíma

Obras Principais

Poesia

Há uma Gota de Sangue em casa Poema (1917)Paulicéia Desvairada (1922)Losango Cáqui (1926)Clã do Jabuti (1927)Remate de males (1930)Poesias (1941)Lira Paulistana (1946)O Carro da Miséria (1946)Poesias Completas (1955)

Conto

Primeiro Andar (1926)Balazarte (1934)Contos Novos (1946)

Romance

Amar, Verbo Intransitivo (1927)Macunaíma (1928)

Ensaio

A Escrava que não é Isaura (1925)O Aleijadinho e Álvares de Azevedo (1935)O Baile das Quatro Artes (1943)Aspectos da Literatura Brasileira (1943)O Empalhador de Passarinhos (1944)O Banquete (1978)

Crônicas

Os Filhos da Candinha (1943)

Musicologia e Folclore

Ensaio sobre Música Brasileira (1928)Compêndio de História da Música (1929)Modinhas e Lundus Imperiais (1930)Música, Doce Música (1933)Namoros com a Medicina (1939)Música do Brasil (1941)Danças Dramáticas do Brasil (1959)Música de Feitiçaria (1963)

História da

Padre Jesuíno de Monte Melo (1946) outros folhetos reunidos nas Obras Completas

Oswald de Andrade (1890-1853)

Foi poeta, romancista, ensaísta e teatrólogo. Figura de muito destaque no Modernismo Brasileiro, ele trouxe de sua viagem a Europa o Futurismo. Formado em Direito, Oswald era um playboy extravagante: usa luvas xadrez e tinha um Cadillac verde apenas porque este tinha cinzeiro, para citar apenas algumas de suas muitas extravagâncias. Amigo de Mário de Andrade, era seu oposto: milionário, extrovertido, mulherengo (casou-se 5 vezes, as mais célebres sendo as duas primeiras esposas: Tarsila do Amaral e Patrícia "Pagu" Galvão).

“Viajei, fiquei pobre, fiquei rico, casei, enviuvei, casei, divorciei, viajei, casei… já disse que sou conjugal, gremial e ordeiro. O que não me impediu de ter brigado diversas vezes à portuguesa e tomado parte em algumas batalhas campais.”

–nota autobiográfica – Diário de Notícias

Foi um dos principais artistas da Semana de Arte Moderna e lançou o Movimento Pau-Brasil e a Antropofagia, corrente que pretendia devorar a cultura européia e brasileira da época e criar uma verdadeira cultura brasileira. Fazendeiro de café, perdeu tudo e foi à falência em 1929 com o crash da Bolsa de Valores. Militante esquerdista, passou a divulgar o Comunismo junto com Pagu em 1931, mas desligou-se do Partido em 1945.

Sua obra é marcada por irreverência, coloquialismo, nacionalismo, exercício de demolição e crítica. Incomodar os acomodados, estimular o leitor através de palavras de coragem eram constantes preocupações desse autor.

“A situação ‘revolucionária’ desta bosta mental sul-americana apresentava-se assim: o contrário do burguês não era o proletário — era o boêmio! As massas, ignoradas no território e como hoje, sob a completa devassidão econômica dos políticos e dos ricos. Os intelectuais brincando de roda.”

–prefácio de Serafim Ponte Grande

Depois de participar da SAM, viaja à Europa e o diário de bordo destas viagens é o romance cubista Memórias Sentimentais de João Miramar, que os críticos chamaram de prosa telegráfica. Este romance-caleidoscópio inaugura, no nível da prosa, a tendência antinormativa da literatura contemporânea, rompendo os modelos realistas. Seus 163 fragmentos registram a trajetória do brasileiro rico de todos os tempos: Europa – casamento – amante – desquite – vida literária – apertos financeiros – …

“Beiramávamos em auto pelo espelho de aluguel arborizado das avenidas marinhas sem sol. / Losango, tênues de ouro bandeiranacionalizavam o verde dos montes interiores. / No outro lado azul da baía a Serra dos Órgãos serrava. / Barcos. E o passado voltava na brisa de baforadas gostosas. Tolah ia vinha derrapava entrava em túneis. / Copacabana em um duelo arrepiado na luminosa noite varada pelas frestas da cidade.”

–66. Botafogo, in Memórias Sentimentais de João Miramar

Em Paris, deslumbrado, descobriu a própria Terra: tinha nventado a poesia de exportação — o Pau-Brasil. Poemas-pílilas, onde mistura-se a linguagem antiga dos cronistas e jesuítas com o modo de falar atual. Com essa mistura, tempera seus poemas com sua fina ironia.

relicácio – “No baile da Corte / Foi o Conde d’Eu quem disse / Pra Dona Benvinda / Que farinha de Suruí / Pinga de Parati / Fumo de Baependi / É comê bebê pitá e caí”

–Pau-Brasil

O momento esteticamente mais radical do Modernismo foi a Antropofagia. Invocando a cultura e os costumes primitivos do Brasil, este movimento afirma a necessidade de sermos um povo antropófago, para não nos atrofiarmos culturalmente. Deve-se filtrar as contribuições estrangeiras para alcançar uma síntese transformadora.

Com a crise econômica de 1929, Oswald passa por difíceis condições financeiras e se vê obrigado a conjugar o verbo “crakar”

“Eu empobreço de repente / Tu enriqueces por minha causa / Ele azula para o sertão / Nós entramos em concordata / Vós protestais por preferência / Eles escafedem a massa / Sê pirata / Sede trouxas / Abrindo o pala / Pessoal sarado / Oxalá eu tivesse sabido que esse verbo era irrregular.”

–Memórias Sentimentais de João Miramar

Falido economicamente, Oswald vai se pendurar nos “reis da vela”, os agiotas do beco do escarro (zona bancária de SP). Com isso, o autor vai recolhendo material para sua peça O Rei da Vela.

Serafim Ponte Grande é o romance que testemunha a fase de identidade ideológica com a esquerda. Serafim encarna o mito do herói latino-americano individual que parte como um louco em busca da libertação e da utopia. . Oswald projeta em Serafim o herói que vai remar sempre contra a corrente do inconformismo, procurando romper, através da crítica, do sarcasmo e da ironia as rédeas sufocantes do ser burguês. Por ser o sonhe de Serafim individual, acaba frustrando-se e, depois de aprender as duras realidades da vida, torna-se um irrecuperável marginal que cai fora do sistema.

“— Tudo é tempo e contra-tempo! E o tempo é eterno. Eu sou uma forma vitoriosa do tempo. Em luta seletiva, antropofágica. Com outras formas do tempo: moscas, eletro-éticas, cataclismas, polícias e marimbondos! / Ó criadores das elevações ertificiais do destino eu vos digo! A felicidade do homem é uma felicidade guerreira. Tenho dito. Viva a rapaziada! O gênio é uma longa besteira!”

-Serafim Ponte Grande

Morreu sofrendo dificuldades de saúde e financeiras, mas sem perder o contato com os artistas da época.

epitáfio – “Eu sou redondo, redondo / Redondo, redondo eu sei / Eu sou uma redond’ilha / Das mulheres que beijei / Vou falecer do oh! amor / Das mulheres de minh’ilha / Minha caveira rirá ah! ah! ah! / Pensando na redondilha”

Obras principais

Poesia

Pau-Brasil (1925)Primeiro Caderno de Poesia do Aluno Oswald de Andrade (1927)Poesias Reunidas (edição póstuma)

Romance

Os Condenados (I – Alma, II – Estrela do Absinto, III – A escada, 1922 a 1934)Memórias Sentimentais de João Miramar (1924)Serafim Ponte Grande (1933)Marco Zero (I – A Revolução Melancólica, II – Chão, 1943 a 1946)

Manifestos, teses e ensaios

Manifesto Pau-Brasil (1925)Manifesto Antropófago (1928)A Arcádia e a Inconfidência (1945)Ponta de Lança (1945)A Crise da Filosofia Messiânica (1946)A Marcha das Utopias (1966)

Teatro

O Homem e o Cavalo (1934)O Rei da Vela (1937)A Morta (1937)O Rei Floquinhos (Infantil, 1953)

Memórias

Um Homem sem Profissão (1954)

Crônicas

Telefonemas (edição póstuma)

     

Modernismo

     

Textos

Evocação do Recife

Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais.
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois — Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância (…)

Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada.
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Manuel Bandeira

Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

Fragmentos do livro de poesias Pau-Brasil, de Oswald de Andrade

Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
o português.

Fragmentos do livro de poesias Pau-Brasil, de Oswald de Andrade

Mário de Andrade

Eu insulto o burguês! O burguês níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os ‘Printemps’ com as unhas!
Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas! (…)

Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo1 Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!

Fora! Fu! Fora o bom burguês!…

Fragmentos de Ode ao Burguês

Segunda fase Modernista no Brasil – (1930-1945)

Estende-se de 1930 a 1945, sendo um período rico na produção poética e também na prosa. O universo temático se amplia e os artistas passam a preocupar-se mais com o destino dos homens, o estar-no-mundo.

“A segunda fase colheu os resultados da precedente, substituindo o caráter destruidor pela intenção construtiva, “pela recomposição de valores e configuração da nova ordem estética”.

Cassiano Ricardo

Durante algum certo tempo, a poesia das gerações de 22 e 30 conviveram. Não se trata, portanto, de uma sucessão brusca. A maioria dos poetas de 30 absorveria parte da experiência de 22: liberdade temática, gosto da expressão atualizada ou inventiva, verso livre, anti-academicismo.

A poesia prossegue a tarefa de purificação de meios e formas iniciada antes, ampliando a temática na direção da inquietação filosófica e religiosa, com Vinícius de Moraes, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade, ao tempo em que a prosa alargava a sua área de interesse para incluir preocupações novas de ordem política, social e econômica, humana e espiritual. À piada sucedeu a gravidade de espírito, a seriedade da alma, propósitos e meios. Uma geração grave, preocupada com o destino do homem e com as dores do mundo, pelos quais se considerava responsável, deu à época uma atividade excepcional.

O humor quase piadístico de Drummond receberia influencias de Mário e Oswald de Andrade. Vinícius, Cecília, Jorge de Lima e Murilo Mendes apresentam certo espiritualismo que vinha do livro de Mário Há uma gota de Sangue em cada Poema (1917).

A geração de 30 não precisou ser combativa como a de 22. Eles já encontraram uma linguagem poética modernista estruturada. Passaram então a aprimorá-la e extrair dela novas variações, numa maior estabilidade.

