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Arte na Idade Média

Arte Gótica

Arte Gótica

GÓTICO – 1130 A 1500

É quase impossível determinar com exatidão a passagem do Românico para o Gótico. Por volta de 1800 o gótico ainda era considerado em alguns quadrantes como a essência do que era discrepante e de mau gosto.

O século X encontra a Europa em crise. O poder real, enfraquecido, foi substituído pelo feudalismo.

Invasões ameaçam a França. Desprotegidos, o povo se organiza em torno dos castelos feudais, únicas – e precárias – fortalezas.

A tensão popular contribui para que se espalhe a crença propagada pela Igreja de que se aproxima o juízo final: o mundo vai acabar no ano 1000.

A arte românica, expressão estética do feudalismo, reflete o medo do povo. Esculturas anunciam o apocalipse, pinturas murais apavorantes retratam o pânico que invade não só a França mas toda a Europa Ocidental. Chega o ano 1000 e o mundo não acaba. Alguma coisa precisa acontecer.

Em 1005, surgem as primeira Cruzadas. O feudalismo ainda permanece, mas tudo indica que não poderá resistir por muito tempo. Novos pensadores fazem-se ouvir, propagando suas idéias. Fundam-se as primeiras Universidades. Subitamente, a literatura cresce em importância. Muitos europeus, até então confinados vida nas aldeias, passam a ter uma visão mais ampla do mundo. Profunda mudança social está a caminho.

Pressentindo a queda do feudalismo, a arte antecipa-se aos acontecimentos e cria novo estilo, que irá conviver durante certo tempo com o românico, mas atendendo às novas necessidades.

Verdadeiro trabalho de futuristas da época, o Estilo Gótico surge pela primeira vez em 1127, na arquitetura da basílica de Saint-Denis, construída na região de Ile-de-France, hoje Paris. Saint- Denis é considerada como o edifício "fundador" do gótico.

Fins do século XII. Graças ao apoio da burguesia e da classe trabalhadora, os reis conseguem retomar sua autoridade. Enfraquecido, o poder feudal vai aos poucos desaparecendo. A população passa a ter maior influência na vida pública nacional, da qual tinha sido até então mera espectadora.

Eufóricos diante da própria importância, os habitantes de cada região sentem a necessidade de demonstrar sua emancipação.

A catedral será o símbolo de sua vitória. Aí se realizarão não apenas os atos religiosos, mas as atividades comunitárias de todo o grupo: será a casa do povo.

Não mais cheia de esculturas e desenhos tenebrosos, mas alta, imponente, iluminada. Que suas torres pontiagudas tentem atingir as nuvens. Livre do medo do fim do mundo, o povo é animado por novo sopro de fé. As paredes de seus templos devem deixar entrar a luz do sol em múltiplas cores que lembrem a presença divina Da necessidade de construir catedrais que correspondessem euforia e ao misticismo do povo, surgiu a arquitetura gótica. As primeiras foram construídas na França, ao redor de onde se encontra hoje a cidade de Paris; foi essa uma das primeiras regiões a eliminar o feudalismo.

Com as construções das catedrais, começaram a ser definidos os princípios fundamentais desse estilo. O gótico teve início na França, por ser o novo centro de poder depois da queda do Sacro Império, em meados do século XII, e terminou aproximadamente no século XIV, embora em alguns países do resto da Europa, como a Alemanha, se entendesse até bem depois de iniciado o século XV.

O gótico era uma arte imbuída da volta do refinamento e da civilização na Europa e o fim do bárbaro obscurantismo medieval. A palavra gótico, que faz referência aos godos ou povos bárbaros do norte, foi escolhida pelos italianos do renascimento para descrever essas descomunais construções que, na sua opinião, escapavam aos critérios bem proporcionados da arquitetura.

Foi nas universidades, sob o severo postulado da escolástica – Deus Como Unidade Suprema e Matemática -, que se estabeleceram as bases dessa arte eminentemente teológica. A verticalidade das formas, a pureza das linhas e o recato da ornamentação na arquitetura foram transportados também para a pintura e a escultura. O gótico implicava uma renovação das formas e técnicas de toda a arte com o objetivo de expressar a harmonia divina.

No forte simbolismo teológico, fruto do mais puro pensamento escolástico, as paredes eram a base espiritual da Igreja, os pilares representavam os santos, e os arcos e os nervos eram o caminho para Deus. Além disso, nos vitrais pintados e decorados se ensinava ao povo, por meio da mágica luminosidade de suas cores, as histórias e relatos contidos nas Sagradas Escrituras.

A catedral é o local das coroações e sepulturas de reis, mas também representa o ideário de toda a sociedade, a expressão da visão política e teológica de todos os burgueses, pois têm a convicção de construírem, em comum, um símbolo de sua crença, de sua cidade e de sua própria identidade.

Na catedral o burguês é orgulhosamente exibido na rica decoração: com retratos dos fundadores e inscrições.

Os espaços góticos já não poderiam ser fechados com as abóbadas cruzadas de aresta. As abóbadas de ogivas (góticas), constituíram a alternativa.

As nervuras foram usadas pela primeira vez com a função de suporte em Saint-Denis. Foram construídas em primeiro lugar e depois, fechadas as paredes e as abóbadas.

Assim, todo o edifício se tornou mais leve. Os pilares passaram a ser fasciculados com colunelos, recebendo a pressão da abóbada e descarregando-a para o chão.

O abade Suger, arquiteto de Sait Deni tinha pensado mística e simbolicamente em cada pormenor: colunas representando os apóstolos e os profetas e Jesus, a chave que une uma parede à outra. O fascinante é que esta crença provocou uma revolução na arquitetura.

As abóbadas de cruzaria de ogivas e os arcobotantes permitiram uma redução nas massas das paredes. As paredes exteriores passam a ser cobertas com janelões. Como há dificuldades na produção de vidro, estes são em pequenos pedaços suportados por molduras de chumbo. São cores fortes e solenes que brilham mais quanto menos o espaço interior for iluminado. A luz, ao passar pelas imagens sagradas, manifesta sua origem divina.

As janelas serviam para transmitir visualmente a mensagem bíblica aos que não sabiam ler, ou que não tinham posses para comprar bíblias. Sainte Chapelle em Paris é onde este conceito se encontra concretizado de modo exemplar, com o altar iluminado de luz colocado no centro visual.

Os reis franceses utilizavam a igreja como manifestação política de sí próprios. A igreja começou a preocupar-se cada vez mais com os interesses temporais.

As catedrais desta época exprimem, de modo penetrante, esta consciência contraditória: nos "arranha céus de Deus" (Le Corbusier) há novas técnicas aliadas aos novos conceitos religiosos.

A partir do final do séc XII foram fundadas novas cidades. Os reis cristãos consideravam ser sua obrigação fundar novas cidades para, deste modo, conduzir as pessoas até Deus.

Paris era talvez, com seus 200.000 habitantes, juntamente com Milão, a cidade mais populosa da baixa idade média.

A obra que se tornou mais importante foi a catedral edificada no meio da cidade. Era uma obra erigida pelo esforço comum dos habitantes, que contribuíam com o dinheiro, ou com a própria força de trabalho. Eram formadas lojas.

Nobreza, clero e massa popular competiam em generosidade mística.

O objetivo era um só: colaborar para a construção das dispendiosas catedrais.

Com a autoridade monárquica cada vez mais assegurada, as antigas zonas feudais foram-se transformando e surgiram as primeiras cidades: Noyon, Laon, Sens, Amiens, Reims, Beauvais, onde se encontram as catedrais góticas mais belas do mundo.

Nas catedrais, as vistas laterais e da abside eram obstruídas. Assim, só era dada importância especial à fachada voltada à poente, com a entrada principal, realçada geralmente pelas únicas torres do edifício. Estas eram coroadas com pequenas torres (pináculos), novas flechas que almejavam o céu.

O repertório da escultura em pedra do gótico é uma descrição fatual do divino, especialmente nos pórticos reais: em Chartres, os reis e as rainhas de França, estão vestidos com roupagens bíblicas.

LE SAINTE-CHAPELLE

Luiz IX a edificou para as relíquias adquiridas de Bizâncio (coroa de espinhos e fragmentos da cruz).

Os 12 apóstolos estão representados por esculturas nos pilares. Esta capela era a capela do palácio real.

REIMS

A catedral de Reims, na qual se realizava a coroação dos reis franceses, é famosa sobretudo pela rosácea, que domina a sua fachada poente.

NOTRE DAME

Provavelmente foi lá que se utilizou pela 1. vez o sistema de contrafortes abertos = arcos botantes.

Foi destruída na revolução francesa e restaurada no séc XIX

CHARTRES

O chamado pórtico real da catedral constitui o ponto alto da escultura do gótico clássico francês.

Arte Gótica
Chartres, uma das primeiras catedrais góticas da França.

A construção gótica, de modo geral, se diferenciou pela elevação e desmaterialização das paredes, assim como pela especial distribuição da luz no espaço.

Tudo isso foi possível graças a duas das inovações arquitetônicas mais importantes desse período: o arco em ponta, responsável pela elevação vertical do edifício, e a abóbada cruzada, que veio permitir a cobertura de espaços quadrados, curvos ou irregulares.

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Divisão da abóbada gótica. Os arcos ogivais (arcos cruzados em diagonal) distribuem o peso da abóbada, tornando-a com isso mais leve.

Os arcos de meia circunferência usados nas abóbadas das igrejas românicas faziam com que todo o peso da construção fosse descarregado sobre as paredes.

Isso obrigava a um apoio lateral resistente: pilares maciços, paredes mais espessas, poucas aberturas para fora. O espaço para as janelas era bem reduzido e o interior da igreja escurecia. O espírito do povo pedia luz e grandiosidade. Então como conseguí-las?

O arco em meia circunferência foi substituído por arcos ogivais ou arcos cruzados. Isso dividiu o peso da abóbada central, fazendo com que ele se descarregasse sobre vários pontos, simultaneamente, podendo ser usado material mais leve, tanto para a abóbada como para as bases de sustentação. Em lugar dos sólidos pilares, esbeltas colunetas passaram a receber o peso da abóbada.

O restante do peso foi distribuído por pilares externos. Estes, por sua vez, remetem o peso aos contrafortes – torres pontiagudas e muito trabalhadas, que substituem as maciças pilastras românicas, com a mesma função. As torres dão mais altura e majestade à catedral.

As paredes, perdendo sua importância como base de sustentação, passam a ser feitas com um dos materiais mais frágeis de que se dispunha: o vidro.

Surge a desejada luminosidade. Grandes e feéricos vitrais coloridos ilustram em desenhos cenas da vida cristã. A magia dos vitrais góticos, que filtram a luz do sol, enche a igreja de uma claridade mística que lembra a presença divina.

O sistema de suportes constituídos de pilares cantonados e fasciculados, pequenas colunas cilíndricas e nervos, junto com os arcobotantes, tornou a parede mais leve, até seu quase total desaparecimento. As janelas ogivais e as rosetas acentuaram ainda mais a transparência da construção. A intenção era criar no visitante a impressão de um espaço que se alçava infinitamente até o céu.

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Livros de Pedra

Os templos católicos de estilo gótico construídos na Idade Média revelam toda a magia dos ocultistas e sociedades secretas da época.

Os sinais cabalísticos estão por toda a parte: nas altas colunas de mármore, nos capitéis, nos arcos, nos altares. Eles contam a história da construção das catedrais góticas – símbolos da religiosidade católica mas também dos mais profundos mistérios da magia que imperava na Idade Média.

Estão ali rastros dos druidas (sacerdotes celtas que reverenciavam as florestas como divindades), visíveis na arquitetura que lembra um bosque petrificado. Estão também nas rosáceas – um dos mais importantes símbolos da ordem dos cavaleiros templários e dos maçons – desenhadas nos vitrais. Estão ali ainda os signos do zodíaco – prova de que a astrologia era admitida pelos papas da igreja da época.

Enfim, Notre Dame, Chartres, Amien, Colônia e Duomo de Milão podem ser vistas como gigantescos livros de pedra, cuja leitura exige não só uma boa dose de conhecimento esotérico mas a capacidade de ver além da realidade.

Até a adoção do estilo gótico – que surgiu no início do milênio, no norte da França, e rapidamente se espalhou pela Itália, Alemanha, Inglaterra, Espanha e Áustria – os templos católicos eram erguidos segundo os princípios românicos: escuros como cavernas. Todo o seu peso se apoiava em suas largas paredes. Já as catedrais góticas são claras, exuberantes e sua sustentação está nas abóbadas. O gótico representa a verticalização da fé e convida a uma união com a divindade. Seus elementos seriam o fogo e o ar, que evocam a purificação iniciática e a elevação espiritual. Eles estão expressos em vitrais, torres e nas rosáceas vermelhas, cujas formas lembram labaredas.

Rosáceas

A intenção dos arquitetos ao pintar as rosáceas era fazer com que a luminosidade criasse a sensação de um fogo iniciático, durante as vésperas e na hora mariana ( horários canônicos correspondentes a 6 e 18 horas). Consideradas pantáculos ( espécies de talismã ) do cristianismo, as rosáceas são a principal fonte de entrada de luz no interior das catedrais góticas . Geralmente , há duas delas nas laterais e uma sobre a entrada principal – para os ocultistas, esta última rosácea é a fronteira entre o sagrado e o profano.

Na verdade, as rosáceas funcionam como um mapa das tradições que são transmitidas há séculos aos iniciados. "Uma das chaves para sua interpretação são as suas cores, as mesmas do arco-íris – um símbolo da aliança de Deus com o homem, no fim do dilúvio", diz o pesquisador Leo Reisler.

Também os alquimistas dão grande importância a esse elemento da arquitetura gótica. Até o final da Idade Média, a rosácea central era chamada de A Roda, que na alquimia significa o tempo necessário para o fogo agir sobre a matéria, transmutando-a. Essa visão é reforçada pelo esquema de incidência de luz sobre elas. A rosácea da lateral esquerda, por exemplo, nunca é iluminada pelo sol. É a cor negra, a matéria em seu estado bruto, a morte. Já a da direita, irradia, ao sol do meio-dia, uma luminosidade branca – a cor das vestes do iniciado que acaba de abandonar as trevas. Finalmente, a rosácea central, ao receber a luz do pôr-do-sol, parece incendiar-se, e banha o templo com um tom rubro, sinônimo da perfeição absoluta, da predominância do espírito sobre a matéria.

Localização

De acordo com mapeamento feito pelo pensador católico Bernard Clairveaux, fundador da Ordem Cisterciense, de monges beneditinos, as catedrais góticas ficam próximas de antigos menires ( pedras sagradas ), consideradas como centros de energia do mundo. Também a estrutura das catedrais góticas não parecem resultado de simples cálculos arquitetônicos. De acordo com Fulcanelli, o grande alquimista que nos anos vinte escreveu O Mistério das Catedrais, o plano dessas igrejas tem a forma de uma cruz latina estendida no solo.

Na alquimia, essa cruz é símbolo do crisol, ou seja, do ponto em que a matéria perde suas características iniciais para se transmutar em outra completamente diferente. Nesse caso, a igreja teria então o objetivo iniciático de fazer com que o homem comum, ao penetrar em seus mistérios, renascesse para uma nova forma de existência, mais espiritualizada. Ainda segundo Fulcanelli, essa intenção é reforçada pelo fato de a entrada desses templos estar sempre voltada para o Ocidente.

Caminhamento

Assim, ao se caminhar na direção do santuário, volta-se obrigatoriamente para o Oriente, o lugar onde nasce o sol, ou seja, sai-se das trevas e ruma-se para a Luz, em direção ao berço das grandes tradições espirituais. Esse convite à iniciação está presente até mesmo no piso, em que costuma haver a representação de um labirinto. Chamados de Labirintos de Salomão (rei bíblico, símbolo da sabedoria) eles costumam se localizar num ponto em que a nave (o espaço que vai da entrada do templo ao santuário) e os transeptos ( os braços da cruz ) se unem. Seu sentido alquímico é o mesmo do mito grego de Teseu, o herói que entra num labirinto a fim de combater o Minotauro. Após vencer o monstro – metade homem, metade touro – consegue voltar, graças ao fio que sua esposa Ariadne (aranha) lhe dera.

Filosoficamente, os labirintos são os caminhos que o homem percorre em sua vida: cedo ou tarde ele entrará em contato com seu monstro interior, isto é, seus defeitos de caráter. Quem consegue combater e vencer as próprias imperfeições (o Minotauro) e possuem o fio de Ariadne (símbolo do conhecimento iniciático) conseguem efetivamente ver a verdadeira Luz. Em Amiens, norte da França, essa alegoria torna-se clara, graças à existência de uma grande lage na qual se esculpiu um sol em ouro bem no centro do labirinto. Já em Chartres, havia antigamente uma pintura que mostrava todo o mito de Teseu.

Autoria

Talvez o mais intrigante de todos os mistérios que envolvem a construção das catedrais é que nenhuma delas possui um autor, alguém que assine o projeto. Até hoje, o único tipo de identificação encontrado são marcas gravadas nas pedras. Essas marcas representam geralmente instrumentos de trabalho estilizados, como martelos e compassos, e era um tipo de registro profissional, que o mestre-de-obras usava para controlar o trabalho de cada um de seus obreiros.

Todo artesão possuía uma marca própria, que passava de pai para filho, de mestre para discípulo. Em função de guerras, pestes e outros flagelos, muitas vezes as obras das igrejas ficavam temporariamente interrompidas, e os trabalhadores viajavam, oferecendo seus serviços em outras cidades e países. Ganharam, assim, o nome de franc-maçons, ou pedreiros livres, cuja associações acabaram resultando na Maçonaria. Mas esta, embora detenha antigos conhecimentos esotéricos, se consolidou como ordem iniciática apenas em 1792.

Busca

Se a busca dos idealizadores do gótico ainda permanece um enigma, o estudo da origem da expressão ‘arte gótica‘ apenas reforça a idéia de que sua inspiração é totalmente mística. Estudos etimológicos remetem às palavras gregas goés-goéts, de bruxo, bruxaria, que sugere a idéia de uma arte mágica.

O alquimista Fulcanelli prefere associar ‘arte gótica‘ a argot, que significa idioma particular, oculto, uma espécie de cabala falada, cujo os praticantes seriam os argotiers (argóticos), descendentes dos argonautas. No mito grego de Jasão, eles dirigiam o navio Argos, viajando em busca do Tosão de Ouro. Jasão teria sido um grande mestre, que iniciava seus discípulos nos mistérios egípcios, inclusive na geometria sagrada, que é uma das chaves da arquitetura gótica. Prova dessa herança egípcia está no fato de os construtores góticos disporem os símbolos que aparecem nos entalhes, nas estátuas, nos medalhões e vitrais de maneira que obedeçam sempre a uma seqüência que torna inevitável a associação de uns com os outros. Trata-se de um recurso egípcio de memorização que permite a apreensão de um grande número de informações, pois somos, sem perceber, levados a relacionar cada coisa ao local onde ela se encontra. Talvez seja esse o motivo pelo qual muitas vezes o zodíaco está representado dentro das catedrais fora de sua ordem convencional.

Longe de ser aleatório, esse desmembramento está relacionado ao sentido mais esotérico de cada signo, como se vê a seguir:

Áries

Geralmente sua figura é a de um carneiro, que simboliza o início do caminho na busca da elevação espiritual.

Touro

Representado pelo próprio Touro, às vezes está associado ao evangelista Lucas; às vezes a Cristo. Simboliza a vida na matéria.

Gêmeos

Sua representação usual é de duas figuras humanas abraçadas, que expressam a capacidade de elevar espiritualmente o próximo por meio da transmissão de conhecimentos. Em Chartres, este signo aparece junto a uma das portas e mostra dois cavaleiros atrás de um grande escudo.

Câncer

Na forma de um caranguejo ou de um lagostim, costuma estar próximo da pia batismal, junto da imagem do arcanjo Gabriel. Com certeza, trata-se de uma influência da Cabala, que associa a Lua, regente de Câncer, a Gabriel, o emissário do nascimentos. A intenção é mostrar que, por meio do batismo (ritual iniciático), o homem pode se religar às esferas espirituais das quais se origina.

Leão

Com a mesma representação de hoje, é emblema do evangelista Marcos, a quem emprestaria seus atributos de persistência e força de vontade na busca da espiritualização.

Virgem

Algumas vezes aparece como uma jovem segurando uma espiga de milho. Mas pode também estar representado por uma estátua da própria Virgem Maria, com uma estrela na cabeça. É um dos signos mais ricos de significados nas igrejas góticas, uma vez que a maioria delas foi dedicada justamente à mãe de Cristo. Em Amiens, por exemplo, ela se encontra em duas árvores. Na iconografia cristã, uma delas representaria a árvore pela qual a humanidade caiu – numa referência ao mito de Eva e da serpente tentadora enroscada numa árvore – , enquanto a outra remete à cruz de Cristo, pela qual a humanidade foi redimida.

Libra

Quase sempre aparece como uma mulher segurando uma balança desproporcionalmente grande, no interior da qual há uma pessoa envolta num halo de luz. Seria um lembrete para o homem de que ele também faz parte do divino.

Escorpião

Sua imagem pode ser traduzida por uma águia (símbolo de elevação espiritual) e representa o evangelista João. Ou, então, aparece como um escorpião mesmo, já com um sentido de regressão espiritual. Só que, como não havia escorpiões na Europa, muitas das suas representações têm pouquíssimo a ver com a realidade. Em ambas as formas, o signo está localizado aonde a luz do sol chega por último.

Sagitário

Este signo costuma ser representado por um centauro prestes a disparar a sua flecha. Na catedral de Amiens, porém, ele aparece na forma de um sátiro. Mas ambos traduzem a luta que o homem precisa travar para vencer sua natureza material, a fim de ascender a planos mais elevados.

Capricórnio

Meio cabra, meio peixe, este signo indica as posições que o homem tem de enfrentarem busca de espiritualização.

Aquário

Representado por um homem segurando um livro ou um pergaminho, foi adotado como emblema do próprio cristianismo e do evangelho de Mateus.

Esotericamente, seria o ar cósmico, que permeia todas as formas de vida.

Peixes

Rico em significados esotéricos, aparece normalmente como dois peixes unidos por um cordão, nadando em direção opostas. O cordão seria o fio de prata que une o espírito e a alma durante a vida, mas que se rompe na morte. Um dos peixes corresponde, portanto, ao espírito, que permanece acima do plano físico, enquanto o outro, a alma, seria um intermediário direto com a matéria. Uma curiosidade do cristianismo medieval é que, com exceção do peixe, a maioria dos outros animais eram considerados funestos, embora fosse comum encontrá-los nas catedrais góticas. Dessa fauna maldita faziam parte o dragão e o grifo, figura mitológica meio leão, meio pássaro (invólucros do demônio), o cavalo (usado pelas forças das trevas), o bode (luxúria), a loba (avareza), o tigre (arrogância), o escorpião (traição), o leão (violência), o corvo (malícia), a raposa (heresia), a aranha (o diabo), os sapos (pecados) e até a avestruz (impureza).

Baphomet

A figura mais temida da fauna que povoava o imaginário medieval era o Bafomé, que aparece com destaque na porta de todas as igrejas góticas. Metade homem, metade bode, por muito tempo foi confundido com o demônio cristão.

Mas seu sentido é bem outro, como explica o teólogo Victor Franco: "O Bafomé é um símbolo templário que expressa a necessidade humana de transcender seus instintos básicos, a fim de ascender espiritualmente e cumprir seu papel evolutivo. Ser parte de Deus, até se confundir com Ele, é o sentido da verdadeira humanização. E este era o ensinamento maior dos idealizadores do gótico, que criaram uma arquitetura viva. As catedrais estão tão perfeitamente integradas ao cosmo e são praticamente forças da natureza".

Chartres

Teve sua construção iniciada em 1194, num local onde havia, nos tempos pagãos, uma gruta com a estátua de uma Virgem Negra, esculpida em madeira pelos druidas e venerada por milhares de peregrinos franceses. Desde dos primórdios do cristianismo, a gruta fora substituída por templos católicos. Mas a catedral com suas 178 janelas, 2500 metros quadrados de vitrais e 700 estátuas e estatuetas no Portal Real só ficou pronta em 1260, sob o reinado de Filipe Augusto.

Toda a cidade participou dos trabalhos, e era hábito os pescadores assumirem o lugar dos cavalos entre as cangas dos carros que transportavam material. Um sacrifício e tanto, pois a pedreira mais próxima ficava a meio dia de viagem. E, diariamente, antes do expediente, todos comungavam, para não contaminar a obra.

Duomo de Milão

Com a pedra fundamental lançada em 1386, inaugurada várias vezes e ainda incompleta, é uma espécie de tapete de Penélope dos milaneses. A iniciativa da construção partiu do duque Gian Galeazzo Visconti, que a ofereceu como ex-voto à Virgem, em troca de um herdeiro. Mas toda a cidade contribuiu, até mesmo as prostitutas, que ofereceram uma noite de trabalho. Com 11 mil metros quadrados de área, 145 agulhas de 180 metros de altura, 3159 estátuas e 96 gigantes esculpidos, é um monumento que ainda consome milhões de liras em sua finalização. E para o qual até mesmo os sucessivos invasores de Milão ( beleguins, croatas, alemães, espanhóis e franceses) contribuíram. Napoleão, por exemplo, construiu a fachada, e a imperatriz austríaca Maria Teresa doou um Cravo da Cruz de Cristo como relíquia.

Colônia

A construção começou em 1248 e só foi finalizada em 1880, por Frederico Guilherme IV, que conseguiu recuperar o projeto original. Concebida para abrigar os restos mortais dos três Reis Magos, saqueados da Lombardia por Barba-Roxa e guardados num sarcófago de ouro e prata com 300 quilos de peso, a igreja ostenta quase 7 mil metros de fachada e é um dos maiores templos do mundo. Suas janelas têm 17 metros de altura, e as torres, que alcançam 150 metros, abrigam sinos grandiosos com mais de trinta toneladas de bronze. O curioso é que metade desse bronze foi obtida com a fundição de canhões requisitados de inimigos vencidos. Durante a Segunda Grande Guerra, quando a cidade foi praticamente destruída, a situação se inverteu e os sinos é que foram fundidos, para se transformar de novo em armamentos.

Notre Dame

Iniciada em 1163 e concluída em 1330, já abrigou sob seus arcos coroações e mendigos. Também resistiu a devastações entre os séculos 18 e19, quando teve suas pinturas e estátuas, vitrais e portas, tirados e substituídos por ornamentos barrocos. Na Revolução Francesa, transformaram-na em depósito de suprimentos e uma das torres foi derrubada simbolicamente, decapitada como os membros do clero. Mais tarde, vendida ao conde de Saint-Simon, quase foi demolida.