O Modernismo já estava dinamicamente incorporado `as praticas literárias brasileiras, sendo assim os modernistas de 30 estão mais voltados ao drama do mundo e ao desconcerto do capitalismo.

"Este é tempo de partido, / tempo de homens partidos. (…) Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. / As leis ano bastam. Os lírios ano nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se / na pedra."

Carlos Drummond de Andrade, in Nosso Tempo

Características

Repensar a historia nacional com humor e ironia – " Em outubro de 1930 / Nós fizemos — que animação! — / Um pic-nic com carabinas." (Festa Familiar – Murilo Mendes)

Verso livre e poesia sintética – " Stop. / A vida parou / ou foi o automóvel?" (Cota Zero, Carlos Drummond de Andrade)

Nova postura temática – questionar mais a realidade e a si mesmo enquanto indivíduo

Tentativa de interpretar o estar-no-mundo e seu papel de poeta

Literatura mais construtiva e mais politizada.

Surge uma corrente mais voltada para o espiritualismo e o intimismo (Cecília, Murilo Mendes, Jorge de Lima e Vinícius)

Aprofundamento das relações do eu com o mundo

Consciência da fragilidade do eu – "Tenho apenas duas mãos / e o sentimento do mundo" (Carlos Drummond de Andrade – Sentimento do Mundo)

Perspectiva única para enfrentar os tempos difíceis é a união, as soluções coletivas – " O presente é tão grande, ano nos afastemos, / Ano nos afastemos muito, vamos de mãos dadas." (Carlos Drummond de Andrade – Mãos dadas)

Autores Principais – Poesia

Carlos Drummond de Andrade

Mineiro, trabalha lecionando em Itabira e, em 45, trabalha na diretoria de um jornal comunista. Maior nome da poesia contemporânea, registrando a realidade cotidiana e os acontecimentos da época.

Ironia fina, lucidez, e calma, traduzidos numa linguagem flexível, rica, mas rica de dimensões humanas.

Poesias refletem os problemas do mundo e do ser humano diante dos regimes totalitários, da 2a GM e da guerra fria.

Poesia de Drummond apresenta uns momentos de esperança, mas prevalece a descrença diante do rumo dos acontecimentos.

Nega formas de fuga da realidade, volta-se para o momento presente.

"Ano serei o poeta de um mundo caduco. / Também ano cantarei o mundo futuro. / Estou preso `a vida e olho meus companheiros. (…) O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, / a vida presente."

Mãos Dadas

A partir de Lição das Coisas (1962), há maior preocupação maior com objetos, valorizando mais os aspectos visuais e sonoros – tendência concreto-formalista.

Carlos Drummond de Andrade propõe a divisão temática de sua obra, numa seleção que faz para sua Antologia Poética:

1. o indivíduo
2. a terra natal
3. a família
4. os amigos
5. o choque social
6. o conhecimento amoroso
7. a própria poesia
8. exercícios lúdicos
9. uma visão, ou tentativa de, da existência

Obras

Poesia

Alguma Poesia (1930)Brejo das Almas (1934)Sentimento do Mundo (1940)Poesias (1942)A Rosa do Povo (1945)Poesia até agora (1948)Claro Enigma (1951)Viola de Bolso (1952)Fazendeiro do Ar e Poesia até Agora (1953)Viola de Bolso Novamente Encordoada (1955)Poemas (1959)A Vida Passada a Limpo (1959)Lição de Coisas (1962)Versiprosa (967)Boitempo (1968)Menino Antigo (1973)As Impurezas do Branco (1973)Discurso da Primavera e outras Sombras (1978)

Prosa

Confissões de Minas (ensaios e crônicas, 1944)Contos de Aprendiz (1951)Passeios na Ilha (ensaios e crônicas, 1952)Fala, Amendoeira (1957)a Bolsa e a Vida (crônicas e poemas, 1962)Cadeira de Balanço (crônicas e poemas, 1970)O Poder Ultrajovem e mais 79 Textos em Prosa e Verso (1972)

Murilo Mendes (1902-1975)

Mineiro, que caminha das sátiras e poemas-piada, ao estilo oswaldiano, para uma poesia religiosa, sem perder o contato com a realidade. Poeta modernista mais infuenciado pelo Surrealismo europeu.

Guerra foi tema de diversos poemas seus. Seus textos caracterizam-se por novas formas de expressão, e livre associação de imagens e conceitos.

A partir de Tempo e Eternidade (1935), parte para a poesia mística e religiosa. Dilema entre poesia e Igreja, finito e infinito, material e espiritual, sem abandonar a dimensão social.

"Eu amo minha família sobrenatural, / Aquela que ano herdei, / Aquela que ama o Eterno. / São poetas, são musas, são iluminados / Que vivem mirando os seus fins transcendentes. / Que vivem mirando os seus fins transcendentes. / 'o mundo, minha família sobrenatural ano te possuiu. / Minha angústia vive nela e com ela, / E eu formarei poetas no futuro / `A sua imagem e semelhança. E todos ajuntando novos membros ao corpo / De que Cristo Jesus é a cabeça / Irradiarão as palavras do Eterno."

Communicantes

Também é poeta especulador, que usa a linguagem em busca de novos conceitos.

"O poema é texto? O poeta? / O poema é o texto + o poeta? / O poema é o poeta – o texto? / O texto é o contexto do poeta / Ou o poeta do contexto do texto? / O texto visível é o texto total / O antetexto e o antitexto / Ou as ruínas do texto? / O texto abole / Cria / Ou restaura?"

Texto de Consulta

Essa condição barroca de sua poesia associa-se a um trabalho das imagens visuais. Empolgado com a beleza, afirmava que tudo era belo pois pertencia `a Criação. Só as ações humanas justificavam o feio.

Consciência do caos, do mundo esfacelado, civilização decadente. Trabalho do poeta é tentar ordenar esse caos.

" (…) A infância vem da eternidade. / Depois só a morte magnífica / — Destruição da mordaça: / E talvez já' a tivesse entrevisto / Quando brincavas com o pião / Ou quando desmontaste o besouro. Entre duas eternidades / Balançam-se espantosas / Fome de amor e a música: / Rude doçura / 'Ultima passagem livre. Só vemos o céu pelo avesso."

Poesia de Liberdade

Para Murilo, a beleza é fundamental. Mulher, para Murilo, éigual a amor, abordada de forma erótica.

"Tudo o que te rodeia e te serve
Aumenta a fascinação, o segredo
Teu véu se interpõe entre ti e meu corpo,
é a grade do meu cárcere. (…)
Tudo o que faz parte de ti — desde teus sapatos —
Está unido ao pecado e ao prazer,
`A teologia, ao sobrenatural."

Em Pânico, in Antologia Poética

Obras : Poemas (1930), História do Brasil (1932), Tempo e Eternidade (com Jorge de Lima, 1935), A Poesia em Pânico (1938), O Visionário (1941), As Metamorfoses (1944), O Discípulo de Emaús (prosa, 1944), Mundo Enigma, (1945), Poesia Liberdade (1947), Janela do Caos (1948), Contemplação de Ouro Preto (1954), Poesias (1959), Tempo Espanhol (1959), Poliedro (1962), Idade do Serrote (Memórias, 1968), Convergência (1972), Retratos Relâmpago (1973), Ipotesi (1977)

Jorge de Lima (1898-1953)

Alagoano ligado diretamente à política, estréia com a obra XVI Alexandrinos fortemente influenciado pelo Parnasianismo, o que lhe deu o título de Príncipe dos Poetas Alagoanos. Sua obra posteriormente chega a uma poesia social, paralela a uma poesia religiosa.

Na poesia social apresenta-se a cor local, através do resgate da memória do autor de menino branco com infância cheia de imagens de negros escravos e engenhos. Por vezes, amplia a abordagem com denúncia das desigualdades sociais.

Cecília Meireles

Órfã, carioca, foi criada pela avó e fez Magistério e lecionou Literatura em várias universidades.

Estréia com o livro Espectros (1919), participando da corrente espiritualista, sob a influência dos poetas que formariam o grupo da revista Festa (neo-simbolista).

Suas principais características são sensibilidade forte, intimisno, introspecção, viagem para dentro de si mesma e consciência da transitoriedade das coisas (tempo = personagem principal). Para ela as realidades não são para se filosofar, são inexplicáveis, basta vivê-las.

Vinícius de Moraes

Carioca conhecido como Poetinha, participou também da MPB desde a Bossa-nova até sua morte. Assim como Cecília, inicia sua carreira ligado ao neo-simbolismo da corrente espiritualista e também a renovação católica de 30.

Vários de seus poemas apresentam tom bíblico, mas há, concomitantemente, um sensualismo erótico. Essa dualidade acentua a contradição entre o prazer da carne e a formação religiosa. Valoriza o momento com presença de imediatismos (de repente constante). Temática constante o jogo entre felicidade e infelicidade, onde muitas vezes associa a inspiração poética com a tristeza, sem abandonar o social.

Segunda fase Modernista no Brasil (1930-1945) – Prosa

Romances caracterizados pela denúncia social, verdadeiro documento da realidade brasileira, atingindo elevado grau de tensão nas relações do eu com o mundo. Uma das principais características do romance brasileiro é o encontro do escritor com seu povo. Há uma busca do homem brasileiro nas diversas regiões, por isso o regionalismo ganha importância, com destaque às relações do personagem com o meio natural e social.

Os escritores nordestinos merecem destaque especial, por sua denúncia da realidade da região pouco conhecida nos grandes centros. O 1° romance nordestino foi A Bagaceira de José Américo de Almeida. Esses romances retratam o surgimento da realidade capitalista, a exploração das pessoas, movimentos migratórios, miséria, fome, seca etc.

Autores Principais

Rachel de Queiroz

Cearense, viveu na infância o problema da seca que atingiu uma propriedade de sua família. Em 1930 (aos 20 anos) publica o romance O Quinze, que lhe angaria um prêmio e reconhecimento público.

Participa ativamente da política, militando no Partido Comunista Brasileiro e é presa em 1937, por suas idéias esquerdistas. A partir de 1940 dedica-se à crônica e ao teatro. Quebrou uma velha tradição, ao tornar-se (1977) a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras.

Sua literatura caracteriza-se, a princípio, pelo caráter regionalista e sociológico, com enfoque psicológico, que tende a se valorizar e a aprofundar-se à proporção que sua obra amadurece. Seu estilo é conciso e descarnado, sua linguagem fluente, seus diálogos vivos e acessíveis, o que resulta numa narrativa dinâmica e enxuta.