Durante a Comuna de Paris, tentou-se incendiá-la. Sobreviveu a tudo e resiste, cercada por lendas, como a do ferreiro Biscornet. Dizem que, encarregado de fazer suas fechaduras e assustado com a tarefa, Biscornet teria pedido ajuda ao Diabo, que, aliás, deve ter aceitado o pacto, pois as fechaduras são mesmo obras de arte.

Amiens

Construída em 1221, é uma das obras-primas do gótico na França. Um verdadeiro feito, pois em apenas três séculos os franceses ergueram nada menos que 80 catedrais e 500 grandes igrejas neste estilo, sem falar nos milhares de templos paroquiais. Era uma verdadeira corrida arquitetônica, na qual Amiens saiu vencedora, superando até mesmo Chartres e Notre Dame. Sua abóbada atinge a altura de quase 43 metros e cria uma sensação de suntuosidade inigualável.

Claro que a realização desse feito exigiu o empenho de toda a comunidade, e, sempre que os fundos escasseavam, os monges e cônegos locais ofereciam indulgências àqueles que colaborassem com a construção. Exortavam, particularmente, os penitentes e moribundos, lembrando-os de que já estavam "mais próximos do paraíso" do que no dia anterior.

ARQUITETURA GÓTICA

Em arquitetura o estilo gótico é caracterizado pelo arco de ogiva. Este estilo apareceu na França nos fins do século XII e expandiu-se pela Europa Ocidental, mantendo-se até a Renascença, ou seja, até o século XIV, na Itália, e até o século XVI ao norte dos Alpes. Moore definiu a arquitetura gótica como um "sistema de abóbadas, cuja estabilidade era assegurada por um equilíbrio perfeito de forças". Esta interessante definição é infelizmente incompleta, pois nem sequer cita os arcos de ogiva. Mas a verdade é que, se este elemento é fundamental no estilo gótico, aparece também noutros estilos, assim como o arco de volta inteira surge igualmente nos edifícios góticos. Durante o período românico, o arco de ogiva aparece principalmente nos lugares onde existe forte influência sarracena. Os arquitetos da catedral românica de Monreale, utilizaram-no freqüentemente. O românico espanhol, e mesmo o provençal, empregaram o arco de ogiva. Por outro lado, num edifício tão gótico quanto a catedral de Chartres, as janelas da clarabóia da nave são de volta inteira, salvo nas suas subdivisões, assim como os arcos diagonais da Notre-Dame de Paris. O arco de ogiva não é pois, tão característico do gótico como geralmente se pensa.

A definição de Moore não menciona as paredes, mas somente os três elementos principais da construção. No gótico francês, uma vez chegado o seu máximo esplendor, a parede deixou de ser com efeito, elemento da estrutura. O edifício é uma gaiola de vidro e de pedra com as janelas que vão de um pilar a outro. Se a parede existe ainda, por exemplo, sob as janelas das naves laterais, é somente como defesa contra as intempéries. Tudo se passa como se as paredes românicas tivessem sido cortadas em secções e cada secção houvesse girado sobre si própria num ângulo reto para o exterior, de modo a formar contra-fortes.

No seu início o gótico francês baseava-se nos elementos estruturais definidos por Moore, porém essa definição só se aplicaria à elaboração do gótico francês não abrangendo a arquitetura gótica de outros países ou as fases ulteriores deste estilo na França.

A ABÓBADA

Dentre os elementos da arquitetura gótica este seria o mais importante. Os arquitetos góticos introduziram duas inovações fundamentais na construção de abóbadas. Em primeiro lugar para os arcos dobrados e os arcos dianteiros terem a mesma dimensão que os arcos cruzeiros, adotaram o arco de ogiva. O cruzamento das ogivas permite obter abóbadas com arcos da mesma altura. Numa abóbada que cubra um espaço retangular, a ogiva dos arcos formeiros tem de ser muito pronunciada. Por outro lado, os construtores góticos tentaram concentrar a pressão das abóbadas ao longo de uma linha única, em frente de cada pilar, no exterior do edifício.

Os arcos góticos alteiam os arcos formeiros: em vez de os iniciar ao mesmo nível que os arcos diagonais, inserem um colunelo que permite colocar o nascimento dos arcos formeiros em nível superior ao dos outros. as janelas da clarabóia podem, assim, tornar-se mais importantes e deixa de ser necessário acentuar a ogiva do arco formeiro para obter uma abóbada de flechas iguais. Finalmente, a zona coberta pela abóbada na parede exterior reduz-se a uma linha em vez de se limitar a um triângulo. A nave da Catedral de Amiens oferece um exemplo claro deste sistema.

SUPORTE

Uma vez que a arquitetura gótica se desenvolveu à partir da românica, podemos encontrar um colunelo para cada nervura da abóbada, o que efetivamente acontece sobre os capitéis da arcada da nave. Como as proporções do edifício se tornaram mais leves, os fustes são mais esguios do que na arte românica e sublinham o movimento ascendente do conjunto. Quanto ao pilar propriamente dito, o caso é diferente. O pilar composto românico, por mais lógico que seja, é relativamente espesso; define o espaço da nave central e separa-a das laterais. As diferentes partes da igreja são desde então concebidas como unidade separadas. O gótico parece primeiramente retroceder. O pilar composto é substituído por uma coluna lisa e redonda cuja massa, menos volumosa, facilita a passagem entre a nave central e as laterais, criando um espaço único. Para que se torne possível utilizar colunas lias, os suportes aparentes dos arcos da abóbada devem terminar ao nível dos capitéis, o que embora arquitetonicamente possível é pouco estético. Com efeito, as verticais rígidas dos colunelos parecem interromper-se bruscamente demais.

Entretanto o desejo de se construir catedrais cada vez mais altas leva a um grande aprimoramento técnico e os fortíssimos pilares de Chartres por exemplo nos elegantes fustes de Amiens, testemunho de uma experiência mais avançada em termos de arquitetura.

A habilidade técnica em constante progresso dos construtores dos séculos XIV e XV permitir-lhes-á recorrer de novo ao pilar composto, cujos elementos serão tão finos e tão delicados que ele parece desafiar as leis da gravidade.

CONTRAFORTE

É o terceiro e último elemento estrutural do gótico

As paredes góticas ao contrário das românicas são finas, ou inexistentes sendo o contraforte tipicamente gótico composto de duas partes:

A primeira o contraforte propriamente dito inspira-se no contraforte românico e está colocado em ângulo reto em relação a igreja, contra a parede lateral, e, no mais alto grau de perfeição, eleva-se bastante alto. O peso deste elemento neutraliza a pressão das abóbadas.

O segundo elemento, ou arcobotante, é especificamente gótico. O arcobotante tem uma caixilharia diagonal de pedra; está escorado de um lado pelo contraforte, colocado a certa distância da parede, e por outro lado pela clarabóia da nave. O arcobotante dirige a pressão da abóbada para o exterior por cima da cobertura da nave central. Como é cimbrado por baixo, exerce um pouco de pressão sobre o vão; sozinho não poderia resistir à pressão lateral das abóbadas, mas associado aos contrafortes, tem uma força enorme. Foi graças a esse elemento que o gótico ousou construir naves tão altas e tão claras. A catedral gótica, eleva-se para o céu como uma oração e tal como a filosofia medieval, exprime o intangível e transcende o homem na sua procura do além.

ARQUITETURA CIVIL

No início da Idade Média a arquitetura civil refletia as condições incertas da época. Enquanto os camponeses viviam em cabanas de adobe ou pau-a-pique, ou mais raramente materiais sólidos, a nobreza européia vivia em castelos sem dúvida imponentes, mas incômodos e desconfortáveis. O fosso constitui a primeira linha de defesa. Os muros sólidos são enquadrados por torres colocadas nos ângulos e de ambos os lados da entrada e coroados por ameias cuja função é proteger e os arqueiros. Possuem também o menor número de aberturas possíveis e mesmo estas são muito pequenas.

No início da Idade Média a arquitetura civil refletia as condições incertas da época. Enquanto os camponeses viviam em cabanas de adobe ou pau-a-pique, ou mais raramente materiais sólidos, a nobreza européia vivia em castelos sem dúvida imponentes, mas incômodos e desconfortáveis. O fosso constitui a primeira linha de defesa. Os muros sólidos são enquadrados por torres colocadas nos ângulos e de ambos os lados da entrada e coroados por ameias cuja função é proteger e os arqueiros. Possuem também o menor número de aberturas possíveis e mesmo estas são muito pequenas.

Entretanto as condições de vida e a segurança melhoram com o tempo. Com a posterior popularização do vidro as vidraças se tornam mais comuns, resolvendo o problema da iluminação e aquecimento. Passa-se a ter uma maior preocupação com o conforto e a família e os servos passam a ter quartos de dormir mais amplos e confortáveis. Cada divisão importante é aquecida por fogões e as janelas envidraçadas ajudam a manter a temperatura e garantem uma boa luminosidade.

MOBÍLIA GÓTICA

Quanto a mobília gótica essa de início era bem pouco numerosa. As pinturas de época nos mostram camas maciças, mas o móvel principal era arca onde se guardavam os bens, e que servia igualmente de banco, ou até mesmo de cama. Os raros exemplares de móveis góticos que possuímos testemunham o mesmo estilo direto, o mesmo respeito pelos materiais e o mesmo amor pela ornamentação lavrada que na arquitetura e escultura. Este mobiliário é a maior parte das vezes de carvalho maciço.

ESCULTURA GÓTICA

As principais características da escultura gótica são a tendência ao naturalismo e a busca da beleza ideal. Em oposição à rigidez e abstração próprias do românico, os escultores góticos pretenderam imitar a natureza e tanto reproduziram pequenos detalhes vegetais como figuras dotadas de certo movimento e expressividade.

O tipo de religiosidade havia mudado em relação ao da alta Idade Média, e estabeleceu-se uma relação mais direta com a divindade. Ante o todo-poderoso Deus românico, o gótico centrou-se nas figuras de Cristo e da Virgem; ante o hieratismo anterior daquele estilo, buscou a humanidade das figuras divinas.

Nos pórticos das catedrais narravam-se em escultura, com clara finalidade didática, os principais temas religiosos, como a vida de Cristo e da Virgem, a Ressurreição e o Juízo Final, e até alguns profanos, como as estações do ano ou o zodíaco. No fim do gótico, a escultura em relevo acabou por invadir completamente as fachadas. Paralelamente a estas, o relevo se desenvolveu em retábulos, monumentos funerários e bancadas de coros, lugares em que, às vezes, se chegou a empregar a madeira. A escultura em redondo teve desenvolvimento menor e em geral se dedicou à imagem de culto.

Durante a evolução do gótico, a escultura exterior foi-se libertando do limite arquitetônico para adquirir volume e movimento próprios. Muitas vezes as figuras se relacionavam entre si e expressavam sentimentos. Os panejamentos foram ganhando mobilidade e, em muitos casos, deixaram intuir a anatomia, representada cada vez melhor. Depois de um período de grande expressividade, a escultura gótica evoluiu, na fase final, para um patetismo excessivo.

A escultura gótica se estendeu da zona da Île-de-France, seu primeiro foco, a outras regiões e países europeus. Destacam-se as fachadas dos cruzeiros da catedral de Chartres, assim como o portal dedicado à Virgem, na Notre-Dame de Paris, e as fachadas de Amiens e Reims, todas do século XIII.Durante o século XIV verificou-se um alongamento das formas e a escultura pôde então separar-se do limite arquitetônico. No fim desse mesmo século criou-se em Dijon, na corte dos duques de Borgonha, uma brilhante oficina escultórica, onde trabalhou Claus Sluter, autor do "Poço de Moisés" e do sepulcro de Filipe II o Audaz.

Na Itália verificou-se um abandono progressivo da estética bizantina dominante, graças à chegada do gótico francês e à influência da escultura clássica. Os melhores representantes foram Nicola Pisano, com o púlpito do batistério de Pisa; Andrea Pisano, que fez a primeira porta do batistério de Florença; e Arnolfo di Cambio.

Na Espanha, a escultura soube transformar os modelos importados, segundo um estilo particular, e tendeu para um misticismo severo e de intenso realismo. A escultura de portais seguiu o exemplo francês, como ocorreu com as portas do Sarmental e da Coronería, na catedral de Burgos, ou com a "Virgem branca" no mainel da fachada principal da catedral de León.

No século XIV, a escultura exterior das catedrais tornou-se mais minuciosa, por influência das obras em marfim e da arte mudéjar. Datam dessa época a Porta do Relógio da catedral de Toledo, o portal da igreja de Santa Maria de Vitória e a Porta Preciosa da catedral de Pamplona. O conjunto mais importante da escultura gótica do século XIV está na Catalunha e é formado por sepulcros e retábulos de clara influência italiana, como o túmulo de D. João de Aragão.

No século XV a influência da Borgonha e de Flandres tornou-se dominante e muitos mestres dessas nacionalidades chegaram à península ibérica. Em Castela destacaram-se os trabalhos de Simão de Colônia (São Paulo de Valladolid), Egas Cueman (portal dos Leões da catedral de Toledo), Juan Guas (San Juan de los Reyes de Toledo) e Gil de Siloé (sepulcros de João II e Isabel de Portugal na cartuxa de Miraflores). Em Sevilha, a influência flamenga mostra-se na obra de Lorenzo Mercadante, autor do sepulcro do cardeal Cervantes. Em Aragão, a estética borgonhesa se fez sentir na obra de Guillermo Sagrera.

PINTURA GÓTICA

Com a redução da extensão da parede nas igrejas, restringiu-se a pintura mural, que ficou relegada principalmente a salas capitulares e edifícios civis. Em seu lugar, as igrejas góticas se encheram de vitrais, que transformaram os efeitos luminosos em jogos pictóricos. Os mais destacados estão nas catedrais francesas de Chartres e Notre-Dame de Paris, e na de León, na Espanha. Também aumentou a produção de tapeçarias, que decoravam as paredes de palácios e casas senhoriais, e ganharam especial expansão a arte da miniatura e a pintura de cavalete sobre madeira, mais fácil de transportar e destinada à composição de retábulos.

Durante os séculos XIII e XIV, a pintura era linear, muito estilizada, de ritmo sinuoso e dominada pelo desenho e pela elegância formal. Pouco a pouco, a plenitude do românico cedeu lugar a figuras com algum sentido do volume, colocadas sobre fundos planos, quase sempre dourados, e, mais tarde, com certa sugestão de paisagem.

Os temas pictóricos procediam das hagiografias, das Sagradas Escrituras e dos relatos cavalheirescos. Tal como sucedeu com a arquitetura e a escultura, esse primeiro estilo da pintura gótica também se originou na França, motivo pelo qual foi chamado franco-gótico. Suas melhores manifestações são vitrais e miniaturas.

O refinado mundo cortesão, que concedia uma singular importância à mulher, produziu no século XV um novo estilo, conhecido como internacional, que unia a estética franco-gótica às influências dos mestres de Siena. Entre outras obras, destacaram-se as miniaturas do livro As riquíssimas horas do duque de Berry, de autoria dos irmãos Limbourg.

Com o desenvolvimento das escolas florentina e de Siena nos séculos XIII e XIV, a Itália encaminhou-se para o Renascimento, com seus novos postulados de busca de volume e de preocupação com a natureza. Entre seus principais representantes devem ser mencionados Cimabue e Giotto, em Florença, e Duccio di Buoninsegna e Simone Martini, em Siena.

A minuciosa pintura flamenga a óleo chegou a ser o estilo mais apreciado no mundo gótico. A utilização do óleo possibilitou cores mais vivas e brilhantes e maior detalhismo. Os iniciadores dessa escola foram os irmãos Hubert e Jan van Eyck, que pintaram o "Políptico da adoração do Cordeiro místico". Outros artistas destacados foram Roger van der Weyden, Hans Memling e Gérard David.

Arte Gótica

O GÓTICO DA INGLATERRA – A CONTINUAÇÃO DAS TRADIÇÕES NORMANDAS

O fato do estilo da Ile de France se ter tornado conhecido fora do território francês deve-se aos mestres pedreiros itinerantes, trazendo, assim, o gótico para a Inglaterra. Este acabou por se desenvolver numa verdadeira rivalidade com o gótico das catedrais francesas. Em Inglaterra as grandes igrejas eram erigidas fora das cidades.

Como característica há a expansão desmesurada do comprimento e da largura, e o arremate plano da cabeceira, à qual era adossada a Lady Capel. O papel central do cruzeiro também era visível do exterior.

Esta evolução acaba de desembocar, de modo conseqüente em meados do séc XIV, no perpendicular style. Esta arquitetura manteve-se determinante por muitos séculos na Inglaterra, vindo a ter influencia sobre o gótico tardio em França com o seu estilo flamejante.

O GÓTICO NA ALEMANHA – O DESENVOLVIMENTO DA IGREJA-SALÃO

Na Alemanha, onde o românico tinha encontrado o seu desenvolvimento máximo, o gótico francês foi adotado de modo hesitante. Em 1248, o ano da conclusão da Sainte-Chapelle, era colocada a primeira pedra da construção da catedral de Colônia.

Os mestres-pedreiros alemães tinham passado os seus anos de aprendizagem na França existindo, alem disto, relações estreitas entre Paris e Colônia. No entanto, a construção da catedral de Colônia foi interrompida em 1560 e apenas retomada em 1842, terminando em 1880.

As igrejas-salão – o tipo de igreja dominante na Alemanha a partir de meados do séc XIV não eram, no geral, catedrais (igrejas episcopais) mas sim igrejas de conventos ou paroquiais ( igrejas de várias freguesias nas cidades ).

O GÓTICO NA ALEMANHA DO NORTE

Aqui a pedra natural era rara. O esforço dirigiu-se gradualmente para uma interpretação das formas (decorativas) das catedrais do gótico lassico com a silharia de pedra lavrada e de tijolo, a simplificação e abstração das estruturas, a aplicação de arcos cegos e a ornamentação geométrica sobre fundos cegos.

O GÓTICO NA ITÁLIA

O gótico italiano liberou-se ainda mais do modelo francês. O culto da habitação conduziu à edificação de palácios residenciais suntuosos como o Cá d’Oro em Veneza, iniciada em 1420. Já anteriormente o brio das cidades italianas e dos seus burgueses (ricos) tinha produzido Casas Comunais libertas do domínio da arquitetura sacra.

A tendência para uma arquitetura palatina é ainda mais marcante na Casa Comunal de Veneza, o palácio do Doge, regente desta cidade-república, que possuía o status de príncipe. O palácio do Doge foi ainda mais longe que a Cád’Oro. Em ambos os edifícios, mostra-se ainda mais claro do que na Alemanha, que as superfícies das paredes não tinham o aspecto pesado e maciço da românica, mas que parecessem antes painéis finos e leves.

A arq. ascética das ordens mendicantes teve uma grande influência sobre a arquitetura sacra italiana. O modelo foi a basílica paleocristã.

A CAMINHO DE UMA ARQUITETURA MAIS HUMANA

O gótico italiano pouco adotou dos modelos franceses. É na igreja florentina de Santa Maria dei Fiore ( 1296 – 1446 ) que se torna mais evidente a preferência italiana por espaços amplos. Marcadamente horizontais e de estruturação clara.

A burguesia italiana tinha ascendido ao poder e à prosperidade mais rapidamente que a alemã, desenvolvendo uma outra religiosidade, que resultou na transformação da arquitetura : o sagrado já não se opunha ao secular. Assim, o gótico italiano trazia já em sí o embrião do renascimento.

EDIÇÃO DO VITRÚVIO DE CESARIANO

O pintor, arquiteto e engenheiro Cesariano apresentou, em 1521, a primeira tradução para o italiano do tratado sobre arquitetura da antiguidade clássica de Vitrúvio, com inúmeros comentários e ilustrações xilografadas. Cesariano desenvolveu, em paralelo com Leonardo, a afinidade das relações métricas do homem, do cosmos e da arquitetura, que viria mais tarde a ter uma grande influência sobre a teoria e a prática da arquitetura renascentista.

Arte Gótica
Catedral de Canterbury Kent, Grã-Bretanha

Arte Gótica
Catedral de Lincoln Lincolnshire, Grã-Bretanha

Arte Gótica
Catedral de Milão Milão, Itália

Principalmente para os cisterciences a igreja já não tinha de ser o modelo da Jerusalém Celeste, mas um local de oração. Os sermões iam ocupando um papel cada vez mais importante no culto. Os burgueses que habitavam as cidades, sobretudo mercadores, voltavam-se cada vez mais para as coisas deste mundo, onde realizavam as suas atividades, prosperava e mantinham relações comerciais com freqüência através de grandes distâncias. Não que o além tivesse se tornado secundário, mas ia perdendo, pouco a pouco, o seu domínio opressivo sobre o pensamento das pessoas.

A equivalência entre a vida neste mundo e no outro, germina o pensamento renascentista, que encontra a sua expressão maior numa maior atenção dada à imagem exterior das igrejas – as cidades altivas e os seus burgueses cheios de brio davam cada vez mais importância a uma imagem que os representasse.

Em paralelo surgiram, em número crescente, construções civis mais suntuosas, que representavam a cidade, a sua importância e a sua prosperidade. Se no auge do gótico a construção da catedral se encontra no centro da atividade construtiva, como obra da comunidade, agora o interesse também se voltava para o modo como a habitação e, em parte, o local de trabalho era modelado. Um exemplo é a sacada, da qual se podia observar confortavelmente a rua em ambas as direções, num nítido volver para as coisas deste mundo.

Fonte: www.fag.edu.br

Arte Gótica

A definição de gótico

Os historiadores do Renascimento foram os primeiros a utilizar o termo gótico. Surgido então da relação com a palavra godo, referente a um dos povos bárbaros que invadiu o Império Romano. Buscou-se através dessa semelhança caracterizar o estilo gótico como bárbaro, obscuro, carregado de apelos decorativos e com uma exagerada altura das torres.

Essa visão foi amplamente difundida e permanece forte até hoje, com o termo gótico sendo sinônimo de trevas, escuridão e tristeza.

No entanto, a seguinte analise procura mostrar se essa forma caracterizada pelos renascentistas e que sobrevive até hoje condiz com o movimento artístico surgido no século XII, no medievo.

Contexto histórico

O surgimento da arte gótica está relacionado à expansão urbana do século XII. Resultado da superação da crise dos séculos anteriores com o aumento da produção rural. Entre 1150 a 1300, a população do reino da França praticamente duplica, e é um crescimento demográfico que tem como cenário as cidades.

Nelas existe uma organização militar possuindo a função primaria de garantir a circulação das mercadorias e do dinheiro.

No entanto, a cidade se constituiu rapidamente em uma entidade jurídica e territorial: nela se concentram – no interior de uma estrutura que facilita a coexistência – a nobreza, o clero, e a nascente burguesia.

Resultado desse renascimento urbano ocorre também uma expansão comercial, uma transformação econômica ocorrida principalmente na região de Flandres, ao redor do rio Reno e do Rio Sena.

E nesse ressurgimento das cidades, faz- se necessário identificar e compreender os agentes que contribuíram para o nascimento e a firmação da arte gótica dentro do ambiente urbano.

O nascimento do gótico

O nascimento do gótico ocorreu entre os anos de 1137 e 1144, na região de Ile-de-France, com a reedificação, dirigida pelo abade Suger, da abadia real de Saint-Dennis, situada então às portas de Paris.

Para se compreender porque o estilo surgiu nesse lugar e não em qualquer outro, é preciso conhecer a relação especial que existia entre Saint-Dennis, Suger e a monarquia francesa.

Os reis franceses fundamentavam seus direitos na tradição carolíngia, embora pertencessem à dinastia capetíngia [1]. Entretanto, a autoridade do monarca foi enfraquecida diante dos nobres, que teoricamente eram seus vassalos, chegando ao extremo de todo o território real ficar reduzido a Ile-de-France.

[1] Dinastia fundada por Hugo Capeto, depois da morte do último rei carolíngio, em 987

Reino de França (apenas a Ile-de-France) em fins do século X

Arte Gótica
Cté: condato
Duché: ducado
Vté: Viscondato

Reino de França (apenas a Ile- de-France) em fins do século XII

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O poder do rei só começaria a impor-se e estender-se no início do século XII. O abade Suger, conselheiro principal de Luís VI, desempenhou um papel decisivo nesta mudança. Foi ele quem forjou a aliança entre a Igreja e a Monarquia trazendo os bispos de França e de seus vassalos para o lado do rei, além de apoiar o Papado na luta contra os Imperadores germânicos.

Além disso, Suger foi importante no plano da política espiritual. Conferiu à dignidade régia uma significação religiosa e glorificou-a como o braço direito da justiça, procurando com isso agrupar o reino junto ao soberano.

A reforma da Abadia de Saint-Denis fazia parte do seu plano, porque essa igreja erguida no final do século VIII detinha um duplo prestígio, ideal para as intenções de Suger: era o santuário do Apóstolo da França, o protetor sagrado do reino e, ao mesmo tempo, o principal monumento comemorativo da dinastia Carolíngia, pois, tanto Carlos Magno, como seu pai, Pepino, o Breve, tinham sido ali sagrados reis, e também lá estavam sepultados Carlos Martel, Pepino, o Breve e Carlos, o Calvo. Suger quis fazer da Abadia o centro espiritual da França, uma igreja de peregrinação que ofuscasse o esplendor de todas as outras, o centro de todo o fervor religioso e patriótico.

Arte Gótica
Representação de Carlos Magno

A essa reforma da abadia de Saint-Denis, o marco inicial do gótico, seguiu-se uma competição entre cada cidade da Europa Ocidental para ver em qual delas estaria o monumento mais esplendoroso, e quanto mais fosse, mais o olhar protetor de Deus estaria presente. Essa preocupação com o olhar do criador para a cidade reflete outra preocupação presente no período.

Entre os séculos XII e XIII há uma acentuação da espiritualidade no Ocidente, e a filosofia teológica de Suger reflete essa efervescência. Segundo esse pensamento Deus representa a luz inicial e criadora, onde toda a criatura participa recebendo e transmitindo a iluminação divina segundo a sua capacidade, isto é, segundo o lugar que ocupa na escala dos seres, segundo o nível em que o pensamento de Deus hierarquicamente a situou. Desta forma, esse ideal também legitimava a divisão em três ordens presente na sociedade medieval.

Essa centralização proposta através do pensamento de Suger foi uma forma de alcançar uma unidade religiosa combatendo a presença e ameaça da heresia, e também os falsos profetas, reconduzindo os pecadores a verdadeira fé cristã.

Portanto, a Igreja gótica seria um edifício amplo, diverso e firmemente ordenado tendo uma função doutrinal, que através de sua magnificência mostraria as seduções necessárias para, ao mesmo tempo, ressaltar as fraquezas dos pensamentos contrários e reconduzir ao caminho verdadeiro todos os crentes recém chegados à vida urbana.