O Quinze e João Miguel há coexistência do social e ppsicológico. Caminho de Pedras é o ponto máximo de sua literatura engajada e de esquerda (mais social e político). As Três Marias abandona o aspecto social, enfatizando a análise psicológica.

José Lins do Rego (1901 – 1957)

Paraibano, é considerado um dos melhores representantes da literatura regionalista do Modernismo.

Em Recife, aproxima-se de José Américo de Almeida e Gilberto Freire, intelectuais responsáveis pela divulgação do modernismo no nordeste e pela preocupação regionalista. Mais tarde também conhece Graciliano Ramos, e depois para o Rio de Janeiro, onde participa ativamente da vida literária. Sua infância no engenho influenciou fortemente sua obra.

Suas obras Menino de Engenho, Doidinho, Bangüê, Moleque Ricardo, Usina e Fogo Morto compõem o que se convencionou chamar de “ciclo da cana de açúcar”. Nestas obras J. L. Rego narra a gradativa decadência dos engenhos e a transformação pela qual passam a economia e a sociedade nordestina. Sua técnica narrativa se mantém nos moldes tradicionais da literatura realista: linearidade, construção do personagem baseado na descrição dos caracteres, linguagem coloquial, registro da vida e dos costumes. O tom memorialista é o fio condutor de uma literatura que testemunha uma sociedade em desagregação: a sociedade do engenho patriarcalista, escravocrata. As obras mais representativas desta fase são Menino de Engenho e Fogo Morto.

A primeira é a história de um menino, órfão de pai e mãe, que é criado no Engenho Santa Rosa, de seu avô José Paulino, típico representante do latifundiário nordestino. Há momento de grande emoção na obra, como a descrição da enchente, o castigo dos escravos, a descoberta da própria sexualidade.

Fogo Morto é considerada sua melhor obra: dividida em três partes que se interrelacionam, compõe um quadro social e humano do Nordeste. Mestre José Amaro, seleiro, orgulhoso de sua profissão, sofre as pressões do coronel Lula de Holanda, senhor do Engenho Santa Fé, em decadência econômica. Antônio Silvino, cangaceiro, é o terror da região e ataca os engenhos. O capitão Vitorino Carneiro da Cunha, lunático, é uma espécie de místico e profeta do sertão.

Além destas obras, José Lins escreveu: Pedra Bonita e Cangaceiros, onde continua a traçar um quadro da vida nordestina, aproveitando agora elementos do folclore e do cordel. Estes romances pertencem ao “ciclo do cangaço, misticismo e seca”. Além destes, escreveu também Água-mãe e Eurídice, de ambientação urbana.

Graciliano Ramos (1892-1953)

Alagoano, faz jornalismo e política estreando com Caetés (1933). Em Maceió conheceu alguns escritores do grupo regionalista: José Lins, Jorge Amado, Raquel de Queirós. Nessa época redige S. Bernardo e Angústia.

Envolvendo-se em política, é preso e acusado de comunista, essas experiências pessoais são retratadas em Memórias do Cárcere. Em 1945 ingressa no Partido Comunista e empreende uma viagem aos países socialistas, narrada no livro Viagem.

Considerado o melhor romancista moderno da literatura brasileira. Levou ao limite o clima de tensão presente nas relações entre o homem e o meio natural, o homem e o meio social. Mostrou que essas tensões são capazes de moldar personalidades e transformar comportamentos, até mesmo gerar violência.

Luta pela sobrevivência é o ponto de ligação entre seus personagens, onde a lei maior é a lei da selva. A morte é uma constante em suas obras como final trágico e irreversível (suicídios em Caetés e São Bernardo, assassinato em Angústia e as mortes do papagaio e da cadela Baleia em Vidas Secas).

Antonio Candido propõe uma divisão da obra em 3 partes:

Rmances em 1ª pess. (Caetés, São Bernardo e Angústia)

Pesquisa da alma humana e retrato e análise da sociedade

Romances em 3ª pess. (Vidas Secas)

Enfoca modos se der e as condições de existência no meio da seca

Autobiografias (Infância e Memórias do Cárcere)

Coloca-se como caso humano, como uma necessidade de depor, denunciar

Seua personagens são seres oprimidos e moldados pelo meio. Tanto Paulo Honório (personagem de São Bernardo), quanto Luís da Silva (de Angústia) são o que se chama de “herói problemático”, em conflito com o meio e consigo mesmos, em luta constante para adaptar-se e sobreviver, insatisfeitos e irrealizados. Linguagem sintética e concisa.

Jorge Amado

Nasceu na zona cacaueira baiana e depois morou em Salvador, essas referências são fontes de inspiração para suas obras. Estréia com O País do Carnaval e, levado por Rachel de Queiroz, filia-se ao Partido Comunista Brasileiro, por onde mais tarde torna-se deputado. Sofre perseguições políticas, exila-se e mais tarde é preso.

Na vasta ficção de Jorge Amado convivem lirismo, sensualismo, misticismo, folclore, idealismo, engajamento político, exotismo. Este painel, sem dúvida, bastante rico, aliado a uma linguagem coloquial, fluida, espontânea, aparentemente sem elaboração, tem sido responsável pela grande aceitação popular de sua obra. Além disso, seus heróis são marginais, pescadores, marinheiros, prostitutas e operários; todos personagens de origem popular. Suas obras estão ambientadas no quadro rural e urbano da Bahia e seu aspecto documental a torna autenticamente regionalista.

Érico Veríssimo (1905-1975)

Sua família rica foi à falência e o escritor teve que trabalhar sem possibilidade de seguir estudos. Em Porto Alegre, entra em contato com a vida literária e inicia-se no jornalismo. Começa então a publicar contos e romances, entre os quais, Clarissa, que logo se tornou um sucesso. Viajou para vários países, lecionou Literatura Brasileira nos EUA e trabalhou na OEA. Voltando ao Brasil, dedica-se a escrever e produz uma vasta obra.

Escritor de grandes dimensões, em sua produção se incluem romances, crônicas, literatura infantil. Os romances que compõem a trilogia O Tempo e o Vento (O Continente, O Retrato, O Arquipélago) traçam um painel histórico de várias gerações: desde a época colonial sucedem-se as lutas entre portugueses e espanhóis, farrapos e imperiais, maragatos e pica-paus (nomes dos partidos em guerra política). Duas famílias, os Terra Cambará e os Amaral, são durante dois séculos o fio narrativo que unifica a história.

Érico Veríssimo compõe uma verdadeira saga romanesca, com todas as suas características: guerras intermináveis, aventuras, amores, traições, gerações que se sucedem, criando um painel histórico da comunidade rio-grandense e do próprio Brasil. A obra é uma aglutinação de novelas, onde ressaltam as figuras épicas de Ana Terra e do Capitão Rodrigo Cambará. O estilo de Érico Veríssimo é coloquial, poético, intimista. Sua técnica de construção é o contraponto: onde várias histórias se desenvolvem paralelamente, a ação concentrada e o dinamismo.

Em suas últimas obras, como O Prisioneiro, O Senhor Embaixador e Incidente em Antares, desenvolveu a ficção política, ambientada nos dias atuais.

Terceira fase Modernista no Brasil (1945- +/- 1960)

A literatura brasileira, assim como o cenário sócio-político, passa por transformações.

A prosa tanto no romance quanto nos contos busca uma literatura intimista, de sondagem psicológica, introspectiva, com destaque para Clarice Lispector. Ao mesmo tempo, o regionalismo adquire uma nova dimensão com Guimarães Rosa e sua recriação dos costumes e da fala sertaneja, penetrando fundo na psicologia do jagunço do Brasil central. Um traço característico comum a Clarice e Guimarães Rosa é a pesquisa da linguagem, por isso são chamados instrumentalistas. Enquanto Guimarães Rosa preocupa-se com a manutenção do enredo com o suspense, Clarice abandona quase que completamente a noção de trama e detém-se no registro de incidentes do cotidiano ou no mergulho para dentro dos personagens.

Na poesia, surge uma geração de poetas que se opõem às conquistas e inovações dos modernistas de 22. A nova proposta foi defendida, inicialmente, pela revista Orfeu (1947). Assim, negando a liberdade formal, as ironias, as sátiras e outras “brincadeiras” modernistas, os poetas de 45 buscam uma poesia mais “equilibrada e séria”. Os modelos voltam a ser os Parnasianos e Simbolistas. Principais autores (Ledo Ivo, Péricles Eugênio da Silva Ramos, Geir de Campos e Darcy Damasceno). No fim dos anos 40, surge um poeta singular, pois não está filiado esteticamente a nenhuma tendência: João Cabral de Melo Neto.

Referências históricas1945 = fim da 2ª GM, início da Era Atômica (Hiroxima e Nagasaki), ONU, Declaração dos Direitos do Homem, Guerra Fria. No Brasil, fim da ditadura Vargas, redemocratização brasileira, retomada de perseguições políticas, ilegalidades e exílios.

Autores Principais

Guimarães Rosa (1908 – 1967)

Mineiro, formou-se em Medicina e clinicou pelo interior, foi ministro e pela carreira diplomática esteve em Hamburgo, Bogotá e Paris. Foi eleito membro da ABL e faleceu 3 dias depois de sua posse.

A obra de G. Rosa é extremamente inovadora e original. Seu livro, Sagarana (1946), vem colocar uma espécie de marco divisor na literatura moderna do Brasil: é uma obra que se pode chamar de renovadora da linguagem literária. Seu experimentalismo estético, aliando narrativas de cunho regionalista a uma linguagem inovadora e transfigurada, veio transformar completamente o panorama da nossa literatura.

O livro Grande Sertão: Veredas (1956), romance narrado em primeira pessoa por Riobaldo num monólogo ininterrupto onde o autor e o leitor parecem ser os ouvintes diretos do personagem, G. Rosa recuperou a tradição regionalista, renovando-a. Há um clima fantástico na narrativa: Riobaldo conta suas aventuras de jagunço que quer vingar a morte de seu chefe, Joca Ramiro, assassinado pelo bando de Hermógenes.

Sua narrativa é entremeada por reflexões metafísicas em torno dos acontecimentos e dois fatos se repropõem constantemente: seu pacto com o Diabo e seu amor por Diadorim (na verdade, Deodorina, filha de Joca Ramiro, disfarçada de jagunço). As dúvidas de Riobaldo têm raízes místicas e sua narrativa torna-se então não mais um documento regionalista, mas uma obra de caráter universal, que toca em problemas que inquietam todos os homens: o significado da existência, as dimensões da realidade. Mas não é só isto que é novo em G. Rosa: sua linguagem é extremamente requintada.

Recuperando as matrizes arcaicas da língua portuguesa e fundindo-as com a fala sertaneja, G. Rosa chega a criar um linguajar mítico, onde o novo e o primitivo perdem as dimensões tornando-se um linguajar ao mesmo tempo real e irreal, pessoal e universal. Arcaísmos, neologismos, rupturas, fusões, toda uma técnica elaboradíssima que torna seu discurso literário ímpar em toda a nossa literatura.

Grande Sertão: Veredas e as novelas de Corpo de Baile incluem e revitalizam recursos da expressão poética: células rítmicas, aliterações, onomatopéias, ousadias mórficas, elipses, cortes e deslocamentos de sintaxe, vocabulário insólito, arcaico ou neológico, associações raras, metáforas, anáforas, metonímias, fusão de estilos.

Clarice Lispector (1925 – 1977)

Ucraniana, veio com meses para o Brasil – por isso, sentia se “brasileira”. Tem por formação Direito. Em 1944 forma-se e publica o livro que escreveu durante o curso – Perto do Coração Selvagem surpreendendo a crítica e agradando ao público.

Casa-se com um diplomata, afastando-se do Brasil durante longos períodos, mas sem interromper a produção artística.

Principal nome da poesia intimista da moderna literatura brasileira, questionamento do ser, “estar-no-mundo”, a pesquisa do ser humano, resultando no romance introspectivo.

Características de sua producão literária:

sondagem dos mecanismos mais profundos da mente humana;

técnica “impressionista” de apreensão dessa realidade interior (predominância de impressões, de sensações);

ruptura com a seqüência linear da narrativa;

predomínio do tempo psicológico e, portanto, subversão do tempo cronológico;

características físicas das personagens diluem-se: muitas nem nome apresentam;

as ações passam a ter importância secundária, servindo principalmente como ilustração de características psicológicas das personagens (introspecção psicológica);

introdução da técnica do fluxo da consciência – quebra os limites espaço-temporais e o conceito de verossimilhança, fundindo presente e passado, realidade e desejo na mente dos personagens, cruzando vários eixos e planos narrativos sem ordem ou lógica aparente;

presença da epifania (“revelação”): aparentemente equilibradas e bem ajustadas, subitamente as personagens sentem um estranhamento frente a um fato banal da realidade. Nesse momento, mergulham num fluxo de consciência, do qual emergem sentindo-se diferentes em relação a si mesmas e ao mundo que as rodeia; esse desequilíbrio momentâneo por certo mudará sua vida definitivamente;

suas principais personagens são mulheres, mas não se limitam ao espaço do ambiente familiar: Clarice visa a atingir valores essenciais humanos e universais tais como a falsidade das relações humanas, o jogo das aparências, o esvaziamento do mundo familiar, as carências afetivas e as inseguranças delas decorrentes, a alienação, a condição da mulher, a coexistência dos contrastes, das ambigüidades, das contradições do ser, num processo meio “barroco”;

fusão de prosa e poesia, com emprego de figuras de linguagem: metáforas, antíteses (eu x não-eu, ser x não ser), paradoxos, símbolos e alegorias, aliterações e sinestesias;

uso de metalinguagem – “Algumas pessoas cosem para fora; eu coso para dentro”- em associação com os processos intimistas e psicológicos, político-sociais, filosóficos e existenciais (A Hora da Estrela, 1977). “Depois que descobri em mim mesma como é que se pensa, nunca mais pude acreditar no pensamento dos outros”.

João Cabral de Melo Neto

Pernambucano, passa a infância em engenhos de açúcar em contato com a terra e o povo (o que despertou seu interesse pelo folclore nordestino e pela literatura de cordel), com a palavra escrita (livros e jornais, desde os dois anos de idade) e a parentela ilustre e culta (primo de Manuel Bandeira e Gilberto Freire). É eleito por unanimidade para a ABL (1969)

Estreou em 1942 com Pedra do Sono de forte influência de Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes. Ao publicar O Engenheiro, em 1945, traça os rumos definitivos de sua obra. Em 1956, escreve o poema dramático Morte e Vida Severina, que, encenado em 1966, com músicas de Chico Buarque, consagra-o definitivamente.

Só pertenceria à Geração de 45 se levado em conta o critério cronológico; pois esteticamente afasta-se da proposta do grupo.

Características de sua produção literária: no início da carreira, apresenta um tendência à objetividade, convivendo com imagens surrealistas e oníricas (relativas aos sonhos): aos poucos, afasta-se da influência surrealista e aprofunda a tendência à substantivação, à economia da linguagem, submetendo as palavras a um processo crescente de depuração, com uso de metáforas, personificações, alegorias e metonímias (a pedra; a faca; o cão); a partir de 1945, influenciado por uma concepção arquitetônica, procede à geometrização do poema, aproximando a arte do Poeta à do Engenheiro; a preocupação com o descarnamento, com a confecção da poesia dessacralizada, afastada cada vez mais do subjetivismo e da introspecção, leva-o à elaboração do poema objeto.

Nele, o fruir poético atinge-se através da lógica do raciocínio, da razão, eliminando-se emoções superficiais (ruptura total com o sentimentalismo); o Poeta questiona o próprio ato de escrever e a função da poesia; na década de 50, surge e amadurece a preocupação política e principalmente a denúncia social do Nordeste e sua gente: os “severinos” retirantes, as tradições e o folclore regional, a herança medieval, a estrutura agraria canavieira, injusta e desigual… Aparece ainda a paisagem da Espanha, que apresenta pontos em comum com o cenário nordestino. Continua viva e atuante a reflexão sobre a Arte em suas várias manifestações, desde a pintura (Miró, Picasso, Vicente do Rego Monteiro), a literatura (Paul Valéry, Cesário Verde, Augusto dos Anjos, Graciliano Ramos, Drummond), passando pelo futebol e fechando com a sua própria maneira de poetar: “Sempre evitei falar de mim, falar-me. Quis falar de coisas. Mas na seleção dessas coisas não haverá um falar de mim?” (Morte e Vida Severina – Auto de Natal Pernambucano)

Morte e Vida Severina, obra mais popular de João Cabral, é um auto de Natal do folclore pernambucano. Sua linha narrativa segue dois movimentos que aparecem no título: “morte” e “vida”. No primeiro movimento, há o trajeto de Severino, personagem-protagonista, que segue do sertão para Recife, em face da opressão econômico-social. Severino tem a força coletiva de um personagem típico: representa o retirante nordestino. No segundo movimento, o da “vida”, o autor chama a atenção para a confiança no homem e em sua capacidade de resolver problemas.

Fonte: www.graudez.com.br

     

Modernismo

     

Chama-se genericamente modernismo (ou movimento moderno) o conjunto de movimentos culturais, escolas e estilos que permearam as artes e o design da primeira metade do século XX. Apesar de ser possível encontrar pontos de convergência entre os vários movimentos, eles em geral se diferenciam e até mesmo se antagonizam.

Modernismo

Encaixam-se nesta classificação a literatura, a arquitectura, design, pintura, escultura e a música modernas.

O movimento moderno baseou-se na idéia de que as formas "tradicionais" das artes plásticas, literatura, design, organização social e da vida cotidiana tornaram-se ultrapassadas, e que se fazia fundamental deixá-las de lado e criar no lugar uma nova cultura. Esta constatação apoiou a idéia de reexaminar cada aspecto da existência, do comércio à filosofia, com o objectivo de achar o que seriam as "marcas antigas" e substituí-las por novas formas, e possivelmente melhores, de se chegar ao "progresso". Em essência, o movimento moderno argumentava que as novas realidades do século XX eram permanentes e iminentes, e que as pessoas deveriam se adaptar a suas visões de mundo a fim de aceitar que o que era novo era também bom e belo.

A palavra moderno também é utilizada em contraponto ao que é ultrapassado. Neste sentido, ela é sinónimo de contemporâneo, embora, do ponto de vista histórico-cultural, moderno e contemporâneo abranjam contextos bastante diversos.

No Brasil, os principais artífices do movimento modernista não se opunham a toda realização artística anterior a deles. A grande batalha se colocava contra ao passadismo, ou seja, tudo aquilo que impedisse a criação livre. Pode-se, assim, dizer que a proposta modernista era de uma ruptura estética quase completa com o engrossamento da arte encontrado nas escolas anteriores e de uma ampliação dos horizontes dessa arte antes delimitada pelos padrões académicos. Em paralelo à ruptura, não se pode negar o desejo dos escritores em conhecer e explorar o passado como fonte de criação, não como norma para se criar. Como manifestações desse desejo por ruptura, que ao mesmo tempo respeitavam obras da tradição literária, temos o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, o livro Macunaíma, o retrato de brasileiros através das influências cubistas de Tarsila do Amaral, o livro Casa Grande & Senzala, dentre inúmeros outros. Revistas da época também se dedicaram ao tema, tais como Estética, Klaxon e Antropofagia, que foram meios de comunicação entre o movimento, os artistas e a sociedade.

História do modernismo

Origens

A primeira metade do século XIX na Europa foi marcada por uma série de guerras e revoluções turbulentas, as quais gradualmente traduziram-se em um conjunto de doutrinas atualmente identificadas com o movimento romântico, focado na experiência individual subjetiva, na supremacia da Natureza como um tema padrão na arte, meios de expressão revolucionários ou radicais e na liberdade do indivíduo. Em meados da metade do século, entretanto, uma síntese destas idéias e formas de governo estáveis surgiram. Chamada de vários nomes, esta síntese baseava-se na idéia de que o que era "real" dominou o que era subjetivo. Exemplificada pela realpolitik de Otto von Bismarck, idéias filosóficas como o positivismo e normas culturais agora descritas pela palavra vitoriano.

Fundamental para esta síntese, no entanto, foi a importância de instituições, noções comuns e quadros de referência. Estes inspiraram-se em normas religiosas encontradas no Cristianismo, normas científicas da física clássica e doutrinas que pregavam a percepção da realidade básica externa através de um ponto de vista objetivo. Críticos e historiadores rotulam este conjunto de doutrinas como Realismo, apesar deste termo não ser universal. Na filosofia, os movimentos positivista e racionalista estabeleceram uma valorização da razão e do sistema.