Apesar de Suger ser considerado o marco inicial do gótico, ele próprio não tinha a consciência de estar criando um estilo realmente novo. A própria reforma da Abadia de Saint-Denis é considerada uma forma transitória entre o estilo artístico anterior (o românico) e o gótico. No entanto, a filosofia sugeriana e os elementos inovadores que trouxe foram a grande base para que o gótico ganhasse força como movimento artístico medieval.

Arte Gótica

Outra característica presente no contexto do surgimento do gótico é de que a catedral também representava o orgulho burguês. Pois ela representava o símbolo da riqueza de toda a aglomeração urbana. Por isso, os burgueses foram os principais colaboradores da construção de novas catedrais em várias cidades francesas, investindo imensos capitais para sua construção.

O interesse burguês era devido ao fato de que esse símbolo urbano não era usado apenas para oração, mas era também um local de reunião das associações de ofício. Alem deste monumento ser importante para atrair mais o comércio a uma região, e facilitar a identificação do núcleo de poder de uma cidade.

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Carater e Características arquitetônicas

A seguir serão apresentados a ideologia e os principais traços arquitetônicos que identificam o estilo gótico:

Arte Gótica
A Catedral de Chartres

A arte gótica não possui nenhum traçado novo, Suger reuniu artífices de muitas e variadas regiões para realizar o seu projeto. No entanto a arquitetura gótica não pode ser considerada apenas uma mera síntese de elementos artísticos anteriores. A novidade surgida com o gótico foi à importância dada ao traçado rigorosamente geométrico e a busca da luminosidade.

Arte Gótica
Representação de Suger em um vitral em St Dinis

A "Harmonia" entre esses dois elementos seria a fonte de toda a beleza, pois exemplifica as leis segundo as quais a razão divina construiu o Universo: a "miraculosa" luz inundando a capela-mor através da "sacratíssimas" janelas torna-se a Luz Divina, uma relação mística do espírito de Deus.

Dentro dessa luminosidade divina existe um aspecto fortemente hierarquizado, pois segundo esse princípio cada criatura reflete essa luz de acordo com a posição que ocupa.

Arte Gótica

Outro importante aspecto da catedral gótica é seu traçado em direção ao céu. Tanto no exterior quanto no interior, todas as linhas da sua construção apontam para o alto. Essa atração para cima é acentuada pelo uso de arcos pontudos (arcos ogivais) e de tecnicas que distribuem parte do seu peso fazendo com que chegue cada vez mais alto.

Esse verticalismo da arte gótica é um esforço para mostrar como esse edifício está mais próximo de seu criador, além de ressaltar sua magnificência dentro da cidade numa clara referência de poder. Saindo do âmbito local, as catedrais também foram motivo de rivalidade entre vários centros urbanos resultando em edifícios de proporções cada vez maiores.

Principais elementos da arte gótica

A Abóbada

A abóbada é uma cobertura côncava. Caracteriza-se por um teto arqueado, usualmente constituído por pedras aparelhadas, tijolos ou betão. É um elemento pesado e que gera vários impulsos, em diversas direções, que devem ser equilibrados ou apoiados.

Assim, enquanto que as forças verticais se distribuem pelas paredes ou pelos arcos e pilares, os impulsos horizontais são contidos através do uso de contrafortes ou arcobotantes.

Arte Gótica

Arte Gótica

Arte Gótica

O Arcobotante

O arcobotante (ou botaréu) é uma construção em forma de meio arco, erguida na parte exterior dos edifícios góticos para apoiar as paredes e repartir o peso das paredes e colunas. Desta forma foi possível aumentar a altura das edificações dando forma e função com a técnica da época.

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Contraforte

Um contraforte é o reforço de muro ou muralha, geralmente se constituindo de um pilar de alvenaria na superfície externa de uma parede, para sustentar a pressão de uma abóbada, terraço ou outros esforços que possam derrubá-la. O contraforte também pode funcionar em conjunto com o arcobotante.

Arte Gótica

Esquema de distribuição do peso através do contraforte:

Arte Gótica

Arte Gótica

 

Com esta solução de engenharia - reduzir o peso através dos contrafortes – foi possível reduzir a espessura das paredes e colunas, abrir numerosas janelas e elevar o teto a alturas impressionantes. As paredes puderam então ser decoradas por imensos painéis de vidro (vitrais), que inundam de luz o interior, aumentando a sensação de amplidão no espaço interno.

No exterior, as fachadas são quase sempre enquadradas por torres laterais, muito altas e arrematadas por flechas agudas.A tendência para o alto é reforçada por numerosas torrezinhas (pináculos), que terminam em flechas.

Arte Gótica
Exemplo do interior de uma catedral preenchida por vitrais

Arte Gótica
Estrutura de uma catedral gótica

A arte gótica inventou soluções de arquitetura que só foram superadas no século XIX, com o uso do aço; e outras, só no século XX, pelo concreto armado.

Construção de uma catedral

Arte Gótica
Estrutura de uma catedral gótica

Arte Gótica

A partir do conhecimento dos principais elementos que compõe a arte gótica faz-se necessário conhecer como se realizava a construção das catedrais.

A construção de uma catedral gótica formigava com dúzias de trabalhadores dispostos em times de trabalho que eram supervisionados por um mestre construtor e por volta de 30 artesãos especialistas. Esses especialistas e alguns de seus mais habilidosos trabalhadores moviam-se de função em função aplicando lições aprendidas e passadas de um a um. O mestre construtor atuava como projetista artista e ainda como artesão. Com o auxílio de réguas, compassos, esquadros e outras poucas ferramentas geométricas, ele fazia as plantas da catedral.

A Planta

Arte Gótica
Planta da Catedral de Beauvais

Planta da Catedral de Beauvais Legenda:

1. Capela Radial
2. Deambulatório (galeria que permite a circulação ao redor do coro de uma igreja)
3. Altar
4. Coro
5. Corredores laterais do coro
6. Cruzeiro
7. Transepto
8. Contraforte
9. Nave
10. Nave lateral
11. Fachada, portal.

A planta básica da catedral gótica tinha a forma de uma cruz, dividindo-se basicamente em:

Nave

Espaço em forma de navio emborcado, que vai do portal principal ao cruzamento do transepto, entre duas fileiras de colunas que sustentam a abobada.

Transeptos

Galeria transversal que separa o coro da grande nave e forma os braços da cruz.

Coro

Local compreendido entre os transeptos indo até o outro extremo próximo ao altar.

Na parte inferior da cruz se situava a nave central circundada por naves laterais; na faixa horizontal existiam os transeptos e o cruzeiro (parte da igreja em que o transepto se cruza com a nave, diante da capela-mor), e na base da nave tinha-se a fachada principal; existiam ainda torres, porém de localização variada.

A fundação

A fundação das catedrais tinha por volta de 9 metros de profundidade e era formada por camadas de pedras (blocos de calcário) assentadas com argamassa cuidadosamente dosada de areia, cal e água sobre a terra argilosa no fundo da escavação.

Arte Gótica

Formação da estrutura

Devido ao custo, os andaimes eram mínimos, assim os trabalhadores confiavam sua alma a Deus e andavam sobre flexíveis plataformas. Um perigoso momento para os trabalhadores ocorria quando as paredes atingiam suas alturas finais e os troncos de madeira para o telhado deviam ser elevados a essas alturas.

Arte Gótica

Arte Gótica

O telhado era colocado antes da construção das abóbadas. Auto- portantes, os telhados serviam de plataforma para a subida do maquinário empregado na construção das abóbadas de pedra.

Arte Gótica

Assim, com o telhado pronto, podia-se iniciar a construção das abóbadas. Uma a uma, as pedras talhadas das nervuras eram colocadas sobre os cimbres de madeira e firmadas pelos pedreiros. Entre os cimbres eram instaladas tábuas de madeira, as quais funcionavam como base para o assentamento das pedras durante a secagem da argamassa.

Após a secagem da argamassa, aplicava-se sobre as pedras uma camada de dez centímetros de concreto (buscando evitar fissuras entre as pedras). Estando o concreto seco, as tábuas eram retiradas, seguidas pelos cimbres, finalizando-se a abóbada .

Arte Gótica

Arte Gótica

Também no "canteiro" da catedral estavam presentes os artesãos especialistas em fazer e juntar pedaços de coloridos e brilhantes vidros para completar os buracos deixados entre as pedras e formar enormes e belos vitrais. Várias cores eram obtidas unindo óxidos de metais e vidro fundido.

O vidro era soprado e trabalhado em forma de cilindro e, após resfriado, cortado, com a ajuda de um instrumento a base de ferro quente, em pequenos pedaços, geralmente menores que a própria palma da mão.

Arte Gótica

Os vitrais

Além da função decorativa e de elemento de forte simbologia eles fornecem-nos inúmeras informações acerca das características e do modo de vida durante a Idade Média. Os vitrais eram amplamente utilizados na ornamentação de igrejas e catedrais, o efeito da luz solar que por eles penetrava, conferia uma maior imponência e espiritualidade ao ambiente, efeito reforçado pelas imagens retratadas, em sua maioria, cenas religiosas.

Essas imagens funcionavam também como uma narrativa para instruir os fiéis, principalmente a maior parte da população que não tinha condições de ler. Tornou desta maneira uma forma potente de fazer com que os fiéis pudessem sempre ter em mente os ensinamentos da Igreja.

Arte Gótica
Rosácea, Notre-Dame Paris

Arte Gótica
Detalhe de um vitral da Catedral de Chartres dedicado a história de Carlos Magno

As imagens são consideradas uma espécie de escrita que ajudava na doutrinação dos fiéis transmitindo sua "mensagem" como mostram alguns exemplos:

Arte Gótica

Arte Gótica

Arte Gótica

Nos vitrais também é comum notar personagens não- bíblicas, que correspondem a indivíduos que colaboraram com doações para a construção de uma catedral. Na parte baixa da maior parte dos vitrais ou nas rosáceas encontram-se figuras completamente estranhas às lendas contadas pelo artista. São as representações dos doadores e são chamadas de "assinatura do vitral".

Arte Gótica

Observando essas assinaturas notam-se a presença de profissionais no trabalho (cambistas, peleiros, escultores, taberneiros, padeiros e ferreiros), além de existirem vitrais dedicados inteiramente ao trabalho camponês. Existe ainda a presença de nobres pertencentes a cavalaria francesa, além é claro de monarcas.

Arte Gótica
Os doadores

Esculturas

As esculturas góticas estão presentes principalmente nos portais das catedrais góticas que são marcadas pelo aparecimento da figura do ser humano que agora faz parte do conjunto arquitetônico das catedrais.

Essas novas esculturas marcam uma nova forma de representação das formas humanas baseada em uma nova flexibilidade: a curvatura do corpo, a elegância do porte e a preciosidade dos gestos, o sorriso que ilumina os rostos, marcando assim uma nova humanidade. A geometria não desaparece das esculturas, como também não desaparece de nenhuma disciplina artística medieval.

Ao longo do século XIII os temas relativos a Virgem e as cenas do Juízo Final figuram na maior parte dos portais das igrejas góticas, havendo entretanto exceções como o caso de Saint Dennis. Em seu portal figuram personagens da monarquia francesa devido a sua função primordial de fortalecimento monárquico.

A exuberância da época gótica exterioriza-se também nas representações grotescas. Certos animais fantásticos servem de gárgulas que se encontram equilibrados nos contrafortes, espreitados sobre o parapeito, ou agachados sobre as cornijas. Contrariamente aos outros elementos góticos, eles estão ligados às mais remotas superstições populares. Associados à catedral contribuem para exprimir todo o vigor religioso da cristandade medieval.

Arte Gótica

O arcanjo Gabriel e a Virgem (Anunciação). Estátuas (séc.XIII) do portal central da Catedral de Reims

Arte Gótica
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Expansão do gótico pela Europa

A expansão do gótico ocorre inicialmente para o sul da França e logo para o resto da Europa, onde os monges [1] cistercistences começaram, a partir do século XII, a exportar a arte gótica.

Na Inglaterra o estilo chega em meados do século XIII, e modifica-se para uma forma de gótico curvilíneo que ocupa o período que vai aproximadamente de 1250 a 1330. Os princípios fundamentais da arquitetura gótica se desenvolvem na Inglaterra com a mesma rapidez que na França, no entanto com a diferença de que no caso inglês se consagra uma preocupação maior com a ornamentação.

[1] Monges pertencentes a ordem de Cister.

No Império ocorre uma situação diferente: a sobrevivência da forma artística anterior ao gótico, o românico, marca uma forte relutância quanto à penetração do gótico. Junco com uma arquitetura chamada de "transição" se ergue monumentos que reproduzem modelos estrangeiros (Colônia), e outros que combinam uma planta arcaica com um forma moderna (Tréveris), além de outras que adotam estruturas herdadas do século XII (Marburgo). Esta fase é denominada de fase de recepção, e posteriormente a arquitetura germânica vai encontrar uma orientação estética própria, com a igreja halle.

Já a Espanha parece importar diretamente o gótico da França setentrional que é combinado ao estilo mudéjar.

Enquanto que a Itália se mostra refratária ao novo estilo. Em Florência, por exemplo, apenas a forma dos arcos que é incorporado, sendo que a estrutura segue sendo herdada das basílicas paleocristãs.

Bibliografia

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Fonte: www.nemed.he.com.br

Arte Gótica

No século XII, entre os anos 1150 e 1500, tem início uma economia fundamentada no comércio. Isso faz com que o centro da vida social se desloque do campo para a cidade e apareça a burguesia urbana.

No começo do século XII, a arquitetura predominante ainda é a românica, mas já começaram a aparecer as primeiras mudanças que conduziram a uma revolução profunda na arte de projetar e construir grandes edifícios.

ARQUITETURA

A primeira diferença que notamos entre a igreja gótica e a românica é a fachada.

Enquanto, de modo geral, a igreja românica apresenta um único portal, a igreja gótica tem três portais que dão acesso à três naves do interior da igreja: a nave central e as duas naves laterais.

A rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do estilo gótico e está presente em quase todas as igrejas construídas entre os séculos XII e XIV.

Outros elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos góticos ou ogivais e os vitrais coloridíssimos que filtram a luminosidade para o interior da igreja.

As catedrais góticas mais conhecidas são: Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral de Notre Dame de Chartres.

ESCULTURA

As esculturas estão ligadas à arquitetura e se alongam para o alto, demonstrando verticalidade, alongamento exagerado das formas, e as feições são caracterizadas de formas a que o fiel possa reconhecer facilmente a personagem representada.

ILUMINURAS

Iluminura é a ilustração sobre o pergaminho de livros manuscritos (a gravura não fora ainda inventada, ou então é um privilégio da quase mítica China)

Durante o século XII e até o século XV, a arte ganhou forma de expressão também nos objetos preciosos e nos ricos manuscritos ilustrados. Os copistas dedicavam-se à transcrição dos textos sobre as páginas. Ao realizar essa tarefa, deixavam espaços para que os artistas fizessem as ilustrações, os cabeçalhos, os títulos ou as letras maiúsculas com que se iniciava um texto..

Da observação dos manuscritos ilustrados podemos tirar duas conclusões: a primeira é a compreensão do caráter individualista que a arte da ilustração ganhava, pois destinava-se aos poucos possuidores das obras copiadas, a segunda é que os artistas ilustradores ao períodos gótico tornaram-se tão habilidosos na representação do espaço tridimensional e na compreensão analítica de uma cena, que seus trabalhos acabaram influenciando outros pintores.

PINTURA

A pintura gótica desenvolveu-se nos séculos XII, XIV e no início do século XV, quando começou a ganhar novas características que prenunciam o Renascimento. Sua principal particularidade foi a procura o realismo na representação dos seres que compunham as obras pintadas.

Os principais artistas na pintura gótica são os verdadeiros precursores da pintura do Renascimento (Duocento):

Giotto

A característica principal do seu trabalho foi a identificação da figura dos santos com seres humanos de aparência bem comum. E esses santos com ar de homem comum eram o ser mais importante das cenas que pintava, ocupando sempre posição de destaque na pintura. Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo, que vai cada vez mais se firmando até ganhar plenitude no Renascimento.

Obras destacadas

Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os Pastores.

Jan Van Eyck

Procurava registrar nas suas pinturas os aspectos da vida urbana e da sociedade de sua época. Nota-se em suas pinturas um cuidado com a perspectiva, procurando mostrar os detalhes e as paisagens.

Obras destacadas

O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do Chanceler Rolin.

Fonte: www.galeriafernandobarbosa.kit.net

Arte Gótica

Na História da Arte, o período conhecido como Gótico diz respeito às manifestações arquitetônicas e plásticas (pintura, escultura, iluminura, dentre outras) do período que vai do século XII até as primeiras décadas do século XVI. Em virtude de sua ousadia e por ser fruto de um período de apogeu da Idade Média, a maioria dos leigos imagina que a Arte Medieval é sinônimo de arquitetura gótica. As artes bizantina e românica são freqüentemente esquecidas, em razão da espetacularidade própria do gótico.

Durante os anos de desenvolvimento do estilo arquitetônico e artístico conhecido atualmente como gótico, a denominação não existia e foi criada pelos renascentistas, que consideravam a Idade Média uma época bárbara. A expressão "arte gótica" era pejorativa, uma alusão aos godos que, dentre as tribos invasoras, eram os mais conhecidos.

Os limites cronológicos da arte bárbara situam-se entre os séculos V e VIII e fazem parte de suas influências a arte germânica da Idade do Bronze, a arte céltica da Idade de La Tène e a arte paleocristã.

A partir do Bronze Médio, a arte germânica apresentava características uniformes, percebidas em manifestações artísticas próprias da ornamentação, sobretudo quando aliadas ao uso individual: instrumentos musicais, enfeites femininos, jóias, armas, vasos e sepulturas.

Não havia, entre as tribos germânicas, artesãos especializados; a maior parte destes ofícios era praticada como trabalho doméstico e não recorriam às representações plásticas naturalistas da figura humana. A arquitetura também não era privilegiada pelos invasores, devido ao seminomadismo destes povos.

Enquanto a arte romana era inspirada pelo ideal do Estado, a arte bárbara era individualista.

Os visigodos empregavam incrustações policrômicas em metais, sobretudo em produções de caráter ornamental.

Arnold Hauser, em seu Historia Social de La Literatura y El Arte (1969, p. 192) estabelece ligações entre a arte dos povos germânicos e a futura arte gótica: conforme o autor, há um "goticismo secreto" comum às duas modalidades artísticas, que consiste na tensão de um jogo abstrato de forças.

Os artistas visigodos trabalhavam o metal e a madeira com motivos geométricos. Os desenhos representavam triângulos e círculos trançados.

No entanto, além da influência visigoda citada por Hauser, a arte sofreu as conseqüências de uma série de invasões, sobretudo na França, onde a História está ligada a grandes movimentos migratórios: visigodos, francos, celtas, normandos, árabes, invasões pacíficas dos comerciantes sírios, constituição do império carolíngio, dentre outros. Os povos germânicos já traziam consigo técnicas dos povos nômades da Ásia oriental e central, como os citas, sármatas e hunos.

Muito antes do aparecimento das catedrais góticas, os primeiros templos cristãos, surgidos por volta do ano de 391, concorriam com as religiões pagãs. A arte paleocristã, um misto das artes oriental e greco-romana, surgiu quando os cristãos ainda sofriam perseguições violentas. Os primeiros artistas, acostumados às figuras extremamente reais da arte greco-romana, impressionaram-se com a religiosidade característica da arte oriental. Os ícones, por exemplo, que sempre ocuparam lugar de destaque na arte religiosa, derivam dos retratos funerários egípcios.

A arte da Renascença Carolíngia também legaria algumas influências. Ao contrário do que a classificação sugere, a mesma não representou um recomeço strictu sensum, pois a valorização da arte romana devia estar atrelada ao cristianismo. Carlos Magno preocupou-se com o desenvolvimento da arte sacra a fim de que esta, por meio do luxo, encantasse os povos pagãos. Assim, a época carolíngia presenciou a multiplicação de altares e criptas para o culto de relíquias.

A cultura greco-romana, modelo para as oficinas da corte de Carlos Magno, impulsionou um novo estilo arquitetônico denominado como românico, devido à semelhança com as construções da Roma Antiga. As principais características da arquitetura românica são as abóbadas, os pilares maciços que as sustentam e as paredes espessas com aberturas estreitas usadas como janelas.

A arquitetura gótica espalha-se da Irlanda ao Oriente Próximo

Abadia de Saint-Denis (1140-1281)

O período denominado como gótico na História da Arte originou-se na Île-de-France e estendeu-se por toda a Europa: da Península Ibérica à Escandinávia, passando pela Irlanda, pelas ilhas de Chipre e Rodes até o Oriente Próximo. A arquitetura que veio a ser designada como "gótica" a partir da Renascença apresentou características peculiares em cada país europeu, ao longo de seus quatro séculos de duração.

As influências românicas fizeram-se presentes até mesmo na apropriação de termos usados pelos arquitetos românicos: abóbada, tímpano, arcos, entre outros.

No entanto, foram combinadas em uma nova ordem, ou seja, em um proveito inédito do espaço. A catedral de Milão afastava-se da tradição clássica favorecida ao Sul da Europa, sobretudo na Itália.

A abóbada adotada na arquitetura gótica, e que constitui a característica principal deste estilo de construção, é a de nervuras. Esta difere da abóbada de arestas românica por deixar visíveis os arcos que compõem a estrutura. O arco ogival, diferente do arco pleno românico, permitia a construção desse novo tipo de abóbada e também de igrejas mais altas. As ogivas acentuam a impressão de altura e verticalidade.

Durante o século XII, apesar de ainda predominar a arquitetura românica, surgiram as primeiras modificações arquitetônicas deste período. A abadia de Saint-Denis (São Dionísio), localizada na França e construída por volta de 1140-1281, é considerada o marco da construção gótica e possuidora de elementos que servirão como referência na classificação das demais construções deste estilo.

A arquitetura gótica não almejou a obscuridade.

O uso da luz e a relação entre estrutura e aparência são únicos nesta arquitetura: se, na igreja românica, a luz contrasta com a substância táctil, sombria e pesada das paredes, na parede gótica a luz é filtrada através dela, permeando-a, absorvendo-a, transfigurando-a. A verticalidade é outra propriedade do estilo gótico, que propicia sensações de ausência gravitacional.

Visão interna da rosácea de Saint-Denis Na fachada da abadia de Saint-Denis, os portais laterais eram continuados por torres. Acima dos frisos que emolduram o portal central há uma grande janela e, acima desta, outra chamada rosácea (grande janela circular enfeitada por vitrais), outro elemento característico destas construções. A cabeceira de Saint-Denis contava com pilares em sua construção, que consistem em suportes de apoio dispostos em espaços regulares. Com o novo recurso não eram mais necessárias as grossas paredes para sustentar a estrutura, o que garantiu maior leveza às construções.

A nave central era merecedora de grande atenção entre os planejadores destas construções, pois quanto maior a altura desta, mais intensa seria a luz interior que, combinada aos vitrais conferia iluminação uniforme a todo o ambiente. Os idealizadores das catedrais entendiam a luz como elemento místico. Desejosos em propiciar caráter divino às construções, os mestres-de-obras não tardaram em buscar incessantemente a substituição das paredes por vitrais.

As particularidades arquitetônicas do estilo gótico em cada país são evidenciadas nas classificações dos historiadores, que costumam dividir o gótico em três ciclos: inicial, quando se configurou o estilo; central, de expansão das formas góticas; e o final, dominado pelo gosto burguês.

Dentro desta classificação há ainda uma série de subdivisões em cada país, a fim de assinalar a evolução da arquitetura gótica: na França, arte gótica primitiva, clássica, radiante (rayonnant) e flamejante (flamboyant); na Inglaterra, o gótico primitivo (early English), ornamentado (decorated style) e perpendicular (perpendicular style); na Espanha: gótico primitivo e estilo isabelino.

Na França, a Catedral de Notre-Dame apresenta elementos característicos da primeira fase da arquitetura gótica. Foi construída por três corpos verticais separados por maciços contrafortes, sendo que há torres acima dos contrafortes laterais.

A tradição gótica ao Oeste e Sul da França não é tão notabilizada pelas influências da Ilê de France, mas sim orientais. No Oeste foi empregada a cúpula nervurada, importada da Espanha árabe, onde cobria os mirabs das mesquitas. A Catedral de Angers foi assim coberta em 1150.

A evolução dos rendilhados determina algumas etapas deste estilo, como o perpendicular e o flamejante. A arquitetura inicial apresentava janelas subdividas em duas lancetas, com estruturas geométricas simples acima das mesmas (rosácea ou trifólio). Mais adiante a estrutura atinge maior complexidade e os traços afinam-se. Ao final, a tendência é a substituição da simplicidade das formas geométricas por curvas que lembram chamas (daí a classificação: gótico flamejante).

Catedral de Colonia, Alemanha, iniciada em 1248.

A igreja de San Juan de los Reyes foi resultado da definição de um estilo tipicamente espanhol: o isabelino. São marcantes os adornos, que remetem à união de características árabes com a importação de elementos arquitetônicos nórdicos.

Já a Capela do King’s College ilustra a sofisticação adquirida na construção das abóbadas de nervuras, apresentando abóbadas em leque, típicas do estilo perpendicular inglês do século XIV.

As últimas construções de estilo gótico (dentro do período cronológico estabelecido na História da Arte, pois adiante será abordado o revival neogótico dos séculos XVIII e XIX) datam aproximadamente dos séculos XIV, XV e início do XVI. Neste ciclo final estão incluídos, além das construções religiosas, os palácios urbanos.

A arquitetura civil gótica reflete a sociedade da época, quando a construção mais significativa era o palácio ou residência senhorial, que podia adquirir funções de fortaleza. Os castelos evoluíram bastante durante o período gótico, pois sua finalidade defensiva foi perdendo importância.

Tais castelos caracterizavam-se pela presença de fossos em seu redor, muros sólidos e torres que propiciavam a vigília: tudo para garantir o resguardo de seus moradores.

Utensílios religiosos, como retábulos (peças com motivos religiosos de pintura, escultura ou ourivesaria, colocadas atrás do altar), cálices, cruzes, custódias e relicários, faziam parte do culto das relíquias, largamente apreciado durante a Idade Média.

Os vitrais, paredes translúcidas compostas de vidros coloridos, além de decorarem majestosamente as igrejas, contribuíam com o ensinamento dos fiéis, através da representação de cenas bíblicas. A Sainte-Chapelle, obra prima do gótico radiante, ilustra a interdependência entre arte, ideologia e espiritualidade, conceitos que, somados, definem a arquitetura gótica.