Contra estas correntes estavam uma série de idéias. Algumas delas eram continuações diretas das escolas de pensamento românticas. Notáveis eram os movimentos bucólicos e revivalistas nas artes plásticas e na poesia (por exemplo, a Irmandade pré-rafaelita e a filosofia de John Ruskin).

O Racionalismo também manifestou respostas do anti-racionalismo na filosofia. Em particular, a visão dialética de Hegel da civilização e da história gerou respostas de Friedrich Nietzsche e Søren Kierkegaard, principal precursor do Existencialismo. Adicionalmente, Sigmund Freud ofereceu uma visão dos estados subjetivos que envolviam uma mente subconsciente repleta de impulsos primários e restrições contrabalançantes, e Carl Jung combinaria a doutrina de Freud com uma crença na essência natural para estipular um inconsciente coletivo que era repleto de tipologias básicas que a mente consciente enfrentou ou assumiu.

Todas estas reações individuais juntas, porém, ofereceram um desafio a quaisquer idéias confortáveis de certeza derivada da civilização, da história ou da razão pura.

Duas escolas originadas na França gerariam um impacto particular. A primeira foi o Impressionismo, uma escola de pintura que inicialmente preocupou-se com o trabalho feito ao ar livre, ao invés dos estúdios. Argumentava-se que o ser humano não via objetos, mas a própria luz refletida pelos objetos. O movimento reuniu simpatizantes e, apesar de divisões internas entre seus principais membros, tornou-se cada vez mais influente. Foi originalmente rejeitado pelas mais importantes exposições comerciais do período – o governo patrocinava o Salon de Paris (Napoleão III viria a criar o Salon des rejects, que expôs todas as pinturas rejeitadas pelo Paris Salon). Enquanto muitas obras seguiam estilos padrão, mas por artistas inferiores, o trabalho de Manet atraiu tremenda atenção e abriu as portas do mercado da arte para o movimento.

A segunda escola foi o Simbolismo, marcado pela crença de que a linguagem é um meio de expressão simbólico em sua natureza, e que a poesia e a prosa deveriam seguir quaisquer conexões que as curvas sonoras e a textura das palavras pudessem criar. O poeta Stéphane Mallarmé seria de particular importância para o que aconteceria dali a frente.

Ao mesmo tempo, forças sociais, políticas e econômicas estavam trabalhando de forma a eventualmente serem usadas como base para uma forma radicalmente diferente de arte e pensamento.

Encabeçando este processo estava a industrialização, que produziu obras como a Torre Eiffel, que superou todas as limitações anteriores que determinavam o quão alto um edifício poderia ser e ao mesmo tempo possibilitava um ambiente para a vida urbana notadamente diferente dos anteriores. As misérias da urbanização industrial e as possibilidades criadas pelo exame científico das disciplinas seriam cruciais na série de mudanças que abalariam a civilização européia, que, naquele momento, considerava-se tendo uma linha de desenvolvimento contínua e evolutiva desde a Renascença.

A marca das mudanças que ocorriam pode ser encontrada na forma como tantas ciências e artes são descritas em suas formas anteriores ao século XX pelo rótulo "clássico", incluindo a física clássica, a economia clássica e o ballet clássico.

Modernismo
A renovação estética nas artes do fim do século XX

O advento do moderno (1890-1910)

Em princípio, o movimento pode ser descrito genericamente como uma rejeição da tradição e uma tendência a encarar problemas sob uma nova perspectiva baseada em idéias e técnicas atuais. Daí Gustav Mahler considerar a si próprio um compositor "moderno" e Gustave Flaubert ter proferido sua famosa frase "É essencial ser absolutamente moderno nos seus gostos". A aversão à tradição pelos impressionistas faz destes um dos primeiros movimentos artísticos a serem vistos, em retrospectiva, como "moderno".

Na literatura, o movimento simbolista teria uma grande influência no desenvolvimento do Modernismo, devido ao seu foco na sensação. Filosoficamente, a quebra com a tradição por Nietzsche e Freud provê um embasamento chave do movimento que estaria por vir: começar de novo de princípios primários, abandonando as definições e sistemas prévios. Esta tendência do movimento em geral conviveu com as normas de representação do fim do século XIX; frequentemente seus praticantes consideravam-se mais reformadores do que revolucionários.

Começando na década de 1890 e com força bastante grande daí em diante, uma linha de pensamento passou a defender que era necessário deixar completamente de lado as normas prévias, e ao invés de meramente revisitar o conhecimento passado à luz das técnicas atuais, seria preciso implantar mudanças mais drásticas. Cada vez mais presente integração entre a combustão interna e a industrialização; e o advento das ciências sociais na política pública. Nos primeiros quinze anos do século XX, uma série de escritores, pensadores e artistas fizeram a ruptura com os meios tradicionais de se organizar a literatura, a pintura, a música – novamente, em paralelo às mudanças nos métodos organizacionais de outros campos. O argumento era o de que se a natureza da realidade mesma estava em questão, e as suas restrições, sentia-se que, já que as atividades humanas até então comuns estavam mudando, então a arte também deveria mudar radicalmente.

Artistas

Alguns marcos são a música de Arnold Schoenberg, as experiências pictóricas de Kandinsky que culminariam na fundação do grupo Der blaue Reiter em Munique e o advento do cubismo através do trabalho de Picasso e Georges Braque em 1908.

Bastante influentes nesta onda de modernidade estavam as teorias de Freud, o qual argumentava que a mente tinha uma estrutura básica e fundamental, e que a experiência subjetiva era baseada na relação entre as partes da mente. Toda a realidade subjetiva era baseada, de acordo com as idéias freudianas, na representação de instintos e reações básicas, através dos quais o mundo exterior era percebido. Isto representou uma ruptura com o passado, quando se acreditava que a realidade externa e absoluta poderia impressionar ela própria o indivíduo, como dizia por exemplo, a doutrina da tabula rasa de John Locke.

Entretanto, o movimento moderno não era meramente definido pela sua vanguarda mas também pela linha reformista aplicada às normas artísticas prévias. Esta procura pela simplificação do discurso é encontrada no trabalho de Joseph Conrad. As conseqüências das comunicações modernas, dos novos meios de transporte e do desenvolvimento científico mais rápido começaram a se mostrar na arquitetura mais barata de se construir e menos ornamentada, e na redação literária, mais curta, clara e fácil de ler. O advento do cinema e das "figuras em movimento" na primeira década do século XX possibilitaram ao movimento moderno uma estética que era única, e novamente, criaram uma conexão direta com a necessidade percebida de se estender à tradição "progressiva" do fim do século XX, mesmo que isto entrasse em conflito com as normas estabelecidas.

Esta linha do movimento moderno rompeu com o passado na primeira década do século XX, e tentou redefinir as várias formas de arte de uma maneira radical. Liderando as mudanças na literatura estavam Virginia Woolf, James Joyce, T.S. Eliot, Ezra Pound, Wallace Stevens, Guillaume Apollinaire, Joseph Conrad, Marcel Proust, Gertrude Stein, Wyndham Lewis, Hilda Doolittle, Marianne Moore, William Carlos Williams e Franz Kafka. Compositores como Arnold Schönberg e Igor Stravinsky representaram o moderno na música.

Artistas como Picasso, Matisse, Mondrian, os surrealistas, entre outros, o representaram nas artes plásticas, enquanto arquitetos como Le Corbusier, Mies van der Rohe, Walter Gropius e Frank Lloyd Wright trouxeram as idéias modernas para a vida urbana cotidiana. Muitas figuras fora do modernismo nas artes foram influenciadas pelas idéias artísticas, por exemplo John Maynard Keynes era amigo de Virginia Woolf e outros escritores do grupo de Bloomsbury

Arte moderna

Arte Moderna é o termo genérico usado para designar a maior parte da produção artística do fim do século XIX até meados dos anos 1970 (embora não haja consenso sobre essas datas e alguns de seus traços distintivos[1]), enquanto que a produção mais recente da arte é chamada freqüentemente de arte contemporânea (alguns preferem chamar de arte pós-moderna).

A arte moderna se refere a uma nova abordagem da arte em um momento no qual não mais era importante que ela representasse literalmente um assunto ou objeto (através da pintura e da escultura) — o advento da fotografia fez com que houvesse uma diminuição drástica na demanda por certos meios artísticos tradicionais, a pintura especialmente. Ao invés disso, e é aí que a idéia de moderno começa a tomar forma, os artistas passam a experimentar novas visões, através de idéias inéditas sobre a natureza, os materiais e as funções da arte, e com freqüência caminhando em direção à abstração. A noção de arte moderna está estreitamente relacionada com o modernismo.

Histórico

Durante as primeiras décadas, a arte moderna foi um fenómeno exclusivamente europeu. As primeiras sementes de idéias modernas na arte vieram dos artistas que trabalhavam no romântico e movimentos dos realistas. Em seguida, representantes do impressionismo e pós-impressionismo experimentaram começando com as maneiras novas de representar a luz e o espaço através da cor e da pintura. Nos anos pré-I Guerra Mundial do século XX, uma explosão criativa ocorreu com fauvismo, cubismo, expressionismo e futurismo.

I Guerra Mundial trouxe um fim a esta fase, mas indicou o começo de um número de movimentos anti-arte, como dada e o trabalho de Marcel Duchamp, e do surrealismo. Também, os grupos de artistas como de Stijl e Bauhaus eram seminal no desenvolvimento de idéias novas sobre o interrelação das artes, da arquitetura, do projeto e da instrução da arte.

Arte moderna foi introduzida na América durante a I Guerra Mundial quando um número de artistas de Montmartre e Montparnasse bairros de Paris, França fugiram da guerra. Francis Picabia (1879–1954), foi o responsável de trazer a Arte Moderna para a cidade de Nova York. Foi somente após a II Guerra Mundial, no entanto, que os EUA se transformaram no ponto focal de novos movimentos artísticos. As décadas de 1950 e 1960 viram emergir o expressionismo abstrato, pop art, op art e arte mínima. Entre 1960 e 1970, a arte da terra, a arte do desempenho, a arte conceitual e Fotorealismo emergiram.

Em torno desse período, um número artistas e de arquitetos começaram a rejeitar a idéia de "o moderno" e criou tipicamente trabalhos pós-modernos.

Partindo do período pós-guerra, poucos artistas usaram pintura como seu meio preliminar.

Toda a produção do surgimento das personalidades artísticas do século vinte precisa ser condensada e reavaliada paradigmaticamente para o século vinte e um pois surge gradativamente um novo ramo de potencialização da expressão artística humana que deverá ser classificado oficialmente em breve tendo seus defensores iniciais reconhecidos.

Características da Arte Neo-Moderna ou Neo-Pós-Moderna:

Valorização dos elementos da cultura locais e regionais. Compreensão da instância da liberdade civil humano-adâmica proporcionada pela cultura. Independência do homem em relação à ignorância. Entendimento da profundidade da aplicação da justiça e da sua intuitiva necessidade. Paradigma multi-racial. Pacifismo político e na originalidade valorização de todas as instâncias originais promotoras da harmonia pacífica em nome da tradicionalidade. Identificação da expressão universal na intrinsecidade significativa da obra artística individual. Consciencialidade sobre a origem científica do homem no Universo. Expressão da esotericidade e da religiosidade dentro de um mesmo paradigma multi-significativo e multi-adaptável em harmonia.

Referências

1 – Enciclopédia Itaú Cultural: Arte Moderna, acessado em 5 de abril de 2008

Fonte: pt.wikipedia.org

     

Modernismo

     

No Brasil, o termo Modernismo envolve aspectos ligados ao movimento, propriamente dito, à estética e ao período histórico. Desde o início do século, a literatura tradicional, acadêmica e elitizante se mantém ao lado de tendências renovadoras, representadas por escritores como Euclides da Cunha, Monteiro Lobato e Lima Barreto. Com o passar do tempo, a busca pelo novo e as tentativas de renovação da arte brasileira se multiplicam com a promoção de exposições de pintura, esculturas modernas e artigos nos jornais, dedicados às tendências vanguardistas européias.

Modernismo

Na Europa, essa vanguarda tem como marca o avanço tecnológico e científico do início do século XX. Nesse período, o cotidiano das pessoas sofre uma verdadeira revolução com a supervalorização do progresso e da máquina. O capitalismo entra em crise, dando início à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), encerrando a chamada belle époque. A seguir, a crise financeira, oriunda do conflito, leva à Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e nos anos intermediários, conhecidos como "os anos loucos", as pessoas passam a conviver com a incerteza e com o desejo de viver somente o presente. Tais experiências despertam o anseio de interpretar e expressar a realidade de forma diferenciada, dando origem aos movimentos da vanguarda européia.

Os mais importantes foram: o futurismo, liderado pelo italiano Marinetti, exalta a velocidade e a máquina; o cubismo, oriundo da pintura, fraciona a realidade, remontando-a, a seguir, por meio de planos geométricos superpostos; o dadaísmo, com seu líder Tristan Tzara, nega totalmente a lógica, a coerência e a cultura, como forma de oposição ao absurdo da guerra. Tzara toma o termo dadá, que não significa nada, e o aplica à arte que produz, afirmando não reconhecer nenhuma teoria e declarando a morte da beleza; o surrealismo, lançado em 1924, por André Breton, com o Manifesto do Surrealismo, prega o apego à fantasia, ao sonho e à loucura, além da utilização da escrita automática em que o artista, provocado pelo impulso, registra tudo o que lhe vem à mente, sem preocupação com a lógica.

Essa vanguarda passa a exercer influência sobre os artistas e intelectuais brasileiros. Dessa forma, vão surgindo obras de autores jovens que, descontentes com a tradição acadêmica e parnasiana, demonstram que a literatura brasileira está sofrendo um processo dinâmico de transformação. Três datas (1922,1930 e 1945) marcam as diferentes fases desse movimento, iniciado com a Semana de Arte Moderna.

Contexto histórico da primeira fase (1922-1930) – Certas transformações foram responsáveis pela criação do ambiente propício à instalação das novas idéias, ressaltando-se: o Centenário da Independência e a Guerra Mundial (1914-1918), que favoreceu a expansão da indústria brasileira, promoveu novas relações políticas, além de abrir espaço para a renovação na educação e nas artes. Deu origem, também, ao questionamento do sistema político vigente, até então comandado pela oligarquia ligada à economia rural. Há, ainda, a grande influência da mão-de-obra imigrante, instalada no Sul, centro de poder da vida econômica e política do país. Outros fatos importantes foram: o triunfo da Revolução de Outubro de 1930, cujo levante se deu em 1922, e a fundação do Partido Comunista Brasileiro.

Igualmente relevante, foi a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, levando à queda do café brasileiro na balança de exportação, nessa mesma data. Tal fato, desestabiliza, no Brasil, o grupo dirigente e abre espaço para o novo, dando legitimidade à arte e à literatura modernas, entendidas, a princípio, como "capricho". O país vive os últimos anos da República Velha, caracterizada pelo domínio político das oligarquias, formadas pelos grandes proprietários rurais. Em 1922, com a revolta do Forte de Copacabana, o Brasil entra num período revolucionário de fato, culminando com a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas.

Contexto histórico da segunda fase (1930-1945) – No plano internacional, os fatos históricos que se destacam como os mais importantes são: a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, provocando profunda depressão econômica, conhecida como a Grande Depressão; a instalação da ditadura salazarista em Portugal, estendendo-se de 1932 a 1968; o início da Guerra Civil Espanhola, em 1936; a invasão da Polônia pela Alemanha, sob o comando de Adolf Hitler, resultando na Segunda Guerra Mundial; a invasão da ex-União Soviética pela Alemanha, em 1941; no mesmo ano em que os japoneses atacam aos Estados Unidos; a invasão da Itália, provocada pelos países aliados, em 1943; o fim da Segunda Guerra, em 1945, com a utilização da bomba atômica sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.

No Brasil, a Revolução de 1930 conduziu Getúlio Vargas ao poder com o apoio da burguesia industrial. Tratava-se de um governo provisório que incentivou a industrialização e substituiu o capital inglês pelo norte-americano. Descontentes com essa política, em 1932, os produtores de café de São Paulo se rebelam contra esse governo provisório, dando origem à chamada Revolução Constitucionalista de 9 de julho, que resultou em fracasso.

Em 1934, é promulgada a nova Constituição Brasileira, acompanhada da eleição de Getúlio Vargas para presidente da República. Mais tarde, em 1936, vários membros do Partido Comunista são presos, incluindo os escritores Jorge Amado e Graciliano Ramos. Em 1937, uma nova constituição é promulgada com características fascistas.

Em meio a todas essas conturbações, um fato merece registro. Trata-se das mortes, em 1938, de Lampião, o chefe do cangaço e de sua companheira Maria Bonita. O cangaço pode ser definido como o banditismo praticado pelos nordestinos expostos à extrema pobreza e constante injustiça social. Surge na grande seca de 1879, a partir de grupos armados que assaltam fazendas e casas comerciais para depois distribuírem o alimento furtado aos flagelados.

Além desses acontecimentos, em 1941, o Brasil entra na guerra, em apoio aos Estados Unidos da América do Norte, e, em 1945, Getúlio Vargas é deposto pelas Forças Armadas, pondo fim ao Estado Novo com a eleição de Eurico Gaspar Dutra para presidente da República.

Contexto histórico da terceira fase (Pós-1945) – A duas bombas lançadas covardemente sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki em agosto de 1945 apenas evidenciaram um fato que há muito estava comprovado: a vitória dos aliados sobre os países do eixo e o fim da Segunda Guerra Mundial. Começava, a partir de então, um confronto de duas nações e dois sistemas sócio-políticos que dividiria o mundo em duas partes e aumentaria o medo de uma outra guerra mais sanguinária: Estados Unidos versus União Soviética, ou capitalismo versus socialismo. No Brasil, chegava também ao fim o regime de quinze anos de poder de Getúlio Vargas, deposto pelos mesmos militares que o ajudaram a chegar à presidência. Getúlio ainda voltaria em 1951, desta vez eleito pelo povo que o idolatrava. Seu governo, no entanto, não chegou ao fim: sob suspeita de irregularidades no comando do país, Getúlio Vargas suicida-se com um tiro no coração no ano de 1954, causando uma comoção geral.

Dentre os presidentes que sucederam Getúlio, merece destaque a figura de Juscelino Kubitschek, eleito em 1955. Praticando a política dos "cinqüenta anos em cinco", Kubitschek apostou na industrialização como fonte de crescimento para o país. O investimento, sobretudo na área automobilística, necessitou de empréstimos de capital estrangeiro, o que implicava numa dívida externa cada vez maior e uma conturbada inflação. Um dos grandes marcos de seu governo foi a construção da nova capital do país: Brasília, inaugurada em 1960. Enquanto isso, as cidades inchavam cada vez mais com a migração das famílias provenientes de regiões agrárias, sobretudo do norte. O país, no entanto, possuía uma alegria a mais para esquecer dos problemas: o futebol brasileiro, campeão mundial nos anos de 1958 e 1962, e que viria conquistar o terceiro título em 1970.

A década de 60 é marcada pelo Golpe Militar no ano de 1964, quando os militares depuseram o presidente João Goulart e instituíram uma repressão que perseguiria, torturaria e exilaria os principais ícones de nossa política e cultura. O ano de 1968 ficou conhecido pela instituição do Ato Constitucional Número 5, que pregava a censura e condenava pessoas que viessem a se posicionar política e culturalmente contra o regime militar. Nossa cultura, no entanto, passava por um período fértil, não só na literatura e teatro, como também na música, com o nascimento dos grandes festivais de música popular e do "Tropicalismo", movimento musical que contava com nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e outros.

O Brasil só se livraria por completo da repressão militar no ano de 1984. O principal responsável por essa busca da democracia foi o então eleito presidente Tancredo Neves, que faleceria antes de tomar posse. A presidência é assumida pelo vice, José Sarney. Segue-se um período de pacotes econômicos constantes e uma inflação que chega a níveis absurdos.

A eleição de 1990 tornou-se um marco na história do país. Finalmente um presidente seria eleito pelo povo depois de tantos anos de ditadura e sofrimento. Fernando Collor de Melo assume o poder com uma maciça campanha política e uma gama de reformas que visavam colocar a nação no eixo do desenvolvimento. Tanta disposição foi, no entanto, desmascarada, mostrando uma séria teia de corrupção e lavagem de dinheiro, levando o país a um movimento de nacionalismo nunca antes visto, que culminaria com o Impeachment do presidente.

Com Fernando Collor impedido de continuar exercendo o cargo de presidente, seu vice Itamar Franco assume o poder. O marco de seu governo é a criação de uma nova moeda, o Real, que estabilizou os índices inflacionários e equilibrou de certo modo a economia em 1994. O criador do plano, o então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, tornou-se o sucessor de Itamar Franco na presidência, sendo reeleito no ano de 1998.