Fonte: www.carcasse.com

Arte Gótica

Para a maioria dos homens, a arte medieval é, desde há muito, sinônimo de arte gótica. Esta concepção, que ignora as artes bizantina e românica, é em parte justificável pelo fato da arte gótica ser a mais espetacular da Idade Média. A sua arquitetura é particularmente ousada e marca de certo modo, no Ocidente, o apogeu de um período que os historiadores situam entre 395 e 1453(queda de Constantinopla).

A arte gótica foi apreciada de maneiras diferentes consoante as épocas. Durante os séculos em que foi "moderna", era conhecida sob o nome de "opus francigenum", o que significa "obra francesa", termo que evoca a sua principal origem. Todavia, assim que os italianos dos séculos XV e XVI se entusiasmaram pela Antigüidade Clássica, consideraram a Idade Média como uma época barbara, cuja principal criação era um estilo caracterizado pelo arco em ogiva.

Como os Godos eram os bárbaros mais conhecidos, o estilo foi chamado gótico, isto é, bárbaro por excelência. A partir do século XIX com o romantismo, o adjetivo "gótico" perdeu o sentido pejorativo, mas no século XVI exprimia ainda desprezo.

Arte Gótica

Em geral, o gótico é mais homogêneo que o românico. Apesar de ser diferente na França, na Inglaterra, na Espanha ou na Itália e se um estudo mais profundo mostra diversidades regionais dentro de cada país, estas variações são menores comparadas as que existem na arquitetura e na escultura românicas. A unidade do gótico pode ser atribuída, em certa medida, à insegurança do trabalho nesta época; os artífices andavam de cidade em cidade segundo as possibilidades de emprego.

Se a arte românica é fruto da Igreja, a arte gótica ao contrário nasceu com as cidades. A catedral tornou-se o centro da cidade, sendo a maior parte de suas atividades realizadas junto às paredes do edifício religioso ou no seu adro.

Cada corporação da cidade contribuía para a sua execução. As diferentes Guildas poderiam por exemplo oferecer vitrais ou financiar a construção de uma capela. Em Chartres, os habitantes da cidade atrelavam-se às carroças para transportar a pedra para o local da obra, contribuição pessoal animada tanto pelo entusiasmo religioso como pelo orgulho cívico, pis a rivalidade entre as cidades era então intensa.

Assim Paris construiu Notre-Dame, elevando as abóbadas a mais de trinta metros; um pouco mais tarde, Amiens construiu uma catedral cuja abóbada atingia quarenta metros; Beauvais ultrapassou-as em seguida, com uma catedral cuja nave central tinha perto de cinqüenta metros de altura.

Em Beauvais, o desejo de ultrapassar as cidades rivais foi tal, que o edifício se desmoronou parcialmente, obrigando a reconstrução; e Siena, sempre invejosa de Florença, foi a primeira das duas cidades a construir uma catedral suntuosa. Florença aceitou o desafio e edificou outra catedral ainda maior. Para não ser batida, Siena decidiu fazer da anterior construção o transepto dum edifício gigantesco.

Os sienenses nunca passaram além das fundações, mas estas mostram-nos claramente as suas verdadeiras intenções.

Arte Gótica

Arte Gótica

A glória que as cidades alcançavam com as suas catedrais e o papel ativo desempenhado pelos seus habitantes em tais edificações fizeram crer freqüentemente que não havia arquitetos.

É verdade que o título de arquiteto surge raramente nos registros medievais; o homem que desempenhava essa função é designado pelo nome mestre de obras ou mestre pedreiro.

Estes artífices diferiam dos arquitetos modernos pelo fato de acumularem funções de arquiteto, de empreiteiro e de contramestre.

Seria absurdo pensar que as plantas de edifícios tão complexos possam ter sido obra coletiva.

Houve certamente em cada caso um homem que, pela imaginação, pelo sentido das proporções e pelos conhecimentos técnicos, se tornou arquiteto- um homem que cristalizava em si a concepção da catedral.

Embora deixasse aos seus subordinados uma liberdade maior do que é possível hoje em dia, permitindo-lhes desenvolver idéias pessoais nas esculturas dos capitéis ou noutras partes do edifício, não deixando de ser por isso o principal responsável.

Com efeito, conhecemos o nome da maior parte destes mestres-de-obra; o que não possuímos é a sua biografia.

Para nós estes homens são unicamente nomes. Parece que o artista medieval não procurou o renome para além de seu próprio tempo; também é verdade que a imprensa ainda não existia.

Mesmo se tomarmos em linha de conta a importância do papel desempenhado pelo mundo secular na construção das catedrais góticas, não podemos minimizar o poder da força espiritual que a animou.

É já bastante significativo o fato da cidade ter escolhido a catedral como principal monumento.

O arrojo vertical da igreja, com os arcobotantes, os pináculos e as flechas, exprime um entusiasmo religioso e um fervor inigualável. Nenhum outro estilo revelou a exaltação mística com tanta perfeição.

A presença da figura humana extremamente estilizada, o plano bidimensional são as principais características do estilo.

A exceção talvez fique por conta das obras de Giotto, sendo este pintor um dos precursores do rompimento com a tradição bizantina, ao dar um tratamento tridimensional às suas obras.

Quanto aos elementos simbólicos da arte medieval, possuem um imaginário fortemente místico, principalmente no que se refere ao rico bestiário medieval, ilustrado em especial nas iluminuras que costumavam ornar livros e manuscritos da época e também nos elementos decorativos de palácios e igrejas.

Cada elemento da composição de um quadro segue um esquema pré-estabelecido e até a localização das figuras em um quadro têm um significado simbólico possível de ser traduzido. A predominância dos elementos ilustrados é quase totalmente religiosa.

A excessão mais uma vez fica por conta de Giotto, que foi um dos pioneiros a introduzir pessoas comuns do povo em seus quadros e não apenas personagens religiosos.

Arte Gótica

Vitrais

As catedrais góticas não são unicamente ornadas por estátuas, e o ensino pela imagem que proporcionam aos fiéis surge mais claramente nos relevos e nos vitrais.

Que além da função decorativa e de elemento de forte simbologia fornecem-nos inúmeras informações acerca das características e do modo de vida durante a Idade Média.

Arte Gótica

Por fim, a exuberância da época gótica exterioriza-se também nas representações grotescas. Certos animais fantásticos servem de gárgulas, isto é de goteiras.

Mas a maior parte equilibra-se nos contrafortes, espreita sobre o parapeito, ou agacha-se sobre as cornijas.

Contrariamente aos outros elementos góticos, eles não tem qualquer função arquitetural ou litúrgica, mas estão sem dúvida ligados às mais remotas superstições populares. Algumas destas figuras são humanas, mas na maioria dos casos trata-se de pura invenção do espírito, em que os animais reais e imaginários formam uma geração híbrida compondo o rico bestiário medieval.

Executados no mesmo estilo que as esculturas sacras, estes tipos de monstros povoam as catedrais de alto a baixo. As obras deste tipo e aliás todas as esculturas góticas, não têm qualquer sentido, uma vez fora do seu enquadramento. Estão demasiadamente ligadas, pela representação e pela realização, ao conjunto da construção para dele poderem ser separados. Associados à catedral contribuem para exprimir todo o vigor religioso da cristandade medieval.

Em arquitetura o estilo gótico é caracterizado pelo arco de ogiva. Este estilo apareceu na França nos fins do século XII e expandiu-se pela Europa Ocidental, mantendo-se até a Renascença, ou seja, até o século XIV, na Itália, e até o século XVI ao norte dos Alpes. Moore definiu a arquitetura gótica como um "sistema de abóbadas, cuja estabilidade era assegurada por um equilíbrio perfeito de forças".

Esta interessante definição é infelizmente incompleta, pois nem sequer cita os arcos de ogiva. Mas a verdade é que, se este elemento é fundamental no estilo gótico, aparece também noutros estilos, assim como o arco de volta inteira surge igualmente nos edifícios góticos. Durante o período românico, o arco de ogiva aparece principalmente nos lugares onde existe forte influência sarracena.

Os arquitetos da catedral românica de Monreale, utilizaram-no freqüentemente. O românico espanhol, e mesmo o provençal, empregaram o arco de ogiva. Por outro lado, num edifício tão gótico quanto a catedral de Chartres, as janelas da clarabóia da nave são de volta inteira, salvo nas suas subdivisões, assim como os arcos diagonais da Notre-Dame de Paris. O arco de ogiva não é pois, tão característico do gótico como geralmente se pensa.

A definição de Moore não menciona as paredes, mas somente os três elementos principais da construção. No gótico francês, uma vez chegado o seu máximo esplendor, a parede deixou de ser com efeito, elemento da estrutura.

O edifício é uma gaiola de vidro e de pedra com as janelas que vão de um pilar a outro. Se a parede existe ainda, por exemplo, sob as janelas das naves laterais, é somente como defesa contra as intempéries. Tudo se passa como se as paredes românicas tivessem sido cortadas em secções e cada secção houvesse girado sobre si própria num ângulo reto para o exterior, de modo a formar contra-fortes.

No seu início o gótico francês baseava-se nos elementos estruturais definidos por Moore, porém essa definição só se aplicaria à elaboração do gótico francês não abrangendo a arquitetura gótica de outros países ou as fases ulteriores deste estilo na França.

A ABÓBADA

Dentre os elementos da arquitetura gótica este seria o mais importante.

Os arquitetos góticos introduziram duas inovações fundamentais na construção de abóbadas. Em primeiro lugar para os arcos dobrados e os arcos dianteiros terem a mesma dimensão que os arcos cruzeiros, adotaram o arco de ogiva. O cruzamento das ogivas permite obter abóbadas com arcos da mesma altura.

Numa abóbada que cubra um espaço retangular, a ogiva dos arcos formeiros tem de ser muito pronunciada. Por outro lado, os construtores góticos tentaram concentrar a pressão das abóbadas ao longo de uma linha única, em frente de cada pilar, no exterior do edifício.

Os arcos góticos alteiam os arcos formeiros: em vez de os iniciar ao mesmo nível que os arcos diagonais, inserem um colunelo que permite colocar o nascimento dos arcos formeiros em nível superior ao dos outros. as janelas da clarabóia podem, assim, tornar-se mais importantes e deixa de ser necessário acentuar a ogiva do arco formeiro para obter uma abóbada de flechas iguais. Finalmente, a zona coberta pela abóbada na parede exterior reduz-se a uma linha em vez de se limitar a um triângulo. A nave da Catedral de Amiens oferece um exemplo claro deste sistema.

SUPORTE

Uma vez que a arquitetura gótica se desenvolveu à partir da românica, podemos encontrar um colunelo para cada nervura da abóbada, o que efetivamente acontece sobre os capitéis da arcada da nave. Como as proporções do edifício se tornaram mais leves, os fustes são mais esguios do que na arte românica e sublinham o movimento ascendente do conjunto. Quanto ao pilar propriamente dito, o caso é diferente.

O pilar composto românico, por mais lógico que seja, é relativamente espesso; define o espaço da nave central e separa-a das laterais. As diferentes partes da igreja são desde então concebidas como unidade separadas. O gótico parece primeiramente retroceder. O pilar composto é substituído por uma coluna lisa e redonda cuja massa, menos volumosa, facilita a passagem entre a nave central e as laterais, criando um espaço único.

Para que se torne possível utilizar colunas lias, os suportes aparentes dos arcos da abóbada devem terminar ao nível dos capitéis, o que embora arquitetonicamente possível é pouco estético. Com efeito, as verticais rígidas dos colunelos parecem interromper-se bruscamente demais.

Arte Gótica

Entretanto o desejo de se construir catedrais cada vez mais altas leva a um grande aprimoramento técnico e os fortíssimos pilares de Chartres por exemplo nos elegantes fustes de Amiens, testemunho de uma experiência mais avançada em termos de arquitetura.

A habilidade técnica em constante progresso dos construtores dos séculos XIV e XV permitir-lhes-á recorrer de novo ao pilar composto, cujos elementos serão tão finos e tão delicados que ele parece desafiar as leis da gravidade.

CONTRAFORTE

É o terceiro e último elemento estrutural do gótico As paredes góticas ao contrário das românicas são finas, ou inexistentes sendo o contraforte tipicamente gótico composto de duas partes:

A primeira o contraforte propriamente dito inspira-se no contraforte românico e está colocado em ângulo reto em relação a igreja, contra a parede lateral, e, no mais alto grau de perfeição, eleva-se bastante alto. O peso deste elemento neutraliza a pressão das abóbadas.

O segundo elemento, ou arcobotante, é especificamente gótico. O arcobotante tem uma caixilharia diagonal de pedra; está escorado de um lado pelo contraforte, colocado a certa distância da parede, e por outro lado pela clarabóia da nave. O arcobotante dirige a pressão da abóbada para o exterior por cima da cobertura da nave central. Como é cimbrado por baixo, exerce um pouco de pressão sobre o vão; sozinho não poderia resistir à pressão lateral das abóbadas, mas associado aos contrafortes, tem uma força enorme. Foi graças a esse elemento que o gótico ousou construir naves tão altas e tão claras. A catedral gótica, eleva-se para o céu como uma oração e tal como a filosofia medieval, exprime o intangível e transcende o homem na sua procura do além.

ARQUITETURA CIVIL

No início da Idade Média a arquitetura civil refletia as condições incertas da época. Enquanto os camponeses viviam em cabanas de adobe ou pau-a-pique, ou mais raramente materiais sólidos, a nobreza européia vivia em castelos sem dúvida imponentes, mas incômodos e desconfortáveis. O fosso constitui a primeira linha de defesa.

Os muros sólidos são enquadrados por torres colocadas nos ângulos e de ambos os lados da entrada e coroados por ameias cuja função é proteger e os arqueiros. Possuem também o menor número de aberturas possíveis e mesmo estas são muito pequenas.

Embora o castelo se erga em volta de um pátio aberto, os blocos habitacionais são mais bem iluminados do que se possa imaginar pelo seu aspecto exterior.

Face a entrada principal encontra-se uma grande sala que tem do lado as cozinhas e mais dependências e do outros os apartamentos privados dos castelões.

A grande sala é, em todo o sentido do termo , o centro vital do castelo: é aí que o senhor recebe seus vassalos, que as refeições são tomadas em comum e que se desenvolve a maior parte das atividades da vida cotidiana. Primitivamente, esta sala servia também de dormitório para os serviçais, mas este costume já havia desaparecido no século XIV. O vidro embora já conhecido era muito caro, as vidraças eram portanto raras.

Por isso era preciso escolher entre duas soluções: dispor de uma claridade suficiente e permitir que os ventos frios do inverno entrassem nas divisões, ou fechar os taipais, sofrer menos com o frio e servir-se de pouca ou nenhuma luz natural. Por outro lado as instalações sanitárias desembocavam nos fossos, de modo tal que estes não deviam ser tão românticos como nos nossos dias.

Entretanto as condições de vida e a segurança melhoram com o tempo. Com a posterior popularização do vidro as vidraças se tornam mais comuns, resolvendo o problema da iluminação e aquecimento. Passa-se a ter uma maior preocupação com o conforto e a família e os servos passam a ter quartos de dormir mais amplos e confortáveis. Cada divisão importante é aquecida por fogões e as janelas envidraçadas ajudam a manter a temperatura e garantem uma boa luminosidade.

Quanto a mobília gótica essa de início era bem pouco numerosa. As pinturas de época nos mostram camas maciças, mas o móvel principal era arca onde se guardavam os bens, e que servia igualmente de banco, ou até mesmo de cama.

Os raros exemplares de móveis góticos que possuímos testemunham o mesmo estilo direto, o mesmo respeito pelos materiais e o mesmo amor pela ornamentação lavrada que na arquitetura e escultura. Este mobiliário é a maior parte das vezes de carvalho maciço.

Fonte: www.beatrix.pro.br

Arte Gótica

Situa-se geralmente o nascimento da Arte Gótica em Saint-Denis (séc XII). Identifica-se a arte gótica pelo cruzamento de ogivas e pelos arcos botantes.

Arte Gótica

Arte Gótica

O modo de ver e de fazer ver é reflexo de um modo de pensar. A catedral gótica é um espelho desta época que coincide com a condenação de Abelardo, com o começo das obras em Saint-Denis, com a suma teológica de Alexandre de Hales e o ensinamento público de Aristóteles. O gótico não é, portanto, somente um recurso das possibilidades arquitetônicas do cruzamento de ogivas e do arcobotante. É a busca de uma luz sempre mais abundante, de uma elevação sempre mais alta e de uma unificação do espaço pelo descolamento dos volumes. "A beleza é o resplendor da forma sobre as partes proporcionadas da matéria" (St. Tomás, de Pulchro et Bono).

Podemos distinguir os seguintes períodos na arte gótica:

1o Período – Gótico Primitivo (1140 a 1190)

"O círculo – entre todas as figuras – e o movimento circular – entre todos os movimentos – são soberanamente perfeitos porque neles se verifica o retorno aos princípios" (St. Tomas – Suma Contra Gentis, II, 46-1).

Arte Gótica

Portais quase em arco românico Preponderância de espaços cheios sobre vazios Colunas e pilastras grossas Arcobotantes curtos e grossos Divisão da fachada por pilastras.

O gótico primitivo se exemplifica por duas catedrais: St. Denis e Sens. Em Saint-Denis, o duplo deambulatório demonstra a liberdade de espaço possibilitada pelo cruzamento de ogivas. As colunas delgadas e audaciosas não serão seguidas imediatamente em outras localidades. Suger faz outra escolha importante, uma fachada harmônica seguindo o exemplo das catedrais da Normandia.

Em Sens, as escolhas arquiteturais foram menos audaciosas, a alternância de suportes fortes e fracos é conservado juntamente com o arco em 6 gomos.

As paredes permanecem espessas, entretanto as inovações são belas e bem presentes: a claridade fornecida por grandes janelas do bas-côtés é abundante.

Arte Gótica

As contribuições arquitetônicas de Sens são apreendidas mais rapidamente que as de St. Denis.

Elas são transportadas, com numerosas adaptações à Senlis, Noyon. Notre-Dame de Noyon inaugura a fórmula de elevação em 4 níveis (grande arcadas, tribunas, trifórium, janelas altas) que, sem ser exclusivo (Notre Dame de Paris possui 3 níveis), conhecerá uma grande difusão durante toda segunda metade do século XII. A partir de 1160, começam construções de catedrais cada vez mais altas – Notre Dame de Paris, Laon, etc. Em Laon o mestre-de-obras utiliza paredes recortadas, uma elevação em 4 níveis. Em Paris, a parede é simples, o trifórium foi suprimido para proveito das tribunas e de uma iluminação mais abundante.

Este segundo modelo conhecerá maior sucesso entre os mestre-de-obras.

2o Período: Gótico Radiante (1190 a 1350)

"Una e simples no seu princípio a luz divina se divide e se diversifica na medida em que as criaturas intelectuais se afastam como linhas de um centro" (St. Tomas, Summa Teologiae I,89,1)

Arte Gótica

Ogivas lanceadas

Equilíbrio entre área vazia e cheia Colunas fasciculadas com capitel Galeria dos Reis Arcobotantes longos, finos e elegantes. Em 1190, o gótico encontra um novo impulso, principalmente ao Norte de França. As duas catedrais mais marcantes deste período são Chartres e Bourges.

Arte Gótica

Figura: G.Dehio & G von Bezold, die Kirchliche Baukunst des abendlandes : historiches und systematisch dargestellt Bourges adotou uma elevação piramidal em 5 níveis, devido a utilização do duplo colateral.

1 - Arco "formeret"

Ogiva sexpartida une duas traves.

2 - Elevação da nave central

3 – Elevação do primeiro colateral, englobado pela grande arcada da nave central.

4 - Elevação do segundo colateral englobado pela grande arcada do primeiro colateral. É a combinação da elevação da nave central e dos dois colaterais que constitue uma elevação em 5 níveis.

A partir de 1231 emerge progressivamente um novo estilo que se caracteriza pela verticalidade, pilares fasciculados e edificação de paredes de vidros. A origem do gótico radiante pode ser situado em Paris. Lá ainda, a Basílica de St. Denis figura como precursora, pois suas inovações aparecem com a reforma do coro. A constituição de paredes de vidro toma toda sua amplitude na Saint-Chapelle

O gótico radiante se impõe realmente a partir de 1240. As catedrais então em construção, como Amiens, Reims ou Beauvais, mudam parcialmente suas plantas (partes altas do coro em Beauvais, fachada ocidental em Reims..) É nesta época em que a rosácea torna-se um elemento essencial da decoração, apesar de ser já muito utilizada. A multiplicação das capelas laterais permite aumentar o espaço da catedral. As adaptações do gótico variam bastante de uma região a outra.

3o Período – Gótico Flamejante (1350 a 1500)

Arte Gótica

Rosácea com chamas Cruzamentos numerosos de ogivas Ogivas Abatidas Ogivas com Cortinas Colunas cilíndricas sem capitel Preponderância da decoração sobre a arquitetura Arcobotantes enfeitados O termo "flamboyant" deve-se a forma de chamas que preenchem o interior das janelas, principalmente das rosáceas.

Arte Gótica

Multiplica-se os "gâbles" e os pináculos exteriores, enquanto no interior as ogivas tornam-se muito complexas com grande luxo. Constata-se, também, um retorno mais freqüente às elevações em dois níveis que fazem desaparecer as paredes entre as grandes arcadas e as janelas altas (Ex. Saint Germain l’Auxerrois). Mais tarde, certos elementos de arquitetura gótica são utilizados com fins essencialmente decorativos. É o caso do cruzamento de ogivas, que torna-se mais complexo até perder seu sentido.

Arte Gótica

Arte Gótica

Arte Gótica

Arte Gótica

Bibliografia

Simson, Otto Von “A Catedral Gótica”, Lisboa – Editorial Presença – 1991
Cali, François / Moulinier, Serge “L’Ordre Ogival” – Paris – B. Arthaud – 1963
Cali, François “L’Ordre Flamboyant” – Paris – B. Arthaud – 1967
Focillon, Henri “Arte do Ocidnte” – Lisboa – Editoral Estampa – 1993
Panofsky, Erwin “Arquitetura Gótica e Escolástica” – São Paulo – M. Fontes – 1991
Cosse, Jean “Initiation à l’art dês cathédrales” – Auxerre – Zodiaque – 1999
Fedeli, Orlando – “Filosofia e Escultura na Idade Média” publicado no jornal Veritas, 1992.

Fonte: www.montfort.org.br

Arte Gótica

A arte gótica surgiu na França e se espalhou rapidamente através da Europa ocidental. Ela foi um prosseguimento da arte românica e conseguiu um perfeito equilíbrio de expressão.

Neste estilo o que mais se destaca é a arquitetura; o clima religioso da época favorecia a construção de igrejas, com linhas ascendentes que terminavam em abóbadas; os vitrais tiveram também grande importância, pois com seus coloridos e a variedade dos seus mosaicos de vidro, atenuavam a luz no interior.

Entre as mais famosas igrejas góticas estão Notre Dame, na França, Wetsminster, na Inglaterra e a catedral de Colônia na Alemanha.

Arte Gótica
Igreja de Notre Dame

Arte Gótica
Mosaico da Catedral de Westminster

PINTURA

No século XIII, a arquitetura gótica tomou o lugar da românica, como o estilo de muitas igrejas européias. O estilo gótico de arquitetura caracterizava-se por grandes janelas que tomavam amplo espaço nas paredes em que, igrejas românicas, os artistas teriam pintado afrescos.

Os artistas fecharam essas janelas com vitrais de lindas cores, que narravam histórias religiosas. No norte da Europa, a pintura de afresco decaiu neste período e muitos pintores dedicavam-se então a iluminuras.

Eles ornamentavam as caras cópias manuscritas dos evangelhos e livros de oração. As cores e desenhos dos vitrais influenciaram os pintores de manuscritos góticos. Muitos destes artistas deram preferência aos azuis e vermelhos brilhantes que eram comuns nos vitrais. Dividiam suas figuras em compartimentos parecidos com os mesmos painéis dessas complexas janelas.

ESCULTURA

As primeiras esculturas góticas apareceram em Paris, França. Os escultores fizeram trabalhos formais e estilizados, os rostos das figuras são humanos e naturais.

Os túmulos esculpidos tornaram-se numerosos; a princípio, escultores só decoravam os túmulos dos reis e de grandes personalidades, com imagens destas pessoas. Mais tarde também os cavaleiros e membros inferiores da nobreza conseguiram que escultores entalhassem figuras em seus túmulos. Alguns anos mais tarde, tanto nas estátuas pequenas como nas grandes, as figuras apareceram com poses afetadas e rostos sorridentes.

Com o declínio da construção das igrejas, escultores passaram a decorar seus interiores com altares e figuras de santos. Criaram figuras religiosas e gárgulas.

Também usavam ferro para muitas finalidades decorativas como nos biombos dos coros; especialistas em metal produziram cálices e outros objetos usando filigranas, esmaltes e pedras preciosas. Artesãos esculpiram em marfim, relicários de igreja e outros objetos.

Arte Gótica
Transportando Batista

Arte Gótica

A arquitetura gótica civil e religiosa floresceu nas últimas décadas do século XVI. Suas características mais marcantes foram os arcos ogivais (forma típica das abóbadas das igrejas góticas, formadas pelo cruzamento de dois arcos iguais que se cortam superiormente) e vitrais super coloridos que filtravam a luminosidade para o interior da igreja. A rosásea foi muito utilizada nas construções das igrejas. O estilo gótico foi uma continuação do estilo românico. A principal diferença apresentou-se nas fachadas.

A arquitetura gótica possui três portais dando acesso às três naves do interior da igreja, sendo uma nave central e duas naves laterais, enquanto a românica possui um só portal na fachada.

Arte Gótica
Madonna

As catedrais góticas mais conhecidas são: Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral de Notre Dame de Chartres.

Arte Gótica
Vitrais e rosácea da Catedral de Notre Dame

Fonte: www.edukbr.com.br

Arte Gótica

Mexendo com os alicerces da arte clássica

O termo gótico foi criado pelos renascentistas para denominarem um tipo de arquitetura compreendida por eles como bárbara, uma vez que destronou a arte clássica.

Acabou sendo aplicado também para a escultura, pintura e ornamentação do período em que as obras arquitetônicas foram construídas, apesar de ser considerada, por alguns críticos, como uma denominação não precisa.

Entretanto, o termo, hoje em dia, já perdeu o sentido depreciativo que os renascentistas quiseram imprimir-lhe.

O gótico refere-se a um determinado período que se inicia com um estilo arquitetônico revolucionário, o qual durou do Século 12 ao 14 na maioria da Europa.

Em alguns lugares, continuou persistindo até o Século 16 e, isoladamente, continuou-se a praticar a arte até o Século 18.

O Romantismo deu nova vida ao Gótico

A expressão é utilizada ainda para a pintura e escultura do período, desde que possuam determinadas características, ligadas ou não à arquitetura. O Romantismo, com seu ideal de retorno ao passado, acabou por trazer de volta o estilo, em meados do Século 18.

O período em que a arquitetura gótica prevaleceu na Europa, principalmente nos países nórdicos, pode ser considerado o ponto culminante da Idade Média, com a Igreja triunfante.

É ainda a época de desenvolvimento da escolástica de S. Tomás de Aquino e do aparecimento das universidades.

O Gótico na pintura e na escultura

A simbologia da arte do período gótico, como exemplifica as esculturas acima descritas, é riquíssima em elementos que atestam a fé dos homens de então.

Além de se tornar visível na escultura, essa simbologia aparece também nos vitrais coloridos, nas pinturas e nas ilustrações de manuscritos.

E é exatamente entre as ilustrações de manuscritos, na maioria das vezes relacionados à temas bíblicos, que encontramos o melhor da pintura gótica.

Esses ornamentos costumam ser extremamente coloridos, brilhantes e cheios de símbolos. Na Biblioteca Nacional de Paris podem ser encontradas boas amostras dessas ilustrações, como "Bibles Moralisée" que são a história da bíblia com comentários de natureza moral.

Os vitrais multicoloridos também são bastante representativos da arte gótica, principalmente se levada em conta a extrema importância da luz nas igrejas.

A luz, ao entrar pelas janelas, assume as cores dos vitrais e cintila, contribuindo para a atmosfera espiritual desses lugares.

Fonte: www.pitoresco.com.br

Arte Gótica

O estilo Gótico desenvolveu-se na Europa, principalmente na França, durante a Baixa Idade Média e é identificado como a Arte das Catedrais. A partir do século XII a França conheceu transformações importantes, caracterizadas pelo desenvolvimento comercial e urbano e pela centralização política, elementos que marcam o início da crise do sistema feudal. No entanto, o movimento a arraigada cultura religiosa e o movimento cruzadista preservavam o papel da Igreja na sociedade.

Arte Gótica
Catedral de Salisbury

Enquanto a Arte Românica tem um caráter religioso tomando os mosteiros como referência, a Arte Gótica reflete o desenvolvimento das cidades. Porém deve-se entender o desenvolvimento da época ainda preso à religiosidade, que nesse período se transforma com a escolástica, contribuindo para o desenvolvimento racional das ciências, tendo Deus como elemento supremo. Dessa maneira percebe uma renovação das formas, caracterizada pela verticalidade e por maior exatidão em seus traços, porém com o objetivo de expressar a harmonia divina.

O termo Gótico foi utilizado pelos italianos renascentistas, que consideravam a Idade Média como a idade das trevas, época de bárbaros, e como para eles os godos eram o povo bárbaro mais conhecido, utilizaram a expressão gótica para designar o que até então chamava-se "Arte Francesa ".

ARQUITETURA

Arte Gótica
Catedral de Lincoln — Lincolnshire, Inglaterra

A arquitetura foi a principal expressão da Arte Gótica e propagou-se por diversas regiões da Europa, principalmente com as construções de imponentes igrejas.

Apoiava-se nos princípios de um forte simbolismo teológico, fruto do mais puro pensamento escolástico: as paredes eram a base espiritual da Igreja, os pilares representavam os santos, e os arcos e os nervos eram o caminho para Deus. Além disso, nos vitrais pintados e decorados se ensinava ao povo, por meio da mágica luminosidade de suas cores, as histórias e relatos contidos nas Sagradas Escrituras.

Do ponto de vista material, a construção gótica, de modo geral, se diferenciou pela elevação e desmaterialização das paredes, assim como pela especial distribuição da luz no espaço.

Tudo isso foi possível graças a duas das inovações arquitetônicas mais importantes desse período: o arco em ponta, responsável pela elevação vertical do edifício, e a abóbada cruzada, que veio permitir a cobertura de espaços quadrados, curvos ou irregulares. No entanto, ainda considera-se o arco de ogiva como a característica marcante deste estilo.

Arte Gótica
King’s College Exterior

Arte Gótica
King’s College-Interior

Arte Gótica

Pintura A pintura no Gótico Final é caracterizada pela forte influência da arte renascentista, mesmo com suas raízes centradas no Gótico clássico. Isso foi possível devido ao fato de que ambos os estilos coexistiram no norte da Europa durante a primeira metade do século XVI, já que a arte renascentista chegou na região cerca de 100 anos depois do surgimento do estilo na Itália.

Arte Gótica
St. George – Exterior

Arte Gótica
St.George – Interiror

Os maiores representantes da pintura no Gótico Final são Hieronymus Bosh e Matthias Grünewald.

Veja abaixo algumas de suas obras:

Arte Gótica
Jardim Dos Prazeres, de Hieronymus Bosh

Arte Gótica
Adoração De Magi, de Hieronymus Bosh

Arte Gótica
Crucificação, de Matthias Grünewald

Arte Gótica

Escultura

A escultura no período do Gótico Final consistia nas peças que integravam as construções da época, ou seja, tinham o papel de dar as catedrais os traços teológicos que o tema exigia. A figura de Cristo predominava, dando ênfase à importância de Jesus na Terra, e também demonstrava as tendências humanistas que se desenvolveriam a seguir nas esculturas e na arte em geral.

Foi também nessa época que as obras ressaltaram o papel da Virgem Maria, como sendo a intermediária entre Deus e os homens, o que pode ser constatado no tema da catedral de Notre Dame, em Paris.

Foi nesse período em que as esculturas começaram a ter maior imponência, se destacando em relação ao resto do ambiente até tornarem-se completamente independentes da arquitetura das construções em que eram inseridas, além de caminharem para o estilo realista, através das esculturas que serviam de retratos e que compunham sepulcros.

Estilos Internacionais

No final do século XIV, a fusão da arte italiana e norte-européia já resultara no desenvolvimento de uma arte gótica internacional. Destacados artistas viajaram por toda Europa. Em conseqüência, idéias foram disseminadas e combinadas, até que obras nesse estilo acabaram por surgir principalmente na França, Itália, Espanha, Inglaterra e Alemanha.

O gótico internacional guardava um sabor especialmente cortês e aristocrático, impregnado de uma preocupação flamenga pelo detalhe naturalista; e, ao contrário das diversas vertentes da primeira arte gótica, tinha caráter distinto e uniforme.

No século XV, o gótico internacional desenvolveu-se em duas vertentes, e ambas podem ser consideradas revoluções.

Uma estava no sul da Europa, em Florença, e originou a Renascença italiana. A outra estava no norte, nos Países Baixos (Bélgica e Holanda), onde a pintura passou por uma transformação autônoma, mas igualmente radical, que daria início à Renascença setentrional.

Abaixo, seguem as principais vertentes da arte gótica internacional, acompanhadas de suas principais características:

Gótico Francês

A França foi o berço do Gótico, favorecida por sua intensa atividade intelectual baseada no período anterior, o Românico.

Os suportes intelectuais do gótico proporcionaram o desenvolvimento de um novo valor aos sentidos do ser humano e a Natureza. Graças a esse fato, ocorreu a suavização da rigidez românica, proporcionando a criação de um estilo mais natural, mais humano, no qual os santos sorriam.

Assim como no Românico, a pintura ganhou destaque no gótico francês, caracterizada pela elegância e pelo dinamismo. No início, eram utilizadas cores planas, mas progressivamente as pinturas adquiriram gradações que o aproximaram do Gótico Italiano.

A arquitetura e a escultura gótica francesa apresentam uma característica marcante: o uso de fundos dourados, para aumentar o valor material e simbólico das obras, isso ocorria principalmente nas igrejas, visando a valorização das imagens santas – um fundo de ouro introduz uma luz mágica e não natural, bem como configura um espaço inexistente.

Arte Gótica
Catedral de Canterbury

Gótico Alemão

O gótico alemão se põe em paralelo com outros estilos continentais, como o do gótico francês, e alguns rasgos do gótico inglês, especialmente nos vitrais, como nas da catedral de Estrasburgo. Uma das obras mais conhecidas do gótico alemão é a Códice Manesse, realizado para 1300 por Rudiger Manesse, dedicado ao rei de Boêmia.

Uma das principais características do gótico alemão é o fato de demonstrar uma complexa simbologia religiosa ao mesmo tempo que exaltam o rei.

Arte Gótica
Catedral de Estraburgo

Gótico Espanhol

A influência dos estilos internacionais determinou a origem do Gótico espanhol.O estilo francês foi o mais influente no estilo espanhol, devido ao fato de Espanha e França passarem unidas culturalmente ao longo da Idade Média, graças às rotas de peregrinagem do Caminho de Santiago.

A influência francesa teve seu ponto álgido no século XIII. As pinturas deste século são praticamente em sua maioria quadros ou vitrais, onde destaca-se o vitral que enfeita a catedral de Leon.

As principais características da pintura espanhola são: contorno muito marcado, obras coloridas e cenas complexas. Os séculos XIV e o XV foram testemunhas da implantação de duas escolas de poderosa influência nos artistas hispanos, a centro-europea, que teve como conseqüência a pintura hispano-flamenca, e a pintura do Gótico italiano, que teve como conseqüência o gótico italianizante.

Gótico Italiano

O Gótico Italiano esteve presente nos séculos XIII e XIV.

Originou-se ao norte da península italiana: Florença, Assis, Parma, Pescia e foram as principais cidade de onde surgiu o novo estilo ,afastado do Gótico europeu. Este novo estilo baseia-se na recreação sobre artifícios de captação espacial e ordenamento geométrico, resgatados da Antigüidade clássica, que nunca foi abandonada nas cidades citadas.

A temática segue sendo religiosa em sua maioria, mas é nestes momentos que aparece uma tendência nova, que busca inspiração na vida cotidiana dos cidadãos das repúblicas mercantis italianas.

As províncias italianas mais orientais receberam a influência da arte bizantina, as obras produzidas nessas regiões são caracterizadas como feitas a "maneira greca ",tal fato é facilmente notado em Roma, Veneza e Sicilia. Aparte desta escola de influência oriental, outros focos importantes foram Siena e Florença, escolas de enorme valor. Alguns desenvolvimentos técnicos, como a introdução do óleo, ainda imperfeito, a plasmação da perspectiva em caixa, que anuncia a perspectiva geométrica, o prolongamento visual em pontos de fuga, são os precedentes imediatos da perfeição científica do período imediatamente conseqüente na Itália.

O principal artista do estilo gótico foi italiano Giotto. Giotto revolucionou a pintura ao criar a noção de tridimensionalidade. Abandonou a rigidez bizantina e dotou suas figuras de volume e sentimento, expressando assim, por meio da arte, o humanismo que são Francisco de Assis imprimiu à religião no início do século XIII.

Giotto di Bondone nasceu na localidade de Vespignano, perto de Florença, em 1266, 1267 ou 1276, e foi discípulo de Giovanni Cimabue, o maior pintor da Itália no fim do século XIII.

Entre 1306 e 1309, em Pádua , Giotto foi chamado para executar o que muitos consideram sua maior obra, a decoração da capela da Arena, de propriedade de Enrico Scrovegni. Atrás do altar, Giotto pintou o "Juízo final" e nas paredes laterais, afrescos com cenas dos Evangelhos e da vida da Virgem e a série "Vícios e virtudes".

Arte Gótica
Madona – Capela de Pádua /Itália – Giotto

Gótico Inglês

Já desde o século XI, concretamente no ano 1066, os normandos tinham-se estabelecido como dinastia dominante no trono inglês. Isto trouxe consigo a implantação dos modelos estéticos de sua terra natal, o norte francês, pelo qual o resultado final do gótico britânico tem muito que ver com o desenvolvimento do gótico em França.

Ao mesmo tempo, temos de somar a grande tradição pictórica de qualidade que se tinha desenvolvido nas ilhas durante o período anglo-saxão e celta, já que o românico inglês era muito escasso. A dinastia normanda financiou a implantação das Universidades, como centros educacionais afastados da órbita católica, mais afim às ordens do Vaticano, para poder criar um conhecimento unido à monarquia.

A mais importante neste momento foi Oxford. O grande centro artístico, no entanto, foi à corte de Londres. A pintura inglesa do gótico é quase em sua totalidade composta por quadros.

O estilo gótico inglês tem como característica o fato de apresentar imagens muito decorativas, realizadas com elegância.Outra característica da pintura inglesa é a presença de fundo, que apóia o aspecto de tapeçaria.

Arte Gótica
King´s College (Cambridge, Gran Bretaña)

Bibliografia

GOZZOLI, M.C. Como Reconhecer a Arte Gótica. São Paulo: Martins Fontes, 1986. 69p.
RIBEIRO, F. História crítica da Arte – 5 volumes. Rio de Janeiro: Fundo Cultura, 1965. 265p.
RIBEIRO, H.P. A arte gótica. Bauru: Unesp, 1969. 108p.
UPJOHN E.M., WINGERT, P.S., MAHLER, J.G. O Neoclassicismo e oRromantismo in História Mundial da Arte: do Barroco ao Romantismo. 3ª edição, Livraria Bertrand
GUINSBURG, J. O Romantismo. São Paulo: Editora Perspectiva, 1978
UPJOHN, E.M.; WINGERT, P.S.; MAHLER, J.G. História Mundial da Arte: Dos Etruscos ao Fim da Idade Média. 4.ed. São Paulo: Bertrand, 1975. 267p.

Fonte: www.willians.pro.br

Arte Gótica

A primeira das catedrais construídas em estilo gótico puro foi a de Saint-Denis, em Paris, e a partir desta, dezenas de construções com as mesmas características serão erguidas em toda a França.

Arte Gótica
Abadia de Westminster

A construção de uma Catedral passou a representar a grandeza da cidade, onde os recursos eram obtidos das mais variadas formas, normalmente fruto das contribuições dos fiéis, tanto membros da burguesia com das camadas populares; normalmente as obras duravam algumas décadas, algumas mais de século.

Arte Gótica
Catedral de Burgos , construída entre os século XIII e XV

ESCULTURA

A escultura gótica desenvolveu-se paralelamente à arquitetura das Igrejas e está presente nas fachadas, tímpanos e portais das catedrais, que foram o espaço ideal para sua realização.

Caracterizou-se por um calculado naturalismo que, mais do que as formas da realidade, procurou expressar a beleza ideal do divino; no entanto a escultura pode ser vista como um complemento à arquitetura, na medida em que a maior parte das obras foi desenvolvida separadamente e depois colocadas no interiro das Igrejas, não fazendo parte necessariamente da estrutura arquitetônica.

Arte Gótica
Porta do Sarmental, Catedral de Burgos

Arte Gótica
Pilar dos Anjos, Catedral de Estrasburgo

A princípio, as estátuas eram alongadas e não possuíam qualquer movimento, com um acentuado predomínio da verticalidade, o que praticamente as fazia desaparecer. A rejeição à frontalidade é considerado um aspecto inovador e a rotação das figuras passa a idéia de movimento, quebrando o rigorismo formal.

As figuras vão adquirindo naturalidade e dinamismo, as formas se tornam arredondadas, a expressão do rosto se acentua e aparecem as primeiras cenas de diálogo nos portais.

PINTURA

A pintura teve um papel importante na arte gótica pois pretendeu transmitir não apenas as cenas tradicionais que marcam a religião, mas a leveza e a pureza da religiosidade, com o nítido objetivo de emocionar o expectador. Caracterizada pelo naturalismo e pelo simbolismo, utilizou-se principalmente de cores claras.

"Em estreito contato com a iconografia cristã, a linguagem das cores era completamente definida: o azul, por exemplo, era a cor da Virgem Maria, e o marrom, a de São João Batista. A manifestação da idéia de um espaço sagrado e atemporal, alheio à vida mundana, foi conseguida com a substituição da luz por fundos dourados. Essas técnicas e conceitos foram aplicados tanto na pintura mural quanto no retábulo e na iluminação de livros".

Arte Gótica
A Anunciação — Gentile de Fabriano, Pinacoteca do Vaticano

Arte Gótica
Cenas da Vida Urbana, Igreja Abacial de Murbach, França

Fonte: www.historianet.com.br

Arte Gótica

Gótico, primeiramente, é relativo aos godos, uma confederação de tribos germânicas que invadiu o império romano durante o século III d.C. e foram os primeiros povos germânicos a se converterem ao cristianismo. A primeira distorção do adjetivo data da renascença.

Os italianos achavam que a arte clássica, que admiravam e procuravam reviver, fora corrompida na idade média pelos cristãos. Assim sendo, fizeram dos godos seu bode-espiatório e taxaram pejorativamente toda arte medieval (cristã) de gótica, ampliando assim o sentido da palavra.

Durante os séculos em que foi moderna, a arte gótica era conhecida sob o nome de "opus modernum" ou "opus francigenum", o que significa obra moderna ou francesa e indica bem a sua principal origem.

Entretanto nos séculos XV e XVI com a Renascença e o entusiasmo pela antigüidade clássica, passou-se a considerar a Idade Média como uma época bárbara e obscura. Como os godos eram os bárbaros mais conhecidos, o estilo passou a se chamar gótico, ou seja, bárbaro por excelência, alcançando um sentido pejorativo e de profundo desprezo.

O Gótico não é apenas uma opção de estética e sim uma mistura entre surrealismo, romantismo e estilo medieval. A arte gótica era muito conhecida pela arquitetura arrojada, o que permitia aos seus construtores erigirem castelos e fortalezas mais fortes e resistentes de que os de outras civilizações da época.

Arquitetura Gótica

Introdução

Arte Gótica
Catedral de Chartres

Arte Gótica
Catedral de Koelne

Arte Gótica
Catedral de Burgos

A arquitetura gótica, em termos de estética, qualidade, estrutura e acabamento, é considerada uma das mais belas e fascinantes de todo o mundo.

O estilo gótico é identificado como o período das grandes catedrais. De fato, com suas construções começaram a ser definidos os princípios fundamentais desse estilo. O gótico teve início na França, novo centro de poder depois da queda do Sacro Império, emmeados do século XII, e terminou aproximadamente no século XIV, embora em alguns países do resto da Europa, como a Alemanha, se entendesse até bem depois de iniciado o século XV.

O gótico era uma arte imbuída da volta do refinamento e da civilização na Europa e o fim do bárbaro obscurantismo medieval. A palavra gótico, que faz referência aos godos ou povos bárbaros do norte, foi escolhida pelos italianos do renascimento para descrever essas descomunais construções que, na sua opinião, escapavam aos critérios bem proporcionados da arquitetura.

Foi nas universidades, sob o severo postulado da escolástica – Deus Como Unidade Suprema e Matemática -, que se estabeleceram as bases dessa arte eminentemente teológica. A verticalidade das formas, a pureza das linhas e o recato da ornamentação na arquitetura foram transportados também para a pintura e a escultura. O gótico implicava uma renovação das formas e técnicas de toda a arte com o objetivo de expressar a harmonia divina.

A arquitetura gótica se apoiava nos princípios de um forte simbolismo teológico, fruto do mais puro pensamento escolástico: as paredes eram a base espiritual da Igreja, os pilares representavam os santos, e os arcos e os nervos eram o caminho para Deus. Além disso, nos vitrais pintados e decorados se ensinava ao povo, por meio da mágica luminosidade de suas cores, as histórias e relatos contidos nas Sagradas Escrituras.

Contexto Histórico

O século X encontra a Europa em crise. O poder real, enfraquecido, foi substituído pelo feudalismo. Invasões ameaçam a França. Desprotegidos, o povo se organiza em torno dos castelos feudais, únicas – e precárias – fortalezas.

A tensão popular conttribui para que se espalhe a crença propagada pela Igreja de que se aproxima o juízo final: o mundo vai acabar no ano 1000.

A arte românica, expressão estética do feudalismo, reflete o medo do povo. Esculturas anunciam o apocalipse, pinturas murais apavorantes retratam o pânico que invade não só a França mas toda a Europa Ocidental. Chega o ano 1000 e o mundo não acaba.

Alguma coisa precisa acontecer.

Em 1905, surgem as primeira Cruzadas. O feudalismo ainda permanece, mas tudo indica que não poderá resistir por muito tempo. Novos pensadores fazem-se ouvir, propagando suas idéias. Fundam-se as primeiras Universidades. Subitamente, a literatura cresce em importância. Muitos europeus, até então confinados vida nas aldeias, passam a ter uma visão mais ampla do mundo. Profunda mudança social está a caminho.

Pressentindo a queda do feudalismo, a arte antecipa-se aos acontecimentos e cria novo estilo, que irá conviver durante certo tempo com o românico, mas atendendo às novas necessidades. Verdadeiro trabalho de futuristas da época, o estilo gótico surge pela primeira vez em 1127, na arquitetura da basílica de Saint-Denis, construída na região de Ile-de-France, hoje Paris.

As Catedrais Góticas

A primeira diferença que notamos entre a igreja gótica e a românica é a fachada. Enquanto, de modo geral, a igreja românica apresenta um único portal, a igreja gótica tem três portais que dão acesso à três naves do interior da igreja a nave central e as duas naves laterais.

A arquitetura expressa a grandiosidade, a crença na existência de um Deus que vive num plano superior; tudo se volta para o alto, projetando-se na direção do céu, como se vê nas pontas agulhadas das torres de algumas igrejas góticas.

A rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do estilo gótico e está presente em quase todas as igrejas construídas entre os séculos XII e XIV.

Outros elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos góticos ou ogivais e os vitrais coloridíssimos que filtram a luminosidade para o interior da igreja.

As catedrais góticas mais conhecidas são Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral de Notre Dame de Chartres.

Chartres

Uma das primeiras catedrais góticas da França

Fins do século XII. Graças ao apoio da burguesia e da classe trabalhadora, os reis conseguem retomar sua autoridade. Enfraquecido, o poder feudal vai aos poucos desaparecendo. A população passa a ter maior influência na vida pública nacional, da qual tinha sido até então mera espectadora. Eufóricos diante da própria importância, os habitantes de cada região sentem a necessidade de demonstrar sua emancipação.

A catedral será o símbolo de sua vitória. Aí se realizarão não apenas os atos religiosos, mas as atividades comunitárias de todo o grupo: será a casa do povo.

Não mais cheia de esculturas e desenhos tenebrosos, mas alta, imponente, iluminada. Que suas torres pontiagudas tentem atingir as nuvens. Livre do medo do fim do mundo, o povo é animado por novo sopro de fé. As paredes de seus templos devem deixar entrar a luz do sol em múltiplas cores que lembrem a presença divina

Da necessidade de construir catedrais que correspondessem à euforia e ao misticismo do povo, surgiu a arquitetura gótica. As primeiras foram construídas na França, ao redor de onde se encontra hoje a cidade de Paris; foi essa uma das primeiras regiões a eliminar o feudalismo.

Nobreza, clero e massa popular competiam em generosidade mística.

O objetivo era um só: colaborar para a construção das dispendiosas catedrais. Com a autoridade monárquica cada vez mais assegurada, as antigas zonas feudais foram-se transformando e surgiram as primeiras cidades: Noyon, Laon, Sens, Amiens, Reims, Beauvais, onde se encontram as catedrais góticas mais belas do mundo.

Arte Gótica

A Catedral de Notre Dame

Arte Gótica
Catedral de Notre Dame

Arte Gótica
Catedral de Notre Dame

Dentre todas as obras arquitetônicas góticas, destaca-se a Catedral de Notre-Dame ("Nossa Senhora") em Paris, na França, iniciada em 1163. É muito mais compacta e unificada, com o duplo deambulatório de coro prosseguindo diretamente para as naves laterais, e o transepto baixo e largo mal excedendo a largura da fachada.

Como preparação para ao que encontraremos em seu interior, podemos notar também o sistema de construção de abóbadas: cada intercolúnio (excetuando-se o cruzeiro e o abside) ao longo do eixo central tem uma forma oblonga, dividida por um sistema de nervuras transversais, cada compartimento é, então, não apenas subdividido pela interseção de duas nervuras, sendo que extremidade de cada uma delas corresponde a uma coluna no assoalho da nave central. Isto é conhecido como abóbada sexpartida. Ao eliminar a parte do arco de plenavolta que mais responde a força da gravidade, as duas metades de um arco agudo se entrelaçam; desse modo, o arco de plenavolta exerce menos pressão externa do que o arco agudo e, dependendo do ângulo em que as duas sessões se cruzem, pode-se fazer tão íngreme quanto desejar.

As potencialidades dos avanços de engenharia que se desenvolveram a partir dessa descoberta, já são evidentes em Notre-Dame: as grandes janelas do clerestório, a leveza e elegância das formas que refletem o desenho das nervuras das abóbadas são responsáveis pelo efeito de "ausência de gravidade" que, em geral, associamos aos interiores góticos. As paredes aqui não têm adornos, o que faz parecer mais delgadas.

Arte Gótica
Janela da Catedral de Notre Dame

Na Catedral de Notre-Dame, os contrafortes não são visíveis do interior. A planta mostra-os como maciços blocos de alvenaria que se projetam do edifício como uma fileira de dentes. Do exterior podemos ver que acima no nível das subdivisões das naves laterais cada um desses contrafortes transformando-se em um arco diagonalmente assentado, que sobe para encontrar o ponto crítico entre as janelas do clerestório, onde se concentra a impulsão externa da arqueação da nave central. Esses arcos, chamados de arcobotantes, continuarão sendo um dos traços característicos da arquitetura gótica.

O aspecto mais monumental do exterior da Catedral de Notre-Dame é a fachada oeste. Com exceção das esculturas, que foram restauradas, ela conserva seu aspecto original. Arcadas rentilhadas, imensos portais e janelas diluem a continuidade da superfície das paredes, transformando o conjunto em uma imensa tessitura em que se intercalam as aberturas cuja função é também ornamental.

Comparando a fachada oeste com o portão um pouco posterior do transepto sul, podemos ter uma idéia de quão rapidamente essa tendência difundiu-se durante a primeira metade do século XII: na fase da chamada, a rosácea (como são chamadas as janelas circulares das igrejas góticas).

Arte Gótica
Os Gárgulas, esculturas do lado externo da Catedral de Notre Dame.

Características das Construções Góticas

A construção gótica, de modo geral, se diferenciou pela elevação e desmaterialização das paredes, assim como pela especial distribuição da luz no espaço.

Tudo isso foi possível graças a duas das inovações arquitetônicas mais importantes desse período: o arco em ponta, responsável pela elevação vertical do edifício, e a abóbada cruzada, que veio permitir a cobertura de espaços quadrados, curvos ou irregulares.

Divisão da abóbada gótica. Os arcos ogivais (arcos cruzados em diagonal) distribuem o peso da abóbada, tornanda com isso mais leve.

Os arcos de meia circunferência usados nas abóbadas das igrejas românicas faziam com que todo o peso da construção fosse descarregado sobre as paredes.

Isso obrigava a um apoio lateral resistente: pilares maciços, paredes mais espessas, poucas aberturas para fora. O espaço para as janelas era bem reduzido e o interior da igreja escurecia. O espírito do povo pedia luz e grandiosidade.