CARACTERÍSTICAS

O Modernismo tem como característica unificadora o desejo de liberdade de criação e expressão, aliados aos ideais nacionalistas, visando, sobretudo, emancipar-se da dependência européia. Esse anseio de independência inclui: o vocabulário, a sintaxe, a escolha de temas e a maneira de ver o mundo. Ao rejeitarem os padrões estilísticos portugueses, seus criadores cobrem de humor, ironia e paródia as manifestações modernistas, passando a utilizar as expressões coloquiais, próximas do falar brasileiro, promovendo a valorização diferenciada do léxico.

O mais importante é a atualidade, por isso centram o fazer literário na expressão da vida cotidiana, descrita com palavras do dia-a-dia, afastando-se da literatura tradicional, consagrada ao padrão culto. Um exemplo de incorporação da linguagem oral, na criação poética e descrição de coisas brasileiras, valorizando o prosaico, recoberto de bom humor, é o poema de Mário de Andrade, O poeta come amendoim (1924). Contudo, é preciso ressaltar que não havia imposição de normas e nem tratamento unificado dos temas.

Os modernistas revelam o nacionalismo, através da etnografia e do folclore. O índio e o mestiço passam a ser considerados por sua "força criadora", capaz de provocar "a transformação da nossa sensibilidade, desvirtuada em literatura pela obsessão da moda européia". Cantam, igualmente, a civilização industrial, destacando: a máquina, a metrópole mecanizada, o cinema e tudo que está marcado pela velocidade, aspecto preponderante no modo de vida da nova sociedade. Ao comporem o perfil psicológico do homem moderno, expõem angústias e infantilidades como forma de demonstrar o caráter e a complexidade do ser humano, apoiando-se, para tanto, na psicanálise, no surrealismo e na antropologia.

A Primeira Fase (1922-1930)

O primeiro momento, conhecido como fase heróica, corresponde à Semana de Arte Moderna em 1922, em São Paulo. Essa semana serviu como elemento de divulgação e dinamização das discordâncias, acelerando o processo de modernização. O objetivo central era se impor contra o Naturalismo, Parnasianismo e Simbolismo ainda vigentes.

Além disso, visava estabelecer uma teoria estética, nem sempre claramente explicitada por seus criadores e que acaba por renovar o conceito de literatura e de leitor. A Semana incluiu uma série de eventos (l3, l5 e 17 de fevereiro de 1922) no Teatro Municipal de São Paulo, reunindo artistas e intelectuais que, sob o aplauso e vaias da platéia, apresentaram uma espécie de sarau, declamando poemas, lendo trechos de romances, fazendo discursos, expondo quadros e tocando música.

Alguns acontecimentos, anteriores a 1922, preparam a trajetória do Modernismo; fatos, especificamente, ligados à estética renovadora, se multiplicam. Em 1912, Oswald de Andrade traz da Europa a novidade futurista; em 1913, o pintor Lasar Segall faz uma exposição, negando a pintura acadêmica. Em 1917, a exposição dos quadros de Anita Malfatti, em São Paulo, destacando a pintura expressionista, assimilada na Europa, coloca, de um lado, os que apóiam o novo e, de outro, os conservadores.

Na literatura, a transformação e o rompimento com o velho estão presentes, sobretudo, na obra de Oswald de Andrade, Memórias Sentimentais de João Miramar, publicada em 1916, cuja característica experimental notável se aprofunda em edições posteriores. Em 1920, Oswald e Menotti del Picchia iniciam a campanha de renovação nos jornais, tendo como expoente o poeta Mário de Andrade que, em 1922, traz a público Paulicéia Desvairada. Seu "Prefácio Interessantíssimo" corresponde a um primeiro manifesto estético.

Outra manifestação, em 1921, são os Epigramas Irônicos e Sentimentais, de Ronald de Carvalho, que, apesar de terem sido publicados em 1922, já revelam a busca por uma nova forma de expressão. No Rio de Janeiro, Manuel Bandeira se utiliza do verso livre. Ao final de 1921, os jovens de São Paulo preparam a Semana, contando com o apoio de Graça Aranha que, ao procurar criar uma filosofia para o movimento, acaba seu líder. Vários escritores do Rio e de São Paulo participam do evento: Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Ronald de Carvalho, Ribeiro Couto, Mário de Andrade e Oswald de Andrade.

Sabem que estão produzindo algo de novo, em oposição às tendências dominantes, entretanto não conseguem apontar claramente a trajetória a ser seguida. A esses escritores juntam-se os que publicam pela primeira vez: Luís Aranha Pereira, Sérgio Milliet, Rubens Borba de Moraes, Sérgio Buarque de Holanda, Prudente de Morais (neto), Antonio Carlos Couto de Barros. Unem-se, também, os pintores: Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Emiliano di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro; o escultor Victor Brecheret; o compositor Heitor Villa-Lobos e o historiador Paulo Prado, criador do movimento Pau-Brasil, em 1924. Ainda, em 1922, é lançada a renovadora revista Klaxon, em São Paulo, cuja publicação se estende até o número nove.

O movimento pela nova estética se radicaliza em São Paulo, revelando o aspecto agressivo e polêmico da empreitada. Aos poucos, escritores de norte a sul se ligam ao grupo na batalha de oposição aos conservadores. O espírito nacionalista, inspirado pelo desejo de libertação da tradição européia, toma conta das manifestações e estimula a luta dos renovadores.

Após a Semana, surgem propostas variadas que dão origem aos grupos: Pau-Brasil, lançado por Oswald de Andrade. O nome adotado faz referência à primeira riqueza brasileira exportada e o movimento tem como princípios: a exaltação do Carnaval carioca como acontecimento religioso da raça, o abandono dos arcaísmos e da erudição, a substituição da cópia pela invenção e pela surpresa; o Verde-Amarelo, se colocando em oposição ao Pau-Brasil, prega o nacionalismo ufanista e primitivista. Mais tarde, transforma-se no grupo da Anta, escolhida como símbolo da nacionalidade por ter sido o totem da raça tupi; o Regionalista, iniciado no Recife, prega o sentimento de unidade do Nordeste; o Antropofágico, liderado por Oswald de Andrade, inspirado no quadro Abaporu, (aba, "homem"; poru, "que come"), de Tarsila do Amaral, propõe a devoração da cultura importada com intuito de reelaboração, transformando o que veio de fora em produto exportável. As obras ligadas a esse movimento são Cobra Norato, de Raul Bopp, e Macunaíma, de Mário de Andrade.

Nesses agrupamentos, o enaltecimento do primitivismo passa a incluir a mitologia e o simbólico, sobretudo no movimento Antropofágico que, propondo a devoração dos valores europeus, lança suas idéias na Revista de Antropofagia (1928-1929).

Nessa primeira fase, o rompimento com o velho, a necessidade de chocar o público e de divulgar novas idéias estão marcados pelo radicalismo. Enquanto várias revistas são criadas por escritores renomados e por iniciantes, o movimento vai se estruturando de forma mais vibrante no Rio e em São Paulo, estendendo-se a Minas e ao polêmico regionalismo nordestino. As publicações variadas são fundamentais para o movimento que, extremamente ativo, se estende até 1930, quando menos agressivo, muda de rumos, principalmente, com referência à prosa, dominada, tradicionalmente, pela literatura oficial, ligada à Academia Brasileira de Letras, antagonista dos "futuristas", ou seja, dos modernistas, "rebeldes excêntricos do período".A partir dessa data, as novas idéias se generalizam, constituindo-se em padrões de criatividade. Findo esse primeiro momento, abre-se espaço para a segunda fase; a fase construtiva que prima pela estabilização das conquistas, com forte apelo social.

A Poesia – A poesia, produzida na primeira fase, apropria-se do ritmo, do vocabulário e dos temas da prosa, constituindo-se no principal veículo de divulgação do movimento. Abandona os modelos tradicionais do Parnasianismo e deixando de lado os recursos formais, adota o verso livre, sem número determinado de sílabas e sem metrificação, respeitando a inspiração poética. A cadência rítmica é mantida próxima da prosa em obediência à alternância de sons e acentos, demonstrando que a poesia está na essência ou no contraste das palavras selecionadas. A opção pelo verso livre expressa a alteração da música contemporânea, produzida pelo impressionismo, pela dissonância, pela influência do jazz e dodecafonia.

O registro do cotidiano aparece valorizado por meio de elementos diferenciados, incluindo: a linguagem coloquial; a associação livre de idéias; uma aparente falta de lógica; a mescla de sentimentos contrastantes, revelando o subconsciente e o nacionalismo. Às vezes, a preferência recai sobre o "momento poético" – observação de um determinado aspecto ou de um instante emocional, resultando em condensação poética.

O presente é incorporado aos versos por meio do progresso, da máquina, do ritmo da vida moderna. O humor, igualmente empregado, manifesta-se sob a forma de ironia ou paradoxo, surgindo o poema-piada, condensação irreverente que busca provocar polêmica.

A Prosa

A prosa do período não apresenta o mesmo vigor da poesia, mas revela conquistas importantes. A princípio, demonstra certa densidade, carregada de imagens, provocando tensão pela expressividade de cada palavra. Os recursos são variados como: a aproximação com a poesia, o apoio na fala coloquial e na utilização de períodos curtos. Um dos modernistas, Oswald de Andrade, aplica essas experiências não só em seus artigos e manifestos, mas também na obra Memórias Sentimentais de João Miramar (1924). Trabalha a realidade através de recursos poéticos, empregando metáforas e trocadilhos. Essa técnica, aliada a uma "espécie de estética do fragmentário", compõe-se de espaços em branco na formatação tipográfica e também na seqüência do discurso, cabendo ao leitor a tarefa de dar sentido ao que lê.

Ao lado de Oswald de Andrade, outros escritores se destacam: Antonio de Alcântara Machado com Pathé Baby, Plínio Salgado com O Estrangeiro, José Américo de Almeida com Bagaceira. Há os que dão ênfase à experiência léxica e sintática, tendo como suporte a fala coloquial. Mário de Andrade é um de seus representantes com Amar, Verbo Intransitivo e Macunaíma. Neste último, o novo está, sobretudo, no emprego da lenda, revelando contornos poéticos, derivados da liberdade na escolha do vocabulário, nacionalizando o modo de escrever.

A Segunda Fase (1930-1945)

É o período de maturação e de regionalismo, revelando-se, após as conquistas da geração de 1922, uma fase muito rica na produção de prosa e poesia. Reflete o momento histórico conturbado, reinante não só na Europa, mas também no mundo.