O arco em meia circunferência foi substituído por arcos ogivais ou arcos cruzados. Isso dividiu o peso da abóbada central, fazendo com que ele se descarregasse sobre vários pontos, simultaneamente, podendo ser usado material mais leve, tanto para a abóbada como para as bases de sustentação. Em lugar dos sólidos pilares, esbeltas colunetas passaram a receber o peso da abóbada.

O restante do peso foi distribuído por pilares externos. Estes, por sua vez, remetem o peso aos contrafortes – torres pontiagudas e muito trabalhadas, que substituem as maciças pilastras românicas, com a mesma função. As torres dão mais altura e majestade à catedral.

As paredes, perdendo sua importância como base de sustentação, passam a ser feitas com um dos materiais mais frágeis de que se dispunha: o vidro.

Surge a desejada luminosidade. Grandes e feéricos vitrais coloridos ilustram em desenhos cenas da vida cristã. A magia dos vitrais góticos, que filtram a luz do sol, enche a igreja de uma claridade mística que lembra a presença divina.

Arte Gótica

O sistema de suportes constituídos de pilares cantonados e fasciculados, pequenas colunas cilíndricas e nervos, junto com os arcobotantes, tornou a parede mais leve, até seu quase total desaparecimento. As janelas ogivais e as rosetas acentuaram ainda mais a transparência da construção. A intenção era criar no visitante a impressão de um espaço que se alçava infinitamente até o ceu.

Escultura Gótica

Arte Gótica

Arte Gótica

Arte Gótica

De modo geral a escultura do período gótico estava associada à arquitetura. Nos tímpanos dos portais, nos umbrais ou no interior das grandes igrejas, os trabalhos de escultura enriqueceram artisticamente as construções e documentaram na pedra, os aspectos da vida humana.

Arte Gótica

Arte Gótica

Arte Gótica

Os portais da fachada de Saint-Denis e os admiráveis portais principais da Catedral de Chartres trata-se, provavelmente, dos mais antigos e completos exemplos da escultura gótica. A simetria e a clareza substituíram os movimentos frenéticos e as multidões; as figuras não são mais emaranhadas entre si, mas eretas e independentes, de modo que se visualiza muito melhor o conjunto a grande distância. É particularmente admirável o tratamento dado às ombreiras da porta, onde se alinham os de alinham figuras esguias adossadas a colunas. Em vez de serem tratadas essencialmente como relevos esculpidos na cantaria, ou projetando-se a partir dela, são na verdade estátuas, cada qual com seu próprio eixo; pelo menos em teoria, poderiam ser destacadas das colunas que lhes servem de suporte.

As suas cabeças já possuem uma suavidade humana que evidencia a busca por uma maior realismo.

Na Alemanha a arte gótica como a conhecemos até o presente, reflete um desejo de conferir aos temas tradicionais do cristianismo, um apelo emocional cada vez mais intenso, mas destinada a devoções particulares.

A escultura gótica italiana, assim como a arquitetura, ocupa um lugar a parte em toda a Europa. Iniciou-se provavelmente no extremo sul, na Apúlia e na Sicília, que tinham preferências que favoreciam ao estilo clássico.

Pintura Gótica

Arte Gótica
A Flagelação de Cristo, Jaime Huguet

Arte Gótica
Madona e Santos, Duccio di Buoninsegna

Arte Gótica
São Francisco pregando para os pássaros, Giotto

Arte Gótica

Introdução

A pintura gótica desenvolveu-se nos séculos XII, XIV e no início do século XV, quando começou a ganhar novas características que prenunciam o Renascimento. Sua principal particularidade foi a procura o realismo na representação dos seres que compunham as obras pintadas, quase sempre tratando de temas religiosos, apresentava personagens de corpos pouco volumosos, cobertos por muita roupa, com o olhar voltado para cima, em direção ao plano celeste.

Os principais artistas na pintura gótica são os verdadeiros precursores da pintura do Renascimento.

Giotto é um dos maiores e melhores representantes desse estilo, a principal característica do seu trabalho foi a identificação da figura dos santos com seres humanos de aparência bem comum. E esses santos com ar de homem comum eram o ser mais importante das cenas que pintava, ocupando sempre posição de destaque na pintura. Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo, que vai cada vez mais se firmando até ganhar plenitude no Renascimento.

Suas maiores obras são os Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os Pastores.

O pintor Jan Van Eyck procurava registrar nas suas pinturas os aspectos da vida urbana e da sociedade de sua época. Nota-se em suas pinturas um cuidado com a perspectiva, procurando mostrar os detalhes e as paisagens.

Suas maiores obras são: O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do Chanceler Rolin.

Iluminura

Iluminura é a ilustração sobre o pergaminho de livros manuscritos (a gravura não fora ainda inventada, ou então é um privilégio da quase mítica China).

O desenvolvimento de tal genero está ligado à difusão dos livros ilustrados patrimônio quase exclusivo dos mosteiros: no clima de fervor cultural que caracteriza a arte gótica, os manuscritos também eram encomendados por particulares, aristocratas e burgueses. É precisamente por esta razão que os grandes livros litúrgicos (a Bíblia e os Evangelhos) eram ilustrados pelos iluministas góticos em formatos manejáveis.

Durante o século XII e até o século XV, a arte ganhou forma de expressão também nos objetos preciosos e nos ricos manuscritos ilustrados. Os copistas dedicavam-se à transcrição dos textos sobre as páginas. Ao realizar essa tarefa, deixavam espaços para que os artistas fizessem as ilustrações, os cabeçalhos, os títulos ou as letras maiúsculas com que se iniciava um texto.

Da observação dos manuscritos ilustrados podemos tirar duas conclusões: a primeira é a compreensão do caráter individualista que a arte da ilustração ganhava, pois destinava-se aos poucos possuidores das obras copiadas, a segunda é que os artistas ilustradores do período gótico tornaram-se tão habilidosos na representação do espaço tridimensional e na compreensão analítica de uma cena, que seus trabalhos acabaram influenciando outros pintores.

Vitrais

O efeito milagroso dos vitrais, que foram usados em quantidades cada vez maiores à medida que a nova arquitetura começava a comportar mais janelas, de dimensão cada vez maiores. No entanto, a técnica do vitral já havia sido aperfeiçoada no período românico, e os estilo dos desenhos demorou a mudar, embora a quantidade de vitrais exigida pelas novas catedrais fizesse com que as iluminuras deixassem de ser a forma principal de pintura.

Criar uma figura verdadeiramente monumental com as técnicas dos escultores, em si é algo como um milagre: os primitivos métodos medievais de manufatura de vidros não permitiam a produção de grandes vidraças, de modo que essas obras não de pintavam sobre vidro, mas sim "pintura com vidro", com exceção dos traços em preto ou marrom que delineavam os contornos das figuras.

Sendo mais trabalhosa que a técnica dos mosaicistas bizantinos, a dos mestres-vidreiros envolvia a junção, por meio das tiras de vidro, dos fragmentos de formas variadas que acompanhavam os contornos de seus desenhos. Sendo bastante adequado quando ao desenho ornamental abstrato, o vitral tende a resistir a qualquer tentativa de se obter efeitos tridimensionais.

O uso do arcobotante e dos contrafortes tornou possível o emprego de grandes aberturas preenchidas com belíssimos vitrais.

A função dos vitrais não se reduz à de mero complemento decorativo da igreja gótica. O vitral – parede translúcida – adquire caráter estrutural ao contribuir decisivamente para a configuração de um determinado sentido da arquitetura; mais exatamente do espaço interior.

Após 1250, houve um declínio da atividade arquitetônica, o que reduziu as encomendas de vitrais. Nessa época, entretanto, a iluminura adaptara-se ao novo estilo, cujas origens remontavam às obras em pedra e vidro.

Giotto

Pai da pintura ocidental

Giotto di Bondone, 1267-1337.

O revolucionário tratamento que dava à forma e o modo que representava realisticamente o espaço "arquitetônico" (de maneira que as dimensões das figuras eram proporcionais às das construções e paisagens circundantes) assinalaram um grande passo adiante na história da pintura.

A opinião generalizada é que a pintura gótica chegou a seu ápice com Giotto, o qual veio a ordenar, abarcar e revigorar tão esplendidamente tudo que se fizera antes.Pela primeira vez temos na pintura européia o que o historiador Michael Levey denomina "uma grande personalidade criativa". No entanto, a verdadeira era das personalidades criativas foi a Renascença, e não sem motivo que os estudiosos desse período começam sempre por Giotto.

Um gigante, ele encompassa as duas épocas, sendo homem de seu tempo e, simultaneamente, estando à frente dele.As datas, porém coloca-nos firmemente no período gótico, com sua ambiência de graça espiritual e um deleite primaveril no frescor das cores e na beleza do mundo visível.

A realização das artistas góticos foi representar solidez da forma, ao passo que pintores anteriores mostravam um mudo essencialmente linear, carente de volume e pobre de substância (a despeito de seu vigor espiritual).

Para Giotto, o mundo real era a base de tudo. O pintor tinha verdadeira intuição da forma natural, criando uma maravilhosa solidez escultórica e uma humanidade sem afetações, características que mudaram os rumos da arte.

A Capela degli Scrovegni, em Pádua, Itália, está adornada com a maior das obras de Giotto que chegaram até nós, um ciclo de afrescos pintado por volta de 1305 para mostrar cenas da vida da Virgem e da Paixão.Os afrescos dão volta s paredes da capela.

Outros artistas sobressaíram na pintura gótica, sendo eles: Simone Martini (discípulo de Duccio), os irmãos Lorenzetti Pietro e Ambrogio (identificaram com Giotto).

Fonte: br.geocities.com

Arte Gótica

Crescente secularização do cristianismo medieval. Concepção cristã mais humanizada, menos tremendista e intimidante. A existência humana perde muito da rudeza precedente. Após a reforma cisterciense, há um novo sentimento religioso, promovido por granciscanos e dominicos.

Diminuição do poder monacal e feudal, desenvolvimento das cidades e, portanto, da vida cívica; vida cidadã, mercantil e burguesa; eficiente organização gremial, aprefeiçoamento e assombrosa destreza nos ofícios. Mas também sentimento cavalheiresco. Culto a Maria. Culto ao feminino. Visão direta da natureza. porém, ao mesmo tempo, idealidade.

O momunmento gótico por antonomasia é a catedral, obra do esforço comum, cívica; de concepção diametralmente oposta ao significado do mosteiro romântico.

Localização Manisfestações artísticas
Cronologia Área Geográfica Arquitetura Escultura Pintura Artes Decorativas
S. XII- XV Europa Ascatedrais são a
contrução gótica por
excelência. Neste
período, a utilização de
novos elementos – arco
campanulado, abóbada
obival, arcobotantes,
pináculos, grandes
vitrais – convertem-se
em construção
elevadas e diáfanas que
se tornam símbolos
e elementos
representativos das
cidades medievais
européias.
As figuras
representadas,
que continuam
pertencendo à
iconografia cristã,
vão adquirindo um
certo naturalismo
e uma maior
estilização, embora
dentro dos limites
que marcam os
espaços
arquitetônicos aos
quais vão destinadas.
São muito frequentes
os temas marianos.
Policromia das
esculturas.
Desenvolvimento
da pintura
sobre madeira
para a decoração
de retábulos.
Auge dos vitrais, que
cobrirão os amplos
vãos das igrejas e
criarão espaços
coloridos no seu
interior.
Ourivesaria, tapetes,
vestes litúrgicas,
miniaturas (grande
difusão dos
Livros de Horas).
  França

Catedrais de Notre
Dame, Chartres,
Reims, Amiens.
Pórtico da Catedral
de Notre Dame de
Paris.
   
  Espanha

Catedrais de Léon,
Burgos, Toledo.
     
  Itália

Catedral de Siena. Andrea Pisano
realiza as portas do
batistério de
Florença (Firenze).
Pintores: Giotto e
Cimabue; Duccio
e Simone Martini.
 
  Flandes     Primitivos
Flamencos:
Van Eyck,
Van der Weyden.

Nova técnica de
pintura a óleo.
 

Fonte: www.conhecimentogerais.com.br

Arte Gótica

Período da arte de estilo gótico estendeu-se por 400 anos (de mais ou menos 1.100 até 1.500). A origem do termo gótico nada tem a ver diretamente com os godos, a antiga nação germânica que invadiu o Império Romano no século 5. Todavia é de supor-se que gótico de alguma lembra algo como "bárbaro", isto é, um estilo do tempo dos bárbaros, quando os godos atropelavam a civilização romana.

Originou-se de uma denominação utilizada pelos refinados artistas renascentistas para designar genericamente um estilo artístico que achavam de mau gosto, exótico, carregado de apelos decorativos e pelo exagero da altura das suas torres. O gótico, igualmente como o romântico, caracterizou-se predominantemente por ser um estilo grandioso de construções religiosas, foi a arte por excelência das magníficas catedrais européias.

A multiplicação delas por toda a Europa Ocidental deveu-se ao prestígio universal da Igreja Católica e da religião cristã, e resultou da competição entre as cidades lentamente enriquecidas pela Revolução Comercial, transformação econômica que deu seus primeiros passos ao redor dos séculos 11 e 12 (na região do Flandres, ao redor do rio Reno e do rio Sena) tendo como conseqüência a ressurreição da vida urbana. Cada cidade da Europa Ocidental tratou então de erguer uma catedral cuja torre fosse a mais alta possível, não somente para melhor atrair o olhar protetor de Deus, como para celebrar a excelência das suas corporações de ofícios em competição com as outras das demais cidades vizinhas.

O gótico, originalmente, foi um estilo marcadamente francês. Do território da França atravessou o Reno penetrando na Alemanha onde, por igual, encontraremos belos exemplos dele.

Todavia bem menos influenciou a arquitetura italiana que ainda mantinha seu apego ao antigo estilo clássico(a exceção foi a arquitetura lombarda, mais sujeita por razões geográficas às influencias transalpinas, como se verificou na construção da catedral de Milão).

A Divisão da arte gótica: expressa-se, sobretudo, na arquitetura, a qual determina as demais artes; sendo que a pintura e a escultura (como no período romântico) são apenas complementos decorativos.

A divisão do estilo gótico dá-se em quatro períodos:

A Catedral de Chartres

I Período: século XII (1100-1200)

Chamado período de transição ou gótico primitivo. Ainda pouco elevado, o arco ogival ou quebrado é usado juntamente com o arco romântico. Ensaia-se o verticalismo procurando romper-se, ainda que com hesitação, com o horizontalismo do estilo românico. As fachadas das igrejas e das catedrais passam a ser enriquecidas com esculturas decorativas.

II Período: século XIII (1200-1300)

Chamado gótico lanceolado. O arco ogival torna-se bastante elevado, sendo formado por um triângulo agudo. Acentua-se o verticalismo com o aperfeiçoamento e o uso constante da divisão da abóbada. Generaliza-se o uso do vitral (o cinema do crente daquela época) e as fachadas assumem maior decorativismo e suntuosidade. É a época da construção das grandes catedrais que surgem por toda a Europa, tais como a Notre Damme de Paris, a Catedral de Chartres e a Catedral de Milão.

III Período: século XIV (1300-1400)

Chama-se gótico irradiante. O arco ogival perde a sua agudeza e passa a ser formado por um triângulo eqüilátero. Suas nervuras decorativas constituem-se de elementos circulares. Atenua-se ligeiramente o verticalismo. As fachadas continuam recebendo suntuosa decoração.

IV Período: século XV (1400-1500)

Chama-se gótico flamejante ou "flamboyant". O Arco ogival é agora formado por um triângulo obtuso, tornando-se ainda menos agudo, tendendo ao horizontalismo. As nervuras decorativas no interior dos arcos, das janelas, e portais, pela posição das curvas e contracurvas, surgem labaredas. Atenua-se acentuadamente o verticalismo. Fachadas profusamente decoradas.

Características gerais do estilo gótico

O Parlamento britânico (estilo neogótico) 1 Verticalismo. 2 Arco quebrado ou ogival. 3 Abóbada de arcos cruzados. 4 O vitral.

Pintura gótica: A pintura da Europa Medieval sofreu influência direta da pintura bizantina, sendo integralmente religiosa. Caracterizou-se pelo geometrismo, pelo estatismo e pelo abandono da perspectiva e da proporção, tão comuns à arte clássica antiga. As figuras eram apresentadas em rígida posição hierárquica, retrato vivo de uma época que pretendia se eternizar. A imagem do papa ou do imperador do Santo Império sempre era apresentada numa escala bem maior do que o restante dos integrantes da cúria ou da corte.

Havia uma enorme gama de artistas, todos anônimos, especializados em vitrais e retábulos assim como na pintura de murais. Todos estavam subordinados à orientação dos mestres-construtores, tais como os famosos Jean Le Loup, Jean D´Orbais, Robert de Luzarches ou Pierre Montereau. É característica de uma época que ignorava as singularidades da individualidade que muitos artistas permaneceram desconhecidos, visto que o período medieval foi uma época de apogeu do corporativismo, fazendo com que os autores não assinasse suas obras. Assim, pouco sabemos deles.

Lentamente, no período que alguns chamam de pré-renascimento, entre os século 13 e 15, os artistas libertam-se das corporações de ofício, passando a atender encomendas particulares, então alguns nomes tornaram-se conhecidos, com o do francês Jean Fouquet, ou dos italianos Cimabue e Giotto di Bondone, Masaccio, Bernardo Daddi e Buffalmaco, que ficaram conhecidos como os mais famosos pintores do gótico tardio (se bem que muitos historiadores negam-se a classificá-los assim, preferindo a denominação de pré-renascentistas já mencionada acima).

Cada um deles tratou logo de formar a sua própria oficina (hoje denominamos de atelier), atraindo para trabalhar com eles uma leva de jovens aprendizes, muitos, por sua vez, tornando-se mais tarde mestres-artistas.

Coube ao Renascimento, com sua revalorização do estilo clássico greco-romano, terminar por sepultar o Gótico de uma vez por todas. Houve ainda, em pleno século 19, por força do gosto romântico, em meio à expansão da industrialização, um pequeno surto de construções no estilo gótico na Grã-Bretanha, chamado de neogótico ou de Gótico Vitoriano, ocasião em que se projetou e construiu o prédio do Parlamento inglês, situado à beira do rio Tamisa.

Durante muito tempo, particularmente na época do Iluminismo, identificou-se o gótico como um estilo que lembrava uma época histórica dominada pelo fanatismo religioso e pela superstição, cenário tão bem retratado por Victor Hugo (na novela "Nossa Senhora de Paris").

Com o passar dos tempos, especialmente em época mais recente, houve uma revalorização do gótico, uma admiração pela sua concepção grandiosa da arquitetura e pelo seu esforço decorativo, aparecendo ao homem contemporâneo como um estilo-testemunho, uma marca impressionante da história da cultura ocidental.

Fonte: educaterra.terra.com.br

Arte Gótica

Arte Gótica
Madona e Santos, Duccio di Buoninsegna

Arte Gótica
São Francisco pregando para os pássaros, Giotto

Esta arte desenvolveu-se entre os séculos XII e XIV na França e espalhou-se pela Europa durante a Baixa Idade Média. Nesta fase, teve início uma economia fundamentada no comércio, que deslocou o centro da vida social do campo para a cidade, aumentando a população nessas regiões. Isso exigiu construções de lugares maiores para receber o grande número de pessoas nas igrejas que, no estilo românico, eram muito pequenas.

A arquitetura das catedrais apresenta três portais de acesso às três naves do seu interior (central e laterais) com verticalidade e exatidão nos traços que expressam harmonia divina.

Propagou-se pela Europa apoiada em forte simbolismo teológico: as paredes representam à base espiritual; os pilares, os santos; e os arcos e nervos, o caminho para Deus. Vitrais decorados ensinam, por meio da luz de suas variadas cores refletidas para o interior da igreja, histórias e relatos contidos nas Sagradas Escrituras. Arcos em ponta (responsáveis pela elevação vertical do edifício) e abóbadas cruzadas (cobertura de espaços quadrados, curvos ou irregulares) diferenciam a arquitetura gótica pela elevação das paredes e pela distribuição da luz.

A escultura está presente nas altas fachadas e portais das catedrais, com um naturalismo que expressa a beleza ideal do divino e facilita o reconhecimento da personagem representada.

A pintura também teve um papel importante na transmissão não apenas de cenas bíblicas, mas da leveza e pureza da religiosidade que emocionam o espectador.

Caracterizada pelo naturalismo e simbolismo, utilizou-se de cores claras, onde: azul representa a Virgem Maria, marrom, São João Batista, e assim por diante; o fundo dourado passa a idéia de um espaço sagrado e atemporal, alheio à vida mundana. ,

PRINCIPAIS ARTISTAS:

Jan Van Eyck

Giotto

Simone Martini

Fonte: www.acrilex.com.br

Arte Gótica

A escultura gótica

Arte Gótica
Detalhe da Porta do Perdão, da Catedral de Burgos, Espanha

A representação das imagens religiosas começa a se humanizar. Seus rostos expressam algumas emoções. As figuras não são mais rígidas. Nas figuras escultóricas, a busca do ideal da beleza está sempre presente. As esculturas fazem parte da arquitetura, formando com esta um só conjunto. As mãos, as cabeças inclinadas para o lado e as pregas das vestimentas proporcionam a sensação de movimento.

A arquitetura gótica

Arte Gótica

A catedral de Notre-Dame, de Chartres, é um exemplo da arquitetura gótica religiosa.

O gótico é a arte das cidades. Representa o auge econômico e uma nova idéia de Deus e do mundo. Há um gótico religioso e um gótico civil. A construção mais representativa desse estilo são as catedrais, com arcos em ogiva e decoração no interior e exterior. De grande altura, eram iluminadas por vitrais e rosáceas coloridas.

Isso nos sugere duas idéias: a altura aproxima o homem do céu e a luminosidade é a presença de Deus. Já não era apenas a Igreja que podia pagar os artistas, mas também a nobreza e os comerciantes ricos.

Fonte: www.klickescolas.com.br

Arte Gótica

Arte Gótica
Catedral de Chartres

Desde Filipe Augusto (1165-1223) a monarquia francesa tinha um objetivo: enfraquecer os senhores feudais, donos de territórios e exércitos frequentemente maiores que os do próprio rei.

Assim, quando os servos da gleba (trabalhadores ligados à terra, que dependiam exclusivamente do seu senhor), pressionados por pesadas obrigações impostas pela nobreza feudal, começaram a fugir para as cidades, a monarquia protegeu-os.

Cada homem que escapava era um soldado e um trabalhador a menos nas fileiras do senhor. Enfraquecer os nobres era um forma de fortalecer o rei, e o rei queria centralizar o poder.

Em 1287, Filipe IV, o Belo, deu um passo decisivo nesse sentido: regulamentou o direito dos burgueses (os habitantes do burgo, a cidade medieval), garantindo-lhes o apoio e a simpatia reais.

A meta do fugitivos do campo era modesta: trabalhar nos burgos a troco de um salário.

Aos poucos foram-se reunindo em pequenas associações, sob as ordens de um mestre, e depois, fortalecidos, organizaram-se em corporações profissionais que guardavam os segredos de cada ofício.

A população das cidades cresceu tanto que a Igreja teve de se adaptar aos novos tempos. Opiniões se levantaram contra a reclusão dos monges nos mosteiros, sustentando a necessidade de os religiosos catequizarem na agitação da cidade.

A universidade de Sorbonne, fundada em 1257, tornou-se o posto avançado das novas idéias religiosas.

Foi nesse novo mundo, as cidades, e sob o patrocínio da Igreja, que surgiram as primeiras manifestações da arte gótica: as catedrais.

Corporações de artesãos eram contratadas pelo bispados para erguer esse imponentes edifícios de pedra, que se constituíram no próprio símbolo da cidade.

A Igreja foi, de fato, o maior cliente dos artistas e artesãos da época. Arquitetura, escultura, pintura e demais manifestações do período gótico (séculos XII a XIV) são obras anônimas, fruto das corporações de profissionais. Mesmo quando uma abra é atribuída a um mestre, em geral ele não a fez sozinho.

O estilo gótico não se limitou à França nem se manteve inalterado ao longo dos dois séculos de existência. Foi adotado por outros países, como a Alemanha, a Inglaterra e a Espanha, onde sofreu algumas variações.

Nenhuma, porém, alterou sua característica principal: a verticalidade, presente nas catedrais e nas figuras alongadas dos vitrais, tapeçarias, estatuária e pintura.

De modo geral, pode-se dizer que quase todas as manifestações da arte gótica são complementares à arquitetura. A escultura tinha uma função decorativa, dentro e fora das construções.

Sobre os pórticos e ao seu redor, nas arquivoltas, em todos os cantos das paredes laterais, desfilam Cristos e Virgens, santos e profetas, narrando episódio da história sacra. São figuras esguias, um pouco rígidas em sua postura, mas a fisionomia tenta exprimir emoções.

À medida que se avança no período gótico, observa-se que as figuras ganham cada vez mais movimento e que existe uma preocupação em aproximá-las de modelos da realidade.

Uma das mais importantes manifestações do período gótico são as iluminuras, pinturas de dimensões reduzidas, feitas em aquarela ou têmpera, destinadas a ilustrar manuscritos. As cenas são religiosas ou representam aspectos da vida cotidiana. Já os temas dos afrescos

Fonte: www.portaldarte.com.br

Arte Gótica

O gótico designa uma fase da história da arte ocidental, identificável por características muito próprias de contexto social, político e religioso em conjugação com valores estéticos e filosóficos e que surge como resposta à austeridade do estilo românico.

Arte Gótica
Gárgula (neogótica) da Catedral de Notre-Dame em Paris.

Este movimento cultural e artístico desenvolve-se durante a Idade Média, no contexto do Renascimento do Século XII e prolonga-se até ao advento do Renascimento Italiano em Florença, quando a inspiração clássica quebra a linguagem artística até então difundida.

Os primeiros passos são dados a meados do século XII em França no campo da arquitetura (mais especificamente na construção de catedrais) e, acabando por abranger outras disciplinas estéticas, estende-se pela Europa até ao início do século XVI, já não apresentando então uma uniformidade geográfica.

A arquitetura, em comunhão com a religião, vai formar o eixo de maior relevo deste movimento e vai cunhar profundamente todo o desenvolvimento estético.

O termo

Quando a nova estética se expande além das fronteiras francesas, a sua origem vai ser a base para a sua designação, art français, francigenum opus (trabalho francês) ou opus modernum (trabalho moderno). Mas vai ser só quando o Renascimento toma o lugar da linguagem anterior que os novos valores vão entrar em conflito com os ideais góticos e o termo atual nasce. Na Itália do século XVI , e sob a fascinação pela glória e cânones da antiguidade clássica, o termo gótico vai ser referido pela primeira vez por Giorgio Vasari, considerado o fundador da história da arte.

Aos olhos deste autor e dos seus contemporâneos, a arte da Idade Média, especialmente no campo da arquitetura, é o oposto da perfeição, é o obscuro e o negativo, relacionando-a neste ponto com os Godos, povo que semeou a destruição na Roma antiga em 410. Vasari cria assim o termo gótico com fortes conotações pejorativas, designando um estilo somente digno de bárbaros e vândalos, mas que nada tem a ver com os antigos povos germânicos (visigodos e ostrogodos).

Somente alguns séculos mais tarde, durante o romantismo nas primeiras décadas do século XIX, vai ser valorizada a filosofia estética do gótico. A arte volta-se novamente para o passado, mas agora para o período misterioso e desconhecido da Idade Média. Goethe, também fascinado pela imponência das grandes catedrais góticas na Alemanha, vai acabar por ajudar ao impulso desta redescoberta da originalidade do período gótico, exprimindo as emoções que lhe são despertas ao admirar os gigantes edifícios de pedra.

Neste momento nasce o neogótico que define e expande o gosto pela utilização de elementos decorativos góticos e que reconhece pela primeira vez as diferenças artísticas que separam o estilo românico do gótico.

Contexto e primeiros passos

Os séculos XI e XII são séculos de mudanças sociais, políticas e económicas que em muito vão fazer despoletar as necessidades de uma expressão artística mais adequada às novas premissas sociais.

O comércio está em expansão e a Flandres, como centro das grandes transações comerciais, leva ao desenvolvimento das comunicações e rotas entre os diversos povos e reduz as distâncias entre si, facilitando não só o comércio de bens físicos, como também a troca de ideais estéticos entre os países. A economia prospera e nasce um novo mundo cosmopolita que se alimenta do turbilhão das cidades em crescimento e participa de um movimento intelectual em ascensão.

Paralelamente assiste-se ao crescimento do poder político representado pelo monarca e à solidificação do Estado unificado, poderosa entidade que vai aspirar a algo que lhe devolva a dignidade e a glória de outros tempos e que ajude a nação a apoiar a imagem do soberano .

A igreja, por seu lado, vai compreender que os fiéis se concentram nas cidades e vai deixar de estar tão ligada à comunidade monástica, virando-se agora para o projeto do que será o local por excelência do culto religioso, a catedral. Ao contrário da construção humilde e empírica do românico, a construção religiosa gótica abre portas a um espaço público de ensinamento da história bíblica, de grandiosidade, símbolo da glória de Deus e da igreja, símbolo do poder económico da burguesia, do estado e de todos os que financiaram a elevação do emblema citadino.

A Filosofia da Luz e a Abadia de Saint-Denis

Arte Gótica
O colorido e a exaltação da luz na rosácea de Sainte-Chapelle, Paris.

O nascimento do estilo, mais que o seu desaparecimento, pode ser definido cronologicamente com clareza, nomeadamente no momento da reconstrução da abadia real de Saint-Denis sob orientação do abade Suger entre 1137 e 1144.

Esta abadia beneditina situada nas proximidades de Paris, em França, vai ser o veículo utilizado à comunicação dos novos valores simbólicos: por um lado a dignificação da monarquia, por outro a glorificação da religião. Este empreendimento tem por objetivo apresentar o maior centro patriótico e espiritual de toda a França, ofuscando todas as outras igrejas de peregrinação, trazendo para si mais crentes e restabelecer a confiança entre a igreja e o seu rebanho.

Para materializar esta ideia várias fontes e influências terrenas vão ter de ser, no entanto, bem contabilizadas e fundidas. A cabeceira (zona este da igreja) vai ser emprestada das já existentes igrejas de peregrinação, com ábside, deambulatório e capelas radiantes, assim como a utilização do arco quebrado de influência normanda. A técnica construtiva dá também neste momento um avanço significativo contribuindo com a abóbada de nervuras (sobre cruzaria de ogivas) e que vai permitir uma maior dinâmica e flexibilidade de construção. O impulso destas abóbadas vai ser recebido por contrafortes no exterior do edifício, libertando o espaço interior e dotando-o de uma leveza extraordinária.

Mas mais que uma junção de elementos, o estilo gótico é afirmação de uma nova filosofia. A estrutura apresenta algo novo, uma harmonia e proporção inovadoras resultado de relações matemáticas, de ordens claras impregnadas de simbolismo. Suger, que é fortemente influenciado pela teologia de Pseudo-Dionísio, o Areopagita, aspira uma representação material da Jerusalém Celeste. A luz é a comunicação do divino, o sobrenatural, é o veículo real para a comunhão com o sagrado, através dela o homem comum pode admirar a glória de Deus e melhor aperceber-se da sua mortalidade e inferioridade. Fisicamente a luz vai ter um papel de importância crucial no interior da catedral, vai-se difundir através dos grandes vitrais numa áurea de misticismo e a sua carga simbólica vai ser reforçada pela acentuação do verticalismo. As paredes, agora libertas da sua função de apoio, expandem em altura e permitem a metamorfose do interior num espaço gracioso e etéreo.

O espaço é acessível ao homem comum, atrai-o de uma maneira palpável, que ele é capaz de assimilar e compreender, o templo torna-se o ponto de contato com o divino, um livro de pedra iconográfico que ilustra e ensina os valores religiosos e que vai, a partir deste momento, continuar o aperfeiçoamento da mesma.

Expansão, ramificação e uniformização

O núcleo central do estilo resume-se inicialmente à zona da Île-de-France, que abarca a zona de Paris e arredores, mas estende-se eventualmente a todo o território francês e transborda mesmo para lá das fronteiras ramificando-se pela Europa ocidental, principalmente a norte dos Alpes. A expansão do movimento alastra com o tempo para Inglaterra, Alemanha, Itália, Polónia e até à Península Ibérica, embora aqui com menos impacto. Seguindo as rotas comerciais o estilo é exportado e vai permanecer por algum tempo como uma estética de carácter estrangeiro e adaptado. Já no decorrer do século XIII impõem-se as influências regionais e o estilo assume, dentro de um mesmo eixo condutor, diversas facetas demarcadas pelas diferentes culturas e tradições europeias. Mas a corrente artística não vai permanecer imutável e, do mesmo modo que se ramifica, vai acabar por se influenciar mutuamente e formar um conjunto uniforme e homogéneo por volta de 1400, denominado Gótico internacional. A meados do século XV a área de domínio gótica começa a reduzir e está praticamente extinta um século depois quando o Proto-Renascimento lança as primeiras ideias.

Em geral verifica-se que, em termos de permanência temporal, o movimento artístico difere profundamente de local para local, podendo-se, no entanto, definir aproximadamente as diferentes fases que o compoem.

Gótico primitivo, ou Proto-gótico

Assumem-se as ideias base e dão-se os primeiros passos com a reconstrução da Abadia de Saint-Denis.

Gótico pleno, ou Gótico clássico

Aperfeiçoam-se as inovadoras técnicas de construção e entra-se na fase do domínio construtivo arquitetônico com o tempo das grandes catedrais

Gótico tardio

A expressão artística torna-se menos ambiciosa, fruto da crise económica e da Peste negra do século XIV a par com uma religião mais terrena e mundana praticada pelas ordens mendicantes.

Variantes decorativas

Gótico lanceolado

De 1200 a 1300.

Gótico radiante

Irradiante ou rayonnant (século XIV de 1300 a 1400, uso de linhas radiais na traceria)

Gótico perpendicular

Inglaterra, século XIV, uso de linhas perpendiculares

Gótico flamejante ou flamboyant (França, século XV de 1400 a 1500).

Momento definido pela exuberância da decoração escultórica nos edifícios arquitetônicos. A própria designação do momento (flamejante, que deriva de chama) traduz a essência do novo gosto por uma ornamentação fluída e ondulante que cobre toda a superície arquitetônica como uma teia.

Arte Gótica
Vista da Catedral de Colónia, Alemanha

Neste momento não existem, no entanto, evoluções estruturais.

Arte Gótica

Expressões

Arquitetura

Características gerais

Verticalismo dos edifícios substitui o horizontalismo do Românico

Paredes mais leves e finas

Contrafortes em menor número

Janelas predominantes

Torres ornadas por rosáceas

Utilização do arco de volta quebrada

Consolidação dos arcos feita por abóbadas de arcos cruzados ou de ogivas

Nas torres (principalmente nas torres sineiras) os telhados são em forma de pirâmide.

A catedral

Arte Gótica
Interior da Catedral de Colónia em Colónia, Alemanha.

A arquitetura gótica não é um momento de ruptura drástica com os ideais anteriores, mas antes uma assimilação de alguns elementos independentes de diferentes fontes, metamorfoseada com o novo conceito de interpretação da arte religiosa. Os primeiros indícios surgem na Normandia do século XI com a era de construção monástica incentivada pela Ordem de Cluny.

Mas já neste momento se aglomeram diversas influências posteriores que vão ser cruciais à tipologia da catedral gótica: as arquivoltas e a abóbada de arestas de origem lombarda e franca; a planta basilical modificada composta por três naves, transepto e três ábsides de influência carolíngia.

Fato decisivo para a originalidade construtiva é o avanço técnico nas mãos das corporações de construtores, grupos formados pelos antigos mestres anónimos ao serviço das construções monásticas, que se movem livremente de obra para obra e impulsionam a técnica do arcobotante, elemento que vai suportar a impulsão da abóbada no exterior da catedral e vai libertar as paredes do esforço, tornando-as mais esbeltas e transmitindo uma ilusão de leveza no interior pela acentuação de verticalidade.

Várias componentes adicionais, como as duas torres ocidentais, o sistema interior de divisão vertical em três áreas (arcada, trifório e clerestório – zona dos grandes vitrais), as colunas esguias, os arcos quebrados, a profusão de pináculos e diversos elementos decorativos vão formar uma tipologia maleável de grandes dimensões, que não obedece a um padrão pré-definido de número de partes e que varia de caso a caso (ver a título de exemplo a Catedral de Notre-Dame em Paris). A decoração interna e externa dos edifícios é bastante complexa e também um dos fatores mais importantes.

A geometrização vai dominar e consequentemente encontra-se uma multiplicidade de elementos compostos por círculos e arcos nos lavores de pedra (traceria) em remates de vitrais, arcos e gabletes. Estes ornamentos estão principalmente ligados à estilização de flora, identificando-se também referências ao universo humano e animal.

Elementos arquitetônicos

Interior

arcada, abóbada de nervuras, arco quebrado, clerestório, coluna, rosácea, trifório, vitral

Exterior

Arcobotante, arquivolta, cogulho, contraforte, gablete, gárgula, florão, jamba, pináculo, portal, tímpano, torre, traceria

Áreas da catedral

Ábside, capelas radiantes ou ábsides secundárias, coro, cruzeiro, deambulatório ou charola, nave, narthex, transepto

Arquitetura secular

O estilo gótico é, para a sociedade da época, extremamente contagiante e persuasivo, ultrapassando por isso as barreiras da arquitetura religiosa e transpondo-se para outras tipologias. Ao invés do românico estas características construtivas encontram-se, embora em menores dimensões e exuberância, em moradias da burguesia, câmaras municipais, hospitais e outras construções citadinas (reduzidas, no entanto, a elementos de índole decorativa).

Escultura

Arte Gótica
Cracóvia

Já na Abadia de Saint-Denis se observa uma maior importância dada à escultura que no românico, sendo que se vai afirmar pela primeira vez como elemento independente à arquitetura e com objetivos próprios na Catedral de Chartres. De qualquer modo a escultura estará ainda estritamente ligada à catedral mas, em oposição ao “amontoado” do românico, demonstra agora consciência do seu próprio espaço e ocupa-o de modo ordenado e claro.

Especialmente no portal de entrada para o templo se encontram as maiores produções escultóricas que proliferam nas ombreiras (jamba), arquivoltas e tímpanos.

As estátuas nas ombreiras libertam-se progressivamente das colunas e da sua forma irreal e alongada ganhando volume e vida.

A humanização das posturas e gestos é reforçada pela utilização de um eixo próprio para a figura, eixo este que se vai ondulando com o tempo e emprega à figura uma acentuada formação em S.

Toda uma nova naturalidade vai determinar a composição e envolvência física: os pés passam a estar numa plataforma horizontal e não mais num plano inclinado; as roupagens e todo o volume corporal cedem à gravidade; aumenta a atenção ao pormenor transportado do quotidiano; e acima de tudo domina uma atitude elegante, uma expressão realista, serena e profundamente terna que estabelece comunicação pelo olhar, pelo sorriso e pelo gesto.

A meados do século XIII esta estética elegante difunde-se, mas no início do século XIV a busca de efeitos de luz/sombra através do contraste entre volumes cunha as figuras de uma maior abstração.

Arte Gótica
Esculturas do portal da Catedral de Magdeburgo, As Três Virgens.

Arte Gótica

Pintura

Arte Gótica
Fresco de Giotto, A Lamentação, c. 1305, Itália.

A pintura gótica, uma das expressões da arte gótica, não assume um papel de destaque logo desde o início do desenvolvimento do estilo. Apareceu apenas em 1200 ou quase 50 anos depois do início da arquitetura e escultura góticas. Só mais tarde, entre 1300 e 1350, a pintura tem o seu apogeu como expressão independente da arquitetura. A transição do Românico para Gótico é bastante imprecisa e não uma quebra definida, mas pode-se perceber o início de um estilo mais sombrio e emotivo que o do período anterior. Esta transição ocorre primeiro em Inglaterra e França, cerca de 1200, na Alemanha, cerca de 1220 e na Itália, cerca de 1300 e 1400.

Vitral

De início a pintura surge como elemento de auxílio à estruturação da catedral numa das expressões de maior peso simbólico, o vitral. Este método, de unir pedaços de vidro colorido através de chumbo, foi o que melhor se adaptou à necessidade narrativa do interior da catedral gótica. Desenvolvendo-se bruscamente com as inovações técnicas de distribuição de peso das abóbadas, que permitiam a criação de grandes lances de entrada de luz, esta evolução desafia os mestres-vidreiros obrigando-os a um projeto metodicamente planeado, distanciando-se progressivamente da influência românica e assumindo um estilo pictórico próprio a partir de 1200 e com apogeu até 1250.

No entanto a formulação pictórica vai permanecer associada à escultura no sentido em que as figuras são como estátuas projetadas numa superfície plana. O vitral assume um forte carácter abstrato sem efeito tridimensional, profundamente geométrico onde os únicos pormenores permitidos são as delineações a negro dos olhos, cabelos e pregas das roupas.

Iluminura

Arte Gótica
Iluminura da Bíblia Morgan, c. 1240, Expulsão dos Israelitas de Ai.

Após o apogeu do vitral a iluminura de manuscritos volta a assumir o papel principal na representação pictórica que vinha já desde o românico, mas no seu repertório formal passam-se a encontrar referências à arquitetura que até aqui eram muito limitadas. Por um lado as figuras estão integradas num ambiente arquitetônico de fundo onde são evidentes os traços do gótico, por outro lado as figuras exibem um tratamento volumétrico com as mesmas expressões graciosas e posições sinuosas da decoração escultórica da catedral. Mas mesmo neste enquadramento arquitetônico a profundidade e a perspectiva são ainda muito básicos, em grande parte pela contribuição dos contornos a negro das figuras que fazem lembrar as uniões num vitral e que as remetem para um plano bidimensional. Esta adopção dos elementos do gótico dever-se-à em grande parte à transposição da produção da iluminura dos mosteiros para as oficinas dos centros urbanos onde o gótico habita. Na última metade do século XIV a influência dos mestres italianos no norte europeu é forte e a iluminura ganha uma estrutura espacial mais harmoniosa.

Drôleries

Estas drôleries designam um tipo próprio de manuscrito ilustrado típico do gótico setentrional e que acaba por se alastrar a outras regiões. Nesta tipologia as composições adquirem uma liberdade quase ilimitada reunindo o humor grotesco com o fantástico e cenas do quotidiano analisadas ao mais ínfimo detalhe.

Mestres italianos

A Itália representa uma região com características muito próprias do estilo gótico. A influência bizantina, também denominada por maniera greca, de pintura afresco e sobre madeira, vai estar enraizada até aos finais do século XIII quando a pintura gótica se começa a desenvolver. Neste momento a pintura apresenta uma escala monumental e majestosa, uma forte dramatização dos personagens inseridos em planos de pouca profundidade e perspectiva distorcida. Os temas religiosos dominam e os tons dourados e vermelhos vão ajudar à associação de importância e santidade das personagens bíblicas.

Neste campo Giotto é o expoente da audácia e originalidade estabelecendo pela primeira vez uma relação física entre a pintura e o espectador.

Gótico português

Arquitetura

Em Portugal, o estilo gótico aparece no último quartel do século XII, com as obras do Mosteiro de Alcobaça (começado em 1178 e habitado a partir de 1222).

O Mosteiro, fundado pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, para a Ordem Cisterciense, é a primeira obra totalmente gótica de Portugal. Entretanto, a dissolução do estilo românico pelo gótico ocorreu lentamente, havendo muitas igrejas portuguesas de estilo de transição românico-gótico datando do século XIII e até do século XIV.

A expansão da arquitetura gótica em Portugal deveu muito às ordens religiosas mendicantes (franciscanos, dominicanos, carmelitas, agostinhos), que construíram vários mosteiros em cidades portuguesas nos séculos XIII e XIV. Importantes exemplos são as igrejas franciscanas e dominicanas de Santarém e Guimarães, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra (hoje em ruínas), Mosteiro de São Francisco do Porto, Igreja do Convento do Carmo em Lisboa (hoje em ruínas e usado como museu arqueológico) e muitas outras.

Também as ordens medievais militares contribuíram para a expansão do gótico, por exemplo com Igreja de São João de Alporão de Santarém e o Mosteiro de Leça do Bailio (pertencente aos Cavaleiros Hospitalários), e com a Igreja de Santa Maria dos Olivais de Tomar (fundada pelos Cavaleiros Templários). Algumas catedrais portuguesas também foram construídas em estilo gótico, como a Sé de Évora (séc XIII-XIV), a Sé de Silves (séc XIV-XV) e a Sé da Guarda (finais séc XIV-XVI).

Um marco na arquitetura gótica portuguesa é o Mosteiro da Batalha, construído a mando do rei D. João I para comemorar a vitória na Batalha de Aljubarrota contra os castelhanos. A obra do mosteiro, começada em 1388 e que seguiu até o século XVI, introduziu o gótico internacional flamejante em Portugal, distanciando-se da estética mendicante. Esse mosteiro influenciaria muitas obras de Portugal do século XV, como a Igreja da Graça de Santarém, a capela do Castelo de Leiria, a Sé da Guarda, o Convento da Nossa Senhora da Conceição de Beja, entre outros.

O dissolução do gótico pelo estilo renascentista ocorreu lentamente, sendo o estilo intermediário chamado manuelino devido a que coincidiu com o reinado do rei D. Manuel I (1495-1521). O manuelino mistura formas arquitetônicas do gótico final com a decoração gótica e renascentista, criando um estilo tipicamente português.

A partir do Mosteiro de Jesus de Setúbal, considerado a primeira obra manuelina, o estilo se espalha por Portugal e atinge o ápice com a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos, ambos em Belém (Lisboa), a Igreja do Convento de Cristo de Tomar, as Capelas Imperfeitas e Claustro Real do Mosteiro da Batalha, além de muitos outros monumentos.

Além da arquitetura religiosa, muitos castelos foram construídos e/ou reformados em estilo gótico em Portugal, como os Castelos de Leiria, Estremoz, Beja, Bragança e Santa Maria da Feira.

Arte Gótica
Mosteiro da Batalha (séc XIV-XV).

Outras artes

Na escultura destacam-se os túmulos de D. Pedro I e de Inês de Castro, no Mosteiro de Alcobaça (séc XIV), os túmulos reais do Mosteiro da Batalha (séc XV), os túmulos da Sé de Lisboa, e das Sés de Braga e Évora (sécs XIV-XV) e muitos outros. Na pintura destaca-se Nuno Gonçalves e os Painéis de São Vicente (cerca de 1470), atribuídos a ele e hoje no Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa.

O gótico e os descobrimentos

Durante o século XV e início do século XVI, os estilos gótico e manuelino foram levados pelos portugueses a seus domínios d’além mar, particularmente as ilhas atlânticas dos Açores e Madeira. Por exemplo,a Igreja Matriz de Vila Franca do Campo (Ilha de S. Miguel, Açores) e a Sé do Funchal (capital da Ilha da Madeira), que foi contruída entre 1493 e 1514, é uma típica igreja gótica-manuelina. No Brasil, por outro lado, não há construções góticas ou manuelinas, devido a que a colonização do território começou a partir de 1530, quando o estilo renascentista já era o estilo usado em Portugal.

Neogótico

Dentro do espírito revivalista do Romantismo surge o gosto pela recriação de elementos da arte medieval, especialmente do gótico. Particularmente em Inglaterra esta nova corrente tem grande adesão, iniciando já em finais do século XVII com a aplicação de ornamentação ao estilo gótico em algumas construções novas.

A partir de meados do século seguinte, e já não se assumindo somente como uma alternativa ao Rococó, este gosto é encarado com mais seriedade ficando também conhecido como victorian gothic (gótico victoriano).

Mas também a França assume uma posição representativa no Neogótico, liderada pela figura de Viollet-le-Duc e pelo seu trabalho na área do restauro em diversas catedrais francesas góticas. Não só assumiu um papel pedagógico no ensinamento das técnicas de aplicação deste gosto em construções modernas, como também compilou na Encyclopédie médiévale as diversas variantes formais do estilo, desde a arquitetura à indumentária da época.

Com mais ou menos intensidade o fascínio por esta época passada manteve-se até aos nossos dias um pouco por todo o mundo ocidental entrando pelo século XX adentro nas diversas vertentes artísticas ecléticas.

Arte Gótica
Vista da Abadia de Westminster em Inglaterra.
As torres são neogóticas (séc XVIII).

Fonte: pt.wikipedia.org

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Livros de Pedra

Os templos católicos de estilo gótico construídos na Idade Média revelam toda a magia dos ocultistas e sociedades secretas da época.

Os sinais cabalísticos estão por toda a parte: nas altas colunas de mármore, nos capitéis, nos arcos, nos altares. Eles contam a história da construção das catedrais góticas – símbolos da religiosidade católica mas também dos mais profundos mistérios da magia que imperava na Idade Média.

Estão ali rastros dos druidas (sacerdotes celtas que reverenciavam as florestas como divindades), visíveis na arquitetura que lembra um bosque petrificado. Estão também nas rosáceas – um dos mais importantes símbolos da ordem dos cavaleiros templários e dos maçons – desenhadas nos vitrais. Estão ali ainda os signos do zodíaco – prova de que a astrologia era admitida pelos papas da igreja da época.

Enfim, Notre Dame, Chartres, Amien, Colônia e Duomo de Milão podem ser vistas como gigantescos livros de pedra, cuja leitura exige não só uma boa dose de conhecimento esotérico mas a capacidade de ver além da realidade.

Até a adoção do estilo gótico – que surgiu no início do milênio, no norte da França, e rapidamente se espalhou pela Itália, Alemanha, Inglaterra, Espanha e Áustria – os templos católicos eram erguidos segundo os princípios românicos: escuros como cavernas. Todo o seu peso se apoiava em suas largas paredes. Já as catedrais góticas são claras, exuberantes e sua sustentação está nas abóbadas. O gótico representa a verticalização da fé e convida a uma união com a divindade. Seus elementos seriam o fogo e o ar, que evocam a purificação iniciática e a elevação espiritual. Eles estão expressos em vitrais, torres e nas rosáceas vermelhas, cujas formas lembram labaredas.

Rosáceas

A intenção dos arquitetos ao pintar as rosáceas era fazer com que a luminosidade criasse a sensação de um fogo iniciático, durante as vésperas e na hora mariana ( horários canônicos correspondentes a 6 e 18 horas). Consideradas pantáculos ( espécies de talismã ) do cristianismo, as rosáceas são a principal fonte de entrada de luz no interior das catedrais góticas . Geralmente , há duas delas nas laterais e uma sobre a entrada principal – para os ocultistas, esta última rosácea é a fronteira entre o sagrado e o profano.

Na verdade, as rosáceas funcionam como um mapa das tradições que são transmitidas há séculos aos iniciados. "Uma das chaves para sua interpretação são as suas cores, as mesmas do arco-íris – um símbolo da aliança de Deus com o homem, no fim do dilúvio", diz o pesquisador Leo Reisler.

Também os alquimistas dão grande importância a esse elemento da arquitetura gótica. Até o final da Idade Média, a rosácea central era chamada de A Roda, que na alquimia significa o tempo necessário para o fogo agir sobre a matéria, transmutando-a. Essa visão é reforçada pelo esquema de incidência de luz sobre elas. A rosácea da lateral esquerda, por exemplo, nunca é iluminada pelo sol. É a cor negra, a matéria em seu estado bruto, a morte. Já a da direita, irradia, ao sol do meio-dia, uma luminosidade branca – a cor das vestes do iniciado que acaba de abandonar as trevas. Finalmente, a rosácea central, ao receber a luz do pôr-do-sol, parece incendiar-se, e banha o templo com um tom rubro, sinônimo da perfeição absoluta, da predominância do espírito sobre a matéria.

Localização

De acordo com mapeamento feito pelo pensador católico Bernard Clairveaux, fundador da Ordem Cisterciense, de monges beneditinos, as catedrais góticas ficam próximas de antigos menires ( pedras sagradas ), consideradas como centros de energia do mundo. Também a estrutura das catedrais góticas não parecem resultado de simples cálculos arquitetônicos. De acordo com Fulcanelli, o grande alquimista que nos anos vinte escreveu O Mistério das Catedrais, o plano dessas igrejas tem a forma de uma cruz latina estendida no solo.

Na alquimia, essa cruz é símbolo do crisol, ou seja, do ponto em que a matéria perde suas características iniciais para se transmutar em outra completamente diferente. Nesse caso, a igreja teria então o objetivo iniciático de fazer com que o homem comum, ao penetrar em seus mistérios, renascesse para uma nova forma de existência, mais espiritualizada. Ainda segundo Fulcanelli, essa intenção é reforçada pelo fato de a entrada desses templos estar sempre voltada para o Ocidente.