Poesia – Nesta fase construtiva predomina a prosa, enquanto a poesia se apresenta de forma mais amadurecida. Não precisa mais ser irreverente e experimentalista, nem chocar o público; agora familiarizado com a nova maneira de expressão. As influências de Mário e Oswald de Andrade estão presentes na produção poética pós Semana de Arte Moderna. Os novos poetas dão continuidade à pesquisa estética anterior, mantendo o verso livre e a poesia sintética.

A nova técnica está marcada pelo questionamento mais vigoroso da realidade, acompanhada da indagação do poeta sobre seu fazer literário e sua interpretação sobre o estar-no-mundo. Conseqüentemente, surge uma poesia mais madura e politizada, comprometida com as profundas transformações sociais enfrentadas pelo país. Ampliando os temas da fase anterior, volta-se para o espiritualismo e o intimismo, presentes em certas obras de Murilo Mendes, Cecília Meireles, Jorge de Lima e Vinicius de Morais.

A Prosa

A prosa reflete o mesmo momento histórico da poesia, cobrindo-se igualmente das preocupações dos poetas da década de 30. São autores mais representativos: José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Jorge Amado e Erico Verissimo.

Nessa fase, a prosa se reveste de caráter mais maduro e construtivo, refletindo e aproveitando as conquistas da geração de 1922. A linguagem atinge certo equilíbrio e adota uma postura mais documental ao expor a realidade brasileira e focalizar o aspecto social. Essa tendência é aplicada nos romances urbanos, voltados à exposição da vida nas grandes cidades, revelando as desigualdades sociais, observadas na vida urbana brasileira, com destaque para algumas obras de Erico Verissimo.

Os escritores focalizam, ainda, a realidade regional do país, originando a prosa regionalista que destaca a seca e os flagelos dela decorrentes. Os romancistas comprometidos com essa temática são: Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Jorge Amado e Graciliano Ramos. Ao lado dessa tendência, encontra-se a prosa intimista ou de sondagem psicológica, elaborada a partir do surgimento da teoria psicanalítica freudiana. Seus representantes são: Dionélio Machado, Lúcio Cardoso e Graciliano Ramos. Portanto, a denúncia social e a relação do "eu" com o mundo e, em especial, com o povo brasileiro são o ponto de tensão dos romances do período.

A preocupação mais marcante da prosa é o homem do Nordeste, incluindo sua vida precária e as condições adversas impostas pela geografia do lugar, pela submissão dos trabalhadores aos proprietários de terras, advinda de sua grave falta de instrução. O encontro com o povo brasileiro propicia, pois, o nascimento do regionalismo, reforçado pelos temas dedicados à decadência dos engenhos; às regiões de cana-de-açúcar; às terras do cacau no sul da Bahia; à vida agreste; às constantes secas, aprofundando as desigualdades sociais; ao movimento migratório; à mão-de-obra barata, à miséria e à fome.

Em 1945, encerra-se o período dinâmico do Modernismo, abrindo espaço para a fase de reflexão, devotada aos questionamentos sobre a linguagem, ao retorno a certos modelos estilísticos tradicionais, sobretudo, no início dos anos 50, visando inovações.

Some-se a isso que, o término da Segunda Guerra Mundial (1945) empurra o país para a era industrial e passa a contar com um proletariado de grande peso representativo, ávido de participar efetivamente da vida política. Além disso, o país desponta como uma potência moderna, facilitando o aparecimento da nova estética, revelando, segundo Antonio Candido, "no seu ritmo histórico, uma adesão profunda aos problemas da nossa terra e da nossa história contemporânea".

A Terceira Fase (Pós-1945)

Nesta terceira fase, presencia-se a rejeição da geração de 22 na poesia. Surge o Concretismo, a Poesia-Práxis, o Poema-Processo, o Poema-Social, a Poesia Marginal e os músicos-poeta. Na prosa, a exploração do psicológico e dos conflitos entre o homem e a modernidade, a busca da universalização e de uma literatura engajada e o mergulho no realismo fantástico e no romance de reportagem passam a ser o foco. A crônica, o conto, a prosa autobiográfica e o teatro ganham força.

A Poesia – A poesia da segunda metade da década de 40 é marcada pela presença da Geração de 45, onde se destacariam grandes nomes dentro de nossa literatura, entre eles João Cabral de Melo Neto. Essa geração tem como marco a publicação dos nove números da "Revista Orfeu", no Rio de Janeiro. Pregavam, acima de tudo, a rejeição aos moldes modernistas da geração de 22, ou seja: o fim do verso livre, da paródia, da ironia, do poema-piada, etc. A poesia deveria seguir um modelo mais formal, de cunho neoparnasiano ou neo-simbolista, com versificação mais regrada, maior erudição com relação às palavras e uso de temas mais universais.

Contrapondo a toda essa busca pelos padrões clássicos, Décio Pignatari, Augusto de Campos e Haroldo de Campos criaram o Concretismo, que condizia mais com a rapidez e agilidade da sociedade moderna. O Concretismo vai além de tudo o que o Modernismo conquistou: prega o fim do verso, do lirismo e do tema, além da exploração do espaço em branco, e a decomposição e montagem de palavras, com seus vários sentidos e correlações com outras palavras. O poema em si muitas vezes lembra um cartaz publicitário que se evidencia pelo apelo visual e permite várias leituras.

Outro movimento de profunda importância literária é o da Poesia-Práxis, liderado pelo poeta Mário Chamie e por Cassiano Ricardo. A poesia, segundo essa nova concepção, deve ser energética e dinâmica, com um conteúdo de importância, podendo ser transformada e reformulada pelo leitor, permitindo uma leitura múltipla. O Poema-Processo, assim como a poesia concreta, apela para o campo visual, através do uso de cortes e colagens e signos não-verbais. São poemas de apreciação e compreensão muito truncadas, mais para serem vistos do que lidos. A Poesia Social surge para trazer novamente à tona a força do verso, abolido pela poesia concreta e pelo Poema-Processo, sendo que a principal preocupação está sempre voltada para o retrato da realidade social. A Poesia Marginal mantém, no entanto, algumas relações com o Concretismo e o Poema-Processo. Sua linguagem é marcada pela busca da descrição do cotidiano, do instante, numa linguagem mais simples e um tom coloquial que tem como marca a ironia, o humor e o desprezo à elite e à sociedade, retomando algumas características da obra de Oswald de Andrade. Eram, na maioria dos casos, rodadas em mimeógrafos e entregues de mão em mão.

Uma das características da poesia contemporânea é uma busca cada vez maior de uma intertextualidade com outros meios de expressão, exigindo uma linguagem cada vez mais fragmentada e rápida que muitas vezes contrasta com uma necessidade de reencontro com os padrões clássicos, onde se evidenciam poemas mais longos e lineares. Outra característica relevante que só veio a contribuir para a difusão da poesia foi seu casamento com a música popular, que acentua o crescimento dos meios de comunicação de massa e a produção mais industrializada da literatura. Surgiram músicos-poeta como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Milton Nascimento e outros, precedidos pela excelência de Vinícius de Moraes.

A Prosa – A publicação do livro Perto do Coração Selvagem de Clarisse Lispector em 1944 já indiciava um novo caminho: a prosa da década de 40 e 50 seria marcada pela exploração do campo psicológico das personagens, o urbanismo que revela a relação conflituosa entre o homem e a modernidade, e o regionalismo que renova a linguagem literária, numa profunda busca pela universalização. Além de Clarisse Lispector, outro nome se destacaria dentro dessa nova concepção literária: Guimarães Rosa. Clarisse Lispector vai usar na maioria das vezes o cenário das grandes cidades como pretexto para expressar um outro mundo: o mundo interior de cada personagem. Guimarães Rosa usa e abusa do testemunho realista e de uma linguagem completamente inovadora e mítica para redescobrir a linguagem e o sertão do Brasil, ampliando o conceito do sertão e do sertanejo que ali vive.

A prosa urbana vai ser cada vez mais explorada a partir dos anos 60, mostrando os problemas acarretados pelo progresso, e um ser humano cada vez mais solitário, marginalizado e vítima de um mundo violento, que se fecha e enfrenta também a si mesmo. A linguagem vai tender cada vez mais à concisão e à fragmentação, rompendo muitas vezes com a linearidade temporal e espacial, tentando descrever o fluxo do pensamento e mostrando a rapidez e o absurdo da modernidade. Nascendo a partir dos mesmos campos urbanos e psicológicos que propulsionaram a literatura nos anos 40 e 50, tem-se a prosa mais introspectiva, o realismo fantástico e o romance reportagem.

A prosa de cunho político vai também se impor com grande força, tendo como objetivo retratar a violência e a repressão política que assolaram o país desde 1964, ou denunciando de um modo satírico e irônico a corrupção que assola o homem, e por conseqüência o governo, e que promove a sempre a discórdia e a desigualdade social. É o caso, por exemplo, de Incidente em Antares de Erico Verissimo.

Outros gêneros que ganham força dentro do panorama literário brasileiro são a prosa autobiográfica, o conto e a crônica, sendo que os dois últimos se consolidaram como modelos de literatura moderna. O conto consegue a síntese e a rapidez que a modernidade pede, mostrando-se mais fácil e mais ágil de ser lido. A crônica ganhou um espaço muito grande dentro dos principais veículos de comunicação como a revista e o jornal devido à sua linguagem mais coloquial, sua ligação mais íntima com o cotidiano, sua irreverência e ironia, e sua mais fácil assimilação por parte dos leitores, destacando escritores consagrados e novos como, por exemplo, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Rubem Braga, entre outros.

O Teatro – Merece destaque também a revolução que o teatro brasileiro, que perdia terreno para o rádio e o cinema, sofreu a partir da década de 40, principalmente com a estréia da peça Vestido de Noiva em 1943, de Nelson Rodrigues, que promove uma verdadeira renovação com relação à ação, personagens, espaço e tempo.

A década de 60 e 70 vai mostrar também o teatro político que expressa um forte nacionalismo preocupado em revelar e denunciar a realidade agonizante do Brasil durante o regime militar, buscando uma ligação e uma participação cada vez mais sólida do público dentro da peça, e revelando atores, diretores e dramaturgos de qualidade excepcional, premiados a nível nacional e internacional.

Fonte: www.nilc.icmc.usp.br

     



Eu achei - www.euachei.com.br - s139 consultoria