Caminhamento

Assim, ao se caminhar na direção do santuário, volta-se obrigatoriamente para o Oriente, o lugar onde nasce o sol, ou seja, sai-se das trevas e ruma-se para a Luz, em direção ao berço das grandes tradições espirituais. Esse convite à iniciação está presente até mesmo no piso, em que costuma haver a representação de um labirinto. Chamados de Labirintos de Salomão (rei bíblico, símbolo da sabedoria) eles costumam se localizar num ponto em que a nave (o espaço que vai da entrada do templo ao santuário) e os transeptos ( os braços da cruz ) se unem. Seu sentido alquímico é o mesmo do mito grego de Teseu, o herói que entra num labirinto a fim de combater o Minotauro. Após vencer o monstro – metade homem, metade touro – consegue voltar, graças ao fio que sua esposa Ariadne (aranha) lhe dera.

Filosoficamente, os labirintos são os caminhos que o homem percorre em sua vida: cedo ou tarde ele entrará em contato com seu monstro interior, isto é, seus defeitos de caráter. Quem consegue combater e vencer as próprias imperfeições (o Minotauro) e possuem o fio de Ariadne (símbolo do conhecimento iniciático) conseguem efetivamente ver a verdadeira Luz. Em Amiens, norte da França, essa alegoria torna-se clara, graças à existência de uma grande lage na qual se esculpiu um sol em ouro bem no centro do labirinto. Já em Chartres, havia antigamente uma pintura que mostrava todo o mito de Teseu.

Autoria

Talvez o mais intrigante de todos os mistérios que envolvem a construção das catedrais é que nenhuma delas possui um autor, alguém que assine o projeto. Até hoje, o único tipo de identificação encontrado são marcas gravadas nas pedras. Essas marcas representam geralmente instrumentos de trabalho estilizados, como martelos e compassos, e era um tipo de registro profissional, que o mestre-de-obras usava para controlar o trabalho de cada um de seus obreiros.

Todo artesão possuía uma marca própria, que passava de pai para filho, de mestre para discípulo. Em função de guerras, pestes e outros flagelos, muitas vezes as obras das igrejas ficavam temporariamente interrompidas, e os trabalhadores viajavam, oferecendo seus serviços em outras cidades e países. Ganharam, assim, o nome de franc-maçons, ou pedreiros livres, cuja associações acabaram resultando na Maçonaria. Mas esta, embora detenha antigos conhecimentos esotéricos, se consolidou como ordem iniciática apenas em 1792.

Busca

Se a busca dos idealizadores do gótico ainda permanece um enigma, o estudo da origem da expressão ‘arte gótica‘ apenas reforça a idéia de que sua inspiração é totalmente mística. Estudos etimológicos remetem às palavras gregas goés-goéts, de bruxo, bruxaria, que sugere a idéia de uma arte mágica.

O alquimista Fulcanelli prefere associar ‘arte gótica‘ a argot, que significa idioma particular, oculto, uma espécie de cabala falada, cujo os praticantes seriam os argotiers (argóticos), descendentes dos argonautas. No mito grego de Jasão, eles dirigiam o navio Argos, viajando em busca do Tosão de Ouro. Jasão teria sido um grande mestre, que iniciava seus discípulos nos mistérios egípcios, inclusive na geometria sagrada, que é uma das chaves da arquitetura gótica. Prova dessa herança egípcia está no fato de os construtores góticos disporem os símbolos que aparecem nos entalhes, nas estátuas, nos medalhões e vitrais de maneira que obedeçam sempre a uma seqüência que torna inevitável a associação de uns com os outros. Trata-se de um recurso egípcio de memorização que permite a apreensão de um grande número de informações, pois somos, sem perceber, levados a relacionar cada coisa ao local onde ela se encontra. Talvez seja esse o motivo pelo qual muitas vezes o zodíaco está representado dentro das catedrais fora de sua ordem convencional.

Longe de ser aleatório, esse desmembramento está relacionado ao sentido mais esotérico de cada signo, como se vê a seguir:

Áries

Geralmente sua figura é a de um carneiro, que simboliza o início do caminho na busca da elevação espiritual.

Touro

Representado pelo próprio Touro, às vezes está associado ao evangelista Lucas; às vezes a Cristo. Simboliza a vida na matéria.

Gêmeos

Sua representação usual é de duas figuras humanas abraçadas, que expressam a capacidade de elevar espiritualmente o próximo por meio da transmissão de conhecimentos. Em Chartres, este signo aparece junto a uma das portas e mostra dois cavaleiros atrás de um grande escudo.

Câncer

Na forma de um caranguejo ou de um lagostim, costuma estar próximo da pia batismal, junto da imagem do arcanjo Gabriel. Com certeza, trata-se de uma influência da Cabala, que associa a Lua, regente de Câncer, a Gabriel, o emissário do nascimentos. A intenção é mostrar que, por meio do batismo (ritual iniciático), o homem pode se religar às esferas espirituais das quais se origina.

Leão

Com a mesma representação de hoje, é emblema do evangelista Marcos, a quem emprestaria seus atributos de persistência e força de vontade na busca da espiritualização.

Virgem

Algumas vezes aparece como uma jovem segurando uma espiga de milho. Mas pode também estar representado por uma estátua da própria Virgem Maria, com uma estrela na cabeça. É um dos signos mais ricos de significados nas igrejas góticas, uma vez que a maioria delas foi dedicada justamente à mãe de Cristo. Em Amiens, por exemplo, ela se encontra em duas árvores. Na iconografia cristã, uma delas representaria a árvore pela qual a humanidade caiu – numa referência ao mito de Eva e da serpente tentadora enroscada numa árvore – , enquanto a outra remete à cruz de Cristo, pela qual a humanidade foi redimida.

Libra

Quase sempre aparece como uma mulher segurando uma balança desproporcionalmente grande, no interior da qual há uma pessoa envolta num halo de luz. Seria um lembrete para o homem de que ele também faz parte do divino.

Escorpião

Sua imagem pode ser traduzida por uma águia (símbolo de elevação espiritual) e representa o evangelista João. Ou, então, aparece como um escorpião mesmo, já com um sentido de regressão espiritual. Só que, como não havia escorpiões na Europa, muitas das suas representações têm pouquíssimo a ver com a realidade. Em ambas as formas, o signo está localizado aonde a luz do sol chega por último.

Sagitário

Este signo costuma ser representado por um centauro prestes a disparar a sua flecha. Na catedral de Amiens, porém, ele aparece na forma de um sátiro. Mas ambos traduzem a luta que o homem precisa travar para vencer sua natureza material, a fim de ascender a planos mais elevados.

Capricórnio

Meio cabra, meio peixe, este signo indica as posições que o homem tem de enfrentarem busca de espiritualização.

Aquário

Representado por um homem segurando um livro ou um pergaminho, foi adotado como emblema do próprio cristianismo e do evangelho de Mateus.

Esotericamente, seria o ar cósmico, que permeia todas as formas de vida.

Peixes

Rico em significados esotéricos, aparece normalmente como dois peixes unidos por um cordão, nadando em direção opostas. O cordão seria o fio de prata que une o espírito e a alma durante a vida, mas que se rompe na morte. Um dos peixes corresponde, portanto, ao espírito, que permanece acima do plano físico, enquanto o outro, a alma, seria um intermediário direto com a matéria. Uma curiosidade do cristianismo medieval é que, com exceção do peixe, a maioria dos outros animais eram considerados funestos, embora fosse comum encontrá-los nas catedrais góticas. Dessa fauna maldita faziam parte o dragão e o grifo, figura mitológica meio leão, meio pássaro (invólucros do demônio), o cavalo (usado pelas forças das trevas), o bode (luxúria), a loba (avareza), o tigre (arrogância), o escorpião (traição), o leão (violência), o corvo (malícia), a raposa (heresia), a aranha (o diabo), os sapos (pecados) e até a avestruz (impureza).

Baphomet

A figura mais temida da fauna que povoava o imaginário medieval era o Bafomé, que aparece com destaque na porta de todas as igrejas góticas. Metade homem, metade bode, por muito tempo foi confundido com o demônio cristão.

Mas seu sentido é bem outro, como explica o teólogo Victor Franco: "O Bafomé é um símbolo templário que expressa a necessidade humana de transcender seus instintos básicos, a fim de ascender espiritualmente e cumprir seu papel evolutivo. Ser parte de Deus, até se confundir com Ele, é o sentido da verdadeira humanização. E este era o ensinamento maior dos idealizadores do gótico, que criaram uma arquitetura viva. As catedrais estão tão perfeitamente integradas ao cosmo e são praticamente forças da natureza".

Chartres

Teve sua construção iniciada em 1194, num local onde havia, nos tempos pagãos, uma gruta com a estátua de uma Virgem Negra, esculpida em madeira pelos druidas e venerada por milhares de peregrinos franceses. Desde dos primórdios do cristianismo, a gruta fora substituída por templos católicos. Mas a catedral com suas 178 janelas, 2500 metros quadrados de vitrais e 700 estátuas e estatuetas no Portal Real só ficou pronta em 1260, sob o reinado de Filipe Augusto.

Toda a cidade participou dos trabalhos, e era hábito os pescadores assumirem o lugar dos cavalos entre as cangas dos carros que transportavam material. Um sacrifício e tanto, pois a pedreira mais próxima ficava a meio dia de viagem. E, diariamente, antes do expediente, todos comungavam, para não contaminar a obra.

Duomo de Milão

Com a pedra fundamental lançada em 1386, inaugurada várias vezes e ainda incompleta, é uma espécie de tapete de Penélope dos milaneses. A iniciativa da construção partiu do duque Gian Galeazzo Visconti, que a ofereceu como ex-voto à Virgem, em troca de um herdeiro. Mas toda a cidade contribuiu, até mesmo as prostitutas, que ofereceram uma noite de trabalho. Com 11 mil metros quadrados de área, 145 agulhas de 180 metros de altura, 3159 estátuas e 96 gigantes esculpidos, é um monumento que ainda consome milhões de liras em sua finalização. E para o qual até mesmo os sucessivos invasores de Milão ( beleguins, croatas, alemães, espanhóis e franceses) contribuíram. Napoleão, por exemplo, construiu a fachada, e a imperatriz austríaca Maria Teresa doou um Cravo da Cruz de Cristo como relíquia.

Colônia

A construção começou em 1248 e só foi finalizada em 1880, por Frederico Guilherme IV, que conseguiu recuperar o projeto original. Concebida para abrigar os restos mortais dos três Reis Magos, saqueados da Lombardia por Barba-Roxa e guardados num sarcófago de ouro e prata com 300 quilos de peso, a igreja ostenta quase 7 mil metros de fachada e é um dos maiores templos do mundo. Suas janelas têm 17 metros de altura, e as torres, que alcançam 150 metros, abrigam sinos grandiosos com mais de trinta toneladas de bronze. O curioso é que metade desse bronze foi obtida com a fundição de canhões requisitados de inimigos vencidos. Durante a Segunda Grande Guerra, quando a cidade foi praticamente destruída, a situação se inverteu e os sinos é que foram fundidos, para se transformar de novo em armamentos.

Notre Dame

Iniciada em 1163 e concluída em 1330, já abrigou sob seus arcos coroações e mendigos. Também resistiu a devastações entre os séculos 18 e19, quando teve suas pinturas e estátuas, vitrais e portas, tirados e substituídos por ornamentos barrocos. Na Revolução Francesa, transformaram-na em depósito de suprimentos e uma das torres foi derrubada simbolicamente, decapitada como os membros do clero. Mais tarde, vendida ao conde de Saint-Simon, quase foi demolida.

Durante a Comuna de Paris, tentou-se incendiá-la. Sobreviveu a tudo e resiste, cercada por lendas, como a do ferreiro Biscornet. Dizem que, encarregado de fazer suas fechaduras e assustado com a tarefa, Biscornet teria pedido ajuda ao Diabo, que, aliás, deve ter aceitado o pacto, pois as fechaduras são mesmo obras de arte.

Amiens

Construída em 1221, é uma das obras-primas do gótico na França. Um verdadeiro feito, pois em apenas três séculos os franceses ergueram nada menos que 80 catedrais e 500 grandes igrejas neste estilo, sem falar nos milhares de templos paroquiais. Era uma verdadeira corrida arquitetônica, na qual Amiens saiu vencedora, superando até mesmo Chartres e Notre Dame. Sua abóbada atinge a altura de quase 43 metros e cria uma sensação de suntuosidade inigualável.

Claro que a realização desse feito exigiu o empenho de toda a comunidade, e, sempre que os fundos escasseavam, os monges e cônegos locais ofereciam indulgências àqueles que colaborassem com a construção. Exortavam, particularmente, os penitentes e moribundos, lembrando-os de que já estavam "mais próximos do paraíso" do que no dia anterior.

ARQUITETURA GÓTICA

Em arquitetura o estilo gótico é caracterizado pelo arco de ogiva. Este estilo apareceu na França nos fins do século XII e expandiu-se pela Europa Ocidental, mantendo-se até a Renascença, ou seja, até o século XIV, na Itália, e até o século XVI ao norte dos Alpes. Moore definiu a arquitetura gótica como um "sistema de abóbadas, cuja estabilidade era assegurada por um equilíbrio perfeito de forças". Esta interessante definição é infelizmente incompleta, pois nem sequer cita os arcos de ogiva. Mas a verdade é que, se este elemento é fundamental no estilo gótico, aparece também noutros estilos, assim como o arco de volta inteira surge igualmente nos edifícios góticos. Durante o período românico, o arco de ogiva aparece principalmente nos lugares onde existe forte influência sarracena. Os arquitetos da catedral românica de Monreale, utilizaram-no freqüentemente. O românico espanhol, e mesmo o provençal, empregaram o arco de ogiva. Por outro lado, num edifício tão gótico quanto a catedral de Chartres, as janelas da clarabóia da nave são de volta inteira, salvo nas suas subdivisões, assim como os arcos diagonais da Notre-Dame de Paris. O arco de ogiva não é pois, tão característico do gótico como geralmente se pensa.

A definição de Moore não menciona as paredes, mas somente os três elementos principais da construção. No gótico francês, uma vez chegado o seu máximo esplendor, a parede deixou de ser com efeito, elemento da estrutura. O edifício é uma gaiola de vidro e de pedra com as janelas que vão de um pilar a outro. Se a parede existe ainda, por exemplo, sob as janelas das naves laterais, é somente como defesa contra as intempéries. Tudo se passa como se as paredes românicas tivessem sido cortadas em secções e cada secção houvesse girado sobre si própria num ângulo reto para o exterior, de modo a formar contra-fortes.

No seu início o gótico francês baseava-se nos elementos estruturais definidos por Moore, porém essa definição só se aplicaria à elaboração do gótico francês não abrangendo a arquitetura gótica de outros países ou as fases ulteriores deste estilo na França.

A ABÓBADA

Dentre os elementos da arquitetura gótica este seria o mais importante. Os arquitetos góticos introduziram duas inovações fundamentais na construção de abóbadas. Em primeiro lugar para os arcos dobrados e os arcos dianteiros terem a mesma dimensão que os arcos cruzeiros, adotaram o arco de ogiva. O cruzamento das ogivas permite obter abóbadas com arcos da mesma altura. Numa abóbada que cubra um espaço retangular, a ogiva dos arcos formeiros tem de ser muito pronunciada. Por outro lado, os construtores góticos tentaram concentrar a pressão das abóbadas ao longo de uma linha única, em frente de cada pilar, no exterior do edifício.

Os arcos góticos alteiam os arcos formeiros: em vez de os iniciar ao mesmo nível que os arcos diagonais, inserem um colunelo que permite colocar o nascimento dos arcos formeiros em nível superior ao dos outros. as janelas da clarabóia podem, assim, tornar-se mais importantes e deixa de ser necessário acentuar a ogiva do arco formeiro para obter uma abóbada de flechas iguais. Finalmente, a zona coberta pela abóbada na parede exterior reduz-se a uma linha em vez de se limitar a um triângulo. A nave da Catedral de Amiens oferece um exemplo claro deste sistema.

SUPORTE

Uma vez que a arquitetura gótica se desenvolveu à partir da românica, podemos encontrar um colunelo para cada nervura da abóbada, o que efetivamente acontece sobre os capitéis da arcada da nave. Como as proporções do edifício se tornaram mais leves, os fustes são mais esguios do que na arte românica e sublinham o movimento ascendente do conjunto. Quanto ao pilar propriamente dito, o caso é diferente. O pilar composto românico, por mais lógico que seja, é relativamente espesso; define o espaço da nave central e separa-a das laterais. As diferentes partes da igreja são desde então concebidas como unidade separadas. O gótico parece primeiramente retroceder. O pilar composto é substituído por uma coluna lisa e redonda cuja massa, menos volumosa, facilita a passagem entre a nave central e as laterais, criando um espaço único. Para que se torne possível utilizar colunas lias, os suportes aparentes dos arcos da abóbada devem terminar ao nível dos capitéis, o que embora arquitetonicamente possível é pouco estético. Com efeito, as verticais rígidas dos colunelos parecem interromper-se bruscamente demais.

Entretanto o desejo de se construir catedrais cada vez mais altas leva a um grande aprimoramento técnico e os fortíssimos pilares de Chartres por exemplo nos elegantes fustes de Amiens, testemunho de uma experiência mais avançada em termos de arquitetura.

A habilidade técnica em constante progresso dos construtores dos séculos XIV e XV permitir-lhes-á recorrer de novo ao pilar composto, cujos elementos serão tão finos e tão delicados que ele parece desafiar as leis da gravidade.

CONTRAFORTE

É o terceiro e último elemento estrutural do gótico

As paredes góticas ao contrário das românicas são finas, ou inexistentes sendo o contraforte tipicamente gótico composto de duas partes:

A primeira o contraforte propriamente dito inspira-se no contraforte românico e está colocado em ângulo reto em relação a igreja, contra a parede lateral, e, no mais alto grau de perfeição, eleva-se bastante alto. O peso deste elemento neutraliza a pressão das abóbadas.

O segundo elemento, ou arcobotante, é especificamente gótico. O arcobotante tem uma caixilharia diagonal de pedra; está escorado de um lado pelo contraforte, colocado a certa distância da parede, e por outro lado pela clarabóia da nave. O arcobotante dirige a pressão da abóbada para o exterior por cima da cobertura da nave central. Como é cimbrado por baixo, exerce um pouco de pressão sobre o vão; sozinho não poderia resistir à pressão lateral das abóbadas, mas associado aos contrafortes, tem uma força enorme. Foi graças a esse elemento que o gótico ousou construir naves tão altas e tão claras. A catedral gótica, eleva-se para o céu como uma oração e tal como a filosofia medieval, exprime o intangível e transcende o homem na sua procura do além.

ARQUITETURA CIVIL

No início da Idade Média a arquitetura civil refletia as condições incertas da época. Enquanto os camponeses viviam em cabanas de adobe ou pau-a-pique, ou mais raramente materiais sólidos, a nobreza européia vivia em castelos sem dúvida imponentes, mas incômodos e desconfortáveis. O fosso constitui a primeira linha de defesa. Os muros sólidos são enquadrados por torres colocadas nos ângulos e de ambos os lados da entrada e coroados por ameias cuja função é proteger e os arqueiros. Possuem também o menor número de aberturas possíveis e mesmo estas são muito pequenas.

No início da Idade Média a arquitetura civil refletia as condições incertas da época. Enquanto os camponeses viviam em cabanas de adobe ou pau-a-pique, ou mais raramente materiais sólidos, a nobreza européia vivia em castelos sem dúvida imponentes, mas incômodos e desconfortáveis. O fosso constitui a primeira linha de defesa. Os muros sólidos são enquadrados por torres colocadas nos ângulos e de ambos os lados da entrada e coroados por ameias cuja função é proteger e os arqueiros. Possuem também o menor número de aberturas possíveis e mesmo estas são muito pequenas.

Entretanto as condições de vida e a segurança melhoram com o tempo. Com a posterior popularização do vidro as vidraças se tornam mais comuns, resolvendo o problema da iluminação e aquecimento. Passa-se a ter uma maior preocupação com o conforto e a família e os servos passam a ter quartos de dormir mais amplos e confortáveis. Cada divisão importante é aquecida por fogões e as janelas envidraçadas ajudam a manter a temperatura e garantem uma boa luminosidade.

MOBÍLIA GÓTICA

Quanto a mobília gótica essa de início era bem pouco numerosa. As pinturas de época nos mostram camas maciças, mas o móvel principal era arca onde se guardavam os bens, e que servia igualmente de banco, ou até mesmo de cama. Os raros exemplares de móveis góticos que possuímos testemunham o mesmo estilo direto, o mesmo respeito pelos materiais e o mesmo amor pela ornamentação lavrada que na arquitetura e escultura. Este mobiliário é a maior parte das vezes de carvalho maciço.

ESCULTURA GÓTICA

As principais características da escultura gótica são a tendência ao naturalismo e a busca da beleza ideal. Em oposição à rigidez e abstração próprias do românico, os escultores góticos pretenderam imitar a natureza e tanto reproduziram pequenos detalhes vegetais como figuras dotadas de certo movimento e expressividade.

O tipo de religiosidade havia mudado em relação ao da alta Idade Média, e estabeleceu-se uma relação mais direta com a divindade. Ante o todo-poderoso Deus românico, o gótico centrou-se nas figuras de Cristo e da Virgem; ante o hieratismo anterior daquele estilo, buscou a humanidade das figuras divinas.

Nos pórticos das catedrais narravam-se em escultura, com clara finalidade didática, os principais temas religiosos, como a vida de Cristo e da Virgem, a Ressurreição e o Juízo Final, e até alguns profanos, como as estações do ano ou o zodíaco. No fim do gótico, a escultura em relevo acabou por invadir completamente as fachadas. Paralelamente a estas, o relevo se desenvolveu em retábulos, monumentos funerários e bancadas de coros, lugares em que, às vezes, se chegou a empregar a madeira. A escultura em redondo teve desenvolvimento menor e em geral se dedicou à imagem de culto.

Durante a evolução do gótico, a escultura exterior foi-se libertando do limite arquitetônico para adquirir volume e movimento próprios. Muitas vezes as figuras se relacionavam entre si e expressavam sentimentos. Os panejamentos foram ganhando mobilidade e, em muitos casos, deixaram intuir a anatomia, representada cada vez melhor. Depois de um período de grande expressividade, a escultura gótica evoluiu, na fase final, para um patetismo excessivo.

A escultura gótica se estendeu da zona da Île-de-France, seu primeiro foco, a outras regiões e países europeus. Destacam-se as fachadas dos cruzeiros da catedral de Chartres, assim como o portal dedicado à Virgem, na Notre-Dame de Paris, e as fachadas de Amiens e Reims, todas do século XIII.Durante o século XIV verificou-se um alongamento das formas e a escultura pôde então separar-se do limite arquitetônico. No fim desse mesmo século criou-se em Dijon, na corte dos duques de Borgonha, uma brilhante oficina escultórica, onde trabalhou Claus Sluter, autor do "Poço de Moisés" e do sepulcro de Filipe II o Audaz.

Na Itália verificou-se um abandono progressivo da estética bizantina dominante, graças à chegada do gótico francês e à influência da escultura clássica. Os melhores representantes foram Nicola Pisano, com o púlpito do batistério de Pisa; Andrea Pisano, que fez a primeira porta do batistério de Florença; e Arnolfo di Cambio.

Na Espanha, a escultura soube transformar os modelos importados, segundo um estilo particular, e tendeu para um misticismo severo e de intenso realismo. A escultura de portais seguiu o exemplo francês, como ocorreu com as portas do Sarmental e da Coronería, na catedral de Burgos, ou com a "Virgem branca" no mainel da fachada principal da catedral de León.

No século XIV, a escultura exterior das catedrais tornou-se mais minuciosa, por influência das obras em marfim e da arte mudéjar. Datam dessa época a Porta do Relógio da catedral de Toledo, o portal da igreja de Santa Maria de Vitória e a Porta Preciosa da catedral de Pamplona. O conjunto mais importante da escultura gótica do século XIV está na Catalunha e é formado por sepulcros e retábulos de clara influência italiana, como o túmulo de D. João de Aragão.

No século XV a influência da Borgonha e de Flandres tornou-se dominante e muitos mestres dessas nacionalidades chegaram à península ibérica. Em Castela destacaram-se os trabalhos de Simão de Colônia (São Paulo de Valladolid), Egas Cueman (portal dos Leões da catedral de Toledo), Juan Guas (San Juan de los Reyes de Toledo) e Gil de Siloé (sepulcros de João II e Isabel de Portugal na cartuxa de Miraflores). Em Sevilha, a influência flamenga mostra-se na obra de Lorenzo Mercadante, autor do sepulcro do cardeal Cervantes. Em Aragão, a estética borgonhesa se fez sentir na obra de Guillermo Sagrera.

PINTURA GÓTICA

Com a redução da extensão da parede nas igrejas, restringiu-se a pintura mural, que ficou relegada principalmente a salas capitulares e edifícios civis. Em seu lugar, as igrejas góticas se encheram de vitrais, que transformaram os efeitos luminosos em jogos pictóricos. Os mais destacados estão nas catedrais francesas de Chartres e Notre-Dame de Paris, e na de León, na Espanha. Também aumentou a produção de tapeçarias, que decoravam as paredes de palácios e casas senhoriais, e ganharam especial expansão a arte da miniatura e a pintura de cavalete sobre madeira, mais fácil de transportar e destinada à composição de retábulos.

Durante os séculos XIII e XIV, a pintura era linear, muito estilizada, de ritmo sinuoso e dominada pelo desenho e pela elegância formal. Pouco a pouco, a plenitude do românico cedeu lugar a figuras com algum sentido do volume, colocadas sobre fundos planos, quase sempre dourados, e, mais tarde, com certa sugestão de paisagem.

Os temas pictóricos procediam das hagiografias, das Sagradas Escrituras e dos relatos cavalheirescos. Tal como sucedeu com a arquitetura e a escultura, esse primeiro estilo da pintura gótica também se originou na França, motivo pelo qual foi chamado franco-gótico. Suas melhores manifestações são vitrais e miniaturas.

O refinado mundo cortesão, que concedia uma singular importância à mulher, produziu no século XV um novo estilo, conhecido como internacional, que unia a estética franco-gótica às influências dos mestres de Siena. Entre outras obras, destacaram-se as miniaturas do livro As riquíssimas horas do duque de Berry, de autoria dos irmãos Limbourg.

Com o desenvolvimento das escolas florentina e de Siena nos séculos XIII e XIV, a Itália encaminhou-se para o Renascimento, com seus novos postulados de busca de volume e de preocupação com a natureza. Entre seus principais representantes devem ser mencionados Cimabue e Giotto, em Florença, e Duccio di Buoninsegna e Simone Martini, em Siena.

A minuciosa pintura flamenga a óleo chegou a ser o estilo mais apreciado no mundo gótico. A utilização do óleo possibilitou cores mais vivas e brilhantes e maior detalhismo. Os iniciadores dessa escola foram os irmãos Hubert e Jan van Eyck, que pintaram o "Políptico da adoração do Cordeiro místico". Outros artistas destacados foram Roger van der Weyden, Hans Memling e Gérard David.




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